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Formação

Hierarquia da Igreja Católica

Você conhece a hierarquia da Igreja Católica? Por que tantos cargos, com tantas nomenclaturas diferentes? Entenda a diferença entre eles

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Hierarquia da Igreja Católica

Você conhece a hierarquia da Igreja Católica? Por que tantos cargos, com tantas nomenclaturas diferentes? Entenda a diferença entre eles

Data da Publicação: 15/03/2023
Tempo de leitura:
Autor: MBC
Data da Publicação: 15/03/2023
Tempo de leitura:
Autor: MBC

Você conhece a hierarquia da Igreja Católica? Por que a Igreja tem tantos cargos, com tantas nomenclaturas diferentes? Qual é a real diferença entre um bispo, um arcebispo e um cardeal? 

Por vezes, mesmo como católicos que somos, nutrimos um amor ao Papa, sem sequer entender o porquê deste cargo ser tão importante para a eclesiologia católica. E mesmo a vida dos leigos, que não participa de modo estrito da hierarquia da Igreja Católica, possui uma identidade e missão tais que não é dispensável para a dinamicidade eclesial.

O que é a hierarquia da Igreja Católica


Quando falamos de hierarquia da Igreja Católica, podemos interpretar tal conceito, de modo equivocado, como sendo uma elite que subjuga, desde cima e de modo autoritário, a todos aqueles que estão abaixo em nível de dignidade e cargo. 

Ora, tal percepção carece de qualquer fundamento de veracidade, visto que a hierarquia da Igreja Católica nada mais é que a organização institucional da parte visível da Igreja, sendo esta organização quista pelo próprio Senhor Jesus Cristo quando da fundação da Igreja como anunciadora do projeto de salvação inaugurado por Ele na Cruz Redentora.

Mesmo que dentro da vida da Igreja e hierarquia haja distinções estabelecidas pelo próprio Senhor no concernente a ministérios e serviços, todos eles servem à mesma unidade e missão, frutos do sacramento do batismo, comum a todos os fiéis. 

Aos apóstolos e seus sucessores, Cristo conferiu, de modo explícito, o múnus (função) de ensinar, santificar e de governar em Seu nome e por Seu poder. Já os leigos, por seu caráter batismal, recebem a missão de todo povo de Deus na Igreja e no mundo 1. Por fim, em ambos os casos, ou seja, dentro da hierarquia eclesiástica e na vida laical, há os que professam os conselhos evangélicos de viver, de modo consagrado, a castidade, a pobreza e a obediência. Tal estado de vida, mesmo aqueles que não façam parte da estrutura hierárquica da Igreja, participam, de modo íntimo, da vida e da santidade eclesial 2.

A hierarquia da Igreja Católica tem fundamento nas Sagradas Escrituras


Foi Jesus Cristo, Pastor Eterno, quem edificou a Igreja como a conhecemos e cremos, enviando os apóstolos como Ele mesmo foi enviado pelo Pai (cf. Jo 20, 21). 

Foi Ele quem, “depois de ter orado ao Pai, chamando a si os que Ele quis, elegeu doze para estarem consigo, os quais enviaria a pregar o reino de Deus (c. Mc 3, 13-19; Mt 10, 1-42)” 3. Após esta eleição, foi Jesus quem os constituiu apóstolos 4, e os organizou em forma de colégio, para quem fossem um grupo de estabilidade frente às intempéries do mundo, a fim de que a mensagem salvífica não sofresse interferências humanas, mas, auxiliados e confirmados pelo Espírito Santo no dia de Pentecostes 5, pudessem pregar por toda a parte o Evangelho 6

À frente deste grupo, foi Jesus quem pôs Pedro, escolhido dentre eles, como chefe da Igreja 7. Com frequência lemos, nos Atos dos Apóstolos, a dinâmica dessa estrutura hierárquica em ação, logo após a ascensão de Jesus, com Pedro à frente da escolha de Matias como um dos doze 8, ou, quando do dia de Pentecostes, com o primeiro discurso de Pedro frente ao povo 9, ou, ainda, com a execução do primeiro Concílio, o de Jerusalém, com a reunião dos apóstolos e anciãos para debaterem sobre a circuncisão ou não dos pagãos que se converteram, mais uma vez, com Pedro como figura de liderança 10.

Tal estabilidade hierárquica, quista por Cristo e atestada pelas Sagradas Escrituras e Sagrada Tradição, fez com que a Igreja, em pouco tempo, se espalhasse pelos confins do Universo de modo estável e anunciasse o Evangelho de Nosso Senhor de modo fiel, mesmo ante as ameaças e perseguições sofridas pelos primeiros cristãos. 

A hierarquia da Igreja Católica é o meio pelo qual Cristo Redentor cumpre a sua promessa de estar conosco até o fim dos séculos 11, onde, de modo visível, os pastores sagrados apascentam as ovelhas com segurança e infalibilidade, sobretudo no que diz respeito à fé e aos costumes.

O primado de Pedro


Em dois momentos cruciais do Evangelho vemos Jesus deixando claro aos doze apóstolos, e a toda Igreja nascente, que seria Pedro quem teria o primado dentre o colégio apostólico

Ainda antes da Paixão, morte e ressurreição, no capítulo 16 do evangelho de São Mateus, vemos Jesus na cena mais significativa para o primado, onde Cristo afirma: Pedro, tu és pedra, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja 12. Mas, mais que isso: mesmo depois de um momento de fraqueza de Simão Pedro, após ter negado o Senhor, deixando-o abandonado no calvário, Jesus ressuscitado se dirige novamente a Pedro, para deixar claro a constituição da hierarquia da Igreja católica com Pedro à frente do grupo dos doze. Jesus, que logo mais iria subir aos céus, quer solidificar o ministério petrino, para que ninguém o coloque em cheque, nem mesmo Simão Pedro, e o exorta a apascentar o rebanho e a renovar o seu amor a Ele, à Igreja e ao ministério confiado 13.

