Acompanhe a liturgia do dia 03 de abril de 2026, com texto e comentários patrísticos da Bíblia da Minha Biblioteca Católica.
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Liturgia do dia 03 de abril de 2026
Paixão do Senhor
Ó Jesus, pelo Imaculado Coração de Maria, eu vos ofereço minhas orações, obras e sofrimentos deste dia por todas as intenções do vosso Sagrado Coração, em união com o Santo Sacrifício da Missa realizado no mundo inteiro, em reparação pelos meus pecados, pelas intenções de todos os nossos associados e em particular pelo apostolado da oração. 1
Is 52,13-53,12
¹³Eis que o meu servo procederá com inteligência, será exaltado e elevado, e chegará ao cúmulo da glória. ¹⁴Assim como pasmaram muitos à vista de ti, assim será sem glória o seu aspecto entre os homens, a sua figura entre os filhos dos homens. ¹⁵Ele aspergirá sobre muitas nações, diante dele os reis taparão a boca; porque o viram aqueles a quem nada tinha sido anunciado a seu respeito; e os que não tinham ouvido falar dele o contemplaram. ¹Quem deu crédito ao que nos ouviu? A quem foi revelado o braço do Senhor? ²Subirá como o arbusto diante dele, como raiz que sai de uma terra sequiosa; ele não tem beleza nem formosura; nós o vimos, e não tinha um aspecto agradável, para que o desejássemos. ³Era desprezado, o último dos homens, um homem de dores e experimentado nos sofrimentos; o seu rosto estava encoberto, era desprezado, e por isso nenhum caso fizeram dele. ⁴Verdadeiramente foi ele quem tomou sobre si as nossas fraquezas, e ele mesmo carregou as nossas dores; e nós o reputamos como um leproso e como um homem ferido por Deus e humilhado. ⁵Mas foi ferido por causa das nossas iniquidades, foi despedaçado por causa dos nossos crimes; o castigo que nos devia trazer a paz caiu sobre ele, e nós fomos sarados com os seus ferimentos. ⁶Todos nós andamos desgarrados como ovelhas, cada um se extraviou por seu caminho; e o Senhor carregou sobre ele a iniquidade de todos nós. ⁷Foi oferecido porque ele mesmo quis, e não abriu a sua boca; como uma ovelha será levado ao matadouro, e como um cordeiro diante do que o tosquia emudecerá, e não abrirá a sua boca. ⁸Ele foi tirado pela angústia e pelo juízo. Quem poderá contar a sua geração? Porque ele foi cortado da terra dos viventes; eu o feri por causa da maldade do meu povo. ⁹E lhe dará os ímpios em recompensa da sua sepultura, e o rico em recompensa da sua morte; porque ele não cometeu iniquidade, nem nunca se achou dolo na sua boca. ¹⁰O Senhor quis consumi-lo com sofrimentos, mas, quando tiver oferecido a sua vida pelo pecado, verá uma descendência perdurável, e a vontade do Senhor prosperará nas suas mãos. ¹¹Verá o fruto do que a sua alma trabalhou e ficará satisfeito. Este mesmo justo, meu servo, justificará muitos com a sua ciência e tomará sobre si as suas iniquidades. ¹²Por isso eu lhe atribuirei uma grande multidão, e ele distribuirá os despojos dos fortes, porque entregou a sua vida à morte e foi posto no número dos malfeitores, tomando sobre si os pecados de muitos e orando pelos pecadores.
Sl 30(31),2.6.12-13.15-16.17.25 (R. Lc 23,46b)
R. “Pai, nas tuas mãos encomendo o meu espírito”.
² Em ti, Senhor, esperei. Não seja eu jamais confundido, livra-me, segundo a tua justiça. ⁶ Nas tuas mãos encomendo o meu espírito; tu me remiste, Senhor Deus da verdade. R.
¹² Mais que todos os meus inimigos, tornei-me um objeto de opróbrio, sobretudo para os meus vizinhos, e o horror dos meus conhecidos. Os que me viam, fugiam para longe de mim. ¹³ Fui esquecido pelos corações como um morto. Fiquei sendo como um vaso quebrado, R.
¹⁵ Mas eu esperei em ti, Senhor. Eu disse: “Tu és meu Deus; ¹⁶ nas tuas mãos está o meu destino. Livra-me das mãos dos meus inimigos e dos que me perseguem. R.
¹⁷ Resplandeça o teu rosto sobre o teu servo, salva-me pela tua misericórdia. ²⁵ Portai-vos varonilmente, e fortaleça-se o vosso coração, vós todos que esperais no Senhor. R.
Hb 4,14-16;5,7-9
¹⁴Tendo nós, pois, um grande sumo sacerdote, que penetrou os céus, Jesus, Filho de Deus, sejamos firmes na profissão da nossa fé. ¹⁵Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas enfermidades, mas que foi tentado em tudo à nossa semelhança, exceto no pecado. ¹⁶Aproximemo-nos, pois, confiadamente do trono da graça, a fim de alcançar misericórdia e de encontrar graça, para sermos socorridos em tempo oportuno. ⁷Nos dias da sua carne, oferecendo, com grande brado e com lágrimas, preces e súplicas àquele que o podia salvar da morte, Jesus foi atendido pela sua reverência ⁸e, embora fosse Filho de Deus, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu. ⁹Então, uma vez consumado, tornou-se a causa da salvação eterna para todos os que lhe obedecem.
