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Devoção, Formação

Santos na Segunda Guerra: um testemunho de esperança

Conheça santos que de diversas formas estiveram presentes na Segunda Guerra Mundial contribuindo para a manutenção da fé.

Santos na Segunda Guerra: um testemunho de esperança
Devoção, Formação

Santos na Segunda Guerra: um testemunho de esperança

Conheça santos que de diversas formas estiveram presentes na Segunda Guerra Mundial contribuindo para a manutenção da fé.

Data da Publicação: 23/06/2023
Tempo de leitura:
Autor: MBC
Data da Publicação: 23/06/2023
Tempo de leitura:
Autor: MBC

Conheça santos que de diversas formas estiveram presentes na Segunda Guerra Mundial contribuindo para a manutenção da fé.

Na turbulenta época da Segunda Guerra Mundial, a Igreja Católica desempenhou um papel fundamental na defesa dos valores humanitários e na luta contra as ideologias totalitárias. Sendo assim, figuras notáveis da Igreja Católica se destacaram como verdadeiros exemplos de coragem e esperança.

Neste artigo, você vai conhecer alguns santos na Segunda Guerra, bem como a luta que cada um enfrentou nesse período. De tal forma que suas vidas são um modelo de esperança e de fé, sobretudo, em tempos sombrios.

A Igreja Católica e seus santos na Segunda Guerra Mundial


Pio XI: um testemunho de Coragem e Justiça


Pio XI, cujo nome de batismo era Achille Ratti, foi um dos santos da Segunda Guerra. Ele nasceu em 31 de maio de 1857, na cidade de Desio, na Itália; entrou para a vida religiosa e foi ordenado sacerdote em 1879. Mais tarde, em 1922, foi eleito Papa e assumiu o pontificado em um momento de grandes desafios e turbulências políticas na Europa. “Seu magistério insere-se em um tabuleiro de xadrez político, nacional e internacional, completamente diferente dos precedentes, em que a liberdade da Igreja devia ser negociada.” 1

Durante seu papado, Pio XI demonstrou coragem ao confrontar os movimentos totalitários que surgiam na época, incluindo o fascismo italiano e o nazismo alemão. Ainda que a realidade mostrasse um um defensor incansável da justiça, da dignidade humana e da liberdade religiosa, Papa Pio XI foi injustamente acusado, inúmeras vezes, de colaborar com a causa nazista. No entanto, cada vez mais ele se opunha — fortemente — aos regimes fascista e nazista. Além disso, essas acusações foram amplamente refutadas por estudiosos e historiadores, que reconhecem o firme testemunho do Papa em defesa dos valores humanos e da liberdade da fé.

Nesse sentido, no cumprimento de seu dever como guia da Igreja, seu compromisso com a fé e a justiça foram evidenciados sobretudo por suas corajosas encíclicas Non abbiamo bisogno e Mit brennender Sorge. Nelas, ele condena ardentemente os regimes fascista e nazista, bem como suas ideologias e práticas. Ademais, manifesta sua preocupação com a interferência do estado na autoridade divina da Igreja e nos direitos naturais da família e da sociedade.

Encíclica Non Abbiamo Bisogno


Com uma linguagem incisiva e confrontadora, Pio XI denunciou a tentativa de controle do fascismo italiano sobre a religião. Foi, assim, um importante pronunciamento da Igreja Católica contra tal regime. A encíclica, publicada em 29 de junho de 1931, denuncia a interferência do governo fascista no que cabe à Igreja e enfatiza a sua autoridade divina. Dessa forma, Pio XI reafirma a autonomia da Igreja para ensinar, guiar e defender os valores cristãos fundamentais, independentemente das exigências e restrições do Estado. Por meio desta encíclica, o Papa busca assegurar que a Igreja possa cumprir sua missão de acordo com a vontade de Deus, protegendo sua integridade e fidelidade à doutrina e aos princípios morais.

