Formação

Solenidade de Pentecostes: o Espírito Santo nas nossas vidas

Saiba tudo sobre a Solenidade de Pentecostes, uma festão tão grande quanto o Natal e a Páscoa, mas pouco conhecida entre os fiéis.

Solenidade de Pentecostes: o Espírito Santo nas nossas vidas
Formação

Solenidade de Pentecostes: o Espírito Santo nas nossas vidas

Saiba tudo sobre a Solenidade de Pentecostes, uma festão tão grande quanto o Natal e a Páscoa, mas pouco conhecida entre os fiéis.

Data da Publicação: 08/04/2024
Tempo de leitura:
Autor: Redação Minha Biblioteca Católica
Data da Publicação: 08/04/2024
Tempo de leitura:
Autor: Redação Minha Biblioteca Católica

Saiba tudo sobre a Solenidade de Pentecostes, uma festão tão grande quanto o Natal e a Páscoa, mas pouco conhecida entre os fiéis.

O cristianismo está repleto de símbolos e de festividades que coincidem com as celebradas pelos judeus, desde o Antigo Testamento. Sabia que isso não é por acaso?

Pentecostes é uma dessas festas judaicas que recebe, no dom do Espírito Santo, enviado por Deus, seu sentido mais profundo e verdadeiro. O antigo Pentecostes, como a antiga Páscoa, eram como que figuras do que estava por vir.

Vem conferir o que nos espera na vivência de tão grande festa, e entender sua importância dentro de toda a lógica pensada por Deus para sua Igreja.

O que significa Pentecostes?

A palavra Pentecostes significa, literalmente, “quinquagésimo dia” (do grego, pentekoste). Era a Festa das Semanas, dos judeus, por ser celebrada sete semanas depois da Páscoa. No início, estava ligada à festa das colheitas, onde se oferecia ao Senhor a oferta dos primeiros frutos do trigo. Mas, com os anos, tal celebração da colheita, em Pentecostes, se uniu à recordação da aliança feita por Deus no Sinai.

No Antigo Testamento se lê, nos mandamentos dados a Moisés, o seguinte:

“Celebra a festa das Semanas no início da ceifa do trigo, e a festa da colheita no fim do ano.”1

Pentecostes marcava, 50 dias depois da Páscoa, a festa em que os judeus festejavam o fato de terem recebido, de Deus, a Lei no Sinai. Tendo sido libertos da escravidão do Egito, na noite da Páscoa, e tendo passado pelo mar Vermelho, recebem de Deus, 50 dias depois, o decálogo.

No livro dos Números, fica definido o mesmo: 

“No dia das primícias, quando apresentardes ao Senhor a oferta nova, na Festa das Semanas, tereis assembléia litúrgica e não fareis nenhum trabalho” 2. Aqui, na tradição judaica, há a fusão dessas duas festas separadas: a Festa das Primícias, que é local e obedece às condições agrícolas que são variáveis, e a Festa das Semanas, que se fica no calendário e se celebra em Jerusalém.

Era uma festividade de grande alegria, com judeus vindos de todas as partes até Jerusalém, para agradecer a Deus pelos dons da colheita e da Aliança feita para com seu povo. Além de judeus, vinham amigos pagãos e prosélitos, fazendo com que Pentecostes fosse uma grande celebração.

A vinda do Espírito Santo

Imagem atual do cenáculo, local onde, segundo as Escrituras, ocorreu a vinda do Espírito em Pentecostes.
Imagem atual do cenáculo, local onde, segundo as Escrituras, ocorreu a vinda do Espírito em Pentecostes.

Depois de todo mistério da paixão, morte e ressurreição, Nosso Senhor indica aos discípulos que a missão deles daria em breve, e envia, como prometido, o Prometido: o Espírito Santo de Deus, a fim de completar toda a obra da Redenção e fundar, de fato, a Igreja.

“Quando chegou o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos. De repente veio do céu um ruído, como de vento de furacão, que encheu toda a casa onde se alojavam. Apareceram línguas como de fogo, repartidas e pousadas sobre cada um deles. Encheram-se todos do Espírito Santo, e começaram a falar línguas estrangeiras, conforme o Espírito lhes permitia expressar-se.” 3

Antes mesmo de subir aos céus, e no dia de sua gloriosa Ascensão, Jesus havia prometido que não deixaria os discípulos desamparados. Era preciso que Ele fosse, para que o Espírito Santo viesse. 