Jo 18,1-19,42
Prenderam Jesus e o amarraram.
¹Tendo Jesus dito estas palavras, saiu com os seus discípulos para o outro lado da torrente do Cedron, onde havia um jardim, no qual entraram ele e os seus discípulos. ²Ora, Judas, que o entregava, sabia também deste lugar, porque Jesus tinha ido lá muitas vezes com seus discípulos. ³Tomou então Judas a coortef e guardas fornecidos pelos chefes dos sacerdotes e fariseus, e foi lá com lanternas, archotes e armas. ⁴Mas Jesus, que sabia tudo o que estava para lhe acontecer, adiantou-se e disse-lhes: “A quem buscais?”. ⁵Responderam-lhe: “A Jesus Nazareno”. Disse-lhes Jesus: “Sou eu” ( Judas, que o entregava, estava também com eles). ⁶Então, assim que Jesus lhes disse: “Sou eu”, recuaram e caíram por terra. ⁷Perguntou-lhes, pois, novamente: “A quem buscais?”. E eles disseram: “A Jesus Nazareno”. ⁸Respondeu Jesus: “Já vos disse que sou eu; se é, pois, a mim que buscais, deixai ir estes” – ⁹para se cumprir assim a palavra que ele dissera: “Dos que me deste, não perdi nenhum”. ¹⁰Mas Simão Pedro, que tinha uma espada, puxou dela e feriu um servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. Este servo chamava-se Malco. ¹¹Porém, Jesus disse a Pedro: “Mete a tua espada na bainha. Não hei de beber o cálice que o Pai me deu?”.
Conduziram Jesus primeiro a Anás.
¹²Então, a corte, o tribuno e os guardas dos judeus prenderam Jesus e o manietaram. ¹³Primeiramente levaram-no à casa de Anás, por ser sogro de Caifás, que era o sumo sacerdote daquele ano. ¹⁴Caifás era aquele que tinha dado aos judeus o conselho de que convinha que um homem morresse pelo povo. ¹⁵Ora, Simão Pedro e um outro discípulo seguiam Jesus. Este discípulo era conhecido do sumo sacerdote e entrou com Jesus no pátio do sumo sacerdote. ¹⁶Mas Pedro ficou fora, à porta. Saiu então o outro discípulo, que era conhecido do sumo sacerdote, falou à porteira e fez entrar Pedro. ¹⁷Então a criada porteira disse a Pedro: “Não és tu também um dos discípulos desse homem?”. Ele respondeu: “Não sou”. ¹⁸Ora os servos e os guardas estavam junto a uma fogueira, porque fazia frio, e aqueciam-se, e Pedro estava também com eles, de pé, se aquecendo. ¹⁹Enquanto isso, o sumo sacerdote interrogava Jesus sobre os seus discípulos e sobre a sua doutrina. ²⁰Jesus respondeu-lhe: “Eu falei publicamente ao mundo; ensinei sempre na sinagoga e no templo, onde concorrem todos os judeus, e nada disse em segredo. ²¹Por que me interrogas? Interroga aqueles que ouviram o que eu lhes disse; eles sabem o que eu tenho dito”. ²²Ao dizer isso, um dos guardas que se achavam presentes deu uma bofetada em Jesus, dizendo: “Assim respondes ao sumo sacerdote?”. ²³Respondeu-lhe Jesus: “Se falei mal, mostra o que eu disse de mal; mas, se falei bem, por que me feres?”. ²⁴E Anás enviou-o maniatado ao sumo sacerdote Caifás.
Não és tu também um dos discípulos dele? Pedro negou: “Não!”
²⁵Ainda estava lá Simão Pedro, aquecendo-se. Eles disseram-lhe: “Não és tu também um dos seus discípulos?”. Ele negou, dizendo: “Não sou”. ²⁶Disse-lhe um dos servos do sumo sacerdote, parente daquele a quem Pedro cortara a orelha: “Não te vi com ele no jardim?”. ²⁷Então Pedro negou-o outra vez. E imediatamente cantou o galo.
O meu reino não é deste mundo.
²⁸Levaram, pois, Jesus da casa de Caifás ao Pretório. Era de manhã cedo. Eles não entraram no Pretório, para não se contaminarem, a fim de comerem a Páscoa. ²⁹Pilatos então saiu para lhes falar, e disse: “Que acusação apresentais contra este homem?”. ³⁰Responderam-lhe: “Se este não fosse um malfeitor, não o entregaríamos nas tuas mãos”. ³¹Pilatos disse-lhes então: “Tomai-o vós, e julgai-o segundo a vossa lei”. Mas os judeus responderam-lhe: “A nós não nos é permitido matar ninguém”. ³²Para se cumprir a palavra que Jesus dissera, significando de que morte havia de morrer. ³³Tornou, pois, Pilatos a entrar no Pretório, e chamou Jesus, dizendo-lhe: “Tu és o rei dos judeus?”. ³⁴Respondeu Jesus: “Tu dizes isso por ti mesmo, ou foram outros que te disseram de mim?”. ³⁵Replicou Pilatos: “Porventura sou judeu? A tua nação e os chefes dos sacerdotes são os que te entregaram nas minhas mãos. Que fizeste?”. ³⁶Respondeu Jesus: “O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, certamente os meus ministros haviam de se esforçar para que eu não fosse entregue aos judeus; mas o meu reino não é daqui”. ³⁷Disse-lhe então Pilatos: “Logo, tu és rei?”. Respondeu Jesus: “Tu o dizes; sou rei. Nasci e vim ao mundo para dar testemunho da verdade. Todo o que é da verdade ouve a minha voz”. ³⁸Disse-lhe Pilatos: “O que é a verdade?”. E, dito isto, tornou a sair, para ir ter com os judeus, dizendo-lhes: “Não encontro nele crime algum. ³⁹Ora, é costume que eu, pela Páscoa, vos solte um prisioneiro. Quereis, pois, que eu vos solte o rei dos judeus?” ⁴⁰Então gritaram todos novamente, dizendo: “Não este, mas Barrabás!”. Ora, Barrabás era um ladrão.
