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Formação

Escravo de Maria: o que isso quer dizer?

Sabe o que significa a expressão Escravo de Maria? Certamente você já viu algum católico andando com uma corrente na mão ou no tornozelo...

Escravo de Maria: o que isso quer dizer?
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Escravo de Maria: o que isso quer dizer?

Sabe o que significa a expressão Escravo de Maria? Certamente você já viu algum católico andando com uma corrente na mão ou no tornozelo...

Data da Publicação: 29/06/2023
Tempo de leitura:
Autor: MBC
Data da Publicação: 29/06/2023
Tempo de leitura:
Autor: MBC

Sabe o que significa a expressão Escravo de Maria? Certamente você já viu algum católico andando com uma corrente na mão ou no tornozelo, ou viu por aí na internet e nas paróquias propagandas de Consagração a Maria pelo método de São Luís Maria Grignion de Montfort.

Confira neste artigo que fizemos para desmistificar e simplificar o que significa a Consagração, bem como para mostrar a importância de buscar ser um verdadeiro devoto de Maria.

A devoção à Nossa Senhora


Todo católico possui a devoção à Nossa Senhora como sendo uma das bases da sua fé cotidiana. Orações, terços, novenas, procissões variadas em honra da Virgem Santíssima tomam conta de nosso calendário litúrgico. Depois do Crucificado, as imagens de Nossa Senhora são as que ganham mais destaque nos lares católicos. 

Tal devoção está longe de ser desnecessária ou um sintoma de idolatria. Na verdade, os católicos, ao venerarem Maria (há a adoração prestada a Deus, a veneração aos santos, e a super veneração a Nossa Senhora), fazem a mesma coisa que Deus fez desde toda a eternidade ao escolhe-La por Mãe do Verbo eterno. 

Assim como o próprio Deus escolheu a Maria dentre todas as mulheres, para gerar em seu ventre o Verbo eterno, é da vontade de Deus que a Igreja, corpo místico de Cristo, continue a ser gerada através da intercessão de Maria. O culto à Maria está presente no cristianismo desde a sua origem. Nunca uma alma que se aproximou sinceramente de Nossa Senhora se afastou, com isso, do Cristo. Pelo contrário: uma verdadeira devoção a Maria inevitavelmente conduz os homens à imitação do amado Filho da Virgem, Nosso Senhor Jesus Cristo.

A “verdadeira devoção” à Santíssima Virgem


Ser um verdadeiro devoto da Santíssima Virgem significa buscar uma devoção que fuja das exterioridades e das superficialidades às quais toda devoção corre o risco de cair. 

Para que a devoção à Maria seja verdadeira, podemos avaliar ela a partir de 5 características centrais:

  1. Deve ser interior, ou seja, deve partir de uma espiritualidade que vem do coração;
  2. Deve ser terna: como de um filho para com a boa mãe;
  3. Deve ser santa: uma verdadeira devoção à Virgem afasta a alma de todo o pecado e a conduz à santidade;
  4. Deve ser constante, ou seja, não está sujeita a desistência das práticas devocionais e de virtude com facilidade.
  5. Deve ser desinteressada: a única finalidade é agradar a Deus, e não a si mesmo.

Conheça agora, o santo que é o responsável por grande parte da divulgação e aprofundamento desta verdadeira devoção à Virgem Santíssima.

São Luís Maria Grignion de Montfort, o propagador do termo Escravo de Maria

São Luís Maria Grignion de Montfort, propagador da expressão escravo de Maria.


Luís Maria Grignion nasceu em 31 de janeiro de 1673, na cidade de Montfort-sur-Meu, na França, oriundo de uma família com profundos costumes cristãos. 

Foi ordenado sacerdote com 27 anos, e, pelo seu forte temperamento, por ter uma profunda santidade de vida, uma devoção ardente por Maria Santíssima, pela Eucaristia e pelo rosário, fez com que milhares de pessoas se convertessem nas suas missões pela França. 

