Formação

Santo Antônio Maria Claret: um legado de Devoção e Serviço

Conheça a vida de Santo Antônio Maria Claret, missionário que realizou um grande trabalho de evangelização como bispo de Santiago de Cuba.

Santo Antônio Maria Claret: um legado de Devoção e Serviço
Formação

Santo Antônio Maria Claret: um legado de Devoção e Serviço

Conheça a vida de Santo Antônio Maria Claret, missionário que realizou um grande trabalho de evangelização como bispo de Santiago de Cuba.

Data da Publicação: 24/10/2023
Tempo de leitura:
Autor: Redação MBC
Data da Publicação: 24/10/2023
Tempo de leitura:
Autor: Redação MBC

Santo Antônio Maria Claret foi um grande missionário e evangelizador. O bispo nutria um profundo desejo de que as pessoas conhecessem a Deus e não se perdessem no Inferno, por isso dedicou grande parte de sua vida às missões. Muito devoto da Santíssima Virgem, adotou “Maria” em seu nome na crisma. Além disso, fundou a Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria, em homenagem à especial devoção ao Coração de Maria.

Ele também desempenhou um papel importante no Concílio Vaticano I, defendendo verdades da fé, sobretudo a infalibilidade papal. Neste artigo, você vai explorar a vida e a missão desde santo que converteu a muitos, inclusive nobres e reis da Espanha, com a sua pregação; além de conhecer seus principais escritos, dentre eles “Os Exercícios Espirituais de Santo Inácio comentados por Antônio Maria Claret”.

Quem foi Santo Antônio Maria Claret

Santo Antônio Maria Claret nasceu em 1807 em Sallent, Espanha, em uma família profundamente religiosa e devota do Santíssimo Sacramento e de Maria Santíssima. Desde jovem, Claret manifestou seu desejo de se tornar sacerdote 1 e iniciou seus estudos sob a orientação do Padre João Riera. No entanto, as circunstâncias o levaram a trabalhar na fábrica de tecidos de seu pai, onde demonstrou notável habilidade na arte têxtil.

Durante esse período, Claret enfrentou momentos de tibieza espiritual, dedicando suas forças e seu pensamento ao trabalho. No entanto, ele superou diversas tentações recorrendo ao socorro da Virgem Maria, como um episódio em que foi salvo de um afogamento por Sua intercessão.

Em determinado momento de sua vida, Claret compreendeu que esta era a vontade de Deus e decidiu deixar tudo para seguir a sua vocação sacerdotal. Assim, ao longo de sua vida, ele desempenhou papéis notáveis como sacerdote, missionário, bispo de Santiago de Cuba e apóstolo da imprensa. Além disso, fundou a congregação dos Claretianos e dedicou-se incansavelmente à evangelização, sendo reconhecido como “santo de todos”, pelo Papa Pio XII.

Missões apostólicas

Após ser ordenado sacerdote em 1835, ele partiu para Roma com o desejo de se tornar um missionário, como relata em sua autobiografia. O Senhor me fez conhecer que não só tinha de pregar aos pecadores, mas também catequizar, pregar aos simples dos campos e aldeias, etc. 2

Em Roma, Claret conheceu um padre da Companhia de Jesus, que o instruiu nos Exercícios Espirituais de Santo Inácio e o direcionou para a Companhia de Jesus, onde iniciou o noviciado. No entanto, devido a uma doença, ele teve que interromper esse período de formação e retornar à Espanha.

Sendo assim, nos sete anos seguintes, Claret dedicou-se a pregar e realizar missões populares na Catalunha e nas Ilhas Canárias. Nesta missão, destacou-se pela sua eloquência como orador e seu estilo de vida ascético. Ele percorria a região a pé, como um peregrino, sempre com a Bíblia e o Breviário em mãos. Muitos milagres foram associados às suas pregações. 3

Com muita freqüência tinha de pregar nas praças, porque as igrejas não comportavam tanta gente vinda das mais diversas povoações para ouvir a santa missão. 4 […] Naquelas ilhas fiquei durante quinze meses e, ajudado pela graça de Deus, pude trabalhar todos os dias. […] Suportei algumas dificuldades, mas alegremente porque estava convicto de que era a vontade de Deus e de Maria Santíssima e que serviriam para a conversão e salvação de tanta gente. 5

Congregação dos Claretianos

Em maio de 1849, em Barcelona, Santo Antônio Maria Claret expressou seu desejo de criar uma congregação de sacerdotes a dois cônegos amigos que acolheram a ideia. Em julho do mesmo ano, Claret reuniu um grupo de sacerdotes em um retiro para iniciar formalmente a Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria, também chamados de Missionários Claretianos.

