Descubra o significado da oração de ação de graças, sua importância na liturgia e como cultivar um coração grato em todas as circunstâncias.
Descubra o significado da oração de ação de graças, sua importância na liturgia e como cultivar um coração grato em todas as circunstâncias.
A oração de ação de graças é uma das expressões mais belas e profundas da fé cristã. Neste artigo, você vai entender seu verdadeiro significado, sua importância na liturgia e na vida cotidiana, além de aprender a rezar com gratidão em todas as circunstâncias.
A oração de ação de graças é uma das formas fundamentais de oração na vida cristã, ao lado da súplica, intercessão, adoração e louvor. Enraizada na própria palavra “Eucaristia” — que vem do grego eucharistía, significando “ação de graças” —, ela revela a atitude da alma que reconhece os dons de Deus com humildade e alegria. O Catecismo da Igreja Católica ensina que esta forma de oração é inseparável da celebração litúrgica e da própria vida da Igreja (cf. CIC 2637).
Mais do que um simples agradecimento, a oração de ação de graças expressa uma disposição constante do coração: reconhecer que tudo vem de Deus e que nenhuma bênção deve ser tomada como garantida. São Paulo, ao escrever aos coríntios, recorda esta verdade com firmeza: “O que tens que não recebeste?” (1Cor 4,7). Com isso, ele nos convida a abandonar toda soberba espiritual e reconhecer que até mesmo nossos méritos são fruto da graça divina. Nada é realmente nosso por direito; tudo é dom — da vida às virtudes, das oportunidades às consolações espirituais. A ação de graças, portanto, nasce do coração humilde que sabe que Deus é a fonte de todo bem.
Conheça também outros tipos de oração.
O principal propósito da oração de ação de graças é reconhecer, com espírito filial, que Deus é o autor de todas as coisas boas e que, sem Ele, nada podemos realizar. Esse tipo de oração nos educa para a humildade, fortalece nossa confiança em Deus e orienta nossa vida espiritual para uma relação mais sincera e amorosa com o Senhor. A gratidão abre o coração para acolher a vontade divina, mesmo em meio às dificuldades, e nos livra da tentação de atribuir a nós mesmos os frutos da graça.
Jesus nos dá o exemplo mais perfeito dessa atitude. Antes mesmo de ressuscitar Lázaro, Ele eleva ao Pai uma oração de gratidão: “Pai, eu Te dou graças por me teres ouvido” (Jo 11,41). A ação de graças precede o milagre, revelando que a confiança em Deus é mais importante do que o resultado visível. Assim também deve ser nossa oração: mais centrada no Doador do que nos dons. A verdadeira gratidão reconhece que estar na presença de Deus já é, em si, uma graça imensa.
São Paulo retoma esse ensinamento de forma constante em suas cartas: “Perseverai na oração, vigiando com ação de graças” (Cl 4,2); “Em todas as circunstâncias, dai graças, pois esta é a vontade de Deus a vosso respeito em Cristo Jesus” (1Ts 5,18). A oração de ação de graças, portanto, é não apenas uma resposta ao que Deus fez, mas uma forma de viver continuamente na presença d’Ele, com o coração sempre disposto a reconhecer e louvar sua bondade.
A ação de graças é muito mais do que um ato isolado de gratidão: ela é um modo de viver diante de Deus. Desde o Antigo Testamento, os justos elevavam orações de louvor e agradecimento ao Senhor, como se vê frequentemente nos Salmos: “Que poderei retribuir ao Senhor por tudo aquilo que Ele me fez?” (Sl 116,12). Essa mesma atitude transparece na vida de Jesus e na prática constante dos apóstolos.
Nos escritos paulinos, especialmente, a ação de graças se torna uma dimensão permanente da vida espiritual. São Paulo não apenas agradece a Deus em suas cartas, mas exorta os fiéis a fazerem o mesmo com perseverança e alegria. Trata-se de reconhecer a presença providente de Deus em todas as situações: na abundância e na escassez, na saúde e na enfermidade, nas vitórias e nas cruzes. É a espiritualidade daquele que sabe que tudo concorre para o bem dos que amam a Deus (cf. Rm 8,28).
Grandes santos da Igreja viveram essa espiritualidade de forma exemplar. São Francisco de Assis, mesmo em meio a sofrimentos físicos, era conhecido por seu coração agradecido e por louvar a Deus em todas as circunstâncias, inclusive na morte. A oração de ação de graças é, portanto, expressão da alma que confia, espera e ama.
