Formação

O que é o Sacramento da Ordem?

Saiba o que é o sacramento da ordem, a sua origem na Palavra e na vida de Jesus e descubra quem pode recebê-lo e como está a serviço da Igreja.

O que é o Sacramento da Ordem?
Formação

O que é o Sacramento da Ordem?

Saiba o que é o sacramento da ordem, a sua origem na Palavra e na vida de Jesus e descubra quem pode recebê-lo e como está a serviço da Igreja.

Data da Publicação: 24/08/2023
Tempo de leitura:
Autor: Redação MBC
Data da Publicação: 24/08/2023
Tempo de leitura:
Autor: Redação MBC

Saiba o que é o sacramento da ordem, a sua origem na Palavra e na vida de Jesus e descubra quem pode recebê-lo e como está a serviço da Igreja.

A administração dos sacramentos foi confiada à Igreja. O Batismo, a Confirmação e a Eucaristia são os três fundamentos da iniciação cristã e, por isso, necessários à nossa salvação. Juntamente com a Penitência e a Unção dos enfermos podemos alcançar a perfeição cristã. 1 No entanto, ainda que sua eficácia dependa de Cristo, uma vez que tais sacramentos devem ser conferidos por ministros designados, “foi necessário o sacramento da Ordem, por cujo ministério se dispensam esses sacramentos.” 1 

Assim, este sacramento é estabelecido para o benefício da Igreja, pois nele a graça divina é generosamente concedida ao ministro, capacitando-o a agir em nome de Cristo para servir os fiéis. Consequentemente, o sacramento da ordem  reforça ainda mais a missão do ministro como um representante de Cristo.  Neste artigo, vamos abordar o que este sacramento significa para a Igreja, sua fundamentação na Bíblia, bem como suas funções e efeitos.

O que é um sacramento?

A Igreja é o corpo de Cristo, Ele é o membro principal, a cabeça. Assim como a virtude da cabeça é comunicada aos membros do corpo, o bem de Cristo é comunicado a todos os cristãos pelos sacramentos da Igreja, “nos quais a virtude da Paixão de Cristo opera para conferir a graça e a remissão dos pecados. 2 É, portanto, por meio dela que nós os recebemos. Os sacramentos fortalecem e exprimem a nossa fé; eles são necessários para a nossa salvação e seus frutos dependem de nossa disposição e abertura. 

Saiba mais sobre o que são os sacramentos e qual a sua natureza e origem.

O que é o sacramento da Ordem?

O Sacramento da Ordem desempenha um papel vital na estrutura e na missão da Igreja, sendo um meio pelo qual a graça divina é transmitida aos fiéis através da ordenação de homens para o ministério sacerdotal. Sendo assim, “a Ordem é o sacramento graças ao qual a missão confiada por Cristo aos Apóstolos continua a ser exercida na Igreja, até ao fim dos tempos: é, portanto, o sacramento do ministério apostólico.” 3

O Sacramento da Ordem possui três graus: o episcopado, o presbiterado e o diaconato. Cada um destes graus tem suas próprias funções e responsabilidades dentro da Igreja. O episcopado, reservado aos bispos, é o grau mais elevado e confere a plenitude do sacramento, incluindo a capacidade de administrar todos os sacramentos e liderar uma diocese. 4

Ordenação episcopal, onde o Bispo recebe o último grau do sacramento da Ordem.
Ordenação episcopal, onde o Bispo recebe o último grau do sacramento da Ordem.

Já o presbiterado, atribuído aos padres, confere o poder de celebrar a Eucaristia, perdoar os pecados em nome de Deus e administrar outros sacramentos. 5 O diaconato, por fim, concedido aos diáconos, é um grau de serviço que inclui a pregação da Palavra, a assistência nas celebrações e a caridade junto aos mais necessitados. 6

O Sacramento da Ordem é conferido através de um rito solene que envolve a imposição das mãos por parte do bispo, juntamente com a oração consecratória. 7 Além disso, é através deste rito que o ordenando é configurado de maneira especial a Cristo — o Sumo Sacerdote — e é revestido com os dons espirituais necessários para cumprir sua missão pastoral e sacramental na comunidade de fé. 8

Os ordenados têm, portanto, a responsabilidade de liderar a Igreja, servindo como mediadores entre Deus e os fiéis. Eles administram os sacramentos, pregam a Palavra de Deus, pastoreiam o rebanho e conduzem os fiéis no caminho da santidade. São chamados a serem exemplos de vida cristã e a guiar a comunidade na busca da verdade, da justiça e da salvação.

