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Formação

Santa Catarina de Sena e o Papado

Você conhece a santa que convenceu o Papa a voltar para Roma? Conheça a relação entre Santa Catarina de Sena e o Papado.

Santa Catarina de Sena e o Papado
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Santa Catarina de Sena e o Papado

Você conhece a santa que convenceu o Papa a voltar para Roma? Conheça a relação entre Santa Catarina de Sena e o Papado.

Data da Publicação: 31/10/2023
Tempo de leitura:
Autor: Redação MBC
Data da Publicação: 31/10/2023
Tempo de leitura:
Autor: Redação MBC

Santa Catarina de Sena desempenhou um papel de extrema importância na história do papado e da própria Igreja. Sua missão consistia em convencer o Papa a regressar a Roma, encerrando um exílio que perdurara por mais de meio século. Esta mística e doutora da Igreja, além de ter uma profunda espiritualidade, influenciou significativamente o curso dos acontecimentos durante um dos períodos mais críticos da história eclesiástica.

Neste artigo, você conhecerá a história de Santa Catarina de Sena, sua atuação na história da Europa e como ela convenceu o Vigário de Cristo a retornar à Roma.

Quem foi Santa Catarina de Sena?

Catarina Benincasa, que veio a ser Santa Catarina de Sena, nasceu em Sena no ano de 1347 e pertenceu a uma família muito numerosa, sendo a vigésima quinta filha do casal Benincasa. Ela viveu no final da Idade Média, no século XIV, um período conturbado para a Igreja em que o Papa residia em Avignon, na França, em vez de Roma. Nesse contexto, Santa Catarina exerceu um papel fundamental junto ao papado.

Apesar de ser uma leiga, ela foi chamada por Deus para uma missão de reforma e salvação da Igreja. Catarina se consagrou a Deus por voto de virgindade e ingressou na Terceira Ordem Dominicana, especificamente no ramo feminino conhecido como as Manteladas. Assim, ela viveu no mundo, mas sua vida foi dedicada à oração, à penitência e à caridade, especialmente cuidando dos enfermos.

Além disso, Santa Catarina aconselhou espiritualmente pessoas de todas as esferas da sociedade, incluindo nobres, políticos, artistas e até o Papa Gregório XI — o qual persuadiu a deixar Avignon e retornar à Roma. A santa viajou muito, a fim de conseguir a reforma interior da Igreja e alcançar a paz entre os Estados. Esse também foi um dos motivos pelos quais o Papa João Paulo II a declarou co-Padroeira da Europa.

Santa Catarina de Sena e o papado, figura fundamental

Assim como outros santos, Santa Catarina sofreu inúmeras perseguições. Além de experimentar a dor dos estigmas de Cristo, ela tinha também o dom de reconhecer uma alma em pecado mortal, sentindo quando estava próximo desta um odor de decomposição. 1 Sem dúvida, com a sua humildade e profunda intimidade com Deus, deixou um grande legado para a história da Igreja

A Europa e o Papado nos tempos de Santa Catarina de Sena

Nos séculos XIV e XV, a Europa passou por um período conturbado. A sociedade sofria um grande declínio, que afetava a política, a economia, a cultura e a religião. O conflito entre a Igreja e os governantes surgiu enquanto ambos buscavam fortalecer sua autoridade, a fim de se libertar da má gestão de poderes locais e famílias, resultante do sistema feudal.

A crise começou quando um rei da França chamado Filipe IV, também conhecido como “o Belo”, estava enfrentando sérios problemas econômicos. Ele decidiu taxar a igreja para arrecadar dinheiro. Isso não foi bem recebido pelo Papa Bonifácio VIII, que reagiu duramente. Essa situação levou a um conflito entre a Igreja e a monarquia francesa.

Filipe IV tentou até depor o Papa. Apesar de não conseguir, as acusações contra Bonifácio VIII se tornaram cada vez mais graves, incluindo simonia e heresia. Isso criou uma situação caótica, culminando no Atentado de Anagni, quando soldados franceses invadiram a cidade e exigiram a renúncia do Papa. Em meio ao tumulto, o povo defendeu o papa, que conseguiu escapar dos perseguidores. No entanto, Bonifácio VIII já estava debilitado e faleceu aproximadamente um mês depois.

Bento XI, seu sucessor, também morreu logo após a posse. Na eleição do próximo Papa, os cardeais, influenciados pela monarquia francesa, escolheram Clemente V, que era arcebispo de Bordeaux. Devido a circunstâncias políticas desfavoráveis na Itália, ele se estabeleceu em Avignon, na França, tornando o exílio papal nesta cidade uma solução temporária que acabou se prolongando por 70 anos. Durante esse período, embora muitos papas desejassem retornar a Roma, a situação política da cidade era caótica e ameaçava a segurança do papado.

