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Espiritualidade, Formação

O que significa “Não nos deixeis cair em tentação”?

Saiba o que significa o trecho "não nos deixeis cair em tentação" na oração do Pai Nosso e o que a Igreja ensina sobre ele.

O que significa “Não nos deixeis cair em tentação”?
Espiritualidade, Formação

O que significa “Não nos deixeis cair em tentação”?

Saiba o que significa o trecho "não nos deixeis cair em tentação" na oração do Pai Nosso e o que a Igreja ensina sobre ele.

Data da Publicação: 19/08/2023
Tempo de leitura:
Autor: MBC
Data da Publicação: 19/08/2023
Tempo de leitura:
Autor: MBC

Saiba o que significa o trecho “não nos deixeis cair em tentação” na oração do Pai Nosso e o que a Igreja ensina sobre ele.

Enfrentar as armadilhas da tentação é uma luta constante em nossa caminhada espiritual. A cada passo, somos desafiados a resistir às seduções que nos afastam da vontade divina e nos levam ao pecado. Mas como podemos encontrar força para vencer essa batalha interior?

Neste artigo, convidamos você a explorar o profundo significado do trecho ‘Não nos deixeis cair em tentação’, presente na oração do Pai Nosso, e descobrir o que a Igreja nos ensina sobre a tentação e como podemos superá-la com a ajuda da fé e da graça divina.

A oração do Pai Nosso

Não nos deixeis cair em tentação é um trecho do Pai Nosso, aqui ilustrado por James Tissot.
Pai Nosso, James Tissot.


A oração do Pai Nosso está nos Evangelhos de São Mateus e de São Lucas. Em primeiro lugar, ela aparece no contexto do Sermão da Montanha 1. Depois, a oração é ensinada por Jesus quando um de seus discípulos pede que os ensine a rezar 2.

Conhecida também como “oração dominical” ou “oração do Senhor”, a Oração do Pai Nosso é considerada o resumo de todo o Evangelho. Pois nela estão os principais ensinamentos de Jesus sobre o relacionamento com Deus e com os outros.

É, portanto, a oração perfeita, uma vez que foi o próprio Cristo que a ensinou. Além disso, contém cinco virtudes essenciais para uma prece adequada, segundo Santo Tomás de Aquino.

Saiba mais sobre a oração do Pai Nosso e seus efeitos.

Não nos deixeis cair em tentação


A tentação


Sem dúvida, a tentação está presente em nossa vida; a todo momento um convite para agirmos contra a vontade de Deus vem até nós, querendo nos levar ao pecado. Somos tentados, pois temos o dom da liberdade que Deus nos deu 3 — temos diante de nós o bem e o mal. E a vitória sobre a tentação depende da graça divina e do nosso compromisso em buscar uma vida de acordo com a vontade de Deus.

No entanto, não estamos desamparados diante da tentação. Em nossa busca pela santidade, podemos confiar nos recursos oferecidos pela fé e pela graça divina. A oração é uma poderosa aliada nessa luta. Inspirados pelo exemplo de Jesus enfrentando o Tentador no deserto, por exemplo, 4 podemos fortalecer nossa relação com Deus e contar com o auxílio divino para resistir às tentações do cotidiano.

Sendo assim, cultivar virtudes como a caridade, a humildade e a paciência nos torna mais resistentes à tentação. Além de evitar as ocasiões de pecado — o que é fundamental. Junto a isso, a participação ativa nos sacramentos e o convívio fraterno nos fortalecem nesse combate e nos conduzem cada dia mais ao Reino de Deus.

Tentações de Cristo. 1481-82. Por Botticelli, na Capela Sistina, no Vaticano.
Tentações de Cristo. 1481-82. Por Botticelli, na Capela Sistina, no Vaticano.

