Devido à tragédia climática no RS, os prazos de entrega poderão ser afetados.
Formação

Não pecar contra a castidade: o 6º mandamento

Descubra o que a Igreja ensina sobre o mandamento não pecar contra a castidade, como viver na prática e o que Santo Tomás diz sobre ele.

Não pecar contra a castidade: o 6º mandamento
Formação

Não pecar contra a castidade: o 6º mandamento

Descubra o que a Igreja ensina sobre o mandamento não pecar contra a castidade, como viver na prática e o que Santo Tomás diz sobre ele.

Data da Publicação: 06/09/2023
Tempo de leitura:
Autor: Redação MBC
Data da Publicação: 06/09/2023
Tempo de leitura:
Autor: Redação MBC

“O amor é a vocação fundamental e inata de todo o ser humano” 1, independentemente do estado de vida. Contudo, para abraçar plenamente esse chamado ao amor, é essencial responder à vocação à castidade, que abrange a totalidade da pessoa, unindo corpo e espírito. 2 É aí que entra o mandamento não pecar contra a castidade.

Neste artigo, vamos explorar os aspectos da castidade, dentro e fora do matrimônio. O que significa ser uma pessoa casta e como cada um é chamado a viver essa virtude de acordo com o seu estado de vida. Além disso, vamos conhecer o que Santo Tomás ensina sobre este mandamento.

Os 10 mandamentos

Os dez mandamentos estão inscritos no coração do homem, pois o próprio Deus os gravou no momento da criação. Dessa forma, é possível acessá-los por meio da razão, a voz da nossa consciência sabe o que deve fazer e o que precisa evitar.

Tabua dos mandamentos que contém não pecar contra a castidade.

No entanto, após a queda, o pecado obscureceu a razão do homem e desviou a sua vontade do bem. Por isso, fez-se necessária a Lei da Escritura, como afirma Santo Tomás. 3 Nesse contexto, Deus pessoalmente escreveu os Dez Mandamentos em duas tábuas de pedra, conhecidas como as Tábuas da Lei, conforme encontramos no Antigo Testamento.

Conheça os 10 mandamentos da Lei de Deus e suas versões na bíblia.

Não pecar contra a castidade nas Escrituras

Este mandamento aparece pela primeira vez no livro do Êxodo: “Não cometerás adultério.” 4 Essa proibição explícita contra o adultério é uma declaração direta da importância da fidelidade no casamento e da pureza sexual. No Deuteronômio 5, quando o povo está prestes a entrar na terra prometida, o sexto mandamento é reafirmado, enfatizando a fidelidade matrimonial, bem como o princípio da castidade.

O Novo Testamento também aborda a castidade e a pureza sexual, agora de forma plena, sob a luz do Verbo Encarnado. Cristo, no Sermão da Montanha, apresenta uma visão mais profunda da castidade: “Ouvistes que foi dito: ‘Não cometerás adultério.’ Mas eu vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher com maus desejos, já cometeu adultério com ela em seu coração.” 6 Isso significa que a castidade não se limita apenas às ações, mas se estende aos pensamentos e desejos do coração.

Além disso, o apóstolo Paulo fala sobre não pecar contra a castidade, exortando à pureza em várias de suas epístolas:

  • Aos Tessalonicenses: “Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação; que eviteis a impureza; que cada um de vós saiba possuir o seu corpo santa e honestamente, sem se deixar levar pelas paixões desregradas, como os pagãos que não conhecem a Deus […]” 7
  • Aos Coríntios: “Fugi da fornicação. […] Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habi­ta em vós, o qual recebes­tes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis? Porque fostes comprados por um grande preço. Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo. 8
  • Aos Efésios: “Quanto à fornicação, à impureza, sob qualquer forma, ou à avareza, que disto nem se faça menção entre vós, como convém a santos.” 9

“Não pecar contra a castidade”, portanto, é uma instrução que está presente desde o Antigo até o Novo Testamento. Isso demonstra a importância da fidelidade, da pureza e da santidade nos relacionamentos humanos e na vida espiritual em qualquer época.

