A abertura à vida não se mede pelo número de filhos, mas pela fidelidade à vontade de Deus. Entenda como viver esse chamado com generosidade e prudência.
A abertura à vida não se mede pelo número de filhos, mas pela fidelidade à vontade de Deus. Entenda como viver esse chamado com generosidade e prudência.
A Igreja há muito superou a ideia reducionista de que o ato conjugal existe apenas para a procriação.
Graças às catequeses de São João Paulo II, reunidas na obra Teologia do Corpo, compreendemos que o amor matrimonial vai além da união sexual. Para que um casamento seja fecundo, é preciso muito mais. A fecundidade é um pilar, mas não o único. O Papa Peregrino do Amor nos lembra que o amor autêntico carrega quatro marcas essenciais: precisa ser livre, fiel, fecundo e total. Cada uma dessas características ressoa na alma humana, impedindo-nos de cair em falsificações do verdadeiro amor.
O amor livre nos convoca a nos entregarmos sem amarras, sem pressões ou imposições. Amar é uma escolha: plena, comprometida, desinteressada.
A fidelidade vai além da exclusividade conjugal. Trata-se de permanecer presente, constante, independente das tormentas que a vida trará. É a decisão firme de ser porto seguro para o outro.
A totalidade implica uma entrega sem reservas, sem segundas intenções ou contratos ocultos. Não é um amar pela metade, não é uma aliança de conveniência onde cada um mantém sua conta bancária isolada ou guarda reservas afetivas por medo de se lançar. Amar de maneira total é dar-se de corpo e alma, como Cristo fez por nós. Para São João Paulo II, esse é o alicerce inegociável do matrimônio autêntico.
E então chegamos à fecundidade, pedra angular dos casamentos cristãos e, paradoxalmente, um ponto de confusão entre muitos casais.
Não, não falaremos sobre como a geração atual, em sua ânsia de evitar o sacrifício, substitui filhos por pets, mascarando o egoísmo com discursos de liberdade. Falemos do verdadeiro gargalo que desafia as famílias católicas: o mal-entendido sobre a abertura à vida.
A expressão “abertura à vida” tem sido usada de forma equivocada. Muitos a interpretam como um chamado à procriação desenfreada, sem critério, como se a santidade fosse medida pelo número de filhos e não pela fidelidade à vontade de Deus. Mas essa abertura à vida não significa obrigatoriamente ter filhos sem freio, sem prudência ou reflexão. Significa, acima de tudo, cooperar com Deus, participar ativamente da criação, de forma consciente e responsável.
O Papa Paulo VI, na Humanae Vitae, ensina que dar a vida a um filho é uma vocação divina (sessão 11) e deve ser vivida com generosidade, não como um fardo (sessão 10), mas também sem cair na armadilha do egoísmo ou do medo (sessão 12).
É por isso que a Igreja não apenas encoraja famílias numerosas, mas também alerta sobre a necessidade de sabedoria e discernimento. São Josemaria Escrivá, fundador do Opus Dei, reforça essa verdade: “Quando louvo a família numerosa, não me refiro àquela que é consequência de relações meramente fisiológicas, mas à que é fruto do exercício das virtudes cristãs.” Dar filhos a Deus não significa apenas gerá-los, mas educá-los, formá-los, conduzi-los à santidade.
A virtude sempre reside no equilíbrio. O cristão prudente não age por impulso, mas por princípios. A prudência, como nos ensinam os santos, é a capacidade de tomar decisões sábias, equilibradas, conforme a realidade que se apresenta.
“Os casais devem lembrar, quando recebem conselhos e recomendações sobre [ter filhos], que o que eles têm que fazer é descobrir o que Deus quer deles. Com sinceridade, uma intenção correta e um mínimo de formação cristã, nossa consciência sabe como descobrir a vontade de Deus nesta esfera como em outras.” São Josemaria nos recorda que discernir a vontade divina exige mais que seguir modismos ou tendências. Requer escuta, oração e coragem.