“…ordenou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem a realização da promessa do Pai a qual, disse Ele, ouvistes da minha boca: João batizou com água; vós, porém, sereis batizados com o Espírito Santo dentro de poucos dias.” 4

Pentecostes, assim, se torna a verdadeira festa da colheita e da Aliança com Deus, operada, agora, no dom do Espírito Santo, derramado nos corações dos fiéis. A verdadeira colheita é a missão que se abre a partir de agora. 

Os frutos, são os do Espírito Santo, com dons que superabundam nos discípulos, os fazendo capazes de anunciar a mensagem do Evangelho com verdadeira parresia, que é a ousadia em pregar.

A importância de Pentecostes

Logo após a descida do Espírito Santo em Pentecostes, o relato bíblico já abre a nós o horizonte da Igreja que converte multidões à Boa Nova do Evangelho. Ele é o responsável por dar aos homens testemunho de Nosso Senhor, e garantir que os discípulos também deem testemunho de tudo que viveram, como Jesus mesmo anunciara. 5

Com efeito, os nomes dados ao Espírito Santo nos relatos do Novo Testamento, se fundem com a sua presença no meio da Igreja, até hoje: defensor, advogado, consolador, Espírito da Verdade. É por Ele que, em Pentecostes, se revela a plenitude do mistério da Santíssima Trindade, Sua relação e Seu plano de redenção para a humanidade. 6

O Espírito Santo é a garantia, já no princípio da Igreja, de que é Deus quem conduz todas as coisas. Os discípulos, de fracos e covardes que eram, tornam-se corajosos e ousados na pregação do Evangelho, sendo defensores da fé no Ressuscitado em todos os lugares, mesmo que ante ameaças. 

Ainda que com pouca instrução, foi o Espírito Santo quem os capacitou a se tornarem pregadores exímios, com discursos apaixonados e que convenciam milhares de pessoas. O fogo do Espírito impulsionou os primeiros discípulos na orientação das comunidades, como mostram os relatos bíblicos: Éfeso, Corinto, Jerusalém, Roma, Antioquia. Tantas Igrejas, evangelizadas e orientadas pelos Apóstolos e por seus sucessores.

A própria Sagrada Escritura, escrita no seio da Igreja nascente, conservada e iluminada pela força do Espírito Santo, é testemunha do papel decisivo e marcante dos dons e virtudes do Alto, para que a força do Evangelho de Cristo não sofresse nenhuma ruptura ou desvio.

Para a Igreja

É o Espírito Santo, derramado nos corações dos fiéis, quem garante a unidade e a condução da Igreja. Jesus mesmo prometeu que seria Ele, o Espírito, que nos faria recordar de todo o Evangelho.

Nestes dois mil anos de Igreja, o que garante a fidelidade ao Senhor, é a certeza de que não somos uma Instituição meramente humana, mas divina. Foram muitos os momentos de crise e de perseguições, e muitos ainda virão, até o fim dos tempos. 

Da mesma forma, foram muitos os momentos de conversão e consolação, como na Idade Média e no desenvolvimento do Ocidente — e certamente ainda virão muitos mais.

E em ambos os casos, é sempre o Espírito Santo, neste renovado Pentecostes, quem sustenta a Igreja na crise e na tribulação, ou que impulsiona e orienta na consolação e no ardor.

Santo Irineu, no século II, no seu Tratado contra as heresias, nos aponta para o fato de que o Espírito, descido sobre os apóstolos e Maria Santíssima em Pentecostes, depois da gloriosa ascensão, possui o poder de trazer à nova Aliança todos os povos, todas as línguas, num mesmo louvor a Deus. 

O Espírito congrega as mais variadas raças e inicia, assim, a oferta das primícias de todas as nações a Deus. 

“Assim como a farinha seca não pode, sem água, tornar-se uma só massa nem um só pão, nós também, que somos muitos, não poderíamos transformar-nos num só corpo, em Cristo Jesus, sem a água que vem do céu. E assim como a terra árida não produz fruto se não for regada, também nós, que éramos antes como uma árvore ressequida, jamais daríamos frutos de vida, sem a chuva da graça enviada do alto.” 7

Eis onde reside a força de Pentecostes para a vida da Igreja: conduzir a Igreja em todos os tempos e em todas as situações, e garantir a unidade da mesma em torno da Santíssima Trindade. “O Espírito Santo que Cristo, Cabeça, derrama em seus membros, constrói, anima e santifica a Igreja. Ele é o sacramento da Comunhão da Santíssima Trindade.” 8

Para os fiéis

“O Espírito vem em socorro da nossa fraqueza. Pois nós não sabemos o que pedir, nem como pedir; é o próprio Espírito que intercede em nosso favor, com gemidos inefáveis. E aquele que penetra o íntimo dos corações sabe qual é a intenção do Espírito. Pois é sempre segundo Deus que o Espírito intercede em favor dos santos.” 9
Vitral da pomba, um dos maiores símbolos do Espírito Santo e de Pentecostes.
Vitral da pomba, um dos maiores símbolos do Espírito Santo e de Pentecostes.

