A beatificação de Fulton Sheen, marcada para setembro de 2026, representa um novo capítulo na história de uma das grandes vozes da evangelização católica do século XX. Por meio de seus livros, pregações e programas de rádio e televisão, o arcebispo levou os ensinamentos da Igreja a milhões de pessoas e deixou um importante legado de fé e evangelização.
Continue a leitura para conhecer a história de Fulton Sheen, compreender seu caminho até os altares e conferir os principais detalhes da cerimônia que o proclamará beato.
Fulton John Sheen (1895–1979) foi sacerdote, bispo, arcebispo, escritor e pregador norte-americano, além de um dos grandes comunicadores católicos do século XX. Ao longo de seis décadas de sacerdócio, dedicou sua vida ao anúncio do Evangelho, unindo a formação filosófica e teológica ao trabalho pastoral e a uma capacidade singular de apresentar os ensinamentos da Igreja de maneira acessível a públicos muito diversos.
Sua atuação passou pelo ensino, pela pregação, pelas missões e, de maneira especialmente marcante, pelos meios de comunicação. Autor de dezenas de livros, Sheen também levou a fé católica ao rádio e à televisão, alcançando milhões de pessoas nos Estados Unidos. Por trás de uma vida pública tão intensa, cultivava uma profunda vida de oração, tendo como prática diária a Hora Santa diante do Santíssimo Sacramento, à qual permaneceu fiel durante seu ministério.
Fulton Sheen nasceu em 8 de maio de 1895, na pequena cidade de El Paso, no estado de Illinois, nos Estados Unidos. Filho de Newton Morris e Delia Fulton Sheen, era um dos quatro filhos do casal e tinha ascendência irlandesa. Ainda pequeno, mudou-se com a família para Peoria, cidade que teria grande importância em sua trajetória. Ali, estudou na St. Mary’s School e depois no Spalding Institute, onde concluiu os estudos secundários em 1913.
Sua formação prosseguiu no St. Viator College, em Illinois, onde obteve os graus de bacharel e mestre em Artes. Os estudos teológicos foram realizados no próprio St. Viator e no Seminário de São Paulo, em Minnesota. Em 20 de setembro de 1919, aos 24 anos, Fulton Sheen foi ordenado sacerdote para a Diocese de Peoria. Nos anos seguintes, continuaria sua formação acadêmica nos Estados Unidos e na Europa, preparando o caminho para a intensa atuação como professor, pregador e evangelizador que marcaria seu sacerdócio.
A capacidade de Fulton Sheen para a pregação encontrou nos meios de comunicação uma possibilidade de levar os ensinamentos da Igreja a um público muito maior. Sua atuação no rádio começou em 1930, com o programa The Catholic Hour, no qual tratava de temas ligados à fé, à moral e às questões de seu tempo. Ao longo dos anos, suas transmissões alcançaram milhões de ouvintes e fizeram de sua voz uma das mais conhecidas do catolicismo nos Estados Unidos.
Na década de 1950, Sheen levou esse apostolado para a televisão com Life Is Worth Living. Diante das câmeras, geralmente acompanhado apenas de um quadro-negro, apresentava temas filosóficos, religiosos e cotidianos, chegando a reunir cerca de 30 milhões de espectadores. O sucesso do programa lhe rendeu, em 1952, um Emmy de personalidade televisiva de destaque. Paralelamente, manteve uma extensa atividade como escritor e pregador, publicando dezenas de livros e realizando conferências e retiros. Para Sheen, esses diferentes meios estavam a serviço de uma mesma missão sacerdotal: anunciar Cristo e tornar a fé católica conhecida e compreendida por aqueles que o ouviam.
Saiba mais sobre a vida de Fulton Sheen.
Depois da morte de Fulton Sheen, em 9 de dezembro de 1979, sua fama de santidade continuou a crescer entre os fiéis, que recordavam sua vida de oração, sua fidelidade à Igreja e as décadas dedicadas ao anúncio do Evangelho. Esse reconhecimento contribuiu para que sua trajetória começasse a ser examinada oficialmente pela Igreja em vista de uma possível canonização.
A causa foi aberta em 2002, sob a responsabilidade da Diocese de Peoria, onde Sheen havia crescido e sido ordenado sacerdote. Nessa etapa, iniciou-se uma investigação formal sobre sua vida, seus escritos e sua fama de santidade, com a reunião de documentos e testemunhos destinados a verificar a maneira como viveu a fé cristã.
