Conheça a história do Beato João Schiavo, missionário italiano que dedicou sua vida no Brasil à formação de vocações e à educação dos jovens.
Conheça a história do Beato João Schiavo, missionário italiano que dedicou sua vida no Brasil à formação de vocações e à educação dos jovens.
O Beato João Schiavo foi um missionário italiano que dedicou décadas de serviço ao Brasil. Sacerdote da Congregação de São José, cujos membros são conhecidos como Josefinos de Murialdo, destacou-se pela formação de vocações e pela educação de crianças e jovens. Também dedicou especial atenção aos menores em situação de vulnerabilidade, sempre com profundo espírito de humildade.
Marcado pela oração, pela confiança na Providência e pela dedicação silenciosa ao bem, deixou no Rio Grande do Sul, especialmente em Ana Rech, Fazenda Souza e Caxias do Sul, um legado espiritual e educativo que permanece vivo. Conheça a história do Beato João Schiavo e descubra por que esse missionário continua a inspirar a Igreja no Brasil.
O Beato João Schiavo foi um sacerdote italiano, religioso dos Josefinos de Murialdo, enviado ao Brasil como missionário em 1931. Seu nome de batismo era Giovanni Schiavo, mas, em terras brasileiras, ficou conhecido como Padre João Schiavo.
A missão de Padre João esteve profundamente ligada à formação de seminaristas, religiosos, religiosas e jovens. Como educador, diretor espiritual, formador, animador vocacional e responsável por diversas obras sociais e educativas, viveu uma santidade discreta, construída nas tarefas cotidianas, na obediência, na oração e no serviço.
Para a Igreja no Brasil, o Beato João Schiavo é uma referência de santidade sacerdotal e missionária. Seu testemunho mostra que formar pessoas, educar jovens e cuidar dos mais vulneráveis também são caminhos concretos de evangelização.
João Schiavo nasceu em 8 de julho de 1903, em Sant’Urbano, distrito de Montecchio Maggiore, na região do Vêneto, província de Vicenza, no norte da Itália.
Filho de Luigi Schiavo e Rosa Fattorelli Schiavo, foi o primeiro de nove irmãos em uma família simples, pobre e profundamente católica. O pai trabalhava como sapateiro, enquanto a mãe cuidava da casa e da formação dos filhos.
Desde cedo, João aprendeu o valor do sacrifício, da oração, do trabalho e da caridade. A infância também foi marcada por sofrimento: ainda pequeno, enfrentou enfermidades graves, como meningite e paralisia, chegando a correr risco de morte. A recuperação foi preservada na memória familiar e espiritual como sinal de especial proteção de Deus.
Quando criança, foi coroinha e participava com fervor da vida paroquial. O ambiente familiar e religioso em que cresceu favoreceu o amadurecimento de sua vocação sacerdotal e missionária.
O Beato João Schiavo faleceu em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, em 27 de janeiro de 1967.
Nos últimos meses de vida, sua saúde se agravou rapidamente. Morreu cercado pela fama de santidade, depois de décadas dedicadas à formação, à educação, ao cuidado dos jovens e ao serviço religioso no Brasil.
A memória deixada entre os fiéis, religiosos, seminaristas e pessoas que conviveram com ele era a de um sacerdote humilde, bom, disponível e inteiramente entregue à vontade de Deus.
João Schiavo viveu a infância e a juventude na Itália, onde recebeu formação cristã, estudou e ingressou na Congregação dos Josefinos de Murialdo.
Depois da ordenação sacerdotal, foi enviado ao Brasil. Chegou ao Rio Grande do Sul em 1931 e passou por Jaguarão antes de ser transferido para Ana Rech, em Caxias do Sul. Sua atuação ficou especialmente ligada a Ana Rech, Fazenda Souza e Caxias do Sul, onde serviu como formador, educador, diretor espiritual e responsável por obras sociais e religiosas.
Também participou da expansão das obras murialdinas em outras cidades do Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, sempre com atenção especial à juventude, aos pobres e à formação cristã.
A missão do Beato João Schiavo no Brasil está ligada ao contexto da imigração italiana no sul do país e ao crescimento da Igreja na região durante a primeira metade do século XX.
No Rio Grande do Sul, muitas comunidades formadas por descendentes de imigrantes italianos conservavam forte religiosidade, vida familiar intensa, devoção popular e grande valorização da educação. Ao mesmo tempo, enfrentavam dificuldades próprias de uma região em formação: pobreza, isolamento, necessidade de escolas, formação religiosa e organização comunitária.
A Igreja atuava nesse ambiente por meio de paróquias, seminários, escolas, obras sociais e congregações religiosas. A formação de vocações era essencial para sustentar a vida cristã nas comunidades e garantir a continuidade da missão.