Ela transforma a oração pessoal e comunitária, purificando as intenções, aliviando as ansiedades e abrindo o coração para o louvor. Como ensina o CIC, “todo acontecimento pode tornar-se matéria de ação de graças” (CIC 2638). Viver assim é antecipar, já neste mundo, a alegria eterna daqueles que, no Céu, cantarão para sempre: “Graças vos damos, Senhor Deus onipotente” (Ap 11,17).
A expressão mais elevada da oração de ação de graças é a liturgia da Igreja, sobretudo a celebração da Santa Missa. A própria Eucaristia, como indica seu nome, é uma ação de graças solene, na qual a Igreja inteira, unida ao seu Senhor, oferece ao Pai o sacrifício de louvor por todos os benefícios da redenção. Conforme o Catecismo afirma: “A Eucaristia é o sacrifício de ação de graças ao Pai” (CIC 1359).
No coração da liturgia eucarística está a Anáfora, também chamada de Oração Eucarística, que é descrita pelo CIC como “oração de ação de graças e consagração” (CIC 1352). Nela, a Igreja, conduzida pelo Espírito Santo, recorda os feitos salvíficos de Deus, oferece o sacrifício de Cristo e se une ao louvor celeste. Cada prefácio da Missa é uma elevação de ação de graças: “Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-Vos graças sempre e em todo lugar…”
Após a Comunhão, a Igreja recomenda vivamente que se prolongue o espírito de gratidão por meio de orações pessoais e silenciosas. Pio XII, na encíclica Mediator Dei, ensina que esse momento deve ser um “prosseguimento íntimo” da união com Cristo, em que a alma agradece, adora e se deixa transformar pela presença do Senhor (cf. Mediator Dei, 123).
Além da Missa, toda a Liturgia das Horas — especialmente as Laudes e Vésperas — está impregnada de louvor e gratidão. Salmos, hinos e cânticos constituem uma contínua ação de graças que santifica o tempo e eleva a alma para Deus. Assim, a oração litúrgica, pública e comunitária, ensina o fiel a integrar a gratidão no ritmo da vida diária, vivendo cada instante como dom.
A oração de ação de graças não se limita à igreja nem ao momento da Missa: ela pode e deve estar presente nas pequenas e grandes situações da vida. O fiel é convidado a cultivar um espírito de reconhecimento em todas as circunstâncias, como expressão de confiança na providência divina.
Isso pode ser vivido de forma concreta ao acordar, oferecendo o dia a Deus; ao fazer as refeições; ao receber uma boa notícia ou alcançar uma graça; e até mesmo nas dificuldades, reconhecendo que Deus está presente e operando em todas as coisas.
Viver com esse espírito transforma a espiritualidade pessoal. A alma que se volta ao Senhor com reconhecimento está menos sujeita à ansiedade, à murmuração e à ingratidão, e se abre mais facilmente à esperança e à caridade. Mesmo os momentos de sofrimento ganham novo sentido quando são acolhidos com fé e oferecidos como oportunidade de louvor.
Entre os meios que podem ajudar nessa vivência, está a prática de pequenas orações espontâneas ao longo do dia — como jaculatórias simples, por exemplo: “Graças vos dou, Senhor, por tudo!” —, a meditação de salmos como o 136 e o registro ocasional das graças percebidas no cotidiano. Com isso, a oração de ação de graças vai se integrando à vida espiritual do fiel, moldando sua visão sobre o mundo e fortalecendo sua relação com Deus.
A oração de ação de graças possui traços próprios que a distinguem e elevam. Santo Tomás de Aquino, comentando as Cartas de São Paulo, aponta cinco qualidades fundamentais dessa forma de oração:
1. Constante: deve acompanhar toda a vida do fiel, em todos os momentos, bons ou difíceis. Inspirada no mandamento paulino de orar sem cessar (cf. 1Ts 5,17), ela é expressão de uma alma vigilante e atenta à presença de Deus.
2. Vigilante: não se trata de uma oração distraída ou apressada, mas de um diálogo atento com Deus. Jesus mesmo passava noites em oração (cf. Lc 6,12), e essa vigilância também se manifesta em um coração sempre pronto a agradecer.
3. Humilde e confiante: nasce do reconhecimento da própria pequenez e da grandeza da misericórdia divina. A alma que reza com ação de graças não exige nem reivindica favores; antes, ela se apresenta diante de Deus com reverência, reconhecendo os benefícios recebidos e pedindo novas graças com confiança filial.
4. Universal: não se limita a causas pessoais, mas se estende à Igreja, ao mundo, aos necessitados, aos inimigos, aos vivos e aos mortos. A oração de ação de graças é solidária e aberta.
