Espiritualidade

Meditação para o primeiro domingo do Advento

Prepare-se para o Natal com esta meditação para o primeiro domingo do Advento, escrita por Santo Afonso de Ligório.

Meditação para o primeiro domingo do Advento
Espiritualidade

Meditação para o primeiro domingo do Advento

Prepare-se para o Natal com esta meditação para o primeiro domingo do Advento, escrita por Santo Afonso de Ligório.

Data da Publicação: 01/12/2023
Tempo de leitura:
Autor: Redação MBC
Data da Publicação: 01/12/2023
Tempo de leitura:
Autor: Redação MBC

Iniciamos hoje mais um ano litúrgico, com o tempo de preparação para o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Faça conosco esta meditação para o primeiro domingo do Advento, escrita por Santo Afonso de Ligório.

Primeiro domingo do Advento

A temeridade do pecador e o dia do juízo

Verão o Filho do homem, que virá sobre uma nuvem com grande poder e majestade. 1

Sumário

Uma consideração séria nos ensina que não há atualmente no mundo pessoa mais desprezada do que Jesus Cristo; pois Ele é injuriado tão continuamente e com tão desenfreada liberdade como não o seria o mais vil dos homens. Eis porque o Senhor marcou um dia, no qual virá, com grande poder e majestade, a reivindicar a sua honra. Recorramos agora ao trono da divina misericórdia, para que naquele dia não sejamos condenados pela justiça de Deus.

Meditação para o primeiro domingo do Advento: ponto I

Considerando bem, não há no mundo atualmente quem seja mais desprezado que Jesus Cristo. Trata-se com mais consideração um aldeão do que o próprio Deus. Receiam que o aldeão ao ver-se por demais ofendido, se encolerize e tire vingança; Deus, porém, é ofendido incessantemente e de caso pensado, como se não pudesse vingar-se quando quisesse. Por isso o Senhor marcou um dia (chamado com razão, na Sagrada Escritura, o Dia do Senhor, Dies Domini), quando se dará a conhecer tal como é: O Senhor manifestou-se, fez justiça 2. Diz São Bernardo, explicando este texto: “O Senhor será conhecido quando vier a fazer justiça, ao passo que agora, porque quer usar de misericórdia, é desconhecido. Então esse dia não mais se chama de misericórdia e de perdão, senão dia de ira, dia de tribulação e de angústia, dia de calamidade e de miséria”.

Conforme nos ensina o Evangelho de hoje, esse dia será precedido de sinais pavorosos. “Haverá sinais no Sol, na Lua e nas estrelas; na terra os povos estarão angustiados sob o ruído surdo e confuso do mar e das ondas; os homens morrerão com medo dos males que hão de vir sobre o mundo. Por fim, as virtudes dos céus (isto é, na interpretação dos Santos Padres, os nove coros dos anjos) se comoverão, e então se verá aparecer sobre as nuvens o Filho do Homem, com grande poder e majestade”, a reivindicar a glória que os pecadores nesta terra lhe quiseram tirar.

Diz Santo Tomás:

Se no horto do Getsemâni, com as palavras de Jesus Cristo: Ego Sum (Jo 18, 5)3, caíram por terra todos os soldados que o foram prender, que será quando Jesus, sentado para julgar, disser aos condenados: “Aqui estou, sou eu aquele a quem tanto haveis desprezado”? Que será quando pronunciar contra eles a sentença eterna: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno! 4

Ponto II

O Dia do Juízo, assim como será para os réprobos um dia de pena e de terror, será, ao contrário, para os escolhidos um dia de regozijo e triunfo; porque, então, à vista de todos os homens, as suas bem-aventuradas almas serão proclamadas rainhas do paraíso e feitas esposas do Cordeiro imaculado. Oh! que ventura experimentarão os bem-aventurados, quando Jesus, voltando-se para a direita, lhes disser: Vinde, meus benditos filhos, vinde possuir o reino dos céus que vos foi preparado! 5

Irmão meu, o que será de ti naquele dia? São Jerônimo, quando passava os dias na Gruta de Belém, em contínuas orações e mortificações, tremia só de pensar no Juízo Universal. O venerável Pe. Juvenal Ancina, lembrando-se do Juízo ao ouvir cantar a sequência da Missa de defuntos – Dies irae, Dies illa – deixou o mundo e fez-se religioso. E tu, o que fazes para mereceres no Dia do Juízo as bênçãos divinas, em companhia dos escolhidos?

Com o intuito de nos preparar para o santo Natal, a Igreja propõe hoje o Juízo à nossa meditação. Sabendo que Nosso Senhor, na sua primeira vinda, apareceu num trono de graça e que, na segunda, aparecerá num trono de justiça rigorosíssima, quer que procuremos agora recorrer a Jesus a fim de experimentarmos os efeitos da sua infinita misericórdia. Aproximemo-nos com confiança do trono de graça6.

Ah! Jesus meu e meu Redentor, Vós que um dia haveis de ser o meu Juiz: perdoa-me antes que chegue esse dia. Agora, sois meu Pai, e como tal recebeis na Vossa graça um filho que, arrependido, se prostra a Vossos pés. Meu Pai, eu Vos amo de todo o meu coração e no futuro não quero mais temer voltar a ofender-vos.

Mas já que conheceis a minha fraqueza, ajudai-me com a Vossa graça. Excitai, Senhor, o Vosso poder e vinde em meu auxílio, a fim de que, mediante a Vossa proteção, livrado dos perigos iminentes por causa de meus pecados, mereça ser salvo por Vós. Fazei-o pelo amor de Maria Santíssima.

Acompanhe também as meditações diárias neste artigo.