Viva o rei dos judeus!
¹Pilatos tomou então Jesus e mandou-o flagelar. ²E os soldados, trançando uma coroa de espinhos, puseram-lha sobre a cabeça e revestiram-no com um manto de púrpura. ³Depois, aproximavam-se dele e diziam-lhe: “Salve, rei dos judeus!”, e davam-lhe bofetadas. ⁴Saiu Pilatos ainda outra vez e disse-lhes: “Eis que o trago à vossa presença, para que saibais que não encontro nele crime algum”. ⁵Saiu, pois, Jesus trazendo a coroa de espinhos e o manto de púrpura. E Pilatos disse-lhes: “Eis o homem”. ⁶Então os príncipes dos sacerdotes e os ministros, tendo-o visto, gritaram: “Crucifica-o, crucifica-o!”. Disse-lhes Pilatos: “Tomai-o e crucificai-o vós, porque eu não encontro nele crime algum”. ⁷Responderam-lhe os judeus: “Nós temos uma lei, e segundo a lei, deve morrer, porque se fez Filho de Deus”. ⁸Pilatos, ao ouvir estas palavras, temeu ainda mais. ⁹Então entrou novamente no Pretório e disse a Jesus: “Donde és tu?”. Mas Jesus não lhe deu resposta. ¹⁰Então disse-lhe Pilatos: “Não me falas? Não sabes que tenho poder para te crucificar, e que tenho poder para te soltar?”. ¹¹Respondeu Jesus: “Tu não terias poder algum sobre mim, se não te fosse dado do alto. Por isso, o que me entregou a ti tem maior pecado”.
Fora! Fora! Crucifica-o!
¹²E, deste momento em diante, procurava Pilatos soltá-lo. Porém os judeus gritavam, dizendo: “Se soltas este, não és amigo de César, porque todo o que se faz rei é contra César”. ¹³Pilatos, pois, tendo ouvido estas palavras, conduziu Jesus para fora e sentou-se no seu tribunal, no lugar que se chama Lithóstrôtos, e em hebraico Gabbatha. ¹⁴Era a Parasceve da Páscoa, cerca da hora sexta, quando disse aos judeus: “Eis o vosso rei”. ¹⁵Mas eles gritaram: “Fora! Fora! Crucifica-o!”. Disse-lhes Pilatos: “Hei de crucificar o vosso rei?”. Responderam os chefes dos sacerdotes: “Não temos rei, senão César”. ¹⁶Então entregou-o para que fosse crucificado. Eles tomaram Jesus e conduziram-no para fora.
Ali o crucificaram, com outros dois.
¹⁷E, levando a sua cruz, saiu para o lugar que se chama Calvário, e em hebraico Gólgota, ¹⁸onde o crucificaram, e com ele outros dois, um de um lado, outro do outro lado, e Jesus no meio. ¹⁹Pilatos escreveu também um título e o pôs sobre a cruz; e nele estava escrito: Jesus Nazareno, Rei dos Judeus. ²⁰Ora, muitos dos judeus leram esse título, porque estava perto da cidade o lugar onde Jesus foi crucificado. E estava escrito em hebraico, em grego e em latim. ²¹Diziam, porém, a Pilatos os chefes dos sacerdotes dos judeus: “Não escrevas ‘Rei dos Judeus’, mas o que ele disse: ‘Eu sou o Rei dos judeus’”. ²²Respondeu Pilatos: “O que escrevi, escrevi”.
Repartiram entre si as minhas vestes.
²³Os soldados, então, depois de terem crucificado Jesus, tomaram as suas vestes (e fizeram delas quatro partes, uma para cada soldado) e a túnica. A túnica, porém, não tinha costura, era toda tecida de alto a baixo. ²⁴Então disseram uns para os outros: “Não a rasguemos, mas lancemos sortes sobre ela, para ver com quem ficará”. Cumpriu-se deste modo a Escritura, que diz: Repartiram as minhas vestes entre si, e lançaram sortes sobre a minha túnica. E os soldados assim fizeram.
Este é o teu filho. Esta é a tua mãe.
²⁵Entretanto estavam de pé junto à cruz de Jesus sua Mãe, e a irmã de sua Mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. ²⁶Jesus, ao ver sua Mãe e o discípulo que ele amava, o qual estava presente, disse à sua Mãe: “Mulher, eis aí o teu filho”. ²⁷Depois disse ao discípulo: “Eis aí a tua Mãe”. E, daquela hora em diante, o discípulo a acolheu consigo. Morte de Jesus
Tudo está consumado.
