Formação

Vida dos Mártires de Tazacorte

Conheça a história dos Mártires de Tazacorte, os 40 missionários jesuítas que entregaram a vida a caminho da evangelização do Brasil.

Vida dos Mártires de Tazacorte
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Vida dos Mártires de Tazacorte

Conheça a história dos Mártires de Tazacorte, os 40 missionários jesuítas que entregaram a vida a caminho da evangelização do Brasil.

Data da Publicação: 29/08/2026
Tempo de leitura:
Autor: Redação MBC
Data da Publicação: 29/08/2026
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Autor: Redação MBC

Os Mártires de Tazacorte estão entre os primeiros mártires ligados à evangelização do Brasil, embora não tenham morrido em território brasileiro: entregaram a vida a caminho dele, quando seguiam em missão para reforçar a presença da Companhia de Jesus na colônia portuguesa. 

Liderados pelo Padre Inácio de Azevedo, esses missionários jesuítas partiram da Europa com o propósito de anunciar o Evangelho no Brasil. 

Em 15 de julho de 1570, durante a travessia, foram atacados por corsários calvinistas nas proximidades das Ilhas Canárias e entregaram a vida em testemunho da fé. Conheça a história dos Mártires de Tazacorte e compreenda por que são chamados de 40 Mártires do Brasil.

Quem foram os Mártires de Tazacorte?

Os Mártires de Tazacorte foram um grupo de missionários jesuítas liderados pelo Padre Inácio de Azevedo. Também são conhecidos como os 40 Mártires do Brasil porque viajavam com destino à missão brasileira quando foram mortos.

O nome “Mártires de Tazacorte” está ligado à região de La Palma, nas Ilhas Canárias, associada ao último trecho da viagem antes do martírio. Já a expressão “Mártires do Brasil” indica o sentido espiritual de sua entrega: eles morreram antes de chegar, mas ofereciam a vida pela evangelização da Terra de Santa Cruz.

A Igreja reconheceu oficialmente seu culto em 1854, no pontificado de Pio IX, e sua memória litúrgica é celebrada em 17 de julho.

Quem foi o Pe. Inácio de Azevedo?

O Padre Inácio de Azevedo nasceu no Porto, em Portugal, em 1526. Pertencia a uma família nobre e, ainda jovem, administrava os bens familiares. Após um período de retiro e discernimento, entrou na Companhia de Jesus em 1548.

Na vida religiosa, destacou-se pela capacidade de governo, pela oração e pelo zelo missionário. Foi reitor de colégios jesuítas em Portugal e recebeu de São Francisco de Borja, então superior-geral da Companhia de Jesus, a missão de visitar o Brasil.

Em 1566, veio à colônia portuguesa como visitador. Percorreu casas e missões jesuíticas, conheceu de perto as dificuldades da evangelização e percebeu a necessidade urgente de mais missionários. Ao retornar à Europa, recebeu o encargo de recrutar homens para a missão brasileira. Foi assim que se tornou líder da expedição martirizada em 1570.

Quem eram seus companheiros?

Os companheiros de Inácio de Azevedo eram jesuítas portugueses e espanhóis reunidos para a missão no Brasil. O grupo era formado por sacerdotes, irmãos, estudantes e jovens em formação religiosa.

A literatura registra que o grupo dos 40 mártires era composto por 32 jesuítas portugueses e 8 espanhóis. Todos pertenciam à Companhia de Jesus ou estavam vinculados à missão jesuítica que seguia para o Brasil.

A maioria era jovem e partia para uma terra distante, ainda em processo de evangelização, disposta a aprender, servir e trabalhar entre os povos indígenas e as comunidades da colônia portuguesa. 

Quando e onde nasceram?

Entre os membros do grupo, o mais conhecido é o padre Inácio de Azevedo, nascido no Porto, em Portugal, em 1526.

Seus companheiros tinham diferentes origens: alguns eram portugueses, outros espanhóis, vindos de regiões diversas da Península Ibérica. Nem todos tiveram seus dados biográficos preservados com a mesma precisão, mas a tradição jesuítica conservou seus nomes e a memória comum de sua entrega missionária.

Mais importante do que a origem individual de cada um é a unidade da missão: todos partiram movidos pelo mesmo propósito de servir à evangelização do Brasil.

Quando e onde morreram?

Os Mártires de Tazacorte morreram em 15 de julho de 1570, durante a viagem rumo ao Brasil.

A nau em que viajavam, chamada Santiago, foi atacada por corsários calvinistas franceses próximos à Ilha de La Palma, nas Canárias. O ataque foi liderado por Jacques de Sores, figura associada às guerras religiosas e à ação de corsários huguenotes no Atlântico.

Os missionários foram mortos por serem jesuítas e por seguirem em missão católica. Seus corpos foram lançados ao mar, e por isso não há sepultura corporal conhecida do grupo.

