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Formação

Como morreu Santo Agostinho?

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Como morreu Santo Agostinho?

Data da Publicação: 15/05/2023
Tempo de leitura:
Autor: MBC
Data da Publicação: 15/05/2023
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Autor: MBC

Embora falemos da morte de Santo Agostinho, sabemos que a morte não é o final, pois “Agostinho é um daqueles homens que jamais morreram”. 

E quando digo isso, não me refiro apenas à morte natural pela qual todos os mortais passam, mas sim à morte do esquecimento à qual todos estamos sujeitos. Em outras palavras, Santo Agostinho permanece vivo e presente entre nós, de forma contínua e eterna, sem jamais ser esquecido. 

Talvez você estivesse esperando que falássemos diretamente sobre a morte de Santo Agostinho, o que faremos mais adiante. No entanto, o fato é que, mesmo ao discutirmos sua morte, sabemos que ele se tornou mais do que um simples mortal. Ele vive, não está morto e continua sendo lembrado como um grande cristão, um outro Cristo. Seu legado é tão vasto que transcende o tempo, oferecendo respostas às questões mais atuais de um santo tão antigo e, ao mesmo tempo, tão novo. Ele é um mestre que nunca deixará de estar vivo entre nós.

Quem foi Santo Agostinho?


Santo Agostinho, também conhecido como Agostinho de Hipona, foi um dos mais importantes teólogos e filósofos cristãos da história. Ele nasceu em 13 de novembro de 354, na cidade de Tagaste, na província romana da Numídia (atual Argélia). Seu pai, Patrício, era pagão, enquanto sua mãe, Mônica, era uma cristã devota. 

Santo Agostinho passou por uma juventude turbulenta, envolvendo-se em várias experiências e buscando o conhecimento em diversas áreas. No decorrer da sua vida, estudou retórica em Cartago e filosofia em Roma, onde entrou em contato com diferentes correntes de pensamento. Durante esse período, Santo Agostinho se afastou da fé cristã e se envolveu com o maniqueísmo, uma seita dualista. 

Sua mãe, Mônica, era uma fervorosa seguidora de Cristo. Após ficar viúva, dedicou-se inteiramente à tarefa de converter seu filho Agostinho, e a primeira lição que lhe ensinou foi a importância das orações. Por isso, ela sofreu grandemente ao vê-lo se afastar da verdade e se envolver com os erros dos maniqueístas e os costumes corruptos de Roma. 

Contudo, Mônica, confiando nas palavras de um bispo santo que lhe disse: “é impossível que se perca o filho dessas lágrimas!”1, nunca deixou de tentar convencer Agostinho através das orações e da persuasão, até que finalmente a graça de Deus chegou a seu filho. 

Após uma intensa jornada de reflexão e estudo, Santo Agostinho experimentou uma profunda conversão em 386. Aos 32 anos, ele entregou-se completamente a Deus e à fé católica, batizando-se no ano seguinte. Embora inicialmente não tivesse em mente o sacerdócio, Agostinho foi ordenado em 391 pelo bispo Valério de Hipona, que o escolheu como seu assistente. 

Santo Agostinho faleceu em 28 de agosto de 430, durante o cerco de Hipona pelos vândalos. Sua vida e ensinamentos continuam a inspirar e influenciar gerações de fiéis e estudiosos até os dias de hoje. Ele é lembrado como um santo, doutor da igreja e um dos pensadores mais proeminentes da tradição cristã.

Como morreu Santo Agostinho?


A trajetória de Santo Agostinho foi caracterizada por uma jornada por diversas cidades de grande importância em sua época. Desde sua infância e adolescência, percorreu localidades como Tagaste, Hipona e Cartago. Mais tarde, já como adulto, passou por Roma e Milão, cidades que representavam o centro pulsante do Império Romano. Em cada lugar que pisava, Agostinho conquistava amigos e seguidores com sua eloquência poderosa, deixando uma impressão profunda.

Após um período na Europa, aconteceu uma transformação especial em Santo Agostinho por meio da graça divina. Ele se converteu ao cristianismo e decidiu retornar à África. Em 394, Agostinho tornou-se bispo de Hipona, assumindo uma posição de liderança na comunidade cristã da região. Sua sabedoria e eloquência continuaram a atrair pessoas e sua influência como bispo de Hipona cresceu ao longo do tempo. 

No entanto, algum tempo mais tarde, uma sucessão de notícias desfavoráveis sobre as invasões bárbaras ao invencível império de Roma, a eterna cidade que Alarico almejava destruir, chegariam e começariam a corroer gradualmente todo o império. 

Santo Agostinho escreveu o seguinte a um de seus amigos italianos: 

“Tua última carta não me diz nada do que se passa em Roma. Gostaria de saber, porém, que há de certo no confuso rumor que a mim chegou acerca de uma ameaça sobre a cidade. Não quero dar-lhe crédito.”2

Essas notícias, em um curto período de tempo, despertaram em Agostinho uma profunda comoção diante da realidade e uma preocupação intensa com seu povo, que também estava angustiado. Todo esse sofrimento acabou por levar Santo Agostinho a uma desolação profunda. Santo Agostinho, em um de seus sermões, confessou sua desolação pelas notícias recebidas: “Coisas horrendas nos contam: ruínas, incêndios, saques, torturas, desonras. Mil vezes nos contaram, e outras tantas as lamentamos e choramos, sem ainda podermos nos consolar”.3

Antes de saber como morreu Santo Agostinho, entenda o contexto político


O que era o império vândalo e o que foi o Cerco de Hipona?

