Formação

Vida do Beato Padre Eustáquio

Conheça a história do Beato Padre Eustáquio, missionário holandês que dedicou sua vida no Brasil à evangelização e ao cuidado dos doentes.

Vida do Beato Padre Eustáquio
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Vida do Beato Padre Eustáquio

Conheça a história do Beato Padre Eustáquio, missionário holandês que dedicou sua vida no Brasil à evangelização e ao cuidado dos doentes.

Data da Publicação: 31/08/2026
Tempo de leitura:
Autor: Redação MBC
Data da Publicação: 31/08/2026
Tempo de leitura:
Autor: Redação MBC

O Beato Padre Eustáquio foi um missionário holandês que dedicou grande parte de sua vida à evangelização no Brasil. Sacerdote da Congregação dos Sagrados Corações, tornou-se conhecido como o “Missionário da Saúde e da Paz”. Durante sua atuação em Romaria (MG) e Poá (SP), cuidava de doentes por meio de fitoterapia, isto é, plantas medicinais, e de bênçãos; sua marca registrada era saudar a todos dizendo “Saúde e Paz”.

Sua vida foi breve, mas profundamente fecunda. Em Minas Gerais e em São Paulo, Padre Eustáquio deixou a memória de um sacerdote de intensa oração, grande zelo pastoral e caridade concreta. Conheça a história do Beato Padre Eustáquio e descubra por que sua missão continua viva na devoção de tantos fiéis.

Quem foi o Beato Padre Eustáquio?

O Beato Padre Eustáquio foi um sacerdote holandês, missionário no Brasil, lembrado como o “Missionário da Saúde e da Paz”. Seu nome de batismo era Hubertus van Lieshout, traduzido em algumas fontes brasileiras como Humberto van Lieshout.

Ao ingressar na Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria, passou a ser conhecido pelo nome religioso Eustáquio. Esse nome acompanharia toda a sua missão sacerdotal, especialmente no Brasil, onde se tornou popularmente chamado de Padre Eustáquio.

Sua importância para a Igreja no Brasil está ligada ao modo como uniu evangelização, vida sacramental, cuidado dos doentes e atenção aos pobres. Não foi apenas um sacerdote procurado por bênçãos; foi um pastor que desejava conduzir as pessoas à reconciliação com Deus, à oração, à confissão e à confiança na Providência.

Quando e onde nasceu?

Padre Eustáquio nasceu em 3 de novembro de 1890, em Aarle-Rixtel, nos Países Baixos. Veio de uma família numerosa e profundamente religiosa. Seus pais, Guilherme e Elizabete, tiveram onze filhos, e a fé vivida no ambiente familiar marcou sua infância.

Ainda jovem, conheceu a história de São Damião de Veuster, missionário dos leprosos em Molokai. A vida de São Damião exerceu forte influência sobre sua vocação, despertando nele o desejo de ser missionário e de servir os que sofriam.

Ingressou no seminário da Congregação dos Sagrados Corações exatamente às vésperas de completar 15 anos. Ali foi formado na espiritualidade dos Sagrados Corações de Jesus e Maria, que unia oração, reparação, adoração e entrega missionária.

Quando e onde morreu?

Padre Eustáquio faleceu em 30 de agosto de 1943, no Hospital São José, em Belo Horizonte, Minas Gerais. A causa de sua morte foi o tifo exantemático, contraído durante o exercício de seu ministério sacerdotal.

Poucas semanas antes, ele havia visitado um vilarejo nos arredores da capital mineira para levar assistência espiritual aos enfermos. Mesmo diante do risco, permaneceu fiel à missão de consolar, abençoar e acompanhar aqueles que sofriam.

Padre Eustáquio viveu em Belo Horizonte por pouco tempo, mas sua morte causou grande comoção. O cortejo fúnebre reuniu milhares de pessoas, e sua memória passou a ser conservada pelos fiéis como a de um sacerdote dedicado a Deus, aos enfermos e aos pobres.

Onde viveu?

Padre Eustáquio foi ordenado em 1919 e trabalhou na Holanda por cerca de seis anos, auxiliando refugiados belgas da Primeira Guerra Mundial e atuando em paróquias locais, até embarcar para o Brasil em 1925. 

No Brasil, sua trajetória passou especialmente por três lugares: Água Suja, atual Romaria, em Minas Gerais; Poá, no interior de São Paulo; e Belo Horizonte, onde viveu os últimos anos de seu ministério. 

Ele também teve passagens oficiais por Araguari (MG), onde desembarcou primeiro e foi vigário por alguns meses, e por Ibiá (MG). Cada uma dessas etapas revela um aspecto importante de sua missão: a consolidação pastoral em Romaria, o forte cuidado com os enfermos em Poá — onde popularizou o lema “Saúde e Paz” —, e o coroamento de seu ministério em Belo Horizonte. 

