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Formação

A família como Igreja doméstica 

Entenda por que a Igreja considera a família como Igreja doméstica sob o olhar de uma grande mãe, Aline Brodbeck.

A família como Igreja doméstica 
Formação

A família como Igreja doméstica 

Entenda por que a Igreja considera a família como Igreja doméstica sob o olhar de uma grande mãe, Aline Brodbeck.

Data da Publicação: 05/10/2022
Tempo de leitura:
Autor: MBC
Data da Publicação: 05/10/2022
Tempo de leitura:
Autor: MBC

Entenda por que a Igreja considera a família como Igreja doméstica sob o olhar de uma mãe, Aline Brodbeck.

A célula básica da sociedade

A família é o grupo mais primitivo da sociedade, formada por indivíduos com ancestrais em comum ou que sejam adotados por esse grupo. Ela constitui toda e qualquer sociedade. É na união de um homem e uma mulher, para a geração de seus descendentes e auxílio comum e proteção, que se gera uma família.

A união entre esse casal não necessita por si, segundo a lei natural, de um reconhecimento formal, seja religioso ou estatal, para constituir o que nomeamos de casamento. Havendo a aceitação irrestrita das consequências que dele surgem, o que obriga os cônjuges à doação recíproca de si mesmos, aí brota naturalmente o casamento. Para proteger essa estrutura básica – que, se atacada, fere todo o tecido social, já que é seu criador – as comunidades onde as famílias se inserem estabelecem regras para a aceitação de tal união. Portanto, não é o Estado quem institui o casamento, mas é o seu assegurador: suas normas devem regrar-se pela lei natural.

Não é o Estado quem institui o casamento, mas é o seu assegurador: suas normas devem regrar-se pela lei natural

Aline Brodbeck

O casamento é um pacto, portanto as partes que o constituem assumem um compromisso uma com a outra. Essa relação consiste em algo muito maior do que o simples relacionamento procriativo de um casal: consiste na possibilidade da doação de si mesmo e na sublimação de todos os vícios, em virtude do amor. A Igreja designa o casamento como o princípio e fundamento da sociedade doméstica e até de toda a sociedade humana. Deus, ao criar Adão e Eva, determinou sua união, nascendo, com o homem, a família, geradora da sociedade.

A família é uma instituição natural criada por Deus e surgida naturalmente, sem imposições externas, como se comprova na atração física, instinto de perpetuação da espécie. Igualmente, o objetivo familiar é fundado na lei natural: união entre os esposos a partir do amor mútuo e do compromisso de vida, buscando a geração da prole e sua educação, além do companheirismo. Como célula básica da sociedade, é anterior a estruturas mais complexas, como o próprio Estado, o qual deve existir em função da família, e para protegê-la, não o contrário.

Vitral que representa a cerimônia de casamento de Nossa Senhora e São José, o início de sua Igreja doméstica.

O casamento nas Escrituras

Nos escritos do Antigo Testamento, vê-se que o matrimônio era um sinal da aliança entre Deus e Israel. Em Adão e depois em Noé, em Abraão e, enfim, em Moisés, o Criador estabeleceu alianças com os homens. Aliança, pacto ou concerto, ou ainda, na linguagem teológica, testamento, é uma união entre duas partes em prol de um objetivo em comum. Já no Novo Testamento, com a Nova Aliança, o matrimônio se torna um símbolo da união entre Cristo e a sua Igreja. Na Cruz, Jesus se casa misticamente com a Igreja, unindo Céu e Terra. A aliança estabelecida por Jesus Cristo na Cruz do Calvário é superior a todas as demais, pois nela foi o próprio Deus que se ofereceu por nós como sacerdote e vítima. A Antiga Aliança, diz São Paulo, era apenas a imagem, sombra das realidades celestiais. 1

Exceto a Santíssima Virgem Maria, “todos pecaram e todos estão privados da glória de Deus” 2, e isso desde Adão e Eva. Deus então nos enviou o Salvador, já prometido aos nossos primeiros pais, promessa reiterada no decorrer da história de Israel, anunciada pelos profetas e simbolizada pelos inúmeros pactos firmados durante o tempo anterior à encarnação do Verbo. E o Salvador não foi apenas um rei, um sacerdote ou um profeta, mas ao mesmo tempo rei, sacerdote e profeta. Mais do que isso: o próprio Deus Encarnado, o Filho de Deus Pai, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade que, sem deixar sua divindade, assumiu plenamente a nossa humanidade.

