Conheça a história do Beato Mariano de la Mata, sacerdote espanhol que dedicou mais de 50 anos à educação e à caridade no Brasil.
Conheça a história do Beato Mariano de la Mata, sacerdote espanhol que dedicou mais de 50 anos à educação e à caridade no Brasil.
O Beato Mariano de la Mata foi um sacerdote agostiniano espanhol que fez do Brasil sua pátria missionária. Em São Paulo, tornou-se conhecido pela dedicação à educação, pelo apostolado junto aos mais pobres e pelo exercício incansável da caridade.
A trajetória de Padre Mariano não foi marcada por grandes gestos exteriores, mas por uma santidade simples, perseverante e cotidiana. Como professor, confessor, diretor espiritual e servidor dos necessitados, mostrou que a caridade vivida com fidelidade pode transformar silenciosamente muitas vidas. Conheça sua história e descubra por que ele permanece como um exemplo tão próximo para a Igreja no Brasil.
O Beato Mariano de la Mata Aparício foi um sacerdote da Ordem de Santo Agostinho, nascido na Espanha e enviado como missionário ao Brasil no início da década de 1930.
Ao longo de mais de 50 anos de missão em terras brasileiras, atuou como professor, formador, superior religioso, diretor espiritual, vigário paroquial e animador de obras de caridade — especialmente na cidade de São Paulo, onde trabalhou no Colégio Santo Agostinho, na Igreja de Santo Agostinho e nas Oficinas de Caridade Santa Rita de Cássia.
Para a Igreja no Brasil, sua importância está no testemunho de uma santidade comum e acessível. Padre Mariano não se destacou por feitos espetaculares, mas pela fidelidade diária à oração, ao sacerdócio, à vida comunitária e ao serviço aos pobres, enfermos, crianças e trabalhadores.
Mariano de la Mata Aparício nasceu em 31 de dezembro de 1905, em La Puebla de Valdavia, na província de Palência, Espanha.
Era filho de Manuel de la Mata Fraile e Martina Aparicio Baños. Cresceu em uma família numerosa e profundamente cristã, na qual a fé era vivida no cotidiano. A vocação religiosa marcou intensamente sua família: seus irmãos também seguiram a vida consagrada na família agostiniana.
Ainda criança, recebeu os primeiros ensinamentos em sua terra natal e foi formado em um ambiente simples, religioso e atento às necessidades dos pobres. Esse contexto familiar ajudou a preparar seu coração para a vida religiosa e para o futuro chamado missionário.
O Beato Mariano de la Mata faleceu em São Paulo, no dia 5 de abril de 1983, no Hospital do Câncer, depois de enfrentar um grave quadro oncológico abdominal.
Nos últimos dias de vida, internado e debilitado, continuou preocupado com os outros. Mesmo sofrendo, procurava consolar os enfermos ao seu redor e manter viva a esperança cristã. Sua morte consolidou a fama de santidade que já o acompanhava entre religiosos, alunos, paroquianos, pobres e pessoas atendidas por ele.
Logo após seu falecimento, muitos passaram a recorrer à sua intercessão, recordando-o como um sacerdote simples, caridoso e profundamente unido a Deus.
Mariano viveu sua infância e juventude na Espanha, onde recebeu a formação cristã inicial e ingressou na Ordem de Santo Agostinho.
Depois da ordenação sacerdotal, em 1930, foi enviado ao Brasil. Chegou em 1931 e passou a desenvolver sua missão no estado de São Paulo. Atuou inicialmente em Taquaritinga, depois em São Paulo, no Colégio Santo Agostinho, e também em Engenheiro Schmitt, ligado à presença agostiniana em São José do Rio Preto.
Sua vida missionária, porém, ficou especialmente associada à capital paulista, onde exerceu por décadas o ministério sacerdotal, a direção espiritual e a caridade junto aos pobres e aos enfermos.
A chegada de Padre Mariano ao Brasil ocorreu em um período de forte presença de missionários europeus no país. Durante o século XX, muitas ordens e congregações religiosas contribuíram para a formação cristã, a educação, a vida paroquial e a promoção social em diversas regiões brasileiras.