Onde viveram?

Antes da viagem, os missionários viviam em casas, colégios e ambientes de formação da Companhia de Jesus em Portugal e na Espanha.

Inácio de Azevedo viveu no Porto, em Coimbra, em Lisboa, em Braga e no Brasil, onde esteve entre 1566 e 1568 como visitador das missões jesuíticas. Seus companheiros passaram por etapas de formação religiosa e preparação espiritual antes da expedição.

O Brasil também ocupa lugar essencial nessa história. Ainda que muitos deles não tenham chegado a desembarcar, suas vidas foram definitivamente orientadas para a missão brasileira.

O contexto histórico dos Mártires de Tazacorte

A história dos Mártires de Tazacorte se passa na segunda metade do século XVI, em um tempo marcado pela expansão marítima europeia, pelas missões católicas, pelas disputas religiosas e pelos conflitos políticos no Atlântico.

A expansão das missões jesuíticas

A Companhia de Jesus foi fundada em 1540 e rapidamente assumiu papel decisivo na evangelização de novos territórios. No Brasil, os primeiros jesuítas chegaram em 1549, junto com o primeiro governador-geral, Tomé de Sousa.

Desde o início, a missão se mostrou difícil, pois os jesuítas enfrentaram a extensão do território, a diversidade das línguas indígenas, a falta de missionários, os desafios do clima, as tensões com colonos e a necessidade de formar comunidades cristãs estáveis.

Foi nesse contexto que o Padre Manuel da Nóbrega pediu reforços para a missão. Inácio de Azevedo, ao visitar o Brasil, compreendeu a urgência desse pedido e passou a organizar uma nova expedição missionária.

Reforma Protestante, Contrarreforma e perseguições religiosas

A morte dos Mártires de Tazacorte também precisa ser compreendida no contexto das divisões religiosas da Europa no século XVI.

A Reforma Protestante, as guerras de religião e a resposta da Igreja, muitas vezes chamada de Contrarreforma ou Reforma Católica, marcaram profundamente aquele período. Católicos e protestantes viviam tensões intensas em diferentes regiões da Europa, e essas disputas alcançavam também as rotas marítimas.

Corsários ligados ao mundo huguenote francês atuavam no Atlântico, atacando embarcações e interesses portugueses e espanhóis. O martírio dos jesuítas ocorreu nesse cenário de conflito religioso e expansão missionária.

A vida e missão dos Mártires de Tazacorte

A expedição dos Mártires de Tazacorte nasceu de uma necessidade concreta: reforçar a evangelização do Brasil com mais sacerdotes, irmãos e estudantes jesuítas.

A expedição missionária de 1570

Depois de visitar o Brasil e retornar à Europa, Inácio de Azevedo começou o recrutamento de missionários. Preparou homens para uma missão exigente, que pedia fé, coragem, obediência e disposição para servir em uma terra distante.

A expedição organizada em 1570 era maior do que o grupo que seria martirizado. Parte dos missionários viajava em outras embarcações. Inácio de Azevedo, porém, seguiu na nau Santiago com 39 companheiros.

A preparação não foi apenas logística, pois o grupo partia com clara consciência espiritual de que a missão no Brasil exigiria sacrifício, renúncia e fidelidade. O martírio, embora não fosse procurado por si mesmo, era uma possibilidade concreta em uma época marcada por grandes perigos no mar.

A caminho do Brasil

A expedição deixou Portugal em direção ao Brasil e fez escala na Ilha da Madeira. Ali, as embarcações permaneceram por algum tempo.

A nau Santiago seguiu depois em direção às Canárias, embora já houvesse notícias de que a região era ameaçada por corsários calvinistas franceses. 

Próximo à Ilha de La Palma, a embarcação foi alcançada por navios comandados por Jacques de Sores. A missão ao Brasil, que deveria continuar no outro lado do Atlântico, encontrou ali seu fim terreno e seu início como testemunho martirial.

O martírio dos Mártires de Tazacorte

O martírio dos 40 jesuítas ocupa um lugar marcante na história missionária ligada ao Brasil. A Igreja não contempla a violência por si mesma, mas reconhece o testemunho daqueles que permaneceram fiéis a Cristo diante da morte.

O ataque dos corsários

O ataque ocorreu em 15 de julho de 1570. Os corsários franceses alcançaram a nau Santiago e a tomaram.

Ao identificarem os missionários jesuítas, os atacantes voltaram sua violência especialmente contra eles. A perseguição não se dirigia apenas a passageiros de uma embarcação inimiga, mas a homens que partiam para anunciar a fé católica no Brasil.

Inácio de Azevedo, como líder espiritual do grupo, colocou-se diante dos agressores segurando uma imagem de Nossa Senhora. A tradição identifica essa imagem com a devoção à Salus Populi Romani ou à Madonna di San Luca, ligada à piedade mariana jesuítica daquele período.

