Espiritualidade

Reflexão do 4º Domingo da Quaresma

Confira esta reflexão do 4° Domingo da Quaresma, escrita por Santo Afonso de Ligório, grande doutor da Igreja.

Reflexão do 4º Domingo da Quaresma
Espiritualidade

Reflexão do 4º Domingo da Quaresma

Confira esta reflexão do 4° Domingo da Quaresma, escrita por Santo Afonso de Ligório, grande doutor da Igreja.

Data da Publicação: 26/02/2024
Tempo de leitura:
Autor: Redação Minha Biblioteca Católica
Data da Publicação: 26/02/2024
Tempo de leitura:
Autor: Redação Minha Biblioteca Católica

Santo Afonso de Ligório nos ajuda com esta reflexão do 4° Domingo da Quaresma a meditar sobre as leituras e o espírito com que a Igreja quer que vivamos esta liturgia.

Reflexão de Santo Afonso de Ligório para o 4° Domingo da Quaresma

Unde ememus panes ut manducent hi? – Onde compraremos pães para que estes comam? 1.

A tenra compaixão que moveu o Senhor a multiplicar os pães para dar de comer à multidão que o seguia, deve mover-nos a socorrer as almas do Purgatório, que são muito mais numerosas e muito mais famintas de seu alimento espiritual, que é Deus. O meio principal de que devemos usar para lhes levar socorro é a Santíssima Eucaristia. Em sufrágio dessas almas, visitemos frequentemente a Jesus sacramentado; aproximemo-nos da mesa da comunhão, e, se não podemos mandar celebrar missas, ouçamos ao menos todas as que as nossas ocupações nos permitam ouvir.

Meditações para a Quaresma – Ponto I:

Refere o Evangelho que, estando Jesus assentado sobre um monte, levantou os olhos, e viu ao redor de si uma multidão de quase cinco mil pessoas, que o seguiam, porque viam os milagres que fazia sobre os enfermos. Em seguida, sabendo que um moço tinha cinco pães de cevada e dois peixes, tomou-os em suas mãos, e, tendo dado graças, os mandou distribuir à multidão. Não somente houve o bastante para todos se fartarem, mas com os pedaços que sobejaram, os apóstolos encheram doze cestos. Eis aí o grande milagre que Jesus Cristo fez por compaixão de tantos pobres corporalmente.

Ora, é justo, ou para dizer melhor, é necessário que tenhamos compaixão das almas de outra multidão muito mais numerosa e incomparavelmente mais faminta do seu alimento espiritual: devemos compadecer-nos das almas benditas do Purgatório. Pobres almas! São muitas as penas que padecem naquele cárcere de tormentos; porém, acima de tudo aflige-as a privação da dulcíssima presença de Deus, cuja beleza infinita já conhecem. Não há na linguagem humana palavras apropriadas para exprimir qual seja esta pena; mas ainda que possuíssemos as palavras adequadas, faltar-nos-ia a capacidade de compreendê-las, preocupados como estamos com as coisas terrestres.

Mas a pena que a privação de Deus traz consigo é bem compreendida pelas pobres almas que a padecem. Por isso levantam a sua voz lamentosa e pedem-nos que lhes saciemos a fome inconcebível de contemplarem quanto antes o objeto de seu amor: Miseremini mei, saltem vos, amici mei, quia manus Domini tetigit me – Compadecei-vos de mim, ao menos vós, que sois meus amigos, porque a mão do Senhor me feriu.2

Que tal rezar a Novena pelas almas do Purgatório?

almas sendo salvas do purgatório, reflexão do 4º domingo da quaresma..

Meditações para a Quaresma – Ponto II:

O milagre da multiplicação dos pães, assim como se conclui do Evangelho, foi feito para provar a presença verdadeira de Jesus na Eucaristia; e mesmo, segundo observavam os doutores, foi uma figura da mesa eucarística. Eis, pois, o meio eficacíssimo de que, à imitação do Redentor, devemos lançar mão para saciarmos a fome das almas benditas do purgatório. Visitemos muitas vezes o divino sacramento, comunguemos com frequência; sobretudo mandemos celebrar em alívio das almas o sacrifício incruento da Missa, ou ao menos ouçamos para sufragá-las todas as missas que pudermos. “Cada Missa que se celebra”, diz São Jerônimo, “faz sair várias almas do Purgatório”. E São Gregório acrescenta: “Quem assiste devotamente à Missa, alivia as almas dos fiéis defuntos e contribui para lhes serem perdoados completamente os pecados”.

Pelo que uma pessoa muito devota às almas do purgatório, cada vez que ouvia tocar a entrada para uma Missa, afigurava-se ver as almas no meio das chamas e ouvir os seus gritos lastimosos e angustiados. “Então”, assim dizia, “por urgentes que sejam as minhas ocupações, não posso deixar de assistir ao divino sacrifício, nem tenho coragem de lhes dizer: Esperai, porque hoje falta-me o tempo para vos ajudar”. Façamos do mesmo modo, e fiquemos certos de que aquelas santas prisioneiras saberão mostrar-se agradecidas. Além disso, virá o tempo em que, estando nós também no Purgatório, nos medirão a nós com a medida que nós tivermos medido aos outros.3

Ó dulcíssimo Jesus, pela compaixão que mostrastes para com as multidões famintas que vos acompanhavam, tende piedade das almas do purgatório. Volvei também para mim os vosso olhos piedosos, “e fazei, ó Deus todo-poderoso, que na aflição pelas minhas iniquidades, respire com a consolação de vossa graça”.4 Doce Coração de Maria, sede minha salvação.