Foi nesse cenário que Padre João Schiavo desenvolveu sua obra. No sul do Brasil, encontrou comunidades de fé viva, mas também marcadas por muitas necessidades. Sua resposta foi formar pessoas: seminaristas, religiosos, religiosas, professores, crianças, jovens e famílias.
A trajetória do Beato João Schiavo revela uma vocação amadurecida na simplicidade e frutificada no serviço. Sua missão brotou de uma vida profundamente religiosa e tornou-se fecunda no Brasil por meio da educação, da formação e da caridade.
João cresceu em uma família numerosa e pobre, mas muito enraizada na fé. Desde pequeno, ajudava nas tarefas domésticas, participava da vida da Igreja e servia como coroinha. A vida simples da família ensinou-lhe a trabalhar, rezar e servir.
Depois de iniciar os estudos em sua terra natal, passou a frequentar a Escola Apostólica de Montecchio Maggiore. Ainda jovem, ingressou na Congregação de São José, fundada por São Leonardo Murialdo, dedicada especialmente à educação cristã da juventude pobre e abandonada.
Em 1918, iniciou sua caminhada mais direta na vida religiosa josefina. No ano seguinte, fez sua primeira profissão religiosa. Durante os anos de formação, estudou Filosofia e Teologia, exerceu atividades educativas e apostólicas e amadureceu o desejo de ser sacerdote e missionário.
Ordenado sacerdote em 1927, passou a orientar toda a vida pelo ministério sacerdotal. Poucos anos depois, ao receber dos superiores o envio ao Brasil, acolheu esse chamado com alegria e obediência.
Padre João Schiavo chegou ao Brasil em 1931. Primeiro esteve em Jaguarão, no Rio Grande do Sul, e depois foi enviado para Ana Rech, em Caxias do Sul, onde iniciou uma longa e fecunda missão.
Em Ana Rech, atuou como professor e orientador de seminaristas. A partir de 1932, passou a acompanhar de modo intenso os seminaristas e noviços da Congregação, tarefa que se tornaria uma das marcas mais fortes de sua vida.
Em 1940, iniciou a construção do Seminário Josefino de Fazenda Souza, inaugurado em 1941. O seminário tornou-se um centro importante para a formação de jovens e para o crescimento da presença dos Josefinos de Murialdo no Brasil.
Também participou da criação e consolidação de obras educativas. A Escola Normal Rural Murialdo, vinculada ao ambiente de Ana Rech, teve grande importância na formação de professores, especialmente para regiões do interior. Por meio dela, Padre João colaborou para que a educação chegasse a muitos jovens e comunidades.
Em 1947, deu início às atividades do Abrigo de Menores São José, em Caxias do Sul, voltado ao acolhimento de meninos abandonados e em situação de vulnerabilidade. Essa obra expressa de modo muito claro o carisma murialdino: cuidar da juventude pobre, educar, proteger e oferecer futuro.
Padre João também teve papel importante na implantação das Irmãs Murialdinas de São José no Brasil. Em 1954, acompanhou o início do primeiro grupo em Fazenda Souza, tornando-se animador, orientador e pai espiritual dessa presença feminina ligada ao carisma de São Leonardo Murialdo.
Além disso, exerceu responsabilidades de governo na Congregação. Foi o primeiro provincial dos Josefinos no Brasil, ajudando a estruturar a presença da Congregação em terras brasileiras e a expandir obras religiosas, educativas e sociais.
A espiritualidade do Beato João Schiavo era profundamente centrada na vontade de Deus. Uma de suas grandes preocupações era fazer tudo por Deus, para Deus e conforme a vontade divina.
A oração ocupava lugar central em sua espiritualidade. Cultivava a adoração eucarística, o amor ao Santíssimo Sacramento, a devoção à Virgem Maria e a São José. A Eucaristia sustentava sua vida interior e alimentava seu zelo apostólico.
A devoção mariana também ocupava um lugar especial em seu coração. Padre João desejava amar Nossa Senhora com ternura, invocá-la com confiança e imitá-la com perseverança. Essa espiritualidade dava a seu ministério um tom de mansidão, acolhimento e confiança.
A humildade era uma das virtudes mais visíveis em sua vida. Ele não buscava aparecer, não atribuía a si os frutos da missão e sabia pedir desculpas quando percebia ter errado. Os testemunhos apresentam um sacerdote simples, sereno, próximo e atento às pessoas.
