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Vida da Beata Assunta Marchetti

Conheça a história da Beata Assunta Marchetti, missionária italiana que dedicou sua vida no Brasil ao acolhimento de migrantes e crianças.

Vida da Beata Assunta Marchetti
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Vida da Beata Assunta Marchetti

Conheça a história da Beata Assunta Marchetti, missionária italiana que dedicou sua vida no Brasil ao acolhimento de migrantes e crianças.

Data da Publicação: 31/08/2026
Tempo de leitura:
Autor: Redação MBC
Data da Publicação: 31/08/2026
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Autor: Redação MBC

A Beata Assunta Marchetti foi uma religiosa italiana que encontrou no Brasil o campo definitivo de seu serviço a Deus e aos mais frágeis. Vinda de uma família pobre e profundamente cristã, deixou sua terra natal para servir migrantes, órfãos e crianças em situação de vulnerabilidade, tornando-se uma presença materna para muitos que haviam perdido família, proteção e esperança.

Sua vida foi marcada pela caridade silenciosa, pela confiança na Providência e pelo serviço cotidiano aos pobres, migrantes, órfãos e crianças abandonadas. Conheça a história da Beata Assunta Marchetti e descubra por que seu testemunho continua atual para a Igreja no Brasil.

Quem foi a Beata Assunta Marchetti?

A Beata Assunta Marchetti foi uma religiosa, missionária e cofundadora das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo, conhecidas como Irmãs Scalabrinianas.

Seu nome completo era Assunta Caterina Marchetti. Ela nasceu na Itália, mas viveu a maior parte de sua missão no Brasil, onde se dedicou especialmente aos filhos de migrantes, aos órfãos, aos pobres, aos doentes e às crianças abandonadas.

A origem da congregação feminina scalabriniana está ligada à missão iniciada por seu irmão, Padre José Marchetti, sob a inspiração e a bênção de São João Batista Scalabrini. Assunta é reconhecida como cofundadora porque deu forma concreta, continuidade e maternidade espiritual ao carisma, especialmente no cuidado dos órfãos e abandonados em solo brasileiro.

Sua importância para a Igreja no Brasil está ligada ao modo como encarnou a caridade cristã em uma realidade concreta: a dos migrantes que chegavam ao país em condições difíceis, muitas vezes pobres, desamparados e sem proteção social. Assunta tornou-se para eles uma mãe espiritual, educadora, enfermeira e servidora.

Quando e onde nasceu?

Assunta Caterina Marchetti nasceu em 15 de agosto de 1871, em Lombrici di Camaiore, na região de Lucca, Itália. Era filha de Angelo Marchetti e Carolina Ghilarducci, chamada em algumas fontes de Carola.

Sua família era numerosa, pobre de recursos materiais, mas profundamente marcada pela fé. Desde pequena, Assunta aprendeu a rezar, trabalhar e servir. Como primeira filha mulher entre muitos irmãos, precisou assumir responsabilidades domésticas ainda cedo, ajudando a mãe e cuidando dos menores.

Um dos acontecimentos mais marcantes de sua juventude foi a morte do pai, em 1893. A perda aumentou as dificuldades da família e exigiu de Assunta uma maturidade precoce. Nesse período, seu irmão José Marchetti já havia abraçado o sacerdócio e se tornaria peça decisiva em sua vocação missionária.

Assunta desejava inicialmente seguir a vida contemplativa, consagrando-se a Deus em um caminho de recolhimento e oração. No entanto, a Providência a conduziria a outro tipo de clausura: a do serviço humilde, escondido e constante entre crianças, pobres e migrantes.

Quando e onde morreu?

A Beata Assunta Marchetti faleceu em São Paulo, no dia 1º de julho de 1948, no Orfanato Feminino Cristóvão Colombo, localizado na Vila Prudente.

Sua morte foi recebida com grande comoção pelas irmãs, pelas crianças e por todos os que conheciam sua vida de serviço. A fama de santidade que a acompanhava não nasceu de discursos ou obras grandiosas, mas da percepção de que ela havia gasto a vida inteira pelos mais frágeis.

Os que conviveram com a Madre Assunta guardaram a memória de uma mulher forte, simples, generosa e inteiramente entregue à missão.

Onde viveu?

Assunta viveu a infância e a juventude na região de Lucca, na Itália. Ali amadureceu sua fé, sua vocação e seu desejo de consagração.

Em 1895, partiu para o Brasil, chegando pelo Porto de Santos antes de seguir para São Paulo, onde desenvolveria a maior parte de seu apostolado.

Sua vida missionária ficou especialmente ligada ao Orfanato Cristóvão Colombo, em São Paulo, e às obras das Irmãs Scalabrinianas voltadas ao cuidado de crianças, órfãos, migrantes, pobres e doentes. Também serviu em outras localidades, conforme as necessidades da Congregação, mas foi em São Paulo que sua missão ganhou maior expressão.

O contexto histórico da Beata Assunta Marchetti

A vida da Beata Assunta Marchetti está profundamente ligada à grande imigração italiana para o Brasil no final do século XIX.

Naquele período, muitas famílias deixaram a Itália por causa da pobreza, da falta de trabalho, da escassez de terras e da esperança de melhores condições de vida nas Américas. A travessia foi longa e difícil. Muitos migrantes chegaram ao Brasil sem recursos, sem proteção e sem conhecer a língua ou os costumes locais.