Encíclica Mit Brennender Sorge


Publicada em 14 de março de 1937, tal encíclica também carrega uma linguagem que expressa raiva e desprezo diante dos regimes totalitários em questão. E isso já evidencia a posição da Igreja. Inclusive a Mit Brennender Sorge foi escrita em alemão, em vez do latim tradicionalmente usado para documentos pontifícios, para garantir que sua mensagem fosse claramente compreendida pelo povo alemão. Além disso, ela foi secretamente distribuída nas igrejas católicas da Alemanha e lida em voz alta, na manhã seguinte, ao final de todas as missas do Domingo de Ramos de 1937. Pois, se a Gestapo encontrasse o documento, jamais permitiria que ele fosse entregue aos seus destinatários. Inclusive, muitos envolvidos nessa oposição foram presos depois disso.

Essa encíclica destaca a importância da justiça, da dignidade humana e da defesa dos direitos inalienáveis de todos os indivíduos. Sendo assim, ela ressalta a incompatibilidade entre a visão nazista de mundo e os princípios cristãos, condenando explicitamente as doutrinas totalitárias do regime nazista. Sem dúvida, foi uma das mais enfáticas reprovações já proferidas pela Santa Sé em relação a um regime nacional.

“Contra a ideologia nazista, em 14 de março de 1937 escreve em alemão a Encíclica Mit brennender Sorge (Com viva ansiedade). ‘Somente espíritos superficiais podem cair no erro de falar de um Deus nacional, de uma religião nacional, e empreender a louca tentativa de aprisionar dentro dos limites de um único povo, na limitação étnica de uma só raça, Deus, Criador do mundo.'” 1

Pio XII e o mito do “Papa de Hitler”


Mais um dos santos da Segunda Guerra foi Pio XII, cujo nome de batismo era Eugenio Pacelli, foi eleito Papa em 1939, pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial. Durante seu pontificado, ele enfrentou um dos momentos mais sombrios da história, no qual o nazismo e o Holocausto estavam em pleno vigor.

Durante um longo período, disseminou-se a ideia de que o Papa Pio XII, durante a Segunda Guerra Mundial, teria sido aliado de Hitler, colaborando e apoiando o Holocausto. Esse rumor ganhou ainda mais força em 1963, quando foi lançada a peça teatral “O Vigário”. Essa obra tinha como objetivo retratar Pio XII como um aliado de Hitler, insinuando uma relação de amizade entre eles.

Na verdade, Pio XII adotou uma postura de neutralidade, mas com o objetivo de proteger a Igreja e sua capacidade de agir em defesa dos perseguidos. Contrariando as acusações infundadas, há evidências documentadas de que Pio XII atuou secretamente para salvar inúmeros judeus durante o Holocausto. Ele autorizou a abertura de conventos, mosteiros e instituições católicas para abrigar e proteger os perseguidos. Muitos judeus encontraram refúgio nesses locais, escapando das garras do nazismo.

“A Palavra de Deus torna-se assim luz para o seu caminho, um caminho no qual o Papa Pacelli confortou refugiados e perseguidos, teve que enxugar lágrimas de dor e chorar as inúmeras vítimas da guerra. Só Cristo é verdadeira esperança do homem; só confiando n’Ele o coração humano se pode abrir ao amor que vence o ódio. Esta consciência acompanhou Pio XII no seu ministério de Sucessor de Pedro, ministério que iniciou precisamente quando se adensavam sobre a Europa e sobre o resto do mundo as nuvens ameaçadoras de um novo conflito mundial, que ele procurou evitar de todas as formas: “É iminente o perigo, mas ainda estamos a tempo. Nada está perdido com a paz. Tudo se perde com a guerra”, gritou na sua radiomensagem de 24 de Agosto de 1939 (AAS, XXXI, 1939, p. 334).” 2

Líderes judeus expressam apoio ao Papa Pio XII


Nesse sentido, mesmo sendo totalmente contrário aos males do comunismo e a perseguição religiosa dos stalinistas, o Papa Pio XII preservou a neutralidade da Santa Sé, não abordando a questão no momento da guerra. Os diplomatas dos países aliados que estavam no Vaticano reconheceram que esse posicionamento permitia ao Papa conceder refúgio a milhares de judeus em casas religiosas na Itália e até mesmo no próprio Vaticano.