É o Espírito quem derrama em nossos corações as virtudes e os dons necessários para a nossa salvação e para o anúncio do Evangelho. Com efeito, como nos diz o Apóstolo Paulo em várias de suas cartas, o Espírito de Deus é a vida de nossa alma.

Os sete dons do Espírito Santo são: sabedoria, inteligência, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus. Por estes dons, temos condições de seguir os impulsos do Espírito Santo na condução de nossas almas a Deus.

Já os frutos do Espírito Santo em nossas almas, que são perfeições, como que primícias, já aqui na terra, do que iremos viver em plenitude nos céus, são doze: caridade, alegria, paz, paciência, longanimidade, bondade, benignidade, mansidão, fidelidade, modéstia, continência e castidade. 10

Mas dentre nós, quem recebe o Espírito Santo? Como se dá tamanha graça?

Bem, todos os batizados e crismados recebem, do alto, a força do Espírito Santo, dom de Deus, em virtude do sacramento. Mas, o pecado, que rompe nossa relação de amizade com Deus, faz com que percamos tal auxílio divino. Vivemos do Espírito Santo se guardamos a Palavra de Deus num esforço sincero de conversão, no exercício da oração e no ardor missionário.

A missão do Espírito Santo, derramado sobre os Apóstolos e a Virgem Maria em Pentecostes, é renovado a cada sacramento celebrado, no coração de cada fiel que se abre a tamanha graça. 

Durante toda a história Ele conduz a Igreja, para que ela, firme e fiel no Senhor, possa achar meios de anunciar o Evangelho a todos os homens. 

Tamanha missão é realizada no auxílio aos pastores (papa, bispos, sacerdotes), bem como no derramar carismas e ministérios entre todo Povo de Deus. É pelo dom do Espírito Santo que Jesus, vivo e glorioso à direita de Deus Pai, permanece presente e atuante no seio da Igreja.

Veja também: Guido Schäffer: médico, surfista e agora venerável.

Referências

  1. Ex 34, 22[]
  2. Nm 29, 26[]
  3. At 2, 1-4[]
  4. At 1,4-5[]
  5. cf. Jo 15, 26-27[]
  6. cf. CEC 732[]
  7. Do Tratado contra as heresias, de Santo Irineu. Lib. 3,17,1-3:SCh34,302-306[]
  8. CEC 747[]
  9. Rm 8, 26-27[]
  10. cf. Gl 5,22-23[]

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    Saiba tudo sobre a Solenidade de Pentecostes, uma festão tão grande quanto o Natal e a Páscoa, mas pouco conhecida entre os fiéis.

    O cristianismo está repleto de símbolos e de festividades que coincidem com as celebradas pelos judeus, desde o Antigo Testamento. Sabia que isso não é por acaso?

    Pentecostes é uma dessas festas judaicas que recebe, no dom do Espírito Santo, enviado por Deus, seu sentido mais profundo e verdadeiro. O antigo Pentecostes, como a antiga Páscoa, eram como que figuras do que estava por vir.

    Vem conferir o que nos espera na vivência de tão grande festa, e entender sua importância dentro de toda a lógica pensada por Deus para sua Igreja.

    O que significa Pentecostes?

    A palavra Pentecostes significa, literalmente, “quinquagésimo dia” (do grego, pentekoste). Era a Festa das Semanas, dos judeus, por ser celebrada sete semanas depois da Páscoa. No início, estava ligada à festa das colheitas, onde se oferecia ao Senhor a oferta dos primeiros frutos do trigo. Mas, com os anos, tal celebração da colheita, em Pentecostes, se uniu à recordação da aliança feita por Deus no Sinai.

    No Antigo Testamento se lê, nos mandamentos dados a Moisés, o seguinte:

    “Celebra a festa das Semanas no início da ceifa do trigo, e a festa da colheita no fim do ano.”1

    Pentecostes marcava, 50 dias depois da Páscoa, a festa em que os judeus festejavam o fato de terem recebido, de Deus, a Lei no Sinai. Tendo sido libertos da escravidão do Egito, na noite da Páscoa, e tendo passado pelo mar Vermelho, recebem de Deus, 50 dias depois, o decálogo.