Conheça a novena a Santa Catarina de Sena.

Santa Catarina de Sena e o Papado

O retorno de Gregório XI à Roma

Em meio a esse período conturbado, no ano de 1376, Santa Catarina de Sena, impelida por Deus e pelo seu amor à Igreja, viaja da Itália até Avignon, a fim de convencer o Papa Gregório XI a retornar à Roma. Pois a Itália enfrentava violentos conflitos internos, testemunhando brutalidades inomináveis, sem alguém que, de fato, a governasse. 2

Catarina sabia o tamanho da obra que deveria realizar e, mais do que nunca, contava com o apoio de seu Esposo Celeste. Quando foi recebida pelo Papa, comunicava-se por meio de um intérprete, mas isso não impediu que ele a ouvisse com atenção e passasse, cada vez mais, a considerar o que ela dizia, convencendo-se de que ela, de fato, era “uma dos santos de Deus”. 3

Durante suas conversas, Catarina expôs os pecados na corte papal, enfatizou a necessidade do retorno do Papa a Roma pela unidade da Cristandade e sugeriu uma cruzada para alcançar esse objetivo. Impressionado, Gregório XI confiou a ela a questão dos florentinos, reconhecendo sua autoridade.

Certa vez, numa das cartas que ambos trocavam, o Papa — já irritado — pediu a Catarina que lhe contasse qual era então o desejo de Deus. Neste momento, a santa, com a sabedoria advinda da intimidade com Deus, revela a Gregório XI que este estava ligado a Deus por um voto que fizera a Ele. Havia feito voto de voltar a Roma se fosse eleito Papa, enquanto ainda era cardeal. Porém jamais o dissera a ninguém. Naquele momento, soube que precisaria sair de Avignon. 4 Depois disso, os cardeais franceses ainda tentaram dissuadir o Papa a voltar atrás em sua decisão, no entanto Catarina mantinha-se firme, encorajando o Vigário de Cristo e a relação entre Santa Catarina de Sena e o papado não se encerrou aí.

Apesar de lidar com muitas dificuldades, por ser uma mulher simples e humilde tentando negociar com poderosos, Santa Catarina de Sena, não só convenceu o papa a retornar a Roma, como também criou as condições políticas para o seu retorno. Assim, a 13 de setembro de 1376, o Papa Gregório XI volta a Roma com seus cardeais, deixando Avignon para sempre.

Urbano VI e o cisma do ocidente

Santa Catarina de Sena e o Papa Urbano VI, fundamental para o papado
Santa Catarina de Sena e o Papa Urbano VI

Com a morte de Gregório em 1378, Roma teme a eleição de um Papa francês e o retorno da cúria papal para Avignon. A instabilidade era tão grave que o povo chegou a invadir o recinto onde ocorria o conclave. Nesse contexto caótico, Bartolomeo Prignano, arcebispo de Bari, foi eleito Papa e tomou o nome de Urbano VI. 5 Ele era um homem reto, que desejava acabar com a corrupção e o modo ostensivo como vivia a Igreja. No entanto, quando assumiu o papado agiu de maneira rude e vingativa, o que prejudicou — e muito — a sua atuação. 6

Catarina, preocupada com o comportamento autoritário de Urbano VI, interveio e pediu que ele controlasse suas paixões “por amor de Cristo crucificado.” Além disso, ela escreveu a outros líderes influentes, reforçando a autoridade papal e tentando mediar os conflitos. No entanto, o cisma se tornou inevitável quando cardeais descontentes com Urbano VI, elegeram um antipapa, Clemente VII — que se dirigiu à Avignon.

Apesar de alguns fiéis defenderem a autoridade do Papa Urbano VI, como o Papa legítimo e o obedecerem, outros se posicionavam do lado do antipapa, Clemente VII. Desse modo, o Cisma do Ocidente dividiu a Igreja por cerca de 40 anos. Um Papa em Roma e outro na França — na verdade, este era o antipapa, mas isso não era tão evidente na época.

Nesse cenário, Santa Catarina de Sena não cessava de reforçar a autoridade do Papa. Ela não só o aconselhava, como também enviava cartas a outros líderes e poderosos, a fim de restaurar a unidade cristã. Durante esse período, alguns cardeais tentaram resolver a situação, mas o cisma persistiu até 1417. Sem dúvida, este episódio enfraqueceu a autoridade da Igreja, abrindo espaço para eventos como a Reforma Protestante.