Ao desembarcar, encontravam novas dificuldades: moradias precárias, trabalho duro, exploração, doenças, luto e desagregação familiar. Entre os mais vulneráveis estavam as crianças órfãs ou abandonadas, filhos de migrantes que morriam durante a viagem ou nas primeiras etapas da vida no Brasil.

A Igreja, atenta a essa realidade, organizou iniciativas de acolhimento, assistência espiritual e proteção social. São João Batista Scalabrini, bispo de Piacenza, percebeu com clareza a urgência pastoral da questão migratória e promoveu obras dedicadas aos migrantes. Nesse ambiente nasceu a missão scalabriniana, à qual Assunta Marchetti entregaria a própria vida.

A vida e missão da Beata Assunta Marchetti

A trajetória de Assunta Marchetti pode ser compreendida como uma passagem da simplicidade familiar para uma maternidade espiritual ampla. Ela deixou a Itália não para buscar realização pessoal, mas para servir aqueles que a Providência colocaria em seu caminho.

Vocação religiosa e fundação das Irmãs Scalabrinianas

Desde jovem, Assunta desejava consagrar-se a Deus. Sua primeira inclinação era a vida contemplativa, mas as necessidades da família adiaram esse desejo.

O chamado definitivo surgiu por meio de seu irmão, Padre José Marchetti. Atuando entre os imigrantes italianos, ele havia conhecido de perto a dor dos órfãos e dos abandonados no Brasil. Ao perceber a necessidade de “corações maternos” para cuidar das crianças, convidou Assunta a deixar o projeto de clausura e dedicar-se aos órfãos em solo brasileiro. 

Depois de oração e discernimento, Assunta aceitou. Em 25 de outubro de 1895, diante de São João Batista Scalabrini, formou-se o primeiro grupo das Servas dos Órfãos e Abandonados no Exterior, origem da futura Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeu, conhecidas como Irmãs Scalabrinianas.

Padre José Marchetti foi o grande impulsionador dessa obra nascente: reuniu o primeiro grupo, apresentou-o a Scalabrini e conduziu as missionárias ao Brasil. Madre Assunta, por sua vez, tornou-se cofundadora ao assumir, preservar e fazer florescer o carisma no cuidado cotidiano dos órfãos, migrantes e abandonados.

Assunta partiu para o Brasil com sua mãe, Carolina, e outras jovens missionárias. Sua consagração nasceu, assim, ligada à migração, à caridade e ao cuidado das crianças mais desprotegidas.

A missão entre os migrantes no Brasil

Assunta chegou ao Brasil em 1895. Após a travessia pelo Atlântico, desembarcou no Porto de Santos e seguiu para São Paulo, onde começou sua missão junto às crianças acolhidas no Orfanato Cristóvão Colombo, no bairro do Ipiranga.

A obra nascente também se desdobraria no Orfanato Feminino Cristóvão Colombo, na Vila Prudente, destinado especialmente às meninas órfãs. Foi nesse espaço que Madre Assunta desenvolveria uma parte decisiva de sua missão e onde, mais tarde, viveria seus últimos anos.

Ali encontrou crianças marcadas pela orfandade, pela pobreza e pelo sofrimento. Muitas eram filhas de imigrantes italianos; outras vinham de famílias profundamente vulneráveis, inclusive crianças filhas de ex-escravizados que viviam em situação de abandono nas ruas e estradas de São Paulo. 

A Madre Assunta não se limitou a administrar uma obra. Ela se tornou mãe, educadora, enfermeira, catequista, cozinheira e presença de consolo. Seu serviço era concreto: alimentar, cuidar, vestir, ensinar, rezar, proteger e formar.

Espiritualidade e virtudes

A espiritualidade da Beata Assunta Marchetti era profundamente marcada pela confiança na Providência. Uma expressão resume bem sua vida: “Deus vê e provê”.

Essa confiança não significava ausência de sofrimento. Pelo contrário, Madre Assunta enfrentou pobreza, doenças, perdas, dificuldades financeiras, incompreensões e crises internas na obra nascente. Ainda assim, permaneceu fiel, convencida de que Deus não abandonava aqueles que serviam por amor.

A devoção ao Sagrado Coração de Jesus era central para a Madre Assunta. Diante do Coração de Cristo, ela discerniu a vocação missionária e encontrou força para servir. A Eucaristia também sustentava sua vida interior, marcada por intensa oração, inclusive de madrugada, e pelo desejo de unir contemplação e serviço.

Também cultivava devoção à Virgem Maria. Como tantas santas mulheres da história da Igreja, viveu uma maternidade espiritual inspirada na ternura da Mãe de Deus.

Entre suas virtudes, destacam-se a humildade, a pobreza, a obediência, a fortaleza, a caridade e a capacidade de servir sem buscar reconhecimento. Sua santidade não foi espetacular, mas cotidiana, feita de tarefas simples realizadas com amor.

Liderança e perseverança

Madre Assunta exerceu papel decisivo na consolidação das Irmãs Scalabrinianas. Depois da morte precoce de Padre José Marchetti, assumiu com as coirmãs a continuidade da obra nascente e ajudou a preservar o carisma recebido: servir Cristo nos migrantes, nos órfãos, nos pobres e nos abandonados.