Embora Pio XII tenha evitado confrontos públicos diretos com o regime nazista, ele agiu nos bastidores, desempenhando um papel crucial na proteção dos perseguidos. Sua abordagem cautelosa visava preservar a influência da Igreja e aumentar as chances de ajudar um maior número de pessoas. Muitos judeus creditaram sua sobrevivência às ações discretas e humanitárias da Santa Sé e de seus representantes.

“Por estas suas intervenções, numerosas e unânimes confirmações de gratidão lhe foram dirigidas no final da guerra, assim como no momento da morte, pelas mais iminentes autoridades do mundo judaico, como por exemplo, o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, Golda Meir, que assim escreveu: “Quando o martírio mais assustador atingiu o nosso povo, durante os dez anos de terror nazista, a voz do Pontífice elevou-se a favor das vítimas”, concluindo com comoção: ‘Nós choramos a perda de um grande servidor da paz’.” 3

4 Santos que foram um sinal de esperança na Segunda Guerra Mundial


São Maximiliano Kolbe, um dos santos que foram mártires na Segunda Guerra

São Maximiliano Kolbe foi um dos grandes santos católicos na Segunda Guerra Mundial


São Maximiliano Kolbe — Raymond Kolbe, de nascimento — foi um frade franciscano polonês que desempenhou um papel notável como um dos santos na Segunda Guerra Mundial. Sua coragem e dedicação inabaláveis fizeram dele um exemplo de amor ao próximo em tempos de guerra. Como fundador da Milícia da Imaculada, São Maximiliano Kolbe trabalhou incansavelmente para espalhar a devoção mariana e promover a conversão de almas durante esse período sombrio da história.

Em 1941, ele foi preso pelas autoridades nazistas e enviado para Auschwitz, onde demonstrou um heroísmo extraordinário ao oferecer-se voluntariamente para morrer no lugar de um pai de família, Franciszek Gajowniczek. Então, o santo foi submetido a uma morte terrível por inanição — privado de alimentos e água, suportou uma agonia física extrema. Mas ainda assim permaneceu sereno e continuou a oferecer consolo e esperança aos seus companheiros de prisão. Sua morte ocorreu em 14 de agosto de 1941 ao receber uma injeção letal.

Para conhecer a história completa deste santo, a obra São Maximiliano Kolbe, “o mártir da caridade”, publicada pela Minha Biblioteca Católica, conta com relatos de pessoas que conviveram diretamente com o santo. É uma experiência profunda mergulhar nessa narrativa que vai do nascimento até a morte do santo, no campo de concentração nazista.

Santa Edith Stein, de filósofa ateia a carmelita mártir

Imagem de Santa Edith Stein, outra dos Santos na Segunda Guerra


Santa Edith Stein, também conhecida como Santa Teresa Benedita da Cruz, teve uma vida marcada por sua profunda fé e seu papel notável como um dos santos da Segunda Guerra Mundial. Nascida em uma família judia, ela se converteu ao catolicismo e dedicou-se à busca da verdade. Como filósofa e escritora renomada, ela explorou questões existenciais e espirituais, encontrando respostas satisfatórias em sua fé católica.

Durante a guerra, Santa Edith Stein enfrentou a perseguição e a discriminação por sua origem judaica e por sua identidade como católica. Em 1933, ela foi proibida de lecionar na universidade por causa de sua ascendência judaica. Mais tarde, ela ingressou no convento das irmãs carmelitas em Colônia, Alemanha, onde encontrou também segurança. E, em 1938, transferiu-se para o convento em Echt, nos Países Baixos.

No entanto, em 1942, Santa Edith Stein e sua irmã Rosa, também religiosa carmelita, foram presas pelas autoridades nazistas e deportadas para o campo de concentração de Auschwitz. No campo, a santa permaneceu firme em sua fé e ofereceu-se como sacrifício pelo povo judeu. Ela compartilhou a dureza da vida no campo de concentração, mantendo sua dignidade e transmitindo amor e consolo aos outros prisioneiros. Em 9 de agosto de 1942, ela encontra seu martírio nas câmaras de gás de Auschwitz.

Conheça a vida de coragem e sacrifício de Santa Edith Stein.

São João Paulo II e a descoberta da vocação em meio à Guerra

João Paulo II, durante a sua primeira comunhão.
São João Paulo II durante a sua primeira comunhão.