O que a Igreja ensina sobre o trecho: “Não nos deixeis cair em tentação”


Esta petição ressalta a importância de nos dirigirmos a Deus para que Ele nos proteja contra as tentações que podem nos levar ao pecado. Reconhecemos que nossos pecados muitas vezes são fruto do consentimento na tentação, por isso suplicamos ao nosso Pai que não nos permita sucumbir a elas. Nessa oração, expressamos nosso desejo de não seguir pelo caminho que conduz ao pecado e reconhecemos a necessidade de ajuda para enfrentar o constante combate “entre a carne e o Espírito. Esta petição implora o Espírito de discernimento e de fortaleza.” 5

Para isso, precisamos do Espírito Santo, pois Ele nos capacita a discernir entre a provação, que é necessária para o nosso crescimento espiritual, e a tentação, que pode nos conduzir ao pecado e à morte. 3

Além disso, é fundamental distinguir entre ser tentado e consentir na tentação. Deus nos concedeu a liberdade, mas não nos impõe o bem, pois deseja uma resposta livre de nossa parte. A experiência da tentação nos revela nossa própria fragilidade e nos ensina a reconhecer nossa dependência de Deus. 3

Combate espiritual: vigilância e oração


A Igreja enfatiza que essa petição requer uma decisão do coração, um consentimento à ação do Espírito Santo em nossa vida. É a escolha de colocar Deus no centro de nossos corações e seguir seus caminhos. Ao nos entregarmos ao Espírito Santo, o Pai nos concede a força necessária para enfrentar as tentações e nos afastar do mal. A promessa de Deus é que Ele não permitirá que sejamos tentados além de nossas forças e nos dará os meios para superar as adversidades. 6

Por fim, vencer essa batalha contra a tentação só é possível por meio da oração. Foi através dela que Jesus venceu o Tentador, desde o princípio de Seu ministério até a agonia final. A vigilância do coração é essencial, e ao unirmos nossa oração à de Jesus, pedimos a Deus que nos guarde em Seu nome. O Espírito Santo nos incentiva constantemente à vigilância, e essa petição ganha um significado dramático quando relacionada à tentação final em nossa luta terrena, pedindo perseverança até o fim.

“Jesus vai ao deserto, e ali padece a tentação de deixar o caminho indicado pelo Pai para seguir outras veredas, mais fáceis e mundanas (cf. Lc 4, 1-13). Assim, Ele assume as nossas tentações, traz consigo a nossa miséria, para vencer o maligno e para nos abrir o caminho rumo a Deus, a senda da conversão.” 7

Referências

  1. Mt 6, 9-13[]
  2. Lc 11, 2-4[]
  3. CIC, 2847[][][]
  4. CIC, 2849[]
  5. CIC, 2846[]
  6. CIC, 2848[]
  7. Bento XVI, AUDIÊNCIA GERAL, fevereiro de 2013[]

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    O que você vai encontrar neste artigo?

    Saiba o que significa o trecho “não nos deixeis cair em tentação” na oração do Pai Nosso e o que a Igreja ensina sobre ele.

    Enfrentar as armadilhas da tentação é uma luta constante em nossa caminhada espiritual. A cada passo, somos desafiados a resistir às seduções que nos afastam da vontade divina e nos levam ao pecado. Mas como podemos encontrar força para vencer essa batalha interior?

    Neste artigo, convidamos você a explorar o profundo significado do trecho ‘Não nos deixeis cair em tentação’, presente na oração do Pai Nosso, e descobrir o que a Igreja nos ensina sobre a tentação e como podemos superá-la com a ajuda da fé e da graça divina.

    A oração do Pai Nosso

    Não nos deixeis cair em tentação é um trecho do Pai Nosso, aqui ilustrado por James Tissot.
    Pai Nosso, James Tissot.


    A oração do Pai Nosso está nos Evangelhos de São Mateus e de São Lucas. Em primeiro lugar, ela aparece no contexto do Sermão da Montanha 1. Depois, a oração é ensinada por Jesus quando um de seus discípulos pede que os ensine a rezar 2.

    Conhecida também como “oração dominical” ou “oração do Senhor”, a Oração do Pai Nosso é considerada o resumo de todo o Evangelho. Pois nela estão os principais ensinamentos de Jesus sobre o relacionamento com Deus e com os outros.

    É, portanto, a oração perfeita, uma vez que foi o próprio Cristo que a ensinou. Além disso, contém cinco virtudes essenciais para uma prece adequada, segundo Santo Tomás de Aquino.

    Saiba mais sobre a oração do Pai Nosso e seus efeitos.