No governo da Congregação, Madre Assunta procurou conduzir a obra com espírito materno, fidelidade ao carisma scalabriniano e atenção concreta às irmãs, às crianças e aos mais vulneráveis. Sua autoridade nunca teve traços de poder pessoal, apenas de serviço.

Ela cuidava das crianças, das irmãs, dos doentes e dos pobres com a mesma disposição. Ao mesmo tempo, foi firme na defesa do carisma recebido e perseverante diante das dificuldades que ameaçaram a continuidade da obra.

Nos últimos anos de vida, enfrentou enfermidades e limitações físicas. Uma ferida na perna, surgida após um incidente durante o cuidado de um doente, causou sofrimento prolongado. Mesmo assim, sempre que podia, continuava a servir.

Seu testemunho final foi o de uma maternidade espiritual vivida até o fim. Assunta não se retirou da missão quando vieram a dor e a fraqueza. Transformou o sofrimento em oferta e permaneceu unida aos pequenos que tanto amava.

A contribuição da Beata Assunta Marchetti para a fé no Brasil

A contribuição da Beata Assunta Marchetti para a fé no Brasil permanece atual porque sua missão toca uma das grandes feridas da história humana: a vulnerabilidade de quem precisa deixar sua terra.

O testemunho de Madre Assunta recorda que migrantes e refugiados não são números nem problemas abstratos, mas pessoas concretas, com histórias, dores, famílias e dignidade. Como via Cristo nos migrantes, nos órfãos, nos doentes e nos pobres, seu acolhimento era profundamente cristão. Por isso, o cuidado com crianças em situação de vulnerabilidade não se limitava ao abrigo: oferecia presença, educação, fé, disciplina, ternura e futuro. 

A dimensão materna vivida na vida consagrada é outro elemento importante de seu legado. Madre Assunta não teve filhos biológicos, mas tornou-se mãe de muitos, em uma fecundidade espiritual nascida da consagração, da caridade e da entrega.

Sua confiança na Providência também fala ao nosso tempo. Em uma realidade marcada por incertezas, ela testemunha que confiar em Deus não é deixar de agir, mas agir com coragem, sabendo-se amado e sustentado por Ele. 

Por fim, o legado das Irmãs Scalabrinianas na educação, na assistência social e na pastoral dos migrantes continua a prolongar o carisma vivido por Madre Assunta. A semente lançada por ela permanece viva no serviço aos que cruzam fronteiras em busca de pão, trabalho, segurança e esperança.

Processo de beatificação da Beata Assunta Marchetti

A causa de beatificação da Beata Assunta Marchetti nasceu da fama de santidade preservada pelas Irmãs Scalabrinianas, pelos migrantes, pelos órfãos e por todos os que reconheceram nela uma vida de virtudes cristãs.

O caminho até a beatificação

O processo diocesano da causa foi aberto em São Paulo em 1987. Nos anos seguintes, foram recolhidos documentos, testemunhos e elementos sobre sua vida, suas virtudes e sua fama de santidade.

Em 19 de dezembro de 2011, o Papa Bento XVI autorizou a promulgação do decreto que reconheceu suas virtudes heroicas, e Madre Assunta passou a ser chamada Venerável.

O milagre reconhecido para sua beatificação ocorreu em Porto Alegre, em 1994, com Heráclides Teixeira Filho, internado no Hospital Mãe de Deus. Ele sofreu uma parada cardíaca prolongada, que se estendeu por mais de quinze minutos sem oxigenação cerebral. Durante a internação, familiares e religiosas pediram a intercessão de Madre Assunta. Heráclides recobrou os sentidos e se recuperou sem sequelas neurológicas. O caso foi analisado pela Igreja e reconhecido como milagre atribuído à sua intercessão.

Em 9 de outubro de 2013, o Papa Francisco autorizou o decreto que reconheceu o milagre. A beatificação foi celebrada em 25 de outubro de 2014, na Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Assunção, a Catedral da Sé, em São Paulo.

Atualmente, sua causa encontra-se na etapa posterior à beatificação. Para a canonização, é necessário o reconhecimento de um novo milagre atribuído à sua intercessão, ocorrido após a beatificação.

Relíquias e local de sepultamento da Beata Assunta Marchetti

A memória da Beata Assunta Marchetti permanece especialmente ligada à Casa Madre Assunta, na Vila Prudente, em São Paulo.

Onde está sepultada?

A Beata Assunta Marchetti faleceu no Orfanato Feminino Cristóvão Colombo, na Vila Prudente, em São Paulo. Inicialmente, seus restos mortais foram sepultados no Cemitério da Consolação.

Em 1991, durante o processo de sua causa, seus restos mortais foram exumados e trasladados para a obra da Vila Prudente, atual Casa Madre Assunta. Hoje, sua memória está preservada nesse local, onde ficam a capela, o memorial e as relíquias da Beata Assunta.

Esse espaço é importante para a Congregação e para os devotos porque reúne a memória da vida, da morte e da obra que marcaram a missão de Madre Assunta no Brasil.

Existem relíquias para veneração?

Sim. Há relíquias da Beata Assunta Marchetti preservadas na Casa Madre Assunta, na Vila Prudente, em São Paulo.

Para os devotos, esse espaço recorda a presença concreta de uma mulher que serviu a Deus no cuidado dos pequenos, dos migrantes e dos órfãos. 