São João Paulo II, Karol Józef Wojtyła, é um dos santos da Segunda Guerra Mundial e sua vida foi profundamente impactada por esse período. Nascido na Polônia, ele testemunhou em primeira mão os horrores da ocupação nazista. Durante a guerra, o jovem foi forçado a trabalhar em uma fábrica alemã, onde experimentou as dificuldades e a brutalidade impostas pelos nazistas.

No entanto, foi durante esses anos difíceis que sua fé e devoção se fortaleceram. Karol encontrou consolo e esperança na Igreja Católica. Aliás, seu encontro com o Cardeal Stefan Wyszyński, arcebispo polonês, despertou sua vocação religiosa e o impulsionou a ingressar no seminário clandestino na Cracóvia.

Sua influência moral e sua firme defesa dos valores humanos contribuíram para o fim dos regimes totalitários e para o despertar de uma nova consciência de liberdade e dignidade humana. Portanto, tornou-se uma coluna de esperança para milhões de pessoas em todo o mundo.

Se você quer saber mais sobre a vida deste santo, conheça a Biografia de São João Paulo II, publicada pela Minha Biblioteca Católica. Você vai encontrar uma narrativa ampla, confiável e minuciosa sobre a trajetória deste Papa que deixou um legado de santidade e impactou gerações. Além disso, a obra contém relatos inéditos sobre a sua infância e os desafios de viver sua vocação em meio à guerra.

São Josemaria Escrivá, o Opus Dei e a Guerra Civil Espanhola


São Josemaria Escrivá, fundador do Opus Dei, enfrentou um grande desafio durante a Guerra Civil Espanhola — que precedeu a Segunda Guerra Mundial. Durante esse período conturbado, o Opus Dei encontrou dificuldades para se desenvolver, pois a sede da primeira obra corporativa, a residência DYA em Madri, ficou em ruínas. No entanto, Escrivá não se deixou abater pelas circunstâncias adversas. Além de lidar com os impactos da guerra em seu trabalho, ele também se posicionou firmemente contra o nazismo e o totalitarismo.

Em relação a Hitler e ao nazismo, Escrivá expressou claramente sua repulsa. Em testemunhos de diferentes livros, ele foi citado como abominando todos os totalitarismos e considerando o nazismo uma heresia e uma aberração política. Além disso, o santo manifestou alegria quando a Igreja condenou o nazismo, pois sabia que era o sentimento compartilhado por todos os católicos.

Apesar das dificuldades enfrentadas durante a Guerra Civil Espanhola e o período que a antecedeu, o Opus Dei perseverou. Ao final da Segunda Guerra Mundial, o Opus Dei experimentou um notável crescimento, com mais de duzentos e vinte homens e quase trinta mulheres, abrindo centros, residências e colégios maiores em várias cidades da Espanha. Os membros do Opus Dei, muitos dos quais eram jovens universitários, demonstraram entusiasmo ao seguir São Josemaria Escrivá e disseminar sua mensagem de busca pela plenitude da vida cristã no meio do mundo.

Sem dúvida, vale a pena conhecer a história deste grande santo. Na obra “São Josemaria Escrivá – Uma Luz no mundo”, você se aprofunda numa biografia com detalhes particulares da vida de São Josemaria — como sua personalidade, seus desafios na guerra e o surgimento da Opus Dei. Ela foi escrita pelo Pe. Hugo de Azevedo — o qual foi membro do Opus Dei e conviveu com o santo durante vários anos.

Depois de contemplarmos tão belos testemunhos, que exalam santidade, resta-nos, portanto, rogar a intercessão destes santos. Em nossa jornada terrena, inevitavelmente nos depararemos com momentos obscuros, mas que esses modelos atemporais de santidade sejam para nós fonte inesgotável de esperança e coragem, para que jamais desanimemos na fé — independentemente das circunstâncias.