Saímos desse retiro muito fervorosos, resolvidos e determinados a perseverar. Graças a Deus e a Maria Santíssima todos perseveraram muito bem. 6 Assim iniciamos e assim continuamos vivendo uma vida perfeitamente comum, todos entregues aos trabalhos do sagrado ministério. 7

Em 1855, já bispo de Santiago de Cuba, com a ajuda da venerável Maria Antónia Paris, fundou o ramo feminino da Congregação, as “Religiosas de Maria Imaculada”, também chamadas “Missionárias Claretianas”. 3

Brasão da congregação fundada por Santo Antônio Maria Claret.
Brasão da congregação fundada por Santo Antônio Maria Claret

Santo Antônio Maria Claret como arcebispo de Santiago de Cuba e suas missões na região

Ao receber a notícia de que seria nomeado arcebispo de Santiago de Cuba, Claret relata que ficou atônito. 8 Não queria aceitar por sentir-se indigno e incapaz, mas também não queria desobedecer ao bispo. Sendo assim, procurou padres amigos e pediu que rezassem por ele. Dois meses depois, ele aceita o cargo e, neste chamado, vê seu anseio missionário tornar-se realidade.

Ao chegar na capital cubana, ele se deparou com uma diocese desorganizada, pois há muito tempo estava sem um pastor que a dirigisse. O clero estava reduzido e mal preparado, o seminário em condições precárias, e inúmeras igrejas abandonadas. Determinado a revitalizar a fé na região, Claret convocou um Sínodo diocesano, estabelecendo a obrigação para os sacerdotes de realizarem exercícios espirituais.3

Além disso, ele trouxe de volta religiosos expulsos do país e percorreu toda a extensão de seu vasto território, incluindo os lugares mais remotos. Claret também lutou para combater a pobreza que assolava a região. 3 Apesar de ser perseguido, atacado e ferido, Claret continuava perseverante e a sua dedicação à conversão gerou muitos frutos. Em uma de suas missões populares, tamanha foi a multidão que buscava o sacramento da confissão após ouvir suas palavras que foram necessários cerca de 40 sacerdotes para atender a todos.

Confessor da rainha

Durante seu período como arcebispo em Cuba, Santo Antônio Maria Claret também atuou como confessor da Rainha Isabel II da Espanha. 3 Sua presença influenciou positivamente a vida da rainha, mas causou agitação política, até que ela foi deposta e exilada na França. Claret morre em 1870, no mosteiro de Fontfroide, em Narbona, na França. Sem dúvida deixou um legado duradouro por meio de seu serviço como arcebispo e missionário.

Escritos de Santo Antônio Maria Claret

Santo Antônio Maria Claret relata em sua autobiografia a importância de ler bons livros. 9 Ele escreveu diversas obras, incluindo catecismos, livretos, folhetos e sua autobiografia.

A experiência me ensinou que um dos meios mais poderosos para a propagação do bem é a imprensa, ao mesmo tempo em que é a arma mais poderosa para se propagar o mal, quando dela se abusa. Por meio da imprensa podem-se produzir muitos livros bons e folhetos para o louvor de Deus. Nem todos querem ou podem ouvir a divina palavra, mas todos podem ler ou ouvir a leitura de um bom livro. Nem todos podem ir à igreja ouvir a palavra divina, porém o livro irá à sua casa. 10

Santo Antônio Maria Claret reconhecia a importância de disponibilizar material espiritual acessível às pessoas de sua época. Seu primeiro livro, que continha conselhos espirituais para religiosas em Vic, surgiu da intenção de deixar registrado o que havia pregado, e a sugestão de um amigo o levou a publicá-lo.

Vendo os bons resultados, ele continuou escrevendo livros como “Avisos às Moças”, “Aos Pais”, “Às Crianças” e “Aos Jovens”, adaptando-se às necessidades da sociedade à medida que as percebia 11 Assim, Claret produzia um material espiritual direcionado a diversos públicos e questões da época, como orientações contra blasfêmias e impureza. Seus escritos são práticos, focados na moralidade e na espiritualidade — por isso são atemporais —, refletindo sua missão de difundir a fé e a virtude.