Os Vândalos foram um povo bárbaro que passou por diferentes períodos migratórios. Inicialmente, eles migraram pelo rio Danúbio, atravessando regiões como a Panônia e a Gália, até finalmente chegarem à Hispânia (atuais Espanha e Portugal), onde estabeleceram seu reino.

Em relação à língua falada pelos Vândalos, eles eram parte do grupo dos povos germânicos, e sua língua pertencia ao ramo germânico oriental. Infelizmente, poucos registros escritos dessa língua foram preservados, dificultando uma compreensão detalhada do seu idioma específico. De fato, os romanos costumavam usar o termo “bárbaros” para se referir a grupos étnicos que consideravam culturalmente diferentes e, muitas vezes, hostis. 

Quanto à origem do nome “Vândalos”, há uma controvérsia histórica. Alguns estudiosos sugerem que o termo “Vândalos” deriva da palavra germânica “wandal”, que significa “errante” ou “vagabundo”. Essa interpretação refletiria sua condição como um povo migratório. A reputação destrutiva dos Vândalos foi principalmente decorrente de suas incursões militares, saques e pilhagens durante o período de sua expansão.

Portanto, embora o nome “Vândalos” não carregue intrinsecamente o significado de destruição, a história registra suas ações militares e os danos causados durante seu período de domínio e migrações.

Foi assim que, na região da Numídia, localizada no norte da África, as cidades foram assoladas pelas hordas de Vândalos lideradas por Genserico (389-477). Durante o século V, eles migraram da Hispânia para a nova região, e ali  estabeleceram um reino poderoso. 

Conforme nos conta o Padre Alfredo Sáenz, “Genserico, um líder vândalo habilidoso, tentava barbarizar pelo terror. Entre os povos invasores, apenas um tentou sistematicamente essa experiência, os vândalos, o mais feroz dos povos germânicos, da Espanha passaram ao norte da África, velha província romana, conquistada em 429. Seu rei Genserico, ariano, era animado pelo clero dessa heresia a levar adiante sua política opressiva. No campo político, agiu como se o império não existisse, arrasando inclusive as velhas fortalezas romanas e expulsando os suspeitos de fidelidade a Roma”.4

Genserico conduziu suas tropas em uma série de campanhas militares, saqueando e destruindo várias cidades numidianas, incluindo Hipona. Essa invasão vândala causou um impacto significativo, resultando em grandes perdas e devastação na região. Um tempo depois, em 476, o Império Romano do Ocidente encontrou seu fim quando foi atacado pelo rei bárbaro Odoacro, marcando o colapso final desse império poderoso. 

Dois modus operandi dos Vândalos e outros povos bárbaros contribuíram para a queda do Império Romano:

Ataques, saques e invasões: Os povos bárbaros também foram responsáveis por ataques diretos ao Império Romano. Eles realizaram saques e invasões em várias regiões, causando destruição e instabilidade. Os Vândalos e outros grupos bárbaros, em particular, foram conhecidos por sua habilidade militar e por lançarem incursões devastadoras em cidades e assentamentos romanos. Esses ataques enfraqueceram ainda mais a estrutura do império e contribuíram para seu colapso gradual.

“O primeiro [os Vândalos], o mais radical, consistia em destruir, pura e simplesmente, tudo que era romano, em conservar mais que os quadros administrativos”. Em outras palavras, barbarizar pelo terror.4

Processo migratório e assimilação cultural: Muitos povos bárbaros, incluindo os Vândalos, ostrogodos, visigodos, sazões, alanos e outros, realizaram migrações em direção ao interior dos domínios romanos. Essas migrações aceleraram o processo de assimilação e “fusão” cultural entre os povos bárbaros e a cultura romana. 

“O segundo modo de proceder possível consistia em tentar a fusão dos grandes valores da romanidade com o contributo bárbaro, sob a condução dos chefes germanos que substituíram as autoridades imperiais, em mostras de grande consideração para com os vencidos, na busca de uma síntese entre ambos os elementos. Vários chefes bárbaros parecem ter cogitado este projeto”.5

Com o tempo, esses povos bárbaros adotaram aspectos da cultura romana, como leis, sistemas administrativos e até mesmo a língua, contribuindo para uma transformação cultural dentro do império.

Esses dois modus operandi dos povos bárbaros, migrando para o interior do império e realizando ataques e invasões, intensificaram os problemas e desafios já enfrentados pelo Império Romano em seu processo de declínio. Eles se aproveitaram da instabilidade política, das divisões territoriais e da perda de influência cultural para acelerar o fim do império que já estava enfraquecido.