Referências

  1. Vatican News, HÁ 80 ANOS FALECIA PIO XI[][]
  2. Bento XVI, Homilia, SANTA MISSA POR OCASIÃO DO 50º ANIVERSÁRIO
    DA MORTE DO SERVO DE DEUS PAPA PIO XII[]
  3. Bento XVI, Homilia, SANTA MISSA POR OCASIÃO DO 50º ANIVERSÁRIO DA MORTE DO SERVO DE DEUS PAPA PIO XII[]

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    Conheça santos que de diversas formas estiveram presentes na Segunda Guerra Mundial contribuindo para a manutenção da fé.

    Na turbulenta época da Segunda Guerra Mundial, a Igreja Católica desempenhou um papel fundamental na defesa dos valores humanitários e na luta contra as ideologias totalitárias. Sendo assim, figuras notáveis da Igreja Católica se destacaram como verdadeiros exemplos de coragem e esperança.

    Neste artigo, você vai conhecer alguns santos na Segunda Guerra, bem como a luta que cada um enfrentou nesse período. De tal forma que suas vidas são um modelo de esperança e de fé, sobretudo, em tempos sombrios.

    A Igreja Católica e seus santos na Segunda Guerra Mundial


    Pio XI: um testemunho de Coragem e Justiça


    Pio XI, cujo nome de batismo era Achille Ratti, foi um dos santos da Segunda Guerra. Ele nasceu em 31 de maio de 1857, na cidade de Desio, na Itália; entrou para a vida religiosa e foi ordenado sacerdote em 1879. Mais tarde, em 1922, foi eleito Papa e assumiu o pontificado em um momento de grandes desafios e turbulências políticas na Europa. “Seu magistério insere-se em um tabuleiro de xadrez político, nacional e internacional, completamente diferente dos precedentes, em que a liberdade da Igreja devia ser negociada.” 1

    Durante seu papado, Pio XI demonstrou coragem ao confrontar os movimentos totalitários que surgiam na época, incluindo o fascismo italiano e o nazismo alemão. Ainda que a realidade mostrasse um um defensor incansável da justiça, da dignidade humana e da liberdade religiosa, Papa Pio XI foi injustamente acusado, inúmeras vezes, de colaborar com a causa nazista. No entanto, cada vez mais ele se opunha — fortemente — aos regimes fascista e nazista. Além disso, essas acusações foram amplamente refutadas por estudiosos e historiadores, que reconhecem o firme testemunho do Papa em defesa dos valores humanos e da liberdade da fé.

    Nesse sentido, no cumprimento de seu dever como guia da Igreja, seu compromisso com a fé e a justiça foram evidenciados sobretudo por suas corajosas encíclicas Non abbiamo bisogno e Mit brennender Sorge. Nelas, ele condena ardentemente os regimes fascista e nazista, bem como suas ideologias e práticas. Ademais, manifesta sua preocupação com a interferência do estado na autoridade divina da Igreja e nos direitos naturais da família e da sociedade.

    Encíclica Non Abbiamo Bisogno


    Com uma linguagem incisiva e confrontadora, Pio XI denunciou a tentativa de controle do fascismo italiano sobre a religião. Foi, assim, um importante pronunciamento da Igreja Católica contra tal regime. A encíclica, publicada em 29 de junho de 1931, denuncia a interferência do governo fascista no que cabe à Igreja e enfatiza a sua autoridade divina. Dessa forma, Pio XI reafirma a autonomia da Igreja para ensinar, guiar e defender os valores cristãos fundamentais, independentemente das exigências e restrições do Estado. Por meio desta encíclica, o Papa busca assegurar que a Igreja possa cumprir sua missão de acordo com a vontade de Deus, protegendo sua integridade e fidelidade à doutrina e aos princípios morais.

    Encíclica Mit Brennender Sorge


    Publicada em 14 de março de 1937, tal encíclica também carrega uma linguagem que expressa raiva e desprezo diante dos regimes totalitários em questão. E isso já evidencia a posição da Igreja. Inclusive a Mit Brennender Sorge foi escrita em alemão, em vez do latim tradicionalmente usado para documentos pontifícios, para garantir que sua mensagem fosse claramente compreendida pelo povo alemão. Além disso, ela foi secretamente distribuída nas igrejas católicas da Alemanha e lida em voz alta, na manhã seguinte, ao final de todas as missas do Domingo de Ramos de 1937. Pois, se a Gestapo encontrasse o documento, jamais permitiria que ele fosse entregue aos seus destinatários. Inclusive, muitos envolvidos nessa oposição foram presos depois disso.