Exercícios Espirituais de Santo Inácio comentados por Santo Antônio Maria Claret

Uma das principais obras de Claret são os comentários feitos aos exercícios espirituais de Santo Inácio. Os Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, são uma série de práticas e meditações espirituais destinadas a aprofundar a relação com Deus e promover o crescimento espiritual. Geralmente são exercícios ministrados por sacerdotes em retiros, no entanto Claret enriquece essa obra, tornando-a acessível a um público mais amplo.

Santo Antônio Maria Claret experimentou pessoalmente os benefícios de tais práticas e, ao publicar seus comentários sobre a obra, torna os exercícios acessíveis a todos — não apenas a sacerdotes ou pessoas que participam de retiros. Ele acreditava que os Exercícios Espirituais poderiam ser uma ferramenta poderosa não só para a conversão de sacerdotes, mas também para o fortalecimento da fé dos leigos.

Preguei várias vezes esses exercícios aos leigos, […] e, pelo que pude observar, produzem frutos mais sólidos do que a pregação de missões. A esse respeito escrevi um livro intitulado Exercícios de Santo Inácio. Foi muito bem aceito. Os exercícios produziram e produzem maravilhosos efeitos. Quando bem feitos, os pecadores se convertem, os justos se conservam ou se aperfeiçoam na graça. Que tudo seja para a maior glória de Deus. Devo dizer que por este livro sua majestade a rainha faz anualmente os exercícios espirituais e aconselha às camareiras que os façam também através dele. 12

Serva de Deus Claretiana em processo de beatificação

Madre Leônia Milito, nascida na Itália em 1913, foi uma missionária claretiana com profunda devoção religiosa e dedicação aos pobres. Ingressou no Instituto das Pobres Filhas de Santo Antônio na Itália aos 21 anos, onde adotou o nome Leônia em honra a São Leão Magno. Sua relação com o Brasil começou quando ela manifestou interesse em ajudar na missão brasileira. Em 1953, ela chegou ao Brasil e, após algumas idas e vindas, se estabeleceu em Londrina, no Paraná, onde, junto com o bispo, inaugurou a Congregação das Missionárias de Santo Antônio Maria Claret.

Ao longo de 22 anos à frente da congregação, Madre Leônia abriu quase 100 casas e realizou mais de 100 obras em todo o mundo. Seu desejo era realizar ainda muito mais, no entanto em 1980 ela foi vítima fatal de um acidente de trânsito enquanto estava em missão. Em sua homenagem, foi erguida uma capela no local do acidente, e Leônia foi nomeada a Padroeira da Vida no Trânsito, em 2009.

Madre Leônia pode se tornar a primeira santa a ter realizado missões em terras paranaenses. Seu processo de canonização começou em 1998 e atualmente ela é considerada uma Serva de Deus. Muitos lembram de sua vida com devoção e há diversas homenagens em sua memória, incluindo a Avenida Madre Leônia Milito em Londrina e a Casa da Memória Madre Leônia Milito.

Serva de Deus Leônia Milito, religiosa da congregação fundada por Santo Antônio Maria Claret.
Madre Leônia Milito

Conheça também a história de Isabel Cristina, a mais nova beata brasileira e do médico, surfista e venerável, Guido Schäffer

Oração pela intercessão de Santo Antônio Maria Claret

“Senhor, que fizestes de Santo Antônio Maria Claret, nosso Pai, um zeloso apóstolo da glória de Deus e da salvação dos homens, concedei-nos a sua caridade ardente, que abrasava seu coração, para continuarmos, com intensidade e eficácia, sua obra apostólica. Fazei que seus filhos e seguidores se multipliquem e sejam fiéis, para trabalhar pelo Reino de Nosso Senhor Jesus Cristo, de tal modo que, no momento da nossa morte, possamos ser reconhecidos como “servos bons e fiéis” de Cristo e do Evangelho. Amém”. 3

Referências

  1. cf. Autobiografia, 30[]
  2. cf. Autobiografia, 118[]
  3. VATICAN NEWS, S. Antônio Maria Claret, Bispo, fundador da Congregação dos Missionários Filhos do Coração Imaculado da Virgem Maria[][][][][][]
  4. cf. Autobiografia, 481[]
  5. cf. Autobiografia, 486[]
  6. cf. Autobiografia, 490[]
  7. cf. Autobiografia, 491[]
  8. cf. Autobiografia, 495[]
  9. cf. Autobiografia, 311[]
  10. cf. Autobiografia, 310[]
  11. cf. Autobiografia, 314[]
  12. cf. Autobiografia,156[]