Sob o comando de Genserico, os Vândalos embarcaram em uma grande empreitada: a travessia da Península Ibérica para a África através do Estreito de Gibraltar, levando consigo cerca de oitenta mil pessoas que compunham seu povo. Essa jornada os levou à região da Numídia.

Durante vários meses do ano de 430, os Vândalos sitiaram a cidade de Hipona. Enquanto ocorria o cerco, o bispo da cidade, Santo Agostinho, ficou doente e faleceu. Durante esse período, porém, embora enfermo, Agostinho testemunhou a destruição causada pelos invasores. 

Posteriormente, em 439, eles surpreenderam a cidade de Cartago e estabeleceram um reino que perdurou por quase um século. Esses eventos marcaram a grande aventura dos Vândalos, sua migração para a África e suas conquistas subsequentes, deixando um impacto significativo na história da região.

O papel de Santo Agostinho no Cerco de Hipona


Apesar das terríveis notícias sobre a chegada dos bárbaros, Agostinho manteve sua determinação e continuou a lutar contra os arianos, pelagianos e donatistas. E ainda milhares de fugitivos desesperados chegaram a Hipona, a cidade onde Santo Agostinho era bispo, em condições deploráveis. Famintos e tendo perdido quase tudo, eles buscavam comida, abrigo e cuidados. A população da cidade aumentou consideravelmente, e o bispo Agostinho estava determinado a providenciar suprimentos de ajuda para todos.

Os romanos, em meio às invasões bárbaras, culparam os cristãos e sentiram-se atormentados pela brutalidade com a qual os invasores avançavam, deixando um rastro de devastação por todo o império. No entanto, Santo Agostinho não se deixou abater e continuou a escrever para seus amigos e discípulos espirituais.

Movido por sua vasta compreensão da fé católica, Agostinho empreendeu a importante iniciativa de compartilhar seu conhecimento por meio de diversas obras, incluindo a renomada “Cidade de Deus”, escrita precisamente em referência à queda de Roma. Ele procurou transmitir ao seu povo a mensagem de que as invasões não significavam o fim do mundo, e que os cristãos não eram responsáveis pela queda do Império.

Além de suas obras, Agostinho encorajava seus fiéis por meio de cartas e escritos, não apenas com seu próprio exemplo, mas também com sua visão pastoral aguçada. Ele rapidamente percebeu as consequências das invasões e da dominação bárbara.

Dessa forma, a influência da Igreja, que se estendia por todo o Império Romano, tornou-se um refúgio e uma referência em Hipona. Essa situação impulsionou Agostinho a incansavelmente escrever e pregar sobre as circunstâncias particulares em que vivia. Sua reputação se espalhou por diferentes regiões, e muitas pessoas buscavam ouvi-lo e serem inspiradas por suas homilias.

Por fim, o cuidado pastoral foi uma preocupação constante para Agostinho. Ele se esforçou para atender às necessidades espirituais e emocionais de seu rebanho, oferecendo conselhos, apoio e direção. Sua dedicação à comunidade e sua capacidade de se conectar com as pessoas fizeram dele um líder espiritual exemplar, cujo legado continua a inspirar e orientar até os dias de hoje.

Enfim, como morreu Santo Agostinho


Até sua última doença, ele pregou incessantemente a palavra de Deus na igreja com alegria e força, com mente lúcida e sábios conselhos.6

Enquanto a cidade de Hipona estava sitiada havia cerca de três meses, Santo Agostinho adoeceu gravemente. Ao seu lado estavam dois velhos amigos, Alípio e Possídio, bispos das cidades agora destruídas de Tagaste e Calama, respectivamente. Apesar de sua doença, Agostinho conseguiu manter sua lucidez. Seus amigos estavam ao seu lado, testemunhando sua condição e unindo-se a ele em oração.  As palavras de Luís de Wohl assim nos contam,  de forma tão poética:

E Santo Agostinho continuou a agir. Aleijados e endemoninhados o procuravam, convencidos de que ele poderia curá-los. As pessoas corriam até ele nas ruas para tocar suas roupas; e quando ele ia à basílica, pegavam crianças nos braços e as levantavam para que ele as abençoasse. 

Era o mês de agosto, com seus dias quentes, úmidos e abafados – o mês das epidemias – quando Agostinho sofreu seu primeiro desmaio. Ele logo se recuperou, mas quando quis ir à basílica, descobriu que não conseguia ficar de pé e teve de se deitar. Mas mesmo na cama ele não estava tranquilo. Eles se aglomeraram na alcova e até mesmo os doentes e aleijados o levaram para lá. Ele havia curado tantos ao impor as mãos sobre eles que agora queriam que ele fizesse o mesmo. 

Sua febre aumentava cada vez mais e ele implorava para ser deixado em paz. Somente o médico e um irmão leigo – que de vez em quando lhe dava água fresca para beber – entraram em sua cela. 