    Essa encíclica destaca a importância da justiça, da dignidade humana e da defesa dos direitos inalienáveis de todos os indivíduos. Sendo assim, ela ressalta a incompatibilidade entre a visão nazista de mundo e os princípios cristãos, condenando explicitamente as doutrinas totalitárias do regime nazista. Sem dúvida, foi uma das mais enfáticas reprovações já proferidas pela Santa Sé em relação a um regime nacional.

    “Contra a ideologia nazista, em 14 de março de 1937 escreve em alemão a Encíclica Mit brennender Sorge (Com viva ansiedade). ‘Somente espíritos superficiais podem cair no erro de falar de um Deus nacional, de uma religião nacional, e empreender a louca tentativa de aprisionar dentro dos limites de um único povo, na limitação étnica de uma só raça, Deus, Criador do mundo.'” 1

    Pio XII e o mito do “Papa de Hitler”


    Mais um dos santos da Segunda Guerra foi Pio XII, cujo nome de batismo era Eugenio Pacelli, foi eleito Papa em 1939, pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial. Durante seu pontificado, ele enfrentou um dos momentos mais sombrios da história, no qual o nazismo e o Holocausto estavam em pleno vigor.

    Durante um longo período, disseminou-se a ideia de que o Papa Pio XII, durante a Segunda Guerra Mundial, teria sido aliado de Hitler, colaborando e apoiando o Holocausto. Esse rumor ganhou ainda mais força em 1963, quando foi lançada a peça teatral “O Vigário”. Essa obra tinha como objetivo retratar Pio XII como um aliado de Hitler, insinuando uma relação de amizade entre eles.

    Na verdade, Pio XII adotou uma postura de neutralidade, mas com o objetivo de proteger a Igreja e sua capacidade de agir em defesa dos perseguidos. Contrariando as acusações infundadas, há evidências documentadas de que Pio XII atuou secretamente para salvar inúmeros judeus durante o Holocausto. Ele autorizou a abertura de conventos, mosteiros e instituições católicas para abrigar e proteger os perseguidos. Muitos judeus encontraram refúgio nesses locais, escapando das garras do nazismo.

    “A Palavra de Deus torna-se assim luz para o seu caminho, um caminho no qual o Papa Pacelli confortou refugiados e perseguidos, teve que enxugar lágrimas de dor e chorar as inúmeras vítimas da guerra. Só Cristo é verdadeira esperança do homem; só confiando n’Ele o coração humano se pode abrir ao amor que vence o ódio. Esta consciência acompanhou Pio XII no seu ministério de Sucessor de Pedro, ministério que iniciou precisamente quando se adensavam sobre a Europa e sobre o resto do mundo as nuvens ameaçadoras de um novo conflito mundial, que ele procurou evitar de todas as formas: “É iminente o perigo, mas ainda estamos a tempo. Nada está perdido com a paz. Tudo se perde com a guerra”, gritou na sua radiomensagem de 24 de Agosto de 1939 (AAS, XXXI, 1939, p. 334).” 2

    Líderes judeus expressam apoio ao Papa Pio XII


    Nesse sentido, mesmo sendo totalmente contrário aos males do comunismo e a perseguição religiosa dos stalinistas, o Papa Pio XII preservou a neutralidade da Santa Sé, não abordando a questão no momento da guerra. Os diplomatas dos países aliados que estavam no Vaticano reconheceram que esse posicionamento permitia ao Papa conceder refúgio a milhares de judeus em casas religiosas na Itália e até mesmo no próprio Vaticano.

    Embora Pio XII tenha evitado confrontos públicos diretos com o regime nazista, ele agiu nos bastidores, desempenhando um papel crucial na proteção dos perseguidos. Sua abordagem cautelosa visava preservar a influência da Igreja e aumentar as chances de ajudar um maior número de pessoas. Muitos judeus creditaram sua sobrevivência às ações discretas e humanitárias da Santa Sé e de seus representantes.