No caso de Sheen, essa investigação diocesana foi realizada em Peoria e, posteriormente, encaminhada à Congregação para as Causas dos Santos, atual Dicastério para as Causas dos Santos. A validade jurídica do processo conduzido na diocese foi reconhecida em 17 de outubro de 2008, permitindo que a causa prosseguisse em Roma.
Com a abertura oficial de sua causa de canonização, Fulton Sheen passou a receber o título de Servo de Deus. Essa denominação é dada quando a autoridade competente da Igreja admite formalmente uma causa e autoriza o início do processo destinado a examinar a vida e a fama de santidade do candidato.
Para Sheen, esse foi o primeiro passo formal de seu caminho até os altares. A partir daí, a Igreja passou a analisar sua trajetória segundo as normas previstas para as causas de canonização. O avanço para a etapa seguinte dependeria da conclusão desse exame e do reconhecimento de que ele viveu as virtudes cristãs em grau heroico, o que lhe permitiria receber o título de Venerável.
Nos anos seguintes à abertura da causa, a Diocese de Peoria conduziu a investigação sobre a trajetória de Fulton Sheen, buscando reunir os elementos necessários para avaliar sua fama de santidade e a maneira como viveu a fé cristã. Encerrada essa etapa em âmbito diocesano, a causa seguiu para Roma, onde passaria por uma nova fase de análise.
Em 17 de outubro de 2008, a então Congregação para as Causas dos Santos reconheceu oficialmente a validade jurídica da investigação realizada em Peoria. A partir do material reunido, foi preparada a Positio, documento que apresenta de forma sistemática os elementos fundamentais da causa e serve de base para seu estudo pelos responsáveis no Dicastério. Esse trabalho preparou o caminho para uma decisão importante no processo de Fulton Sheen: o reconhecimento de suas virtudes heroicas e sua declaração como Venerável.
Em 28 de junho de 2012, a causa de Fulton Sheen avançou para uma nova etapa. Após o estudo da documentação reunida sobre sua vida, o Papa Bento XVI autorizou a promulgação do decreto que reconheceu que Sheen havia vivido em grau heroico as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, assim como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Com isso, ele passou a receber o título de Venerável.
Na prática, essa decisão significa que a Igreja, após examinar cuidadosamente sua trajetória, reconheceu nele uma vivência constante e exemplar das virtudes cristãs. A declaração como Venerável concluiu uma etapa importante da causa e abriu caminho para que o processo pudesse prosseguir em direção à beatificação.
Como Fulton Sheen não morreu mártir, porém, ainda era necessário um novo passo para que pudesse ser declarado beato: a aprovação, pela Igreja, de um milagre atribuído à sua intercessão.
O milagre aprovado para a beatificação de Fulton Sheen envolve James Fulton Engstrom, nascido em 16 de setembro de 2010, no estado de Illinois, nos Estados Unidos. Após o parto, realizado em casa, o bebê não apresentava batimentos cardíacos nem respirava. Enquanto eram realizadas as tentativas de reanimação e a criança era levada ao hospital, seus pais e outras pessoas começaram a pedir a Deus, por intercessão do então Venerável Fulton Sheen, que salvasse sua vida.
Depois de aproximadamente 61 minutos sem batimentos cardíacos, o coração de James voltou a bater. O menino também recuperou a respiração e, apesar do longo período de parada cardíaca, não apresentou as graves sequelas neurológicas que poderiam ser esperadas em circunstâncias como aquela. Diante da recuperação extraordinária e das orações feitas pela intercessão de Sheen, o caso foi apresentado à Igreja para ser investigado como um possível milagre.
O episódio passou pelas avaliações médica e teológica previstas nas causas de canonização. Em 5 de julho de 2019, o Papa Francisco autorizou a promulgação do decreto que reconheceu oficialmente a recuperação de James como um milagre atribuído à intercessão de Fulton Sheen. Dessa forma, estava cumprido o requisito necessário para que o arcebispo pudesse ser beatificado.
A cerimônia chegou a ser marcada para 21 de dezembro de 2019, mas foi adiada após um pedido de alguns bispos norte-americanos para que fossem examinadas questões relacionadas ao período em que Sheen esteve à frente da Diocese de Rochester. A beatificação permaneceu, assim, sem uma nova data definida.