No caso dos agostinianos, a atuação no Brasil esteve ligada à evangelização, ao ensino, à formação religiosa e ao serviço pastoral. Em São Paulo, cidade em intenso crescimento urbano, havia grandes desafios sociais: pobreza, migração interna, desigualdade, expansão dos bairros, formação de trabalhadores e necessidade de assistência espiritual e material.
Foi nesse ambiente que ele encontrou seu campo de missão. A cidade grande, com suas necessidades materiais e espirituais, tornou-se o lugar onde ele viveu a espiritualidade agostiniana como caminho de caridade, comunhão e serviço.
A trajetória do Beato Mariano de la Mata revela uma vocação sacerdotal amadurecida na vida religiosa e frutificada no Brasil por meio da educação, da direção espiritual e da caridade concreta.
Mariano ingressou na Ordem de Santo Agostinho ainda jovem. Em 1921, entrou no seminário agostiniano de Valladolid, seguindo o exemplo de irmãos que também haviam abraçado a vida religiosa.
Em 1922, fez sua primeira profissão religiosa, assumindo os votos de pobreza, castidade e obediência. Mais tarde, em 1927, professou os votos solenes. Sua formação foi marcada pelo estudo, pela disciplina, pela vida comunitária e pela espiritualidade de Santo Agostinho.
Foi ordenado sacerdote em 25 de julho de 1930. Pouco depois, recebeu o chamado missionário que o levaria ao Brasil. Em 1931, deixou a Espanha e partiu para o Brasil, onde viveria praticamente todo o restante de sua vida.
Padre Mariano chegou ao Brasil em 1931. Seu primeiro campo de missão foi Taquaritinga, no interior de São Paulo, onde serviu como coadjutor paroquial. Pouco tempo depois, em 1933, foi transferido para a capital paulista.
Em São Paulo, atuou no Colégio Santo Agostinho, onde foi professor, secretário, ecônomo e referência formativa para alunos e famílias. Como educador, não se limitava à transmissão de conteúdos. Procurava formar pessoas, cultivar valores cristãos e aproximar os jovens de Deus.
Também exerceu funções de responsabilidade na Ordem de Santo Agostinho, chegando a ser superior da Vice-Província agostiniana no Brasil. Mesmo em cargos de governo, manteve um estilo simples, fraterno e profundamente pastoral.
Entre suas obras mais marcantes está o acompanhamento das Oficinas de Caridade Santa Rita de Cássia. Esses grupos reuniam senhoras católicas dedicadas à espiritualidade e ao serviço dos pobres. A ajuda acontecia especialmente por meio da confecção de roupas, enxovais e do auxílio a famílias necessitadas. Padre Mariano foi diretor espiritual dessas oficinas, visitando seus núcleos, animando a vida cristã das participantes e fortalecendo nelas o espírito de caridade.
A caridade foi a marca mais reconhecida do ministério de Padre Mariano. Ele visitava enfermos, consolava famílias, atendia pobres, aconselhava pessoas em sofrimento e levava esperança onde havia dor.
Conhecido por sua presença junto aos doentes, não poupava esforços para visitar hospitais, casas e pessoas necessitadas. Quando sabia que alguém estava só ou sofrendo, procurava oferecer uma palavra amiga, uma oração, a Comunhão ou simplesmente sua companhia sacerdotal.
Também se aproximava dos moradores de rua e dos trabalhadores. Um episódio muito lembrado em sua vida é o apoio aos operários do Metrô de São Paulo, especialmente durante as obras na região próxima à Igreja de Santo Agostinho. Padre Mariano levava lanches, santinhos, palavras de fé e incentivo, tratando cada trabalhador com respeito e atenção.
As crianças também ocupavam um lugar especial em seu coração. Muitas se aproximavam dele porque recebiam pequenos gestos de carinho, como doces e santinhos. Esses sinais simples expressavam uma pedagogia da ternura: para Padre Mariano, a evangelização também passava pela bondade cotidiana.
Sua humildade conquistava os fiéis. Embora fosse homem de firmeza e disciplina, era lembrado como simples, desapegado, sensível à dor alheia e profundamente interessado no bem das pessoas.
Nos últimos anos, Padre Mariano enfrentou o sofrimento causado por uma grave doença oncológica. A enfermidade atingiu sua região abdominal e exigiu internação, cirurgia e cuidados médicos.