A fidelidade até a morte

Diante do ataque, os missionários permaneceram firmes. Inácio de Azevedo encorajou seus companheiros e testemunhou publicamente sua fé.

A iconografia católica costuma apresentá-lo com a imagem de Nossa Senhora nas mãos, sinal que resume bem o sentido do martírio: a missão jesuítica ao Brasil, a fidelidade à Igreja, o amor a Cristo e a confiança na intercessão da Virgem Maria.

Os missionários foram mortos e lançados ao mar. O episódio marcou profundamente a Companhia de Jesus e se tornou um dos grandes testemunhos missionários ligados à história da evangelização brasileira.

Fatos ligados ao martírio

Algumas tradições espirituais e históricas ficaram associadas ao martírio dos 40 jesuítas.

Uma delas é a visão de Santa Teresa d’Ávila. Segundo a tradição preservada, enquanto o martírio acontecia no mar, a santa teria contemplado a entrada dos mártires no céu. Esse relato pertence à memória devocional do episódio e revela a forte repercussão espiritual que o martírio teve no ambiente católico da época.

Outro elemento importante é o poema de São José de Anchieta dedicado a Inácio de Azevedo. Escrito em castelhano, o poema contempla o martírio à luz da fé e apresenta a morte de Inácio como vitória espiritual.

Também se preservou a tradição ligada à imagem de Nossa Senhora que Inácio segurava no momento do ataque. A devoção à imagem mariana se tornou parte da iconografia e da memória dos Mártires do Brasil.

A tradição sobre a substituição voluntária e a contagem dos 40 mártires aparece em registros antigos ligados à Companhia de Jesus e ao processo de beatificação. Cronistas jesuítas dos séculos XVI e XVII também preservaram detalhes sobre Nicolau Diniz, natural de Bragança, frequentemente mencionado como irmão estudante. 

Na tradição hagiográfica, a substituição para completar o número de 40 aparece ligada a um jovem chamado João, por vezes associado ao sobrinho do capitão da nau Santiago, João de Sanjoane. Segundo essa tradição, ao ver o martírio dos padres e saber que o grupo havia sido reduzido pela exclusão do cozinheiro poupado, ele pediu para vestir a batina de um dos missionários mortos e saltou ao mar com eles.

Esse ato garantiu que o grupo final mantivesse exatamente o número místico de 40 pessoas martirizadas — tradição que permaneceu na memória hagiográfica ligada ao grupo dos 40 mártires.

A contribuição dos Mártires de Tazacorte para a fé no Brasil

A contribuição dos Mártires de Tazacorte para a fé no Brasil é única porque eles morreram antes de chegar à missão para a qual haviam sido enviados.

Essa circunstância dá ao testemunho dos mártires uma força simbólica especial. Eles não plantaram igrejas, colégios ou aldeamentos em solo brasileiro; ainda assim, ofereceram a própria vida pela evangelização do país.

O espírito missionário da Companhia de Jesus aparece de modo claro nessa história. Para os jesuítas, anunciar o Evangelho exigia deslocamento, estudo, adaptação, obediência e, quando necessário, sacrifício. Inácio e seus companheiros pertencem a essa tradição missionária.

A disposição dos mártires de entregar a vida mostra que a evangelização não nasce apenas de estratégias humanas, mas se alimenta da caridade, da fé e da esperança. Embora não tenham chegado a ver os frutos da missão, o martírio tornou-se semente espiritual para a história da Igreja no Brasil.

Também é importante recordar seu testemunho de fidelidade à Igreja. Em uma época de divisões religiosas profundas, eles permaneceram unidos à fé recebida, à missão confiada e ao chamado de Cristo.

Por isso, sua memória ajuda a compreender a evangelização brasileira não apenas como processo histórico, mas como obra marcada por sacrifício, oração e entrega.

Processo de beatificação dos Mártires de Tazacorte

O reconhecimento oficial dos Mártires de Tazacorte veio depois de uma longa tradição de culto e memória preservada pela Companhia de Jesus e pelos fiéis.

Beatificação e confirmação do culto

O culto aos Mártires de Tazacorte foi confirmado pelo Papa Pio IX em 11 de maio de 1854. Por esse reconhecimento, Inácio de Azevedo e seus companheiros passaram a ser venerados como beatos.

A confirmação do culto reconheceu a memória martirial já preservada havia séculos. Desde os primeiros anos após a morte, a Companhia de Jesus e muitos fiéis viam no episódio um verdadeiro testemunho de martírio.

Atualmente, o grupo permanece na etapa de beatos. Para uma eventual canonização, seria necessária nova decisão da Santa Sé, conforme o processo próprio das causas dos santos.