O que a Igreja ensina sobre não pecar contra castidade

“Homem e mulher os criou”

Deus criou o homem e a mulher à Sua imagem, inscrevendo neles a vocação para o amor e para a comunhão. Isso inclui a capacidade e a responsabilidade de viver o amor de maneira digna. 10 A sexualidade afeta todos os aspectos da pessoa humana, unindo corpo e alma, incluindo a afetividade, a capacidade de amar e procriar, bem como a aptidão para estabelecer laços de comunhão. 11

A complementaridade dos sexos é fundamental para o bem da família e da sociedade, por isso compete a cada homem e mulher reconhecer e aceitar a sua identidade sexual. 12. Além disso, “cada um dos dois sexos é, com igual dignidade, reflexo do poder e da ternura de Deus.” 13 E a união de ambos no matrimônio é uma forma de imitar na carne a generosidade de Deus e a fecundidade do Criador. 13

A indissolubilidade dessa união é ensinada pelo próprio Cristo — “Não separe o homem o que Deus uniu” —, assim como a pureza na intenção e no coração. 14

A vocação à castidade

A castidade representa a integração da sexualidade na pessoa, unindo corpo e espírito. Por isso, a pessoa casta mantém preservadas as forças de vida e amor nela depositadas. 15 Além disso, a castidade implica aprender o autodomínio: “ou o homem comanda as suas paixões e alcança a paz, ou se deixa dominar por elas e torna-se infeliz” 16 Para isso, é preciso buscar meios como o conhecimento de si, a obediência aos mandamentos e a prática das virtudes morais. 17

Por meio da caridade, que é a forma de todas as virtudes, a castidade se torna uma escola de doação, ordenando o domínio de si para o dom de si. 18 A pessoa casta torna-se testemunha da fidelidade e da ternura de Deus, aliás “a castidade é promessa de imortalidade.” 19

A castidade deve ser vivida de acordo com o estado de vida, no matrimônio, na continência, na virgindade ou no celibato consagrado. 20 Luxúria, masturbação, fornicação, pornografia, prostituição e violação são contrárias à dignidade humana e à sexualidade e, portanto, violam o mandamento da castidade. 21

Os atos homossexuais também são desordenados, eles “são contrários à lei natural, fecham o acto sexual ao dom da vida, não procedem duma verdadeira complementaridade afectiva sexual, não podem, em caso algum, ser aprovados.” 22 Dessa forma, as pessoas com tendências homossexuais também são chamadas à castidade e devem ser acolhidas com respeito e compaixão na Igreja. 23

O amor dos esposos

A sexualidade, que é orientada para o amor conjugal, é um sinal de comunhão espiritual, pois os laços do matrimônio são santificados pelo sacramento. 24 A sexualidade no casamento não é algo puramente biológico, mas envolve a pessoa no que ela tem de mais íntimo. 25 Por isso, os atos conjugais são considerados honestos e dignos quando expressam a entrega mútua dos cônjuges e são fonte de alegria e prazer. 26

No matrimônio, dois propósitos inseparáveis são enfatizados: o bem dos esposos e a transmissão da vida. 27 A fidelidade, outra exigência desta união, é a constância em manter a palavra dada e reflete o mistério da fidelidade de Cristo à Sua Igreja. 28 A fecundidade, por sua vez, é um dom e um propósito do matrimônio. Por isso, se existe a necessidade de regulação da procriação por algum motivo justo, isso deve ser feito de forma moral. 29. A Carta Encíclica Humanae Vitae, do Papa Paulo VI, reflete a visão da Igreja e instrui os fiéis sobre este assunto.

A Igreja adverte contra a contracepção 30, afirmando que o ato conjugal deve permanecer ligado à procriação. A vida humana está relacionada com o destino eterno, e o Estado tem um papel legítimo, desde que respeite os direitos dos cônjuges. 31 A Igreja valoriza a generosidade dos pais e enfatiza que filhos dádivas — não direito ou propriedade dos pais. 32 Além disso, vale lembrar que mesmo diante da esterilidade física, os casais podem encontrar maneiras de viver sua generosidade, como adotando crianças ou realizando serviços em favor do próximo. 33

Não pecar contra a castidade: as ofensas à dignidade do matrimónio

“Não pecar contra a castidade” também vale para os casados. Nesse sentido, Cristo condena o adultério, tanto no ato como no desejo, 34 pois ele quebra os compromissos, viola a aliança matrimonial e prejudica a estabilidade da família. 35 O divórcio é visto como uma ofensa grave à lei natural e à aliança da salvação, por isso, a Igreja reforça a indissolubilidade do matrimônio. 36 Também a poligamia, o incesto e a união livre também são contrários à lei moral e prejudiciais à dignidade do matrimônio. 37

Além disso, a Igreja enfatiza que a castidade é fundamental, tanto antes quanto durante o matrimônio, e que as relações sexuais devem ocorrer exclusivamente no matrimônio. 38 O sexo prematuro — mesmo quando há intenção de contrair matrimônio — ou as relações fora do casamento constituem ofensas à dignidade do matrimônio e à fidelidade nas relações interpessoais 39,  portanto, violam o sexto mandamento.