Leia mais sobre as etapas do processo de beatificação e canonização na Igreja Católica.
Após o adiamento da cerimônia prevista para 2019, a beatificação de Fulton Sheen permaneceu suspensa por mais de seis anos. Em 9 de fevereiro de 2026, porém, o bispo de Peoria, Dom Louis Tylka, anunciou que a Santa Sé havia comunicado à diocese que a causa estava autorizada a prosseguir.
Com a decisão, puderam ser retomados os preparativos para a beatificação. Na ocasião, a Diocese de Peoria informou que trabalharia em conjunto com o Dicastério para as Causas dos Santos na organização da celebração e que a data e os demais detalhes seriam anunciados posteriormente. Nos meses seguintes, essas informações foram divulgadas, definindo quando e onde Fulton Sheen seria finalmente proclamado beato.
A beatificação de Fulton Sheen será realizada em 24 de setembro de 2026, data confirmada pelo Dicastério para as Causas dos Santos. Na ocasião, o arcebispo norte-americano será oficialmente proclamado beato pela Igreja Católica.
A celebração acontecerá na memória de Nossa Senhora das Mercês, uma data especialmente significativa diante da profunda devoção mariana que marcou a vida e a missão de Fulton Sheen. Ao longo de seus anos de sacerdócio e episcopado, ele manifestou diversas vezes seu amor pela Virgem Maria, devoção que também esteve presente em suas pregações e ensinamentos.
A Missa de Beatificação de Fulton Sheen será celebrada no The Dome at America’s Center, em St. Louis, no estado do Missouri, nos Estados Unidos. Com capacidade para receber dezenas de milhares de pessoas, o local foi escolhido por reunir condições adequadas para acolher um grande número de fiéis em um espaço fechado, além de sua relativa proximidade com Peoria.
Apesar de a celebração acontecer em St. Louis, a Diocese de Peoria ocupa um lugar central na história de Fulton Sheen e em seu caminho até os altares. Foi nessa região que ele cresceu e recebeu a ordenação sacerdotal, e coube à diocese conduzir a abertura de sua causa de canonização. Peoria também abriga, desde 2019, os restos mortais de Sheen, que repousam na Catedral de Santa Maria da Imaculada Conceição.
A Missa de Beatificação de Fulton Sheen será presidida pelo cardeal Luis Antonio Tagle, pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização, que estará em St. Louis como representante oficial do Papa Leão XIV.
Durante a celebração, Fulton Sheen será oficialmente proclamado beato, e seu culto público passará a ser autorizado pela Igreja nos lugares e segundo as modalidades estabelecidas pela Santa Sé. A beatificação permitirá, assim, que sua memória seja celebrada liturgicamente dentro dos limites determinados pela Igreja.
No dia 24 de setembro, o The Dome at America’s Center abrirá as portas às 8h para receber os fiéis. A programação começará com momentos de preparação espiritual, incluindo Adoração Eucarística e atendimento de confissões. Às 10h, está previsto o Celebrate Sheen Show, que reunirá momentos de oração, música e reflexões sobre a vida e o apostolado de Fulton Sheen.
A procissão terá início às 13h30, seguida pela Missa de Beatificação, às 14h, no horário local de St. Louis. Após a celebração, entre 16h e 18h, os fiéis terão a oportunidade de venerar uma relíquia de Fulton Sheen.
Para aqueles que não puderem estar em St. Louis, a cerimônia também poderá ser acompanhada à distância. A organização confirmou a transmissão pela televisão e pela internet, com acesso internacional. Em Peoria, a Catedral de Santa Maria da Imaculada Conceição também transmitirá a Missa, permitindo que os fiéis acompanhem a celebração a partir da cidade profundamente ligada à história e à causa de canonização de Sheen.
Peoria também terá uma programação especial por ocasião da beatificação. Entre 15 e 23 de setembro, a Catedral de Santa Maria da Imaculada Conceição receberá uma novena de Horas Santas, com encontros diários inspirados em diferentes aspectos da espiritualidade e do apostolado de Fulton Sheen. No dia 20, será celebrada ainda uma Missa em memória do aniversário de sua ordenação sacerdotal, realizada naquela mesma catedral em 1919.