O contexto histórico do Beato Padre Eustáquio

Padre Eustáquio chegou ao Brasil em 1925, em um período de transformações sociais, crescimento urbano e grande força da religiosidade popular. Nas comunidades do interior, a fé católica era vivida de modo intenso por meio de festas, romarias, promessas, devoções marianas e peregrinações aos santuários.

Em Água Suja, atual Romaria, Minas Gerais, essa realidade aparecia de modo especial no Santuário de Nossa Senhora da Abadia. Ali, Padre Eustáquio encontrou uma comunidade profundamente marcada pela devoção popular e trabalhou para fortalecer a vida sacramental, organizar as peregrinações e incentivar a participação dos leigos.

Na primeira metade do século XX, o acesso à saúde era limitado em muitas regiões do Brasil, especialmente no interior e nas periferias. Nesse contexto, a presença de um sacerdote que acolhia os enfermos, rezava por eles, oferecia bênçãos e utilizava conhecimentos de plantas medicinais tornou-se sinal de consolo para muitas pessoas.

Mas Padre Eustáquio não reduzia sua missão ao cuidado físico. Ele acolhia as dores do corpo, mas também chamava à conversão, à confissão, à oração e à vida sacramental. Sua missão unia evangelização, caridade e esperança.

A vida e missão do Beato Padre Eustáquio

A vida de Padre Eustáquio pode ser lida como uma resposta concreta ao chamado missionário. Sua espiritualidade nasceu da contemplação dos Sagrados Corações e se expressou em gestos muito simples: visitar os doentes, abençoar, aconselhar, confessar, acolher os pobres e levar esperança.

Formação, vocação e espiritualidade

Padre Eustáquio foi ordenado sacerdote em 1919. Sua formação religiosa esteve profundamente ligada à Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria e à Adoração Perpétua do Santíssimo Sacramento.

Essa espiritualidade marcou toda a sua vida. A devoção aos Sagrados Corações conduzia seu olhar para o amor misericordioso de Cristo e para a ternura materna de Maria. A adoração ao Santíssimo Sacramento alimentava sua vida interior e sustentava o ritmo intenso de seu ministério.

Também cultivava devoção a São José, que aparece de forma constante em sua vida espiritual e pastoral. Em Poá, por exemplo, recomendava aos fiéis a oração e a confiança, unindo a bênção ao caminho concreto de fé.

Padre Eustáquio não compreendia o cuidado dos enfermos como algo separado da salvação das almas. Para ele, a cura mais profunda era a reconciliação com Deus. Por isso, antes de muitas bênçãos, orientava os fiéis a buscarem o Sacramento da Confissão.

A missão no Brasil

Padre Eustáquio chegou ao Brasil em 1925. Seu primeiro grande campo missionário foi Água Suja, atual Romaria, no Triângulo Mineiro, onde atuou no Santuário de Nossa Senhora da Abadia.

Ali encontrou uma comunidade marcada pela devoção popular, pelas peregrinações e por muitas necessidades pastorais. Trabalhou na organização da vida paroquial, no atendimento aos fiéis, na valorização do santuário e na participação dos leigos. Também se dedicou à formação, à educação e ao cuidado com os doentes.

O Santuário de Nossa Senhora da Abadia foi um ponto importante de sua missão. Em torno dele, Padre Eustáquio ajudou a fortalecer a vida religiosa da comunidade e a dar forma a uma evangelização que unia devoção, formação e ação concreta.

Em 1935, foi transferido para Poá, em São Paulo, onde assumiu a Paróquia Nossa Senhora de Lourdes e São José. Foi ali que sua fama de santidade e de intercessor cresceu de modo mais intenso.

Em Poá, construiu uma gruta em honra a Nossa Senhora de Lourdes e passou a distribuir água benta. Inicialmente, essa água estava misturada com a água que ele havia trazido de Lourdes; depois, com o fim da água trazida da França, ele passou a abençoar a água no próprio local. A procura pelo padre cresceu rapidamente, atraindo multidões de doentes e fiéis em busca de bênção, consolo e orientação espiritual.

Mais tarde, por obediência e diante da repercussão pública das multidões que o procuravam, passou por outros lugares até chegar a Belo Horizonte, em 1942. Na capital mineira, seu ministério foi breve, mas muito marcante. Ali continuou a acolher os fiéis, a abençoar os enfermos e a inspirar a espiritualidade expressa no lema “Saúde e Paz”.

O taumaturgo de Poá

Foi em Poá que Padre Eustáquio ficou amplamente conhecido como taumaturgo, isto é, como alguém associado, pela devoção popular, a curas e graças extraordinárias.