Seu lema espiritual pode ser resumido na frase: “Sempre fazer o bem, bem!”. Para Padre João, não bastava praticar o bem; era preciso fazê-lo com amor, cuidado, retidão de intenção e generosidade. A santidade, para ele, estava também nas pequenas ações feitas com grande amor.
A contribuição do Beato João Schiavo para a fé no Brasil permanece atual porque sua missão atingiu uma dimensão essencial da vida da Igreja: a formação.
Ele formou vocações sacerdotais e religiosas, ajudando jovens a discernir o chamado de Deus e a viver com seriedade a vida cristã. Seu trabalho como formador mostra que a evangelização não depende apenas de grandes eventos, mas também do acompanhamento paciente das pessoas.
Sua dedicação à educação cristã de crianças e jovens revela outro aspecto central de seu legado. Para ele, educar era evangelizar, promover a dignidade humana e preparar pessoas capazes de servir à sociedade e à Igreja.
O cuidado com menores em situação de vulnerabilidade também permanece como testemunho profético. O Abrigo de Menores São José e outras obras ligadas à sua missão mostram que a caridade cristã precisa alcançar aqueles que mais sofrem, especialmente crianças e jovens abandonados.
Padre João viveu tudo isso com confiança na Providência. Não tinha grandes recursos, mas possuía grande fé. Diante das dificuldades, repetia com a vida que Deus conduz suas obras quando encontra corações disponíveis.
O exemplo de Padre João também ilumina a vida cotidiana. A santidade de Padre João não foi marcada por gestos espetaculares, mas por fidelidade, humildade, oração, trabalho, educação, escuta e perseverança. Ele mostra que o bem feito com amor, mesmo quando escondido, pode transformar gerações.
A causa de beatificação do Beato João Schiavo nasceu da fama de santidade conservada entre os fiéis, religiosos, religiosas e pessoas que conviveram com ele.
Após sua morte, em 1967, a memória de Padre João permaneceu viva, especialmente em Caxias do Sul, Fazenda Souza, Ana Rech e entre as obras murialdinas. Com o passar dos anos, cresceu a devoção ao sacerdote e o reconhecimento de sua vida virtuosa.
A fase diocesana da causa foi realizada em Caxias do Sul, reunindo testemunhos, documentos e elementos sobre sua vida, suas virtudes e sua fama de santidade. Em 2015, o Papa Francisco reconheceu suas virtudes heroicas, e Padre João Schiavo foi declarado Venerável.
O milagre reconhecido para sua beatificação foi a cura de Juvelino Cara, morador de Caxias do Sul. Em 1997, ele foi diagnosticado com trombose mesentérica venosa superior aguda, com infarto intestinal e peritonite generalizada, em um quadro clínico gravíssimo e sem perspectiva humana de recuperação.
Durante a internação, sua esposa, Lourdes Cara, rezou pedindo a intercessão de Padre João Schiavo. Poucas horas depois, Juvelino apresentou melhora surpreendente, recuperou-se completamente e recebeu alta sem sequelas. O caso foi analisado pela Igreja e considerado rápido, completo, duradouro e sem explicação científica.
A beatificação foi celebrada em Caxias do Sul, no dia 28 de outubro de 2017, presidida pelo Cardeal Angelo Amato, representante do Papa Francisco. Para que seja declarado santo, ou seja, canonizado, é necessário o reconhecimento de um novo milagre atribuído à sua intercessão, ocorrido após a beatificação.
A memória do Beato João Schiavo permanece especialmente ligada a Fazenda Souza, em Caxias do Sul, onde se encontra seu túmulo. Muitos fiéis visitam o local para rezar e agradecer pelas graças recebidas.
O Beato João Schiavo está sepultado na Capela do Beato João Schiavo, em Fazenda Souza, distrito de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul.
O local tornou-se ponto de oração e peregrinação. Fiéis visitam a capela para pedir sua intercessão, agradecer pelas graças alcançadas e conhecer melhor sua vida. A presença de seu túmulo ali mantém viva a ligação entre Padre João, a comunidade local, os Josefinos de Murialdo e as Irmãs Murialdinas.
A capela é especialmente importante porque a Fazenda Souza foi um dos centros de sua missão formativa e espiritual.
Sim. A principal referência de veneração é o túmulo do Beato João Schiavo, conservado na capela de Fazenda Souza.
Também há relíquias preservadas e distribuídas em contexto devocional, especialmente por meio das religiosas e das comunidades ligadas à sua memória. Como em toda devoção católica, a veneração das relíquias não substitui a adoração devida somente a Deus. Ela expressa a fé na comunhão dos santos e recorda a ação da graça em uma vida concreta.