Você sabia que o Papa Bento XVI escreveu uma catequese a respeito de Santa Catarina de Sena? Confira aqui.

A importância de Santa Catarina de Sena para o Papado

Além de sua sólida vida interior e profunda espiritualidade, Santa Catarina desempenhou um papel fundamental em uma das crises mais marcantes da história da Igreja. Seu papel ao convencer o Papa Gregório XI a retornar a Roma, consolidando a autoridade papal e buscando a reconciliação em meio à turbulência, reflete seu amor inabalável pela Igreja.

Santa Catarina também se destacou como conselheira espiritual de homens poderosos e uma assídua defensora da unidade e reforma da Igreja. Sempre defendendo a moralidade e a integridade espiritual. O legado desta santa vai muito além do século XIV, pois sua vida e suas ações são para nós fonte de esperança e coragem.

Santa Catarina é, portanto, uma prova de que uma vida interior profunda aliada à ação, pode ter um impacto duradouro na vida de uma pessoa, da Igreja ou da humanidade inteira. Que ela interceda por nós e reforce em nossos corações a importância da defesa dos valores e princípios fundamentais da fé, em qualquer época ou circunstância.

Conheça as principais frases de Santa Catarina de Sena, retiradas de seu livro “O Diálogo”.

Referências

  1. UNDSET, Sigrid, Catarina de Siena – Biografia de uma Santa. Tradução: Pablo Pinheiro da Costa. — 1. ed. — Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2019, p.231[]
  2. Rops, Daniel. A Igreja da renascença e da reforma (I). Coleção História da Igreja, vol. 4. São Paulo: Editora Quadrante, 1996, p.22[]
  3. UNDSET, Sigrid, Catarina de Siena – Biografia de uma Santa. Tradução: Pablo Pinheiro da Costa. — 1. ed. — Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2019, p.230[]
  4. UNDSET, Sigrid, Catarina de Siena – Biografia de uma Santa. Tradução: Pablo Pinheiro da Costa. — 1. ed. — Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2019, p.234[]
  5. UNDSET, Sigrid, Catarina de Siena – Biografia de uma Santa. Tradução: Pablo Pinheiro da Costa. — 1. ed. — Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2019, p.266[]
  6. UNDSET, Sigrid, Catarina de Siena – Biografia de uma Santa. Tradução: Pablo Pinheiro da Costa. — 1. ed. — Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2019, p.233[]

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    Redação MBC

    O que você vai encontrar neste artigo?

    Santa Catarina de Sena desempenhou um papel de extrema importância na história do papado e da própria Igreja. Sua missão consistia em convencer o Papa a regressar a Roma, encerrando um exílio que perdurara por mais de meio século. Esta mística e doutora da Igreja, além de ter uma profunda espiritualidade, influenciou significativamente o curso dos acontecimentos durante um dos períodos mais críticos da história eclesiástica.

    Neste artigo, você conhecerá a história de Santa Catarina de Sena, sua atuação na história da Europa e como ela convenceu o Vigário de Cristo a retornar à Roma.

    Quem foi Santa Catarina de Sena?

    Catarina Benincasa, que veio a ser Santa Catarina de Sena, nasceu em Sena no ano de 1347 e pertenceu a uma família muito numerosa, sendo a vigésima quinta filha do casal Benincasa. Ela viveu no final da Idade Média, no século XIV, um período conturbado para a Igreja em que o Papa residia em Avignon, na França, em vez de Roma. Nesse contexto, Santa Catarina exerceu um papel fundamental junto ao papado.

    Apesar de ser uma leiga, ela foi chamada por Deus para uma missão de reforma e salvação da Igreja. Catarina se consagrou a Deus por voto de virgindade e ingressou na Terceira Ordem Dominicana, especificamente no ramo feminino conhecido como as Manteladas. Assim, ela viveu no mundo, mas sua vida foi dedicada à oração, à penitência e à caridade, especialmente cuidando dos enfermos.

    Além disso, Santa Catarina aconselhou espiritualmente pessoas de todas as esferas da sociedade, incluindo nobres, políticos, artistas e até o Papa Gregório XI — o qual persuadiu a deixar Avignon e retornar à Roma. A santa viajou muito, a fim de conseguir a reforma interior da Igreja e alcançar a paz entre os Estados. Esse também foi um dos motivos pelos quais o Papa João Paulo II a declarou co-Padroeira da Europa.