Mesmo debilitado, viveu esse período com espírito cristão. Não se fechou em si mesmo; no hospital, continuava atento aos outros enfermos, às crianças doentes e às pessoas que o procuravam.
Sua serenidade diante do sofrimento impressionou aqueles que o acompanharam. Para ele, a morte não era derrota, mas passagem para Deus. Morreu em 5 de abril de 1983, deixando entre os fiéis e confrades a convicção de que haviam convivido com um sacerdote santo.
O testemunho do Beato Mariano de la Mata permanece relevante porque mostra que a santidade pode ser construída por meio da caridade perseverante.
Ele viveu a caridade no cotidiano, sem transformá-la em discurso: visitava, escutava, orientava, consolava e servia. Seu exemplo recorda que a fé cristã precisa tocar a vida concreta das pessoas, especialmente dos que sofrem.
A dedicação de Padre Mariano à educação também permanece atual. Como professor e formador, entendeu que educar é ajudar a pessoa a crescer integralmente: na inteligência, na consciência, na fé e no amor ao próximo.
O cuidado com pobres, enfermos e trabalhadores revela uma espiritualidade profundamente encarnada. Padre Mariano não separava oração e ação. A vida interior alimentava a caridade; a caridade, por sua vez, confirmava a autenticidade da oração.
Sua espiritualidade agostiniana também é um legado para a Igreja. Seguindo a tradição de Santo Agostinho, viveu a busca de Deus na interioridade, na vida comunitária, na amizade espiritual e no serviço. Seu coração inquieto encontrou repouso em Deus e, por isso, soube ser presença de paz para os outros.
Por fim, sua humildade mostra que a santidade nem sempre chama atenção por feitos grandiosos. Muitas vezes, ela se manifesta na fidelidade escondida, na constância do bem, na paciência com os irmãos e na capacidade de servir sem buscar reconhecimento.
O reconhecimento oficial da Igreja confirmou a fama de santidade que o povo já conservava desde sua morte.
Após o falecimento de Padre Mariano, em 1983, a devoção a ele cresceu entre os fiéis, especialmente em São Paulo e nas comunidades ligadas aos agostinianos.
A causa teve início com o nulla osta da Santa Sé em 14 de dezembro de 1996. Em São Paulo, o processo canônico foi aberto em 31 de maio de 1997, sob responsabilidade da Arquidiocese.
Em 20 de dezembro de 2004, São João Paulo II reconheceu suas virtudes heroicas, e Padre Mariano passou a ser chamado Venerável.
O milagre reconhecido para sua beatificação ocorreu em 1996 com João Paulo Polotto, uma criança atropelada por um caminhão em Barra Bonita, no interior de São Paulo. O menino sofreu traumatismo craniano grave, hemorragia cerebral, paralisia e parada respiratória. Familiares, religiosos, alunos e membros da comunidade recorreram à intercessão de Padre Mariano.
A recuperação de João Paulo ocorreu sem sequelas e foi considerada sem explicação científica. Após o reconhecimento do milagre, Padre Mariano foi beatificado em 5 de novembro de 2006, na Catedral da Sé, em São Paulo, durante celebração presidida pelo Cardeal José Saraiva Martins, representante do Papa Bento XVI.
Atualmente, sua causa encontra-se na etapa posterior à beatificação. Para a canonização, é necessário o reconhecimento de um novo milagre atribuído à sua intercessão.
Relíquias e local de sepultamento do Beato Mariano de la Mata
A memória do Beato Mariano de la Mata permanece especialmente ligada à Igreja de Santo Agostinho, em São Paulo, local em que ele viveu grande parte de sua missão e no qual seus restos mortais são venerados.
O Beato Mariano de la Mata está sepultado na Igreja de Santo Agostinho, em São Paulo.
Antes da beatificação, suas relíquias foram trasladadas do túmulo dos frades agostinianos para um altar lateral na igreja, preparando o local para a veneração dos fiéis.
Esse espaço tornou-se importante para os devotos porque reúne a memória da vida sacerdotal de Padre Mariano, do apostolado no Colégio Santo Agostinho, da presença junto às Oficinas de Caridade e da dedicação aos pobres e enfermos.
Sim. As relíquias do Beato Mariano de la Mata são preservadas na Igreja de Santo Agostinho, em São Paulo, onde os fiéis podem rezar e pedir sua intercessão.