Relíquias dos Mártires de Tazacorte

A memória dos Mártires de Tazacorte é diferente da de muitos outros beatos, pois não há um túmulo comum ou sepultura corporal preservada.

Onde estão sepultados?

Os corpos dos missionários foram lançados ao mar durante o martírio. Por isso, não existe um local de sepultamento conhecido onde seus restos mortais possam ser venerados.

Essa ausência de sepultura tornou sua memória ainda mais ligada à liturgia, à iconografia, à história da Companhia de Jesus e aos lugares associados à expedição e ao martírio.

O mar das Canárias tornou-se, de certo modo, o grande lugar simbólico de sua entrega. Eles partiram para a Terra de Santa Cruz, mas encontraram no caminho a coroa do martírio.

Relíquias e locais de veneração

Como os corpos foram lançados ao mar, não há relíquias corporais amplamente reconhecidas dos Mártires de Tazacorte.

A memória do grupo, porém, é preservada em imagens, registros históricos, devoções, textos litúrgicos e lugares ligados à Companhia de Jesus. O artigo acadêmico de Maria Cristina Osswald sobre a devoção e a iconografia dos 40 Mártires recorda a escassez de relíquias e a importância das imagens na difusão de seu culto.

Também há referências iconográficas em ambientes jesuíticos, incluindo representações do martírio e da figura de Inácio de Azevedo segurando a imagem de Nossa Senhora.

Devoção e memória dos Mártires de Tazacorte

A devoção aos Mártires de Tazacorte permanece especialmente ligada à Companhia de Jesus, à memória missionária do Brasil e às comunidades que celebram sua festa litúrgica.

Igrejas, memoriais e celebrações

Os principais lugares ligados à sua memória são aqueles relacionados à história da expedição e do martírio: Portugal, onde a missão foi preparada; as Ilhas Canárias, onde ocorreu o martírio; e o Brasil, destino espiritual da missão.

No Brasil, sua memória aparece especialmente no contexto da história da evangelização jesuítica. Não se trata de uma devoção tão popular quanto a de outros beatos brasileiros, mas sua importância histórica e espiritual é profunda.

As celebrações litúrgicas, os textos devocionais e os estudos sobre os mártires ajudam a manter viva a memória desses missionários que ofereceram a vida antes mesmo de chegar ao país.

Festa litúrgica

A festa litúrgica dos Mártires de Tazacorte é celebrada em 17 de julho.

A data recorda a entrega dos 40 missionários e convida os fiéis a contemplar o valor da missão, da fidelidade e do martírio. Celebrá-los é reconhecer que a história da fé no Brasil também foi marcada por aqueles que se dispuseram a vir para evangelizar, ainda que tenham morrido no caminho.

Orações e devoção aos Mártires de Tazacorte

A oração aos Beatos Inácio de Azevedo e Companheiros Mártires pede a graça de professar constantemente a fé recebida dos antepassados e recorda que o sangue dos mártires regou as primeiras sementes do Evangelho lançadas na Terra de Santa Cruz.

A oração diz:

“Ó Deus, que escolhestes Inácio de Azevedo e seus companheiros para regarem com seu sangue as primeiras sementes do Evangelho lançadas na Terra de Santa Cruz, concedei-nos, para Vossa maior glória, professar constantemente a fé que recebemos de nossos antepassados.

Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém.”

Os Mártires de Tazacorte ocupam um lugar singular na história da Igreja no Brasil. Eles não chegaram à colônia portuguesa, mas morreram a caminho dela, oferecendo a vida pela missão que haviam abraçado.

Seu testemunho recorda que a evangelização nasce da fé, da obediência, da coragem e da disponibilidade para servir. Inácio de Azevedo e seus companheiros não são apenas personagens de um episódio marítimo do século XVI; são missionários que entregaram tudo por Cristo e pela Igreja.

Ao recordar a história dos Mártires de Tazacorte, a Igreja no Brasil contempla as raízes martiriais da própria evangelização e reconhece, nesses 40 beatos, um sinal de fidelidade, esperança e amor missionário. 


Referências 

ACI DIGITAL. Hoje a Igreja celebra o beato Inácio de Azevedo e companheiros, mártires do Brasil. Disponível em: https://www.acidigital.com/noticia/58505/hoje-a-igreja-celebra-o-beato-inacio-de-azevedo-e-companheiros-martires-do-brasil.

ITAICI. Beato Inácio de Azevedo e Companheiros Mártires. Disponível em: https://www.itaici.org.br/_santos-inacianos/17-07-beato-inacio-de-azevedo-e-companheiros-1527-1570/.

PONTO SJ. Mártires do Brasil. Disponível em: https://pontosj.pt/martiresdobrasil/.

TEIXEIRA, Gabriel Coelho. Padre Inácio de Azevedo e Companheiros — Os quarenta mártires do Brasil. In: Santidade no Brasil. Minha Biblioteca Católica, p. 360-394.