Foi São Luís Maria quem propagou o termo e a prática de se tornar um “Escravo de Maria”. Na verdade, esse era o seu lema sacerdotal, pois, muito cedo, São Luís entendeu que a devoção à Maria é o meio seguro pelo qual a alma pode atingir a santidade.

A sua maior obra, a mais conhecida mundialmente, onde ele expõe os fundamentos da espiritualidade mariana e onde São Luís aponta os meios para que possamos nos tornar Escravos de Maria, se chama o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, redigido em 1712.

São Luís faleceu dia 28 de abril de 1716, durante uma missão, com apenas 43 anos, mas com uma vida intensamente missionária e diversos escritos.

Veja nosso artigo principal sobre A Vida de São Luís.

O Tratado da Verdadeira Devoção


Como dito acima, o livro de São Luís que, até hoje, é referência para numerosos fieis e santos quando o assunto é culto à Nossa Senhora, se chama “O tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria”. Esse livro, fruto da espiritualidade e das pregações de Montfort, foi escrito em 1712, e foi só em 1842 que foi descoberto, para nunca mais ser esquecido.

O tratado escrito por São Luís é dividido do seguinte modo: necessidade da verdadeira devoção à Maria; Verdades Fundamentais da Devoção à Santíssima Virgem Maria; Escolha da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria; Natureza da Perfeita Devoção à Santíssima Virgem Maria; Motivos que nos devem fazer abraçar essa devoção; Figura Bíblica desta Perfeita Devoção: Rebeca e Jacó; Maravilhosos efeitos desta Devoção em uma Alma que lhe é fiel; Práticas particulares desta devoção.

A finalidade de São Luís em escrever este tratado é o de oferecer um itinerário espiritual concreto para que a alma, se fazendo Escrava de Maria, atinja a perfeição, pois, segundo esta devoção, quanto mais a alma se consagra e se aproxima de Maria, mais ela está se consagrando e se aproximando de Jesus Cristo.

Há uma edição especial deste livro, exclusiva para membros, publicada pela Minha Biblioteca Católica. Trata-se de um daqueles livros indispensáveis na estante de qualquer católico! Esta é uma edição exclusiva dos membros do clube. Saiba como se tornar um.

A expressão Escravo de Maria


Totus Tuus


A expressão “Totus Tuus” pode soar familiar a muitas pessoas, pois a vemos citada frequentemente em páginas católicas quando o assunto é a Consagração a Maria. Essa expressão é nada mais que a abreviação da consagração a Maria que São Luís ensina em seu Tratado. Por esse lema o fiel está expressando a total pertença a Jesus através de Maria. 

A consagração completa em latim é: “Tuus totus ego sum, et omnia mea, tua sunt”, e a tradução equivalente: “Sou todo teu, e tudo o que tenho te pertence, ó meu amável Jesus, através de Maria, tua Santíssima Mãe.”

A consagração à Virgem Maria, longe de nos afastar do caminho da santidade, seguindo de modo sincero e equilibrado o que São Luís sabiamente nos inspira, é o ato de, ao declarar-se inteiramente de Maria, ter a certeza de estar na vontade de Deus. No ato da alma, livremente, se declarar todo de Maria, está ancorada a certeza de que a Boa Mãe levará esta alma, inevitavelmente, a Deus.

Mas atenção: essa não é uma devoção que pode ser feita “da boca para fora”. O próprio Tratado nos vai introduzindo acerca do compromisso e das responsabilidades assumidas através da consagração à Nossa Senhora. O se consagrar a Jesus, por Maria, exige empenho sincero de santidade da alma devota. Longe de ser uma moda, é uma verdadeira consagração!

Não é um exagero ser Escravo de Maria?


