Devoção

A vida de Fulton Sheen

Conheça a vida de Fulton Sheen, o bispo que foi o maior comunicador do século XX, superando a audiência de Frank Sinatra na TV.

A vida de Fulton Sheen
Devoção

A vida de Fulton Sheen

Conheça a vida de Fulton Sheen, o bispo que foi o maior comunicador do século XX, superando a audiência de Frank Sinatra na TV.

Data da Publicação: 14/12/2023
Tempo de leitura:
Autor: Redação Minha Biblioteca Católica
Data da Publicação: 14/12/2023
Tempo de leitura:
Autor: Redação Minha Biblioteca Católica

Conheça a vida de Fulton Sheen, o bispo que foi o maior comunicador do século XX, superando a audiência de Frank Sinatra na TV.

A influência do Venerável Fulton Sheen ressoou em milhões de ouvintes, católicos e não católicos. O renomado comunicador do século XX desempenhou um papel vital no cenário pós-guerra, reacendendo a esperança e guiando muitos à conversão.

No fim de sua vida, o bispo da América, como ficou conhecido, encontrou-se com São João Paulo II, que elogiou sua extraordinária habilidade ao falar e escrever sobre Nosso Senhor Jesus Cristo. Além de afirmar que Fulton Sheen era um filho verdadeiramente fiel à Igreja Católica. Conheça neste artigo a vida e o legado deste grande homem que dedicou a sua vida à propagação da fé e passou para a eternidade de maneira comovente.

Quem foi Fulton Sheen?

Fulton Sheen, arcebispo católico americano, destacou-se como bispo, comunicador e autor. Sua carismática presença na mídia nas décadas de 1950 e 1960 consagrou-o como um dos maiores comunicadores do século XX. Atraindo milhões de espectadores para os seus programas, sua capacidade única de se conectar ao público resultou em inúmeras conversões.

O arcebispo não era apenas uma figura midiática, todos os dias ele passava uma hora inteira diante do sacrário nutrindo a sua fé e buscando a luz divina. Além disso, foi um grande intelectual, deixando uma vasta produção literária que combinava erudição teológica com uma comunicação envolvente.

Atualmente reconhecido como Venerável Fulton Sheen, seu processo de beatificação está em andamento, fundamentado por suas virtudes heroicas reconhecidas e um milagre atribuído à sua intercessão.

Os principais episódios da vida de Fulton Sheen

Nascimento e infância

O seu nome de batismo era Peter John Sheen, mas gostava de ser chamado de Fulton Sheen — sendo Fulton o sobrenome de solteira de sua mãe. Ele veio ao mundo em 8 de maio de 1895, na cidade de El Paso, Illinois. Fulton Sheen foi o primogênito de Newton e Delia Sheen, que trabalhavam no campo e criaram-no com seus três irmãos em um ambiente de trabalho árduo e fé sólida.

Os pais de Fulton Sheen cultivavam uma grande devoção à Nossa Senhora, evidenciada pelo hábito diário de rezar o Rosário em família. Esse ambiente devoto levou-os a consagrar Peter ainda criança a Nossa Senhora, um ato solene que o bispo renovou no dia de sua primeira comunhão.

Desde cedo, Fulton Sheen demonstrou seu compromisso com a fé, sendo coroinha na catedral dedicada à Imaculada Conceição de Maria. Além disso, enquanto servia em uma missa celebrada pelo arcebispo local, um incidente envolvendo um objeto litúrgico tornou-se um momento profético. Após este acontecido, o arcebispo afirma que o jovem estudaria em Louvain e também se tornaria bispo um dia — fatos que realmente aconteceram posteriormente.

Padre e intelectual

vida de fulton sheen jovem

Com uma aptidão precoce para a vida acadêmica, Fulton Sheen começou sua jornada sacerdotal ao ser ordenado padre aos 24 anos, em 20 de setembro de 1919, pelas mãos do Bispo Dunne. Desde cedo, sua promessa secreta a Deus de praticar diariamente a Hora Santa diante de Jesus Eucarístico e rezar a Missa de Nossa Senhora aos sábados destacou sua profunda devoção.