A devoção ao Beato João Schiavo permanece viva entre os Josefinos de Murialdo, as Irmãs Murialdinas, os fiéis de Caxias do Sul e todos aqueles que se aproximam de sua história de humildade, oração e serviço.
O principal local ligado à sua memória é a Capela do Beato João Schiavo, em Fazenda Souza, Caxias do Sul. Ali se encontra seu túmulo, e no local são realizadas celebrações, missas, momentos de oração e peregrinações.
A festa litúrgica do Beato João Schiavo é celebrada em 8 de julho, data de seu nascimento. Embora seu falecimento tenha ocorrido em 27 de janeiro de 1967, a memória litúrgica foi fixada em julho, associando a celebração ao dom de sua vida e à missão que frutificou no Brasil.
Além da capela, sua memória permanece viva em obras murialdinas, escolas, comunidades religiosas e instituições educativas vinculadas ao carisma de São Leonardo Murialdo. Esses espaços continuam a transmitir seu legado de formação, caridade e cuidado com a juventude.
A devoção ao Beato João Schiavo se expressa por meio de pedidos de intercessão, visitas ao túmulo, participação nas celebrações, orações por vocações sacerdotais e religiosas, além de pedidos por famílias, jovens, crianças, educadores e pessoas em sofrimento.
Uma oração que pede sua intercessão diz:
Deus de bondade e misericórdia, nós vos louvamos e vos bendizemos pela vida e santidade do Bem-aventurado Pe. João Schiavo. Dai-nos, por sua intercessão, a graça de vivermos como ele viveu, na total disposição à vossa vontade, em profundo amor e adoração à Eucaristia, em grande devoção à Virgem Maria e a São José e na escuta delicada e atenta a todas as pessoas, especialmente às mais pobres e necessitadas.
Fazei que possamos viver com o coração alegre e generoso. Concedei-nos, por sua intercessão, a graça de que tanto precisamos. Nós vos pedimos também, ó Deus, que Pe. João Schiavo seja proclamado santo para o bem da Igreja e para a vossa maior glória. Amém.
Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória.
Essa oração expressa os elementos centrais de sua espiritualidade: disposição à vontade de Deus, amor à Eucaristia, devoção a Nossa Senhora e a São José, atenção aos pobres e confiança na santidade como caminho possível no cotidiano.
O Beato João Schiavo ocupa um lugar importante na história da Igreja no Brasil. Missionário italiano, tornou-se profundamente brasileiro pelo amor à juventude, pela formação de vocações e pelo serviço humilde às comunidades do Rio Grande do Sul.
O legado de Padre João permanece nas obras educativas, sociais e religiosas que ajudou a formar, mas também no testemunho silencioso de uma vida entregue ao bem. Ele ensinou que a santidade se constrói na oração fiel, na humildade, na escuta e na dedicação aos pequenos.
Ao recordar o Beato João Schiavo, a Igreja no Brasil contempla um sacerdote que viveu para formar, educar, servir e santificar, inspirando todos os que desejam “sempre fazer o bem, bem”, com confiança na Providência e coração voltado para Deus.
Referências
BEATO JOÃO SCHIAVO. Biografia do Pe. João Schiavo. Disponível em: https://www.beatojoaoschiavo.com.br/pagina/biografia.
BEATO JOÃO SCHIAVO. Oração ao Beato João Schiavo. Disponível em: https://www.beatojoaoschiavo.com.br/pagina/oracao-ao-beato-joao-schiavo.
DICASTÉRIO PARA AS CAUSAS DOS SANTOS. Giovanni Schiavo (1903-1967). Disponível em: https://www.causesanti.va/it/santi-e-beati/giovanni-schiavo.html.
DICASTÉRIO PARA AS CAUSAS DOS SANTOS. Decreti Pubblicati nel 2015. Disponível em: https://www.causesanti.va/it/archivio-del-dicastero-cause-santi/promulgazione-decreti/decreti-pubblicati-nel-2015.html.
DICASTÉRIO PARA AS CAUSAS DOS SANTOS. Decreti Pubblicati nel 2016. Disponível em: https://www.causesanti.va/it/archivio-del-dicastero-cause-santi/promulgazione-decreti/decreti-pubblicati-nel-2016.html.
DIOCESE DE CAXIAS DO SUL. Fazenda Souza sedia festejos em honra ao Beato João Schiavo. Disponível em: https://diocesedecaxias.org.br/noticias/fazenda-souza-sedia-festejos-em-honra-ao-beato-joao-schiavo.
TORESIN, Everton. Beato João Schiavo — O educador da Serra Gaúcha. In: Santidade no Brasil. Minha Biblioteca Católica, p. 577-611.