São Pedro, figura fundamental na hierarquia da Igreja Católica

Tal primado possui como fundamento e necessidade o fato de que, tendo Jesus constituído os Apóstolos como enviados seus para pregar o Evangelho, para que o mesmo permanecesse uno e indiviso em si, apesar de serem muitos os anunciadores, ao constituir Pedro de autoridade como chefe à frente dos Apóstolos, Cristo instituiu o princípio e o fundamento perpétuo e visível da unidade de fé e de comunhão da Igreja. Com isso, Pedro se torna vigário de Cristo, cabeça visível da Igreja, e, unido aos apóstolos, é quem governa a casa de Deus vivo. 14

Os sucessores dos apóstolos


Cristo, em sua vida terrestre, constitui doze como sendo Apóstolos, fidedignas testemunhas dos ensinamentos evangélicos bem como da sua ressurreição. Após a ascensão e, após Judas Iscariotes, que foi quem traiu Jesus, ter deixado seu ministério vago, convinha que se escolhesse alguém para ocupar tal lugar e ser testemunha, com os onze, do Ressuscitado. Dessa forma dá-se a eleição de São Matias como princípio da sucessão apostólica 15

A sucessão apostólica, nesta hierarquia constituída, garante a unidade com o próprio Mestre e a  fidelidade do próprio Evangelho. Mesmo após a morte dos primeiros Apóstolos, a missão continuou acontecendo através de homens experimentados e constituídos por eles para prolongarem o anúncio do Cristo. “Entre os vários ministérios que na Igreja se exercem desde os primeiros tempos, consta da tradição que o principal é o daqueles que, constituídos no episcopado em sucessão ininterrupta  são transmissores do múnus apostólico. E assim, como testemunha santo Ireneu, a tradição apostólica é manifestada em todo o mundo e guardada  por aqueles que pelos Apóstolos foram constituídos Bispos e seus sucessores.” 16

Dessa forma, se tomarmos, como exemplo, um bispo católico ordenado de uma diocese qualquer, vermos qual foi o bispo que o ordenou, e seguirmos numa regressão sucessiva na pesquisa de qual bispo ordenou qual bispo no passado, chegaremos, sem sombra de dúvida, até aos Apóstolos. Todos os Bispos sucedem aos Apóstolos como pastores da Igreja; quem os ouve, ouve a Cristo; quem os despreza, despreza a Cristo e Aquele que enviou Cristo 17

A hierarquia da Igreja Católica: Papa, bispos, padres… quem são todas essas figuras?


Antes de delimitarmos, de modo claro, os diferentes graus da hierarquia da Igreja Católica convém salientar que, no que concerne à dimensão do Sacramento da Ordem, há somente 3 graus: primeiro grau, o diaconato; segundo grau, o presbiterato; e, terceiro grau, a plenitude do sacramento, que é o episcopado. 

Os dois primeiros serão detalhados mais adiante. Quanto ao terceiro, convém destacar que ele possui, na hierarquia da Igreja, distinção de função e de autoridade, mas não de sacramento. Desta forma, o que por vezes pode causar confusão pelos diferentes hábitos eclesiásticos utilizados, o papa, cardeais (em sua grande maioria), bispos, arcebispos e patriarcas possuem, todos, o mesmo grau do sacramento da ordem.

Papa

Papa João Paulo II, grande representante da hierarquia da igreja católica no último século.
Papa João Paulo II

O bispo da Igreja de Roma, no qual perdura o múnus concedido pelo Senhor singularmente a Pedro, primeiro dos Apóstolos, para ser transmitido a seus sucessores, é a cabeça do Colégio dos bispos, Vigário de Cristo e aqui na terra Pastor da Igreja católica 18. O papa possui, na Igreja, por seu múnus, poder ordinário supremo, pleno imediato e universal, que sempre pode exercer livremente. 19. Ademais, além de ser autoridade suprema da Igreja universal, o Papa é cabeça da Igreja latina, tendo as funções patriarcais (Patriarca do Ocidente). É, da mesma forma, primaz da Itália, Bispo da Diocese de Roma e Chefe do Estado da Cidade do Vaticano. Para ser eleito, o papa deve ter, no máximo, 75 anos, e, de modo ordinário, permanecer no poder até sua morte, ainda que renunciar esteja previsto no Código de Direito Canônico. Bento XVI, ao renunciar ao papado em 2013, por debilidade, tornou-se, assim, dentro de toda a história da Igreja, o quarto a realizar tal ação. 

Saiba mais:
Como é escolhido um Papa?
Como os papas influenciaram a história da nossa civilização?

Cardeais


Os cardeais da Santa Igreja Romana fazem parte de um Colégio que tem por finalidade garantir a eleição do novo Papa de acordo com as normas da Igreja. Também tem por função auxiliar o Papa, quando convocados por este, para tratar juntos algumas questões de maior importância, ou, também, de modo individual com o Sumo Pontífice nos ofícios que exercem, ajudando-o no cuidado cotidiano da Igreja. 20. Podem ser cardeais tanto bispos, como presbíteros, bem como diáconos, ainda que, de modo ordinário, sejam todos ordenados bispos, caso eleitos enquanto presbíteros ou diáconos. Um exemplo dos últimos tempos, de um padre dispensado do episcopado escolhido para ser cardeal, é o do Cardeal Henri De Lubac (1896-1991). 

O número de cardeais variou no decorrer da história. Atualmente, a quantidade é variável de acordo com as circunstâncias, apesar de que, o número máximo de cardeais eleitores de um Papa é de cento e vinte. Ou seja, o número de cardeais abaixo de oitenta anos, que são aptos a votar, nunca excede essa quantidade.

Bispos


Os bispos, por divina instituição, são os sucessores dos Apóstolos, e são, por isso, os pastores da Igreja. São eles os mestres da doutrina, sacerdotes do culto sagrado e ministros do governo. A sua missão de ensinar, governar e santificar a Igreja só pode ser exercida dentro da comunhão hierárquica com a cabeça da Igreja e com os membros do Colégio. Os bispos são chamados diocesanos caso seja lhes entregue os cuidados de uma diocese. Os demais são chamados de titulares. Quem nomeia e escolhe os bispos é o próprio Papa, ou, é ele quem confirma os que foram legitimamente eleitos. Para que um padre seja eleito e sagrado bispo, deve ele ter fé sólida, piedade, zelo pelas almas, boa reputação; idade mínima de 35 anos; ter ao menos 5 anos de sacerdócio; e, em geral, ter a láurea de doutor, ou, ao menos, ser perito em alguma área da teologia. O bispo diocesando governa a diocese, de modo ordinário, até a idade de 75 anos, quando deve apresentar sua renúncia a Roma. Mesmo como Bispo emérito, ele continua a ter toda a dignidade própria que provém da plenitude do sacramento que ele possui, estando livre, porém, das obrigações administrativas da diocese. 21. Eventualmente, quando a diocese precisar, devido a sua extensão, podem ser delegados mais bispos, chamados de coadjutores e auxiliares 22

Arcebispo


O arcebispo é o bispo que preside a província eclesiástica metropolitana 23. São, em geral, as dioceses mais antigas das quais surgiram outras dioceses menores. O arcebispo, chamado também de metropolita, tem um papel mais de honra e de organização, e, eventualmente, quando as circunstâncias o exigirem, é chamado a intervir nas chamadas dioceses sufragâneas (dioceses vizinhas à arquidiocese, que participam de uma mesma província eclesiástica), de acordo com o direito.