Santo Tomás de Aquino sobre o mandamento Não pecar contra a castidade

Santo Tomás de Aquino, em sua catequese sobre o sexto mandamento, aborda a proibição do adultério e da fornicação. Ele começa enfatizando que “marido e mulher são como um só corpo. […] Por isso, depois da injúria que se faz à pessoa diretamente, a maior injúria é a que se faz ao cônjuge.” 40

O Doutor Angélico discorre sobre o adultério da mulher e depois o do homem e argumenta que ambos os sexos são igualmente responsáveis pelo compromisso, “pela igualdade entre homens e mulheres quanto ao matrimônio […]” 41

Além disso, Santo Tomás ressalta que a castidade é essencial e que a relação sexual dentro do casamento deve ter como propósito a procriação, como obra de virtude, e o cumprimento do débito conjugal, como obra de justiça. Sendo assim, qualquer atividade sexual que viole esses princípios pode ser acompanhada de pecado, se ultrapassar os limites do matrimônio.

Por fim, Santo Tomás ensina que o adultério e a fornicação são pecados graves que oprimem a alma, privam da vida, consomem bens, desvalorizam a prole e destroem a honra. Destaca, portanto, a importância da castidade e da relação sexual dentro dos limites do matrimônio, como foi estabelecido por vontade de Deus.Leia mais sobre a vida de Santo Tomás e seus ensinamentos.

Como se aprofundar no estudo dos 10 Mandamentos?

Se você se interessou pelo tema dos 10 Mandamentos e gostaria de se aprofundar nele, Santo Tomás de Aquino deu algumas catequeses sobre cada um dos mandamentos. A obra Catequeses de Santo Tomás reúne não só essas catequeses, como também sermões do santo sobre o Pai Nosso, a Ave Maria, os Sacramentos e o Credo. Para saber como adquirir essa obra, acesse: Catequeses de Santo Tomás.

não pecar contra a castidade é um dos temas das catequeses de santo tomás

Referências

  1. CIC, 2392[]
  2. CIC, 2327[]
  3. Santo Tomás de Aquino, Catequeses. Tradução: Tiago Gadotti — 1. ed. — Dois Irmãos, RS : Minha Biblioteca Católica, 2023., p.152[]
  4. Ex 20, 14[]
  5. Dt 5, 18[]
  6. Mt 5, 27-28[]
  7. ITs 4, 3-5[]
  8. ICor 6, 18-20[]
  9. Ef 5, 3[]
  10. CIC, 2331[]
  11. CIC, 2332[]
  12. CIC, 2333[]
  13. CIC, 2335[][]
  14. CIC, 2336[]
  15. CIC 2338[]
  16. CIC 2339[]
  17. CIC 2340[]
  18. CIC 2346[]
  19. CIC, 2347[]
  20. CIC 2348-2350[]
  21. CIC 2351-2356[]
  22. CIC, 2357-2358[]
  23. CIC, 2359[]
  24. CIC, 2360[]
  25. CIC, 2361[]
  26. CIC, 2362[]
  27. CIC, 2363[]
  28. CIC, 2364, 2365[]
  29. CIC, 2366, 2368[]
  30. CIC, 2370[]
  31. CIC, 2371-2375[]
  32. CIC, 2378[]
  33. CIC, 2379[]
  34. CIC, 2380[]
  35. CIC, 2381[]
  36. CIC, 2382-2385[]
  37. CIC, 2387-2390[]
  38. CIC, 2390-2391[]
  39. CIC, 2391[]
  40. Santo Tomás de Aquino, Catequeses. Tradução: Tiago Gadotti — 1. ed. — Dois Irmãos, RS : Minha Biblioteca Católica, 2023., p.202[]
  41. Santo Tomás de Aquino, Catequeses. Tradução: Tiago Gadotti — 1. ed. — Dois Irmãos, RS : Minha Biblioteca Católica, 2023., p.203[]

Assine nossa newsletter com conteúdos exclusivos

    Ao clicar em quero assinar você declara aceita receber conteúdos em seu email e concorda com a nossa política de privacidade.