A fama nasceu do grande número de pessoas que procuravam sua bênção e relatavam melhoras, curas e graças recebidas. A água benta, as bênçãos e os conselhos espirituais passaram a atrair fiéis de várias regiões.

Esses relatos foram preservados pela memória dos devotos e ajudam a compreender a reverência que se formou em torno de sua vida. Eles expressam a confiança do povo em um sacerdote visto como homem de oração, caridade e profunda união com Deus.

No reconhecimento oficial de sua santidade, a Igreja destacou suas virtudes heroicas e aprovou um milagre específico atribuído à sua intercessão, necessário para a beatificação. Os demais relatos permanecem ligados à devoção popular e à tradição espiritual conservada em torno de sua memória.

A postura do próprio Padre Eustáquio também ajuda a interpretar esses fatos: ele não se colocava como autor das graças, mas se via como instrumento de Deus e desejava conduzir as pessoas à fé, à conversão, à oração e aos sacramentos. 

A contribuição do Beato Padre Eustáquio para a fé no Brasil

A contribuição do Beato Padre Eustáquio para a fé no Brasil permanece atual porque seu testemunho une evangelização e cuidado integral.

O zelo de Padre Eustáquio pela Eucaristia e pela vida sacramental recorda que toda ação pastoral precisa nascer da intimidade com Deus. Ele não reduzia o ministério sacerdotal à assistência humana, mas também não ignorava o sofrimento concreto das pessoas. Em sua vida, oração e caridade caminhavam juntas.

O cuidado com os enfermos revela uma compreensão profundamente cristã da pessoa humana. Padre Eustáquio acolhia as dores do corpo, mas também as feridas da alma. Por isso, a expressão “Saúde e Paz” não era apenas uma saudação, mas um programa espiritual: saúde para o corpo, paz para a alma, reconciliação com Deus e serviço aos irmãos.

A confiança de Padre Eustáquio na Providência também marcou os fiéis. Ele ensinava o povo a confiar em Deus sem abandonar os meios concretos de cuidado, oração e conversão. A esperança cristã em sua vida era uma força para atravessar o sofrimento.

Além disso, a caridade para com os pobres e enfermos mostra que a fé se torna verdadeira quando se transforma em presença. Padre Eustáquio visitava, escutava, aconselhava, indicava caminhos e despertava nos leigos a consciência de sua participação na missão da Igreja.

Processo de beatificação do Beato Padre Eustáquio

O reconhecimento oficial da Igreja veio após um longo processo de investigação sobre sua vida, suas virtudes e as graças atribuídas à sua intercessão.

O caminho até a beatificação

A causa de canonização do Beato Padre Eustáquio teve início no século XX. Em 1956, foi nomeado o primeiro vice-postulador da causa. Em 1962, foi instituído o Tribunal Eclesiástico responsável pela fase diocesana, e, em 1966, essa etapa foi concluída.

Depois de um período de interrupção, o processo foi retomado oficialmente em 1983. Em 1987, o Dicastério para as Causas dos Santos aprovou o processo, e Padre Eustáquio passou a ser reconhecido como Servo de Deus.

Em 12 de abril de 2003, São João Paulo II reconheceu suas virtudes heroicas, conferindo-lhe o título de Venerável. O passo seguinte foi o reconhecimento de um milagre atribuído à sua intercessão.

O milagre aprovado pela Igreja foi a cura do Padre Gonçalves Belém Rocha de um câncer de laringe, ocorrido em Belo Horizonte, em 1962. A cura foi estudada do ponto de vista médico e teológico, sendo considerada inexplicável e atribuída à intercessão de Padre Eustáquio.

Em 15 de junho de 2006, Padre Eustáquio foi beatificado em Belo Horizonte, em celebração realizada no Mineirão, com a presença de uma grande multidão de fiéis. A beatificação foi concedida pelo Papa Bento XVI e celebrada no Brasil por seu representante.

Atualmente, sua causa encontra-se na etapa posterior à beatificação. Para a canonização, é necessário o reconhecimento de um novo milagre atribuído à sua intercessão, ocorrido após a beatificação.

Relíquias e local de sepultamento do Beato Padre Eustáquio

A memória do Beato Padre Eustáquio permanece especialmente ligada ao bairro que leva seu nome em Belo Horizonte e ao Santuário Arquidiocesano da Saúde e da Paz.

Onde está sepultado?

O Beato Padre Eustáquio está sepultado no Memorial Padre Eustáquio, anexo ao Santuário Arquidiocesano da Saúde e da Paz, em Belo Horizonte, Minas Gerais.

O local tornou-se um importante centro de peregrinação. Fiéis visitam o santuário para rezar diante de seu túmulo, agradecer graças recebidas, pedir intercessão e participar das celebrações ligadas à sua memória.