Patriarca e Primaz


A palavra patriarca significa, literalmente, superpai, e é um título de longa tradição na Igreja. No Ocidente há um Patriarca, que é o Papa. No Oriente, por conta dos diversos ritos, há diversos Patriarcas. Lá, eles têm jurisdição sobre os metropolitas, os bispos sufragâneos e os fiéis. No Ocidente, o título de Patriarca, além de ser de honra, não implica, de modo ordinário, dentro da Igreja de rito latino, nenhum poder de regime. 

Há os casos em que o Papa concede este título em caráter honorífico a alguns bispos. É o caso do Arcebispo de Lisboa e de alguns bispos espanhóis. Todos os patriarcas ocidentais, exceto o Papa, não tem nenhuma jurisdição advinda deste título. Quanto ao título de primaz, que significa, literalmente, o primeiro, é um título que existe em várias nações. Em geral, é dado à sé mais antiga, independente da importância atual. No caso do Brasil, a Arquidiocese de São Salvador da Bahia é a Sé Primaz. Tal título não confere nenhuma autoridade sobre as demais dioceses, sendo somente um título honorífico.  24

Presbíteros


“Por meio dos Seus Apóstolos, Cristo, a quem o Pai santificou e enviou ao mundo 25, tornou os Bispos, que são sucessores daqueles, participantes da Sua consagração e missão: e estes transmitiram legitimamente o múnus do seu ministério em grau diverso e a diversos sujeitos. Assim, o ministério eclesiástico, instituído por Deus, é exercido em ordens diversas por aqueles que desde a antiguidade são chamados Bispos, presbíteros e diáconos” 26

Os presbíteros recebem, desde a antiguidade, através do sacramento da ordem, em grau diverso dos bispos, a configuração a Cristo sumo e eterno sacerdote, e são, dessa forma, esclarecidos cooperadores da ordem episcopal 27. Constituem estes o segundo grau do sacramento da ordem. No ocidente, tanto presbíteros como bispos estão subordinados à lei do celibato eclesiástico, ou seja, por amor ao Reino dos céus vivem, única e exclusivamente, para o serviço da Igreja e amor a Cristo, permanecendo, assim, sem se casar. No oriente, ainda que a lei do celibato seja opcional aos presbíteros, os eleitos para a plenitude do sacramento da ordem, que reside no episcopado, são sempre celibatários. 

Padre Paulo Ricardo, um dos grandes expoentes da evangelização na internet no Brasil.

Os presbíteros possuem a dignidade de agir, de modo íntimo, in persona Christi, ou seja, na administração dos sacramentos, sobretudo na Celebração do Santo Sacrifício da Missa e no Sacramento da Confissão, agem eles, de modo real, na pessoa de Cristo, Sumo e eterno Sacerdote. O Cristo Senhor quem instituiu tais sacramentos quando da escolha dos Doze, e, em virtude da configuração, ainda que em diversos graus, a Cristo Bom Pastor e Servo obediente, são escolhidos candidatos à Sagrada ordenação, sempre, homens idôneos, celibatários, com devido estudo filosófico-teológico e senso do sagrado. Atualmente, a idade mínima para a ordenação sacerdotal, de modo ordinário, é de 25 anos.

Descubra qual é a importância do sacerdote para a Igreja.

Diferentes funções exercidas pelos presbíteros

Dentro do presbiterato há, sobretudo nas dioceses, alguns títulos que são, em sua maioria, títulos honoríficos ou que designam uma função específica na diocese:

  • Vigário geral: sacerdote que auxilia o bispo, escolhido por este, no governo da diocese (cf. CIC can 475);

  • Chanceler: ordinariamente um sacerdote (mas não necessariamente o precisa ser), que tem por ofício principal o cuidado para que os atos da cúria sejam redigidos e despachados, bem como para que sejam guardados nos arquivos da cúria. (cf. CIC 482);

  • Ecônomo: ordinariamente um sacerdote (mas não necessariamente o precisa ser), que tem por função o orçamento e despesas para a administração de uma diocese. Em geral, é um conselho de pelo menos três pessoas. (cf. CIC 493)

  • Conselho presbiteral e colégio de consultores: grupo de sacerdotes que tem por ofício o de ajudar o bispo no governo da diocese. (cf. CIC can 495)

  • Cabido dos cônegos: é o grupo dos padres que tem por função a realização das funções litúrgicas mais solenes na Igreja catedral. (Cf CIC can 503)

  • Conselho pastoral: tem por competência auxiliar o bispo nas atividades pastorais da diocese, ajudando a examinar e avaliar, e a propor conclusões sobre as mesmas. (cf. CIC can 511)

  • Pároco: é o pastor próprio da paróquia a ele confiada. É o responsável, administrativamente, canonicamente e espiritualmente, pelo pastoreio do território a ele confiado. (cf. CIC can 519)

  • Vigário paroquial: quando for oportuno e necessário, o pároco recebe sacerdotes auxiliares, chamados de vigários paroquiais. (cf. CIC can 545)

  • Reitor de Igreja ou santuário: sacerdote a quem foi confiado o cuidado de alguma Igreja ou santuário, que não seja paroquial (cf. CIC 556)

  • Capelão: sacerdote a quem é confiado o cuidado de uma comunidade ou grupo especial de fiéis, como, por exemplo, capelão de um hospital ou de uma universidade. (cf. CIC 564)

Diáconos


O primeiro grau da ordem, diaconal, tem raízes, também, na própria Escritura e Tradição. Ora, em Atos dos Apóstolos vemos a eleição dos sete primeiros diáconos, tendo já lá, por ministério e função, a assistência aos órfãos, às viúvas e aos pobres, e o serviço à mesa,  a fim de que os apóstolos e os anciãos não descuidassem da oração e da pregação da Palavra 28 