A veneração das relíquias expressa a fé na comunhão dos santos e ajuda os fiéis a recordar uma vida concreta, marcada pela caridade, pela humildade e pelo serviço.
A devoção ao Beato Mariano permanece viva sobretudo entre os agostinianos, os fiéis ligados à Igreja de Santo Agostinho, antigos alunos, famílias atendidas por sua caridade e comunidades que conservam sua memória.
O principal local ligado à sua memória é a Igreja de Santo Agostinho, em São Paulo, onde estão suas relíquias.
A memória litúrgica do Beato Mariano de la Mata é celebrada em 5 de novembro, data de sua beatificação na Catedral da Sé, em São Paulo, em 2006. Já o dia 5 de abril permanece como a data de seu falecimento, seu dies natalis, isto é, o dia de seu nascimento para o céu.
Outro sinal de devoção é o Caminho do Padre Mariano, peregrinação realizada no interior paulista, entre Engenheiro Schmitt e Cedral. O percurso recorda trajetos feitos por ele no exercício do ministério e ajuda a manter viva sua memória missionária.
As comunidades agostinianas, escolas, paróquias e obras sociais ligadas à Ordem de Santo Agostinho também preservam sua lembrança por meio de celebrações, orações, formação espiritual e iniciativas de caridade.
A devoção ao Beato Mariano de la Mata se expressa por meio de pedidos de intercessão, visitas ao seu altar, participação em celebrações, novenas e orações.
Os fiéis costumam pedir sua intercessão especialmente por enfermos, crianças, famílias, educadores, trabalhadores e pessoas que desejam crescer na caridade cotidiana.
Uma oração ao Beato Mariano diz:
Oração ao Beato Mariano
Ó Deus, autor da paz e fonte da caridade, que concedestes ao Bem-aventurado Mariano um admirável espírito de paciência e de serviço aos pobres e enfermos, nós vos suplicamos que sirvamos sempre com amor aos nossos irmãos. Concedei-nos, por intercessão do vosso servo Beato Mariano, a graça que ardentemente solicitamos.
(Pedir a graça)
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
Rezar três vezes.
Essa oração resume bem sua espiritualidade: paz, caridade, paciência, serviço aos pobres e atenção aos enfermos. Ao pedir sua intercessão, os fiéis também são convidados a imitar seu modo simples e perseverante de amar.
O Beato Mariano de la Mata ocupa um lugar especial na história da santidade no Brasil. Espanhol de nascimento, fez do Brasil sua pátria missionária e aqui viveu mais de meio século de serviço sacerdotal.
Sua vida demonstra que a santidade pode ser construída no cotidiano: em uma sala de aula, em um confessionário, em uma visita a um doente, em uma palavra de consolo, em um gesto de ternura com uma criança ou no cuidado silencioso com os pobres.
Ao recordar o Beato Mariano, a Igreja no Brasil contempla um sacerdote que viveu a espiritualidade agostiniana como caridade concreta. Esse testemunho continua a ensinar que o amor perseverante, humilde e fiel é um caminho seguro para Deus.
Referências
CANÇÃO NOVA NOTÍCIAS. Igreja celebra memória do Beato Mariano de la Mata. Disponível em: https://noticias.cancaonova.com/brasil/igreja-celebra-memoria-do-beato-mariano-de-la-mata/.
DICASTÉRIO PARA AS CAUSAS DOS SANTOS. Mariano de la Mata Aparicio (1905-1983). Disponível em: https://www.causesanti.va/it/santi-e-beati/mariano-de-la-mata-aparicio.html.
PONTES BORBA FILHO, João Marcos, Frei. Beato Mariano de la Mata — O mensageiro da Caridade. In: Santidade no Brasil. Minha Biblioteca Católica, p. 612-632.
PROVÍNCIA AGOSTINIANA DO BRASIL. Caminho do Pe. Mariano. Disponível em: https://www.osabrasil.org/caminho-pe-mariano.
PROVÍNCIA AGOSTINIANA DO BRASIL. História do Beato Mariano de La Mata Aparício, OSA. Disponível em: https://www.osabrasil.org/beato-mariano.
PROVÍNCIA AGOSTINIANA DO BRASIL. Orações e Novena. Disponível em: https://www.osabrasil.org/oracoes-novena.