Sua presença em Belo Horizonte foi breve, mas a cidade guardou sua memória de modo profundo. O bairro Padre Eustáquio e o Santuário da Saúde e da Paz são hoje sinais concretos da influência espiritual deixada por ele.

Existem relíquias para veneração?

Sim. Há relíquias do Beato Padre Eustáquio preservadas e expostas à veneração dos fiéis em celebrações e momentos devocionais no Memorial e no Santuário Arquidiocesano da Saúde e da Paz.

A veneração das relíquias expressa a fé da Igreja na comunhão dos santos e recorda que a graça de Deus pode transformar vidas concretas em sinais de esperança para todo o povo cristão.

Devoção e memória do Beato Padre Eustáquio

A devoção ao Beato Padre Eustáquio continua viva, especialmente em Belo Horizonte, Romaria e Poá, lugares marcados por sua presença missionária.

Igrejas, celebrações e peregrinações

O principal local de devoção ao Beato Padre Eustáquio é o Santuário Arquidiocesano da Saúde e da Paz, em Belo Horizonte. A paróquia foi elevada a santuário arquidiocesano em 30 de agosto de 2014, data ligada à memória de seu falecimento.

O santuário recebe fiéis, peregrinos e devotos que buscam aprofundar a espiritualidade expressa no lema “Saúde e Paz”. Também promove celebrações, novenas, bênçãos, momentos de oração e iniciativas ligadas à causa de canonização.

Em Poá, sua memória permanece ligada à Paróquia Nossa Senhora de Lourdes e aos relatos das bênçãos que atraíram multidões. Em Romaria, sua missão é recordada pela atuação no Santuário de Nossa Senhora da Abadia e pela presença dos primeiros missionários dos Sagrados Corações.

Orações e devoção ao Beato Padre Eustáquio

A devoção ao Beato Padre Eustáquio se expressa em novenas, pedidos de intercessão, visitas ao santuário, orações pela canonização e na tradicional saudação “Saúde e Paz”.

Essa saudação resume sua espiritualidade. Para Padre Eustáquio, a saúde do corpo e a paz da alma estavam profundamente unidas. Ele desejava que os enfermos encontrassem alívio, mas também que as almas se reconciliassem com Deus.

Uma oração da novena ao Beato Padre Eustáquio diz:

“Bondoso Padre Eustáquio, grande amigo e benfeitor das almas sofredoras, alcançai-me por vossa intercessão, junto a Deus, a graça que tanto almejo. Eu renovo meus compromissos do Batismo, para viver como bom cristão. Prometo rezar e colaborar para que em breve sejais reconhecido como Santo, para maior honra e glória dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria e da Santa Igreja. Amém.”

A oração expressa a dimensão essencial da devoção: pedir a intercessão do Beato, renovar a vida cristã e colaborar para que seu testemunho seja conhecido.

O Beato Padre Eustáquio ocupa um lugar especial na história da santidade no Brasil. Missionário holandês, sacerdote dos Sagrados Corações e pastor dos pobres e enfermos, ele fez de sua vida um serviço à esperança.

Sua memória não permanece viva apenas pelos relatos de graças e curas, mas sobretudo pelo testemunho de um homem inteiramente entregue a Deus. Sua espiritualidade da “Saúde e Paz” continua a recordar que a verdadeira evangelização cuida do ser humano por inteiro: corpo, alma, família, comunidade e vida espiritual.

Ao conhecer sua história, a Igreja no Brasil contempla o exemplo de um missionário que acolheu os sofredores, confiou na Providência, promoveu a oração e deixou aos fiéis um legado de caridade, reconciliação e esperança.


Referências 

CARNEIRO, José Eduardo Câmara de Barros. Bem-aventurado Eustáquio Van Lieshout — O taumaturgo do Brasil. In: Santidade no Brasil. Minha Biblioteca Católica, p. 455-487. 

VATICAN NEWS. Beato Eustáquio Van Lieshout. Disponível em: https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2022-08/beato-eustaquio-van-lieshout.html.

PADRE EUSTÁQUIO. Vida e História. Disponível em: https://www.padreeustaquio.com.br/vida-e-historia02/.

PADRE EUSTÁQUIO. Causa de Canonização. Disponível em: https://www.padreeustaquio.com.br/causa-de-canonizacao/.

PADRE EUSTÁQUIO. Beatificação. Disponível em: https://www.padreeustaquio.com.br/beatificacao/.

ARQUIDIOCESE DE BELO HORIZONTE. Santuário da Saúde e da Paz: o legado de evangelização de Padre Eustáquio. Disponível em: https://arquidiocesebh.org.br/noticias/santuario-da-saude-e-da-paz-o-legado-de-evangelizacao-de-padre-eustaquio-live-dia-28-as-16h/.