Após a beatificação em St. Louis, as celebrações continuarão em Peoria nos dias 25 e 26 de setembro. Estão previstas Missas de ação de graças na catedral e outras atividades dedicadas à vida e ao legado do novo beato. Durante esse período, os peregrinos também poderão visitar seu túmulo e rezar junto aos seus restos mortais, que repousam em uma capela lateral da igreja.
A programação reforça a ligação histórica de Peoria com Fulton Sheen e com sua causa de canonização. Além de ter sido cenário de momentos importantes de sua vida e vocação sacerdotal, a cidade tornou-se um dos principais destinos de peregrinação para os fiéis que desejam conhecer mais de perto sua história.
Que tal conhecer alguns dos livros de Fulton Sheen?
Com a celebração de 24 de setembro, Fulton Sheen passará a ser reconhecido pela Igreja como beato. A partir da beatificação, seu culto público será permitido nos lugares e segundo as modalidades determinadas pela autoridade eclesiástica, incluindo a possibilidade de celebração litúrgica de sua memória dentro desses limites.
A beatificação, no entanto, não equivale à canonização. Enquanto o culto litúrgico de um beato é autorizado de forma limitada, a canonização constitui um pronunciamento definitivo da Igreja sobre sua santidade e estende seu culto à Igreja universal. Por isso, mesmo depois de ser proclamado beato, Fulton Sheen poderá continuar seu caminho em direção à canonização.
Para que isso aconteça, será necessário, em regra, o reconhecimento de um novo milagre atribuído à sua intercessão e ocorrido após a beatificação. O caso deverá ser submetido à investigação prevista pela Igreja, incluindo as avaliações necessárias, antes que a causa possa avançar para uma eventual canonização.
A memória litúrgica do Beato Fulton Sheen será celebrada em 9 de dezembro, data de sua morte, ocorrida em 1979. A escolha segue o costume da Igreja de recordar santos e beatos no dies natalis, expressão que indica o dia de seu nascimento para a vida eterna. A data foi aprovada como memória facultativa e, inicialmente, poderá ser celebrada na Diocese de Peoria.
Essa celebração não será automaticamente estendida a toda a Igreja. Outras dioceses e territórios poderão solicitar ao Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos a autorização necessária para incluir a memória do Beato Fulton Sheen em seus próprios calendários litúrgicos.
A proclamação de Fulton Sheen como beato acrescentará um novo capítulo à história de um sacerdote que dedicou décadas ao anúncio do Evangelho. Conhecê-lo, porém, significa ir além da voz e da imagem que alcançaram milhões de pessoas pelo rádio e pela televisão. É também descobrir a profunda vida espiritual que sustentava seu apostolado, aproximar-se de seus escritos e conhecer seu amor pela Eucaristia, pela Virgem Maria e pela Igreja. Seu testemunho permanece, assim, como um convite a colocar os próprios dons a serviço de Cristo e da evangelização.
Reze a Novena de Fulton Sheen.
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A beatificação de Fulton Sheen, marcada para setembro de 2026, representa um novo capítulo na história de uma das grandes vozes da evangelização católica do século XX. Por meio de seus livros, pregações e programas de rádio e televisão, o arcebispo levou os ensinamentos da Igreja a milhões de pessoas e deixou um importante legado de fé e evangelização.
Continue a leitura para conhecer a história de Fulton Sheen, compreender seu caminho até os altares e conferir os principais detalhes da cerimônia que o proclamará beato.
Fulton John Sheen (1895–1979) foi sacerdote, bispo, arcebispo, escritor e pregador norte-americano, além de um dos grandes comunicadores católicos do século XX. Ao longo de seis décadas de sacerdócio, dedicou sua vida ao anúncio do Evangelho, unindo a formação filosófica e teológica ao trabalho pastoral e a uma capacidade singular de apresentar os ensinamentos da Igreja de maneira acessível a públicos muito diversos.
Sua atuação passou pelo ensino, pela pregação, pelas missões e, de maneira especialmente marcante, pelos meios de comunicação. Autor de dezenas de livros, Sheen também levou a fé católica ao rádio e à televisão, alcançando milhões de pessoas nos Estados Unidos. Por trás de uma vida pública tão intensa, cultivava uma profunda vida de oração, tendo como prática diária a Hora Santa diante do Santíssimo Sacramento, à qual permaneceu fiel durante seu ministério.