A veneração das relíquias não substitui a adoração devida somente a Deus. Ela expressa a fé na comunhão dos santos e ajuda os fiéis a contemplarem, em uma vida concreta, os frutos da graça.

Devoção e memória da Beata Assunta Marchetti

A devoção à Beata Assunta Marchetti permanece viva especialmente entre as Irmãs Scalabrinianas, os Leigos Missionários Scalabrinianos, comunidades ligadas à pastoral dos migrantes e fiéis que recorrem à sua intercessão.

Igrejas, celebrações e peregrinações

O principal local ligado à memória da Beata Assunta Marchetti é a Casa Madre Assunta, situada na Vila Prudente, em São Paulo. Ali estão a capela, o memorial e as relíquias.

As celebrações em sua honra são promovidas especialmente pelas Irmãs Scalabrinianas e por comunidades que preservam seu legado. Sua memória é celebrada em 1º de julho, data de sua morte.

Além da Casa Madre Assunta, sua devoção também está presente em comunidades, escolas, obras sociais e espaços missionários ligados ao carisma scalabriniano. Nesses lugares, sua vida é recordada como exemplo de acolhimento, serviço e confiança na Providência.

Orações e devoção à Beata Assunta Marchetti

A devoção à Beata Assunta Marchetti se expressa por meio de orações, novenas, pedidos de intercessão e visitas ao memorial ligado à sua vida e missão.

Os fiéis costumam pedir sua intercessão especialmente por migrantes, refugiados, crianças abandonadas, órfãos, famílias em sofrimento, doentes e pessoas que necessitam de esperança diante de situações difíceis.

Uma das orações divulgadas pela Congregação das Irmãs Scalabrinianas e pela Vice-Postulação de sua causa pede graças por intercessão da Beata Assunta Marchetti:

Oração para pedir graças

Ó Jesus, que dissestes: “Vinde a mim todos vós que estais aflitos e sobrecarregados, e eu vos aliviarei”. Rendo-vos graças por terdes feito da Bem-aventurada Assunta Marchetti o conforto dos migrantes, a mãe dos órfãos e o alívio dos necessitados.

Ó Jesus, pelos vossos méritos infinitos e pela intercessão de nossa Mãe Santíssima, glorificai na terra a vossa humilde serva, concedendo-me, por sua intercessão, a graça que vos peço com tanta confiança:

(Mentalizar ou dizer a graça de que necessita)

Vós, que viveis e reinais com o Pai e o Espírito Santo por todos os séculos dos séculos. Amém.

Reza-se: Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória.

Jaculatória: Bem-aventurada Assunta Marchetti, rogai por nós!

Essa oração resume a espiritualidade de Madre Assunta: confiança em Cristo, amor à Virgem Maria, cuidado com os migrantes, maternidade espiritual junto aos órfãos e atenção aos necessitados. A expressão “Deus vê e provê” permanece como síntese de sua vida e de sua confiança inabalável na Providência.

A Beata Assunta Marchetti ocupa um lugar singular na história da santidade no Brasil. Italiana de nascimento, encontrou em solo brasileiro a missão para a qual Deus a preparava: ser mãe dos órfãos, servidora dos migrantes e presença de ternura junto aos mais vulneráveis.

O testemunho de Madre Assunta mostra que a santidade pode florescer no serviço escondido: na cozinha, na enfermaria, na costura, na educação das crianças, na oração silenciosa e na fidelidade aos pequenos deveres de cada dia. 

Ao recordar a Beata Assunta Marchetti, a Igreja no Brasil contempla uma mulher de fé profunda, caridade concreta e confiança inabalável na Providência, cujo testemunho continua a ensinar que Deus vê, Deus provê e se deixa encontrar nos pobres, nos migrantes, nos órfãos e em todos aqueles que esperam por acolhimento.

Referências

CASA MADRE ASSUNTA. Memorial Bem-aventurada Assunta Marchetti. Disponível em: https://madreassunta.com.br/memorial-bem-aventurada-assunta-marchetti/.

CASA MADRE ASSUNTA. Memória. Disponível em: https://madreassunta.com.br/memoria/.

CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL. Religiosa que viveu no Brasil será beatificada em outubro. Disponível em: https://www.cnbb.org.br/religiosa-que-viveu-no-brasil-sera-beatificada-em-outubro/.

DICASTÉRIO PARA AS CAUSAS DOS SANTOS. Assunta Marchetti (1871-1948). Disponível em: https://www.causesanti.va/it/santi-e-beati/assunta-marchetti.html.

DICASTÉRIO PARA AS CAUSAS DOS SANTOS. Beatificazione, 25-10-2014 — Assunta Marchetti. Disponível em: https://www.causesanti.va/it/celebrazioni/beatificazioni/2014/10.html.

IRMÃS SCALABRINIANAS. Biografia da Bem-Aventurada Assunta Marchetti. Disponível em: https://scalabrinianas.org/biografia-da-bem-aventurada-assunta-marchetti/.

IRMÃS SCALABRINIANAS. Festa da Bem-aventurada Assunta Marchetti. Disponível em: https://scalabrinianas.org/festa-da-bem-aventurada-assunta-marchetti/.

MEZZOMO, Leocádia, MSCS. Bem-aventurada Assunta Marchetti — Reflexo da ternura materna de Deus. In: Santidade no Brasil. Minha Biblioteca Católica, p. 533-574.