    No livro dos Números, fica definido o mesmo: 

    “No dia das primícias, quando apresentardes ao Senhor a oferta nova, na Festa das Semanas, tereis assembléia litúrgica e não fareis nenhum trabalho” 2. Aqui, na tradição judaica, há a fusão dessas duas festas separadas: a Festa das Primícias, que é local e obedece às condições agrícolas que são variáveis, e a Festa das Semanas, que se fica no calendário e se celebra em Jerusalém.

    Era uma festividade de grande alegria, com judeus vindos de todas as partes até Jerusalém, para agradecer a Deus pelos dons da colheita e da Aliança feita para com seu povo. Além de judeus, vinham amigos pagãos e prosélitos, fazendo com que Pentecostes fosse uma grande celebração.

    A vinda do Espírito Santo

    Imagem atual do cenáculo, local onde, segundo as Escrituras, ocorreu a vinda do Espírito em Pentecostes.
    Imagem atual do cenáculo, local onde, segundo as Escrituras, ocorreu a vinda do Espírito em Pentecostes.

    Depois de todo mistério da paixão, morte e ressurreição, Nosso Senhor indica aos discípulos que a missão deles daria em breve, e envia, como prometido, o Prometido: o Espírito Santo de Deus, a fim de completar toda a obra da Redenção e fundar, de fato, a Igreja.

    “Quando chegou o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos. De repente veio do céu um ruído, como de vento de furacão, que encheu toda a casa onde se alojavam. Apareceram línguas como de fogo, repartidas e pousadas sobre cada um deles. Encheram-se todos do Espírito Santo, e começaram a falar línguas estrangeiras, conforme o Espírito lhes permitia expressar-se.” 3

    Antes mesmo de subir aos céus, e no dia de sua gloriosa Ascensão, Jesus havia prometido que não deixaria os discípulos desamparados. Era preciso que Ele fosse, para que o Espírito Santo viesse. 

    “…ordenou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem a realização da promessa do Pai a qual, disse Ele, ouvistes da minha boca: João batizou com água; vós, porém, sereis batizados com o Espírito Santo dentro de poucos dias.” 4

    Pentecostes, assim, se torna a verdadeira festa da colheita e da Aliança com Deus, operada, agora, no dom do Espírito Santo, derramado nos corações dos fiéis. A verdadeira colheita é a missão que se abre a partir de agora. 

    Os frutos, são os do Espírito Santo, com dons que superabundam nos discípulos, os fazendo capazes de anunciar a mensagem do Evangelho com verdadeira parresia, que é a ousadia em pregar.

    A importância de Pentecostes

    Logo após a descida do Espírito Santo em Pentecostes, o relato bíblico já abre a nós o horizonte da Igreja que converte multidões à Boa Nova do Evangelho. Ele é o responsável por dar aos homens testemunho de Nosso Senhor, e garantir que os discípulos também deem testemunho de tudo que viveram, como Jesus mesmo anunciara. 5

    Com efeito, os nomes dados ao Espírito Santo nos relatos do Novo Testamento, se fundem com a sua presença no meio da Igreja, até hoje: defensor, advogado, consolador, Espírito da Verdade. É por Ele que, em Pentecostes, se revela a plenitude do mistério da Santíssima Trindade, Sua relação e Seu plano de redenção para a humanidade. 6

    O Espírito Santo é a garantia, já no princípio da Igreja, de que é Deus quem conduz todas as coisas. Os discípulos, de fracos e covardes que eram, tornam-se corajosos e ousados na pregação do Evangelho, sendo defensores da fé no Ressuscitado em todos os lugares, mesmo que ante ameaças. 

    Ainda que com pouca instrução, foi o Espírito Santo quem os capacitou a se tornarem pregadores exímios, com discursos apaixonados e que convenciam milhares de pessoas. O fogo do Espírito impulsionou os primeiros discípulos na orientação das comunidades, como mostram os relatos bíblicos: Éfeso, Corinto, Jerusalém, Roma, Antioquia. Tantas Igrejas, evangelizadas e orientadas pelos Apóstolos e por seus sucessores.

    A própria Sagrada Escritura, escrita no seio da Igreja nascente, conservada e iluminada pela força do Espírito Santo, é testemunha do papel decisivo e marcante dos dons e virtudes do Alto, para que a força do Evangelho de Cristo não sofresse nenhuma ruptura ou desvio.

    Para a Igreja

    É o Espírito Santo, derramado nos corações dos fiéis, quem garante a unidade e a condução da Igreja. Jesus mesmo prometeu que seria Ele, o Espírito, que nos faria recordar de todo o Evangelho.

    Nestes dois mil anos de Igreja, o que garante a fidelidade ao Senhor, é a certeza de que não somos uma Instituição meramente humana, mas divina. Foram muitos os momentos de crise e de perseguições, e muitos ainda virão, até o fim dos tempos. 