    Santa Catarina de Sena e o papado, figura fundamental

    Assim como outros santos, Santa Catarina sofreu inúmeras perseguições. Além de experimentar a dor dos estigmas de Cristo, ela tinha também o dom de reconhecer uma alma em pecado mortal, sentindo quando estava próximo desta um odor de decomposição. 1 Sem dúvida, com a sua humildade e profunda intimidade com Deus, deixou um grande legado para a história da Igreja

    A Europa e o Papado nos tempos de Santa Catarina de Sena

    Nos séculos XIV e XV, a Europa passou por um período conturbado. A sociedade sofria um grande declínio, que afetava a política, a economia, a cultura e a religião. O conflito entre a Igreja e os governantes surgiu enquanto ambos buscavam fortalecer sua autoridade, a fim de se libertar da má gestão de poderes locais e famílias, resultante do sistema feudal.

    A crise começou quando um rei da França chamado Filipe IV, também conhecido como “o Belo”, estava enfrentando sérios problemas econômicos. Ele decidiu taxar a igreja para arrecadar dinheiro. Isso não foi bem recebido pelo Papa Bonifácio VIII, que reagiu duramente. Essa situação levou a um conflito entre a Igreja e a monarquia francesa.

    Filipe IV tentou até depor o Papa. Apesar de não conseguir, as acusações contra Bonifácio VIII se tornaram cada vez mais graves, incluindo simonia e heresia. Isso criou uma situação caótica, culminando no Atentado de Anagni, quando soldados franceses invadiram a cidade e exigiram a renúncia do Papa. Em meio ao tumulto, o povo defendeu o papa, que conseguiu escapar dos perseguidores. No entanto, Bonifácio VIII já estava debilitado e faleceu aproximadamente um mês depois.

    Bento XI, seu sucessor, também morreu logo após a posse. Na eleição do próximo Papa, os cardeais, influenciados pela monarquia francesa, escolheram Clemente V, que era arcebispo de Bordeaux. Devido a circunstâncias políticas desfavoráveis na Itália, ele se estabeleceu em Avignon, na França, tornando o exílio papal nesta cidade uma solução temporária que acabou se prolongando por 70 anos. Durante esse período, embora muitos papas desejassem retornar a Roma, a situação política da cidade era caótica e ameaçava a segurança do papado.

    Conheça a novena a Santa Catarina de Sena.

    Santa Catarina de Sena e o Papado

    O retorno de Gregório XI à Roma

    Em meio a esse período conturbado, no ano de 1376, Santa Catarina de Sena, impelida por Deus e pelo seu amor à Igreja, viaja da Itália até Avignon, a fim de convencer o Papa Gregório XI a retornar à Roma. Pois a Itália enfrentava violentos conflitos internos, testemunhando brutalidades inomináveis, sem alguém que, de fato, a governasse. 2

    Catarina sabia o tamanho da obra que deveria realizar e, mais do que nunca, contava com o apoio de seu Esposo Celeste. Quando foi recebida pelo Papa, comunicava-se por meio de um intérprete, mas isso não impediu que ele a ouvisse com atenção e passasse, cada vez mais, a considerar o que ela dizia, convencendo-se de que ela, de fato, era “uma dos santos de Deus”. 3

    Durante suas conversas, Catarina expôs os pecados na corte papal, enfatizou a necessidade do retorno do Papa a Roma pela unidade da Cristandade e sugeriu uma cruzada para alcançar esse objetivo. Impressionado, Gregório XI confiou a ela a questão dos florentinos, reconhecendo sua autoridade.

    Certa vez, numa das cartas que ambos trocavam, o Papa — já irritado — pediu a Catarina que lhe contasse qual era então o desejo de Deus. Neste momento, a santa, com a sabedoria advinda da intimidade com Deus, revela a Gregório XI que este estava ligado a Deus por um voto que fizera a Ele. Havia feito voto de voltar a Roma se fosse eleito Papa, enquanto ainda era cardeal. Porém jamais o dissera a ninguém. Naquele momento, soube que precisaria sair de Avignon. 4 Depois disso, os cardeais franceses ainda tentaram dissuadir o Papa a voltar atrás em sua decisão, no entanto Catarina mantinha-se firme, encorajando o Vigário de Cristo e a relação entre Santa Catarina de Sena e o papado não se encerrou aí.

    Apesar de lidar com muitas dificuldades, por ser uma mulher simples e humilde tentando negociar com poderosos, Santa Catarina de Sena, não só convenceu o papa a retornar a Roma, como também criou as condições políticas para o seu retorno. Assim, a 13 de setembro de 1376, o Papa Gregório XI volta a Roma com seus cardeais, deixando Avignon para sempre.