Redação MBC

Santo Antônio Maria Claret foi um grande missionário e evangelizador. O bispo nutria um profundo desejo de que as pessoas conhecessem a Deus e não se perdessem no Inferno, por isso dedicou grande parte de sua vida às missões. Muito devoto da Santíssima Virgem, adotou “Maria” em seu nome na crisma. Além disso, fundou a Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria, em homenagem à especial devoção ao Coração de Maria.

Ele também desempenhou um papel importante no Concílio Vaticano I, defendendo verdades da fé, sobretudo a infalibilidade papal. Neste artigo, você vai explorar a vida e a missão desde santo que converteu a muitos, inclusive nobres e reis da Espanha, com a sua pregação; além de conhecer seus principais escritos, dentre eles “Os Exercícios Espirituais de Santo Inácio comentados por Antônio Maria Claret”.

Quem foi Santo Antônio Maria Claret

Santo Antônio Maria Claret nasceu em 1807 em Sallent, Espanha, em uma família profundamente religiosa e devota do Santíssimo Sacramento e de Maria Santíssima. Desde jovem, Claret manifestou seu desejo de se tornar sacerdote 1 e iniciou seus estudos sob a orientação do Padre João Riera. No entanto, as circunstâncias o levaram a trabalhar na fábrica de tecidos de seu pai, onde demonstrou notável habilidade na arte têxtil.

Durante esse período, Claret enfrentou momentos de tibieza espiritual, dedicando suas forças e seu pensamento ao trabalho. No entanto, ele superou diversas tentações recorrendo ao socorro da Virgem Maria, como um episódio em que foi salvo de um afogamento por Sua intercessão.

Em determinado momento de sua vida, Claret compreendeu que esta era a vontade de Deus e decidiu deixar tudo para seguir a sua vocação sacerdotal. Assim, ao longo de sua vida, ele desempenhou papéis notáveis como sacerdote, missionário, bispo de Santiago de Cuba e apóstolo da imprensa. Além disso, fundou a congregação dos Claretianos e dedicou-se incansavelmente à evangelização, sendo reconhecido como “santo de todos”, pelo Papa Pio XII.

Missões apostólicas

Após ser ordenado sacerdote em 1835, ele partiu para Roma com o desejo de se tornar um missionário, como relata em sua autobiografia. O Senhor me fez conhecer que não só tinha de pregar aos pecadores, mas também catequizar, pregar aos simples dos campos e aldeias, etc. 2

Em Roma, Claret conheceu um padre da Companhia de Jesus, que o instruiu nos Exercícios Espirituais de Santo Inácio e o direcionou para a Companhia de Jesus, onde iniciou o noviciado. No entanto, devido a uma doença, ele teve que interromper esse período de formação e retornar à Espanha.

Sendo assim, nos sete anos seguintes, Claret dedicou-se a pregar e realizar missões populares na Catalunha e nas Ilhas Canárias. Nesta missão, destacou-se pela sua eloquência como orador e seu estilo de vida ascético. Ele percorria a região a pé, como um peregrino, sempre com a Bíblia e o Breviário em mãos. Muitos milagres foram associados às suas pregações. 3

Com muita freqüência tinha de pregar nas praças, porque as igrejas não comportavam tanta gente vinda das mais diversas povoações para ouvir a santa missão. 4 […] Naquelas ilhas fiquei durante quinze meses e, ajudado pela graça de Deus, pude trabalhar todos os dias. […] Suportei algumas dificuldades, mas alegremente porque estava convicto de que era a vontade de Deus e de Maria Santíssima e que serviriam para a conversão e salvação de tanta gente. 5

Congregação dos Claretianos

Em maio de 1849, em Barcelona, Santo Antônio Maria Claret expressou seu desejo de criar uma congregação de sacerdotes a dois cônegos amigos que acolheram a ideia. Em julho do mesmo ano, Claret reuniu um grupo de sacerdotes em um retiro para iniciar formalmente a Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria, também chamados de Missionários Claretianos.