Em sua epístola aos Romanos, São Paulo nos diz que “o salário do pecado é a morte”.3 Assim como a morte entrou no mundo pelo pecado, deve o pecado sair pela morte. Não a morte de cordeiros sacrificados por Abraão, nas casas dos judeus ou no Templo de Jerusalém, mas a do Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo4, o próprio Jesus, o próprio Deus. “Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna”.5 Deus enviou Jesus para que morresse por amor a nós.

O pecado nos separa de Deus: cria um abismo entre Ele, infinitamente santo, e o homem, profundamente pecador. Apesar de sermos criados na amizade com o Senhor, nós nos tornamos distantes por nossa iniquidade, mancha herdada de Adão e Eva. A santidade do Senhor não convive com nossa indignidade, herança que nos veio pelo pecado. Deus mesmo propiciou uma ponte para atravessar o abismo, estabelecida na Cruz do Calvário, quando Cristo estendeu os braços e uniu o Céu e a Terra.

Para readquirir a amizade com Deus, necessitamos da graça, que nos foi conquistada pelo holocausto de Jesus. O novo pacto é aquele adequado a nos reaver a graça e no-la dar para que, por ela, sejamos novamente unidos a Deus e vivamos a vida eterna. Por sua morte sacrificial na Cruz, Jesus cancelou a maldição da iniquidade que pesava sobre nós. “É ele que nos perdoou todos os pecados, cancelando o documento escrito contra nós, cujas prescrições nos condenavam. Aboliu-o definitivamente, ao encravá-lo na cruz”.6 Esse é o cerne da Nova Aliança, é a isso que chamamos redenção ou salvação: a conquista da graça para nós, pecadores, perdoando nossos pecados e nos restaurando a participação na natureza divina.

Pela aliança no Calvário, que nos adquire a graça, fazendo-nos filhos adotivos de Deus e semelhantes a Ele, partícipes de sua natureza e vida divinas, estabelece também Jesus um meio através do qual essa graça nos é oferecida: a Igreja, una, santa, católica e apostólica, uma sociedade visível, perceptível, hierárquica, não somente espiritual e invisível. E uma Igreja que não é como um anexo de sua obra redentora. A Igreja é necessária para recebermos a graça e nesta permanecermos. Fora dela não há salvação. 

A Antiga Aliança inaugurou um povo eleito, Israel; a Nova Aliança estabelece um novo povo, a nova Israel, a Igreja. Ela é não apenas uma sociedade cuja missão seja levar a mensagem de Jesus a todos. Não. Ela também tem a missão de levar a todos a graça por Jesus Cristo conquistada na Cruz, e a cumpre sobretudo ministrando os sacramentos, sinais visíveis da graça invisível.

Na cruz, Cristo nos redime e também redime o matrimônio e a Igreja doméstica.
Cristo, pelo seu sacrifício, inaugura a Nova Aliança, a nova Israel, a Igreja — e também a partir dela podemos falar em Igreja doméstica.

O sacramento e a Igreja doméstica

Ora, o casamento cristão é um sacramento, sinal da aliança nova, como o casamento judeu era um sinal da antiga. Mais do que isso: é um sacramento, e que não se reduz a um simples rito. Na Igreja existem várias celebrações (funerais, recitação das horas canônicas do breviário, procissões, exposição do Santíssimo) que não são sacramentos. O matrimônio não é sacramento por ser um rito, e sim por ser canal da graça comunicada por Cristo no alto da Cruz.

O Código de Direito Canônico define o casamento religioso como “o pacto pelo qual o homem e a mulher constituem entre si o consórcio íntimo de toda a vida, ordenado por sua índole natural ao bem dos cônjuges e à procriação e educação da prole; entre batizados foi elevado por Cristo nosso Senhor à dignidade de sacramento, pelo que, entre batizados não pode haver contrato matrimonial válido que não seja, pelo mesmo fato, sacramento”.7

A graça é a participação na natureza divina. Por ela, somos o que Cristo é pela natureza, ou seja, Filhos de Deus. Perdemos a graça com a queda de nossos primeiros pais, Adão e Eva. Deus proporcionou a salvação por Sua misericórdia, enviando então Jesus Cristo para morrer na Cruz por nossos pecados e assim reconquistar-nos a graça. Os sacramentos são canais dessa graça.

O casamento cristão inaugura uma espécie de pequena Igreja. De fato, a doutrina católica chama a família cristã inaugurada pelo sacramento do Matrimônio de Igreja doméstica. Ela tem por missão a mesma da Igreja universal: salvar as almas dos seus membros, prestar culto a Deus e realizar o trabalho de apostolado. Consequentemente, é certo que um matrimônio deve ser feito a três: um homem, uma mulher e Cristo. Nisso consiste a base dessa Igreja doméstica, participante e emuladora da Santa Igreja universal que os cônjuges administram em sua casa.