Após a ordenação, Sheen continuou seus estudos teológicos em Washington, na Universidade Católica da América. Ele se aprofundou em Direito Canônico e Sagrada Teologia, graduando-se nestas duas disciplinas. Embora mantivesse uma vida de estudos ativa, o sacerdote celebrava missa pela manhã e atendia paróquias nos feriados.

Além disso, movido por seu fascínio pelo neotomismo e o pensamento de Santo Tomás de Aquino, ele viajou para a Universidade de Louvain, na Bélgica, onde estudou também metafísica, psicologia e cosmologia. Em 1923, defendeu sua tese doutoral sobre “O Espírito da Filosofia Contemporânea e a finitude de Deus”, recebendo o Prêmio Cardeal Mercier — condecoração dada aos melhores trabalhos da instituição. Assim, com menos de 30 anos, Fulton Sheen já era doutor em filosofia.

Bispo

Ordenado bispo em Roma, em 1951, Sheen foi designado Bispo Titular de Cesariana pelo Papa Pio XII. Seus esforços missionários e sua influência na Igreja americana o marcaram como Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Nova York. Além disso, de 1962 a 1965, ele participou ativamente das sessões do II Concílio do Vaticano.

Bispo e estrela da TV

Sheen se tornou uma figura notável ao iniciar o programa de rádio The Catholic Hour em 1930, alcançando milhões de ouvintes. No entanto, sua entrada triunfante na televisão ocorreu mais tarde, com os programas Life is Worth Living e The Fulton Sheen Program. Ao relacionar diversos temas com a fé católica, ele ofereceu respostas às questões existenciais, alcançando milhões de americanos e tornando-se uma voz relevante na sociedade da época.

Você sabia que Santa Clara é padroeira da televisão? Confira aqui.

Exílio

Após entrar em conflito com o Cardeal Spellman, Fulton Sheen foi designado para a pouco conhecida diocese de Rochester em 1966, quando tinha 71 anos. O cardeal, insatisfeito com a decisão do Papa Pio XII a favor de Sheen, jurou vingança, conseguindo encerrar o programa de TV de Fulton Sheen e forçar sua transferência. Ao enfrentar resistências e dificuldades com o próprio clero, Sheen renunciou em 1969, tornando-se bispo emérito de Rochester. Logo depois, o Papa Paulo VI o nomeou Arcebispo da Sé Titular de Newport (país de Gales), embora fosse uma diocese já extinta, apenas com título honorífico.

Desse modo, os últimos 13 anos da vida de Sheen foram de profunda purificação. Apesar de desafiador, esse período foi valioso para sua busca da santidade. Sua principal tentação sempre foi a vaidade e, mesmo como bispo, ele ainda lutava contra essa inclinação. E nestes anos finais, além de perder seu programa de televisão, Fulton Sheen permaneceu sem uma diocese para atuar, dedicando-se à escrita e à pregação.

A morte de Fulton Sheen

A vida deste arcebispo chegou ao fim de maneira comovente. Na sua ordenação sacerdotal, ele fez a promessa de rezar a Hora Santa Eucarística diariamente, assim, todos os dias passava uma hora inteira diante de Jesus Sacramentado. Em 9 de dezembro de 1979, aos 84 anos, o arcebispo descansou definitivamente diante do sacrário, onde costumava passar momentos em adoração.

Fulton Sheen cumpriu assim sua promessa fielmente até o último dia de sua vida. Desse modo, seu corpo foi encontrado morto diante do Sacrário, no dia seguinte. Inicialmente, ele foi enterrado na diocese de Nova York, sendo transladado para a diocese de Peoria, Illinois, em 2019. Seu túmulo agora pode ser venerado na Cathedral of Saint Mary of the Immaculate Conception.