ARQUIDIOCESE DE BELO HORIZONTE. Fiéis homenageiam Padre Eustáquio recordando os 80 anos de seu falecimento. Disponível em: https://arquidiocesebh.org.br/noticias/fieis-homenageiam-padre-eustaquio-recordando-os-80-anos-de-seu-falecimento/.

Redação MBC

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O Beato Padre Eustáquio foi um missionário holandês que dedicou grande parte de sua vida à evangelização no Brasil. Sacerdote da Congregação dos Sagrados Corações, tornou-se conhecido como o “Missionário da Saúde e da Paz”. Durante sua atuação em Romaria (MG) e Poá (SP), cuidava de doentes por meio de fitoterapia, isto é, plantas medicinais, e de bênçãos; sua marca registrada era saudar a todos dizendo “Saúde e Paz”.

Sua vida foi breve, mas profundamente fecunda. Em Minas Gerais e em São Paulo, Padre Eustáquio deixou a memória de um sacerdote de intensa oração, grande zelo pastoral e caridade concreta. Conheça a história do Beato Padre Eustáquio e descubra por que sua missão continua viva na devoção de tantos fiéis.

Quem foi o Beato Padre Eustáquio?

O Beato Padre Eustáquio foi um sacerdote holandês, missionário no Brasil, lembrado como o “Missionário da Saúde e da Paz”. Seu nome de batismo era Hubertus van Lieshout, traduzido em algumas fontes brasileiras como Humberto van Lieshout.

Ao ingressar na Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria, passou a ser conhecido pelo nome religioso Eustáquio. Esse nome acompanharia toda a sua missão sacerdotal, especialmente no Brasil, onde se tornou popularmente chamado de Padre Eustáquio.

Sua importância para a Igreja no Brasil está ligada ao modo como uniu evangelização, vida sacramental, cuidado dos doentes e atenção aos pobres. Não foi apenas um sacerdote procurado por bênçãos; foi um pastor que desejava conduzir as pessoas à reconciliação com Deus, à oração, à confissão e à confiança na Providência.

Quando e onde nasceu?

Padre Eustáquio nasceu em 3 de novembro de 1890, em Aarle-Rixtel, nos Países Baixos. Veio de uma família numerosa e profundamente religiosa. Seus pais, Guilherme e Elizabete, tiveram onze filhos, e a fé vivida no ambiente familiar marcou sua infância.

Ainda jovem, conheceu a história de São Damião de Veuster, missionário dos leprosos em Molokai. A vida de São Damião exerceu forte influência sobre sua vocação, despertando nele o desejo de ser missionário e de servir os que sofriam.

Ingressou no seminário da Congregação dos Sagrados Corações exatamente às vésperas de completar 15 anos. Ali foi formado na espiritualidade dos Sagrados Corações de Jesus e Maria, que unia oração, reparação, adoração e entrega missionária.

Quando e onde morreu?

Padre Eustáquio faleceu em 30 de agosto de 1943, no Hospital São José, em Belo Horizonte, Minas Gerais. A causa de sua morte foi o tifo exantemático, contraído durante o exercício de seu ministério sacerdotal.

Poucas semanas antes, ele havia visitado um vilarejo nos arredores da capital mineira para levar assistência espiritual aos enfermos. Mesmo diante do risco, permaneceu fiel à missão de consolar, abençoar e acompanhar aqueles que sofriam.

Padre Eustáquio viveu em Belo Horizonte por pouco tempo, mas sua morte causou grande comoção. O cortejo fúnebre reuniu milhares de pessoas, e sua memória passou a ser conservada pelos fiéis como a de um sacerdote dedicado a Deus, aos enfermos e aos pobres.

Onde viveu?

Padre Eustáquio foi ordenado em 1919 e trabalhou na Holanda por cerca de seis anos, auxiliando refugiados belgas da Primeira Guerra Mundial e atuando em paróquias locais, até embarcar para o Brasil em 1925. 

No Brasil, sua trajetória passou especialmente por três lugares: Água Suja, atual Romaria, em Minas Gerais; Poá, no interior de São Paulo; e Belo Horizonte, onde viveu os últimos anos de seu ministério. 

Ele também teve passagens oficiais por Araguari (MG), onde desembarcou primeiro e foi vigário por alguns meses, e por Ibiá (MG). Cada uma dessas etapas revela um aspecto importante de sua missão: a consolidação pastoral em Romaria, o forte cuidado com os enfermos em Poá — onde popularizou o lema “Saúde e Paz” —, e o coroamento de seu ministério em Belo Horizonte. 

O contexto histórico do Beato Padre Eustáquio

Padre Eustáquio chegou ao Brasil em 1925, em um período de transformações sociais, crescimento urbano e grande força da religiosidade popular. Nas comunidades do interior, a fé católica era vivida de modo intenso por meio de festas, romarias, promessas, devoções marianas e peregrinações aos santuários.