Referências

  1. Lc 21, 27[]
  2. Sl 9,17[]
  3. “Aqui estou”, que também se pode traduzir como a sentença em Jo 8, 58 que tanto escandalizou os judeus: “Eu sou”.[]
  4. Mt 25, 41[]
  5. Mt 25,34[]
  6. Hb 4,16[]

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    Redação MBC

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    Iniciamos hoje mais um ano litúrgico, com o tempo de preparação para o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Faça conosco esta meditação para o primeiro domingo do Advento, escrita por Santo Afonso de Ligório.

    Primeiro domingo do Advento

    A temeridade do pecador e o dia do juízo

    Verão o Filho do homem, que virá sobre uma nuvem com grande poder e majestade. 1

    Sumário

    Uma consideração séria nos ensina que não há atualmente no mundo pessoa mais desprezada do que Jesus Cristo; pois Ele é injuriado tão continuamente e com tão desenfreada liberdade como não o seria o mais vil dos homens. Eis porque o Senhor marcou um dia, no qual virá, com grande poder e majestade, a reivindicar a sua honra. Recorramos agora ao trono da divina misericórdia, para que naquele dia não sejamos condenados pela justiça de Deus.

    Meditação para o primeiro domingo do Advento: ponto I

    Considerando bem, não há no mundo atualmente quem seja mais desprezado que Jesus Cristo. Trata-se com mais consideração um aldeão do que o próprio Deus. Receiam que o aldeão ao ver-se por demais ofendido, se encolerize e tire vingança; Deus, porém, é ofendido incessantemente e de caso pensado, como se não pudesse vingar-se quando quisesse. Por isso o Senhor marcou um dia (chamado com razão, na Sagrada Escritura, o Dia do Senhor, Dies Domini), quando se dará a conhecer tal como é: O Senhor manifestou-se, fez justiça 2. Diz São Bernardo, explicando este texto: “O Senhor será conhecido quando vier a fazer justiça, ao passo que agora, porque quer usar de misericórdia, é desconhecido. Então esse dia não mais se chama de misericórdia e de perdão, senão dia de ira, dia de tribulação e de angústia, dia de calamidade e de miséria”.

    Conforme nos ensina o Evangelho de hoje, esse dia será precedido de sinais pavorosos. “Haverá sinais no Sol, na Lua e nas estrelas; na terra os povos estarão angustiados sob o ruído surdo e confuso do mar e das ondas; os homens morrerão com medo dos males que hão de vir sobre o mundo. Por fim, as virtudes dos céus (isto é, na interpretação dos Santos Padres, os nove coros dos anjos) se comoverão, e então se verá aparecer sobre as nuvens o Filho do Homem, com grande poder e majestade”, a reivindicar a glória que os pecadores nesta terra lhe quiseram tirar.

    Diz Santo Tomás:

    Se no horto do Getsemâni, com as palavras de Jesus Cristo: Ego Sum (Jo 18, 5)3, caíram por terra todos os soldados que o foram prender, que será quando Jesus, sentado para julgar, disser aos condenados: “Aqui estou, sou eu aquele a quem tanto haveis desprezado”? Que será quando pronunciar contra eles a sentença eterna: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno! 4

    Ponto II

    O Dia do Juízo, assim como será para os réprobos um dia de pena e de terror, será, ao contrário, para os escolhidos um dia de regozijo e triunfo; porque, então, à vista de todos os homens, as suas bem-aventuradas almas serão proclamadas rainhas do paraíso e feitas esposas do Cordeiro imaculado. Oh! que ventura experimentarão os bem-aventurados, quando Jesus, voltando-se para a direita, lhes disser: Vinde, meus benditos filhos, vinde possuir o reino dos céus que vos foi preparado! 5

    Irmão meu, o que será de ti naquele dia? São Jerônimo, quando passava os dias na Gruta de Belém, em contínuas orações e mortificações, tremia só de pensar no Juízo Universal. O venerável Pe. Juvenal Ancina, lembrando-se do Juízo ao ouvir cantar a sequência da Missa de defuntos – Dies irae, Dies illa – deixou o mundo e fez-se religioso. E tu, o que fazes para mereceres no Dia do Juízo as bênçãos divinas, em companhia dos escolhidos?

    Com o intuito de nos preparar para o santo Natal, a Igreja propõe hoje o Juízo à nossa meditação. Sabendo que Nosso Senhor, na sua primeira vinda, apareceu num trono de graça e que, na segunda, aparecerá num trono de justiça rigorosíssima, quer que procuremos agora recorrer a Jesus a fim de experimentarmos os efeitos da sua infinita misericórdia. Aproximemo-nos com confiança do trono de graça6.

    Ah! Jesus meu e meu Redentor, Vós que um dia haveis de ser o meu Juiz: perdoa-me antes que chegue esse dia. Agora, sois meu Pai, e como tal recebeis na Vossa graça um filho que, arrependido, se prostra a Vossos pés. Meu Pai, eu Vos amo de todo o meu coração e no futuro não quero mais temer voltar a ofender-vos.

    Mas já que conheceis a minha fraqueza, ajudai-me com a Vossa graça. Excitai, Senhor, o Vosso poder e vinde em meu auxílio, a fim de que, mediante a Vossa proteção, livrado dos perigos iminentes por causa de meus pecados, mereça ser salvo por Vós. Fazei-o pelo amor de Maria Santíssima.

    Acompanhe também as meditações diárias neste artigo.

    Referências

    1. Lc 21, 27[]
    2. Sl 9,17[]
    3. “Aqui estou”, que também se pode traduzir como a sentença em Jo 8, 58 que tanto escandalizou os judeus: “Eu sou”.[]
    4. Mt 25, 41[]
    5. Mt 25,34[]
    6. Hb 4,16[]

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