Fulton Sheen: o maior comunicador do século XX

Fulton Sheen, reverenciado como o maior comunicador do século XX, deixou sua marca na era pós-Segunda Guerra Mundial com programas de televisão que conquistaram uma audiência monumental. Seu trabalho também desempenhou um papel fundamental ao confrontar as ideologias antagônicas ao Catolicismo que ganharam espaço nas universidades e na mídia após a década de 50. O bispo falava de Marx, Freud, Nietzsche e tratava de questões existenciais.

Em 1951, lançou o Life is Worth Living, um dos programas católicos mais influentes do século, transmitido por seis anos. Depois, na década de 60, apresentou outro sucesso, The Fulton Sheen Program, que foi ao ar de 1961 a 1968.

Enquanto Bispo Auxiliar de Nova York, interrompeu sua transmissão semanal de rádio para assumir o Life is Worth Living. Alcançou uma audiência ao vivo de 30 milhões de espectadores em horário nobre. Competindo com astros como Frank Sinatra e Milton Berle, superou em audiência, conquistando inclusive o Emmy de personalidade mais vista da televisão.

Embora falasse de Deus e do catolicismo, o objetivo do bispo era atrair e converter os não católicos. Desse modo, a temática do programa em si não era católica. Mas Fulton Sheen abordava questões existenciais, conectando os temas à fé católica, a fim de transmitir uma mensagem de fé aos espectadores.

Na plataforma da Lumine, você tem acesso ao programa mais célebre deste apóstolo da TV. A série A vida vale a pena reúne dez episódios da série original apresentada pelo Venerável Fulton Sheen, abordando temas como Eucaristia, revolução sexual e comunismo, além de assuntos relacionados à religião e à vida do homem moderno.

Chesterton fez parte da vida de Fulton Sheen

chesterton fez parte da vida de fulton sheen

Fulton Sheen e Chesterton compartilhavam uma grande amizade, além do respeito e admiração mútuos. O bispo, que era 21 anos mais jovem que Chesterton, visitou o renomado autor em Londres após concluir seu doutorado, a fim de pedir que ele escrevesse um prefácio para o livro baseado em sua tese sobre Deus e a inteligência.

Embora Chesterton tenha dito humildemente que sabia pouco de filosofia, Fulton Sheen elogiou a sua obra “Ortodoxia” como uma das mais importantes da filosofia contemporânea. Sendo assim, Chesterton concordou em escrever o prefácio com a convicção de que os católicos devem atuar na defesa uns dos outros.

A relação entre ambos era tão profunda que Sheen, em sua autobiografia, destacou Chesterton como sua maior influência na escrita. No entanto, a conexão espiritual e intelectual entre os dois grandes pensadores reflete-se não apenas no estilo do bispo da América, mas também em suas abordagens a respeito da vida, da fé e das ideologias modernas. Além disso, quando Chesterton faleceu, Fulton Sheen estava no velório entre os amigos e admiradores do escritor.

Veja também: Chesterton, Fulton Sheen e outros grandes nomes da defesa da fé católica no século XX.

Fulton Sheen é santo?

Papa Bento XVI conferiu a Fulton Sheen o título de Venerável em 2012, reconhecendo suas virtudes heroicas. Em 2019, o Papa Francisco aprovou um milagre, através da intercessão de Sheen, envolvendo o restabelecimento da vida de um bebê natimorto — James Fulton Engstrom, após 61 minutos sem batimentos cardíacos ou respiração — o que impulsionou o seu processo de beatificação.

Contudo, bispos dos Estados Unidos levantaram controvérsias a respeito de decisões tomadas por Fulton Sheen durante seu episcopado. Isso resultou no adiamento da beatificação programada para dezembro daquele ano. Eles solicitaram novos estudos sobre aspectos de sua biografia.

Embora haja evidências de sua retidão no processo de beatificação, a biografia de Fulton Sheen continua a ser perseguida após a morte, assim como foi em vida. Enquanto isso, que a doação de vida e o exemplo de serviço deste grande bispo inspirem a nossa jornada rumo ao Céu. 