Em Água Suja, atual Romaria, Minas Gerais, essa realidade aparecia de modo especial no Santuário de Nossa Senhora da Abadia. Ali, Padre Eustáquio encontrou uma comunidade profundamente marcada pela devoção popular e trabalhou para fortalecer a vida sacramental, organizar as peregrinações e incentivar a participação dos leigos.

Na primeira metade do século XX, o acesso à saúde era limitado em muitas regiões do Brasil, especialmente no interior e nas periferias. Nesse contexto, a presença de um sacerdote que acolhia os enfermos, rezava por eles, oferecia bênçãos e utilizava conhecimentos de plantas medicinais tornou-se sinal de consolo para muitas pessoas.

Mas Padre Eustáquio não reduzia sua missão ao cuidado físico. Ele acolhia as dores do corpo, mas também chamava à conversão, à confissão, à oração e à vida sacramental. Sua missão unia evangelização, caridade e esperança.

A vida e missão do Beato Padre Eustáquio

A vida de Padre Eustáquio pode ser lida como uma resposta concreta ao chamado missionário. Sua espiritualidade nasceu da contemplação dos Sagrados Corações e se expressou em gestos muito simples: visitar os doentes, abençoar, aconselhar, confessar, acolher os pobres e levar esperança.

Formação, vocação e espiritualidade

Padre Eustáquio foi ordenado sacerdote em 1919. Sua formação religiosa esteve profundamente ligada à Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria e à Adoração Perpétua do Santíssimo Sacramento.

Essa espiritualidade marcou toda a sua vida. A devoção aos Sagrados Corações conduzia seu olhar para o amor misericordioso de Cristo e para a ternura materna de Maria. A adoração ao Santíssimo Sacramento alimentava sua vida interior e sustentava o ritmo intenso de seu ministério.

Também cultivava devoção a São José, que aparece de forma constante em sua vida espiritual e pastoral. Em Poá, por exemplo, recomendava aos fiéis a oração e a confiança, unindo a bênção ao caminho concreto de fé.

Padre Eustáquio não compreendia o cuidado dos enfermos como algo separado da salvação das almas. Para ele, a cura mais profunda era a reconciliação com Deus. Por isso, antes de muitas bênçãos, orientava os fiéis a buscarem o Sacramento da Confissão.

A missão no Brasil

Padre Eustáquio chegou ao Brasil em 1925. Seu primeiro grande campo missionário foi Água Suja, atual Romaria, no Triângulo Mineiro, onde atuou no Santuário de Nossa Senhora da Abadia.

Ali encontrou uma comunidade marcada pela devoção popular, pelas peregrinações e por muitas necessidades pastorais. Trabalhou na organização da vida paroquial, no atendimento aos fiéis, na valorização do santuário e na participação dos leigos. Também se dedicou à formação, à educação e ao cuidado com os doentes.

O Santuário de Nossa Senhora da Abadia foi um ponto importante de sua missão. Em torno dele, Padre Eustáquio ajudou a fortalecer a vida religiosa da comunidade e a dar forma a uma evangelização que unia devoção, formação e ação concreta.

Em 1935, foi transferido para Poá, em São Paulo, onde assumiu a Paróquia Nossa Senhora de Lourdes e São José. Foi ali que sua fama de santidade e de intercessor cresceu de modo mais intenso.

Em Poá, construiu uma gruta em honra a Nossa Senhora de Lourdes e passou a distribuir água benta. Inicialmente, essa água estava misturada com a água que ele havia trazido de Lourdes; depois, com o fim da água trazida da França, ele passou a abençoar a água no próprio local. A procura pelo padre cresceu rapidamente, atraindo multidões de doentes e fiéis em busca de bênção, consolo e orientação espiritual.

Mais tarde, por obediência e diante da repercussão pública das multidões que o procuravam, passou por outros lugares até chegar a Belo Horizonte, em 1942. Na capital mineira, seu ministério foi breve, mas muito marcante. Ali continuou a acolher os fiéis, a abençoar os enfermos e a inspirar a espiritualidade expressa no lema “Saúde e Paz”.

O taumaturgo de Poá

Foi em Poá que Padre Eustáquio ficou amplamente conhecido como taumaturgo, isto é, como alguém associado, pela devoção popular, a curas e graças extraordinárias.

A fama nasceu do grande número de pessoas que procuravam sua bênção e relatavam melhoras, curas e graças recebidas. A água benta, as bênçãos e os conselhos espirituais passaram a atrair fiéis de várias regiões.

Esses relatos foram preservados pela memória dos devotos e ajudam a compreender a reverência que se formou em torno de sua vida. Eles expressam a confiança do povo em um sacerdote visto como homem de oração, caridade e profunda união com Deus.