Quem pode receber o sacramento da ordem?

O sacramento da Ordem pode ser recebido apenas por homens batizados, seguindo o exemplo de Jesus que escolheu homens como apóstolos. 9 Ninguém tem o direito de receber a ordenação; é um chamado de Deus, e aqueles que sentem esse chamado submetem-se à autoridade da Igreja. 10

Na Igreja Latina, os ministros ordenados, exceto diáconos permanentes, normalmente são homens celibatários que escolhem viver assim por amor ao Reino dos céus, como um sinal de dedicação total 11. Por outro lado, nas Igrejas orientais, há uma disciplina diferente, onde homens casados podem ser ordenados diáconos e presbíteros, embora os bispos sejam escolhidos entre celibatários (CIC, 1580). No entanto, após a ordenação, seja no Oriente, seja no Ocidente, a possibilidade de casamento não é permitida. 12

Quem pode conferir este sacramento?

Aqueles que podem conferir o sacramento da Ordem são os bispos, que são os sucessores dos Apóstolos. 13 

O sacramento da Ordem é intrinsecamente ligado ao ministério apostólico, e sua administração é uma função dos bispos, que são os sucessores dos Apóstolos. 14 Os bispos, que estão na linha da sucessão apostólica, transmitem validamente os graus do sacramento da Ordem. 14

Sacramento da Ordem na Bíblia

Na Antiga Aliança, o povo eleito foi designado por Deus 15 como um “reino de sacerdotes e uma nação consagrada.” 16 Contudo, das doze tribos de Israel, a tribo de Levi foi escolhida para o serviço litúrgico, estabelecendo as bases do sacerdócio naquele contexto.  16 A liturgia da Igreja vê, nas prefigurações do sacerdócio de Aarão e dos levitas, bem como nos “Anciãos”, uma antecipação do ministério ordenado na Nova Aliança.  17

Melquisedec é considerado uma prefiguração do sacerdócio de Cristo, que realiza o sacrifício redentor de maneira definitiva. 18 O sacerdócio único de Cristo encontra sua plenitude no Novo Testamento 18, sendo Ele o “único mediador entre Deus e os homens.” 19

No Novo Testamento, encontramos a instituição do ministério sacerdotal por Jesus Cristo. Ele escolheu os Doze Apóstolos e os enviou para pregar, curar e perdoar os pecados em Seu nome. 17 Um exemplo disso é quando Jesus confere a Pedro a autoridade de “ligar e desligar” no contexto da comunidade cristã 20, indicando um poder de governar e guiar a Igreja.

Na ocasião da Última Ceia, Jesus ordenou os apóstolos a fazerem o que Ele havia feito: consagrar o pão e o vinho, oferecendo-Se ao Pai e compartilhando Sua vida divina com os fiéis. “Fazei isto em memória de mim.” 21

A tradição apostólica também é evidenciada nas Epístolas de São Paulo e em outros textos do Novo Testamento, que mencionam a ordenação de bispos, presbíteros e diáconos para liderar as comunidades cristãs. 9 Um exemplo disso é quando Timóteo recebeu o dom espiritual pela imposição das mãos. 22

Rito do sacramento da Ordem

Devido a importância da celebração da ordenação, seu lugar de preferência é na Sé catedral e aos domingos, a fim de abranger o maior número de pessoas. 23 Tanto a ordenação de bispos, presbíteros quanto de diáconos seguem um padrão semelhante e seu lugar próprio é no contexto da liturgia eucarística. 23

O cerne do sacramento da Ordem, em seus três graus, é composto pela imposição das mãos do bispo sobre o ordinando e pela recitação de uma oração específica de consagração 24 — que é a forma do sacramento. Nessa oração, suplica-se a Deus a efusão do Espírito Santo e de seus dons apropriados ao ministério do candidato. 24

No rito latino, os ritos iniciais incluem a apresentação e a eleição do candidato, o interrogatório do ordinando e as ladainhas dos santos — tudo isso prepara o ato solene da consagração.