SCALABRINIANI. Madre Assunta Marchetti — Causa de Canonização. Disponível em: https://www.scalabriniani.org/pt/madre-assunta-marchetti-causa-di-canonizzazione/.

Redação MBC

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A Beata Assunta Marchetti foi uma religiosa italiana que encontrou no Brasil o campo definitivo de seu serviço a Deus e aos mais frágeis. Vinda de uma família pobre e profundamente cristã, deixou sua terra natal para servir migrantes, órfãos e crianças em situação de vulnerabilidade, tornando-se uma presença materna para muitos que haviam perdido família, proteção e esperança.

Sua vida foi marcada pela caridade silenciosa, pela confiança na Providência e pelo serviço cotidiano aos pobres, migrantes, órfãos e crianças abandonadas. Conheça a história da Beata Assunta Marchetti e descubra por que seu testemunho continua atual para a Igreja no Brasil.

Quem foi a Beata Assunta Marchetti?

A Beata Assunta Marchetti foi uma religiosa, missionária e cofundadora das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo, conhecidas como Irmãs Scalabrinianas.

Seu nome completo era Assunta Caterina Marchetti. Ela nasceu na Itália, mas viveu a maior parte de sua missão no Brasil, onde se dedicou especialmente aos filhos de migrantes, aos órfãos, aos pobres, aos doentes e às crianças abandonadas.

A origem da congregação feminina scalabriniana está ligada à missão iniciada por seu irmão, Padre José Marchetti, sob a inspiração e a bênção de São João Batista Scalabrini. Assunta é reconhecida como cofundadora porque deu forma concreta, continuidade e maternidade espiritual ao carisma, especialmente no cuidado dos órfãos e abandonados em solo brasileiro.

Sua importância para a Igreja no Brasil está ligada ao modo como encarnou a caridade cristã em uma realidade concreta: a dos migrantes que chegavam ao país em condições difíceis, muitas vezes pobres, desamparados e sem proteção social. Assunta tornou-se para eles uma mãe espiritual, educadora, enfermeira e servidora.

Quando e onde nasceu?

Assunta Caterina Marchetti nasceu em 15 de agosto de 1871, em Lombrici di Camaiore, na região de Lucca, Itália. Era filha de Angelo Marchetti e Carolina Ghilarducci, chamada em algumas fontes de Carola.

Sua família era numerosa, pobre de recursos materiais, mas profundamente marcada pela fé. Desde pequena, Assunta aprendeu a rezar, trabalhar e servir. Como primeira filha mulher entre muitos irmãos, precisou assumir responsabilidades domésticas ainda cedo, ajudando a mãe e cuidando dos menores.

Um dos acontecimentos mais marcantes de sua juventude foi a morte do pai, em 1893. A perda aumentou as dificuldades da família e exigiu de Assunta uma maturidade precoce. Nesse período, seu irmão José Marchetti já havia abraçado o sacerdócio e se tornaria peça decisiva em sua vocação missionária.

Assunta desejava inicialmente seguir a vida contemplativa, consagrando-se a Deus em um caminho de recolhimento e oração. No entanto, a Providência a conduziria a outro tipo de clausura: a do serviço humilde, escondido e constante entre crianças, pobres e migrantes.

Quando e onde morreu?

A Beata Assunta Marchetti faleceu em São Paulo, no dia 1º de julho de 1948, no Orfanato Feminino Cristóvão Colombo, localizado na Vila Prudente.

Sua morte foi recebida com grande comoção pelas irmãs, pelas crianças e por todos os que conheciam sua vida de serviço. A fama de santidade que a acompanhava não nasceu de discursos ou obras grandiosas, mas da percepção de que ela havia gasto a vida inteira pelos mais frágeis.

Os que conviveram com a Madre Assunta guardaram a memória de uma mulher forte, simples, generosa e inteiramente entregue à missão.

Onde viveu?

Assunta viveu a infância e a juventude na região de Lucca, na Itália. Ali amadureceu sua fé, sua vocação e seu desejo de consagração.

Em 1895, partiu para o Brasil, chegando pelo Porto de Santos antes de seguir para São Paulo, onde desenvolveria a maior parte de seu apostolado.

Sua vida missionária ficou especialmente ligada ao Orfanato Cristóvão Colombo, em São Paulo, e às obras das Irmãs Scalabrinianas voltadas ao cuidado de crianças, órfãos, migrantes, pobres e doentes. Também serviu em outras localidades, conforme as necessidades da Congregação, mas foi em São Paulo que sua missão ganhou maior expressão.

O contexto histórico da Beata Assunta Marchetti

A vida da Beata Assunta Marchetti está profundamente ligada à grande imigração italiana para o Brasil no final do século XIX.

Naquele período, muitas famílias deixaram a Itália por causa da pobreza, da falta de trabalho, da escassez de terras e da esperança de melhores condições de vida nas Américas. A travessia foi longa e difícil. Muitos migrantes chegaram ao Brasil sem recursos, sem proteção e sem conhecer a língua ou os costumes locais.

Ao desembarcar, encontravam novas dificuldades: moradias precárias, trabalho duro, exploração, doenças, luto e desagregação familiar. Entre os mais vulneráveis estavam as crianças órfãs ou abandonadas, filhos de migrantes que morriam durante a viagem ou nas primeiras etapas da vida no Brasil.