No reconhecimento oficial de sua santidade, a Igreja destacou suas virtudes heroicas e aprovou um milagre específico atribuído à sua intercessão, necessário para a beatificação. Os demais relatos permanecem ligados à devoção popular e à tradição espiritual conservada em torno de sua memória.

A postura do próprio Padre Eustáquio também ajuda a interpretar esses fatos: ele não se colocava como autor das graças, mas se via como instrumento de Deus e desejava conduzir as pessoas à fé, à conversão, à oração e aos sacramentos. 

A contribuição do Beato Padre Eustáquio para a fé no Brasil

A contribuição do Beato Padre Eustáquio para a fé no Brasil permanece atual porque seu testemunho une evangelização e cuidado integral.

O zelo de Padre Eustáquio pela Eucaristia e pela vida sacramental recorda que toda ação pastoral precisa nascer da intimidade com Deus. Ele não reduzia o ministério sacerdotal à assistência humana, mas também não ignorava o sofrimento concreto das pessoas. Em sua vida, oração e caridade caminhavam juntas.

O cuidado com os enfermos revela uma compreensão profundamente cristã da pessoa humana. Padre Eustáquio acolhia as dores do corpo, mas também as feridas da alma. Por isso, a expressão “Saúde e Paz” não era apenas uma saudação, mas um programa espiritual: saúde para o corpo, paz para a alma, reconciliação com Deus e serviço aos irmãos.

A confiança de Padre Eustáquio na Providência também marcou os fiéis. Ele ensinava o povo a confiar em Deus sem abandonar os meios concretos de cuidado, oração e conversão. A esperança cristã em sua vida era uma força para atravessar o sofrimento.

Além disso, a caridade para com os pobres e enfermos mostra que a fé se torna verdadeira quando se transforma em presença. Padre Eustáquio visitava, escutava, aconselhava, indicava caminhos e despertava nos leigos a consciência de sua participação na missão da Igreja.

Processo de beatificação do Beato Padre Eustáquio

O reconhecimento oficial da Igreja veio após um longo processo de investigação sobre sua vida, suas virtudes e as graças atribuídas à sua intercessão.

O caminho até a beatificação

A causa de canonização do Beato Padre Eustáquio teve início no século XX. Em 1956, foi nomeado o primeiro vice-postulador da causa. Em 1962, foi instituído o Tribunal Eclesiástico responsável pela fase diocesana, e, em 1966, essa etapa foi concluída.

Depois de um período de interrupção, o processo foi retomado oficialmente em 1983. Em 1987, o Dicastério para as Causas dos Santos aprovou o processo, e Padre Eustáquio passou a ser reconhecido como Servo de Deus.

Em 12 de abril de 2003, São João Paulo II reconheceu suas virtudes heroicas, conferindo-lhe o título de Venerável. O passo seguinte foi o reconhecimento de um milagre atribuído à sua intercessão.

O milagre aprovado pela Igreja foi a cura do Padre Gonçalves Belém Rocha de um câncer de laringe, ocorrido em Belo Horizonte, em 1962. A cura foi estudada do ponto de vista médico e teológico, sendo considerada inexplicável e atribuída à intercessão de Padre Eustáquio.

Em 15 de junho de 2006, Padre Eustáquio foi beatificado em Belo Horizonte, em celebração realizada no Mineirão, com a presença de uma grande multidão de fiéis. A beatificação foi concedida pelo Papa Bento XVI e celebrada no Brasil por seu representante.

Atualmente, sua causa encontra-se na etapa posterior à beatificação. Para a canonização, é necessário o reconhecimento de um novo milagre atribuído à sua intercessão, ocorrido após a beatificação.

Relíquias e local de sepultamento do Beato Padre Eustáquio

A memória do Beato Padre Eustáquio permanece especialmente ligada ao bairro que leva seu nome em Belo Horizonte e ao Santuário Arquidiocesano da Saúde e da Paz.

Onde está sepultado?

O Beato Padre Eustáquio está sepultado no Memorial Padre Eustáquio, anexo ao Santuário Arquidiocesano da Saúde e da Paz, em Belo Horizonte, Minas Gerais.

O local tornou-se um importante centro de peregrinação. Fiéis visitam o santuário para rezar diante de seu túmulo, agradecer graças recebidas, pedir intercessão e participar das celebrações ligadas à sua memória.

Sua presença em Belo Horizonte foi breve, mas a cidade guardou sua memória de modo profundo. O bairro Padre Eustáquio e o Santuário da Saúde e da Paz são hoje sinais concretos da influência espiritual deixada por ele.

Existem relíquias para veneração?