Santo Tomás de Aquino escreve em uma de suas catequeses sobre os sacramentos que “a matéria do sacramento [da ordem] é o que se entrega na ato de ordenação: assim, o sacerdócio é transmitido pela entrega do cálice, e cada ordem é transmitida pela entrega daquilo que pertence principalmente ao ministério daquela ordem.” 25 De acordo com o Catecismo da Igreja, no parágrafo 1574, são entregues:

  • para o bispo e para o sacerdote: a unção com o santo crisma, sinal da unção especial do Espírito Santo, que torna fecundo o seu ministério; 
  • para o bispo: o livro dos Evangelhos, o anel, a mitra e o báculo, em sinal da sua missão apostólica de anunciar a Palavra de Deus, da sua fidelidade à Igreja, esposa de Cristo, do seu múnus de pastor do rebanho do Senhor;
  • para o presbítero, a patena e o cálice, “a oferenda do povo santo” que ele é chamado a apresentar a Deus; e
  • para o diácono, o livro dos Evangelhos, pois acaba de receber a missão de anunciar o Evangelho de Cristo.

Sacramento da ordem: um serviço em favor da Igreja

O sacramento da Ordem configura o ordenado com Cristo através de uma graça especial do Espírito Santo, capacitando-o a servir como instrumento de Cristo em benefício da Igreja. A ordenação confere a capacidade de agir como representante de Cristo nas funções de sacerdote, profeta e rei. 26 Essa participação no ministério de Cristo é conferida apenas uma vez e imprime um caráter espiritual indelével. 27

A ordenação válida cria um vínculo permanente com o sacerdócio, marcando a pessoa de modo irrevogável, mesmo que possa ser dispensada de certas obrigações. 28 Vale lembrar que embora o ministro ordenado possa ser indigno, Cristo continua a agir através dele, mantendo a pureza da graça sacramental. 28

Graças ao sacramento da Ordem, padres podem atender confissões, por exemplo.
Graças ao sacramento da Ordem, padres podem atender confissões, por exemplo.

“O efeito do sacramento é o aumento da graça, para que a pessoa seja um ministro apto de Cristo”, aponta Santo Tomás. 25 A graça específica deste sacramento é a configuração com Cristo como Sacerdote, Mestre e Pastor, capacitando o ordenado para o ministério. 29 Para o bispo, essa graça implica ser um pastor forte, guiando e protegendo sua Igreja, enquanto o presbítero recebe a capacidade de anunciar o Evangelho e oferecer sacrifícios espirituais. 30 Os diáconos, por sua vez, servem o povo de Deus na liturgia, na palavra e na caridade.  31
Diante dessa grandiosidade do ministério sacerdotal, os santos doutores sentiram a necessidade de uma conversão contínua para corresponder a essa vocação. São Gregório de Nazianzo enfatiza a importância da purificação pessoal, instrução e santificação para iluminar e guiar os outros. 32 Santo Cura d’Ars afirma que “é o sacerdote quem continua a obra da redenção na terra […] Se bem se compreendesse o que o sacerdote é na terra, morrer-se-ia, não de medo, mas de amor. […] O sacerdócio é o amor do Coração de Jesus.” 32

Referências

  1. Catequeses de Santo Tomás, p. 87[][]
  2. Catequeses de Santo Tomás, p.83)

    Por isso, os sacramentos são sinais sensíveis de Deus para nós, como palavras e ações, no entanto eles realizam de forma eficaz a graça que significam, pois é o próprio Cristo quem opera. Além disso, foram instituídos por Cristo e confiados à Igreja. ((CIC, 1131[]

  3. CIC, 1536[]
  4. CIC, 1555-1558[]
  5. CIC, 1561-1568[]
  6. CIC, 1570-1571[]
  7. CIC, 1538[]
  8. CIC, 1563[]
  9. CIC, 1577[][]
  10. CIC, 1578[]
  11. CIC, 1579[]
  12. CIC, 1580[]
  13. CIC, 1575[]
  14. CIC, 1576[][]
  15. Êxodo 19, 6[]
  16. CIC, 1539[][]
  17. CIC, 1541[][]
  18. CIC, 1544[][]
  19. 1 Timóteo 2, 5[]
  20. Mateus 16,19[]
  21. Lc 22, 19[]
  22. 2 Timóteo 1,6[]
  23. CIC, 1572[][]
  24. CIC, 1573[][]
  25. Catequeses de Santo Tomás, p.327[][]
  26. CIC, 1581[]
  27. CIC, 1582[]
  28. CIC, 1583[][]
  29. CIC, 1585[]
  30. CIC, 1586[]
  31. CIC, 1588[]
  32. CIC, 1589[][]

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    Redação MBC

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    Saiba o que é o sacramento da ordem, a sua origem na Palavra e na vida de Jesus e descubra quem pode recebê-lo e como está a serviço da Igreja.