A verdade é que, em determinados períodos da vida, a abertura à vida pode significar espaçar gestações – e isso não é pecado, mas um exercício de prudência. A Igreja reconhece motivos justos para esse discernimento: saúde debilitada (física, psicológica ou emocional), dificuldades econômicas reais, circunstâncias que impeçam uma criação digna dos filhos.
E antes que alguém caia no erro comum de dizer que a Igreja prega um ideal inatingível, vejamos a Humanae Vitae novamente: o planejamento familiar é legítimo quando feito com retidão de coração e conforme os métodos naturais, que respeitam o ritmo biológico da mulher e promovem uma paternidade responsável.
No entanto, na era das redes sociais, onde casais católicos exibem sua numerosa prole como troféus, pode surgir a tentação do desejo mimético – querer viver a fé nos moldes do Instagram, ao invés de responder ao chamado único que Deus tem para cada um.
Mas a santidade não é imitação burra. Não se trata de copiar os santos ou de reproduzir a vida perfeita dos influenciadores católicos. A santidade exige que atualizemos a nossa própria história, que percorramos o caminho singular que Deus traçou para nós.
Por isso, não se trata de advogar em favor de um modelo mínimo de filhos ou da glorificação da escassez. Pelo contrário: tenhamos todos os filhos que Deus nos chamar a ter, mas com inteligência e responsabilidade. Se for necessário espaçar para garantir um equilíbrio financeiro, uma recuperação de saúde ou um tempo de maturação, que o façamos sem medo. Deus nos deu inteligência para isso.
Afinal, não são os números que fazem santos, mas a retidão de coração. Não é o tamanho da família que determina a virtude, mas a fidelidade ao chamado individual de Deus. Que nossas decisões sejam guiadas por Ele, e não por pressões sociais ou comparações vãs.
Lembremo-nos: os santos não foram grandes por copiarem outros santos. Eles se tornaram santos porque foram fiéis ao chamado específico que Deus fez a cada um. Que sigamos pelo mesmo caminho.
Psicoterapeuta com foco em simbólica, mapa natal e temperamentos, casada, mãe de 6 filhos, 3 aqui e 3 no céu.
A Igreja há muito superou a ideia reducionista de que o ato conjugal existe apenas para a procriação.
Graças às catequeses de São João Paulo II, reunidas na obra Teologia do Corpo, compreendemos que o amor matrimonial vai além da união sexual. Para que um casamento seja fecundo, é preciso muito mais. A fecundidade é um pilar, mas não o único. O Papa Peregrino do Amor nos lembra que o amor autêntico carrega quatro marcas essenciais: precisa ser livre, fiel, fecundo e total. Cada uma dessas características ressoa na alma humana, impedindo-nos de cair em falsificações do verdadeiro amor.
O amor livre nos convoca a nos entregarmos sem amarras, sem pressões ou imposições. Amar é uma escolha: plena, comprometida, desinteressada.
A fidelidade vai além da exclusividade conjugal. Trata-se de permanecer presente, constante, independente das tormentas que a vida trará. É a decisão firme de ser porto seguro para o outro.
A totalidade implica uma entrega sem reservas, sem segundas intenções ou contratos ocultos. Não é um amar pela metade, não é uma aliança de conveniência onde cada um mantém sua conta bancária isolada ou guarda reservas afetivas por medo de se lançar. Amar de maneira total é dar-se de corpo e alma, como Cristo fez por nós. Para São João Paulo II, esse é o alicerce inegociável do matrimônio autêntico.
E então chegamos à fecundidade, pedra angular dos casamentos cristãos e, paradoxalmente, um ponto de confusão entre muitos casais.
Não, não falaremos sobre como a geração atual, em sua ânsia de evitar o sacrifício, substitui filhos por pets, mascarando o egoísmo com discursos de liberdade. Falemos do verdadeiro gargalo que desafia as famílias católicas: o mal-entendido sobre a abertura à vida.