THE SOCIETY OF JESUS. Blessed Ignatius de Azevedo. Disponível em: https://www.jesuits.global/saint-blessed/blessed-ignatius-de-azevedo/.

Redação MBC

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O maior clube de livros católicos do Brasil.

Os Mártires de Tazacorte estão entre os primeiros mártires ligados à evangelização do Brasil, embora não tenham morrido em território brasileiro: entregaram a vida a caminho dele, quando seguiam em missão para reforçar a presença da Companhia de Jesus na colônia portuguesa. 

Liderados pelo Padre Inácio de Azevedo, esses missionários jesuítas partiram da Europa com o propósito de anunciar o Evangelho no Brasil. 

Em 15 de julho de 1570, durante a travessia, foram atacados por corsários calvinistas nas proximidades das Ilhas Canárias e entregaram a vida em testemunho da fé. Conheça a história dos Mártires de Tazacorte e compreenda por que são chamados de 40 Mártires do Brasil.

Quem foram os Mártires de Tazacorte?

Os Mártires de Tazacorte foram um grupo de missionários jesuítas liderados pelo Padre Inácio de Azevedo. Também são conhecidos como os 40 Mártires do Brasil porque viajavam com destino à missão brasileira quando foram mortos.

O nome “Mártires de Tazacorte” está ligado à região de La Palma, nas Ilhas Canárias, associada ao último trecho da viagem antes do martírio. Já a expressão “Mártires do Brasil” indica o sentido espiritual de sua entrega: eles morreram antes de chegar, mas ofereciam a vida pela evangelização da Terra de Santa Cruz.

A Igreja reconheceu oficialmente seu culto em 1854, no pontificado de Pio IX, e sua memória litúrgica é celebrada em 17 de julho.

Quem foi o Pe. Inácio de Azevedo?

O Padre Inácio de Azevedo nasceu no Porto, em Portugal, em 1526. Pertencia a uma família nobre e, ainda jovem, administrava os bens familiares. Após um período de retiro e discernimento, entrou na Companhia de Jesus em 1548.

Na vida religiosa, destacou-se pela capacidade de governo, pela oração e pelo zelo missionário. Foi reitor de colégios jesuítas em Portugal e recebeu de São Francisco de Borja, então superior-geral da Companhia de Jesus, a missão de visitar o Brasil.

Em 1566, veio à colônia portuguesa como visitador. Percorreu casas e missões jesuíticas, conheceu de perto as dificuldades da evangelização e percebeu a necessidade urgente de mais missionários. Ao retornar à Europa, recebeu o encargo de recrutar homens para a missão brasileira. Foi assim que se tornou líder da expedição martirizada em 1570.

Quem eram seus companheiros?

Os companheiros de Inácio de Azevedo eram jesuítas portugueses e espanhóis reunidos para a missão no Brasil. O grupo era formado por sacerdotes, irmãos, estudantes e jovens em formação religiosa.

A literatura registra que o grupo dos 40 mártires era composto por 32 jesuítas portugueses e 8 espanhóis. Todos pertenciam à Companhia de Jesus ou estavam vinculados à missão jesuítica que seguia para o Brasil.

A maioria era jovem e partia para uma terra distante, ainda em processo de evangelização, disposta a aprender, servir e trabalhar entre os povos indígenas e as comunidades da colônia portuguesa. 

Quando e onde nasceram?

Entre os membros do grupo, o mais conhecido é o padre Inácio de Azevedo, nascido no Porto, em Portugal, em 1526.

Seus companheiros tinham diferentes origens: alguns eram portugueses, outros espanhóis, vindos de regiões diversas da Península Ibérica. Nem todos tiveram seus dados biográficos preservados com a mesma precisão, mas a tradição jesuítica conservou seus nomes e a memória comum de sua entrega missionária.

Mais importante do que a origem individual de cada um é a unidade da missão: todos partiram movidos pelo mesmo propósito de servir à evangelização do Brasil.

Quando e onde morreram?

Os Mártires de Tazacorte morreram em 15 de julho de 1570, durante a viagem rumo ao Brasil.

A nau em que viajavam, chamada Santiago, foi atacada por corsários calvinistas franceses próximos à Ilha de La Palma, nas Canárias. O ataque foi liderado por Jacques de Sores, figura associada às guerras religiosas e à ação de corsários huguenotes no Atlântico.

Os missionários foram mortos por serem jesuítas e por seguirem em missão católica. Seus corpos foram lançados ao mar, e por isso não há sepultura corporal conhecida do grupo.

Onde viveram?

Antes da viagem, os missionários viviam em casas, colégios e ambientes de formação da Companhia de Jesus em Portugal e na Espanha.