²⁸Depois, sabendo Jesus que tudo estava consumado, para se cumprir a Escritura, disse: “Tenho sede”. ²⁹Tinha sido ali posto um vaso cheio de vinagre, e [os soldados], ensopando no vinagre uma esponja e atando-a a um hissopo, chegaram-lhe à boca. ³⁰Então Jesus, depois de tomar o vinagre, disse: “Tudo está consumado”. E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito.
Todos se ajoelham e faz-se uma pausa.
E logo saiu sangue e água.
³¹Ora, os judeus, visto que era a Parasceve, não admitindo que ficassem os corpos na cruz no sábado, porque aquele dia de sábado era de grande solenidade, rogaram a Pilatos que lhes quebrassem as pernas, e fossem tirados. ³²Foram os soldados e quebraram as pernas ao primeiro e ao outro com quem ele fora crucificado. ³³Mas, quando chegaram a Jesus, ao verem que já estava morto, não lhe quebraram as pernas; ³⁴no entanto, um dos soldados abriu-lhe um lado com uma lança, e imediatamente saiu sangue e água. ³⁵E aquele que viu, deu testemunho disso, e o seu testemunho é verdadeiro. Ele sabe que diz a verdade, para que também vós acrediteis. ³⁶Porque estas coisas sucederam para que se cumprisse a Escritura: Não lhe quebrareis osso algum. ³⁷E diz outro lugar da Escritura: Lançarão o olhar para aquele a quem traspassaram.
Envolveram o corpo de Jesus com os aromas, em faixas de linho.
³⁸Depois disto, José de Arimateia (o qual era discípulo de Jesus, ainda que oculto, por medo dos judeus) rogou a Pilatos que lhe deixasse levar o corpo de Jesus. E Pilatos permitiu-lhe. Foi então e tomou o corpo de Jesus. ³⁹Nicodemos, o que tinha ido anteriormente de noite ter com Jesus, foi também, levando uma composição de quase cem libras de mirra e de aloés. ⁴⁰Tomaram, pois, o corpo de Jesus e envolveram-no em lençóis com aromas, segundo a maneira de sepultar usada entre os judeus. ⁴¹Ora, no lugar em que Jesus foi crucificado havia um jardim, e no jardim um sepulcro novo, em que ninguém ainda tinha sido sepultado. ⁴²Portanto, por ser o dia da Parasceve dos judeus, visto que o sepulcro estava perto, depositaram aí Jesus.
18,1–2. Teofilacto: Judas sabia também que nos dias de festa o Senhor tinha o costume de transmitir aos discípulos algum ensinamento sublime, e que costumava tratar desses assuntos místicos em lugares como aquele. Pois bem, como fosse um dia de solenidade, pensou que ele estaria ali, ensinando aos discípulos algo a ver com a celebração.
18,6. Gregório: Por que é que os eleitos caem de rosto no chão (cf. Nr 16,4; Ez 2,1, etc.) e os réprobos de costas, senão porque todo mundo que cai para trás cai onde não enxerga, ao passo que quem cai para frente cai onde enxerga? Portanto, como os iníquos caem no que é invisível, diz-se que caem para trás porque tombam onde não podem ver o que os segue; já os justos, que se deixam cair por vontade própria nas coisas visíveis daqui para serem levantados às invisíveis, é como se caíssem de rosto porque, compenetrados de temor, humilham-se de olhos bem abertos.
18,10–11. Agostinho: “Malco” é traduzido por “aquele que reinará”. E o que significa a orelha cortada em defesa do Senhor e depois curada pelo próprio Senhor, senão que a audição foi renovada pela amputação do velho homem, para que habite na novidade do Espírito e abandone a vetustez da letra? E quem duvidará de que quem tenha recebido uma graça de Cristo haja de reinar no futuro século com Cristo? Que, além disso tudo, esse homem fosse um servo, tem a ver com a velha lei, que gera todos para a servidão; mas, ao ser-lhe restituída a saúde, foi prefigurada a liberdade.
Teofilacto: Ou talvez a amputação da orelha direita do servo do sumo sacerdote fosse sinal da surdez daqueles homens, que criara raízes sobretudo nos príncipes dos sacerdotes. A restituição dela, por sua vez, representa o intelecto dos israelitas reparado pela última vez quando voltar Elias.
18,15–18. Crisóstomo: Por este motivo o mistério da divina Providência permitiu que Pedro caísse primeiro que todos: para que, em consideração da própria queda, abrandasse as penas mais duras para os pecadores. Pedro, doutor e mestre de toda a face da Terra, pecou e alcançou o perdão para dar aos futuros juízes esta norma e regra de indulgência. Creio que é por esse motivo que não foi incumbida aos anjos a autoridade sacerdotal, para que não castigassem sem misericórdia os pecadores, já que nunca pecam. Um homem sujeito a tudo que era paixão é posto acima dos demais homens para que, revendo neles as próprias paixões, se mostrasse a eles afável e benigno.
18,18. Gregório: Pedro deixara arrefecer por dentro o fogo da caridade e, ardendo de fraqueza, requentava o amor à vida presente nos tições dos perseguidores.