    Urbano VI e o cisma do ocidente

    Santa Catarina de Sena e o Papa Urbano VI, fundamental para o papado
    Santa Catarina de Sena e o Papa Urbano VI

    Com a morte de Gregório em 1378, Roma teme a eleição de um Papa francês e o retorno da cúria papal para Avignon. A instabilidade era tão grave que o povo chegou a invadir o recinto onde ocorria o conclave. Nesse contexto caótico, Bartolomeo Prignano, arcebispo de Bari, foi eleito Papa e tomou o nome de Urbano VI. 5 Ele era um homem reto, que desejava acabar com a corrupção e o modo ostensivo como vivia a Igreja. No entanto, quando assumiu o papado agiu de maneira rude e vingativa, o que prejudicou — e muito — a sua atuação. 6

    Catarina, preocupada com o comportamento autoritário de Urbano VI, interveio e pediu que ele controlasse suas paixões “por amor de Cristo crucificado.” Além disso, ela escreveu a outros líderes influentes, reforçando a autoridade papal e tentando mediar os conflitos. No entanto, o cisma se tornou inevitável quando cardeais descontentes com Urbano VI, elegeram um antipapa, Clemente VII — que se dirigiu à Avignon.

    Apesar de alguns fiéis defenderem a autoridade do Papa Urbano VI, como o Papa legítimo e o obedecerem, outros se posicionavam do lado do antipapa, Clemente VII. Desse modo, o Cisma do Ocidente dividiu a Igreja por cerca de 40 anos. Um Papa em Roma e outro na França — na verdade, este era o antipapa, mas isso não era tão evidente na época.

    Nesse cenário, Santa Catarina de Sena não cessava de reforçar a autoridade do Papa. Ela não só o aconselhava, como também enviava cartas a outros líderes e poderosos, a fim de restaurar a unidade cristã. Durante esse período, alguns cardeais tentaram resolver a situação, mas o cisma persistiu até 1417. Sem dúvida, este episódio enfraqueceu a autoridade da Igreja, abrindo espaço para eventos como a Reforma Protestante.

    Você sabia que o Papa Bento XVI escreveu uma catequese a respeito de Santa Catarina de Sena? Confira aqui.

    A importância de Santa Catarina de Sena para o Papado

    Além de sua sólida vida interior e profunda espiritualidade, Santa Catarina desempenhou um papel fundamental em uma das crises mais marcantes da história da Igreja. Seu papel ao convencer o Papa Gregório XI a retornar a Roma, consolidando a autoridade papal e buscando a reconciliação em meio à turbulência, reflete seu amor inabalável pela Igreja.

    Santa Catarina também se destacou como conselheira espiritual de homens poderosos e uma assídua defensora da unidade e reforma da Igreja. Sempre defendendo a moralidade e a integridade espiritual. O legado desta santa vai muito além do século XIV, pois sua vida e suas ações são para nós fonte de esperança e coragem.

    Santa Catarina é, portanto, uma prova de que uma vida interior profunda aliada à ação, pode ter um impacto duradouro na vida de uma pessoa, da Igreja ou da humanidade inteira. Que ela interceda por nós e reforce em nossos corações a importância da defesa dos valores e princípios fundamentais da fé, em qualquer época ou circunstância.

    Conheça as principais frases de Santa Catarina de Sena, retiradas de seu livro “O Diálogo”.

    Referências

    1. UNDSET, Sigrid, Catarina de Siena – Biografia de uma Santa. Tradução: Pablo Pinheiro da Costa. — 1. ed. — Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2019, p.231[]
    2. Rops, Daniel. A Igreja da renascença e da reforma (I). Coleção História da Igreja, vol. 4. São Paulo: Editora Quadrante, 1996, p.22[]
    3. UNDSET, Sigrid, Catarina de Siena – Biografia de uma Santa. Tradução: Pablo Pinheiro da Costa. — 1. ed. — Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2019, p.230[]
    4. UNDSET, Sigrid, Catarina de Siena – Biografia de uma Santa. Tradução: Pablo Pinheiro da Costa. — 1. ed. — Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2019, p.234[]
    5. UNDSET, Sigrid, Catarina de Siena – Biografia de uma Santa. Tradução: Pablo Pinheiro da Costa. — 1. ed. — Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2019, p.266[]
    6. UNDSET, Sigrid, Catarina de Siena – Biografia de uma Santa. Tradução: Pablo Pinheiro da Costa. — 1. ed. — Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2019, p.233[]
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    Redação MBC

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