Inácio de Azevedo viveu no Porto, em Coimbra, em Lisboa, em Braga e no Brasil, onde esteve entre 1566 e 1568 como visitador das missões jesuíticas. Seus companheiros passaram por etapas de formação religiosa e preparação espiritual antes da expedição.

O Brasil também ocupa lugar essencial nessa história. Ainda que muitos deles não tenham chegado a desembarcar, suas vidas foram definitivamente orientadas para a missão brasileira.

O contexto histórico dos Mártires de Tazacorte

A história dos Mártires de Tazacorte se passa na segunda metade do século XVI, em um tempo marcado pela expansão marítima europeia, pelas missões católicas, pelas disputas religiosas e pelos conflitos políticos no Atlântico.

A expansão das missões jesuíticas

A Companhia de Jesus foi fundada em 1540 e rapidamente assumiu papel decisivo na evangelização de novos territórios. No Brasil, os primeiros jesuítas chegaram em 1549, junto com o primeiro governador-geral, Tomé de Sousa.

Desde o início, a missão se mostrou difícil, pois os jesuítas enfrentaram a extensão do território, a diversidade das línguas indígenas, a falta de missionários, os desafios do clima, as tensões com colonos e a necessidade de formar comunidades cristãs estáveis.

Foi nesse contexto que o Padre Manuel da Nóbrega pediu reforços para a missão. Inácio de Azevedo, ao visitar o Brasil, compreendeu a urgência desse pedido e passou a organizar uma nova expedição missionária.

Reforma Protestante, Contrarreforma e perseguições religiosas

A morte dos Mártires de Tazacorte também precisa ser compreendida no contexto das divisões religiosas da Europa no século XVI.

A Reforma Protestante, as guerras de religião e a resposta da Igreja, muitas vezes chamada de Contrarreforma ou Reforma Católica, marcaram profundamente aquele período. Católicos e protestantes viviam tensões intensas em diferentes regiões da Europa, e essas disputas alcançavam também as rotas marítimas.

Corsários ligados ao mundo huguenote francês atuavam no Atlântico, atacando embarcações e interesses portugueses e espanhóis. O martírio dos jesuítas ocorreu nesse cenário de conflito religioso e expansão missionária.

A vida e missão dos Mártires de Tazacorte

A expedição dos Mártires de Tazacorte nasceu de uma necessidade concreta: reforçar a evangelização do Brasil com mais sacerdotes, irmãos e estudantes jesuítas.

A expedição missionária de 1570

Depois de visitar o Brasil e retornar à Europa, Inácio de Azevedo começou o recrutamento de missionários. Preparou homens para uma missão exigente, que pedia fé, coragem, obediência e disposição para servir em uma terra distante.

A expedição organizada em 1570 era maior do que o grupo que seria martirizado. Parte dos missionários viajava em outras embarcações. Inácio de Azevedo, porém, seguiu na nau Santiago com 39 companheiros.

A preparação não foi apenas logística, pois o grupo partia com clara consciência espiritual de que a missão no Brasil exigiria sacrifício, renúncia e fidelidade. O martírio, embora não fosse procurado por si mesmo, era uma possibilidade concreta em uma época marcada por grandes perigos no mar.

A caminho do Brasil

A expedição deixou Portugal em direção ao Brasil e fez escala na Ilha da Madeira. Ali, as embarcações permaneceram por algum tempo.

A nau Santiago seguiu depois em direção às Canárias, embora já houvesse notícias de que a região era ameaçada por corsários calvinistas franceses. 

Próximo à Ilha de La Palma, a embarcação foi alcançada por navios comandados por Jacques de Sores. A missão ao Brasil, que deveria continuar no outro lado do Atlântico, encontrou ali seu fim terreno e seu início como testemunho martirial.

O martírio dos Mártires de Tazacorte

O martírio dos 40 jesuítas ocupa um lugar marcante na história missionária ligada ao Brasil. A Igreja não contempla a violência por si mesma, mas reconhece o testemunho daqueles que permaneceram fiéis a Cristo diante da morte.

O ataque dos corsários

O ataque ocorreu em 15 de julho de 1570. Os corsários franceses alcançaram a nau Santiago e a tomaram.

Ao identificarem os missionários jesuítas, os atacantes voltaram sua violência especialmente contra eles. A perseguição não se dirigia apenas a passageiros de uma embarcação inimiga, mas a homens que partiam para anunciar a fé católica no Brasil.

Inácio de Azevedo, como líder espiritual do grupo, colocou-se diante dos agressores segurando uma imagem de Nossa Senhora. A tradição identifica essa imagem com a devoção à Salus Populi Romani ou à Madonna di San Luca, ligada à piedade mariana jesuítica daquele período.

A fidelidade até a morte

Diante do ataque, os missionários permaneceram firmes. Inácio de Azevedo encorajou seus companheiros e testemunhou publicamente sua fé.