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Liturgia do dia 03 de abril de 2026
Paixão do Senhor
Ó Jesus, pelo Imaculado Coração de Maria, eu vos ofereço minhas orações, obras e sofrimentos deste dia por todas as intenções do vosso Sagrado Coração, em união com o Santo Sacrifício da Missa realizado no mundo inteiro, em reparação pelos meus pecados, pelas intenções de todos os nossos associados e em particular pelo apostolado da oração. 1
Is 52,13-53,12
¹³Eis que o meu servo procederá com inteligência, será exaltado e elevado, e chegará ao cúmulo da glória. ¹⁴Assim como pasmaram muitos à vista de ti, assim será sem glória o seu aspecto entre os homens, a sua figura entre os filhos dos homens. ¹⁵Ele aspergirá sobre muitas nações, diante dele os reis taparão a boca; porque o viram aqueles a quem nada tinha sido anunciado a seu respeito; e os que não tinham ouvido falar dele o contemplaram. ¹Quem deu crédito ao que nos ouviu? A quem foi revelado o braço do Senhor? ²Subirá como o arbusto diante dele, como raiz que sai de uma terra sequiosa; ele não tem beleza nem formosura; nós o vimos, e não tinha um aspecto agradável, para que o desejássemos. ³Era desprezado, o último dos homens, um homem de dores e experimentado nos sofrimentos; o seu rosto estava encoberto, era desprezado, e por isso nenhum caso fizeram dele. ⁴Verdadeiramente foi ele quem tomou sobre si as nossas fraquezas, e ele mesmo carregou as nossas dores; e nós o reputamos como um leproso e como um homem ferido por Deus e humilhado. ⁵Mas foi ferido por causa das nossas iniquidades, foi despedaçado por causa dos nossos crimes; o castigo que nos devia trazer a paz caiu sobre ele, e nós fomos sarados com os seus ferimentos. ⁶Todos nós andamos desgarrados como ovelhas, cada um se extraviou por seu caminho; e o Senhor carregou sobre ele a iniquidade de todos nós. ⁷Foi oferecido porque ele mesmo quis, e não abriu a sua boca; como uma ovelha será levado ao matadouro, e como um cordeiro diante do que o tosquia emudecerá, e não abrirá a sua boca. ⁸Ele foi tirado pela angústia e pelo juízo. Quem poderá contar a sua geração? Porque ele foi cortado da terra dos viventes; eu o feri por causa da maldade do meu povo. ⁹E lhe dará os ímpios em recompensa da sua sepultura, e o rico em recompensa da sua morte; porque ele não cometeu iniquidade, nem nunca se achou dolo na sua boca. ¹⁰O Senhor quis consumi-lo com sofrimentos, mas, quando tiver oferecido a sua vida pelo pecado, verá uma descendência perdurável, e a vontade do Senhor prosperará nas suas mãos. ¹¹Verá o fruto do que a sua alma trabalhou e ficará satisfeito. Este mesmo justo, meu servo, justificará muitos com a sua ciência e tomará sobre si as suas iniquidades. ¹²Por isso eu lhe atribuirei uma grande multidão, e ele distribuirá os despojos dos fortes, porque entregou a sua vida à morte e foi posto no número dos malfeitores, tomando sobre si os pecados de muitos e orando pelos pecadores.
Sl 30(31),2.6.12-13.15-16.17.25 (R. Lc 23,46b)
R. “Pai, nas tuas mãos encomendo o meu espírito”.
² Em ti, Senhor, esperei. Não seja eu jamais confundido, livra-me, segundo a tua justiça. ⁶ Nas tuas mãos encomendo o meu espírito; tu me remiste, Senhor Deus da verdade. R.
¹² Mais que todos os meus inimigos, tornei-me um objeto de opróbrio, sobretudo para os meus vizinhos, e o horror dos meus conhecidos. Os que me viam, fugiam para longe de mim. ¹³ Fui esquecido pelos corações como um morto. Fiquei sendo como um vaso quebrado, R.
¹⁵ Mas eu esperei em ti, Senhor. Eu disse: “Tu és meu Deus; ¹⁶ nas tuas mãos está o meu destino. Livra-me das mãos dos meus inimigos e dos que me perseguem. R.
¹⁷ Resplandeça o teu rosto sobre o teu servo, salva-me pela tua misericórdia. ²⁵ Portai-vos varonilmente, e fortaleça-se o vosso coração, vós todos que esperais no Senhor. R.
Hb 4,14-16;5,7-9
¹⁴Tendo nós, pois, um grande sumo sacerdote, que penetrou os céus, Jesus, Filho de Deus, sejamos firmes na profissão da nossa fé. ¹⁵Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas enfermidades, mas que foi tentado em tudo à nossa semelhança, exceto no pecado. ¹⁶Aproximemo-nos, pois, confiadamente do trono da graça, a fim de alcançar misericórdia e de encontrar graça, para sermos socorridos em tempo oportuno. ⁷Nos dias da sua carne, oferecendo, com grande brado e com lágrimas, preces e súplicas àquele que o podia salvar da morte, Jesus foi atendido pela sua reverência ⁸e, embora fosse Filho de Deus, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu. ⁹Então, uma vez consumado, tornou-se a causa da salvação eterna para todos os que lhe obedecem.