A Igreja, atenta a essa realidade, organizou iniciativas de acolhimento, assistência espiritual e proteção social. São João Batista Scalabrini, bispo de Piacenza, percebeu com clareza a urgência pastoral da questão migratória e promoveu obras dedicadas aos migrantes. Nesse ambiente nasceu a missão scalabriniana, à qual Assunta Marchetti entregaria a própria vida.

A vida e missão da Beata Assunta Marchetti

A trajetória de Assunta Marchetti pode ser compreendida como uma passagem da simplicidade familiar para uma maternidade espiritual ampla. Ela deixou a Itália não para buscar realização pessoal, mas para servir aqueles que a Providência colocaria em seu caminho.

Vocação religiosa e fundação das Irmãs Scalabrinianas

Desde jovem, Assunta desejava consagrar-se a Deus. Sua primeira inclinação era a vida contemplativa, mas as necessidades da família adiaram esse desejo.

O chamado definitivo surgiu por meio de seu irmão, Padre José Marchetti. Atuando entre os imigrantes italianos, ele havia conhecido de perto a dor dos órfãos e dos abandonados no Brasil. Ao perceber a necessidade de “corações maternos” para cuidar das crianças, convidou Assunta a deixar o projeto de clausura e dedicar-se aos órfãos em solo brasileiro. 

Depois de oração e discernimento, Assunta aceitou. Em 25 de outubro de 1895, diante de São João Batista Scalabrini, formou-se o primeiro grupo das Servas dos Órfãos e Abandonados no Exterior, origem da futura Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeu, conhecidas como Irmãs Scalabrinianas.

Padre José Marchetti foi o grande impulsionador dessa obra nascente: reuniu o primeiro grupo, apresentou-o a Scalabrini e conduziu as missionárias ao Brasil. Madre Assunta, por sua vez, tornou-se cofundadora ao assumir, preservar e fazer florescer o carisma no cuidado cotidiano dos órfãos, migrantes e abandonados.

Assunta partiu para o Brasil com sua mãe, Carolina, e outras jovens missionárias. Sua consagração nasceu, assim, ligada à migração, à caridade e ao cuidado das crianças mais desprotegidas.

A missão entre os migrantes no Brasil

Assunta chegou ao Brasil em 1895. Após a travessia pelo Atlântico, desembarcou no Porto de Santos e seguiu para São Paulo, onde começou sua missão junto às crianças acolhidas no Orfanato Cristóvão Colombo, no bairro do Ipiranga.

A obra nascente também se desdobraria no Orfanato Feminino Cristóvão Colombo, na Vila Prudente, destinado especialmente às meninas órfãs. Foi nesse espaço que Madre Assunta desenvolveria uma parte decisiva de sua missão e onde, mais tarde, viveria seus últimos anos.

Ali encontrou crianças marcadas pela orfandade, pela pobreza e pelo sofrimento. Muitas eram filhas de imigrantes italianos; outras vinham de famílias profundamente vulneráveis, inclusive crianças filhas de ex-escravizados que viviam em situação de abandono nas ruas e estradas de São Paulo. 

A Madre Assunta não se limitou a administrar uma obra. Ela se tornou mãe, educadora, enfermeira, catequista, cozinheira e presença de consolo. Seu serviço era concreto: alimentar, cuidar, vestir, ensinar, rezar, proteger e formar.

Espiritualidade e virtudes

A espiritualidade da Beata Assunta Marchetti era profundamente marcada pela confiança na Providência. Uma expressão resume bem sua vida: “Deus vê e provê”.

Essa confiança não significava ausência de sofrimento. Pelo contrário, Madre Assunta enfrentou pobreza, doenças, perdas, dificuldades financeiras, incompreensões e crises internas na obra nascente. Ainda assim, permaneceu fiel, convencida de que Deus não abandonava aqueles que serviam por amor.

A devoção ao Sagrado Coração de Jesus era central para a Madre Assunta. Diante do Coração de Cristo, ela discerniu a vocação missionária e encontrou força para servir. A Eucaristia também sustentava sua vida interior, marcada por intensa oração, inclusive de madrugada, e pelo desejo de unir contemplação e serviço.

Também cultivava devoção à Virgem Maria. Como tantas santas mulheres da história da Igreja, viveu uma maternidade espiritual inspirada na ternura da Mãe de Deus.

Entre suas virtudes, destacam-se a humildade, a pobreza, a obediência, a fortaleza, a caridade e a capacidade de servir sem buscar reconhecimento. Sua santidade não foi espetacular, mas cotidiana, feita de tarefas simples realizadas com amor.

Liderança e perseverança

Madre Assunta exerceu papel decisivo na consolidação das Irmãs Scalabrinianas. Depois da morte precoce de Padre José Marchetti, assumiu com as coirmãs a continuidade da obra nascente e ajudou a preservar o carisma recebido: servir Cristo nos migrantes, nos órfãos, nos pobres e nos abandonados.

No governo da Congregação, Madre Assunta procurou conduzir a obra com espírito materno, fidelidade ao carisma scalabriniano e atenção concreta às irmãs, às crianças e aos mais vulneráveis. Sua autoridade nunca teve traços de poder pessoal, apenas de serviço.