    Avatar

    Redação MBC

    O que você vai encontrar neste artigo?

    “O amor é a vocação fundamental e inata de todo o ser humano” 1, independentemente do estado de vida. Contudo, para abraçar plenamente esse chamado ao amor, é essencial responder à vocação à castidade, que abrange a totalidade da pessoa, unindo corpo e espírito. 2 É aí que entra o mandamento não pecar contra a castidade.

    Neste artigo, vamos explorar os aspectos da castidade, dentro e fora do matrimônio. O que significa ser uma pessoa casta e como cada um é chamado a viver essa virtude de acordo com o seu estado de vida. Além disso, vamos conhecer o que Santo Tomás ensina sobre este mandamento.

    Os 10 mandamentos

    Os dez mandamentos estão inscritos no coração do homem, pois o próprio Deus os gravou no momento da criação. Dessa forma, é possível acessá-los por meio da razão, a voz da nossa consciência sabe o que deve fazer e o que precisa evitar.

    Tabua dos mandamentos que contém não pecar contra a castidade.

    No entanto, após a queda, o pecado obscureceu a razão do homem e desviou a sua vontade do bem. Por isso, fez-se necessária a Lei da Escritura, como afirma Santo Tomás. 3 Nesse contexto, Deus pessoalmente escreveu os Dez Mandamentos em duas tábuas de pedra, conhecidas como as Tábuas da Lei, conforme encontramos no Antigo Testamento.

    Conheça os 10 mandamentos da Lei de Deus e suas versões na bíblia.

    Não pecar contra a castidade nas Escrituras

    Este mandamento aparece pela primeira vez no livro do Êxodo: “Não cometerás adultério.” 4 Essa proibição explícita contra o adultério é uma declaração direta da importância da fidelidade no casamento e da pureza sexual. No Deuteronômio 5, quando o povo está prestes a entrar na terra prometida, o sexto mandamento é reafirmado, enfatizando a fidelidade matrimonial, bem como o princípio da castidade.

    O Novo Testamento também aborda a castidade e a pureza sexual, agora de forma plena, sob a luz do Verbo Encarnado. Cristo, no Sermão da Montanha, apresenta uma visão mais profunda da castidade: “Ouvistes que foi dito: ‘Não cometerás adultério.’ Mas eu vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher com maus desejos, já cometeu adultério com ela em seu coração.” 6 Isso significa que a castidade não se limita apenas às ações, mas se estende aos pensamentos e desejos do coração.

    Além disso, o apóstolo Paulo fala sobre não pecar contra a castidade, exortando à pureza em várias de suas epístolas:

    • Aos Tessalonicenses: “Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação; que eviteis a impureza; que cada um de vós saiba possuir o seu corpo santa e honestamente, sem se deixar levar pelas paixões desregradas, como os pagãos que não conhecem a Deus […]” 7
    • Aos Coríntios: “Fugi da fornicação. […] Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habi­ta em vós, o qual recebes­tes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis? Porque fostes comprados por um grande preço. Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo. 8
    • Aos Efésios: “Quanto à fornicação, à impureza, sob qualquer forma, ou à avareza, que disto nem se faça menção entre vós, como convém a santos.” 9

    “Não pecar contra a castidade”, portanto, é uma instrução que está presente desde o Antigo até o Novo Testamento. Isso demonstra a importância da fidelidade, da pureza e da santidade nos relacionamentos humanos e na vida espiritual em qualquer época.

    O que a Igreja ensina sobre não pecar contra castidade

    “Homem e mulher os criou”

    Deus criou o homem e a mulher à Sua imagem, inscrevendo neles a vocação para o amor e para a comunhão. Isso inclui a capacidade e a responsabilidade de viver o amor de maneira digna. 10 A sexualidade afeta todos os aspectos da pessoa humana, unindo corpo e alma, incluindo a afetividade, a capacidade de amar e procriar, bem como a aptidão para estabelecer laços de comunhão. 11