Portanto, como tudo que Deus faz é bom e para nosso bem, a família é uma escola de virtudes, se bem aproveitada. Basta mirarmos no exemplo ideal da Sagrada Família, pela qual podemos nos pautar, considerando, evidentemente, diferenças individuais, culturais e regionais, pois ainda que não exista um molde fixo e pronto para que todas as famílias se enquadrem, mesmo dentro de cada íntimo detalhe dessa união de cônjuges e suas proles há a necessidade da busca pela santidade se adequando a algumas leis, dadas por Deus e explanadas pela Sua Santa Igreja, cujo único objetivo é salvar a alma de seus membros.

Ora, se carregamos a mancha do pecado original em nossa alma, que maravilhosa oportunidade de vencermos os nossos vícios e superarmos nossos defeitos na vocação a que fomos chamados! O dia a dia da família e suas grandezas e pequenezas forjam o caráter de todos os que desejam se empenhar para chegar até o Céu e auxiliar aqueles que deles dependem, que são seus filhos e ainda não têm a maturidade para fazer as escolhas de suas vidas.

É fato que esse empenho deve ser grandioso e muito custoso. Mas muito vale aquilo que muito custa, e, ainda que eu me esforce ao máximo, de nada valeria sem contar com algo maior que nos foi dado de presente: basta apenas rogar a graça a Deus. Portanto, sabe-se que o pilar de sustentação de uma família deve ser a oração. Sem ela, nos mundanizamos pouco a pouco e nos identificamos à nossa sociedade hedonista, que é um mal de nosso tempo. Mesmo a caridade feita sem objetivo de agradar a Deus e buscar a um bem maior facilmente corre o risco de cair em pura vaidade. Logo, a oração e a confissão são a estrada para o Céu, juntamente, é claro, com a Santíssima Comunhão.

A partir disso, percebemos a grandiosidade do Matrimônio e de seus frutos como Igreja estabelecida no lar.

Reze conosco a Novena da Sagrada Família

Referências

  1. Hb 8, 5[]
  2. Rm 3, 23[]
  3. Rm 6, 23[]
  4. Cf. Jo 1, 29[]
  5. Jo 3, 16[]
  6. Cl 2, 13b-14[]
  7. Cân. 1055[]

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    Entenda por que a Igreja considera a família como Igreja doméstica sob o olhar de uma mãe, Aline Brodbeck.

    A célula básica da sociedade

    A família é o grupo mais primitivo da sociedade, formada por indivíduos com ancestrais em comum ou que sejam adotados por esse grupo. Ela constitui toda e qualquer sociedade. É na união de um homem e uma mulher, para a geração de seus descendentes e auxílio comum e proteção, que se gera uma família.

    A união entre esse casal não necessita por si, segundo a lei natural, de um reconhecimento formal, seja religioso ou estatal, para constituir o que nomeamos de casamento. Havendo a aceitação irrestrita das consequências que dele surgem, o que obriga os cônjuges à doação recíproca de si mesmos, aí brota naturalmente o casamento. Para proteger essa estrutura básica – que, se atacada, fere todo o tecido social, já que é seu criador – as comunidades onde as famílias se inserem estabelecem regras para a aceitação de tal união. Portanto, não é o Estado quem institui o casamento, mas é o seu assegurador: suas normas devem regrar-se pela lei natural.

    Não é o Estado quem institui o casamento, mas é o seu assegurador: suas normas devem regrar-se pela lei natural

    Aline Brodbeck

    O casamento é um pacto, portanto as partes que o constituem assumem um compromisso uma com a outra. Essa relação consiste em algo muito maior do que o simples relacionamento procriativo de um casal: consiste na possibilidade da doação de si mesmo e na sublimação de todos os vícios, em virtude do amor. A Igreja designa o casamento como o princípio e fundamento da sociedade doméstica e até de toda a sociedade humana. Deus, ao criar Adão e Eva, determinou sua união, nascendo, com o homem, a família, geradora da sociedade.

    A família é uma instituição natural criada por Deus e surgida naturalmente, sem imposições externas, como se comprova na atração física, instinto de perpetuação da espécie. Igualmente, o objetivo familiar é fundado na lei natural: união entre os esposos a partir do amor mútuo e do compromisso de vida, buscando a geração da prole e sua educação, além do companheirismo. Como célula básica da sociedade, é anterior a estruturas mais complexas, como o próprio Estado, o qual deve existir em função da família, e para protegê-la, não o contrário.