    A administração dos sacramentos foi confiada à Igreja. O Batismo, a Confirmação e a Eucaristia são os três fundamentos da iniciação cristã e, por isso, necessários à nossa salvação. Juntamente com a Penitência e a Unção dos enfermos podemos alcançar a perfeição cristã. 1 No entanto, ainda que sua eficácia dependa de Cristo, uma vez que tais sacramentos devem ser conferidos por ministros designados, “foi necessário o sacramento da Ordem, por cujo ministério se dispensam esses sacramentos.” 1 

    Assim, este sacramento é estabelecido para o benefício da Igreja, pois nele a graça divina é generosamente concedida ao ministro, capacitando-o a agir em nome de Cristo para servir os fiéis. Consequentemente, o sacramento da ordem  reforça ainda mais a missão do ministro como um representante de Cristo.  Neste artigo, vamos abordar o que este sacramento significa para a Igreja, sua fundamentação na Bíblia, bem como suas funções e efeitos.

    O que é um sacramento?

    A Igreja é o corpo de Cristo, Ele é o membro principal, a cabeça. Assim como a virtude da cabeça é comunicada aos membros do corpo, o bem de Cristo é comunicado a todos os cristãos pelos sacramentos da Igreja, “nos quais a virtude da Paixão de Cristo opera para conferir a graça e a remissão dos pecados. 2 É, portanto, por meio dela que nós os recebemos. Os sacramentos fortalecem e exprimem a nossa fé; eles são necessários para a nossa salvação e seus frutos dependem de nossa disposição e abertura. 

    Saiba mais sobre o que são os sacramentos e qual a sua natureza e origem.

    O que é o sacramento da Ordem?

    O Sacramento da Ordem desempenha um papel vital na estrutura e na missão da Igreja, sendo um meio pelo qual a graça divina é transmitida aos fiéis através da ordenação de homens para o ministério sacerdotal. Sendo assim, “a Ordem é o sacramento graças ao qual a missão confiada por Cristo aos Apóstolos continua a ser exercida na Igreja, até ao fim dos tempos: é, portanto, o sacramento do ministério apostólico.” 3

    O Sacramento da Ordem possui três graus: o episcopado, o presbiterado e o diaconato. Cada um destes graus tem suas próprias funções e responsabilidades dentro da Igreja. O episcopado, reservado aos bispos, é o grau mais elevado e confere a plenitude do sacramento, incluindo a capacidade de administrar todos os sacramentos e liderar uma diocese. 4

    Ordenação episcopal, onde o Bispo recebe o último grau do sacramento da Ordem.
    Ordenação episcopal, onde o Bispo recebe o último grau do sacramento da Ordem.

    Já o presbiterado, atribuído aos padres, confere o poder de celebrar a Eucaristia, perdoar os pecados em nome de Deus e administrar outros sacramentos. 5 O diaconato, por fim, concedido aos diáconos, é um grau de serviço que inclui a pregação da Palavra, a assistência nas celebrações e a caridade junto aos mais necessitados. 6

    O Sacramento da Ordem é conferido através de um rito solene que envolve a imposição das mãos por parte do bispo, juntamente com a oração consecratória. 7 Além disso, é através deste rito que o ordenando é configurado de maneira especial a Cristo — o Sumo Sacerdote — e é revestido com os dons espirituais necessários para cumprir sua missão pastoral e sacramental na comunidade de fé. 8

    Os ordenados têm, portanto, a responsabilidade de liderar a Igreja, servindo como mediadores entre Deus e os fiéis. Eles administram os sacramentos, pregam a Palavra de Deus, pastoreiam o rebanho e conduzem os fiéis no caminho da santidade. São chamados a serem exemplos de vida cristã e a guiar a comunidade na busca da verdade, da justiça e da salvação.

    Quem pode receber o sacramento da ordem?