Jo 18,1-19,42
Prenderam Jesus e o amarraram.
¹Tendo Jesus dito estas palavras, saiu com os seus discípulos para o outro lado da torrente do Cedron, onde havia um jardim, no qual entraram ele e os seus discípulos. ²Ora, Judas, que o entregava, sabia também deste lugar, porque Jesus tinha ido lá muitas vezes com seus discípulos. ³Tomou então Judas a coortef e guardas fornecidos pelos chefes dos sacerdotes e fariseus, e foi lá com lanternas, archotes e armas. ⁴Mas Jesus, que sabia tudo o que estava para lhe acontecer, adiantou-se e disse-lhes: “A quem buscais?”. ⁵Responderam-lhe: “A Jesus Nazareno”. Disse-lhes Jesus: “Sou eu” ( Judas, que o entregava, estava também com eles). ⁶Então, assim que Jesus lhes disse: “Sou eu”, recuaram e caíram por terra. ⁷Perguntou-lhes, pois, novamente: “A quem buscais?”. E eles disseram: “A Jesus Nazareno”. ⁸Respondeu Jesus: “Já vos disse que sou eu; se é, pois, a mim que buscais, deixai ir estes” – ⁹para se cumprir assim a palavra que ele dissera: “Dos que me deste, não perdi nenhum”. ¹⁰Mas Simão Pedro, que tinha uma espada, puxou dela e feriu um servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. Este servo chamava-se Malco. ¹¹Porém, Jesus disse a Pedro: “Mete a tua espada na bainha. Não hei de beber o cálice que o Pai me deu?”.
Conduziram Jesus primeiro a Anás.
¹²Então, a corte, o tribuno e os guardas dos judeus prenderam Jesus e o manietaram. ¹³Primeiramente levaram-no à casa de Anás, por ser sogro de Caifás, que era o sumo sacerdote daquele ano. ¹⁴Caifás era aquele que tinha dado aos judeus o conselho de que convinha que um homem morresse pelo povo. ¹⁵Ora, Simão Pedro e um outro discípulo seguiam Jesus. Este discípulo era conhecido do sumo sacerdote e entrou com Jesus no pátio do sumo sacerdote. ¹⁶Mas Pedro ficou fora, à porta. Saiu então o outro discípulo, que era conhecido do sumo sacerdote, falou à porteira e fez entrar Pedro. ¹⁷Então a criada porteira disse a Pedro: “Não és tu também um dos discípulos desse homem?”. Ele respondeu: “Não sou”. ¹⁸Ora os servos e os guardas estavam junto a uma fogueira, porque fazia frio, e aqueciam-se, e Pedro estava também com eles, de pé, se aquecendo. ¹⁹Enquanto isso, o sumo sacerdote interrogava Jesus sobre os seus discípulos e sobre a sua doutrina. ²⁰Jesus respondeu-lhe: “Eu falei publicamente ao mundo; ensinei sempre na sinagoga e no templo, onde concorrem todos os judeus, e nada disse em segredo. ²¹Por que me interrogas? Interroga aqueles que ouviram o que eu lhes disse; eles sabem o que eu tenho dito”. ²²Ao dizer isso, um dos guardas que se achavam presentes deu uma bofetada em Jesus, dizendo: “Assim respondes ao sumo sacerdote?”. ²³Respondeu-lhe Jesus: “Se falei mal, mostra o que eu disse de mal; mas, se falei bem, por que me feres?”. ²⁴E Anás enviou-o maniatado ao sumo sacerdote Caifás.
Não és tu também um dos discípulos dele? Pedro negou: “Não!”
²⁵Ainda estava lá Simão Pedro, aquecendo-se. Eles disseram-lhe: “Não és tu também um dos seus discípulos?”. Ele negou, dizendo: “Não sou”. ²⁶Disse-lhe um dos servos do sumo sacerdote, parente daquele a quem Pedro cortara a orelha: “Não te vi com ele no jardim?”. ²⁷Então Pedro negou-o outra vez. E imediatamente cantou o galo.
O meu reino não é deste mundo.
²⁸Levaram, pois, Jesus da casa de Caifás ao Pretório. Era de manhã cedo. Eles não entraram no Pretório, para não se contaminarem, a fim de comerem a Páscoa. ²⁹Pilatos então saiu para lhes falar, e disse: “Que acusação apresentais contra este homem?”. ³⁰Responderam-lhe: “Se este não fosse um malfeitor, não o entregaríamos nas tuas mãos”. ³¹Pilatos disse-lhes então: “Tomai-o vós, e julgai-o segundo a vossa lei”. Mas os judeus responderam-lhe: “A nós não nos é permitido matar ninguém”. ³²Para se cumprir a palavra que Jesus dissera, significando de que morte havia de morrer. ³³Tornou, pois, Pilatos a entrar no Pretório, e chamou Jesus, dizendo-lhe: “Tu és o rei dos judeus?”. ³⁴Respondeu Jesus: “Tu dizes isso por ti mesmo, ou foram outros que te disseram de mim?”. ³⁵Replicou Pilatos: “Porventura sou judeu? A tua nação e os chefes dos sacerdotes são os que te entregaram nas minhas mãos. Que fizeste?”. ³⁶Respondeu Jesus: “O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, certamente os meus ministros haviam de se esforçar para que eu não fosse entregue aos judeus; mas o meu reino não é daqui”. ³⁷Disse-lhe então Pilatos: “Logo, tu és rei?”. Respondeu Jesus: “Tu o dizes; sou rei. Nasci e vim ao mundo para dar testemunho da verdade. Todo o que é da verdade ouve a minha voz”. ³⁸Disse-lhe Pilatos: “O que é a verdade?”. E, dito isto, tornou a sair, para ir ter com os judeus, dizendo-lhes: “Não encontro nele crime algum. ³⁹Ora, é costume que eu, pela Páscoa, vos solte um prisioneiro. Quereis, pois, que eu vos solte o rei dos judeus?” ⁴⁰Então gritaram todos novamente, dizendo: “Não este, mas Barrabás!”. Ora, Barrabás era um ladrão.