Saímos desse retiro muito fervorosos, resolvidos e determinados a perseverar. Graças a Deus e a Maria Santíssima todos perseveraram muito bem. 6 Assim iniciamos e assim continuamos vivendo uma vida perfeitamente comum, todos entregues aos trabalhos do sagrado ministério. 7

Em 1855, já bispo de Santiago de Cuba, com a ajuda da venerável Maria Antónia Paris, fundou o ramo feminino da Congregação, as “Religiosas de Maria Imaculada”, também chamadas “Missionárias Claretianas”. 3

Brasão da congregação fundada por Santo Antônio Maria Claret.
Brasão da congregação fundada por Santo Antônio Maria Claret

Santo Antônio Maria Claret como arcebispo de Santiago de Cuba e suas missões na região

Ao receber a notícia de que seria nomeado arcebispo de Santiago de Cuba, Claret relata que ficou atônito. 8 Não queria aceitar por sentir-se indigno e incapaz, mas também não queria desobedecer ao bispo. Sendo assim, procurou padres amigos e pediu que rezassem por ele. Dois meses depois, ele aceita o cargo e, neste chamado, vê seu anseio missionário tornar-se realidade.

Ao chegar na capital cubana, ele se deparou com uma diocese desorganizada, pois há muito tempo estava sem um pastor que a dirigisse. O clero estava reduzido e mal preparado, o seminário em condições precárias, e inúmeras igrejas abandonadas. Determinado a revitalizar a fé na região, Claret convocou um Sínodo diocesano, estabelecendo a obrigação para os sacerdotes de realizarem exercícios espirituais.3

Além disso, ele trouxe de volta religiosos expulsos do país e percorreu toda a extensão de seu vasto território, incluindo os lugares mais remotos. Claret também lutou para combater a pobreza que assolava a região. 3 Apesar de ser perseguido, atacado e ferido, Claret continuava perseverante e a sua dedicação à conversão gerou muitos frutos. Em uma de suas missões populares, tamanha foi a multidão que buscava o sacramento da confissão após ouvir suas palavras que foram necessários cerca de 40 sacerdotes para atender a todos.

Confessor da rainha

Durante seu período como arcebispo em Cuba, Santo Antônio Maria Claret também atuou como confessor da Rainha Isabel II da Espanha. 3 Sua presença influenciou positivamente a vida da rainha, mas causou agitação política, até que ela foi deposta e exilada na França. Claret morre em 1870, no mosteiro de Fontfroide, em Narbona, na França. Sem dúvida deixou um legado duradouro por meio de seu serviço como arcebispo e missionário.

Escritos de Santo Antônio Maria Claret

Santo Antônio Maria Claret relata em sua autobiografia a importância de ler bons livros. 9 Ele escreveu diversas obras, incluindo catecismos, livretos, folhetos e sua autobiografia.

A experiência me ensinou que um dos meios mais poderosos para a propagação do bem é a imprensa, ao mesmo tempo em que é a arma mais poderosa para se propagar o mal, quando dela se abusa. Por meio da imprensa podem-se produzir muitos livros bons e folhetos para o louvor de Deus. Nem todos querem ou podem ouvir a divina palavra, mas todos podem ler ou ouvir a leitura de um bom livro. Nem todos podem ir à igreja ouvir a palavra divina, porém o livro irá à sua casa. 10

Santo Antônio Maria Claret reconhecia a importância de disponibilizar material espiritual acessível às pessoas de sua época. Seu primeiro livro, que continha conselhos espirituais para religiosas em Vic, surgiu da intenção de deixar registrado o que havia pregado, e a sugestão de um amigo o levou a publicá-lo.

Vendo os bons resultados, ele continuou escrevendo livros como “Avisos às Moças”, “Aos Pais”, “Às Crianças” e “Aos Jovens”, adaptando-se às necessidades da sociedade à medida que as percebia 11 Assim, Claret produzia um material espiritual direcionado a diversos públicos e questões da época, como orientações contra blasfêmias e impureza. Seus escritos são práticos, focados na moralidade e na espiritualidade — por isso são atemporais —, refletindo sua missão de difundir a fé e a virtude.