    O sacramento da Ordem pode ser recebido apenas por homens batizados, seguindo o exemplo de Jesus que escolheu homens como apóstolos. 9 Ninguém tem o direito de receber a ordenação; é um chamado de Deus, e aqueles que sentem esse chamado submetem-se à autoridade da Igreja. 10

    Na Igreja Latina, os ministros ordenados, exceto diáconos permanentes, normalmente são homens celibatários que escolhem viver assim por amor ao Reino dos céus, como um sinal de dedicação total 11. Por outro lado, nas Igrejas orientais, há uma disciplina diferente, onde homens casados podem ser ordenados diáconos e presbíteros, embora os bispos sejam escolhidos entre celibatários (CIC, 1580). No entanto, após a ordenação, seja no Oriente, seja no Ocidente, a possibilidade de casamento não é permitida. 12

    Quem pode conferir este sacramento?

    Aqueles que podem conferir o sacramento da Ordem são os bispos, que são os sucessores dos Apóstolos. 13 

    O sacramento da Ordem é intrinsecamente ligado ao ministério apostólico, e sua administração é uma função dos bispos, que são os sucessores dos Apóstolos. 14 Os bispos, que estão na linha da sucessão apostólica, transmitem validamente os graus do sacramento da Ordem. 14

    Sacramento da Ordem na Bíblia

    Na Antiga Aliança, o povo eleito foi designado por Deus 15 como um “reino de sacerdotes e uma nação consagrada.” 16 Contudo, das doze tribos de Israel, a tribo de Levi foi escolhida para o serviço litúrgico, estabelecendo as bases do sacerdócio naquele contexto.  16 A liturgia da Igreja vê, nas prefigurações do sacerdócio de Aarão e dos levitas, bem como nos “Anciãos”, uma antecipação do ministério ordenado na Nova Aliança.  17

    Melquisedec é considerado uma prefiguração do sacerdócio de Cristo, que realiza o sacrifício redentor de maneira definitiva. 18 O sacerdócio único de Cristo encontra sua plenitude no Novo Testamento 18, sendo Ele o “único mediador entre Deus e os homens.” 19

    No Novo Testamento, encontramos a instituição do ministério sacerdotal por Jesus Cristo. Ele escolheu os Doze Apóstolos e os enviou para pregar, curar e perdoar os pecados em Seu nome. 17 Um exemplo disso é quando Jesus confere a Pedro a autoridade de “ligar e desligar” no contexto da comunidade cristã 20, indicando um poder de governar e guiar a Igreja.

    Na ocasião da Última Ceia, Jesus ordenou os apóstolos a fazerem o que Ele havia feito: consagrar o pão e o vinho, oferecendo-Se ao Pai e compartilhando Sua vida divina com os fiéis. “Fazei isto em memória de mim.” 21

    A tradição apostólica também é evidenciada nas Epístolas de São Paulo e em outros textos do Novo Testamento, que mencionam a ordenação de bispos, presbíteros e diáconos para liderar as comunidades cristãs. 9 Um exemplo disso é quando Timóteo recebeu o dom espiritual pela imposição das mãos. 22

    Rito do sacramento da Ordem

    Devido a importância da celebração da ordenação, seu lugar de preferência é na Sé catedral e aos domingos, a fim de abranger o maior número de pessoas. 23 Tanto a ordenação de bispos, presbíteros quanto de diáconos seguem um padrão semelhante e seu lugar próprio é no contexto da liturgia eucarística. 23

    O cerne do sacramento da Ordem, em seus três graus, é composto pela imposição das mãos do bispo sobre o ordinando e pela recitação de uma oração específica de consagração 24 — que é a forma do sacramento. Nessa oração, suplica-se a Deus a efusão do Espírito Santo e de seus dons apropriados ao ministério do candidato. 24

    No rito latino, os ritos iniciais incluem a apresentação e a eleição do candidato, o interrogatório do ordinando e as ladainhas dos santos — tudo isso prepara o ato solene da consagração.