A iconografia católica costuma apresentá-lo com a imagem de Nossa Senhora nas mãos, sinal que resume bem o sentido do martírio: a missão jesuítica ao Brasil, a fidelidade à Igreja, o amor a Cristo e a confiança na intercessão da Virgem Maria.

Os missionários foram mortos e lançados ao mar. O episódio marcou profundamente a Companhia de Jesus e se tornou um dos grandes testemunhos missionários ligados à história da evangelização brasileira.

Fatos ligados ao martírio

Algumas tradições espirituais e históricas ficaram associadas ao martírio dos 40 jesuítas.

Uma delas é a visão de Santa Teresa d’Ávila. Segundo a tradição preservada, enquanto o martírio acontecia no mar, a santa teria contemplado a entrada dos mártires no céu. Esse relato pertence à memória devocional do episódio e revela a forte repercussão espiritual que o martírio teve no ambiente católico da época.

Outro elemento importante é o poema de São José de Anchieta dedicado a Inácio de Azevedo. Escrito em castelhano, o poema contempla o martírio à luz da fé e apresenta a morte de Inácio como vitória espiritual.

Também se preservou a tradição ligada à imagem de Nossa Senhora que Inácio segurava no momento do ataque. A devoção à imagem mariana se tornou parte da iconografia e da memória dos Mártires do Brasil.

A tradição sobre a substituição voluntária e a contagem dos 40 mártires aparece em registros antigos ligados à Companhia de Jesus e ao processo de beatificação. Cronistas jesuítas dos séculos XVI e XVII também preservaram detalhes sobre Nicolau Diniz, natural de Bragança, frequentemente mencionado como irmão estudante. 

Na tradição hagiográfica, a substituição para completar o número de 40 aparece ligada a um jovem chamado João, por vezes associado ao sobrinho do capitão da nau Santiago, João de Sanjoane. Segundo essa tradição, ao ver o martírio dos padres e saber que o grupo havia sido reduzido pela exclusão do cozinheiro poupado, ele pediu para vestir a batina de um dos missionários mortos e saltou ao mar com eles.

Esse ato garantiu que o grupo final mantivesse exatamente o número místico de 40 pessoas martirizadas — tradição que permaneceu na memória hagiográfica ligada ao grupo dos 40 mártires.

A contribuição dos Mártires de Tazacorte para a fé no Brasil

A contribuição dos Mártires de Tazacorte para a fé no Brasil é única porque eles morreram antes de chegar à missão para a qual haviam sido enviados.

Essa circunstância dá ao testemunho dos mártires uma força simbólica especial. Eles não plantaram igrejas, colégios ou aldeamentos em solo brasileiro; ainda assim, ofereceram a própria vida pela evangelização do país.

O espírito missionário da Companhia de Jesus aparece de modo claro nessa história. Para os jesuítas, anunciar o Evangelho exigia deslocamento, estudo, adaptação, obediência e, quando necessário, sacrifício. Inácio e seus companheiros pertencem a essa tradição missionária.

A disposição dos mártires de entregar a vida mostra que a evangelização não nasce apenas de estratégias humanas, mas se alimenta da caridade, da fé e da esperança. Embora não tenham chegado a ver os frutos da missão, o martírio tornou-se semente espiritual para a história da Igreja no Brasil.

Também é importante recordar seu testemunho de fidelidade à Igreja. Em uma época de divisões religiosas profundas, eles permaneceram unidos à fé recebida, à missão confiada e ao chamado de Cristo.

Por isso, sua memória ajuda a compreender a evangelização brasileira não apenas como processo histórico, mas como obra marcada por sacrifício, oração e entrega.

Processo de beatificação dos Mártires de Tazacorte

O reconhecimento oficial dos Mártires de Tazacorte veio depois de uma longa tradição de culto e memória preservada pela Companhia de Jesus e pelos fiéis.

Beatificação e confirmação do culto

O culto aos Mártires de Tazacorte foi confirmado pelo Papa Pio IX em 11 de maio de 1854. Por esse reconhecimento, Inácio de Azevedo e seus companheiros passaram a ser venerados como beatos.

A confirmação do culto reconheceu a memória martirial já preservada havia séculos. Desde os primeiros anos após a morte, a Companhia de Jesus e muitos fiéis viam no episódio um verdadeiro testemunho de martírio.

Atualmente, o grupo permanece na etapa de beatos. Para uma eventual canonização, seria necessária nova decisão da Santa Sé, conforme o processo próprio das causas dos santos.

Relíquias dos Mártires de Tazacorte

A memória dos Mártires de Tazacorte é diferente da de muitos outros beatos, pois não há um túmulo comum ou sepultura corporal preservada.

Onde estão sepultados?

Os corpos dos missionários foram lançados ao mar durante o martírio. Por isso, não existe um local de sepultamento conhecido onde seus restos mortais possam ser venerados.