Exercícios Espirituais de Santo Inácio comentados por Santo Antônio Maria Claret

Uma das principais obras de Claret são os comentários feitos aos exercícios espirituais de Santo Inácio. Os Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, são uma série de práticas e meditações espirituais destinadas a aprofundar a relação com Deus e promover o crescimento espiritual. Geralmente são exercícios ministrados por sacerdotes em retiros, no entanto Claret enriquece essa obra, tornando-a acessível a um público mais amplo.

Santo Antônio Maria Claret experimentou pessoalmente os benefícios de tais práticas e, ao publicar seus comentários sobre a obra, torna os exercícios acessíveis a todos — não apenas a sacerdotes ou pessoas que participam de retiros. Ele acreditava que os Exercícios Espirituais poderiam ser uma ferramenta poderosa não só para a conversão de sacerdotes, mas também para o fortalecimento da fé dos leigos.

Preguei várias vezes esses exercícios aos leigos, […] e, pelo que pude observar, produzem frutos mais sólidos do que a pregação de missões. A esse respeito escrevi um livro intitulado Exercícios de Santo Inácio. Foi muito bem aceito. Os exercícios produziram e produzem maravilhosos efeitos. Quando bem feitos, os pecadores se convertem, os justos se conservam ou se aperfeiçoam na graça. Que tudo seja para a maior glória de Deus. Devo dizer que por este livro sua majestade a rainha faz anualmente os exercícios espirituais e aconselha às camareiras que os façam também através dele. 12

Serva de Deus Claretiana em processo de beatificação

Madre Leônia Milito, nascida na Itália em 1913, foi uma missionária claretiana com profunda devoção religiosa e dedicação aos pobres. Ingressou no Instituto das Pobres Filhas de Santo Antônio na Itália aos 21 anos, onde adotou o nome Leônia em honra a São Leão Magno. Sua relação com o Brasil começou quando ela manifestou interesse em ajudar na missão brasileira. Em 1953, ela chegou ao Brasil e, após algumas idas e vindas, se estabeleceu em Londrina, no Paraná, onde, junto com o bispo, inaugurou a Congregação das Missionárias de Santo Antônio Maria Claret.

Ao longo de 22 anos à frente da congregação, Madre Leônia abriu quase 100 casas e realizou mais de 100 obras em todo o mundo. Seu desejo era realizar ainda muito mais, no entanto em 1980 ela foi vítima fatal de um acidente de trânsito enquanto estava em missão. Em sua homenagem, foi erguida uma capela no local do acidente, e Leônia foi nomeada a Padroeira da Vida no Trânsito, em 2009.

Madre Leônia pode se tornar a primeira santa a ter realizado missões em terras paranaenses. Seu processo de canonização começou em 1998 e atualmente ela é considerada uma Serva de Deus. Muitos lembram de sua vida com devoção e há diversas homenagens em sua memória, incluindo a Avenida Madre Leônia Milito em Londrina e a Casa da Memória Madre Leônia Milito.

Serva de Deus Leônia Milito, religiosa da congregação fundada por Santo Antônio Maria Claret.
Madre Leônia Milito

Conheça também a história de Isabel Cristina, a mais nova beata brasileira e do médico, surfista e venerável, Guido Schäffer

Oração pela intercessão de Santo Antônio Maria Claret

“Senhor, que fizestes de Santo Antônio Maria Claret, nosso Pai, um zeloso apóstolo da glória de Deus e da salvação dos homens, concedei-nos a sua caridade ardente, que abrasava seu coração, para continuarmos, com intensidade e eficácia, sua obra apostólica. Fazei que seus filhos e seguidores se multipliquem e sejam fiéis, para trabalhar pelo Reino de Nosso Senhor Jesus Cristo, de tal modo que, no momento da nossa morte, possamos ser reconhecidos como “servos bons e fiéis” de Cristo e do Evangelho. Amém”. 3

Referências

  1. cf. Autobiografia, 30[]
  2. cf. Autobiografia, 118[]
  3. VATICAN NEWS, S. Antônio Maria Claret, Bispo, fundador da Congregação dos Missionários Filhos do Coração Imaculado da Virgem Maria[][][][][][]
  4. cf. Autobiografia, 481[]
  5. cf. Autobiografia, 486[]
  6. cf. Autobiografia, 490[]
  7. cf. Autobiografia, 491[]
  8. cf. Autobiografia, 495[]
  9. cf. Autobiografia, 311[]
  10. cf. Autobiografia, 310[]
  11. cf. Autobiografia, 314[]
  12. cf. Autobiografia,156[]

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