Fulton Sheen nasceu em 8 de maio de 1895, na pequena cidade de El Paso, no estado de Illinois, nos Estados Unidos. Filho de Newton Morris e Delia Fulton Sheen, era um dos quatro filhos do casal e tinha ascendência irlandesa. Ainda pequeno, mudou-se com a família para Peoria, cidade que teria grande importância em sua trajetória. Ali, estudou na St. Mary’s School e depois no Spalding Institute, onde concluiu os estudos secundários em 1913.
Sua formação prosseguiu no St. Viator College, em Illinois, onde obteve os graus de bacharel e mestre em Artes. Os estudos teológicos foram realizados no próprio St. Viator e no Seminário de São Paulo, em Minnesota. Em 20 de setembro de 1919, aos 24 anos, Fulton Sheen foi ordenado sacerdote para a Diocese de Peoria. Nos anos seguintes, continuaria sua formação acadêmica nos Estados Unidos e na Europa, preparando o caminho para a intensa atuação como professor, pregador e evangelizador que marcaria seu sacerdócio.
A capacidade de Fulton Sheen para a pregação encontrou nos meios de comunicação uma possibilidade de levar os ensinamentos da Igreja a um público muito maior. Sua atuação no rádio começou em 1930, com o programa The Catholic Hour, no qual tratava de temas ligados à fé, à moral e às questões de seu tempo. Ao longo dos anos, suas transmissões alcançaram milhões de ouvintes e fizeram de sua voz uma das mais conhecidas do catolicismo nos Estados Unidos.
Na década de 1950, Sheen levou esse apostolado para a televisão com Life Is Worth Living. Diante das câmeras, geralmente acompanhado apenas de um quadro-negro, apresentava temas filosóficos, religiosos e cotidianos, chegando a reunir cerca de 30 milhões de espectadores. O sucesso do programa lhe rendeu, em 1952, um Emmy de personalidade televisiva de destaque. Paralelamente, manteve uma extensa atividade como escritor e pregador, publicando dezenas de livros e realizando conferências e retiros. Para Sheen, esses diferentes meios estavam a serviço de uma mesma missão sacerdotal: anunciar Cristo e tornar a fé católica conhecida e compreendida por aqueles que o ouviam.
Saiba mais sobre a vida de Fulton Sheen.
Depois da morte de Fulton Sheen, em 9 de dezembro de 1979, sua fama de santidade continuou a crescer entre os fiéis, que recordavam sua vida de oração, sua fidelidade à Igreja e as décadas dedicadas ao anúncio do Evangelho. Esse reconhecimento contribuiu para que sua trajetória começasse a ser examinada oficialmente pela Igreja em vista de uma possível canonização.
A causa foi aberta em 2002, sob a responsabilidade da Diocese de Peoria, onde Sheen havia crescido e sido ordenado sacerdote. Nessa etapa, iniciou-se uma investigação formal sobre sua vida, seus escritos e sua fama de santidade, com a reunião de documentos e testemunhos destinados a verificar a maneira como viveu a fé cristã.
No caso de Sheen, essa investigação diocesana foi realizada em Peoria e, posteriormente, encaminhada à Congregação para as Causas dos Santos, atual Dicastério para as Causas dos Santos. A validade jurídica do processo conduzido na diocese foi reconhecida em 17 de outubro de 2008, permitindo que a causa prosseguisse em Roma.
Com a abertura oficial de sua causa de canonização, Fulton Sheen passou a receber o título de Servo de Deus. Essa denominação é dada quando a autoridade competente da Igreja admite formalmente uma causa e autoriza o início do processo destinado a examinar a vida e a fama de santidade do candidato.
Para Sheen, esse foi o primeiro passo formal de seu caminho até os altares. A partir daí, a Igreja passou a analisar sua trajetória segundo as normas previstas para as causas de canonização. O avanço para a etapa seguinte dependeria da conclusão desse exame e do reconhecimento de que ele viveu as virtudes cristãs em grau heroico, o que lhe permitiria receber o título de Venerável.
Nos anos seguintes à abertura da causa, a Diocese de Peoria conduziu a investigação sobre a trajetória de Fulton Sheen, buscando reunir os elementos necessários para avaliar sua fama de santidade e a maneira como viveu a fé cristã. Encerrada essa etapa em âmbito diocesano, a causa seguiu para Roma, onde passaria por uma nova fase de análise.