    Da mesma forma, foram muitos os momentos de conversão e consolação, como na Idade Média e no desenvolvimento do Ocidente — e certamente ainda virão muitos mais.

    E em ambos os casos, é sempre o Espírito Santo, neste renovado Pentecostes, quem sustenta a Igreja na crise e na tribulação, ou que impulsiona e orienta na consolação e no ardor.

    Santo Irineu, no século II, no seu Tratado contra as heresias, nos aponta para o fato de que o Espírito, descido sobre os apóstolos e Maria Santíssima em Pentecostes, depois da gloriosa ascensão, possui o poder de trazer à nova Aliança todos os povos, todas as línguas, num mesmo louvor a Deus. 

    O Espírito congrega as mais variadas raças e inicia, assim, a oferta das primícias de todas as nações a Deus. 

    “Assim como a farinha seca não pode, sem água, tornar-se uma só massa nem um só pão, nós também, que somos muitos, não poderíamos transformar-nos num só corpo, em Cristo Jesus, sem a água que vem do céu. E assim como a terra árida não produz fruto se não for regada, também nós, que éramos antes como uma árvore ressequida, jamais daríamos frutos de vida, sem a chuva da graça enviada do alto.” 7

    Eis onde reside a força de Pentecostes para a vida da Igreja: conduzir a Igreja em todos os tempos e em todas as situações, e garantir a unidade da mesma em torno da Santíssima Trindade. “O Espírito Santo que Cristo, Cabeça, derrama em seus membros, constrói, anima e santifica a Igreja. Ele é o sacramento da Comunhão da Santíssima Trindade.” 8

    Para os fiéis

    “O Espírito vem em socorro da nossa fraqueza. Pois nós não sabemos o que pedir, nem como pedir; é o próprio Espírito que intercede em nosso favor, com gemidos inefáveis. E aquele que penetra o íntimo dos corações sabe qual é a intenção do Espírito. Pois é sempre segundo Deus que o Espírito intercede em favor dos santos.” 9
    Vitral da pomba, um dos maiores símbolos do Espírito Santo e de Pentecostes.
    Vitral da pomba, um dos maiores símbolos do Espírito Santo e de Pentecostes.

    É o Espírito quem derrama em nossos corações as virtudes e os dons necessários para a nossa salvação e para o anúncio do Evangelho. Com efeito, como nos diz o Apóstolo Paulo em várias de suas cartas, o Espírito de Deus é a vida de nossa alma.

    Os sete dons do Espírito Santo são: sabedoria, inteligência, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus. Por estes dons, temos condições de seguir os impulsos do Espírito Santo na condução de nossas almas a Deus.

    Já os frutos do Espírito Santo em nossas almas, que são perfeições, como que primícias, já aqui na terra, do que iremos viver em plenitude nos céus, são doze: caridade, alegria, paz, paciência, longanimidade, bondade, benignidade, mansidão, fidelidade, modéstia, continência e castidade. 10

    Mas dentre nós, quem recebe o Espírito Santo? Como se dá tamanha graça?

    Bem, todos os batizados e crismados recebem, do alto, a força do Espírito Santo, dom de Deus, em virtude do sacramento. Mas, o pecado, que rompe nossa relação de amizade com Deus, faz com que percamos tal auxílio divino. Vivemos do Espírito Santo se guardamos a Palavra de Deus num esforço sincero de conversão, no exercício da oração e no ardor missionário.

    A missão do Espírito Santo, derramado sobre os Apóstolos e a Virgem Maria em Pentecostes, é renovado a cada sacramento celebrado, no coração de cada fiel que se abre a tamanha graça. 

    Durante toda a história Ele conduz a Igreja, para que ela, firme e fiel no Senhor, possa achar meios de anunciar o Evangelho a todos os homens. 

    Tamanha missão é realizada no auxílio aos pastores (papa, bispos, sacerdotes), bem como no derramar carismas e ministérios entre todo Povo de Deus. É pelo dom do Espírito Santo que Jesus, vivo e glorioso à direita de Deus Pai, permanece presente e atuante no seio da Igreja.

    Veja também: Guido Schäffer: médico, surfista e agora venerável.

    Referências

    1. Ex 34, 22[]
    2. Nm 29, 26[]
    3. At 2, 1-4[]
    4. At 1,4-5[]
    5. cf. Jo 15, 26-27[]
    6. cf. CEC 732[]
    7. Do Tratado contra as heresias, de Santo Irineu. Lib. 3,17,1-3:SCh34,302-306[]
    8. CEC 747[]
    9. Rm 8, 26-27[]
    10. cf. Gl 5,22-23[]

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