Os diáconos representam o grau inferior da hierarquia, e são os colaboradores dos sacerdotes na administração de alguns sacramentos, mas, sua principal função é a dedicação ao ministério da caridade e da assistência. É um grau permanente da hierarquia, e pode ser conferido tanto a homens celibatários como a homens maduros casados, com o devido consentimento do Papa 29

Leigos


“Por leigos entendem-se aqui todos os cristãos que não são membros da sagrada Ordem ou do estado religioso reconhecido pela Igreja, isto é, os fiéis que, incorporados em Cristo pelo Batismo, constituídos em Povo de Deus e tornados participantes, a seu modo, da função sacerdotal, profética e real de Cristo, exercem, pela parte que lhes toca, a missão de todo o Povo cristão na Igreja se no mundo.” 30

Ainda que não façam parte da hierarquia da Igreja católica, os leigos são parte fundamental da vida eclesial. Eles são o importante contributo, senão essencial, para o bem da Igreja, quando vivem a sua vocação própria segundo seus dons e carismas 31. Entre os leigos e a hierarquia deve reinar uma mútua cordialidade e compreensão. Os leigos podem, e devem, manifestar seus anseios e seus pareceres nos assuntos dos bens da Igreja. Mas, por sua vez, também devem acatar, com prontidão de obediência cristã, o que os pastores sagrados orientarem. 32. É próprio e peculiar dos leigos a característica secular. Na busca pela vida de santidade no cotidiano devem eles testemunhar a ressurreição a vida do Senhor Jesus. 

“Todos em conjunto, e cada um por sua parte, devem alimentar o mundo com frutos espirituais” 33 e nele difundir aquele espírito que anima os pobres, mansos e pacíficos, que o Senhor no Evangelho proclamou bem-aventurados 34. Numa palavra, ‘sejam os cristãos no mundo aquilo que a alma é no corpo’.” 35

Consagrados e religiosos na Hierarquia da Igreja Católica

Religiosos da Toca de Assis assistindo um morador de rua.

Os religiosos e consagrados dão, através do seu estado de vida, magnífico e privilegiado testemunho de que se não pode transfigurar o mundo e oferecê-lo a Deus sem o espírito das bem-aventuranças.36. Eles são cristãos que se consagram a Deus mediante votos de castidade, pobreza e obediência. A Igreja sempre fomentou tal estado de vida como dom divino, seja na forma solitária, ou comunitária; seja no modo de vida ativo, seja no modo de vida contemplativo. O estado de vida religioso e consagrado não é um modo intermediário entre leigos e clérigos, mas é comum a ambos. Tanto podem haver clérigos religiosos, bem como leigos, homens e mulheres, religiosos. 37. A hierarquia da Igreja católica tem por missão dirigir de modo sábio, com suas leis, a prática dos conselhos evangélicos dos institutos de vida consagrada. É um estado de vida consagrado a Deus, com respaldo canônico 38

Hierarquia e vida laical complementam-se


Mesmo que os leigos e os religiosos não estejam inseridos na estrutura hierárquica da Igreja, eles têm um papel complementar a ela e essencial para a sustentação eclesial. A primordial missão dos leigos é a de rezar, e rezar muito, pelos sagrados pastores. No Evangelho, o próprio Senhor Jesus viu o drama de ver Pedro e os apóstolos vacilarem. Com efeito, na Última Ceia, Jesus, ao olhar a Pedro, diz: “Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como o trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua confiança não desfaleça; e tu, por tua vez, confirma os teus irmãos.” 39

Os leigos possuem a importante missão e o compromisso de crer na hierarquia da Igreja, que foi instituída pelo próprio Cristo Senhor, porque por ela, Jesus, mesmo tendo subido aos céus, garantiu que não estaríamos sozinhos. É claro que essa hierarquia é constituída por homens que não são perfeitos. Mas pelo modo com o qual o Espírito Santo assiste à Igreja em todos esses séculos, sempre vigora o carisma da infalibilidade nos momentos mais críticos, importantes e marcantes da história. Por essa infalibilidade é que professamos a mesma fé que os Apóstolos professavam.

Claro que, é a história que o atesta, houveram momentos em que os pastores, ao invés de cumprirem sua missão de salvaguardar a pureza da fé e defender o rebanho nos momentos em que a ameaça de lobos surgia, estes traíram o Senhor, a exemplo de São Pedro, o primeiro papa, e abandonando a barca, deixaram as ovelhas à mercê dos inimigos. Diante desse casos, podemos cair na tentação de ver a Igreja abandonada e falha, desassistida pelo próprio Deus. Mas é esta a nossa fé! Cremos na hierarquia porque Cristo a instituiu como tal, e, ainda que esta vacile na fé e na doutrina, naquilo que é matéria de fé e de moral, jamais o Espírito de Deus desamparará sua amada Igreja. É preciso rezar e amar nossos pastores, sobretudo nesses momentos dramáticos da história, para que, hoje e sempre, os pastores, na fidelidade ao mandato do Senhor, confirmem a todos na verdadeira fé e apascentem o rebanho a eles confiados.

Referências

  1. Cf. AA 2[]
  2. cf. CIC, cân. 207,2[]
  3. Lumen Gentium 19[]
  4. cf. Lc 6,13[]
  5. cf. At 2, 1-36[]
  6. cf. Mc 16, 20[]
  7. cf. Jo 21, 15-17[]
  8. cf. At 1, 15-26[]
  9. cf. At 2, 14-39[]
  10. cf. At 15, 1-35[]
  11. Mt 28, 20[]
  12. cf. Mt 16, 17-19[]
  13. cf. Jo 21, 15-19[]
  14. cf. Lumen Gentium 18[]
  15. cf. At 1 15-26[]
  16. Lumen Gentium 20[]
  17. cfr. Lc. 10,16[]
  18. cf. CIC, can. 331[]
  19. cf. Pastor Aeternus[]
  20. cf. CIC can. 349[]
  21. cf.  CIC can 375-402[]
  22. cf. CEC 403[]
  23. CEC 435[]
  24. cf. CIC can. 438[]
  25. Jo. 10,36[]
  26. Lumen Gentium 28[]
  27. Cfr. Pontificale romanum, De Ordinatione presbyterorum, no prefácio[]
  28. cf. At 6, 1-7[]
  29. cf. Lumen Gentium 29[]
  30. cf Lumen Gentium 31[]
  31. cf LG 30[]
  32. cf. LG 37[]
  33. cfr. Gál. 5,22[]
  34. cfr. Mt. 5, 3-9[]
  35. Cf. LG 38[]
  36. cf. LG 31[]
  37. cf. LG 43[]
  38. cf. LG 45[]
  39. cf. Lc 22, 31-31[]

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    Você conhece a hierarquia da Igreja Católica? Por que a Igreja tem tantos cargos, com tantas nomenclaturas diferentes? Qual é a real diferença entre um bispo, um arcebispo e um cardeal? 