VATICAN NEWS. Pe. João Schiavo: dedicação e amor ao próximo. Disponível em: https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2017-10/pe–joao-schiavo–dedicacao-e-amor-ao-proximo.html.
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O Beato João Schiavo foi um missionário italiano que dedicou décadas de serviço ao Brasil. Sacerdote da Congregação de São José, cujos membros são conhecidos como Josefinos de Murialdo, destacou-se pela formação de vocações e pela educação de crianças e jovens. Também dedicou especial atenção aos menores em situação de vulnerabilidade, sempre com profundo espírito de humildade.
Marcado pela oração, pela confiança na Providência e pela dedicação silenciosa ao bem, deixou no Rio Grande do Sul, especialmente em Ana Rech, Fazenda Souza e Caxias do Sul, um legado espiritual e educativo que permanece vivo. Conheça a história do Beato João Schiavo e descubra por que esse missionário continua a inspirar a Igreja no Brasil.
O Beato João Schiavo foi um sacerdote italiano, religioso dos Josefinos de Murialdo, enviado ao Brasil como missionário em 1931. Seu nome de batismo era Giovanni Schiavo, mas, em terras brasileiras, ficou conhecido como Padre João Schiavo.
A missão de Padre João esteve profundamente ligada à formação de seminaristas, religiosos, religiosas e jovens. Como educador, diretor espiritual, formador, animador vocacional e responsável por diversas obras sociais e educativas, viveu uma santidade discreta, construída nas tarefas cotidianas, na obediência, na oração e no serviço.
Para a Igreja no Brasil, o Beato João Schiavo é uma referência de santidade sacerdotal e missionária. Seu testemunho mostra que formar pessoas, educar jovens e cuidar dos mais vulneráveis também são caminhos concretos de evangelização.
João Schiavo nasceu em 8 de julho de 1903, em Sant’Urbano, distrito de Montecchio Maggiore, na região do Vêneto, província de Vicenza, no norte da Itália.
Filho de Luigi Schiavo e Rosa Fattorelli Schiavo, foi o primeiro de nove irmãos em uma família simples, pobre e profundamente católica. O pai trabalhava como sapateiro, enquanto a mãe cuidava da casa e da formação dos filhos.
Desde cedo, João aprendeu o valor do sacrifício, da oração, do trabalho e da caridade. A infância também foi marcada por sofrimento: ainda pequeno, enfrentou enfermidades graves, como meningite e paralisia, chegando a correr risco de morte. A recuperação foi preservada na memória familiar e espiritual como sinal de especial proteção de Deus.
Quando criança, foi coroinha e participava com fervor da vida paroquial. O ambiente familiar e religioso em que cresceu favoreceu o amadurecimento de sua vocação sacerdotal e missionária.
O Beato João Schiavo faleceu em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, em 27 de janeiro de 1967.
Nos últimos meses de vida, sua saúde se agravou rapidamente. Morreu cercado pela fama de santidade, depois de décadas dedicadas à formação, à educação, ao cuidado dos jovens e ao serviço religioso no Brasil.
A memória deixada entre os fiéis, religiosos, seminaristas e pessoas que conviveram com ele era a de um sacerdote humilde, bom, disponível e inteiramente entregue à vontade de Deus.
João Schiavo viveu a infância e a juventude na Itália, onde recebeu formação cristã, estudou e ingressou na Congregação dos Josefinos de Murialdo.
Depois da ordenação sacerdotal, foi enviado ao Brasil. Chegou ao Rio Grande do Sul em 1931 e passou por Jaguarão antes de ser transferido para Ana Rech, em Caxias do Sul. Sua atuação ficou especialmente ligada a Ana Rech, Fazenda Souza e Caxias do Sul, onde serviu como formador, educador, diretor espiritual e responsável por obras sociais e religiosas.
Também participou da expansão das obras murialdinas em outras cidades do Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, sempre com atenção especial à juventude, aos pobres e à formação cristã.
A missão do Beato João Schiavo no Brasil está ligada ao contexto da imigração italiana no sul do país e ao crescimento da Igreja na região durante a primeira metade do século XX.
No Rio Grande do Sul, muitas comunidades formadas por descendentes de imigrantes italianos conservavam forte religiosidade, vida familiar intensa, devoção popular e grande valorização da educação. Ao mesmo tempo, enfrentavam dificuldades próprias de uma região em formação: pobreza, isolamento, necessidade de escolas, formação religiosa e organização comunitária.
A Igreja atuava nesse ambiente por meio de paróquias, seminários, escolas, obras sociais e congregações religiosas. A formação de vocações era essencial para sustentar a vida cristã nas comunidades e garantir a continuidade da missão.