VATICAN NEWS. Beato Mariano da Mata Aparício. Disponível em: https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2021-11/beato-mariano-da-mata-aparicio.html.
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O Beato Mariano de la Mata foi um sacerdote agostiniano espanhol que fez do Brasil sua pátria missionária. Em São Paulo, tornou-se conhecido pela dedicação à educação, pelo apostolado junto aos mais pobres e pelo exercício incansável da caridade.
A trajetória de Padre Mariano não foi marcada por grandes gestos exteriores, mas por uma santidade simples, perseverante e cotidiana. Como professor, confessor, diretor espiritual e servidor dos necessitados, mostrou que a caridade vivida com fidelidade pode transformar silenciosamente muitas vidas. Conheça sua história e descubra por que ele permanece como um exemplo tão próximo para a Igreja no Brasil.
O Beato Mariano de la Mata Aparício foi um sacerdote da Ordem de Santo Agostinho, nascido na Espanha e enviado como missionário ao Brasil no início da década de 1930.
Ao longo de mais de 50 anos de missão em terras brasileiras, atuou como professor, formador, superior religioso, diretor espiritual, vigário paroquial e animador de obras de caridade — especialmente na cidade de São Paulo, onde trabalhou no Colégio Santo Agostinho, na Igreja de Santo Agostinho e nas Oficinas de Caridade Santa Rita de Cássia.
Para a Igreja no Brasil, sua importância está no testemunho de uma santidade comum e acessível. Padre Mariano não se destacou por feitos espetaculares, mas pela fidelidade diária à oração, ao sacerdócio, à vida comunitária e ao serviço aos pobres, enfermos, crianças e trabalhadores.
Mariano de la Mata Aparício nasceu em 31 de dezembro de 1905, em La Puebla de Valdavia, na província de Palência, Espanha.
Era filho de Manuel de la Mata Fraile e Martina Aparicio Baños. Cresceu em uma família numerosa e profundamente cristã, na qual a fé era vivida no cotidiano. A vocação religiosa marcou intensamente sua família: seus irmãos também seguiram a vida consagrada na família agostiniana.
Ainda criança, recebeu os primeiros ensinamentos em sua terra natal e foi formado em um ambiente simples, religioso e atento às necessidades dos pobres. Esse contexto familiar ajudou a preparar seu coração para a vida religiosa e para o futuro chamado missionário.
O Beato Mariano de la Mata faleceu em São Paulo, no dia 5 de abril de 1983, no Hospital do Câncer, depois de enfrentar um grave quadro oncológico abdominal.
Nos últimos dias de vida, internado e debilitado, continuou preocupado com os outros. Mesmo sofrendo, procurava consolar os enfermos ao seu redor e manter viva a esperança cristã. Sua morte consolidou a fama de santidade que já o acompanhava entre religiosos, alunos, paroquianos, pobres e pessoas atendidas por ele.
Logo após seu falecimento, muitos passaram a recorrer à sua intercessão, recordando-o como um sacerdote simples, caridoso e profundamente unido a Deus.
Mariano viveu sua infância e juventude na Espanha, onde recebeu a formação cristã inicial e ingressou na Ordem de Santo Agostinho.
Depois da ordenação sacerdotal, em 1930, foi enviado ao Brasil. Chegou em 1931 e passou a desenvolver sua missão no estado de São Paulo. Atuou inicialmente em Taquaritinga, depois em São Paulo, no Colégio Santo Agostinho, e também em Engenheiro Schmitt, ligado à presença agostiniana em São José do Rio Preto.
Sua vida missionária, porém, ficou especialmente associada à capital paulista, onde exerceu por décadas o ministério sacerdotal, a direção espiritual e a caridade junto aos pobres e aos enfermos.
A chegada de Padre Mariano ao Brasil ocorreu em um período de forte presença de missionários europeus no país. Durante o século XX, muitas ordens e congregações religiosas contribuíram para a formação cristã, a educação, a vida paroquial e a promoção social em diversas regiões brasileiras.
No caso dos agostinianos, a atuação no Brasil esteve ligada à evangelização, ao ensino, à formação religiosa e ao serviço pastoral. Em São Paulo, cidade em intenso crescimento urbano, havia grandes desafios sociais: pobreza, migração interna, desigualdade, expansão dos bairros, formação de trabalhadores e necessidade de assistência espiritual e material.