    “Por estas suas intervenções, numerosas e unânimes confirmações de gratidão lhe foram dirigidas no final da guerra, assim como no momento da morte, pelas mais iminentes autoridades do mundo judaico, como por exemplo, o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, Golda Meir, que assim escreveu: “Quando o martírio mais assustador atingiu o nosso povo, durante os dez anos de terror nazista, a voz do Pontífice elevou-se a favor das vítimas”, concluindo com comoção: ‘Nós choramos a perda de um grande servidor da paz’.” 3

    4 Santos que foram um sinal de esperança na Segunda Guerra Mundial


    São Maximiliano Kolbe, um dos santos que foram mártires na Segunda Guerra

    São Maximiliano Kolbe foi um dos grandes santos católicos na Segunda Guerra Mundial


    São Maximiliano Kolbe — Raymond Kolbe, de nascimento — foi um frade franciscano polonês que desempenhou um papel notável como um dos santos na Segunda Guerra Mundial. Sua coragem e dedicação inabaláveis fizeram dele um exemplo de amor ao próximo em tempos de guerra. Como fundador da Milícia da Imaculada, São Maximiliano Kolbe trabalhou incansavelmente para espalhar a devoção mariana e promover a conversão de almas durante esse período sombrio da história.

    Em 1941, ele foi preso pelas autoridades nazistas e enviado para Auschwitz, onde demonstrou um heroísmo extraordinário ao oferecer-se voluntariamente para morrer no lugar de um pai de família, Franciszek Gajowniczek. Então, o santo foi submetido a uma morte terrível por inanição — privado de alimentos e água, suportou uma agonia física extrema. Mas ainda assim permaneceu sereno e continuou a oferecer consolo e esperança aos seus companheiros de prisão. Sua morte ocorreu em 14 de agosto de 1941 ao receber uma injeção letal.

    Para conhecer a história completa deste santo, a obra São Maximiliano Kolbe, “o mártir da caridade”, publicada pela Minha Biblioteca Católica, conta com relatos de pessoas que conviveram diretamente com o santo. É uma experiência profunda mergulhar nessa narrativa que vai do nascimento até a morte do santo, no campo de concentração nazista.

    Santa Edith Stein, de filósofa ateia a carmelita mártir

    Imagem de Santa Edith Stein, outra dos Santos na Segunda Guerra


    Santa Edith Stein, também conhecida como Santa Teresa Benedita da Cruz, teve uma vida marcada por sua profunda fé e seu papel notável como um dos santos da Segunda Guerra Mundial. Nascida em uma família judia, ela se converteu ao catolicismo e dedicou-se à busca da verdade. Como filósofa e escritora renomada, ela explorou questões existenciais e espirituais, encontrando respostas satisfatórias em sua fé católica.

    Durante a guerra, Santa Edith Stein enfrentou a perseguição e a discriminação por sua origem judaica e por sua identidade como católica. Em 1933, ela foi proibida de lecionar na universidade por causa de sua ascendência judaica. Mais tarde, ela ingressou no convento das irmãs carmelitas em Colônia, Alemanha, onde encontrou também segurança. E, em 1938, transferiu-se para o convento em Echt, nos Países Baixos.

    No entanto, em 1942, Santa Edith Stein e sua irmã Rosa, também religiosa carmelita, foram presas pelas autoridades nazistas e deportadas para o campo de concentração de Auschwitz. No campo, a santa permaneceu firme em sua fé e ofereceu-se como sacrifício pelo povo judeu. Ela compartilhou a dureza da vida no campo de concentração, mantendo sua dignidade e transmitindo amor e consolo aos outros prisioneiros. Em 9 de agosto de 1942, ela encontra seu martírio nas câmaras de gás de Auschwitz.

    Conheça a vida de coragem e sacrifício de Santa Edith Stein.

    São João Paulo II e a descoberta da vocação em meio à Guerra

    João Paulo II, durante a sua primeira comunhão.
    São João Paulo II durante a sua primeira comunhão.


    São João Paulo II, Karol Józef Wojtyła, é um dos santos da Segunda Guerra Mundial e sua vida foi profundamente impactada por esse período. Nascido na Polônia, ele testemunhou em primeira mão os horrores da ocupação nazista. Durante a guerra, o jovem foi forçado a trabalhar em uma fábrica alemã, onde experimentou as dificuldades e a brutalidade impostas pelos nazistas.