Foi nesse cenário que Padre João Schiavo desenvolveu sua obra. No sul do Brasil, encontrou comunidades de fé viva, mas também marcadas por muitas necessidades. Sua resposta foi formar pessoas: seminaristas, religiosos, religiosas, professores, crianças, jovens e famílias.
A trajetória do Beato João Schiavo revela uma vocação amadurecida na simplicidade e frutificada no serviço. Sua missão brotou de uma vida profundamente religiosa e tornou-se fecunda no Brasil por meio da educação, da formação e da caridade.
João cresceu em uma família numerosa e pobre, mas muito enraizada na fé. Desde pequeno, ajudava nas tarefas domésticas, participava da vida da Igreja e servia como coroinha. A vida simples da família ensinou-lhe a trabalhar, rezar e servir.
Depois de iniciar os estudos em sua terra natal, passou a frequentar a Escola Apostólica de Montecchio Maggiore. Ainda jovem, ingressou na Congregação de São José, fundada por São Leonardo Murialdo, dedicada especialmente à educação cristã da juventude pobre e abandonada.
Em 1918, iniciou sua caminhada mais direta na vida religiosa josefina. No ano seguinte, fez sua primeira profissão religiosa. Durante os anos de formação, estudou Filosofia e Teologia, exerceu atividades educativas e apostólicas e amadureceu o desejo de ser sacerdote e missionário.
Ordenado sacerdote em 1927, passou a orientar toda a vida pelo ministério sacerdotal. Poucos anos depois, ao receber dos superiores o envio ao Brasil, acolheu esse chamado com alegria e obediência.
Padre João Schiavo chegou ao Brasil em 1931. Primeiro esteve em Jaguarão, no Rio Grande do Sul, e depois foi enviado para Ana Rech, em Caxias do Sul, onde iniciou uma longa e fecunda missão.
Em Ana Rech, atuou como professor e orientador de seminaristas. A partir de 1932, passou a acompanhar de modo intenso os seminaristas e noviços da Congregação, tarefa que se tornaria uma das marcas mais fortes de sua vida.
Em 1940, iniciou a construção do Seminário Josefino de Fazenda Souza, inaugurado em 1941. O seminário tornou-se um centro importante para a formação de jovens e para o crescimento da presença dos Josefinos de Murialdo no Brasil.
Também participou da criação e consolidação de obras educativas. A Escola Normal Rural Murialdo, vinculada ao ambiente de Ana Rech, teve grande importância na formação de professores, especialmente para regiões do interior. Por meio dela, Padre João colaborou para que a educação chegasse a muitos jovens e comunidades.
Em 1947, deu início às atividades do Abrigo de Menores São José, em Caxias do Sul, voltado ao acolhimento de meninos abandonados e em situação de vulnerabilidade. Essa obra expressa de modo muito claro o carisma murialdino: cuidar da juventude pobre, educar, proteger e oferecer futuro.
Padre João também teve papel importante na implantação das Irmãs Murialdinas de São José no Brasil. Em 1954, acompanhou o início do primeiro grupo em Fazenda Souza, tornando-se animador, orientador e pai espiritual dessa presença feminina ligada ao carisma de São Leonardo Murialdo.
Além disso, exerceu responsabilidades de governo na Congregação. Foi o primeiro provincial dos Josefinos no Brasil, ajudando a estruturar a presença da Congregação em terras brasileiras e a expandir obras religiosas, educativas e sociais.
A espiritualidade do Beato João Schiavo era profundamente centrada na vontade de Deus. Uma de suas grandes preocupações era fazer tudo por Deus, para Deus e conforme a vontade divina.
A oração ocupava lugar central em sua espiritualidade. Cultivava a adoração eucarística, o amor ao Santíssimo Sacramento, a devoção à Virgem Maria e a São José. A Eucaristia sustentava sua vida interior e alimentava seu zelo apostólico.
A devoção mariana também ocupava um lugar especial em seu coração. Padre João desejava amar Nossa Senhora com ternura, invocá-la com confiança e imitá-la com perseverança. Essa espiritualidade dava a seu ministério um tom de mansidão, acolhimento e confiança.
A humildade era uma das virtudes mais visíveis em sua vida. Ele não buscava aparecer, não atribuía a si os frutos da missão e sabia pedir desculpas quando percebia ter errado. Os testemunhos apresentam um sacerdote simples, sereno, próximo e atento às pessoas.
Seu lema espiritual pode ser resumido na frase: “Sempre fazer o bem, bem!”. Para Padre João, não bastava praticar o bem; era preciso fazê-lo com amor, cuidado, retidão de intenção e generosidade. A santidade, para ele, estava também nas pequenas ações feitas com grande amor.