Livros de Fulton Sheen

livros a vida de fulton sheen

Fulton Sheen, além de arcebispo e grande comunicador, deixou um significativo legado literário. Entre suas obras mais conhecidas estão:

  • Vida de Cristo: esta obra conduz os leitores por uma jornada íntima pelos eventos da vida de Jesus. Fulton Sheen explora as passagens bíblicas com uma profundidade que expõe não apenas a história, mas também a relevância contínua da mensagem de Cristo.
  • Três para Casar: esta obra aborda os princípios do matrimônio. Ao abordar temas fundamentais para a construção de relacionamentos sólidos, Sheen combina sabedoria espiritual com uma compreensão prática das complexidades do casamento
  • O Primeiro Amor do Mundo: neste livro, o autor explora o papel único de Maria na história da salvação. Cada aspecto marcante da vida da Mãe de Jesus é minuciosamente explorado, juntamente com os dogmas e devoções marianas mais populares.
  • Rumo à Felicidade: nesta obra, Fulton Sheen explora a busca universal pela felicidade, revelando que ela está ligada ao cumprimento do propósito essencial de nossa existência. Ele aborda aspectos pessoais e sociais — trabalho, filhos, amor, paz etc. —, oferecendo um guia para aqueles que buscam compreender e encontrar a verdadeira fonte de felicidade na vida.
  • O Calvário e a Missa: este livro mergulha na profunda relação entre a Crucificação de Cristo e a celebração da Missa. Fulton Sheen oferece ensinamentos espirituais que enriquecem a nossa compreensão a respeito da Eucaristia, destacando-a como um sacrifício contínuo.
  • Hora Santa: o livro “Hora Santa” é um guia de oração para se crescer em intimidade com Nosso Senhor no dia a dia. Nele, Fulton Sheen explica em detalhes como fazer a Hora Santa, uma devoção que ele realizou e propagou durante toda sua vida sacerdotal e que consiste em uma 1h de meditação sobre Deus e a vida eterna.

Essa obra é exclusiva dos assinantes da Minha Biblioteca Católica, o maior clube de leitores católicos do Brasil. Garanta o seu exemplar aqui.

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    Redação Minha Biblioteca Católica

    O maior clube de leitores católicos do Brasil.

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    O que você vai encontrar neste artigo?

    Conheça a vida de Fulton Sheen, o bispo que foi o maior comunicador do século XX, superando a audiência de Frank Sinatra na TV.

    A influência do Venerável Fulton Sheen ressoou em milhões de ouvintes, católicos e não católicos. O renomado comunicador do século XX desempenhou um papel vital no cenário pós-guerra, reacendendo a esperança e guiando muitos à conversão.

    No fim de sua vida, o bispo da América, como ficou conhecido, encontrou-se com São João Paulo II, que elogiou sua extraordinária habilidade ao falar e escrever sobre Nosso Senhor Jesus Cristo. Além de afirmar que Fulton Sheen era um filho verdadeiramente fiel à Igreja Católica. Conheça neste artigo a vida e o legado deste grande homem que dedicou a sua vida à propagação da fé e passou para a eternidade de maneira comovente.

    Quem foi Fulton Sheen?

    Fulton Sheen, arcebispo católico americano, destacou-se como bispo, comunicador e autor. Sua carismática presença na mídia nas décadas de 1950 e 1960 consagrou-o como um dos maiores comunicadores do século XX. Atraindo milhões de espectadores para os seus programas, sua capacidade única de se conectar ao público resultou em inúmeras conversões.

    O arcebispo não era apenas uma figura midiática, todos os dias ele passava uma hora inteira diante do sacrário nutrindo a sua fé e buscando a luz divina. Além disso, foi um grande intelectual, deixando uma vasta produção literária que combinava erudição teológica com uma comunicação envolvente.