Antes de ser um exagero, se tornar um Escravo de Maria, como o próprio Tratado ensina, é a segurança de confiar a sua vida nas mãos de Maria, inteiramente, a fim de que Ela a conduza a Deus, o que fará inevitavelmente. Ao invés das graças e bençãos, orações e pedidos virem a nós, tudo passará pelas mãos de Maria que, maternalmente, disporá tudo da melhor forma que convier à salvação das almas. Assim Deus o quis na Encarnação: que todas as coisas viessem por Maria. Da mesma forma hoje, o Escravo de Maria irá a Jesus por Maria.

“A consagração mariana é dar a ela [Maria] a própria pessoa. É, portanto, a coroação da devoção mariana. É um dom de si mesmo a uma promessa de amor, pela qual a pessoa se entrega inteiramente à Virgem Maria e a convida a desencadear todo o seu poder de intercessão para ajudá-la a permanecer fiel a Cristo.” 1

Segundo o próprio São Luís, o objetivo dessa escravidão é simples: aprender a amar a Jesus com o coração de Maria. É, por exemplo, implorar a Ela que nos empreste seu coração, para que nossa alma receba Jesus com a mesma disposição com que Ela O recebeu. 2

Como toda a prática de piedade, toda crença em aparições privadas, a consagração a Maria segundo método de São Luís, tornando-se um Escravo de Maria, deve ter o justo equilíbrio de não se afastar da reta doutrina. A verdadeira devoção à Virgem deve ser interior, confiante, santa, constante e desinteressada. Segundo São Luís Maria, a consagração deve levar a alma a um caminho que seja suave, curto, perfeito e seguro para Jesus. 3

São João Paulo II, um grande Escravo de Maria


Em uma das obras de São João Paulo II, “Cruzando o Limiar da Esperança“, o Santo Padre fala-nos do seu lema: “Totus Tuus”.

“Esta fórmula não é uma simples expressão de devoção: é algo mais. É a orientação da minha espiritualidade. (…) Graças a São Luis Grignion de Montfort, compreendi que a verdadeira devoção à Mãe de Deus é, no entanto, cristocêntrica, e ademais, que está profundamente enraizada no mistério trinitário de Deus, e nos mistérios da Encarnação e da Redenção”. 4

Grande parte da popularidade da expressão de São Luís Maria, Totus Tuus, se deve a São João Paulo II, que escolheu esta expressão por seu lema papal. Na verdade, sua devoção mariana profundamente enraizada vem desde a tenra idade.

Quando jovem, na Polônia, Karol Wojtyla muitas vezes ia e voltava do trabalho carregando o Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem. Durante os intervalos parava para ler o texto. Foi por meio dos escritos de Montfort que São João Paulo II descobriu que para se aproximar de Jesus não precisaria se afastar da devoção a Maria. 5

Enfim, tal devoção não é nada periférica, como São João Paulo II mesmo atestou, por diversas vezes. Não é algo sentimental ou da moda. “Esta devoção perfeita é indispensável para quem pretenda se confiar sem reserva a Cristo e à obra da Redenção.” 6 

Claro que, como São João Paulo II, muitas pessoas demoram a entender a consagração mariana neste moldes. Mas, por muitas vezes, o maior receio é o de achar que a devoção mariana, se for excessiva, pode colocar em risco a supremacia do cristão ao culto devido a Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas, como o Tratado orienta, para aquele que vive o mistério de Maria em Cristo, esse risco não existe. 7.

Assim como tantos santos, assim como São João Paulo II, que possamos nos aproximar de tão doce devoção, a fim de nos aproximarmos sempre mais, verdadeiramente, do próprio Cristo.

Referências

  1. A vida de São João Paulo II, Jason Evert, p. 205[]
  2. cf. De Montfort, God Alone, p.375[]
  3. Vida de São João Paulo II, Jason Evert, p. 207[]
  4. João Paulo II, Papa. Cruzando o Limiar da Esperança.[]
  5. cf. A vida de São João Paulo II, p. 203[]
  6. Frossard, Be not afraid, p. 126[]
  7. cf. John Paulo II Fondly Recalls Louis de Montfort’s Marian Doctrine in a Message on 160 Anniversary of “Tru Devotion” apud Vida de São João Paulo II, John Evers, p. 208[]

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    O que você vai encontrar neste artigo?