Sim. Há relíquias do Beato Padre Eustáquio preservadas e expostas à veneração dos fiéis em celebrações e momentos devocionais no Memorial e no Santuário Arquidiocesano da Saúde e da Paz.

A veneração das relíquias expressa a fé da Igreja na comunhão dos santos e recorda que a graça de Deus pode transformar vidas concretas em sinais de esperança para todo o povo cristão.

Devoção e memória do Beato Padre Eustáquio

A devoção ao Beato Padre Eustáquio continua viva, especialmente em Belo Horizonte, Romaria e Poá, lugares marcados por sua presença missionária.

Igrejas, celebrações e peregrinações

O principal local de devoção ao Beato Padre Eustáquio é o Santuário Arquidiocesano da Saúde e da Paz, em Belo Horizonte. A paróquia foi elevada a santuário arquidiocesano em 30 de agosto de 2014, data ligada à memória de seu falecimento.

O santuário recebe fiéis, peregrinos e devotos que buscam aprofundar a espiritualidade expressa no lema “Saúde e Paz”. Também promove celebrações, novenas, bênçãos, momentos de oração e iniciativas ligadas à causa de canonização.

Em Poá, sua memória permanece ligada à Paróquia Nossa Senhora de Lourdes e aos relatos das bênçãos que atraíram multidões. Em Romaria, sua missão é recordada pela atuação no Santuário de Nossa Senhora da Abadia e pela presença dos primeiros missionários dos Sagrados Corações.

Orações e devoção ao Beato Padre Eustáquio

A devoção ao Beato Padre Eustáquio se expressa em novenas, pedidos de intercessão, visitas ao santuário, orações pela canonização e na tradicional saudação “Saúde e Paz”.

Essa saudação resume sua espiritualidade. Para Padre Eustáquio, a saúde do corpo e a paz da alma estavam profundamente unidas. Ele desejava que os enfermos encontrassem alívio, mas também que as almas se reconciliassem com Deus.

Uma oração da novena ao Beato Padre Eustáquio diz:

“Bondoso Padre Eustáquio, grande amigo e benfeitor das almas sofredoras, alcançai-me por vossa intercessão, junto a Deus, a graça que tanto almejo. Eu renovo meus compromissos do Batismo, para viver como bom cristão. Prometo rezar e colaborar para que em breve sejais reconhecido como Santo, para maior honra e glória dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria e da Santa Igreja. Amém.”

A oração expressa a dimensão essencial da devoção: pedir a intercessão do Beato, renovar a vida cristã e colaborar para que seu testemunho seja conhecido.

O Beato Padre Eustáquio ocupa um lugar especial na história da santidade no Brasil. Missionário holandês, sacerdote dos Sagrados Corações e pastor dos pobres e enfermos, ele fez de sua vida um serviço à esperança.

Sua memória não permanece viva apenas pelos relatos de graças e curas, mas sobretudo pelo testemunho de um homem inteiramente entregue a Deus. Sua espiritualidade da “Saúde e Paz” continua a recordar que a verdadeira evangelização cuida do ser humano por inteiro: corpo, alma, família, comunidade e vida espiritual.

Ao conhecer sua história, a Igreja no Brasil contempla o exemplo de um missionário que acolheu os sofredores, confiou na Providência, promoveu a oração e deixou aos fiéis um legado de caridade, reconciliação e esperança.


Referências 

CARNEIRO, José Eduardo Câmara de Barros. Bem-aventurado Eustáquio Van Lieshout — O taumaturgo do Brasil. In: Santidade no Brasil. Minha Biblioteca Católica, p. 455-487. 

VATICAN NEWS. Beato Eustáquio Van Lieshout. Disponível em: https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2022-08/beato-eustaquio-van-lieshout.html.

PADRE EUSTÁQUIO. Vida e História. Disponível em: https://www.padreeustaquio.com.br/vida-e-historia02/.

PADRE EUSTÁQUIO. Causa de Canonização. Disponível em: https://www.padreeustaquio.com.br/causa-de-canonizacao/.

PADRE EUSTÁQUIO. Beatificação. Disponível em: https://www.padreeustaquio.com.br/beatificacao/.

ARQUIDIOCESE DE BELO HORIZONTE. Santuário da Saúde e da Paz: o legado de evangelização de Padre Eustáquio. Disponível em: https://arquidiocesebh.org.br/noticias/santuario-da-saude-e-da-paz-o-legado-de-evangelizacao-de-padre-eustaquio-live-dia-28-as-16h/.

ARQUIDIOCESE DE BELO HORIZONTE. Fiéis homenageiam Padre Eustáquio recordando os 80 anos de seu falecimento. Disponível em: https://arquidiocesebh.org.br/noticias/fieis-homenageiam-padre-eustaquio-recordando-os-80-anos-de-seu-falecimento/.

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