Em 17 de outubro de 2008, a então Congregação para as Causas dos Santos reconheceu oficialmente a validade jurídica da investigação realizada em Peoria. A partir do material reunido, foi preparada a Positio, documento que apresenta de forma sistemática os elementos fundamentais da causa e serve de base para seu estudo pelos responsáveis no Dicastério. Esse trabalho preparou o caminho para uma decisão importante no processo de Fulton Sheen: o reconhecimento de suas virtudes heroicas e sua declaração como Venerável.
Em 28 de junho de 2012, a causa de Fulton Sheen avançou para uma nova etapa. Após o estudo da documentação reunida sobre sua vida, o Papa Bento XVI autorizou a promulgação do decreto que reconheceu que Sheen havia vivido em grau heroico as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, assim como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Com isso, ele passou a receber o título de Venerável.
Na prática, essa decisão significa que a Igreja, após examinar cuidadosamente sua trajetória, reconheceu nele uma vivência constante e exemplar das virtudes cristãs. A declaração como Venerável concluiu uma etapa importante da causa e abriu caminho para que o processo pudesse prosseguir em direção à beatificação.
Como Fulton Sheen não morreu mártir, porém, ainda era necessário um novo passo para que pudesse ser declarado beato: a aprovação, pela Igreja, de um milagre atribuído à sua intercessão.
O milagre aprovado para a beatificação de Fulton Sheen envolve James Fulton Engstrom, nascido em 16 de setembro de 2010, no estado de Illinois, nos Estados Unidos. Após o parto, realizado em casa, o bebê não apresentava batimentos cardíacos nem respirava. Enquanto eram realizadas as tentativas de reanimação e a criança era levada ao hospital, seus pais e outras pessoas começaram a pedir a Deus, por intercessão do então Venerável Fulton Sheen, que salvasse sua vida.
Depois de aproximadamente 61 minutos sem batimentos cardíacos, o coração de James voltou a bater. O menino também recuperou a respiração e, apesar do longo período de parada cardíaca, não apresentou as graves sequelas neurológicas que poderiam ser esperadas em circunstâncias como aquela. Diante da recuperação extraordinária e das orações feitas pela intercessão de Sheen, o caso foi apresentado à Igreja para ser investigado como um possível milagre.
O episódio passou pelas avaliações médica e teológica previstas nas causas de canonização. Em 5 de julho de 2019, o Papa Francisco autorizou a promulgação do decreto que reconheceu oficialmente a recuperação de James como um milagre atribuído à intercessão de Fulton Sheen. Dessa forma, estava cumprido o requisito necessário para que o arcebispo pudesse ser beatificado.
A cerimônia chegou a ser marcada para 21 de dezembro de 2019, mas foi adiada após um pedido de alguns bispos norte-americanos para que fossem examinadas questões relacionadas ao período em que Sheen esteve à frente da Diocese de Rochester. A beatificação permaneceu, assim, sem uma nova data definida.
Leia mais sobre as etapas do processo de beatificação e canonização na Igreja Católica.
Após o adiamento da cerimônia prevista para 2019, a beatificação de Fulton Sheen permaneceu suspensa por mais de seis anos. Em 9 de fevereiro de 2026, porém, o bispo de Peoria, Dom Louis Tylka, anunciou que a Santa Sé havia comunicado à diocese que a causa estava autorizada a prosseguir.
Com a decisão, puderam ser retomados os preparativos para a beatificação. Na ocasião, a Diocese de Peoria informou que trabalharia em conjunto com o Dicastério para as Causas dos Santos na organização da celebração e que a data e os demais detalhes seriam anunciados posteriormente. Nos meses seguintes, essas informações foram divulgadas, definindo quando e onde Fulton Sheen seria finalmente proclamado beato.
A beatificação de Fulton Sheen será realizada em 24 de setembro de 2026, data confirmada pelo Dicastério para as Causas dos Santos. Na ocasião, o arcebispo norte-americano será oficialmente proclamado beato pela Igreja Católica.
A celebração acontecerá na memória de Nossa Senhora das Mercês, uma data especialmente significativa diante da profunda devoção mariana que marcou a vida e a missão de Fulton Sheen. Ao longo de seus anos de sacerdócio e episcopado, ele manifestou diversas vezes seu amor pela Virgem Maria, devoção que também esteve presente em suas pregações e ensinamentos.
