Formação

Torre de Babel: Uma das mais intrigantes histórias do Antigo Testamento

Conheça a história da Torre de Babel, símbolo do orgulho humano em tentar se equiparar a Deus - e o que Ele fez para impedir.

Torre de Babel: Uma das mais intrigantes histórias do Antigo Testamento
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Torre de Babel: Uma das mais intrigantes histórias do Antigo Testamento

Conheça a história da Torre de Babel, símbolo do orgulho humano em tentar se equiparar a Deus - e o que Ele fez para impedir.

Data da Publicação: 25/11/2024
Tempo de leitura:
Autor: Redação MBC
Data da Publicação: 25/11/2024
Tempo de leitura:
Autor: Redação MBC

A Torre de Babel é uma narrativa bíblica que busca explicar a origem da diversidade linguística e a dispersão dos povos pelo mundo. Este relato está presente no livro de Gênesis, capítulo 11, versículos 1 a 9, e tem sido objeto de estudo e interpretação ao longo dos séculos. Neste artigo, vamos explorar um pouco sobre seu significado, entender o significado dessa narrativa bíblica, o que ela nos ensina e como a Igreja a interpreta em nossa caminhada espiritual.

O que exatamente é a Torre de Babel?

A Torre de Babel é uma parábola no Livro do Gênesis que visa explicar a existência de diferentes línguas e culturas. De acordo com a história, uma raça humana unida falando uma única língua migra para Shinar (Baixa Mesopotâmia), onde eles concordam em construir uma grande cidade com uma torre que alcançaria o céu.

Deus, observando esses esforços e comentando sobre o poder da humanidade na unidade, confunde sua fala para que eles não possam mais se entender e os espalha pelo mundo, deixando a cidade inacabada.

Segundo a narrativa bíblica, após o Dilúvio, toda a humanidade falava uma única língua e utilizava as mesmas palavras. E, com o objetivo de construir uma cidade e uma torre que alcançasse os céus. Deus, ao observar a construção, decidiu intervir para impedir que a humanidade, unida por uma única língua, realizasse todos os seus intentos. Assim, confundiu a linguagem dos homens, fazendo com que não se entendessem, e os dispersou por toda a superfície da Terra. A cidade passou a ser chamada de Babel, porque ali Deus confundiu a linguagem de todo o mundo.

A localização, considerando as narrativas históricas, seria no Iraque (região atual) na cidade de Hillah (Google Earth).

Estudos históricos e etiologia

Alguns estudiosos modernos associaram a Torre de Babel a estruturas e relatos históricos conhecidos, particularmente da antiga Mesopotâmia – 2000-2500 anos a.C. A inspiração mais amplamente atribuída é Etemenanki, um zigurate dedicado ao deus Marduk na Babilônia, que em hebraico era chamado de Babel. Uma história semelhante também é encontrada na antiga lenda suméria, Enmerkar e o Senhor de Aratta, que descreve eventos e locais no sul da Mesopotâmia. 1

No Google Earth ao colocarmos “Etemenanki, سنجار، Iraque”, obtemos a localização exata e consta como marco histórico.

A frase “Torre de Babel” não aparece em Gênesis nem em nenhum outro lugar da Bíblia; é sempre “a cidade e a torre” ou apenas “a cidade”. A derivação original do nome Babel, que é o nome hebraico para Babilônia, é incerta. O nome acadiano nativo da cidade era Bāb-ilim, que significa “portão de Deus”. No entanto, essa forma e interpretação em si é geralmente considerada derivada da etimologia popular acadiana aplicada a uma forma anterior do nome, Babilla, de significado desconhecido e provavelmente de origem não semítica. 2

De acordo com a história em Gênesis, a cidade recebeu o nome “Babel” do verbo hebraico bālal, que significa misturar ou confundir, depois que Deus distorceu a linguagem comum da humanidade. Considerando alguns autores, isso reflete um jogo de palavras devido aos termos hebraicos para Babilônia e “confundir” terem pronúncia semelhante.3.

Qual a altura da torre de Babel?

O Livro do Gênesis não menciona a altura exata da torre de Babel, referindo-se a ela com a expressão “seu topo no céu”, uma figura de linguagem para uma construção de grande altura. No entanto, diferentes textos antigos e interpretações oferecem números variados para sua altura.

O Livro dos Jubileus 4, por exemplo, afirma que a torre teria alcançado 5.433 côvados e 2 palmas (aproximadamente 2.484 metros), três vezes mais alta que o Burj Khalifa.5 Já o apócrifo Terceiro Apocalipse de Baruque descreve uma altura de 463 côvados (211,8 metros), que teria sido maior do que qualquer construção até a Torre Eiffel em 1889, com 324 metros.