    Sabe o que significa a expressão Escravo de Maria? Certamente você já viu algum católico andando com uma corrente na mão ou no tornozelo, ou viu por aí na internet e nas paróquias propagandas de Consagração a Maria pelo método de São Luís Maria Grignion de Montfort.

    Confira neste artigo que fizemos para desmistificar e simplificar o que significa a Consagração, bem como para mostrar a importância de buscar ser um verdadeiro devoto de Maria.

    A devoção à Nossa Senhora


    Todo católico possui a devoção à Nossa Senhora como sendo uma das bases da sua fé cotidiana. Orações, terços, novenas, procissões variadas em honra da Virgem Santíssima tomam conta de nosso calendário litúrgico. Depois do Crucificado, as imagens de Nossa Senhora são as que ganham mais destaque nos lares católicos. 

    Tal devoção está longe de ser desnecessária ou um sintoma de idolatria. Na verdade, os católicos, ao venerarem Maria (há a adoração prestada a Deus, a veneração aos santos, e a super veneração a Nossa Senhora), fazem a mesma coisa que Deus fez desde toda a eternidade ao escolhe-La por Mãe do Verbo eterno. 

    Assim como o próprio Deus escolheu a Maria dentre todas as mulheres, para gerar em seu ventre o Verbo eterno, é da vontade de Deus que a Igreja, corpo místico de Cristo, continue a ser gerada através da intercessão de Maria. O culto à Maria está presente no cristianismo desde a sua origem. Nunca uma alma que se aproximou sinceramente de Nossa Senhora se afastou, com isso, do Cristo. Pelo contrário: uma verdadeira devoção a Maria inevitavelmente conduz os homens à imitação do amado Filho da Virgem, Nosso Senhor Jesus Cristo.

    A “verdadeira devoção” à Santíssima Virgem


    Ser um verdadeiro devoto da Santíssima Virgem significa buscar uma devoção que fuja das exterioridades e das superficialidades às quais toda devoção corre o risco de cair. 

    Para que a devoção à Maria seja verdadeira, podemos avaliar ela a partir de 5 características centrais:

    1. Deve ser interior, ou seja, deve partir de uma espiritualidade que vem do coração;
    2. Deve ser terna: como de um filho para com a boa mãe;
    3. Deve ser santa: uma verdadeira devoção à Virgem afasta a alma de todo o pecado e a conduz à santidade;
    4. Deve ser constante, ou seja, não está sujeita a desistência das práticas devocionais e de virtude com facilidade.
    5. Deve ser desinteressada: a única finalidade é agradar a Deus, e não a si mesmo.

    Conheça agora, o santo que é o responsável por grande parte da divulgação e aprofundamento desta verdadeira devoção à Virgem Santíssima.

    São Luís Maria Grignion de Montfort, o propagador do termo Escravo de Maria

    São Luís Maria Grignion de Montfort, propagador da expressão escravo de Maria.


    Luís Maria Grignion nasceu em 31 de janeiro de 1673, na cidade de Montfort-sur-Meu, na França, oriundo de uma família com profundos costumes cristãos. 

    Foi ordenado sacerdote com 27 anos, e, pelo seu forte temperamento, por ter uma profunda santidade de vida, uma devoção ardente por Maria Santíssima, pela Eucaristia e pelo rosário, fez com que milhares de pessoas se convertessem nas suas missões pela França. 

    Foi São Luís Maria quem propagou o termo e a prática de se tornar um “Escravo de Maria”. Na verdade, esse era o seu lema sacerdotal, pois, muito cedo, São Luís entendeu que a devoção à Maria é o meio seguro pelo qual a alma pode atingir a santidade.