A contribuição do Beato João Schiavo para a fé no Brasil permanece atual porque sua missão atingiu uma dimensão essencial da vida da Igreja: a formação.
Ele formou vocações sacerdotais e religiosas, ajudando jovens a discernir o chamado de Deus e a viver com seriedade a vida cristã. Seu trabalho como formador mostra que a evangelização não depende apenas de grandes eventos, mas também do acompanhamento paciente das pessoas.
Sua dedicação à educação cristã de crianças e jovens revela outro aspecto central de seu legado. Para ele, educar era evangelizar, promover a dignidade humana e preparar pessoas capazes de servir à sociedade e à Igreja.
O cuidado com menores em situação de vulnerabilidade também permanece como testemunho profético. O Abrigo de Menores São José e outras obras ligadas à sua missão mostram que a caridade cristã precisa alcançar aqueles que mais sofrem, especialmente crianças e jovens abandonados.
Padre João viveu tudo isso com confiança na Providência. Não tinha grandes recursos, mas possuía grande fé. Diante das dificuldades, repetia com a vida que Deus conduz suas obras quando encontra corações disponíveis.
O exemplo de Padre João também ilumina a vida cotidiana. A santidade de Padre João não foi marcada por gestos espetaculares, mas por fidelidade, humildade, oração, trabalho, educação, escuta e perseverança. Ele mostra que o bem feito com amor, mesmo quando escondido, pode transformar gerações.
A causa de beatificação do Beato João Schiavo nasceu da fama de santidade conservada entre os fiéis, religiosos, religiosas e pessoas que conviveram com ele.
Após sua morte, em 1967, a memória de Padre João permaneceu viva, especialmente em Caxias do Sul, Fazenda Souza, Ana Rech e entre as obras murialdinas. Com o passar dos anos, cresceu a devoção ao sacerdote e o reconhecimento de sua vida virtuosa.
A fase diocesana da causa foi realizada em Caxias do Sul, reunindo testemunhos, documentos e elementos sobre sua vida, suas virtudes e sua fama de santidade. Em 2015, o Papa Francisco reconheceu suas virtudes heroicas, e Padre João Schiavo foi declarado Venerável.
O milagre reconhecido para sua beatificação foi a cura de Juvelino Cara, morador de Caxias do Sul. Em 1997, ele foi diagnosticado com trombose mesentérica venosa superior aguda, com infarto intestinal e peritonite generalizada, em um quadro clínico gravíssimo e sem perspectiva humana de recuperação.
Durante a internação, sua esposa, Lourdes Cara, rezou pedindo a intercessão de Padre João Schiavo. Poucas horas depois, Juvelino apresentou melhora surpreendente, recuperou-se completamente e recebeu alta sem sequelas. O caso foi analisado pela Igreja e considerado rápido, completo, duradouro e sem explicação científica.
A beatificação foi celebrada em Caxias do Sul, no dia 28 de outubro de 2017, presidida pelo Cardeal Angelo Amato, representante do Papa Francisco. Para que seja declarado santo, ou seja, canonizado, é necessário o reconhecimento de um novo milagre atribuído à sua intercessão, ocorrido após a beatificação.
A memória do Beato João Schiavo permanece especialmente ligada a Fazenda Souza, em Caxias do Sul, onde se encontra seu túmulo. Muitos fiéis visitam o local para rezar e agradecer pelas graças recebidas.
O Beato João Schiavo está sepultado na Capela do Beato João Schiavo, em Fazenda Souza, distrito de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul.
O local tornou-se ponto de oração e peregrinação. Fiéis visitam a capela para pedir sua intercessão, agradecer pelas graças alcançadas e conhecer melhor sua vida. A presença de seu túmulo ali mantém viva a ligação entre Padre João, a comunidade local, os Josefinos de Murialdo e as Irmãs Murialdinas.
A capela é especialmente importante porque a Fazenda Souza foi um dos centros de sua missão formativa e espiritual.
Sim. A principal referência de veneração é o túmulo do Beato João Schiavo, conservado na capela de Fazenda Souza.
Também há relíquias preservadas e distribuídas em contexto devocional, especialmente por meio das religiosas e das comunidades ligadas à sua memória. Como em toda devoção católica, a veneração das relíquias não substitui a adoração devida somente a Deus. Ela expressa a fé na comunhão dos santos e recorda a ação da graça em uma vida concreta.
A devoção ao Beato João Schiavo permanece viva entre os Josefinos de Murialdo, as Irmãs Murialdinas, os fiéis de Caxias do Sul e todos aqueles que se aproximam de sua história de humildade, oração e serviço.