Outras tradições fornecem medições ainda mais impressionantes. São Gregório de Tours, citando Orósio, relata que a torre tinha uma circunferência de 470 estádios (cerca de 82,72 km), uma largura de 50 côvados (23 metros) e altura de 200 côvados (91,5 metros).

O historiador medieval Giovanni Villani6 descreve dimensões ainda mais exageradas: 130 km de diâmetro, 5,92 km de altura e paredes com 1.000 passos de espessura. Relatos do século XIV, como os do viajante John Mandeville, indicam uma altura de 64 furlongs (13 km), com base em tradições locais.

No século XVII, Verstegan7 citou Isidoro e Josefo, sugerindo uma altura de 5.164 passos (cerca de 7,6 km). Ele também mencionou descrições da torre como semelhante a uma montanha, com um caminho espiral largo o suficiente para abrigar trabalhadores e animais e até mesmo para cultivar grãos usados na construção.

Do ponto de vista técnico, o professor Gordon, em seu livro8, considerou os limites físicos para uma construção como a Torre de Babel. Ele calculou que uma torre com paredes paralelas de tijolos poderia alcançar até 2,1 km antes que a base fosse esmagada sob o próprio peso. Contudo, ao afunilar as paredes em direção ao topo, seria possível construir mais alto, embora a dificuldade de respirar em grandes altitudes pudesse ser um fator limitante para os construtores.

Essas descrições refletem mais os imaginários culturais e simbólicos do que a viabilidade prática da construção, destacando o impacto mítico da Torre de Babel na história e na tradição.

Onde está a Torre de Babel na Bíblia?

O trecho das escrituras, no Livro de Gênesis, nos diz:


11,1 Ora, a terra tinha uma só língua e um mesmo modo de falar.
2 E [os homens], tendo partido do Oriente, encontraram uma planície na terra de Senaar e habitaram nela.
3 Então disseram uns para os outros: “Vinde, façamos tijolos e cozamo-los no fogo”. Serviram-se, pois, de tijolos em vez de pedras, e de betume em vez de argamassa,
4 e disseram: “Vinde, façamos para nós uma cidade e uma torre cujo cimo chegue até o céu, e tornemos célebre o nosso nome antes que nos espalhemos por toda a terra”.
5 O Senhor, porém, desceu a ver a cidade e a torre que os filhos de Adão edificavam,
6 e disse: “Eis que são um só povo e têm todos a mesma língua, e começaram a fazer esta obra e não desistirão do
seu intento até que a tenham de todo executado.
7 Vinde, pois, desçamos e confundamos de tal sorte a sua linguagem que um não compreenda a voz do outro”.
8 E assim o Senhor os dispersou daquele lugar por todos os países da terra, e cessaram de edificar a cidade.
9 E por isso lhe foi posto o nome de Babel, porque aí foi confundida a linguagem de toda a terra e daí os
espalhou o Senhor por todas as regiões.
9

São João Crisóstomo nos explica sobre o trecho: “Observe como a raça humana, em vez de ser capaz de resguardar seus limites, sempre anseia por mais e mais, e alimenta ambições além de suas forças. Também a este respeito, quando as pessoas que perseguem as coisas do mundo adquirem para si muita riqueza e poder, perdem de vista, por assim dizer, a sua própria natureza, e aspiram a alturas tais que acabam despencando nas profundezas. É algo que se testemunha diariamente, e contudo ninguém tira qualquer lição disso; antes, há apenas um breve momento de reflexão e logo se esvai toda lembrança do ocorrido, e então toma-se o mesmo caminho que os outros, caindo-se no mesmo precipício. exatamente o que acontece neste passo: “Tendo partido do Oriente, encontraram uma planície na terra de Senaar e abitaram nela.” Veja como de modo pontual o texto nos ensina a falta de firmeza deles. Quando avistaram a planície, pegaram suas coisas e partiram de sua habitação anterior, assentando-se na nova“. 10

Onde o Novo Testamento a menciona?

A Torre de Babel não é mencionada explicitamente no Novo Testamento. Porém, seu impacto é percebido em eventos como o Pentecostes (Atos 2). Neste episódio, o Espírito Santo une os povos de diferentes línguas. É uma reversão simbólica da divisão causada em Babel, promovendo a unidade na fé.

Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar várias línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. 11

O comentário patrístico de São Beda nos informa sobre o trecho: “A humildade da Igreja reagrega a unidade
das línguas que o orgulho babélico estilhaçara (cf. Gn 11,1–9). Espiritualmente, porém, a variedade das línguas significa também o dom da multiplicidade das graçasl. Dessa maneira, não é contraditório interpretar que a diversidade das línguas significa também um dom que o Espírito Santo deu ao homem, pois é pela língua que se aprende e se ensina
a sabedoria de maneira extrínseca. É dessa maneira que se prova o quão facilmente o homem pode ensinar e tornar sábio o povo por meio do conhecimento de Deus – que já está dentro dele.
12

O que a Igreja ensina sobre a Torre de Babel?

A Igreja interpreta a Torre de Babel como um símbolo do orgulho humano e da tentativa de viver à parte de Deus. A história reforça a necessidade de humildade e dependência do Senhor. Ela nos lembra que a verdadeira unidade só pode ser alcançada em Deus e pela ação do Espírito Santo.

E a nossa vida espiritual?

A narrativa da Torre de Babel nos ensina que a soberba e o desejo de glória própria nos afastam de Deus. Somos convidados a buscar a verdadeira unidade, fundamentada no amor divino. Devemos viver em humildade e obediência à vontade de Deus. Reconhecemos que, somente Nele, encontramos a ordem e o propósito que tanto buscamos.

Em um mundo marcado por divisões e orgulho, somos chamados a reencontrar a comunhão em Deus. Que possamos, guiados pelo Espírito Santo, construir não torres de vaidade, mas pontes de amor e unidade.

Referências

  1. Day, John. From Creation to Babel: Studies in Genesis 1-11, Bloomsbury Publishing, 2014.[]
  2. Kramer, Samuel Noah. Sumerian Mythology, University of Pennsylvania Press, 1998.[]
  3. Ibidem.[]
  4. texto apócrifo, não aceito pela Igreja[]
  5. o prédio mais alto de Dubai, com mais de 828 metros de altura e 163 andares.[]
  6. Villani, Giovanni. Cronica di Giovanni Villani, Vol. 1: A Miglior Lezione Ridotta coll’Aiuto De’ Testi a Penna. Forgotten Books, 2018.[]
  7. Zacchi, Romana; Morini, Massimiliano. Richard Rowlands Verstegan: A Versatile Man in an Age of Turmoil. Brepols Publishers, 2013.[]
  8. Gordon, J. E. Structures: Or Why Things Don’t Fall Down. 2ª ed, Da Capo Press, 2003, 424 p.[]
  9. Bíblia Sagrada, Tradução do Pe. Matos Soares a partir da Vulgata Clementina (1927–1932). Minha Biblioteca Católica, 2023, p. 37.[]
  10. Ibidem.[]
  11. Atos 2,4[]
  12. Ibidem, p. 1308[]
Redação MBC

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O que você vai encontrar neste artigo?

A Torre de Babel é uma narrativa bíblica que busca explicar a origem da diversidade linguística e a dispersão dos povos pelo mundo. Este relato está presente no livro de Gênesis, capítulo 11, versículos 1 a 9, e tem sido objeto de estudo e interpretação ao longo dos séculos. Neste artigo, vamos explorar um pouco sobre seu significado, entender o significado dessa narrativa bíblica, o que ela nos ensina e como a Igreja a interpreta em nossa caminhada espiritual.

O que exatamente é a Torre de Babel?

A Torre de Babel é uma parábola no Livro do Gênesis que visa explicar a existência de diferentes línguas e culturas. De acordo com a história, uma raça humana unida falando uma única língua migra para Shinar (Baixa Mesopotâmia), onde eles concordam em construir uma grande cidade com uma torre que alcançaria o céu.

Deus, observando esses esforços e comentando sobre o poder da humanidade na unidade, confunde sua fala para que eles não possam mais se entender e os espalha pelo mundo, deixando a cidade inacabada.

Segundo a narrativa bíblica, após o Dilúvio, toda a humanidade falava uma única língua e utilizava as mesmas palavras. E, com o objetivo de construir uma cidade e uma torre que alcançasse os céus. Deus, ao observar a construção, decidiu intervir para impedir que a humanidade, unida por uma única língua, realizasse todos os seus intentos. Assim, confundiu a linguagem dos homens, fazendo com que não se entendessem, e os dispersou por toda a superfície da Terra. A cidade passou a ser chamada de Babel, porque ali Deus confundiu a linguagem de todo o mundo.

A localização, considerando as narrativas históricas, seria no Iraque (região atual) na cidade de Hillah (Google Earth).