    No entanto, foi durante esses anos difíceis que sua fé e devoção se fortaleceram. Karol encontrou consolo e esperança na Igreja Católica. Aliás, seu encontro com o Cardeal Stefan Wyszyński, arcebispo polonês, despertou sua vocação religiosa e o impulsionou a ingressar no seminário clandestino na Cracóvia.

    Sua influência moral e sua firme defesa dos valores humanos contribuíram para o fim dos regimes totalitários e para o despertar de uma nova consciência de liberdade e dignidade humana. Portanto, tornou-se uma coluna de esperança para milhões de pessoas em todo o mundo.

    Se você quer saber mais sobre a vida deste santo, conheça a Biografia de São João Paulo II, publicada pela Minha Biblioteca Católica. Você vai encontrar uma narrativa ampla, confiável e minuciosa sobre a trajetória deste Papa que deixou um legado de santidade e impactou gerações. Além disso, a obra contém relatos inéditos sobre a sua infância e os desafios de viver sua vocação em meio à guerra.

    São Josemaria Escrivá, o Opus Dei e a Guerra Civil Espanhola


    São Josemaria Escrivá, fundador do Opus Dei, enfrentou um grande desafio durante a Guerra Civil Espanhola — que precedeu a Segunda Guerra Mundial. Durante esse período conturbado, o Opus Dei encontrou dificuldades para se desenvolver, pois a sede da primeira obra corporativa, a residência DYA em Madri, ficou em ruínas. No entanto, Escrivá não se deixou abater pelas circunstâncias adversas. Além de lidar com os impactos da guerra em seu trabalho, ele também se posicionou firmemente contra o nazismo e o totalitarismo.

    Em relação a Hitler e ao nazismo, Escrivá expressou claramente sua repulsa. Em testemunhos de diferentes livros, ele foi citado como abominando todos os totalitarismos e considerando o nazismo uma heresia e uma aberração política. Além disso, o santo manifestou alegria quando a Igreja condenou o nazismo, pois sabia que era o sentimento compartilhado por todos os católicos.

    Apesar das dificuldades enfrentadas durante a Guerra Civil Espanhola e o período que a antecedeu, o Opus Dei perseverou. Ao final da Segunda Guerra Mundial, o Opus Dei experimentou um notável crescimento, com mais de duzentos e vinte homens e quase trinta mulheres, abrindo centros, residências e colégios maiores em várias cidades da Espanha. Os membros do Opus Dei, muitos dos quais eram jovens universitários, demonstraram entusiasmo ao seguir São Josemaria Escrivá e disseminar sua mensagem de busca pela plenitude da vida cristã no meio do mundo.

    Sem dúvida, vale a pena conhecer a história deste grande santo. Na obra “São Josemaria Escrivá – Uma Luz no mundo”, você se aprofunda numa biografia com detalhes particulares da vida de São Josemaria — como sua personalidade, seus desafios na guerra e o surgimento da Opus Dei. Ela foi escrita pelo Pe. Hugo de Azevedo — o qual foi membro do Opus Dei e conviveu com o santo durante vários anos.

    Depois de contemplarmos tão belos testemunhos, que exalam santidade, resta-nos, portanto, rogar a intercessão destes santos. Em nossa jornada terrena, inevitavelmente nos depararemos com momentos obscuros, mas que esses modelos atemporais de santidade sejam para nós fonte inesgotável de esperança e coragem, para que jamais desanimemos na fé — independentemente das circunstâncias.

    Referências

    1. Vatican News, HÁ 80 ANOS FALECIA PIO XI[][]
    2. Bento XVI, Homilia, SANTA MISSA POR OCASIÃO DO 50º ANIVERSÁRIO
      DA MORTE DO SERVO DE DEUS PAPA PIO XII[]
    3. Bento XVI, Homilia, SANTA MISSA POR OCASIÃO DO 50º ANIVERSÁRIO DA MORTE DO SERVO DE DEUS PAPA PIO XII[]
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