Foi nesse ambiente que ele encontrou seu campo de missão. A cidade grande, com suas necessidades materiais e espirituais, tornou-se o lugar onde ele viveu a espiritualidade agostiniana como caminho de caridade, comunhão e serviço.
A trajetória do Beato Mariano de la Mata revela uma vocação sacerdotal amadurecida na vida religiosa e frutificada no Brasil por meio da educação, da direção espiritual e da caridade concreta.
Mariano ingressou na Ordem de Santo Agostinho ainda jovem. Em 1921, entrou no seminário agostiniano de Valladolid, seguindo o exemplo de irmãos que também haviam abraçado a vida religiosa.
Em 1922, fez sua primeira profissão religiosa, assumindo os votos de pobreza, castidade e obediência. Mais tarde, em 1927, professou os votos solenes. Sua formação foi marcada pelo estudo, pela disciplina, pela vida comunitária e pela espiritualidade de Santo Agostinho.
Foi ordenado sacerdote em 25 de julho de 1930. Pouco depois, recebeu o chamado missionário que o levaria ao Brasil. Em 1931, deixou a Espanha e partiu para o Brasil, onde viveria praticamente todo o restante de sua vida.
Padre Mariano chegou ao Brasil em 1931. Seu primeiro campo de missão foi Taquaritinga, no interior de São Paulo, onde serviu como coadjutor paroquial. Pouco tempo depois, em 1933, foi transferido para a capital paulista.
Em São Paulo, atuou no Colégio Santo Agostinho, onde foi professor, secretário, ecônomo e referência formativa para alunos e famílias. Como educador, não se limitava à transmissão de conteúdos. Procurava formar pessoas, cultivar valores cristãos e aproximar os jovens de Deus.
Também exerceu funções de responsabilidade na Ordem de Santo Agostinho, chegando a ser superior da Vice-Província agostiniana no Brasil. Mesmo em cargos de governo, manteve um estilo simples, fraterno e profundamente pastoral.
Entre suas obras mais marcantes está o acompanhamento das Oficinas de Caridade Santa Rita de Cássia. Esses grupos reuniam senhoras católicas dedicadas à espiritualidade e ao serviço dos pobres. A ajuda acontecia especialmente por meio da confecção de roupas, enxovais e do auxílio a famílias necessitadas. Padre Mariano foi diretor espiritual dessas oficinas, visitando seus núcleos, animando a vida cristã das participantes e fortalecendo nelas o espírito de caridade.
A caridade foi a marca mais reconhecida do ministério de Padre Mariano. Ele visitava enfermos, consolava famílias, atendia pobres, aconselhava pessoas em sofrimento e levava esperança onde havia dor.
Conhecido por sua presença junto aos doentes, não poupava esforços para visitar hospitais, casas e pessoas necessitadas. Quando sabia que alguém estava só ou sofrendo, procurava oferecer uma palavra amiga, uma oração, a Comunhão ou simplesmente sua companhia sacerdotal.
Também se aproximava dos moradores de rua e dos trabalhadores. Um episódio muito lembrado em sua vida é o apoio aos operários do Metrô de São Paulo, especialmente durante as obras na região próxima à Igreja de Santo Agostinho. Padre Mariano levava lanches, santinhos, palavras de fé e incentivo, tratando cada trabalhador com respeito e atenção.
As crianças também ocupavam um lugar especial em seu coração. Muitas se aproximavam dele porque recebiam pequenos gestos de carinho, como doces e santinhos. Esses sinais simples expressavam uma pedagogia da ternura: para Padre Mariano, a evangelização também passava pela bondade cotidiana.
Sua humildade conquistava os fiéis. Embora fosse homem de firmeza e disciplina, era lembrado como simples, desapegado, sensível à dor alheia e profundamente interessado no bem das pessoas.
Nos últimos anos, Padre Mariano enfrentou o sofrimento causado por uma grave doença oncológica. A enfermidade atingiu sua região abdominal e exigiu internação, cirurgia e cuidados médicos.
Mesmo debilitado, viveu esse período com espírito cristão. Não se fechou em si mesmo; no hospital, continuava atento aos outros enfermos, às crianças doentes e às pessoas que o procuravam.