5. Integrada: a oração de ação de graças se harmoniza com outras formas de oração. Na prática da lectio divina, por exemplo, o fiel lê e medita a Palavra de Deus, depois responde ao Senhor em oração. Essa resposta muitas vezes assume a forma de súplica, intercessão, louvor e ação de graças, que brotam naturalmente da leitura orante da Escritura.
Além disso, o Catecismo recorda que é o próprio Espírito Santo quem inspira a oração de ação de graças no coração da Igreja (cf. CIC 2644), tornando-a expressão autêntica da vida nova em Cristo.
Que tal conhecer e rezar a Ladainha da Humildade?
A tradição da Igreja nos oferece diversas orações que expressam, de maneira autêntica, o espírito de ação de graças. Algumas são extraídas da própria liturgia; outras, recomendadas para a oração pessoal, especialmente após a Comunhão ou ao final do dia.
Prefácio Comum I da Missa
Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-Vos graças sempre e em todo lugar, Senhor, Pai santo, Deus eterno e todo-poderoso, por Cristo, Senhor nosso.
Salmo 136 (135)
Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, eterna é a sua misericórdia!
Ação de graças após a Comunhão (oração pessoal sugerida)
Senhor Jesus, obrigado por vires a mim neste Sacramento de amor. Permanece em meu coração e faze que minha vida seja reflexo da Tua presença.
Ação de graças por bênçãos recebidas
Bendito sejais, Senhor, pelos dons recebidos neste dia. Tudo vem de Vós: a saúde, a família, o trabalho, a fé. A Vós, toda honra e glória!
Oração “Alma de Cristo”
Alma de Cristo, santificai-me. Corpo de Cristo, salvai-me. Sangue de Cristo, inebriai-me. Água do lado de Cristo, lavrai-me. Paixão de Cristo, confortai-me. Ó bom Jesus, ouvi-me. Dentro de vossas chagas, escondei-me. Não permitais que me separe de Vós. Do espírito maligno, defendei-me. Na hora da morte, chamai-me. E mandai-me ir para Vós, para que vos louve com os vossos santos, por todos os séculos dos séculos. Amém.
Essas orações podem ser rezadas em momentos simples da vida cotidiana: após a Missa, ao final de um dia vivido com fé, depois de uma boa confissão, diante de uma graça alcançada ou ao perceber com clareza a ação de Deus em sua vida. O mais importante é que brotem de um coração sincero e consciente de que tudo vem do Senhor. Assim, nossa oração se une à da Igreja inteira, numa única voz de louvor e reconhecimento ao Pai das misericórdias.
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A oração de ação de graças é uma das expressões mais belas e profundas da fé cristã. Neste artigo, você vai entender seu verdadeiro significado, sua importância na liturgia e na vida cotidiana, além de aprender a rezar com gratidão em todas as circunstâncias.
A oração de ação de graças é uma das formas fundamentais de oração na vida cristã, ao lado da súplica, intercessão, adoração e louvor. Enraizada na própria palavra “Eucaristia” — que vem do grego eucharistía, significando “ação de graças” —, ela revela a atitude da alma que reconhece os dons de Deus com humildade e alegria. O Catecismo da Igreja Católica ensina que esta forma de oração é inseparável da celebração litúrgica e da própria vida da Igreja (cf. CIC 2637).
Mais do que um simples agradecimento, a oração de ação de graças expressa uma disposição constante do coração: reconhecer que tudo vem de Deus e que nenhuma bênção deve ser tomada como garantida. São Paulo, ao escrever aos coríntios, recorda esta verdade com firmeza: “O que tens que não recebeste?” (1Cor 4,7). Com isso, ele nos convida a abandonar toda soberba espiritual e reconhecer que até mesmo nossos méritos são fruto da graça divina. Nada é realmente nosso por direito; tudo é dom — da vida às virtudes, das oportunidades às consolações espirituais. A ação de graças, portanto, nasce do coração humilde que sabe que Deus é a fonte de todo bem.
Conheça também outros tipos de oração.
O principal propósito da oração de ação de graças é reconhecer, com espírito filial, que Deus é o autor de todas as coisas boas e que, sem Ele, nada podemos realizar. Esse tipo de oração nos educa para a humildade, fortalece nossa confiança em Deus e orienta nossa vida espiritual para uma relação mais sincera e amorosa com o Senhor. A gratidão abre o coração para acolher a vontade divina, mesmo em meio às dificuldades, e nos livra da tentação de atribuir a nós mesmos os frutos da graça.
Jesus nos dá o exemplo mais perfeito dessa atitude. Antes mesmo de ressuscitar Lázaro, Ele eleva ao Pai uma oração de gratidão: “Pai, eu Te dou graças por me teres ouvido” (Jo 11,41). A ação de graças precede o milagre, revelando que a confiança em Deus é mais importante do que o resultado visível. Assim também deve ser nossa oração: mais centrada no Doador do que nos dons. A verdadeira gratidão reconhece que estar na presença de Deus já é, em si, uma graça imensa.