Ele ordenou que o texto dos sete salmos penitenciais de Davi fosse escrito em letras grandes em pedaços de pergaminho e pregado na parede oposta. Assim o fizeram e, a partir de então, ele começou a recitá-los em voz baixa, repetidamente.7

De acordo com Possídio, primeiro biógrafo de Santo Agostinho, um dos poucos milagres atribuídos a Santo Agostinho durante o cerco foi a cura de um doente. Nos últimos dias de sua vida, o santo dedicou-se à oração e ao arrependimento, solicitando que os salmos penitenciais de Davi fossem pendurados nas paredes ao seu redor para que ele pudesse lê-los. Ele também ordenou que a biblioteca da igreja em Hipona e todos os livros nela contidos fossem cuidadosamente preservados.

E no final, tendo preservado seus membros corporais intactos, sem perder a visão ou a audição, assistido por nós, que o vimos e oramos com ele, ele foi dormir com seus pais, ainda desfrutando de uma boa velhice. Assistimos ao sacrifício oferecido a Deus para a deposição de seu corpo e ele foi sepultado. Ele não fez nenhum testamento, pois, como pobre homem de Deus, não tinha nada para deixar. Para o bem dos que viriam, ele sempre ordenou que toda a biblioteca da Igreja e os códices antigos fossem cuidadosamente guardados. Qualquer propriedade ou ornamento que a Igreja possuísse, ele confiava à fidelidade do presbítero que cuidava de sua casa. Em sua vida e em sua morte, tratou seus parentes, religiosos ou leigos, com atenção; e, se fosse necessário, providenciou o excedente deles, como fez com outros, não para enriquecê-los, mas para que não sofressem necessidades ou para aliviá-las.8

O falecimento de Santo Agostinho em agosto de 430 marcou o fim de uma era para a Igreja e para o pensamento cristão. Sua morte ocorreu na presença de Possídio e de outros que o acompanharam até o último momento. A partida desse grande teólogo e filósofo deixou um legado duradouro, com suas obras influenciando gerações posteriores e continuando a ser estudadas e apreciadas até os dias de hoje. Santo Agostinho foi um exemplo de dedicação à fé, deixando um impacto significativo na história da Igreja e no desenvolvimento do pensamento teológico.

Grandes obras de Santo Agostinho


Santo Agostinho é amplamente conhecido por suas grandes obras, que abrangem diversos temas teológicos, filosóficos e morais. Aqui estão algumas das mais importantes:

“Confissões”: Considerada uma das primeiras autobiografias da história, “Confissões” é uma obra em que Agostinho relata sua própria jornada espiritual, desde sua juventude até sua conversão ao cristianismo.

“De Civitate Dei” (Cidade de Deus): Nesta obra monumental, Agostinho aborda temas como a relação entre a Cidade de Deus e a cidade terrena, o problema do mal, a história da salvação e a natureza da verdadeira felicidade.

“De Trinitate” (Sobre a Trindade): Nesse trabalho teológico, Agostinho explora a doutrina da Trindade, buscando compreender o mistério do Deus triúno e a relação entre as três pessoas divinas: Pai, Filho e Espírito Santo.

“De Gratia et Libero Arbitrio” (Sobre a Graça e o Livre Arbítrio): Nesta obra, Agostinho investiga a relação entre a graça divina e a liberdade humana, abordando o tema da predestinação e o papel da vontade humana na busca pela salvação.

“Expositio in Psalmos” (Comentário aos Salmos): Agostinho escreveu uma série de comentários sobre os Salmos, explorando seu significado espiritual e moral, além de relacioná-los à vida cristã e à adoração.

“Sermones” (Sermões): Agostinho deixou um legado significativo de sermões, nos quais ele expôs e explicou as Escrituras, abordando temas como a moralidade, a virtude e a vida cristã prática.

Essas obras representam apenas uma parte do vasto legado literário deixado por Santo Agostinho, que continua a influenciar pensadores, teólogos e estudiosos até os dias de hoje.

Referências

  1. Santo Agostinho “A armadilha de Manes” – Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2023. pág. 66-67.[]
  2. Padre Alfredo Sáenz, História da Santa Igreja: a Barca e as tempestades. Tomo I: do nascimento da igreja ao islamismo (Rio de Janeiro: Ed. CDB, 2020), P. 244.[]
  3. Padre Alfredo Sáenz, História da Santa Igreja: a Barca e as tempestades. Tomo I: do nascimento da igreja ao islamismo (Rio de Janeiro: Ed. CDB, 2020), P. 245.[]
  4. Padre Alfredo Sáenz, História da Santa Igreja: a Barca e as tempestades. Tomo I: do nascimento da igreja ao islamismo (Rio de Janeiro: Ed. CDB, 2020), P. 247.[][]
  5. Padre Alfredo Sáenz, História da Santa Igreja: a Barca e as tempestades. Tomo I: do nascimento da igreja ao islamismo (Rio de Janeiro: Ed. CDB, 2020), P. 249.[]
  6. Santo Posidio,Vita Sancti Augustini, c.31 Trad: Victorino Capánaga, OAR. (Madrid – 2015)  [Tradução livre][]
  7. De Wohl ,Louis – Corazón Inquieto, La Vida de San Agustin. (Madrid – Ediciones Palabras – 1979). P. 262. [Tradução livre][]
  8. Santo Posidio,Vita Sancti Augustini, c.31 Trad: Victorino Capánaga, OAR. (Madrid – 2015) [Tradução livre][]

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    MBC

    O que você vai encontrar neste artigo?