Ela cuidava das crianças, das irmãs, dos doentes e dos pobres com a mesma disposição. Ao mesmo tempo, foi firme na defesa do carisma recebido e perseverante diante das dificuldades que ameaçaram a continuidade da obra.

Nos últimos anos de vida, enfrentou enfermidades e limitações físicas. Uma ferida na perna, surgida após um incidente durante o cuidado de um doente, causou sofrimento prolongado. Mesmo assim, sempre que podia, continuava a servir.

Seu testemunho final foi o de uma maternidade espiritual vivida até o fim. Assunta não se retirou da missão quando vieram a dor e a fraqueza. Transformou o sofrimento em oferta e permaneceu unida aos pequenos que tanto amava.

A contribuição da Beata Assunta Marchetti para a fé no Brasil

A contribuição da Beata Assunta Marchetti para a fé no Brasil permanece atual porque sua missão toca uma das grandes feridas da história humana: a vulnerabilidade de quem precisa deixar sua terra.

O testemunho de Madre Assunta recorda que migrantes e refugiados não são números nem problemas abstratos, mas pessoas concretas, com histórias, dores, famílias e dignidade. Como via Cristo nos migrantes, nos órfãos, nos doentes e nos pobres, seu acolhimento era profundamente cristão. Por isso, o cuidado com crianças em situação de vulnerabilidade não se limitava ao abrigo: oferecia presença, educação, fé, disciplina, ternura e futuro. 

A dimensão materna vivida na vida consagrada é outro elemento importante de seu legado. Madre Assunta não teve filhos biológicos, mas tornou-se mãe de muitos, em uma fecundidade espiritual nascida da consagração, da caridade e da entrega.

Sua confiança na Providência também fala ao nosso tempo. Em uma realidade marcada por incertezas, ela testemunha que confiar em Deus não é deixar de agir, mas agir com coragem, sabendo-se amado e sustentado por Ele. 

Por fim, o legado das Irmãs Scalabrinianas na educação, na assistência social e na pastoral dos migrantes continua a prolongar o carisma vivido por Madre Assunta. A semente lançada por ela permanece viva no serviço aos que cruzam fronteiras em busca de pão, trabalho, segurança e esperança.

Processo de beatificação da Beata Assunta Marchetti

A causa de beatificação da Beata Assunta Marchetti nasceu da fama de santidade preservada pelas Irmãs Scalabrinianas, pelos migrantes, pelos órfãos e por todos os que reconheceram nela uma vida de virtudes cristãs.

O caminho até a beatificação

O processo diocesano da causa foi aberto em São Paulo em 1987. Nos anos seguintes, foram recolhidos documentos, testemunhos e elementos sobre sua vida, suas virtudes e sua fama de santidade.

Em 19 de dezembro de 2011, o Papa Bento XVI autorizou a promulgação do decreto que reconheceu suas virtudes heroicas, e Madre Assunta passou a ser chamada Venerável.

O milagre reconhecido para sua beatificação ocorreu em Porto Alegre, em 1994, com Heráclides Teixeira Filho, internado no Hospital Mãe de Deus. Ele sofreu uma parada cardíaca prolongada, que se estendeu por mais de quinze minutos sem oxigenação cerebral. Durante a internação, familiares e religiosas pediram a intercessão de Madre Assunta. Heráclides recobrou os sentidos e se recuperou sem sequelas neurológicas. O caso foi analisado pela Igreja e reconhecido como milagre atribuído à sua intercessão.

Em 9 de outubro de 2013, o Papa Francisco autorizou o decreto que reconheceu o milagre. A beatificação foi celebrada em 25 de outubro de 2014, na Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Assunção, a Catedral da Sé, em São Paulo.

Atualmente, sua causa encontra-se na etapa posterior à beatificação. Para a canonização, é necessário o reconhecimento de um novo milagre atribuído à sua intercessão, ocorrido após a beatificação.

Relíquias e local de sepultamento da Beata Assunta Marchetti

A memória da Beata Assunta Marchetti permanece especialmente ligada à Casa Madre Assunta, na Vila Prudente, em São Paulo.

Onde está sepultada?

A Beata Assunta Marchetti faleceu no Orfanato Feminino Cristóvão Colombo, na Vila Prudente, em São Paulo. Inicialmente, seus restos mortais foram sepultados no Cemitério da Consolação.

Em 1991, durante o processo de sua causa, seus restos mortais foram exumados e trasladados para a obra da Vila Prudente, atual Casa Madre Assunta. Hoje, sua memória está preservada nesse local, onde ficam a capela, o memorial e as relíquias da Beata Assunta.

Esse espaço é importante para a Congregação e para os devotos porque reúne a memória da vida, da morte e da obra que marcaram a missão de Madre Assunta no Brasil.

Existem relíquias para veneração?

Sim. Há relíquias da Beata Assunta Marchetti preservadas na Casa Madre Assunta, na Vila Prudente, em São Paulo.

Para os devotos, esse espaço recorda a presença concreta de uma mulher que serviu a Deus no cuidado dos pequenos, dos migrantes e dos órfãos. 

A veneração das relíquias não substitui a adoração devida somente a Deus. Ela expressa a fé na comunhão dos santos e ajuda os fiéis a contemplarem, em uma vida concreta, os frutos da graça.

