A atitude da conservação, impressa materialmente no lar, reflete uma atitude para toda a vida.
A atitude da conservação, impressa materialmente no lar, reflete uma atitude para toda a vida.
O cuidado do lar é uma forma prática de aplicar o que temos falado sobre a ordenação da alma. Tendo clareza quanto aos bens que devemos buscar, as nossas ações cotidianas refletem a decisão tomada pelo bem.
O lar é o ambiente em que se desenvolve a alma do ser humano, passando também pelo seu desenvolvimento físico. Tal como o ser humano é um composto, o seu desenvolvimento também é um só, abarcando todas as suas dimensões. O lar não deve ser mera hospedaria. Que tal aproveitar o início do ano para refletir profundamente sobre o nosso cuidado com o ambiente doméstico?
Como mães, temos que cuidar para que o marido e os filhos desenvolvam os vínculos pessoais mais profundos, capazes de nos realizar como pessoa. O ser humano tem uma dimensão pessoal de abertura ao próximo. O nosso desenvolvimento deve promover a abertura para o outro. O lar é o lugar em que florescem as principais relações que o ser humano tem em sua vida.
A mulher transborda a sua dimensão matricial também no cuidado do lar. Por mais que compartilhemos muitas atividades com os maridos, nós mulheres temos um toque maternal para dar, algo que é tipicamente nosso. Não podemos nos eximir desse toque porque, formando parte de quem somos, ele nos realiza. Permitindo que os filhos, o marido e nós mesmas nos desenvolvamos, o lar é metaforicamente um “útero fora de nós”. O lar reflete, analogicamente, o corpo feminino.
O ambiente deve espelhar e promover a ordem que precisamos recuperar, como vimos no artigo sobre a inquietude da alma feminina. O cuidado do lar não é secundário, por ter uma dimensão especial. Tal como não podemos delegar toda a educação dos filhos, tampouco podemos fazer isso com o cuidado do lar. Ainda que tenhamos quem nos ajude com as tarefas, a atenção principal deve ser a nossa. O lar educa, secunda o desenvolvimento de quem habita nele.
Tudo o que traz a sensação de aconchego manifesta a vitalidade do ambiente doméstico. O lar tem uma magia responsável por promover o nosso sentimento de pertença. É fundamental manter também a ordem material em casa. A ordem é a integração perfeita das partes, ou seja, cada parte precisa estar sempre bem cuidada.
Para dar o primeiro passo nessa ordenação, podemos começar com uma visão geral da casa. O que precisa ser reparado, consertado e mantido?
Na criminologia, há um conceito interessante: a teoria das janelas quebradas. Resumidamente, essa teoria explica que a desordem fomenta o vandalismo que, por sua vez, alimenta mais desordem. O pesquisador que a elaborou fez um experimento: colocou dois carros fechados no meio da rua, um em bairro violento e outro em bairro relativamente seguro; enquanto o primeiro foi logo destruído, o segundo ficou duas semanas intocado.
Então o pesquisador teve outra ideia: a de quebrar uma janela do carro intacto. A partir disso, o carro começou a ser depredado em menos de vinte e quatro horas. Pelo vidro quebrado, aquele carro já não parecia ser de alguém; tornara-se uma coisa sem dono.
Um ambiente já desordenado promove ainda mais desordem. A atenção ordenada, inclusive aos detalhes, por outro lado, promove um reflexo de ordem nas pessoas. A manifestação de cuidado orienta as pessoas a se comportarem de maneira adequada. Podemos pensar outra vez nos nossos afetos: a maneira como nos comportamos guia os afetos. Quando nos habituamos a praticar o bem, teremos um afeto que acompanha a prática.
Todo o aparato material da casa, quando bem cuidado, contribui para a ordem espiritual. É mais fácil ser cuidadoso e se comportar adequadamente à mesa, por exemplo, quando ela está bem posta, com utensílios adequados.
Para começar o cuidado com o lar, eu lhes convido a fazerem uma anamnese da casa. De que maneira? Para cada um dos ambientes, pegue um pedaço de papel e anote tudo o que precisa de reparos. Antes de decidirem comprar qualquer coisa, façam primeiro um inventário de tudo aquilo que precisa ser mantido. Só então tratar-se-á, por ordem de prioridade, o que precisa ser trocado e o que precisa ser feito em casa.
Feito o inventário, coloquem na agenda em qual momento do ano cada coisa é feita. Algumas atividades – como a limpeza daquela telinha do ar condicionado, por exemplo – são mais frequentes, enquanto que outras podem ter intervalos maiores.
A atitude da conservação, impressa materialmente no lar, reflete uma atitude para toda a vida. Assim como fazemos exame de consciência da vida espiritual e matrimonial, precisamos também pensar como a nossa casa está refletindo o cuidado com a família.