A expressão “abertura à vida” tem sido usada de forma equivocada. Muitos a interpretam como um chamado à procriação desenfreada, sem critério, como se a santidade fosse medida pelo número de filhos e não pela fidelidade à vontade de Deus. Mas essa abertura à vida não significa obrigatoriamente ter filhos sem freio, sem prudência ou reflexão. Significa, acima de tudo, cooperar com Deus, participar ativamente da criação, de forma consciente e responsável.
O Papa Paulo VI, na Humanae Vitae, ensina que dar a vida a um filho é uma vocação divina (sessão 11) e deve ser vivida com generosidade, não como um fardo (sessão 10), mas também sem cair na armadilha do egoísmo ou do medo (sessão 12).
É por isso que a Igreja não apenas encoraja famílias numerosas, mas também alerta sobre a necessidade de sabedoria e discernimento. São Josemaria Escrivá, fundador do Opus Dei, reforça essa verdade: “Quando louvo a família numerosa, não me refiro àquela que é consequência de relações meramente fisiológicas, mas à que é fruto do exercício das virtudes cristãs.” Dar filhos a Deus não significa apenas gerá-los, mas educá-los, formá-los, conduzi-los à santidade.
A virtude sempre reside no equilíbrio. O cristão prudente não age por impulso, mas por princípios. A prudência, como nos ensinam os santos, é a capacidade de tomar decisões sábias, equilibradas, conforme a realidade que se apresenta.
“Os casais devem lembrar, quando recebem conselhos e recomendações sobre [ter filhos], que o que eles têm que fazer é descobrir o que Deus quer deles. Com sinceridade, uma intenção correta e um mínimo de formação cristã, nossa consciência sabe como descobrir a vontade de Deus nesta esfera como em outras.” São Josemaria nos recorda que discernir a vontade divina exige mais que seguir modismos ou tendências. Requer escuta, oração e coragem.
A verdade é que, em determinados períodos da vida, a abertura à vida pode significar espaçar gestações – e isso não é pecado, mas um exercício de prudência. A Igreja reconhece motivos justos para esse discernimento: saúde debilitada (física, psicológica ou emocional), dificuldades econômicas reais, circunstâncias que impeçam uma criação digna dos filhos.
E antes que alguém caia no erro comum de dizer que a Igreja prega um ideal inatingível, vejamos a Humanae Vitae novamente: o planejamento familiar é legítimo quando feito com retidão de coração e conforme os métodos naturais, que respeitam o ritmo biológico da mulher e promovem uma paternidade responsável.
No entanto, na era das redes sociais, onde casais católicos exibem sua numerosa prole como troféus, pode surgir a tentação do desejo mimético – querer viver a fé nos moldes do Instagram, ao invés de responder ao chamado único que Deus tem para cada um.
Mas a santidade não é imitação burra. Não se trata de copiar os santos ou de reproduzir a vida perfeita dos influenciadores católicos. A santidade exige que atualizemos a nossa própria história, que percorramos o caminho singular que Deus traçou para nós.
Por isso, não se trata de advogar em favor de um modelo mínimo de filhos ou da glorificação da escassez. Pelo contrário: tenhamos todos os filhos que Deus nos chamar a ter, mas com inteligência e responsabilidade. Se for necessário espaçar para garantir um equilíbrio financeiro, uma recuperação de saúde ou um tempo de maturação, que o façamos sem medo. Deus nos deu inteligência para isso.
Afinal, não são os números que fazem santos, mas a retidão de coração. Não é o tamanho da família que determina a virtude, mas a fidelidade ao chamado individual de Deus. Que nossas decisões sejam guiadas por Ele, e não por pressões sociais ou comparações vãs.
Lembremo-nos: os santos não foram grandes por copiarem outros santos. Eles se tornaram santos porque foram fiéis ao chamado específico que Deus fez a cada um. Que sigamos pelo mesmo caminho.