    Embora falemos da morte de Santo Agostinho, sabemos que a morte não é o final, pois “Agostinho é um daqueles homens que jamais morreram”. 

    E quando digo isso, não me refiro apenas à morte natural pela qual todos os mortais passam, mas sim à morte do esquecimento à qual todos estamos sujeitos. Em outras palavras, Santo Agostinho permanece vivo e presente entre nós, de forma contínua e eterna, sem jamais ser esquecido. 

    Talvez você estivesse esperando que falássemos diretamente sobre a morte de Santo Agostinho, o que faremos mais adiante. No entanto, o fato é que, mesmo ao discutirmos sua morte, sabemos que ele se tornou mais do que um simples mortal. Ele vive, não está morto e continua sendo lembrado como um grande cristão, um outro Cristo. Seu legado é tão vasto que transcende o tempo, oferecendo respostas às questões mais atuais de um santo tão antigo e, ao mesmo tempo, tão novo. Ele é um mestre que nunca deixará de estar vivo entre nós.

    Quem foi Santo Agostinho?


    Santo Agostinho, também conhecido como Agostinho de Hipona, foi um dos mais importantes teólogos e filósofos cristãos da história. Ele nasceu em 13 de novembro de 354, na cidade de Tagaste, na província romana da Numídia (atual Argélia). Seu pai, Patrício, era pagão, enquanto sua mãe, Mônica, era uma cristã devota. 

    Santo Agostinho passou por uma juventude turbulenta, envolvendo-se em várias experiências e buscando o conhecimento em diversas áreas. No decorrer da sua vida, estudou retórica em Cartago e filosofia em Roma, onde entrou em contato com diferentes correntes de pensamento. Durante esse período, Santo Agostinho se afastou da fé cristã e se envolveu com o maniqueísmo, uma seita dualista. 

    Sua mãe, Mônica, era uma fervorosa seguidora de Cristo. Após ficar viúva, dedicou-se inteiramente à tarefa de converter seu filho Agostinho, e a primeira lição que lhe ensinou foi a importância das orações. Por isso, ela sofreu grandemente ao vê-lo se afastar da verdade e se envolver com os erros dos maniqueístas e os costumes corruptos de Roma. 

    Contudo, Mônica, confiando nas palavras de um bispo santo que lhe disse: “é impossível que se perca o filho dessas lágrimas!”1, nunca deixou de tentar convencer Agostinho através das orações e da persuasão, até que finalmente a graça de Deus chegou a seu filho. 

    Após uma intensa jornada de reflexão e estudo, Santo Agostinho experimentou uma profunda conversão em 386. Aos 32 anos, ele entregou-se completamente a Deus e à fé católica, batizando-se no ano seguinte. Embora inicialmente não tivesse em mente o sacerdócio, Agostinho foi ordenado em 391 pelo bispo Valério de Hipona, que o escolheu como seu assistente. 

    Santo Agostinho faleceu em 28 de agosto de 430, durante o cerco de Hipona pelos vândalos. Sua vida e ensinamentos continuam a inspirar e influenciar gerações de fiéis e estudiosos até os dias de hoje. Ele é lembrado como um santo, doutor da igreja e um dos pensadores mais proeminentes da tradição cristã.

    Como morreu Santo Agostinho?


    A trajetória de Santo Agostinho foi caracterizada por uma jornada por diversas cidades de grande importância em sua época. Desde sua infância e adolescência, percorreu localidades como Tagaste, Hipona e Cartago. Mais tarde, já como adulto, passou por Roma e Milão, cidades que representavam o centro pulsante do Império Romano. Em cada lugar que pisava, Agostinho conquistava amigos e seguidores com sua eloquência poderosa, deixando uma impressão profunda.

    Após um período na Europa, aconteceu uma transformação especial em Santo Agostinho por meio da graça divina. Ele se converteu ao cristianismo e decidiu retornar à África. Em 394, Agostinho tornou-se bispo de Hipona, assumindo uma posição de liderança na comunidade cristã da região. Sua sabedoria e eloquência continuaram a atrair pessoas e sua influência como bispo de Hipona cresceu ao longo do tempo. 

    No entanto, algum tempo mais tarde, uma sucessão de notícias desfavoráveis sobre as invasões bárbaras ao invencível império de Roma, a eterna cidade que Alarico almejava destruir, chegariam e começariam a corroer gradualmente todo o império. 

    Santo Agostinho escreveu o seguinte a um de seus amigos italianos: 

    “Tua última carta não me diz nada do que se passa em Roma. Gostaria de saber, porém, que há de certo no confuso rumor que a mim chegou acerca de uma ameaça sobre a cidade. Não quero dar-lhe crédito.”2

    Essas notícias, em um curto período de tempo, despertaram em Agostinho uma profunda comoção diante da realidade e uma preocupação intensa com seu povo, que também estava angustiado. Todo esse sofrimento acabou por levar Santo Agostinho a uma desolação profunda. Santo Agostinho, em um de seus sermões, confessou sua desolação pelas notícias recebidas: “Coisas horrendas nos contam: ruínas, incêndios, saques, torturas, desonras. Mil vezes nos contaram, e outras tantas as lamentamos e choramos, sem ainda podermos nos consolar”.3

    Antes de saber como morreu Santo Agostinho, entenda o contexto político


    O que era o império vândalo e o que foi o Cerco de Hipona?