    Atualmente reconhecido como Venerável Fulton Sheen, seu processo de beatificação está em andamento, fundamentado por suas virtudes heroicas reconhecidas e um milagre atribuído à sua intercessão.

    Os principais episódios da vida de Fulton Sheen

    Nascimento e infância

    O seu nome de batismo era Peter John Sheen, mas gostava de ser chamado de Fulton Sheen — sendo Fulton o sobrenome de solteira de sua mãe. Ele veio ao mundo em 8 de maio de 1895, na cidade de El Paso, Illinois. Fulton Sheen foi o primogênito de Newton e Delia Sheen, que trabalhavam no campo e criaram-no com seus três irmãos em um ambiente de trabalho árduo e fé sólida.

    Os pais de Fulton Sheen cultivavam uma grande devoção à Nossa Senhora, evidenciada pelo hábito diário de rezar o Rosário em família. Esse ambiente devoto levou-os a consagrar Peter ainda criança a Nossa Senhora, um ato solene que o bispo renovou no dia de sua primeira comunhão.

    Desde cedo, Fulton Sheen demonstrou seu compromisso com a fé, sendo coroinha na catedral dedicada à Imaculada Conceição de Maria. Além disso, enquanto servia em uma missa celebrada pelo arcebispo local, um incidente envolvendo um objeto litúrgico tornou-se um momento profético. Após este acontecido, o arcebispo afirma que o jovem estudaria em Louvain e também se tornaria bispo um dia — fatos que realmente aconteceram posteriormente.

    Padre e intelectual

    vida de fulton sheen jovem

    Com uma aptidão precoce para a vida acadêmica, Fulton Sheen começou sua jornada sacerdotal ao ser ordenado padre aos 24 anos, em 20 de setembro de 1919, pelas mãos do Bispo Dunne. Desde cedo, sua promessa secreta a Deus de praticar diariamente a Hora Santa diante de Jesus Eucarístico e rezar a Missa de Nossa Senhora aos sábados destacou sua profunda devoção.

    Após a ordenação, Sheen continuou seus estudos teológicos em Washington, na Universidade Católica da América. Ele se aprofundou em Direito Canônico e Sagrada Teologia, graduando-se nestas duas disciplinas. Embora mantivesse uma vida de estudos ativa, o sacerdote celebrava missa pela manhã e atendia paróquias nos feriados.

    Além disso, movido por seu fascínio pelo neotomismo e o pensamento de Santo Tomás de Aquino, ele viajou para a Universidade de Louvain, na Bélgica, onde estudou também metafísica, psicologia e cosmologia. Em 1923, defendeu sua tese doutoral sobre “O Espírito da Filosofia Contemporânea e a finitude de Deus”, recebendo o Prêmio Cardeal Mercier — condecoração dada aos melhores trabalhos da instituição. Assim, com menos de 30 anos, Fulton Sheen já era doutor em filosofia.

    Bispo

    Ordenado bispo em Roma, em 1951, Sheen foi designado Bispo Titular de Cesariana pelo Papa Pio XII. Seus esforços missionários e sua influência na Igreja americana o marcaram como Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Nova York. Além disso, de 1962 a 1965, ele participou ativamente das sessões do II Concílio do Vaticano.

    Bispo e estrela da TV

    Sheen se tornou uma figura notável ao iniciar o programa de rádio The Catholic Hour em 1930, alcançando milhões de ouvintes. No entanto, sua entrada triunfante na televisão ocorreu mais tarde, com os programas Life is Worth Living e The Fulton Sheen Program. Ao relacionar diversos temas com a fé católica, ele ofereceu respostas às questões existenciais, alcançando milhões de americanos e tornando-se uma voz relevante na sociedade da época.

    Você sabia que Santa Clara é padroeira da televisão? Confira aqui.