    Santo Tomás de Aquino escreve em uma de suas catequeses sobre os sacramentos que “a matéria do sacramento [da ordem] é o que se entrega na ato de ordenação: assim, o sacerdócio é transmitido pela entrega do cálice, e cada ordem é transmitida pela entrega daquilo que pertence principalmente ao ministério daquela ordem.” 25 De acordo com o Catecismo da Igreja, no parágrafo 1574, são entregues:

    • para o bispo e para o sacerdote: a unção com o santo crisma, sinal da unção especial do Espírito Santo, que torna fecundo o seu ministério; 
    • para o bispo: o livro dos Evangelhos, o anel, a mitra e o báculo, em sinal da sua missão apostólica de anunciar a Palavra de Deus, da sua fidelidade à Igreja, esposa de Cristo, do seu múnus de pastor do rebanho do Senhor;
    • para o presbítero, a patena e o cálice, “a oferenda do povo santo” que ele é chamado a apresentar a Deus; e
    • para o diácono, o livro dos Evangelhos, pois acaba de receber a missão de anunciar o Evangelho de Cristo.

    Sacramento da ordem: um serviço em favor da Igreja

    O sacramento da Ordem configura o ordenado com Cristo através de uma graça especial do Espírito Santo, capacitando-o a servir como instrumento de Cristo em benefício da Igreja. A ordenação confere a capacidade de agir como representante de Cristo nas funções de sacerdote, profeta e rei. 26 Essa participação no ministério de Cristo é conferida apenas uma vez e imprime um caráter espiritual indelével. 27

    A ordenação válida cria um vínculo permanente com o sacerdócio, marcando a pessoa de modo irrevogável, mesmo que possa ser dispensada de certas obrigações. 28 Vale lembrar que embora o ministro ordenado possa ser indigno, Cristo continua a agir através dele, mantendo a pureza da graça sacramental. 28

    Graças ao sacramento da Ordem, padres podem atender confissões, por exemplo.
    Graças ao sacramento da Ordem, padres podem atender confissões, por exemplo.

    “O efeito do sacramento é o aumento da graça, para que a pessoa seja um ministro apto de Cristo”, aponta Santo Tomás. 25 A graça específica deste sacramento é a configuração com Cristo como Sacerdote, Mestre e Pastor, capacitando o ordenado para o ministério. 29 Para o bispo, essa graça implica ser um pastor forte, guiando e protegendo sua Igreja, enquanto o presbítero recebe a capacidade de anunciar o Evangelho e oferecer sacrifícios espirituais. 30 Os diáconos, por sua vez, servem o povo de Deus na liturgia, na palavra e na caridade.  31
    Diante dessa grandiosidade do ministério sacerdotal, os santos doutores sentiram a necessidade de uma conversão contínua para corresponder a essa vocação. São Gregório de Nazianzo enfatiza a importância da purificação pessoal, instrução e santificação para iluminar e guiar os outros. 32 Santo Cura d’Ars afirma que “é o sacerdote quem continua a obra da redenção na terra […] Se bem se compreendesse o que o sacerdote é na terra, morrer-se-ia, não de medo, mas de amor. […] O sacerdócio é o amor do Coração de Jesus.” 32

    Referências

    1. Catequeses de Santo Tomás, p. 87[][]
    2. Catequeses de Santo Tomás, p.83)

      Por isso, os sacramentos são sinais sensíveis de Deus para nós, como palavras e ações, no entanto eles realizam de forma eficaz a graça que significam, pois é o próprio Cristo quem opera. Além disso, foram instituídos por Cristo e confiados à Igreja. ((CIC, 1131[]

    3. CIC, 1536[]
    4. CIC, 1555-1558[]
    5. CIC, 1561-1568[]
    6. CIC, 1570-1571[]
    7. CIC, 1538[]
    8. CIC, 1563[]
    9. CIC, 1577[][]
    10. CIC, 1578[]
    11. CIC, 1579[]
    12. CIC, 1580[]
    13. CIC, 1575[]
    14. CIC, 1576[][]
    15. Êxodo 19, 6[]
    16. CIC, 1539[][]
    17. CIC, 1541[][]
    18. CIC, 1544[][]
    19. 1 Timóteo 2, 5[]
    20. Mateus 16,19[]
    21. Lc 22, 19[]
    22. 2 Timóteo 1,6[]
    23. CIC, 1572[][]
    24. CIC, 1573[][]
    25. Catequeses de Santo Tomás, p.327[][]
    26. CIC, 1581[]
    27. CIC, 1582[]
    28. CIC, 1583[][]
    29. CIC, 1585[]
    30. CIC, 1586[]
    31. CIC, 1588[]
    32. CIC, 1589[][]

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