Professora, doutora em História da Cultura, esposa e mãe, fundadora da Comunidade Entre Esposas, aborda temas de Antropologia Filosófica.
O cuidado do lar é uma forma prática de aplicar o que temos falado sobre a ordenação da alma. Tendo clareza quanto aos bens que devemos buscar, as nossas ações cotidianas refletem a decisão tomada pelo bem.
O lar é o ambiente em que se desenvolve a alma do ser humano, passando também pelo seu desenvolvimento físico. Tal como o ser humano é um composto, o seu desenvolvimento também é um só, abarcando todas as suas dimensões. O lar não deve ser mera hospedaria. Que tal aproveitar o início do ano para refletir profundamente sobre o nosso cuidado com o ambiente doméstico?
Como mães, temos que cuidar para que o marido e os filhos desenvolvam os vínculos pessoais mais profundos, capazes de nos realizar como pessoa. O ser humano tem uma dimensão pessoal de abertura ao próximo. O nosso desenvolvimento deve promover a abertura para o outro. O lar é o lugar em que florescem as principais relações que o ser humano tem em sua vida.
A mulher transborda a sua dimensão matricial também no cuidado do lar. Por mais que compartilhemos muitas atividades com os maridos, nós mulheres temos um toque maternal para dar, algo que é tipicamente nosso. Não podemos nos eximir desse toque porque, formando parte de quem somos, ele nos realiza. Permitindo que os filhos, o marido e nós mesmas nos desenvolvamos, o lar é metaforicamente um “útero fora de nós”. O lar reflete, analogicamente, o corpo feminino.
O ambiente deve espelhar e promover a ordem que precisamos recuperar, como vimos no artigo sobre a inquietude da alma feminina. O cuidado do lar não é secundário, por ter uma dimensão especial. Tal como não podemos delegar toda a educação dos filhos, tampouco podemos fazer isso com o cuidado do lar. Ainda que tenhamos quem nos ajude com as tarefas, a atenção principal deve ser a nossa. O lar educa, secunda o desenvolvimento de quem habita nele.
Tudo o que traz a sensação de aconchego manifesta a vitalidade do ambiente doméstico. O lar tem uma magia responsável por promover o nosso sentimento de pertença. É fundamental manter também a ordem material em casa. A ordem é a integração perfeita das partes, ou seja, cada parte precisa estar sempre bem cuidada.
Para dar o primeiro passo nessa ordenação, podemos começar com uma visão geral da casa. O que precisa ser reparado, consertado e mantido?
Na criminologia, há um conceito interessante: a teoria das janelas quebradas. Resumidamente, essa teoria explica que a desordem fomenta o vandalismo que, por sua vez, alimenta mais desordem. O pesquisador que a elaborou fez um experimento: colocou dois carros fechados no meio da rua, um em bairro violento e outro em bairro relativamente seguro; enquanto o primeiro foi logo destruído, o segundo ficou duas semanas intocado.
Então o pesquisador teve outra ideia: a de quebrar uma janela do carro intacto. A partir disso, o carro começou a ser depredado em menos de vinte e quatro horas. Pelo vidro quebrado, aquele carro já não parecia ser de alguém; tornara-se uma coisa sem dono.
Um ambiente já desordenado promove ainda mais desordem. A atenção ordenada, inclusive aos detalhes, por outro lado, promove um reflexo de ordem nas pessoas. A manifestação de cuidado orienta as pessoas a se comportarem de maneira adequada. Podemos pensar outra vez nos nossos afetos: a maneira como nos comportamos guia os afetos. Quando nos habituamos a praticar o bem, teremos um afeto que acompanha a prática.
Todo o aparato material da casa, quando bem cuidado, contribui para a ordem espiritual. É mais fácil ser cuidadoso e se comportar adequadamente à mesa, por exemplo, quando ela está bem posta, com utensílios adequados.
Para começar o cuidado com o lar, eu lhes convido a fazerem uma anamnese da casa. De que maneira? Para cada um dos ambientes, pegue um pedaço de papel e anote tudo o que precisa de reparos. Antes de decidirem comprar qualquer coisa, façam primeiro um inventário de tudo aquilo que precisa ser mantido. Só então tratar-se-á, por ordem de prioridade, o que precisa ser trocado e o que precisa ser feito em casa.
Feito o inventário, coloquem na agenda em qual momento do ano cada coisa é feita. Algumas atividades – como a limpeza daquela telinha do ar condicionado, por exemplo – são mais frequentes, enquanto que outras podem ter intervalos maiores.
A atitude da conservação, impressa materialmente no lar, reflete uma atitude para toda a vida. Assim como fazemos exame de consciência da vida espiritual e matrimonial, precisamos também pensar como a nossa casa está refletindo o cuidado com a família.