    A sua maior obra, a mais conhecida mundialmente, onde ele expõe os fundamentos da espiritualidade mariana e onde São Luís aponta os meios para que possamos nos tornar Escravos de Maria, se chama o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, redigido em 1712.

    São Luís faleceu dia 28 de abril de 1716, durante uma missão, com apenas 43 anos, mas com uma vida intensamente missionária e diversos escritos.

    Veja nosso artigo principal sobre A Vida de São Luís.

    O Tratado da Verdadeira Devoção


    Como dito acima, o livro de São Luís que, até hoje, é referência para numerosos fieis e santos quando o assunto é culto à Nossa Senhora, se chama “O tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria”. Esse livro, fruto da espiritualidade e das pregações de Montfort, foi escrito em 1712, e foi só em 1842 que foi descoberto, para nunca mais ser esquecido.

    O tratado escrito por São Luís é dividido do seguinte modo: necessidade da verdadeira devoção à Maria; Verdades Fundamentais da Devoção à Santíssima Virgem Maria; Escolha da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria; Natureza da Perfeita Devoção à Santíssima Virgem Maria; Motivos que nos devem fazer abraçar essa devoção; Figura Bíblica desta Perfeita Devoção: Rebeca e Jacó; Maravilhosos efeitos desta Devoção em uma Alma que lhe é fiel; Práticas particulares desta devoção.

    A finalidade de São Luís em escrever este tratado é o de oferecer um itinerário espiritual concreto para que a alma, se fazendo Escrava de Maria, atinja a perfeição, pois, segundo esta devoção, quanto mais a alma se consagra e se aproxima de Maria, mais ela está se consagrando e se aproximando de Jesus Cristo.

    Há uma edição especial deste livro, exclusiva para membros, publicada pela Minha Biblioteca Católica. Trata-se de um daqueles livros indispensáveis na estante de qualquer católico! Esta é uma edição exclusiva dos membros do clube. Saiba como se tornar um.

    A expressão Escravo de Maria


    Totus Tuus


    A expressão “Totus Tuus” pode soar familiar a muitas pessoas, pois a vemos citada frequentemente em páginas católicas quando o assunto é a Consagração a Maria. Essa expressão é nada mais que a abreviação da consagração a Maria que São Luís ensina em seu Tratado. Por esse lema o fiel está expressando a total pertença a Jesus através de Maria. 

    A consagração completa em latim é: “Tuus totus ego sum, et omnia mea, tua sunt”, e a tradução equivalente: “Sou todo teu, e tudo o que tenho te pertence, ó meu amável Jesus, através de Maria, tua Santíssima Mãe.”

    A consagração à Virgem Maria, longe de nos afastar do caminho da santidade, seguindo de modo sincero e equilibrado o que São Luís sabiamente nos inspira, é o ato de, ao declarar-se inteiramente de Maria, ter a certeza de estar na vontade de Deus. No ato da alma, livremente, se declarar todo de Maria, está ancorada a certeza de que a Boa Mãe levará esta alma, inevitavelmente, a Deus.

    Mas atenção: essa não é uma devoção que pode ser feita “da boca para fora”. O próprio Tratado nos vai introduzindo acerca do compromisso e das responsabilidades assumidas através da consagração à Nossa Senhora. O se consagrar a Jesus, por Maria, exige empenho sincero de santidade da alma devota. Longe de ser uma moda, é uma verdadeira consagração!

    Não é um exagero ser Escravo de Maria?


    Antes de ser um exagero, se tornar um Escravo de Maria, como o próprio Tratado ensina, é a segurança de confiar a sua vida nas mãos de Maria, inteiramente, a fim de que Ela a conduza a Deus, o que fará inevitavelmente. Ao invés das graças e bençãos, orações e pedidos virem a nós, tudo passará pelas mãos de Maria que, maternalmente, disporá tudo da melhor forma que convier à salvação das almas. Assim Deus o quis na Encarnação: que todas as coisas viessem por Maria. Da mesma forma hoje, o Escravo de Maria irá a Jesus por Maria.