Essa ausência de sepultura tornou sua memória ainda mais ligada à liturgia, à iconografia, à história da Companhia de Jesus e aos lugares associados à expedição e ao martírio.

O mar das Canárias tornou-se, de certo modo, o grande lugar simbólico de sua entrega. Eles partiram para a Terra de Santa Cruz, mas encontraram no caminho a coroa do martírio.

Relíquias e locais de veneração

Como os corpos foram lançados ao mar, não há relíquias corporais amplamente reconhecidas dos Mártires de Tazacorte.

A memória do grupo, porém, é preservada em imagens, registros históricos, devoções, textos litúrgicos e lugares ligados à Companhia de Jesus. O artigo acadêmico de Maria Cristina Osswald sobre a devoção e a iconografia dos 40 Mártires recorda a escassez de relíquias e a importância das imagens na difusão de seu culto.

Também há referências iconográficas em ambientes jesuíticos, incluindo representações do martírio e da figura de Inácio de Azevedo segurando a imagem de Nossa Senhora.

Devoção e memória dos Mártires de Tazacorte

A devoção aos Mártires de Tazacorte permanece especialmente ligada à Companhia de Jesus, à memória missionária do Brasil e às comunidades que celebram sua festa litúrgica.

Igrejas, memoriais e celebrações

Os principais lugares ligados à sua memória são aqueles relacionados à história da expedição e do martírio: Portugal, onde a missão foi preparada; as Ilhas Canárias, onde ocorreu o martírio; e o Brasil, destino espiritual da missão.

No Brasil, sua memória aparece especialmente no contexto da história da evangelização jesuítica. Não se trata de uma devoção tão popular quanto a de outros beatos brasileiros, mas sua importância histórica e espiritual é profunda.

As celebrações litúrgicas, os textos devocionais e os estudos sobre os mártires ajudam a manter viva a memória desses missionários que ofereceram a vida antes mesmo de chegar ao país.

Festa litúrgica

A festa litúrgica dos Mártires de Tazacorte é celebrada em 17 de julho.

A data recorda a entrega dos 40 missionários e convida os fiéis a contemplar o valor da missão, da fidelidade e do martírio. Celebrá-los é reconhecer que a história da fé no Brasil também foi marcada por aqueles que se dispuseram a vir para evangelizar, ainda que tenham morrido no caminho.

Orações e devoção aos Mártires de Tazacorte

A oração aos Beatos Inácio de Azevedo e Companheiros Mártires pede a graça de professar constantemente a fé recebida dos antepassados e recorda que o sangue dos mártires regou as primeiras sementes do Evangelho lançadas na Terra de Santa Cruz.

A oração diz:

“Ó Deus, que escolhestes Inácio de Azevedo e seus companheiros para regarem com seu sangue as primeiras sementes do Evangelho lançadas na Terra de Santa Cruz, concedei-nos, para Vossa maior glória, professar constantemente a fé que recebemos de nossos antepassados.

Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém.”

Os Mártires de Tazacorte ocupam um lugar singular na história da Igreja no Brasil. Eles não chegaram à colônia portuguesa, mas morreram a caminho dela, oferecendo a vida pela missão que haviam abraçado.

Seu testemunho recorda que a evangelização nasce da fé, da obediência, da coragem e da disponibilidade para servir. Inácio de Azevedo e seus companheiros não são apenas personagens de um episódio marítimo do século XVI; são missionários que entregaram tudo por Cristo e pela Igreja.

Ao recordar a história dos Mártires de Tazacorte, a Igreja no Brasil contempla as raízes martiriais da própria evangelização e reconhece, nesses 40 beatos, um sinal de fidelidade, esperança e amor missionário. 


Referências 

ACI DIGITAL. Hoje a Igreja celebra o beato Inácio de Azevedo e companheiros, mártires do Brasil. Disponível em: https://www.acidigital.com/noticia/58505/hoje-a-igreja-celebra-o-beato-inacio-de-azevedo-e-companheiros-martires-do-brasil.

ITAICI. Beato Inácio de Azevedo e Companheiros Mártires. Disponível em: https://www.itaici.org.br/_santos-inacianos/17-07-beato-inacio-de-azevedo-e-companheiros-1527-1570/.

PONTO SJ. Mártires do Brasil. Disponível em: https://pontosj.pt/martiresdobrasil/.

TEIXEIRA, Gabriel Coelho. Padre Inácio de Azevedo e Companheiros — Os quarenta mártires do Brasil. In: Santidade no Brasil. Minha Biblioteca Católica, p. 360-394.

THE SOCIETY OF JESUS. Blessed Ignatius de Azevedo. Disponível em: https://www.jesuits.global/saint-blessed/blessed-ignatius-de-azevedo/.

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