    Por vezes, mesmo como católicos que somos, nutrimos um amor ao Papa, sem sequer entender o porquê deste cargo ser tão importante para a eclesiologia católica. E mesmo a vida dos leigos, que não participa de modo estrito da hierarquia da Igreja Católica, possui uma identidade e missão tais que não é dispensável para a dinamicidade eclesial.

    O que é a hierarquia da Igreja Católica


    Quando falamos de hierarquia da Igreja Católica, podemos interpretar tal conceito, de modo equivocado, como sendo uma elite que subjuga, desde cima e de modo autoritário, a todos aqueles que estão abaixo em nível de dignidade e cargo. 

    Ora, tal percepção carece de qualquer fundamento de veracidade, visto que a hierarquia da Igreja Católica nada mais é que a organização institucional da parte visível da Igreja, sendo esta organização quista pelo próprio Senhor Jesus Cristo quando da fundação da Igreja como anunciadora do projeto de salvação inaugurado por Ele na Cruz Redentora.

    Mesmo que dentro da vida da Igreja e hierarquia haja distinções estabelecidas pelo próprio Senhor no concernente a ministérios e serviços, todos eles servem à mesma unidade e missão, frutos do sacramento do batismo, comum a todos os fiéis. 

    Aos apóstolos e seus sucessores, Cristo conferiu, de modo explícito, o múnus (função) de ensinar, santificar e de governar em Seu nome e por Seu poder. Já os leigos, por seu caráter batismal, recebem a missão de todo povo de Deus na Igreja e no mundo 1. Por fim, em ambos os casos, ou seja, dentro da hierarquia eclesiástica e na vida laical, há os que professam os conselhos evangélicos de viver, de modo consagrado, a castidade, a pobreza e a obediência. Tal estado de vida, mesmo aqueles que não façam parte da estrutura hierárquica da Igreja, participam, de modo íntimo, da vida e da santidade eclesial 2.

    A hierarquia da Igreja Católica tem fundamento nas Sagradas Escrituras


    Foi Jesus Cristo, Pastor Eterno, quem edificou a Igreja como a conhecemos e cremos, enviando os apóstolos como Ele mesmo foi enviado pelo Pai (cf. Jo 20, 21). 

    Foi Ele quem, “depois de ter orado ao Pai, chamando a si os que Ele quis, elegeu doze para estarem consigo, os quais enviaria a pregar o reino de Deus (c. Mc 3, 13-19; Mt 10, 1-42)” 3. Após esta eleição, foi Jesus quem os constituiu apóstolos 4, e os organizou em forma de colégio, para quem fossem um grupo de estabilidade frente às intempéries do mundo, a fim de que a mensagem salvífica não sofresse interferências humanas, mas, auxiliados e confirmados pelo Espírito Santo no dia de Pentecostes 5, pudessem pregar por toda a parte o Evangelho 6

    À frente deste grupo, foi Jesus quem pôs Pedro, escolhido dentre eles, como chefe da Igreja 7. Com frequência lemos, nos Atos dos Apóstolos, a dinâmica dessa estrutura hierárquica em ação, logo após a ascensão de Jesus, com Pedro à frente da escolha de Matias como um dos doze 8, ou, quando do dia de Pentecostes, com o primeiro discurso de Pedro frente ao povo 9, ou, ainda, com a execução do primeiro Concílio, o de Jerusalém, com a reunião dos apóstolos e anciãos para debaterem sobre a circuncisão ou não dos pagãos que se converteram, mais uma vez, com Pedro como figura de liderança 10.

    Tal estabilidade hierárquica, quista por Cristo e atestada pelas Sagradas Escrituras e Sagrada Tradição, fez com que a Igreja, em pouco tempo, se espalhasse pelos confins do Universo de modo estável e anunciasse o Evangelho de Nosso Senhor de modo fiel, mesmo ante as ameaças e perseguições sofridas pelos primeiros cristãos. 

    A hierarquia da Igreja Católica é o meio pelo qual Cristo Redentor cumpre a sua promessa de estar conosco até o fim dos séculos 11, onde, de modo visível, os pastores sagrados apascentam as ovelhas com segurança e infalibilidade, sobretudo no que diz respeito à fé e aos costumes.

    O primado de Pedro


    Em dois momentos cruciais do Evangelho vemos Jesus deixando claro aos doze apóstolos, e a toda Igreja nascente, que seria Pedro quem teria o primado dentre o colégio apostólico

    Ainda antes da Paixão, morte e ressurreição, no capítulo 16 do evangelho de São Mateus, vemos Jesus na cena mais significativa para o primado, onde Cristo afirma: Pedro, tu és pedra, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja 12. Mas, mais que isso: mesmo depois de um momento de fraqueza de Simão Pedro, após ter negado o Senhor, deixando-o abandonado no calvário, Jesus ressuscitado se dirige novamente a Pedro, para deixar claro a constituição da hierarquia da Igreja católica com Pedro à frente do grupo dos doze. Jesus, que logo mais iria subir aos céus, quer solidificar o ministério petrino, para que ninguém o coloque em cheque, nem mesmo Simão Pedro, e o exorta a apascentar o rebanho e a renovar o seu amor a Ele, à Igreja e ao ministério confiado 13.