Estudos históricos e etiologia

Alguns estudiosos modernos associaram a Torre de Babel a estruturas e relatos históricos conhecidos, particularmente da antiga Mesopotâmia – 2000-2500 anos a.C. A inspiração mais amplamente atribuída é Etemenanki, um zigurate dedicado ao deus Marduk na Babilônia, que em hebraico era chamado de Babel. Uma história semelhante também é encontrada na antiga lenda suméria, Enmerkar e o Senhor de Aratta, que descreve eventos e locais no sul da Mesopotâmia. 1

No Google Earth ao colocarmos “Etemenanki, سنجار، Iraque”, obtemos a localização exata e consta como marco histórico.

A frase “Torre de Babel” não aparece em Gênesis nem em nenhum outro lugar da Bíblia; é sempre “a cidade e a torre” ou apenas “a cidade”. A derivação original do nome Babel, que é o nome hebraico para Babilônia, é incerta. O nome acadiano nativo da cidade era Bāb-ilim, que significa “portão de Deus”. No entanto, essa forma e interpretação em si é geralmente considerada derivada da etimologia popular acadiana aplicada a uma forma anterior do nome, Babilla, de significado desconhecido e provavelmente de origem não semítica. 2

De acordo com a história em Gênesis, a cidade recebeu o nome “Babel” do verbo hebraico bālal, que significa misturar ou confundir, depois que Deus distorceu a linguagem comum da humanidade. Considerando alguns autores, isso reflete um jogo de palavras devido aos termos hebraicos para Babilônia e “confundir” terem pronúncia semelhante.3.

Qual a altura da torre de Babel?

O Livro do Gênesis não menciona a altura exata da torre de Babel, referindo-se a ela com a expressão “seu topo no céu”, uma figura de linguagem para uma construção de grande altura. No entanto, diferentes textos antigos e interpretações oferecem números variados para sua altura.

O Livro dos Jubileus 4, por exemplo, afirma que a torre teria alcançado 5.433 côvados e 2 palmas (aproximadamente 2.484 metros), três vezes mais alta que o Burj Khalifa.5 Já o apócrifo Terceiro Apocalipse de Baruque descreve uma altura de 463 côvados (211,8 metros), que teria sido maior do que qualquer construção até a Torre Eiffel em 1889, com 324 metros.

Outras tradições fornecem medições ainda mais impressionantes. São Gregório de Tours, citando Orósio, relata que a torre tinha uma circunferência de 470 estádios (cerca de 82,72 km), uma largura de 50 côvados (23 metros) e altura de 200 côvados (91,5 metros).

O historiador medieval Giovanni Villani6 descreve dimensões ainda mais exageradas: 130 km de diâmetro, 5,92 km de altura e paredes com 1.000 passos de espessura. Relatos do século XIV, como os do viajante John Mandeville, indicam uma altura de 64 furlongs (13 km), com base em tradições locais.

No século XVII, Verstegan7 citou Isidoro e Josefo, sugerindo uma altura de 5.164 passos (cerca de 7,6 km). Ele também mencionou descrições da torre como semelhante a uma montanha, com um caminho espiral largo o suficiente para abrigar trabalhadores e animais e até mesmo para cultivar grãos usados na construção.

Do ponto de vista técnico, o professor Gordon, em seu livro8, considerou os limites físicos para uma construção como a Torre de Babel. Ele calculou que uma torre com paredes paralelas de tijolos poderia alcançar até 2,1 km antes que a base fosse esmagada sob o próprio peso. Contudo, ao afunilar as paredes em direção ao topo, seria possível construir mais alto, embora a dificuldade de respirar em grandes altitudes pudesse ser um fator limitante para os construtores.

Essas descrições refletem mais os imaginários culturais e simbólicos do que a viabilidade prática da construção, destacando o impacto mítico da Torre de Babel na história e na tradição.

Onde está a Torre de Babel na Bíblia?

O trecho das escrituras, no Livro de Gênesis, nos diz:


11,1 Ora, a terra tinha uma só língua e um mesmo modo de falar.
2 E [os homens], tendo partido do Oriente, encontraram uma planície na terra de Senaar e habitaram nela.
3 Então disseram uns para os outros: “Vinde, façamos tijolos e cozamo-los no fogo”. Serviram-se, pois, de tijolos em vez de pedras, e de betume em vez de argamassa,
4 e disseram: “Vinde, façamos para nós uma cidade e uma torre cujo cimo chegue até o céu, e tornemos célebre o nosso nome antes que nos espalhemos por toda a terra”.
5 O Senhor, porém, desceu a ver a cidade e a torre que os filhos de Adão edificavam,
6 e disse: “Eis que são um só povo e têm todos a mesma língua, e começaram a fazer esta obra e não desistirão do
seu intento até que a tenham de todo executado.
7 Vinde, pois, desçamos e confundamos de tal sorte a sua linguagem que um não compreenda a voz do outro”.
8 E assim o Senhor os dispersou daquele lugar por todos os países da terra, e cessaram de edificar a cidade.
9 E por isso lhe foi posto o nome de Babel, porque aí foi confundida a linguagem de toda a terra e daí os
espalhou o Senhor por todas as regiões.
9