    Exílio

    Após entrar em conflito com o Cardeal Spellman, Fulton Sheen foi designado para a pouco conhecida diocese de Rochester em 1966, quando tinha 71 anos. O cardeal, insatisfeito com a decisão do Papa Pio XII a favor de Sheen, jurou vingança, conseguindo encerrar o programa de TV de Fulton Sheen e forçar sua transferência. Ao enfrentar resistências e dificuldades com o próprio clero, Sheen renunciou em 1969, tornando-se bispo emérito de Rochester. Logo depois, o Papa Paulo VI o nomeou Arcebispo da Sé Titular de Newport (país de Gales), embora fosse uma diocese já extinta, apenas com título honorífico.

    Desse modo, os últimos 13 anos da vida de Sheen foram de profunda purificação. Apesar de desafiador, esse período foi valioso para sua busca da santidade. Sua principal tentação sempre foi a vaidade e, mesmo como bispo, ele ainda lutava contra essa inclinação. E nestes anos finais, além de perder seu programa de televisão, Fulton Sheen permaneceu sem uma diocese para atuar, dedicando-se à escrita e à pregação.

    A morte de Fulton Sheen

    A vida deste arcebispo chegou ao fim de maneira comovente. Na sua ordenação sacerdotal, ele fez a promessa de rezar a Hora Santa Eucarística diariamente, assim, todos os dias passava uma hora inteira diante de Jesus Sacramentado. Em 9 de dezembro de 1979, aos 84 anos, o arcebispo descansou definitivamente diante do sacrário, onde costumava passar momentos em adoração.

    Fulton Sheen cumpriu assim sua promessa fielmente até o último dia de sua vida. Desse modo, seu corpo foi encontrado morto diante do Sacrário, no dia seguinte. Inicialmente, ele foi enterrado na diocese de Nova York, sendo transladado para a diocese de Peoria, Illinois, em 2019. Seu túmulo agora pode ser venerado na Cathedral of Saint Mary of the Immaculate Conception.

    Fulton Sheen: o maior comunicador do século XX

    Fulton Sheen, reverenciado como o maior comunicador do século XX, deixou sua marca na era pós-Segunda Guerra Mundial com programas de televisão que conquistaram uma audiência monumental. Seu trabalho também desempenhou um papel fundamental ao confrontar as ideologias antagônicas ao Catolicismo que ganharam espaço nas universidades e na mídia após a década de 50. O bispo falava de Marx, Freud, Nietzsche e tratava de questões existenciais.

    Em 1951, lançou o Life is Worth Living, um dos programas católicos mais influentes do século, transmitido por seis anos. Depois, na década de 60, apresentou outro sucesso, The Fulton Sheen Program, que foi ao ar de 1961 a 1968.

    Enquanto Bispo Auxiliar de Nova York, interrompeu sua transmissão semanal de rádio para assumir o Life is Worth Living. Alcançou uma audiência ao vivo de 30 milhões de espectadores em horário nobre. Competindo com astros como Frank Sinatra e Milton Berle, superou em audiência, conquistando inclusive o Emmy de personalidade mais vista da televisão.

    Embora falasse de Deus e do catolicismo, o objetivo do bispo era atrair e converter os não católicos. Desse modo, a temática do programa em si não era católica. Mas Fulton Sheen abordava questões existenciais, conectando os temas à fé católica, a fim de transmitir uma mensagem de fé aos espectadores.

    Na plataforma da Lumine, você tem acesso ao programa mais célebre deste apóstolo da TV. A série A vida vale a pena reúne dez episódios da série original apresentada pelo Venerável Fulton Sheen, abordando temas como Eucaristia, revolução sexual e comunismo, além de assuntos relacionados à religião e à vida do homem moderno.

    Chesterton fez parte da vida de Fulton Sheen

    chesterton fez parte da vida de fulton sheen

    Fulton Sheen e Chesterton compartilhavam uma grande amizade, além do respeito e admiração mútuos. O bispo, que era 21 anos mais jovem que Chesterton, visitou o renomado autor em Londres após concluir seu doutorado, a fim de pedir que ele escrevesse um prefácio para o livro baseado em sua tese sobre Deus e a inteligência.