Sua serenidade diante do sofrimento impressionou aqueles que o acompanharam. Para ele, a morte não era derrota, mas passagem para Deus. Morreu em 5 de abril de 1983, deixando entre os fiéis e confrades a convicção de que haviam convivido com um sacerdote santo.
O testemunho do Beato Mariano de la Mata permanece relevante porque mostra que a santidade pode ser construída por meio da caridade perseverante.
Ele viveu a caridade no cotidiano, sem transformá-la em discurso: visitava, escutava, orientava, consolava e servia. Seu exemplo recorda que a fé cristã precisa tocar a vida concreta das pessoas, especialmente dos que sofrem.
A dedicação de Padre Mariano à educação também permanece atual. Como professor e formador, entendeu que educar é ajudar a pessoa a crescer integralmente: na inteligência, na consciência, na fé e no amor ao próximo.
O cuidado com pobres, enfermos e trabalhadores revela uma espiritualidade profundamente encarnada. Padre Mariano não separava oração e ação. A vida interior alimentava a caridade; a caridade, por sua vez, confirmava a autenticidade da oração.
Sua espiritualidade agostiniana também é um legado para a Igreja. Seguindo a tradição de Santo Agostinho, viveu a busca de Deus na interioridade, na vida comunitária, na amizade espiritual e no serviço. Seu coração inquieto encontrou repouso em Deus e, por isso, soube ser presença de paz para os outros.
Por fim, sua humildade mostra que a santidade nem sempre chama atenção por feitos grandiosos. Muitas vezes, ela se manifesta na fidelidade escondida, na constância do bem, na paciência com os irmãos e na capacidade de servir sem buscar reconhecimento.
O reconhecimento oficial da Igreja confirmou a fama de santidade que o povo já conservava desde sua morte.
Após o falecimento de Padre Mariano, em 1983, a devoção a ele cresceu entre os fiéis, especialmente em São Paulo e nas comunidades ligadas aos agostinianos.
A causa teve início com o nulla osta da Santa Sé em 14 de dezembro de 1996. Em São Paulo, o processo canônico foi aberto em 31 de maio de 1997, sob responsabilidade da Arquidiocese.
Em 20 de dezembro de 2004, São João Paulo II reconheceu suas virtudes heroicas, e Padre Mariano passou a ser chamado Venerável.
O milagre reconhecido para sua beatificação ocorreu em 1996 com João Paulo Polotto, uma criança atropelada por um caminhão em Barra Bonita, no interior de São Paulo. O menino sofreu traumatismo craniano grave, hemorragia cerebral, paralisia e parada respiratória. Familiares, religiosos, alunos e membros da comunidade recorreram à intercessão de Padre Mariano.
A recuperação de João Paulo ocorreu sem sequelas e foi considerada sem explicação científica. Após o reconhecimento do milagre, Padre Mariano foi beatificado em 5 de novembro de 2006, na Catedral da Sé, em São Paulo, durante celebração presidida pelo Cardeal José Saraiva Martins, representante do Papa Bento XVI.
Atualmente, sua causa encontra-se na etapa posterior à beatificação. Para a canonização, é necessário o reconhecimento de um novo milagre atribuído à sua intercessão.
Relíquias e local de sepultamento do Beato Mariano de la Mata
A memória do Beato Mariano de la Mata permanece especialmente ligada à Igreja de Santo Agostinho, em São Paulo, local em que ele viveu grande parte de sua missão e no qual seus restos mortais são venerados.
O Beato Mariano de la Mata está sepultado na Igreja de Santo Agostinho, em São Paulo.
Antes da beatificação, suas relíquias foram trasladadas do túmulo dos frades agostinianos para um altar lateral na igreja, preparando o local para a veneração dos fiéis.
Esse espaço tornou-se importante para os devotos porque reúne a memória da vida sacerdotal de Padre Mariano, do apostolado no Colégio Santo Agostinho, da presença junto às Oficinas de Caridade e da dedicação aos pobres e enfermos.
Sim. As relíquias do Beato Mariano de la Mata são preservadas na Igreja de Santo Agostinho, em São Paulo, onde os fiéis podem rezar e pedir sua intercessão.
A veneração das relíquias expressa a fé na comunhão dos santos e ajuda os fiéis a recordar uma vida concreta, marcada pela caridade, pela humildade e pelo serviço.