    Vitral que representa a cerimônia de casamento de Nossa Senhora e São José, o início de sua Igreja doméstica.

    O casamento nas Escrituras

    Nos escritos do Antigo Testamento, vê-se que o matrimônio era um sinal da aliança entre Deus e Israel. Em Adão e depois em Noé, em Abraão e, enfim, em Moisés, o Criador estabeleceu alianças com os homens. Aliança, pacto ou concerto, ou ainda, na linguagem teológica, testamento, é uma união entre duas partes em prol de um objetivo em comum. Já no Novo Testamento, com a Nova Aliança, o matrimônio se torna um símbolo da união entre Cristo e a sua Igreja. Na Cruz, Jesus se casa misticamente com a Igreja, unindo Céu e Terra. A aliança estabelecida por Jesus Cristo na Cruz do Calvário é superior a todas as demais, pois nela foi o próprio Deus que se ofereceu por nós como sacerdote e vítima. A Antiga Aliança, diz São Paulo, era apenas a imagem, sombra das realidades celestiais. 1

    Exceto a Santíssima Virgem Maria, “todos pecaram e todos estão privados da glória de Deus” 2, e isso desde Adão e Eva. Deus então nos enviou o Salvador, já prometido aos nossos primeiros pais, promessa reiterada no decorrer da história de Israel, anunciada pelos profetas e simbolizada pelos inúmeros pactos firmados durante o tempo anterior à encarnação do Verbo. E o Salvador não foi apenas um rei, um sacerdote ou um profeta, mas ao mesmo tempo rei, sacerdote e profeta. Mais do que isso: o próprio Deus Encarnado, o Filho de Deus Pai, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade que, sem deixar sua divindade, assumiu plenamente a nossa humanidade.

    Em sua epístola aos Romanos, São Paulo nos diz que “o salário do pecado é a morte”.3 Assim como a morte entrou no mundo pelo pecado, deve o pecado sair pela morte. Não a morte de cordeiros sacrificados por Abraão, nas casas dos judeus ou no Templo de Jerusalém, mas a do Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo4, o próprio Jesus, o próprio Deus. “Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna”.5 Deus enviou Jesus para que morresse por amor a nós.

    O pecado nos separa de Deus: cria um abismo entre Ele, infinitamente santo, e o homem, profundamente pecador. Apesar de sermos criados na amizade com o Senhor, nós nos tornamos distantes por nossa iniquidade, mancha herdada de Adão e Eva. A santidade do Senhor não convive com nossa indignidade, herança que nos veio pelo pecado. Deus mesmo propiciou uma ponte para atravessar o abismo, estabelecida na Cruz do Calvário, quando Cristo estendeu os braços e uniu o Céu e a Terra.

    Para readquirir a amizade com Deus, necessitamos da graça, que nos foi conquistada pelo holocausto de Jesus. O novo pacto é aquele adequado a nos reaver a graça e no-la dar para que, por ela, sejamos novamente unidos a Deus e vivamos a vida eterna. Por sua morte sacrificial na Cruz, Jesus cancelou a maldição da iniquidade que pesava sobre nós. “É ele que nos perdoou todos os pecados, cancelando o documento escrito contra nós, cujas prescrições nos condenavam. Aboliu-o definitivamente, ao encravá-lo na cruz”.6 Esse é o cerne da Nova Aliança, é a isso que chamamos redenção ou salvação: a conquista da graça para nós, pecadores, perdoando nossos pecados e nos restaurando a participação na natureza divina.

    Pela aliança no Calvário, que nos adquire a graça, fazendo-nos filhos adotivos de Deus e semelhantes a Ele, partícipes de sua natureza e vida divinas, estabelece também Jesus um meio através do qual essa graça nos é oferecida: a Igreja, una, santa, católica e apostólica, uma sociedade visível, perceptível, hierárquica, não somente espiritual e invisível. E uma Igreja que não é como um anexo de sua obra redentora. A Igreja é necessária para recebermos a graça e nesta permanecermos. Fora dela não há salvação. 

    A Antiga Aliança inaugurou um povo eleito, Israel; a Nova Aliança estabelece um novo povo, a nova Israel, a Igreja. Ela é não apenas uma sociedade cuja missão seja levar a mensagem de Jesus a todos. Não. Ela também tem a missão de levar a todos a graça por Jesus Cristo conquistada na Cruz, e a cumpre sobretudo ministrando os sacramentos, sinais visíveis da graça invisível.