    Embora Chesterton tenha dito humildemente que sabia pouco de filosofia, Fulton Sheen elogiou a sua obra “Ortodoxia” como uma das mais importantes da filosofia contemporânea. Sendo assim, Chesterton concordou em escrever o prefácio com a convicção de que os católicos devem atuar na defesa uns dos outros.

    A relação entre ambos era tão profunda que Sheen, em sua autobiografia, destacou Chesterton como sua maior influência na escrita. No entanto, a conexão espiritual e intelectual entre os dois grandes pensadores reflete-se não apenas no estilo do bispo da América, mas também em suas abordagens a respeito da vida, da fé e das ideologias modernas. Além disso, quando Chesterton faleceu, Fulton Sheen estava no velório entre os amigos e admiradores do escritor.

    Veja também: Chesterton, Fulton Sheen e outros grandes nomes da defesa da fé católica no século XX.

    Fulton Sheen é santo?

    Papa Bento XVI conferiu a Fulton Sheen o título de Venerável em 2012, reconhecendo suas virtudes heroicas. Em 2019, o Papa Francisco aprovou um milagre, através da intercessão de Sheen, envolvendo o restabelecimento da vida de um bebê natimorto — James Fulton Engstrom, após 61 minutos sem batimentos cardíacos ou respiração — o que impulsionou o seu processo de beatificação.

    Contudo, bispos dos Estados Unidos levantaram controvérsias a respeito de decisões tomadas por Fulton Sheen durante seu episcopado. Isso resultou no adiamento da beatificação programada para dezembro daquele ano. Eles solicitaram novos estudos sobre aspectos de sua biografia.

    Embora haja evidências de sua retidão no processo de beatificação, a biografia de Fulton Sheen continua a ser perseguida após a morte, assim como foi em vida. Enquanto isso, que a doação de vida e o exemplo de serviço deste grande bispo inspirem a nossa jornada rumo ao Céu. 

    Livros de Fulton Sheen

    livros a vida de fulton sheen

    Fulton Sheen, além de arcebispo e grande comunicador, deixou um significativo legado literário. Entre suas obras mais conhecidas estão:

    • Vida de Cristo: esta obra conduz os leitores por uma jornada íntima pelos eventos da vida de Jesus. Fulton Sheen explora as passagens bíblicas com uma profundidade que expõe não apenas a história, mas também a relevância contínua da mensagem de Cristo.
    • Três para Casar: esta obra aborda os princípios do matrimônio. Ao abordar temas fundamentais para a construção de relacionamentos sólidos, Sheen combina sabedoria espiritual com uma compreensão prática das complexidades do casamento
    • O Primeiro Amor do Mundo: neste livro, o autor explora o papel único de Maria na história da salvação. Cada aspecto marcante da vida da Mãe de Jesus é minuciosamente explorado, juntamente com os dogmas e devoções marianas mais populares.
    • Rumo à Felicidade: nesta obra, Fulton Sheen explora a busca universal pela felicidade, revelando que ela está ligada ao cumprimento do propósito essencial de nossa existência. Ele aborda aspectos pessoais e sociais — trabalho, filhos, amor, paz etc. —, oferecendo um guia para aqueles que buscam compreender e encontrar a verdadeira fonte de felicidade na vida.
    • O Calvário e a Missa: este livro mergulha na profunda relação entre a Crucificação de Cristo e a celebração da Missa. Fulton Sheen oferece ensinamentos espirituais que enriquecem a nossa compreensão a respeito da Eucaristia, destacando-a como um sacrifício contínuo.
    • Hora Santa: o livro “Hora Santa” é um guia de oração para se crescer em intimidade com Nosso Senhor no dia a dia. Nele, Fulton Sheen explica em detalhes como fazer a Hora Santa, uma devoção que ele realizou e propagou durante toda sua vida sacerdotal e que consiste em uma 1h de meditação sobre Deus e a vida eterna.

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