    A complementaridade dos sexos é fundamental para o bem da família e da sociedade, por isso compete a cada homem e mulher reconhecer e aceitar a sua identidade sexual. 12. Além disso, “cada um dos dois sexos é, com igual dignidade, reflexo do poder e da ternura de Deus.” 13 E a união de ambos no matrimônio é uma forma de imitar na carne a generosidade de Deus e a fecundidade do Criador. 13

    A indissolubilidade dessa união é ensinada pelo próprio Cristo — “Não separe o homem o que Deus uniu” —, assim como a pureza na intenção e no coração. 14

    A vocação à castidade

    A castidade representa a integração da sexualidade na pessoa, unindo corpo e espírito. Por isso, a pessoa casta mantém preservadas as forças de vida e amor nela depositadas. 15 Além disso, a castidade implica aprender o autodomínio: “ou o homem comanda as suas paixões e alcança a paz, ou se deixa dominar por elas e torna-se infeliz” 16 Para isso, é preciso buscar meios como o conhecimento de si, a obediência aos mandamentos e a prática das virtudes morais. 17

    Por meio da caridade, que é a forma de todas as virtudes, a castidade se torna uma escola de doação, ordenando o domínio de si para o dom de si. 18 A pessoa casta torna-se testemunha da fidelidade e da ternura de Deus, aliás “a castidade é promessa de imortalidade.” 19

    A castidade deve ser vivida de acordo com o estado de vida, no matrimônio, na continência, na virgindade ou no celibato consagrado. 20 Luxúria, masturbação, fornicação, pornografia, prostituição e violação são contrárias à dignidade humana e à sexualidade e, portanto, violam o mandamento da castidade. 21

    Os atos homossexuais também são desordenados, eles “são contrários à lei natural, fecham o acto sexual ao dom da vida, não procedem duma verdadeira complementaridade afectiva sexual, não podem, em caso algum, ser aprovados.” 22 Dessa forma, as pessoas com tendências homossexuais também são chamadas à castidade e devem ser acolhidas com respeito e compaixão na Igreja. 23

    O amor dos esposos

    A sexualidade, que é orientada para o amor conjugal, é um sinal de comunhão espiritual, pois os laços do matrimônio são santificados pelo sacramento. 24 A sexualidade no casamento não é algo puramente biológico, mas envolve a pessoa no que ela tem de mais íntimo. 25 Por isso, os atos conjugais são considerados honestos e dignos quando expressam a entrega mútua dos cônjuges e são fonte de alegria e prazer. 26

    No matrimônio, dois propósitos inseparáveis são enfatizados: o bem dos esposos e a transmissão da vida. 27 A fidelidade, outra exigência desta união, é a constância em manter a palavra dada e reflete o mistério da fidelidade de Cristo à Sua Igreja. 28 A fecundidade, por sua vez, é um dom e um propósito do matrimônio. Por isso, se existe a necessidade de regulação da procriação por algum motivo justo, isso deve ser feito de forma moral. 29. A Carta Encíclica Humanae Vitae, do Papa Paulo VI, reflete a visão da Igreja e instrui os fiéis sobre este assunto.

    A Igreja adverte contra a contracepção 30, afirmando que o ato conjugal deve permanecer ligado à procriação. A vida humana está relacionada com o destino eterno, e o Estado tem um papel legítimo, desde que respeite os direitos dos cônjuges. 31 A Igreja valoriza a generosidade dos pais e enfatiza que filhos dádivas — não direito ou propriedade dos pais. 32 Além disso, vale lembrar que mesmo diante da esterilidade física, os casais podem encontrar maneiras de viver sua generosidade, como adotando crianças ou realizando serviços em favor do próximo. 33

    Não pecar contra a castidade: as ofensas à dignidade do matrimónio

    “Não pecar contra a castidade” também vale para os casados. Nesse sentido, Cristo condena o adultério, tanto no ato como no desejo, 34 pois ele quebra os compromissos, viola a aliança matrimonial e prejudica a estabilidade da família. 35 O divórcio é visto como uma ofensa grave à lei natural e à aliança da salvação, por isso, a Igreja reforça a indissolubilidade do matrimônio. 36 Também a poligamia, o incesto e a união livre também são contrários à lei moral e prejudiciais à dignidade do matrimônio. 37

    Além disso, a Igreja enfatiza que a castidade é fundamental, tanto antes quanto durante o matrimônio, e que as relações sexuais devem ocorrer exclusivamente no matrimônio. 38 O sexo prematuro — mesmo quando há intenção de contrair matrimônio — ou as relações fora do casamento constituem ofensas à dignidade do matrimônio e à fidelidade nas relações interpessoais 39,  portanto, violam o sexto mandamento.