    Não nos deixeis cair em tentação


    A tentação


    Sem dúvida, a tentação está presente em nossa vida; a todo momento um convite para agirmos contra a vontade de Deus vem até nós, querendo nos levar ao pecado. Somos tentados, pois temos o dom da liberdade que Deus nos deu 3 — temos diante de nós o bem e o mal. E a vitória sobre a tentação depende da graça divina e do nosso compromisso em buscar uma vida de acordo com a vontade de Deus.

    No entanto, não estamos desamparados diante da tentação. Em nossa busca pela santidade, podemos confiar nos recursos oferecidos pela fé e pela graça divina. A oração é uma poderosa aliada nessa luta. Inspirados pelo exemplo de Jesus enfrentando o Tentador no deserto, por exemplo, 4 podemos fortalecer nossa relação com Deus e contar com o auxílio divino para resistir às tentações do cotidiano.

    Sendo assim, cultivar virtudes como a caridade, a humildade e a paciência nos torna mais resistentes à tentação. Além de evitar as ocasiões de pecado — o que é fundamental. Junto a isso, a participação ativa nos sacramentos e o convívio fraterno nos fortalecem nesse combate e nos conduzem cada dia mais ao Reino de Deus.

    Tentações de Cristo. 1481-82. Por Botticelli, na Capela Sistina, no Vaticano.
    Tentações de Cristo. 1481-82. Por Botticelli, na Capela Sistina, no Vaticano.

    O que a Igreja ensina sobre o trecho: “Não nos deixeis cair em tentação”


    Esta petição ressalta a importância de nos dirigirmos a Deus para que Ele nos proteja contra as tentações que podem nos levar ao pecado. Reconhecemos que nossos pecados muitas vezes são fruto do consentimento na tentação, por isso suplicamos ao nosso Pai que não nos permita sucumbir a elas. Nessa oração, expressamos nosso desejo de não seguir pelo caminho que conduz ao pecado e reconhecemos a necessidade de ajuda para enfrentar o constante combate “entre a carne e o Espírito. Esta petição implora o Espírito de discernimento e de fortaleza.” 5

    Para isso, precisamos do Espírito Santo, pois Ele nos capacita a discernir entre a provação, que é necessária para o nosso crescimento espiritual, e a tentação, que pode nos conduzir ao pecado e à morte. 3

    Além disso, é fundamental distinguir entre ser tentado e consentir na tentação. Deus nos concedeu a liberdade, mas não nos impõe o bem, pois deseja uma resposta livre de nossa parte. A experiência da tentação nos revela nossa própria fragilidade e nos ensina a reconhecer nossa dependência de Deus. 3

    Combate espiritual: vigilância e oração


    A Igreja enfatiza que essa petição requer uma decisão do coração, um consentimento à ação do Espírito Santo em nossa vida. É a escolha de colocar Deus no centro de nossos corações e seguir seus caminhos. Ao nos entregarmos ao Espírito Santo, o Pai nos concede a força necessária para enfrentar as tentações e nos afastar do mal. A promessa de Deus é que Ele não permitirá que sejamos tentados além de nossas forças e nos dará os meios para superar as adversidades. 6

    Por fim, vencer essa batalha contra a tentação só é possível por meio da oração. Foi através dela que Jesus venceu o Tentador, desde o princípio de Seu ministério até a agonia final. A vigilância do coração é essencial, e ao unirmos nossa oração à de Jesus, pedimos a Deus que nos guarde em Seu nome. O Espírito Santo nos incentiva constantemente à vigilância, e essa petição ganha um significado dramático quando relacionada à tentação final em nossa luta terrena, pedindo perseverança até o fim.

    “Jesus vai ao deserto, e ali padece a tentação de deixar o caminho indicado pelo Pai para seguir outras veredas, mais fáceis e mundanas (cf. Lc 4, 1-13). Assim, Ele assume as nossas tentações, traz consigo a nossa miséria, para vencer o maligno e para nos abrir o caminho rumo a Deus, a senda da conversão.” 7

    Referências

    1. Mt 6, 9-13[]
    2. Lc 11, 2-4[]
    3. CIC, 2847[][][]
    4. CIC, 2849[]
    5. CIC, 2846[]
    6. CIC, 2848[]
    7. Bento XVI, AUDIÊNCIA GERAL, fevereiro de 2013[]
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