    Os Vândalos foram um povo bárbaro que passou por diferentes períodos migratórios. Inicialmente, eles migraram pelo rio Danúbio, atravessando regiões como a Panônia e a Gália, até finalmente chegarem à Hispânia (atuais Espanha e Portugal), onde estabeleceram seu reino.

    Em relação à língua falada pelos Vândalos, eles eram parte do grupo dos povos germânicos, e sua língua pertencia ao ramo germânico oriental. Infelizmente, poucos registros escritos dessa língua foram preservados, dificultando uma compreensão detalhada do seu idioma específico. De fato, os romanos costumavam usar o termo “bárbaros” para se referir a grupos étnicos que consideravam culturalmente diferentes e, muitas vezes, hostis. 

    Quanto à origem do nome “Vândalos”, há uma controvérsia histórica. Alguns estudiosos sugerem que o termo “Vândalos” deriva da palavra germânica “wandal”, que significa “errante” ou “vagabundo”. Essa interpretação refletiria sua condição como um povo migratório. A reputação destrutiva dos Vândalos foi principalmente decorrente de suas incursões militares, saques e pilhagens durante o período de sua expansão.

    Portanto, embora o nome “Vândalos” não carregue intrinsecamente o significado de destruição, a história registra suas ações militares e os danos causados durante seu período de domínio e migrações.

    Foi assim que, na região da Numídia, localizada no norte da África, as cidades foram assoladas pelas hordas de Vândalos lideradas por Genserico (389-477). Durante o século V, eles migraram da Hispânia para a nova região, e ali  estabeleceram um reino poderoso. 

    Conforme nos conta o Padre Alfredo Sáenz, “Genserico, um líder vândalo habilidoso, tentava barbarizar pelo terror. Entre os povos invasores, apenas um tentou sistematicamente essa experiência, os vândalos, o mais feroz dos povos germânicos, da Espanha passaram ao norte da África, velha província romana, conquistada em 429. Seu rei Genserico, ariano, era animado pelo clero dessa heresia a levar adiante sua política opressiva. No campo político, agiu como se o império não existisse, arrasando inclusive as velhas fortalezas romanas e expulsando os suspeitos de fidelidade a Roma”.4

    Genserico conduziu suas tropas em uma série de campanhas militares, saqueando e destruindo várias cidades numidianas, incluindo Hipona. Essa invasão vândala causou um impacto significativo, resultando em grandes perdas e devastação na região. Um tempo depois, em 476, o Império Romano do Ocidente encontrou seu fim quando foi atacado pelo rei bárbaro Odoacro, marcando o colapso final desse império poderoso. 

    Dois modus operandi dos Vândalos e outros povos bárbaros contribuíram para a queda do Império Romano:

    Ataques, saques e invasões: Os povos bárbaros também foram responsáveis por ataques diretos ao Império Romano. Eles realizaram saques e invasões em várias regiões, causando destruição e instabilidade. Os Vândalos e outros grupos bárbaros, em particular, foram conhecidos por sua habilidade militar e por lançarem incursões devastadoras em cidades e assentamentos romanos. Esses ataques enfraqueceram ainda mais a estrutura do império e contribuíram para seu colapso gradual.

    “O primeiro [os Vândalos], o mais radical, consistia em destruir, pura e simplesmente, tudo que era romano, em conservar mais que os quadros administrativos”. Em outras palavras, barbarizar pelo terror.4

    Processo migratório e assimilação cultural: Muitos povos bárbaros, incluindo os Vândalos, ostrogodos, visigodos, sazões, alanos e outros, realizaram migrações em direção ao interior dos domínios romanos. Essas migrações aceleraram o processo de assimilação e “fusão” cultural entre os povos bárbaros e a cultura romana. 

    “O segundo modo de proceder possível consistia em tentar a fusão dos grandes valores da romanidade com o contributo bárbaro, sob a condução dos chefes germanos que substituíram as autoridades imperiais, em mostras de grande consideração para com os vencidos, na busca de uma síntese entre ambos os elementos. Vários chefes bárbaros parecem ter cogitado este projeto”.5

    Com o tempo, esses povos bárbaros adotaram aspectos da cultura romana, como leis, sistemas administrativos e até mesmo a língua, contribuindo para uma transformação cultural dentro do império.

    Esses dois modus operandi dos povos bárbaros, migrando para o interior do império e realizando ataques e invasões, intensificaram os problemas e desafios já enfrentados pelo Império Romano em seu processo de declínio. Eles se aproveitaram da instabilidade política, das divisões territoriais e da perda de influência cultural para acelerar o fim do império que já estava enfraquecido.

    Sob o comando de Genserico, os Vândalos embarcaram em uma grande empreitada: a travessia da Península Ibérica para a África através do Estreito de Gibraltar, levando consigo cerca de oitenta mil pessoas que compunham seu povo. Essa jornada os levou à região da Numídia.