São João Crisóstomo nos explica sobre o trecho: “Observe como a raça humana, em vez de ser capaz de resguardar seus limites, sempre anseia por mais e mais, e alimenta ambições além de suas forças. Também a este respeito, quando as pessoas que perseguem as coisas do mundo adquirem para si muita riqueza e poder, perdem de vista, por assim dizer, a sua própria natureza, e aspiram a alturas tais que acabam despencando nas profundezas. É algo que se testemunha diariamente, e contudo ninguém tira qualquer lição disso; antes, há apenas um breve momento de reflexão e logo se esvai toda lembrança do ocorrido, e então toma-se o mesmo caminho que os outros, caindo-se no mesmo precipício. exatamente o que acontece neste passo: “Tendo partido do Oriente, encontraram uma planície na terra de Senaar e abitaram nela.” Veja como de modo pontual o texto nos ensina a falta de firmeza deles. Quando avistaram a planície, pegaram suas coisas e partiram de sua habitação anterior, assentando-se na nova“. 10

Onde o Novo Testamento a menciona?

A Torre de Babel não é mencionada explicitamente no Novo Testamento. Porém, seu impacto é percebido em eventos como o Pentecostes (Atos 2). Neste episódio, o Espírito Santo une os povos de diferentes línguas. É uma reversão simbólica da divisão causada em Babel, promovendo a unidade na fé.

Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar várias línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. 11

O comentário patrístico de São Beda nos informa sobre o trecho: “A humildade da Igreja reagrega a unidade
das línguas que o orgulho babélico estilhaçara (cf. Gn 11,1–9). Espiritualmente, porém, a variedade das línguas significa também o dom da multiplicidade das graçasl. Dessa maneira, não é contraditório interpretar que a diversidade das línguas significa também um dom que o Espírito Santo deu ao homem, pois é pela língua que se aprende e se ensina
a sabedoria de maneira extrínseca. É dessa maneira que se prova o quão facilmente o homem pode ensinar e tornar sábio o povo por meio do conhecimento de Deus – que já está dentro dele.
12

O que a Igreja ensina sobre a Torre de Babel?

A Igreja interpreta a Torre de Babel como um símbolo do orgulho humano e da tentativa de viver à parte de Deus. A história reforça a necessidade de humildade e dependência do Senhor. Ela nos lembra que a verdadeira unidade só pode ser alcançada em Deus e pela ação do Espírito Santo.

E a nossa vida espiritual?

A narrativa da Torre de Babel nos ensina que a soberba e o desejo de glória própria nos afastam de Deus. Somos convidados a buscar a verdadeira unidade, fundamentada no amor divino. Devemos viver em humildade e obediência à vontade de Deus. Reconhecemos que, somente Nele, encontramos a ordem e o propósito que tanto buscamos.

Em um mundo marcado por divisões e orgulho, somos chamados a reencontrar a comunhão em Deus. Que possamos, guiados pelo Espírito Santo, construir não torres de vaidade, mas pontes de amor e unidade.

Referências

  1. Day, John. From Creation to Babel: Studies in Genesis 1-11, Bloomsbury Publishing, 2014.[]
  2. Kramer, Samuel Noah. Sumerian Mythology, University of Pennsylvania Press, 1998.[]
  3. Ibidem.[]
  4. texto apócrifo, não aceito pela Igreja[]
  5. o prédio mais alto de Dubai, com mais de 828 metros de altura e 163 andares.[]
  6. Villani, Giovanni. Cronica di Giovanni Villani, Vol. 1: A Miglior Lezione Ridotta coll’Aiuto De’ Testi a Penna. Forgotten Books, 2018.[]
  7. Zacchi, Romana; Morini, Massimiliano. Richard Rowlands Verstegan: A Versatile Man in an Age of Turmoil. Brepols Publishers, 2013.[]
  8. Gordon, J. E. Structures: Or Why Things Don’t Fall Down. 2ª ed, Da Capo Press, 2003, 424 p.[]
  9. Bíblia Sagrada, Tradução do Pe. Matos Soares a partir da Vulgata Clementina (1927–1932). Minha Biblioteca Católica, 2023, p. 37.[]
  10. Ibidem.[]
  11. Atos 2,4[]
  12. Ibidem, p. 1308[]

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