    São Pedro, figura fundamental na hierarquia da Igreja Católica

    Tal primado possui como fundamento e necessidade o fato de que, tendo Jesus constituído os Apóstolos como enviados seus para pregar o Evangelho, para que o mesmo permanecesse uno e indiviso em si, apesar de serem muitos os anunciadores, ao constituir Pedro de autoridade como chefe à frente dos Apóstolos, Cristo instituiu o princípio e o fundamento perpétuo e visível da unidade de fé e de comunhão da Igreja. Com isso, Pedro se torna vigário de Cristo, cabeça visível da Igreja, e, unido aos apóstolos, é quem governa a casa de Deus vivo. 14

    Os sucessores dos apóstolos


    Cristo, em sua vida terrestre, constitui doze como sendo Apóstolos, fidedignas testemunhas dos ensinamentos evangélicos bem como da sua ressurreição. Após a ascensão e, após Judas Iscariotes, que foi quem traiu Jesus, ter deixado seu ministério vago, convinha que se escolhesse alguém para ocupar tal lugar e ser testemunha, com os onze, do Ressuscitado. Dessa forma dá-se a eleição de São Matias como princípio da sucessão apostólica 15

    A sucessão apostólica, nesta hierarquia constituída, garante a unidade com o próprio Mestre e a  fidelidade do próprio Evangelho. Mesmo após a morte dos primeiros Apóstolos, a missão continuou acontecendo através de homens experimentados e constituídos por eles para prolongarem o anúncio do Cristo. “Entre os vários ministérios que na Igreja se exercem desde os primeiros tempos, consta da tradição que o principal é o daqueles que, constituídos no episcopado em sucessão ininterrupta  são transmissores do múnus apostólico. E assim, como testemunha santo Ireneu, a tradição apostólica é manifestada em todo o mundo e guardada  por aqueles que pelos Apóstolos foram constituídos Bispos e seus sucessores.” 16

    Dessa forma, se tomarmos, como exemplo, um bispo católico ordenado de uma diocese qualquer, vermos qual foi o bispo que o ordenou, e seguirmos numa regressão sucessiva na pesquisa de qual bispo ordenou qual bispo no passado, chegaremos, sem sombra de dúvida, até aos Apóstolos. Todos os Bispos sucedem aos Apóstolos como pastores da Igreja; quem os ouve, ouve a Cristo; quem os despreza, despreza a Cristo e Aquele que enviou Cristo 17

    A hierarquia da Igreja Católica: Papa, bispos, padres… quem são todas essas figuras?


    Antes de delimitarmos, de modo claro, os diferentes graus da hierarquia da Igreja Católica convém salientar que, no que concerne à dimensão do Sacramento da Ordem, há somente 3 graus: primeiro grau, o diaconato; segundo grau, o presbiterato; e, terceiro grau, a plenitude do sacramento, que é o episcopado. 

    Os dois primeiros serão detalhados mais adiante. Quanto ao terceiro, convém destacar que ele possui, na hierarquia da Igreja, distinção de função e de autoridade, mas não de sacramento. Desta forma, o que por vezes pode causar confusão pelos diferentes hábitos eclesiásticos utilizados, o papa, cardeais (em sua grande maioria), bispos, arcebispos e patriarcas possuem, todos, o mesmo grau do sacramento da ordem.

    Papa

    Papa João Paulo II, grande representante da hierarquia da igreja católica no último século.
    Papa João Paulo II

    O bispo da Igreja de Roma, no qual perdura o múnus concedido pelo Senhor singularmente a Pedro, primeiro dos Apóstolos, para ser transmitido a seus sucessores, é a cabeça do Colégio dos bispos, Vigário de Cristo e aqui na terra Pastor da Igreja católica 18. O papa possui, na Igreja, por seu múnus, poder ordinário supremo, pleno imediato e universal, que sempre pode exercer livremente. 19. Ademais, além de ser autoridade suprema da Igreja universal, o Papa é cabeça da Igreja latina, tendo as funções patriarcais (Patriarca do Ocidente). É, da mesma forma, primaz da Itália, Bispo da Diocese de Roma e Chefe do Estado da Cidade do Vaticano. Para ser eleito, o papa deve ter, no máximo, 75 anos, e, de modo ordinário, permanecer no poder até sua morte, ainda que renunciar esteja previsto no Código de Direito Canônico. Bento XVI, ao renunciar ao papado em 2013, por debilidade, tornou-se, assim, dentro de toda a história da Igreja, o quarto a realizar tal ação. 

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    Cardeais


    Os cardeais da Santa Igreja Romana fazem parte de um Colégio que tem por finalidade garantir a eleição do novo Papa de acordo com as normas da Igreja. Também tem por função auxiliar o Papa, quando convocados por este, para tratar juntos algumas questões de maior importância, ou, também, de modo individual com o Sumo Pontífice nos ofícios que exercem, ajudando-o no cuidado cotidiano da Igreja. 20. Podem ser cardeais tanto bispos, como presbíteros, bem como diáconos, ainda que, de modo ordinário, sejam todos ordenados bispos, caso eleitos enquanto presbíteros ou diáconos. Um exemplo dos últimos tempos, de um padre dispensado do episcopado escolhido para ser cardeal, é o do Cardeal Henri De Lubac (1896-1991). 

    O número de cardeais variou no decorrer da história. Atualmente, a quantidade é variável de acordo com as circunstâncias, apesar de que, o número máximo de cardeais eleitores de um Papa é de cento e vinte. Ou seja, o número de cardeais abaixo de oitenta anos, que são aptos a votar, nunca excede essa quantidade.

    Bispos


    Os bispos, por divina instituição, são os sucessores dos Apóstolos, e são, por isso, os pastores da Igreja. São eles os mestres da doutrina, sacerdotes do culto sagrado e ministros do governo. A sua missão de ensinar, governar e santificar a Igreja só pode ser exercida dentro da comunhão hierárquica com a cabeça da Igreja e com os membros do Colégio. Os bispos são chamados diocesanos caso seja lhes entregue os cuidados de uma diocese. Os demais são chamados de titulares. Quem nomeia e escolhe os bispos é o próprio Papa, ou, é ele quem confirma os que foram legitimamente eleitos. Para que um padre seja eleito e sagrado bispo, deve ele ter fé sólida, piedade, zelo pelas almas, boa reputação; idade mínima de 35 anos; ter ao menos 5 anos de sacerdócio; e, em geral, ter a láurea de doutor, ou, ao menos, ser perito em alguma área da teologia. O bispo diocesando governa a diocese, de modo ordinário, até a idade de 75 anos, quando deve apresentar sua renúncia a Roma. Mesmo como Bispo emérito, ele continua a ter toda a dignidade própria que provém da plenitude do sacramento que ele possui, estando livre, porém, das obrigações administrativas da diocese. 21. Eventualmente, quando a diocese precisar, devido a sua extensão, podem ser delegados mais bispos, chamados de coadjutores e auxiliares 22

    Arcebispo


    O arcebispo é o bispo que preside a província eclesiástica metropolitana 23. São, em geral, as dioceses mais antigas das quais surgiram outras dioceses menores. O arcebispo, chamado também de metropolita, tem um papel mais de honra e de organização, e, eventualmente, quando as circunstâncias o exigirem, é chamado a intervir nas chamadas dioceses sufragâneas (dioceses vizinhas à arquidiocese, que participam de uma mesma província eclesiástica), de acordo com o direito.