    Durante vários meses do ano de 430, os Vândalos sitiaram a cidade de Hipona. Enquanto ocorria o cerco, o bispo da cidade, Santo Agostinho, ficou doente e faleceu. Durante esse período, porém, embora enfermo, Agostinho testemunhou a destruição causada pelos invasores. 

    Posteriormente, em 439, eles surpreenderam a cidade de Cartago e estabeleceram um reino que perdurou por quase um século. Esses eventos marcaram a grande aventura dos Vândalos, sua migração para a África e suas conquistas subsequentes, deixando um impacto significativo na história da região.

    O papel de Santo Agostinho no Cerco de Hipona


    Apesar das terríveis notícias sobre a chegada dos bárbaros, Agostinho manteve sua determinação e continuou a lutar contra os arianos, pelagianos e donatistas. E ainda milhares de fugitivos desesperados chegaram a Hipona, a cidade onde Santo Agostinho era bispo, em condições deploráveis. Famintos e tendo perdido quase tudo, eles buscavam comida, abrigo e cuidados. A população da cidade aumentou consideravelmente, e o bispo Agostinho estava determinado a providenciar suprimentos de ajuda para todos.

    Os romanos, em meio às invasões bárbaras, culparam os cristãos e sentiram-se atormentados pela brutalidade com a qual os invasores avançavam, deixando um rastro de devastação por todo o império. No entanto, Santo Agostinho não se deixou abater e continuou a escrever para seus amigos e discípulos espirituais.

    Movido por sua vasta compreensão da fé católica, Agostinho empreendeu a importante iniciativa de compartilhar seu conhecimento por meio de diversas obras, incluindo a renomada “Cidade de Deus”, escrita precisamente em referência à queda de Roma. Ele procurou transmitir ao seu povo a mensagem de que as invasões não significavam o fim do mundo, e que os cristãos não eram responsáveis pela queda do Império.

    Além de suas obras, Agostinho encorajava seus fiéis por meio de cartas e escritos, não apenas com seu próprio exemplo, mas também com sua visão pastoral aguçada. Ele rapidamente percebeu as consequências das invasões e da dominação bárbara.

    Dessa forma, a influência da Igreja, que se estendia por todo o Império Romano, tornou-se um refúgio e uma referência em Hipona. Essa situação impulsionou Agostinho a incansavelmente escrever e pregar sobre as circunstâncias particulares em que vivia. Sua reputação se espalhou por diferentes regiões, e muitas pessoas buscavam ouvi-lo e serem inspiradas por suas homilias.

    Por fim, o cuidado pastoral foi uma preocupação constante para Agostinho. Ele se esforçou para atender às necessidades espirituais e emocionais de seu rebanho, oferecendo conselhos, apoio e direção. Sua dedicação à comunidade e sua capacidade de se conectar com as pessoas fizeram dele um líder espiritual exemplar, cujo legado continua a inspirar e orientar até os dias de hoje.

    Enfim, como morreu Santo Agostinho


    Até sua última doença, ele pregou incessantemente a palavra de Deus na igreja com alegria e força, com mente lúcida e sábios conselhos.6

    Enquanto a cidade de Hipona estava sitiada havia cerca de três meses, Santo Agostinho adoeceu gravemente. Ao seu lado estavam dois velhos amigos, Alípio e Possídio, bispos das cidades agora destruídas de Tagaste e Calama, respectivamente. Apesar de sua doença, Agostinho conseguiu manter sua lucidez. Seus amigos estavam ao seu lado, testemunhando sua condição e unindo-se a ele em oração.  As palavras de Luís de Wohl assim nos contam,  de forma tão poética:

    E Santo Agostinho continuou a agir. Aleijados e endemoninhados o procuravam, convencidos de que ele poderia curá-los. As pessoas corriam até ele nas ruas para tocar suas roupas; e quando ele ia à basílica, pegavam crianças nos braços e as levantavam para que ele as abençoasse. 

    Era o mês de agosto, com seus dias quentes, úmidos e abafados – o mês das epidemias – quando Agostinho sofreu seu primeiro desmaio. Ele logo se recuperou, mas quando quis ir à basílica, descobriu que não conseguia ficar de pé e teve de se deitar. Mas mesmo na cama ele não estava tranquilo. Eles se aglomeraram na alcova e até mesmo os doentes e aleijados o levaram para lá. Ele havia curado tantos ao impor as mãos sobre eles que agora queriam que ele fizesse o mesmo. 

    Sua febre aumentava cada vez mais e ele implorava para ser deixado em paz. Somente o médico e um irmão leigo – que de vez em quando lhe dava água fresca para beber – entraram em sua cela. 

    Ele ordenou que o texto dos sete salmos penitenciais de Davi fosse escrito em letras grandes em pedaços de pergaminho e pregado na parede oposta. Assim o fizeram e, a partir de então, ele começou a recitá-los em voz baixa, repetidamente.7

    De acordo com Possídio, primeiro biógrafo de Santo Agostinho, um dos poucos milagres atribuídos a Santo Agostinho durante o cerco foi a cura de um doente. Nos últimos dias de sua vida, o santo dedicou-se à oração e ao arrependimento, solicitando que os salmos penitenciais de Davi fossem pendurados nas paredes ao seu redor para que ele pudesse lê-los. Ele também ordenou que a biblioteca da igreja em Hipona e todos os livros nela contidos fossem cuidadosamente preservados.