Devoção e memória da Beata Assunta Marchetti

A devoção à Beata Assunta Marchetti permanece viva especialmente entre as Irmãs Scalabrinianas, os Leigos Missionários Scalabrinianos, comunidades ligadas à pastoral dos migrantes e fiéis que recorrem à sua intercessão.

Igrejas, celebrações e peregrinações

O principal local ligado à memória da Beata Assunta Marchetti é a Casa Madre Assunta, situada na Vila Prudente, em São Paulo. Ali estão a capela, o memorial e as relíquias.

As celebrações em sua honra são promovidas especialmente pelas Irmãs Scalabrinianas e por comunidades que preservam seu legado. Sua memória é celebrada em 1º de julho, data de sua morte.

Além da Casa Madre Assunta, sua devoção também está presente em comunidades, escolas, obras sociais e espaços missionários ligados ao carisma scalabriniano. Nesses lugares, sua vida é recordada como exemplo de acolhimento, serviço e confiança na Providência.

Orações e devoção à Beata Assunta Marchetti

A devoção à Beata Assunta Marchetti se expressa por meio de orações, novenas, pedidos de intercessão e visitas ao memorial ligado à sua vida e missão.

Os fiéis costumam pedir sua intercessão especialmente por migrantes, refugiados, crianças abandonadas, órfãos, famílias em sofrimento, doentes e pessoas que necessitam de esperança diante de situações difíceis.

Uma das orações divulgadas pela Congregação das Irmãs Scalabrinianas e pela Vice-Postulação de sua causa pede graças por intercessão da Beata Assunta Marchetti:

Oração para pedir graças

Ó Jesus, que dissestes: “Vinde a mim todos vós que estais aflitos e sobrecarregados, e eu vos aliviarei”. Rendo-vos graças por terdes feito da Bem-aventurada Assunta Marchetti o conforto dos migrantes, a mãe dos órfãos e o alívio dos necessitados.

Ó Jesus, pelos vossos méritos infinitos e pela intercessão de nossa Mãe Santíssima, glorificai na terra a vossa humilde serva, concedendo-me, por sua intercessão, a graça que vos peço com tanta confiança:

(Mentalizar ou dizer a graça de que necessita)

Vós, que viveis e reinais com o Pai e o Espírito Santo por todos os séculos dos séculos. Amém.

Reza-se: Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória.

Jaculatória: Bem-aventurada Assunta Marchetti, rogai por nós!

Essa oração resume a espiritualidade de Madre Assunta: confiança em Cristo, amor à Virgem Maria, cuidado com os migrantes, maternidade espiritual junto aos órfãos e atenção aos necessitados. A expressão “Deus vê e provê” permanece como síntese de sua vida e de sua confiança inabalável na Providência.

A Beata Assunta Marchetti ocupa um lugar singular na história da santidade no Brasil. Italiana de nascimento, encontrou em solo brasileiro a missão para a qual Deus a preparava: ser mãe dos órfãos, servidora dos migrantes e presença de ternura junto aos mais vulneráveis.

O testemunho de Madre Assunta mostra que a santidade pode florescer no serviço escondido: na cozinha, na enfermaria, na costura, na educação das crianças, na oração silenciosa e na fidelidade aos pequenos deveres de cada dia. 

Ao recordar a Beata Assunta Marchetti, a Igreja no Brasil contempla uma mulher de fé profunda, caridade concreta e confiança inabalável na Providência, cujo testemunho continua a ensinar que Deus vê, Deus provê e se deixa encontrar nos pobres, nos migrantes, nos órfãos e em todos aqueles que esperam por acolhimento.

Referências

CASA MADRE ASSUNTA. Memorial Bem-aventurada Assunta Marchetti. Disponível em: https://madreassunta.com.br/memorial-bem-aventurada-assunta-marchetti/.

CASA MADRE ASSUNTA. Memória. Disponível em: https://madreassunta.com.br/memoria/.

CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL. Religiosa que viveu no Brasil será beatificada em outubro. Disponível em: https://www.cnbb.org.br/religiosa-que-viveu-no-brasil-sera-beatificada-em-outubro/.

DICASTÉRIO PARA AS CAUSAS DOS SANTOS. Assunta Marchetti (1871-1948). Disponível em: https://www.causesanti.va/it/santi-e-beati/assunta-marchetti.html.

DICASTÉRIO PARA AS CAUSAS DOS SANTOS. Beatificazione, 25-10-2014 — Assunta Marchetti. Disponível em: https://www.causesanti.va/it/celebrazioni/beatificazioni/2014/10.html.

IRMÃS SCALABRINIANAS. Biografia da Bem-Aventurada Assunta Marchetti. Disponível em: https://scalabrinianas.org/biografia-da-bem-aventurada-assunta-marchetti/.

IRMÃS SCALABRINIANAS. Festa da Bem-aventurada Assunta Marchetti. Disponível em: https://scalabrinianas.org/festa-da-bem-aventurada-assunta-marchetti/.

MEZZOMO, Leocádia, MSCS. Bem-aventurada Assunta Marchetti — Reflexo da ternura materna de Deus. In: Santidade no Brasil. Minha Biblioteca Católica, p. 533-574.

SCALABRINIANI. Madre Assunta Marchetti — Causa de Canonização. Disponível em: https://www.scalabriniani.org/pt/madre-assunta-marchetti-causa-di-canonizzazione/.

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