São Paulo retoma esse ensinamento de forma constante em suas cartas: “Perseverai na oração, vigiando com ação de graças” (Cl 4,2); “Em todas as circunstâncias, dai graças, pois esta é a vontade de Deus a vosso respeito em Cristo Jesus” (1Ts 5,18). A oração de ação de graças, portanto, é não apenas uma resposta ao que Deus fez, mas uma forma de viver continuamente na presença d’Ele, com o coração sempre disposto a reconhecer e louvar sua bondade.
A ação de graças é muito mais do que um ato isolado de gratidão: ela é um modo de viver diante de Deus. Desde o Antigo Testamento, os justos elevavam orações de louvor e agradecimento ao Senhor, como se vê frequentemente nos Salmos: “Que poderei retribuir ao Senhor por tudo aquilo que Ele me fez?” (Sl 116,12). Essa mesma atitude transparece na vida de Jesus e na prática constante dos apóstolos.
Nos escritos paulinos, especialmente, a ação de graças se torna uma dimensão permanente da vida espiritual. São Paulo não apenas agradece a Deus em suas cartas, mas exorta os fiéis a fazerem o mesmo com perseverança e alegria. Trata-se de reconhecer a presença providente de Deus em todas as situações: na abundância e na escassez, na saúde e na enfermidade, nas vitórias e nas cruzes. É a espiritualidade daquele que sabe que tudo concorre para o bem dos que amam a Deus (cf. Rm 8,28).
Grandes santos da Igreja viveram essa espiritualidade de forma exemplar. São Francisco de Assis, mesmo em meio a sofrimentos físicos, era conhecido por seu coração agradecido e por louvar a Deus em todas as circunstâncias, inclusive na morte. A oração de ação de graças é, portanto, expressão da alma que confia, espera e ama.
Ela transforma a oração pessoal e comunitária, purificando as intenções, aliviando as ansiedades e abrindo o coração para o louvor. Como ensina o CIC, “todo acontecimento pode tornar-se matéria de ação de graças” (CIC 2638). Viver assim é antecipar, já neste mundo, a alegria eterna daqueles que, no Céu, cantarão para sempre: “Graças vos damos, Senhor Deus onipotente” (Ap 11,17).
A expressão mais elevada da oração de ação de graças é a liturgia da Igreja, sobretudo a celebração da Santa Missa. A própria Eucaristia, como indica seu nome, é uma ação de graças solene, na qual a Igreja inteira, unida ao seu Senhor, oferece ao Pai o sacrifício de louvor por todos os benefícios da redenção. Conforme o Catecismo afirma: “A Eucaristia é o sacrifício de ação de graças ao Pai” (CIC 1359).
No coração da liturgia eucarística está a Anáfora, também chamada de Oração Eucarística, que é descrita pelo CIC como “oração de ação de graças e consagração” (CIC 1352). Nela, a Igreja, conduzida pelo Espírito Santo, recorda os feitos salvíficos de Deus, oferece o sacrifício de Cristo e se une ao louvor celeste. Cada prefácio da Missa é uma elevação de ação de graças: “Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-Vos graças sempre e em todo lugar…”
Após a Comunhão, a Igreja recomenda vivamente que se prolongue o espírito de gratidão por meio de orações pessoais e silenciosas. Pio XII, na encíclica Mediator Dei, ensina que esse momento deve ser um “prosseguimento íntimo” da união com Cristo, em que a alma agradece, adora e se deixa transformar pela presença do Senhor (cf. Mediator Dei, 123).
Além da Missa, toda a Liturgia das Horas — especialmente as Laudes e Vésperas — está impregnada de louvor e gratidão. Salmos, hinos e cânticos constituem uma contínua ação de graças que santifica o tempo e eleva a alma para Deus. Assim, a oração litúrgica, pública e comunitária, ensina o fiel a integrar a gratidão no ritmo da vida diária, vivendo cada instante como dom.
A oração de ação de graças não se limita à igreja nem ao momento da Missa: ela pode e deve estar presente nas pequenas e grandes situações da vida. O fiel é convidado a cultivar um espírito de reconhecimento em todas as circunstâncias, como expressão de confiança na providência divina.
Isso pode ser vivido de forma concreta ao acordar, oferecendo o dia a Deus; ao fazer as refeições; ao receber uma boa notícia ou alcançar uma graça; e até mesmo nas dificuldades, reconhecendo que Deus está presente e operando em todas as coisas.