Viva o rei dos judeus!
¹Pilatos tomou então Jesus e mandou-o flagelar. ²E os soldados, trançando uma coroa de espinhos, puseram-lha sobre a cabeça e revestiram-no com um manto de púrpura. ³Depois, aproximavam-se dele e diziam-lhe: “Salve, rei dos judeus!”, e davam-lhe bofetadas. ⁴Saiu Pilatos ainda outra vez e disse-lhes: “Eis que o trago à vossa presença, para que saibais que não encontro nele crime algum”. ⁵Saiu, pois, Jesus trazendo a coroa de espinhos e o manto de púrpura. E Pilatos disse-lhes: “Eis o homem”. ⁶Então os príncipes dos sacerdotes e os ministros, tendo-o visto, gritaram: “Crucifica-o, crucifica-o!”. Disse-lhes Pilatos: “Tomai-o e crucificai-o vós, porque eu não encontro nele crime algum”. ⁷Responderam-lhe os judeus: “Nós temos uma lei, e segundo a lei, deve morrer, porque se fez Filho de Deus”. ⁸Pilatos, ao ouvir estas palavras, temeu ainda mais. ⁹Então entrou novamente no Pretório e disse a Jesus: “Donde és tu?”. Mas Jesus não lhe deu resposta. ¹⁰Então disse-lhe Pilatos: “Não me falas? Não sabes que tenho poder para te crucificar, e que tenho poder para te soltar?”. ¹¹Respondeu Jesus: “Tu não terias poder algum sobre mim, se não te fosse dado do alto. Por isso, o que me entregou a ti tem maior pecado”.
Fora! Fora! Crucifica-o!
¹²E, deste momento em diante, procurava Pilatos soltá-lo. Porém os judeus gritavam, dizendo: “Se soltas este, não és amigo de César, porque todo o que se faz rei é contra César”. ¹³Pilatos, pois, tendo ouvido estas palavras, conduziu Jesus para fora e sentou-se no seu tribunal, no lugar que se chama Lithóstrôtos, e em hebraico Gabbatha. ¹⁴Era a Parasceve da Páscoa, cerca da hora sexta, quando disse aos judeus: “Eis o vosso rei”. ¹⁵Mas eles gritaram: “Fora! Fora! Crucifica-o!”. Disse-lhes Pilatos: “Hei de crucificar o vosso rei?”. Responderam os chefes dos sacerdotes: “Não temos rei, senão César”. ¹⁶Então entregou-o para que fosse crucificado. Eles tomaram Jesus e conduziram-no para fora.
Ali o crucificaram, com outros dois.
¹⁷E, levando a sua cruz, saiu para o lugar que se chama Calvário, e em hebraico Gólgota, ¹⁸onde o crucificaram, e com ele outros dois, um de um lado, outro do outro lado, e Jesus no meio. ¹⁹Pilatos escreveu também um título e o pôs sobre a cruz; e nele estava escrito: Jesus Nazareno, Rei dos Judeus. ²⁰Ora, muitos dos judeus leram esse título, porque estava perto da cidade o lugar onde Jesus foi crucificado. E estava escrito em hebraico, em grego e em latim. ²¹Diziam, porém, a Pilatos os chefes dos sacerdotes dos judeus: “Não escrevas ‘Rei dos Judeus’, mas o que ele disse: ‘Eu sou o Rei dos judeus’”. ²²Respondeu Pilatos: “O que escrevi, escrevi”.
Repartiram entre si as minhas vestes.
²³Os soldados, então, depois de terem crucificado Jesus, tomaram as suas vestes (e fizeram delas quatro partes, uma para cada soldado) e a túnica. A túnica, porém, não tinha costura, era toda tecida de alto a baixo. ²⁴Então disseram uns para os outros: “Não a rasguemos, mas lancemos sortes sobre ela, para ver com quem ficará”. Cumpriu-se deste modo a Escritura, que diz: Repartiram as minhas vestes entre si, e lançaram sortes sobre a minha túnica. E os soldados assim fizeram.
Este é o teu filho. Esta é a tua mãe.
²⁵Entretanto estavam de pé junto à cruz de Jesus sua Mãe, e a irmã de sua Mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. ²⁶Jesus, ao ver sua Mãe e o discípulo que ele amava, o qual estava presente, disse à sua Mãe: “Mulher, eis aí o teu filho”. ²⁷Depois disse ao discípulo: “Eis aí a tua Mãe”. E, daquela hora em diante, o discípulo a acolheu consigo. Morte de Jesus
Tudo está consumado.