O principal local ligado à sua memória é a Capela do Beato João Schiavo, em Fazenda Souza, Caxias do Sul. Ali se encontra seu túmulo, e no local são realizadas celebrações, missas, momentos de oração e peregrinações.
A festa litúrgica do Beato João Schiavo é celebrada em 8 de julho, data de seu nascimento. Embora seu falecimento tenha ocorrido em 27 de janeiro de 1967, a memória litúrgica foi fixada em julho, associando a celebração ao dom de sua vida e à missão que frutificou no Brasil.
Além da capela, sua memória permanece viva em obras murialdinas, escolas, comunidades religiosas e instituições educativas vinculadas ao carisma de São Leonardo Murialdo. Esses espaços continuam a transmitir seu legado de formação, caridade e cuidado com a juventude.
A devoção ao Beato João Schiavo se expressa por meio de pedidos de intercessão, visitas ao túmulo, participação nas celebrações, orações por vocações sacerdotais e religiosas, além de pedidos por famílias, jovens, crianças, educadores e pessoas em sofrimento.
Uma oração que pede sua intercessão diz:
Deus de bondade e misericórdia, nós vos louvamos e vos bendizemos pela vida e santidade do Bem-aventurado Pe. João Schiavo. Dai-nos, por sua intercessão, a graça de vivermos como ele viveu, na total disposição à vossa vontade, em profundo amor e adoração à Eucaristia, em grande devoção à Virgem Maria e a São José e na escuta delicada e atenta a todas as pessoas, especialmente às mais pobres e necessitadas.
Fazei que possamos viver com o coração alegre e generoso. Concedei-nos, por sua intercessão, a graça de que tanto precisamos. Nós vos pedimos também, ó Deus, que Pe. João Schiavo seja proclamado santo para o bem da Igreja e para a vossa maior glória. Amém.
Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória.
Essa oração expressa os elementos centrais de sua espiritualidade: disposição à vontade de Deus, amor à Eucaristia, devoção a Nossa Senhora e a São José, atenção aos pobres e confiança na santidade como caminho possível no cotidiano.
O Beato João Schiavo ocupa um lugar importante na história da Igreja no Brasil. Missionário italiano, tornou-se profundamente brasileiro pelo amor à juventude, pela formação de vocações e pelo serviço humilde às comunidades do Rio Grande do Sul.
O legado de Padre João permanece nas obras educativas, sociais e religiosas que ajudou a formar, mas também no testemunho silencioso de uma vida entregue ao bem. Ele ensinou que a santidade se constrói na oração fiel, na humildade, na escuta e na dedicação aos pequenos.
Ao recordar o Beato João Schiavo, a Igreja no Brasil contempla um sacerdote que viveu para formar, educar, servir e santificar, inspirando todos os que desejam “sempre fazer o bem, bem”, com confiança na Providência e coração voltado para Deus.
Referências
BEATO JOÃO SCHIAVO. Biografia do Pe. João Schiavo. Disponível em: https://www.beatojoaoschiavo.com.br/pagina/biografia.
BEATO JOÃO SCHIAVO. Oração ao Beato João Schiavo. Disponível em: https://www.beatojoaoschiavo.com.br/pagina/oracao-ao-beato-joao-schiavo.
DICASTÉRIO PARA AS CAUSAS DOS SANTOS. Giovanni Schiavo (1903-1967). Disponível em: https://www.causesanti.va/it/santi-e-beati/giovanni-schiavo.html.
DICASTÉRIO PARA AS CAUSAS DOS SANTOS. Decreti Pubblicati nel 2015. Disponível em: https://www.causesanti.va/it/archivio-del-dicastero-cause-santi/promulgazione-decreti/decreti-pubblicati-nel-2015.html.
DICASTÉRIO PARA AS CAUSAS DOS SANTOS. Decreti Pubblicati nel 2016. Disponível em: https://www.causesanti.va/it/archivio-del-dicastero-cause-santi/promulgazione-decreti/decreti-pubblicati-nel-2016.html.
DIOCESE DE CAXIAS DO SUL. Fazenda Souza sedia festejos em honra ao Beato João Schiavo. Disponível em: https://diocesedecaxias.org.br/noticias/fazenda-souza-sedia-festejos-em-honra-ao-beato-joao-schiavo.
TORESIN, Everton. Beato João Schiavo — O educador da Serra Gaúcha. In: Santidade no Brasil. Minha Biblioteca Católica, p. 577-611.
VATICAN NEWS. Pe. João Schiavo: dedicação e amor ao próximo. Disponível em: https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2017-10/pe–joao-schiavo–dedicacao-e-amor-ao-proximo.html.