    E no final, tendo preservado seus membros corporais intactos, sem perder a visão ou a audição, assistido por nós, que o vimos e oramos com ele, ele foi dormir com seus pais, ainda desfrutando de uma boa velhice. Assistimos ao sacrifício oferecido a Deus para a deposição de seu corpo e ele foi sepultado. Ele não fez nenhum testamento, pois, como pobre homem de Deus, não tinha nada para deixar. Para o bem dos que viriam, ele sempre ordenou que toda a biblioteca da Igreja e os códices antigos fossem cuidadosamente guardados. Qualquer propriedade ou ornamento que a Igreja possuísse, ele confiava à fidelidade do presbítero que cuidava de sua casa. Em sua vida e em sua morte, tratou seus parentes, religiosos ou leigos, com atenção; e, se fosse necessário, providenciou o excedente deles, como fez com outros, não para enriquecê-los, mas para que não sofressem necessidades ou para aliviá-las.8

    O falecimento de Santo Agostinho em agosto de 430 marcou o fim de uma era para a Igreja e para o pensamento cristão. Sua morte ocorreu na presença de Possídio e de outros que o acompanharam até o último momento. A partida desse grande teólogo e filósofo deixou um legado duradouro, com suas obras influenciando gerações posteriores e continuando a ser estudadas e apreciadas até os dias de hoje. Santo Agostinho foi um exemplo de dedicação à fé, deixando um impacto significativo na história da Igreja e no desenvolvimento do pensamento teológico.

    Grandes obras de Santo Agostinho


    Santo Agostinho é amplamente conhecido por suas grandes obras, que abrangem diversos temas teológicos, filosóficos e morais. Aqui estão algumas das mais importantes:

    “Confissões”: Considerada uma das primeiras autobiografias da história, “Confissões” é uma obra em que Agostinho relata sua própria jornada espiritual, desde sua juventude até sua conversão ao cristianismo.

    “De Civitate Dei” (Cidade de Deus): Nesta obra monumental, Agostinho aborda temas como a relação entre a Cidade de Deus e a cidade terrena, o problema do mal, a história da salvação e a natureza da verdadeira felicidade.

    “De Trinitate” (Sobre a Trindade): Nesse trabalho teológico, Agostinho explora a doutrina da Trindade, buscando compreender o mistério do Deus triúno e a relação entre as três pessoas divinas: Pai, Filho e Espírito Santo.

    “De Gratia et Libero Arbitrio” (Sobre a Graça e o Livre Arbítrio): Nesta obra, Agostinho investiga a relação entre a graça divina e a liberdade humana, abordando o tema da predestinação e o papel da vontade humana na busca pela salvação.

    “Expositio in Psalmos” (Comentário aos Salmos): Agostinho escreveu uma série de comentários sobre os Salmos, explorando seu significado espiritual e moral, além de relacioná-los à vida cristã e à adoração.

    “Sermones” (Sermões): Agostinho deixou um legado significativo de sermões, nos quais ele expôs e explicou as Escrituras, abordando temas como a moralidade, a virtude e a vida cristã prática.

    Essas obras representam apenas uma parte do vasto legado literário deixado por Santo Agostinho, que continua a influenciar pensadores, teólogos e estudiosos até os dias de hoje.

    Referências

    1. Santo Agostinho “A armadilha de Manes” – Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2023. pág. 66-67.[]
    2. Padre Alfredo Sáenz, História da Santa Igreja: a Barca e as tempestades. Tomo I: do nascimento da igreja ao islamismo (Rio de Janeiro: Ed. CDB, 2020), P. 244.[]
    3. Padre Alfredo Sáenz, História da Santa Igreja: a Barca e as tempestades. Tomo I: do nascimento da igreja ao islamismo (Rio de Janeiro: Ed. CDB, 2020), P. 245.[]
    4. Padre Alfredo Sáenz, História da Santa Igreja: a Barca e as tempestades. Tomo I: do nascimento da igreja ao islamismo (Rio de Janeiro: Ed. CDB, 2020), P. 247.[][]
    5. Padre Alfredo Sáenz, História da Santa Igreja: a Barca e as tempestades. Tomo I: do nascimento da igreja ao islamismo (Rio de Janeiro: Ed. CDB, 2020), P. 249.[]
    6. Santo Posidio,Vita Sancti Augustini, c.31 Trad: Victorino Capánaga, OAR. (Madrid – 2015)  [Tradução livre][]
    7. De Wohl ,Louis – Corazón Inquieto, La Vida de San Agustin. (Madrid – Ediciones Palabras – 1979). P. 262. [Tradução livre][]
    8. Santo Posidio,Vita Sancti Augustini, c.31 Trad: Victorino Capánaga, OAR. (Madrid – 2015) [Tradução livre][]
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