    Patriarca e Primaz


    A palavra patriarca significa, literalmente, superpai, e é um título de longa tradição na Igreja. No Ocidente há um Patriarca, que é o Papa. No Oriente, por conta dos diversos ritos, há diversos Patriarcas. Lá, eles têm jurisdição sobre os metropolitas, os bispos sufragâneos e os fiéis. No Ocidente, o título de Patriarca, além de ser de honra, não implica, de modo ordinário, dentro da Igreja de rito latino, nenhum poder de regime. 

    Há os casos em que o Papa concede este título em caráter honorífico a alguns bispos. É o caso do Arcebispo de Lisboa e de alguns bispos espanhóis. Todos os patriarcas ocidentais, exceto o Papa, não tem nenhuma jurisdição advinda deste título. Quanto ao título de primaz, que significa, literalmente, o primeiro, é um título que existe em várias nações. Em geral, é dado à sé mais antiga, independente da importância atual. No caso do Brasil, a Arquidiocese de São Salvador da Bahia é a Sé Primaz. Tal título não confere nenhuma autoridade sobre as demais dioceses, sendo somente um título honorífico.  24

    Presbíteros


    “Por meio dos Seus Apóstolos, Cristo, a quem o Pai santificou e enviou ao mundo 25, tornou os Bispos, que são sucessores daqueles, participantes da Sua consagração e missão: e estes transmitiram legitimamente o múnus do seu ministério em grau diverso e a diversos sujeitos. Assim, o ministério eclesiástico, instituído por Deus, é exercido em ordens diversas por aqueles que desde a antiguidade são chamados Bispos, presbíteros e diáconos” 26

    Os presbíteros recebem, desde a antiguidade, através do sacramento da ordem, em grau diverso dos bispos, a configuração a Cristo sumo e eterno sacerdote, e são, dessa forma, esclarecidos cooperadores da ordem episcopal 27. Constituem estes o segundo grau do sacramento da ordem. No ocidente, tanto presbíteros como bispos estão subordinados à lei do celibato eclesiástico, ou seja, por amor ao Reino dos céus vivem, única e exclusivamente, para o serviço da Igreja e amor a Cristo, permanecendo, assim, sem se casar. No oriente, ainda que a lei do celibato seja opcional aos presbíteros, os eleitos para a plenitude do sacramento da ordem, que reside no episcopado, são sempre celibatários. 

    Padre Paulo Ricardo, um dos grandes expoentes da evangelização na internet no Brasil.

    Os presbíteros possuem a dignidade de agir, de modo íntimo, in persona Christi, ou seja, na administração dos sacramentos, sobretudo na Celebração do Santo Sacrifício da Missa e no Sacramento da Confissão, agem eles, de modo real, na pessoa de Cristo, Sumo e eterno Sacerdote. O Cristo Senhor quem instituiu tais sacramentos quando da escolha dos Doze, e, em virtude da configuração, ainda que em diversos graus, a Cristo Bom Pastor e Servo obediente, são escolhidos candidatos à Sagrada ordenação, sempre, homens idôneos, celibatários, com devido estudo filosófico-teológico e senso do sagrado. Atualmente, a idade mínima para a ordenação sacerdotal, de modo ordinário, é de 25 anos.

    Descubra qual é a importância do sacerdote para a Igreja.

    Diferentes funções exercidas pelos presbíteros

    Dentro do presbiterato há, sobretudo nas dioceses, alguns títulos que são, em sua maioria, títulos honoríficos ou que designam uma função específica na diocese:

    • Vigário geral: sacerdote que auxilia o bispo, escolhido por este, no governo da diocese (cf. CIC can 475);

    • Chanceler: ordinariamente um sacerdote (mas não necessariamente o precisa ser), que tem por ofício principal o cuidado para que os atos da cúria sejam redigidos e despachados, bem como para que sejam guardados nos arquivos da cúria. (cf. CIC 482);

    • Ecônomo: ordinariamente um sacerdote (mas não necessariamente o precisa ser), que tem por função o orçamento e despesas para a administração de uma diocese. Em geral, é um conselho de pelo menos três pessoas. (cf. CIC 493)

    • Conselho presbiteral e colégio de consultores: grupo de sacerdotes que tem por ofício o de ajudar o bispo no governo da diocese. (cf. CIC can 495)

    • Cabido dos cônegos: é o grupo dos padres que tem por função a realização das funções litúrgicas mais solenes na Igreja catedral. (Cf CIC can 503)

    • Conselho pastoral: tem por competência auxiliar o bispo nas atividades pastorais da diocese, ajudando a examinar e avaliar, e a propor conclusões sobre as mesmas. (cf. CIC can 511)

    • Pároco: é o pastor próprio da paróquia a ele confiada. É o responsável, administrativamente, canonicamente e espiritualmente, pelo pastoreio do território a ele confiado. (cf. CIC can 519)

    • Vigário paroquial: quando for oportuno e necessário, o pároco recebe sacerdotes auxiliares, chamados de vigários paroquiais. (cf. CIC can 545)

    • Reitor de Igreja ou santuário: sacerdote a quem foi confiado o cuidado de alguma Igreja ou santuário, que não seja paroquial (cf. CIC 556)

    • Capelão: sacerdote a quem é confiado o cuidado de uma comunidade ou grupo especial de fiéis, como, por exemplo, capelão de um hospital ou de uma universidade. (cf. CIC 564)

    Diáconos


    O primeiro grau da ordem, diaconal, tem raízes, também, na própria Escritura e Tradição. Ora, em Atos dos Apóstolos vemos a eleição dos sete primeiros diáconos, tendo já lá, por ministério e função, a assistência aos órfãos, às viúvas e aos pobres, e o serviço à mesa,  a fim de que os apóstolos e os anciãos não descuidassem da oração e da pregação da Palavra 28 

    Os diáconos representam o grau inferior da hierarquia, e são os colaboradores dos sacerdotes na administração de alguns sacramentos, mas, sua principal função é a dedicação ao ministério da caridade e da assistência. É um grau permanente da hierarquia, e pode ser conferido tanto a homens celibatários como a homens maduros casados, com o devido consentimento do Papa 29