A devoção ao Beato Mariano permanece viva sobretudo entre os agostinianos, os fiéis ligados à Igreja de Santo Agostinho, antigos alunos, famílias atendidas por sua caridade e comunidades que conservam sua memória.
O principal local ligado à sua memória é a Igreja de Santo Agostinho, em São Paulo, onde estão suas relíquias.
A memória litúrgica do Beato Mariano de la Mata é celebrada em 5 de novembro, data de sua beatificação na Catedral da Sé, em São Paulo, em 2006. Já o dia 5 de abril permanece como a data de seu falecimento, seu dies natalis, isto é, o dia de seu nascimento para o céu.
Outro sinal de devoção é o Caminho do Padre Mariano, peregrinação realizada no interior paulista, entre Engenheiro Schmitt e Cedral. O percurso recorda trajetos feitos por ele no exercício do ministério e ajuda a manter viva sua memória missionária.
As comunidades agostinianas, escolas, paróquias e obras sociais ligadas à Ordem de Santo Agostinho também preservam sua lembrança por meio de celebrações, orações, formação espiritual e iniciativas de caridade.
A devoção ao Beato Mariano de la Mata se expressa por meio de pedidos de intercessão, visitas ao seu altar, participação em celebrações, novenas e orações.
Os fiéis costumam pedir sua intercessão especialmente por enfermos, crianças, famílias, educadores, trabalhadores e pessoas que desejam crescer na caridade cotidiana.
Uma oração ao Beato Mariano diz:
Oração ao Beato Mariano
Ó Deus, autor da paz e fonte da caridade, que concedestes ao Bem-aventurado Mariano um admirável espírito de paciência e de serviço aos pobres e enfermos, nós vos suplicamos que sirvamos sempre com amor aos nossos irmãos. Concedei-nos, por intercessão do vosso servo Beato Mariano, a graça que ardentemente solicitamos.
(Pedir a graça)
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
Rezar três vezes.
Essa oração resume bem sua espiritualidade: paz, caridade, paciência, serviço aos pobres e atenção aos enfermos. Ao pedir sua intercessão, os fiéis também são convidados a imitar seu modo simples e perseverante de amar.
O Beato Mariano de la Mata ocupa um lugar especial na história da santidade no Brasil. Espanhol de nascimento, fez do Brasil sua pátria missionária e aqui viveu mais de meio século de serviço sacerdotal.
Sua vida demonstra que a santidade pode ser construída no cotidiano: em uma sala de aula, em um confessionário, em uma visita a um doente, em uma palavra de consolo, em um gesto de ternura com uma criança ou no cuidado silencioso com os pobres.
Ao recordar o Beato Mariano, a Igreja no Brasil contempla um sacerdote que viveu a espiritualidade agostiniana como caridade concreta. Esse testemunho continua a ensinar que o amor perseverante, humilde e fiel é um caminho seguro para Deus.
Referências
CANÇÃO NOVA NOTÍCIAS. Igreja celebra memória do Beato Mariano de la Mata. Disponível em: https://noticias.cancaonova.com/brasil/igreja-celebra-memoria-do-beato-mariano-de-la-mata/.
DICASTÉRIO PARA AS CAUSAS DOS SANTOS. Mariano de la Mata Aparicio (1905-1983). Disponível em: https://www.causesanti.va/it/santi-e-beati/mariano-de-la-mata-aparicio.html.
PONTES BORBA FILHO, João Marcos, Frei. Beato Mariano de la Mata — O mensageiro da Caridade. In: Santidade no Brasil. Minha Biblioteca Católica, p. 612-632.
PROVÍNCIA AGOSTINIANA DO BRASIL. Caminho do Pe. Mariano. Disponível em: https://www.osabrasil.org/caminho-pe-mariano.
PROVÍNCIA AGOSTINIANA DO BRASIL. História do Beato Mariano de La Mata Aparício, OSA. Disponível em: https://www.osabrasil.org/beato-mariano.
PROVÍNCIA AGOSTINIANA DO BRASIL. Orações e Novena. Disponível em: https://www.osabrasil.org/oracoes-novena.
VATICAN NEWS. Beato Mariano da Mata Aparício. Disponível em: https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2021-11/beato-mariano-da-mata-aparicio.html.