Viver com esse espírito transforma a espiritualidade pessoal. A alma que se volta ao Senhor com reconhecimento está menos sujeita à ansiedade, à murmuração e à ingratidão, e se abre mais facilmente à esperança e à caridade. Mesmo os momentos de sofrimento ganham novo sentido quando são acolhidos com fé e oferecidos como oportunidade de louvor.
Entre os meios que podem ajudar nessa vivência, está a prática de pequenas orações espontâneas ao longo do dia — como jaculatórias simples, por exemplo: “Graças vos dou, Senhor, por tudo!” —, a meditação de salmos como o 136 e o registro ocasional das graças percebidas no cotidiano. Com isso, a oração de ação de graças vai se integrando à vida espiritual do fiel, moldando sua visão sobre o mundo e fortalecendo sua relação com Deus.
A oração de ação de graças possui traços próprios que a distinguem e elevam. Santo Tomás de Aquino, comentando as Cartas de São Paulo, aponta cinco qualidades fundamentais dessa forma de oração:
1. Constante: deve acompanhar toda a vida do fiel, em todos os momentos, bons ou difíceis. Inspirada no mandamento paulino de orar sem cessar (cf. 1Ts 5,17), ela é expressão de uma alma vigilante e atenta à presença de Deus.
2. Vigilante: não se trata de uma oração distraída ou apressada, mas de um diálogo atento com Deus. Jesus mesmo passava noites em oração (cf. Lc 6,12), e essa vigilância também se manifesta em um coração sempre pronto a agradecer.
3. Humilde e confiante: nasce do reconhecimento da própria pequenez e da grandeza da misericórdia divina. A alma que reza com ação de graças não exige nem reivindica favores; antes, ela se apresenta diante de Deus com reverência, reconhecendo os benefícios recebidos e pedindo novas graças com confiança filial.
4. Universal: não se limita a causas pessoais, mas se estende à Igreja, ao mundo, aos necessitados, aos inimigos, aos vivos e aos mortos. A oração de ação de graças é solidária e aberta.
5. Integrada: a oração de ação de graças se harmoniza com outras formas de oração. Na prática da lectio divina, por exemplo, o fiel lê e medita a Palavra de Deus, depois responde ao Senhor em oração. Essa resposta muitas vezes assume a forma de súplica, intercessão, louvor e ação de graças, que brotam naturalmente da leitura orante da Escritura.
Além disso, o Catecismo recorda que é o próprio Espírito Santo quem inspira a oração de ação de graças no coração da Igreja (cf. CIC 2644), tornando-a expressão autêntica da vida nova em Cristo.
Que tal conhecer e rezar a Ladainha da Humildade?
A tradição da Igreja nos oferece diversas orações que expressam, de maneira autêntica, o espírito de ação de graças. Algumas são extraídas da própria liturgia; outras, recomendadas para a oração pessoal, especialmente após a Comunhão ou ao final do dia.
Prefácio Comum I da Missa
Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-Vos graças sempre e em todo lugar, Senhor, Pai santo, Deus eterno e todo-poderoso, por Cristo, Senhor nosso.
Salmo 136 (135)
Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, eterna é a sua misericórdia!
Ação de graças após a Comunhão (oração pessoal sugerida)
Senhor Jesus, obrigado por vires a mim neste Sacramento de amor. Permanece em meu coração e faze que minha vida seja reflexo da Tua presença.
Ação de graças por bênçãos recebidas
Bendito sejais, Senhor, pelos dons recebidos neste dia. Tudo vem de Vós: a saúde, a família, o trabalho, a fé. A Vós, toda honra e glória!
Oração “Alma de Cristo”
Alma de Cristo, santificai-me. Corpo de Cristo, salvai-me. Sangue de Cristo, inebriai-me. Água do lado de Cristo, lavrai-me. Paixão de Cristo, confortai-me. Ó bom Jesus, ouvi-me. Dentro de vossas chagas, escondei-me. Não permitais que me separe de Vós. Do espírito maligno, defendei-me. Na hora da morte, chamai-me. E mandai-me ir para Vós, para que vos louve com os vossos santos, por todos os séculos dos séculos. Amém.
Essas orações podem ser rezadas em momentos simples da vida cotidiana: após a Missa, ao final de um dia vivido com fé, depois de uma boa confissão, diante de uma graça alcançada ou ao perceber com clareza a ação de Deus em sua vida. O mais importante é que brotem de um coração sincero e consciente de que tudo vem do Senhor. Assim, nossa oração se une à da Igreja inteira, numa única voz de louvor e reconhecimento ao Pai das misericórdias.