    Leigos


    “Por leigos entendem-se aqui todos os cristãos que não são membros da sagrada Ordem ou do estado religioso reconhecido pela Igreja, isto é, os fiéis que, incorporados em Cristo pelo Batismo, constituídos em Povo de Deus e tornados participantes, a seu modo, da função sacerdotal, profética e real de Cristo, exercem, pela parte que lhes toca, a missão de todo o Povo cristão na Igreja se no mundo.” 30

    Ainda que não façam parte da hierarquia da Igreja católica, os leigos são parte fundamental da vida eclesial. Eles são o importante contributo, senão essencial, para o bem da Igreja, quando vivem a sua vocação própria segundo seus dons e carismas 31. Entre os leigos e a hierarquia deve reinar uma mútua cordialidade e compreensão. Os leigos podem, e devem, manifestar seus anseios e seus pareceres nos assuntos dos bens da Igreja. Mas, por sua vez, também devem acatar, com prontidão de obediência cristã, o que os pastores sagrados orientarem. 32. É próprio e peculiar dos leigos a característica secular. Na busca pela vida de santidade no cotidiano devem eles testemunhar a ressurreição a vida do Senhor Jesus. 

    “Todos em conjunto, e cada um por sua parte, devem alimentar o mundo com frutos espirituais” 33 e nele difundir aquele espírito que anima os pobres, mansos e pacíficos, que o Senhor no Evangelho proclamou bem-aventurados 34. Numa palavra, ‘sejam os cristãos no mundo aquilo que a alma é no corpo’.” 35

    Consagrados e religiosos na Hierarquia da Igreja Católica

    Religiosos da Toca de Assis assistindo um morador de rua.

    Os religiosos e consagrados dão, através do seu estado de vida, magnífico e privilegiado testemunho de que se não pode transfigurar o mundo e oferecê-lo a Deus sem o espírito das bem-aventuranças.36. Eles são cristãos que se consagram a Deus mediante votos de castidade, pobreza e obediência. A Igreja sempre fomentou tal estado de vida como dom divino, seja na forma solitária, ou comunitária; seja no modo de vida ativo, seja no modo de vida contemplativo. O estado de vida religioso e consagrado não é um modo intermediário entre leigos e clérigos, mas é comum a ambos. Tanto podem haver clérigos religiosos, bem como leigos, homens e mulheres, religiosos. 37. A hierarquia da Igreja católica tem por missão dirigir de modo sábio, com suas leis, a prática dos conselhos evangélicos dos institutos de vida consagrada. É um estado de vida consagrado a Deus, com respaldo canônico 38

    Hierarquia e vida laical complementam-se


    Mesmo que os leigos e os religiosos não estejam inseridos na estrutura hierárquica da Igreja, eles têm um papel complementar a ela e essencial para a sustentação eclesial. A primordial missão dos leigos é a de rezar, e rezar muito, pelos sagrados pastores. No Evangelho, o próprio Senhor Jesus viu o drama de ver Pedro e os apóstolos vacilarem. Com efeito, na Última Ceia, Jesus, ao olhar a Pedro, diz: “Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como o trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua confiança não desfaleça; e tu, por tua vez, confirma os teus irmãos.” 39

    Os leigos possuem a importante missão e o compromisso de crer na hierarquia da Igreja, que foi instituída pelo próprio Cristo Senhor, porque por ela, Jesus, mesmo tendo subido aos céus, garantiu que não estaríamos sozinhos. É claro que essa hierarquia é constituída por homens que não são perfeitos. Mas pelo modo com o qual o Espírito Santo assiste à Igreja em todos esses séculos, sempre vigora o carisma da infalibilidade nos momentos mais críticos, importantes e marcantes da história. Por essa infalibilidade é que professamos a mesma fé que os Apóstolos professavam.

    Claro que, é a história que o atesta, houveram momentos em que os pastores, ao invés de cumprirem sua missão de salvaguardar a pureza da fé e defender o rebanho nos momentos em que a ameaça de lobos surgia, estes traíram o Senhor, a exemplo de São Pedro, o primeiro papa, e abandonando a barca, deixaram as ovelhas à mercê dos inimigos. Diante desse casos, podemos cair na tentação de ver a Igreja abandonada e falha, desassistida pelo próprio Deus. Mas é esta a nossa fé! Cremos na hierarquia porque Cristo a instituiu como tal, e, ainda que esta vacile na fé e na doutrina, naquilo que é matéria de fé e de moral, jamais o Espírito de Deus desamparará sua amada Igreja. É preciso rezar e amar nossos pastores, sobretudo nesses momentos dramáticos da história, para que, hoje e sempre, os pastores, na fidelidade ao mandato do Senhor, confirmem a todos na verdadeira fé e apascentem o rebanho a eles confiados.

    Referências

    1. Cf. AA 2[]
    2. cf. CIC, cân. 207,2[]
    3. Lumen Gentium 19[]
    4. cf. Lc 6,13[]
    5. cf. At 2, 1-36[]
    6. cf. Mc 16, 20[]
    7. cf. Jo 21, 15-17[]
    8. cf. At 1, 15-26[]
    9. cf. At 2, 14-39[]
    10. cf. At 15, 1-35[]
    11. Mt 28, 20[]
    12. cf. Mt 16, 17-19[]
    13. cf. Jo 21, 15-19[]
    14. cf. Lumen Gentium 18[]
    15. cf. At 1 15-26[]
    16. Lumen Gentium 20[]
    17. cfr. Lc. 10,16[]
    18. cf. CIC, can. 331[]
    19. cf. Pastor Aeternus[]
    20. cf. CIC can. 349[]
    21. cf.  CIC can 375-402[]
    22. cf. CEC 403[]
    23. CEC 435[]
    24. cf. CIC can. 438[]
    25. Jo. 10,36[]
    26. Lumen Gentium 28[]
    27. Cfr. Pontificale romanum, De Ordinatione presbyterorum, no prefácio[]
    28. cf. At 6, 1-7[]
    29. cf. Lumen Gentium 29[]
    30. cf Lumen Gentium 31[]
    31. cf LG 30[]
    32. cf. LG 37[]
    33. cfr. Gál. 5,22[]
    34. cfr. Mt. 5, 3-9[]
    35. Cf. LG 38[]
    36. cf. LG 31[]
    37. cf. LG 43[]
    38. cf. LG 45[]
    39. cf. Lc 22, 31-31[]
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