    “A consagração mariana é dar a ela [Maria] a própria pessoa. É, portanto, a coroação da devoção mariana. É um dom de si mesmo a uma promessa de amor, pela qual a pessoa se entrega inteiramente à Virgem Maria e a convida a desencadear todo o seu poder de intercessão para ajudá-la a permanecer fiel a Cristo.” 1

    Segundo o próprio São Luís, o objetivo dessa escravidão é simples: aprender a amar a Jesus com o coração de Maria. É, por exemplo, implorar a Ela que nos empreste seu coração, para que nossa alma receba Jesus com a mesma disposição com que Ela O recebeu. 2

    Como toda a prática de piedade, toda crença em aparições privadas, a consagração a Maria segundo método de São Luís, tornando-se um Escravo de Maria, deve ter o justo equilíbrio de não se afastar da reta doutrina. A verdadeira devoção à Virgem deve ser interior, confiante, santa, constante e desinteressada. Segundo São Luís Maria, a consagração deve levar a alma a um caminho que seja suave, curto, perfeito e seguro para Jesus. 3

    São João Paulo II, um grande Escravo de Maria


    Em uma das obras de São João Paulo II, “Cruzando o Limiar da Esperança“, o Santo Padre fala-nos do seu lema: “Totus Tuus”.

    “Esta fórmula não é uma simples expressão de devoção: é algo mais. É a orientação da minha espiritualidade. (…) Graças a São Luis Grignion de Montfort, compreendi que a verdadeira devoção à Mãe de Deus é, no entanto, cristocêntrica, e ademais, que está profundamente enraizada no mistério trinitário de Deus, e nos mistérios da Encarnação e da Redenção”. 4

    Grande parte da popularidade da expressão de São Luís Maria, Totus Tuus, se deve a São João Paulo II, que escolheu esta expressão por seu lema papal. Na verdade, sua devoção mariana profundamente enraizada vem desde a tenra idade.

    Quando jovem, na Polônia, Karol Wojtyla muitas vezes ia e voltava do trabalho carregando o Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem. Durante os intervalos parava para ler o texto. Foi por meio dos escritos de Montfort que São João Paulo II descobriu que para se aproximar de Jesus não precisaria se afastar da devoção a Maria. 5

    Enfim, tal devoção não é nada periférica, como São João Paulo II mesmo atestou, por diversas vezes. Não é algo sentimental ou da moda. “Esta devoção perfeita é indispensável para quem pretenda se confiar sem reserva a Cristo e à obra da Redenção.” 6 

    Claro que, como São João Paulo II, muitas pessoas demoram a entender a consagração mariana neste moldes. Mas, por muitas vezes, o maior receio é o de achar que a devoção mariana, se for excessiva, pode colocar em risco a supremacia do cristão ao culto devido a Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas, como o Tratado orienta, para aquele que vive o mistério de Maria em Cristo, esse risco não existe. 7.

    Assim como tantos santos, assim como São João Paulo II, que possamos nos aproximar de tão doce devoção, a fim de nos aproximarmos sempre mais, verdadeiramente, do próprio Cristo.

    Referências

    1. A vida de São João Paulo II, Jason Evert, p. 205[]
    2. cf. De Montfort, God Alone, p.375[]
    3. Vida de São João Paulo II, Jason Evert, p. 207[]
    4. João Paulo II, Papa. Cruzando o Limiar da Esperança.[]
    5. cf. A vida de São João Paulo II, p. 203[]
    6. Frossard, Be not afraid, p. 126[]
    7. cf. John Paulo II Fondly Recalls Louis de Montfort’s Marian Doctrine in a Message on 160 Anniversary of “Tru Devotion” apud Vida de São João Paulo II, John Evers, p. 208[]
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