    Na cruz, Cristo nos redime e também redime o matrimônio e a Igreja doméstica.
    Cristo, pelo seu sacrifício, inaugura a Nova Aliança, a nova Israel, a Igreja — e também a partir dela podemos falar em Igreja doméstica.

    O sacramento e a Igreja doméstica

    Ora, o casamento cristão é um sacramento, sinal da aliança nova, como o casamento judeu era um sinal da antiga. Mais do que isso: é um sacramento, e que não se reduz a um simples rito. Na Igreja existem várias celebrações (funerais, recitação das horas canônicas do breviário, procissões, exposição do Santíssimo) que não são sacramentos. O matrimônio não é sacramento por ser um rito, e sim por ser canal da graça comunicada por Cristo no alto da Cruz.

    O Código de Direito Canônico define o casamento religioso como “o pacto pelo qual o homem e a mulher constituem entre si o consórcio íntimo de toda a vida, ordenado por sua índole natural ao bem dos cônjuges e à procriação e educação da prole; entre batizados foi elevado por Cristo nosso Senhor à dignidade de sacramento, pelo que, entre batizados não pode haver contrato matrimonial válido que não seja, pelo mesmo fato, sacramento”.7

    A graça é a participação na natureza divina. Por ela, somos o que Cristo é pela natureza, ou seja, Filhos de Deus. Perdemos a graça com a queda de nossos primeiros pais, Adão e Eva. Deus proporcionou a salvação por Sua misericórdia, enviando então Jesus Cristo para morrer na Cruz por nossos pecados e assim reconquistar-nos a graça. Os sacramentos são canais dessa graça.

    O casamento cristão inaugura uma espécie de pequena Igreja. De fato, a doutrina católica chama a família cristã inaugurada pelo sacramento do Matrimônio de Igreja doméstica. Ela tem por missão a mesma da Igreja universal: salvar as almas dos seus membros, prestar culto a Deus e realizar o trabalho de apostolado. Consequentemente, é certo que um matrimônio deve ser feito a três: um homem, uma mulher e Cristo. Nisso consiste a base dessa Igreja doméstica, participante e emuladora da Santa Igreja universal que os cônjuges administram em sua casa.

    Portanto, como tudo que Deus faz é bom e para nosso bem, a família é uma escola de virtudes, se bem aproveitada. Basta mirarmos no exemplo ideal da Sagrada Família, pela qual podemos nos pautar, considerando, evidentemente, diferenças individuais, culturais e regionais, pois ainda que não exista um molde fixo e pronto para que todas as famílias se enquadrem, mesmo dentro de cada íntimo detalhe dessa união de cônjuges e suas proles há a necessidade da busca pela santidade se adequando a algumas leis, dadas por Deus e explanadas pela Sua Santa Igreja, cujo único objetivo é salvar a alma de seus membros.

    Ora, se carregamos a mancha do pecado original em nossa alma, que maravilhosa oportunidade de vencermos os nossos vícios e superarmos nossos defeitos na vocação a que fomos chamados! O dia a dia da família e suas grandezas e pequenezas forjam o caráter de todos os que desejam se empenhar para chegar até o Céu e auxiliar aqueles que deles dependem, que são seus filhos e ainda não têm a maturidade para fazer as escolhas de suas vidas.

    É fato que esse empenho deve ser grandioso e muito custoso. Mas muito vale aquilo que muito custa, e, ainda que eu me esforce ao máximo, de nada valeria sem contar com algo maior que nos foi dado de presente: basta apenas rogar a graça a Deus. Portanto, sabe-se que o pilar de sustentação de uma família deve ser a oração. Sem ela, nos mundanizamos pouco a pouco e nos identificamos à nossa sociedade hedonista, que é um mal de nosso tempo. Mesmo a caridade feita sem objetivo de agradar a Deus e buscar a um bem maior facilmente corre o risco de cair em pura vaidade. Logo, a oração e a confissão são a estrada para o Céu, juntamente, é claro, com a Santíssima Comunhão.

    A partir disso, percebemos a grandiosidade do Matrimônio e de seus frutos como Igreja estabelecida no lar.

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    Referências

    1. Hb 8, 5[]
    2. Rm 3, 23[]
    3. Rm 6, 23[]
    4. Cf. Jo 1, 29[]
    5. Jo 3, 16[]
    6. Cl 2, 13b-14[]
    7. Cân. 1055[]
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