²⁸Depois, sabendo Jesus que tudo estava consumado, para se cumprir a Escritura, disse: “Tenho sede”. ²⁹Tinha sido ali posto um vaso cheio de vinagre, e [os soldados], ensopando no vinagre uma esponja e atando-a a um hissopo, chegaram-lhe à boca. ³⁰Então Jesus, depois de tomar o vinagre, disse: “Tudo está consumado”. E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito.
Todos se ajoelham e faz-se uma pausa.
E logo saiu sangue e água.
³¹Ora, os judeus, visto que era a Parasceve, não admitindo que ficassem os corpos na cruz no sábado, porque aquele dia de sábado era de grande solenidade, rogaram a Pilatos que lhes quebrassem as pernas, e fossem tirados. ³²Foram os soldados e quebraram as pernas ao primeiro e ao outro com quem ele fora crucificado. ³³Mas, quando chegaram a Jesus, ao verem que já estava morto, não lhe quebraram as pernas; ³⁴no entanto, um dos soldados abriu-lhe um lado com uma lança, e imediatamente saiu sangue e água. ³⁵E aquele que viu, deu testemunho disso, e o seu testemunho é verdadeiro. Ele sabe que diz a verdade, para que também vós acrediteis. ³⁶Porque estas coisas sucederam para que se cumprisse a Escritura: Não lhe quebrareis osso algum. ³⁷E diz outro lugar da Escritura: Lançarão o olhar para aquele a quem traspassaram.
Envolveram o corpo de Jesus com os aromas, em faixas de linho.
³⁸Depois disto, José de Arimateia (o qual era discípulo de Jesus, ainda que oculto, por medo dos judeus) rogou a Pilatos que lhe deixasse levar o corpo de Jesus. E Pilatos permitiu-lhe. Foi então e tomou o corpo de Jesus. ³⁹Nicodemos, o que tinha ido anteriormente de noite ter com Jesus, foi também, levando uma composição de quase cem libras de mirra e de aloés. ⁴⁰Tomaram, pois, o corpo de Jesus e envolveram-no em lençóis com aromas, segundo a maneira de sepultar usada entre os judeus. ⁴¹Ora, no lugar em que Jesus foi crucificado havia um jardim, e no jardim um sepulcro novo, em que ninguém ainda tinha sido sepultado. ⁴²Portanto, por ser o dia da Parasceve dos judeus, visto que o sepulcro estava perto, depositaram aí Jesus.
18,1–2. Teofilacto: Judas sabia também que nos dias de festa o Senhor tinha o costume de transmitir aos discípulos algum ensinamento sublime, e que costumava tratar desses assuntos místicos em lugares como aquele. Pois bem, como fosse um dia de solenidade, pensou que ele estaria ali, ensinando aos discípulos algo a ver com a celebração.
18,6. Gregório: Por que é que os eleitos caem de rosto no chão (cf. Nr 16,4; Ez 2,1, etc.) e os réprobos de costas, senão porque todo mundo que cai para trás cai onde não enxerga, ao passo que quem cai para frente cai onde enxerga? Portanto, como os iníquos caem no que é invisível, diz-se que caem para trás porque tombam onde não podem ver o que os segue; já os justos, que se deixam cair por vontade própria nas coisas visíveis daqui para serem levantados às invisíveis, é como se caíssem de rosto porque, compenetrados de temor, humilham-se de olhos bem abertos.
18,10–11. Agostinho: “Malco” é traduzido por “aquele que reinará”. E o que significa a orelha cortada em defesa do Senhor e depois curada pelo próprio Senhor, senão que a audição foi renovada pela amputação do velho homem, para que habite na novidade do Espírito e abandone a vetustez da letra? E quem duvidará de que quem tenha recebido uma graça de Cristo haja de reinar no futuro século com Cristo? Que, além disso tudo, esse homem fosse um servo, tem a ver com a velha lei, que gera todos para a servidão; mas, ao ser-lhe restituída a saúde, foi prefigurada a liberdade.
Teofilacto: Ou talvez a amputação da orelha direita do servo do sumo sacerdote fosse sinal da surdez daqueles homens, que criara raízes sobretudo nos príncipes dos sacerdotes. A restituição dela, por sua vez, representa o intelecto dos israelitas reparado pela última vez quando voltar Elias.
18,15–18. Crisóstomo: Por este motivo o mistério da divina Providência permitiu que Pedro caísse primeiro que todos: para que, em consideração da própria queda, abrandasse as penas mais duras para os pecadores. Pedro, doutor e mestre de toda a face da Terra, pecou e alcançou o perdão para dar aos futuros juízes esta norma e regra de indulgência. Creio que é por esse motivo que não foi incumbida aos anjos a autoridade sacerdotal, para que não castigassem sem misericórdia os pecadores, já que nunca pecam. Um homem sujeito a tudo que era paixão é posto acima dos demais homens para que, revendo neles as próprias paixões, se mostrasse a eles afável e benigno.
18,18. Gregório: Pedro deixara arrefecer por dentro o fogo da caridade e, ardendo de fraqueza, requentava o amor à vida presente nos tições dos perseguidores.