    Santo Tomás de Aquino sobre o mandamento Não pecar contra a castidade

    Santo Tomás de Aquino, em sua catequese sobre o sexto mandamento, aborda a proibição do adultério e da fornicação. Ele começa enfatizando que “marido e mulher são como um só corpo. […] Por isso, depois da injúria que se faz à pessoa diretamente, a maior injúria é a que se faz ao cônjuge.” 40

    O Doutor Angélico discorre sobre o adultério da mulher e depois o do homem e argumenta que ambos os sexos são igualmente responsáveis pelo compromisso, “pela igualdade entre homens e mulheres quanto ao matrimônio […]” 41

    Além disso, Santo Tomás ressalta que a castidade é essencial e que a relação sexual dentro do casamento deve ter como propósito a procriação, como obra de virtude, e o cumprimento do débito conjugal, como obra de justiça. Sendo assim, qualquer atividade sexual que viole esses princípios pode ser acompanhada de pecado, se ultrapassar os limites do matrimônio.

    Por fim, Santo Tomás ensina que o adultério e a fornicação são pecados graves que oprimem a alma, privam da vida, consomem bens, desvalorizam a prole e destroem a honra. Destaca, portanto, a importância da castidade e da relação sexual dentro dos limites do matrimônio, como foi estabelecido por vontade de Deus.Leia mais sobre a vida de Santo Tomás e seus ensinamentos.

    Como se aprofundar no estudo dos 10 Mandamentos?

    Se você se interessou pelo tema dos 10 Mandamentos e gostaria de se aprofundar nele, Santo Tomás de Aquino deu algumas catequeses sobre cada um dos mandamentos. A obra Catequeses de Santo Tomás reúne não só essas catequeses, como também sermões do santo sobre o Pai Nosso, a Ave Maria, os Sacramentos e o Credo. Para saber como adquirir essa obra, acesse: Catequeses de Santo Tomás.

    não pecar contra a castidade é um dos temas das catequeses de santo tomás

    Referências

    1. CIC, 2392[]
    2. CIC, 2327[]
    3. Santo Tomás de Aquino, Catequeses. Tradução: Tiago Gadotti — 1. ed. — Dois Irmãos, RS : Minha Biblioteca Católica, 2023., p.152[]
    4. Ex 20, 14[]
    5. Dt 5, 18[]
    6. Mt 5, 27-28[]
    7. ITs 4, 3-5[]
    8. ICor 6, 18-20[]
    9. Ef 5, 3[]
    10. CIC, 2331[]
    11. CIC, 2332[]
    12. CIC, 2333[]
    13. CIC, 2335[][]
    14. CIC, 2336[]
    15. CIC 2338[]
    16. CIC 2339[]
    17. CIC 2340[]
    18. CIC 2346[]
    19. CIC, 2347[]
    20. CIC 2348-2350[]
    21. CIC 2351-2356[]
    22. CIC, 2357-2358[]
    23. CIC, 2359[]
    24. CIC, 2360[]
    25. CIC, 2361[]
    26. CIC, 2362[]
    27. CIC, 2363[]
    28. CIC, 2364, 2365[]
    29. CIC, 2366, 2368[]
    30. CIC, 2370[]
    31. CIC, 2371-2375[]
    32. CIC, 2378[]
    33. CIC, 2379[]
    34. CIC, 2380[]
    35. CIC, 2381[]
    36. CIC, 2382-2385[]
    37. CIC, 2387-2390[]
    38. CIC, 2390-2391[]
    39. CIC, 2391[]
    40. Santo Tomás de Aquino, Catequeses. Tradução: Tiago Gadotti — 1. ed. — Dois Irmãos, RS : Minha Biblioteca Católica, 2023., p.202[]
    41. Santo Tomás de Aquino, Catequeses. Tradução: Tiago Gadotti — 1. ed. — Dois Irmãos, RS : Minha Biblioteca Católica, 2023., p.203[]
    Avatar

    Redação MBC

    Assine nossa newsletter com conteúdos exclusivos

      Ao clicar em quero assinar você declara aceita receber conteúdos em seu email e concorda com a nossa política de privacidade.