Disponibilizamos no nosso blog não só esse dia, mas meditações de Santo Afonso para todos os dias da quaresma.

Referências

  1. Jo 6,5[]
  2. Jó 19,21.[]
  3. Mt 7,2.[]
  4. Or. Dom. curr.[]

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    Redação Minha Biblioteca Católica

    O maior clube de leitores católicos do Brasil.

    O que você vai encontrar neste artigo?

    Santo Afonso de Ligório nos ajuda com esta reflexão do 4° Domingo da Quaresma a meditar sobre as leituras e o espírito com que a Igreja quer que vivamos esta liturgia.

    Reflexão de Santo Afonso de Ligório para o 4° Domingo da Quaresma

    Unde ememus panes ut manducent hi? – Onde compraremos pães para que estes comam? 1.

    A tenra compaixão que moveu o Senhor a multiplicar os pães para dar de comer à multidão que o seguia, deve mover-nos a socorrer as almas do Purgatório, que são muito mais numerosas e muito mais famintas de seu alimento espiritual, que é Deus. O meio principal de que devemos usar para lhes levar socorro é a Santíssima Eucaristia. Em sufrágio dessas almas, visitemos frequentemente a Jesus sacramentado; aproximemo-nos da mesa da comunhão, e, se não podemos mandar celebrar missas, ouçamos ao menos todas as que as nossas ocupações nos permitam ouvir.

    Meditações para a Quaresma – Ponto I:

    Refere o Evangelho que, estando Jesus assentado sobre um monte, levantou os olhos, e viu ao redor de si uma multidão de quase cinco mil pessoas, que o seguiam, porque viam os milagres que fazia sobre os enfermos. Em seguida, sabendo que um moço tinha cinco pães de cevada e dois peixes, tomou-os em suas mãos, e, tendo dado graças, os mandou distribuir à multidão. Não somente houve o bastante para todos se fartarem, mas com os pedaços que sobejaram, os apóstolos encheram doze cestos. Eis aí o grande milagre que Jesus Cristo fez por compaixão de tantos pobres corporalmente.

    Ora, é justo, ou para dizer melhor, é necessário que tenhamos compaixão das almas de outra multidão muito mais numerosa e incomparavelmente mais faminta do seu alimento espiritual: devemos compadecer-nos das almas benditas do Purgatório. Pobres almas! São muitas as penas que padecem naquele cárcere de tormentos; porém, acima de tudo aflige-as a privação da dulcíssima presença de Deus, cuja beleza infinita já conhecem. Não há na linguagem humana palavras apropriadas para exprimir qual seja esta pena; mas ainda que possuíssemos as palavras adequadas, faltar-nos-ia a capacidade de compreendê-las, preocupados como estamos com as coisas terrestres.

    Mas a pena que a privação de Deus traz consigo é bem compreendida pelas pobres almas que a padecem. Por isso levantam a sua voz lamentosa e pedem-nos que lhes saciemos a fome inconcebível de contemplarem quanto antes o objeto de seu amor: Miseremini mei, saltem vos, amici mei, quia manus Domini tetigit me – Compadecei-vos de mim, ao menos vós, que sois meus amigos, porque a mão do Senhor me feriu.2

    Que tal rezar a Novena pelas almas do Purgatório?

    almas sendo salvas do purgatório, reflexão do 4º domingo da quaresma..

    Meditações para a Quaresma – Ponto II:

    O milagre da multiplicação dos pães, assim como se conclui do Evangelho, foi feito para provar a presença verdadeira de Jesus na Eucaristia; e mesmo, segundo observavam os doutores, foi uma figura da mesa eucarística. Eis, pois, o meio eficacíssimo de que, à imitação do Redentor, devemos lançar mão para saciarmos a fome das almas benditas do purgatório. Visitemos muitas vezes o divino sacramento, comunguemos com frequência; sobretudo mandemos celebrar em alívio das almas o sacrifício incruento da Missa, ou ao menos ouçamos para sufragá-las todas as missas que pudermos. “Cada Missa que se celebra”, diz São Jerônimo, “faz sair várias almas do Purgatório”. E São Gregório acrescenta: “Quem assiste devotamente à Missa, alivia as almas dos fiéis defuntos e contribui para lhes serem perdoados completamente os pecados”.

    Pelo que uma pessoa muito devota às almas do purgatório, cada vez que ouvia tocar a entrada para uma Missa, afigurava-se ver as almas no meio das chamas e ouvir os seus gritos lastimosos e angustiados. “Então”, assim dizia, “por urgentes que sejam as minhas ocupações, não posso deixar de assistir ao divino sacrifício, nem tenho coragem de lhes dizer: Esperai, porque hoje falta-me o tempo para vos ajudar”. Façamos do mesmo modo, e fiquemos certos de que aquelas santas prisioneiras saberão mostrar-se agradecidas. Além disso, virá o tempo em que, estando nós também no Purgatório, nos medirão a nós com a medida que nós tivermos medido aos outros.3

    Ó dulcíssimo Jesus, pela compaixão que mostrastes para com as multidões famintas que vos acompanhavam, tende piedade das almas do purgatório. Volvei também para mim os vosso olhos piedosos, “e fazei, ó Deus todo-poderoso, que na aflição pelas minhas iniquidades, respire com a consolação de vossa graça”.4 Doce Coração de Maria, sede minha salvação.

    Disponibilizamos no nosso blog não só esse dia, mas meditações de Santo Afonso para todos os dias da quaresma.

    Referências

    1. Jo 6,5[]
    2. Jó 19,21.[]
    3. Mt 7,2.[]
    4. Or. Dom. curr.[]

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