A Missa de Beatificação de Fulton Sheen será celebrada no The Dome at America’s Center, em St. Louis, no estado do Missouri, nos Estados Unidos. Com capacidade para receber dezenas de milhares de pessoas, o local foi escolhido por reunir condições adequadas para acolher um grande número de fiéis em um espaço fechado, além de sua relativa proximidade com Peoria.
Apesar de a celebração acontecer em St. Louis, a Diocese de Peoria ocupa um lugar central na história de Fulton Sheen e em seu caminho até os altares. Foi nessa região que ele cresceu e recebeu a ordenação sacerdotal, e coube à diocese conduzir a abertura de sua causa de canonização. Peoria também abriga, desde 2019, os restos mortais de Sheen, que repousam na Catedral de Santa Maria da Imaculada Conceição.
A Missa de Beatificação de Fulton Sheen será presidida pelo cardeal Luis Antonio Tagle, pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização, que estará em St. Louis como representante oficial do Papa Leão XIV.
Durante a celebração, Fulton Sheen será oficialmente proclamado beato, e seu culto público passará a ser autorizado pela Igreja nos lugares e segundo as modalidades estabelecidas pela Santa Sé. A beatificação permitirá, assim, que sua memória seja celebrada liturgicamente dentro dos limites determinados pela Igreja.
No dia 24 de setembro, o The Dome at America’s Center abrirá as portas às 8h para receber os fiéis. A programação começará com momentos de preparação espiritual, incluindo Adoração Eucarística e atendimento de confissões. Às 10h, está previsto o Celebrate Sheen Show, que reunirá momentos de oração, música e reflexões sobre a vida e o apostolado de Fulton Sheen.
A procissão terá início às 13h30, seguida pela Missa de Beatificação, às 14h, no horário local de St. Louis. Após a celebração, entre 16h e 18h, os fiéis terão a oportunidade de venerar uma relíquia de Fulton Sheen.
Para aqueles que não puderem estar em St. Louis, a cerimônia também poderá ser acompanhada à distância. A organização confirmou a transmissão pela televisão e pela internet, com acesso internacional. Em Peoria, a Catedral de Santa Maria da Imaculada Conceição também transmitirá a Missa, permitindo que os fiéis acompanhem a celebração a partir da cidade profundamente ligada à história e à causa de canonização de Sheen.
Peoria também terá uma programação especial por ocasião da beatificação. Entre 15 e 23 de setembro, a Catedral de Santa Maria da Imaculada Conceição receberá uma novena de Horas Santas, com encontros diários inspirados em diferentes aspectos da espiritualidade e do apostolado de Fulton Sheen. No dia 20, será celebrada ainda uma Missa em memória do aniversário de sua ordenação sacerdotal, realizada naquela mesma catedral em 1919.
Após a beatificação em St. Louis, as celebrações continuarão em Peoria nos dias 25 e 26 de setembro. Estão previstas Missas de ação de graças na catedral e outras atividades dedicadas à vida e ao legado do novo beato. Durante esse período, os peregrinos também poderão visitar seu túmulo e rezar junto aos seus restos mortais, que repousam em uma capela lateral da igreja.
A programação reforça a ligação histórica de Peoria com Fulton Sheen e com sua causa de canonização. Além de ter sido cenário de momentos importantes de sua vida e vocação sacerdotal, a cidade tornou-se um dos principais destinos de peregrinação para os fiéis que desejam conhecer mais de perto sua história.
Que tal conhecer alguns dos livros de Fulton Sheen?
Com a celebração de 24 de setembro, Fulton Sheen passará a ser reconhecido pela Igreja como beato. A partir da beatificação, seu culto público será permitido nos lugares e segundo as modalidades determinadas pela autoridade eclesiástica, incluindo a possibilidade de celebração litúrgica de sua memória dentro desses limites.
A beatificação, no entanto, não equivale à canonização. Enquanto o culto litúrgico de um beato é autorizado de forma limitada, a canonização constitui um pronunciamento definitivo da Igreja sobre sua santidade e estende seu culto à Igreja universal. Por isso, mesmo depois de ser proclamado beato, Fulton Sheen poderá continuar seu caminho em direção à canonização.
Para que isso aconteça, será necessário, em regra, o reconhecimento de um novo milagre atribuído à sua intercessão e ocorrido após a beatificação. O caso deverá ser submetido à investigação prevista pela Igreja, incluindo as avaliações necessárias, antes que a causa possa avançar para uma eventual canonização.
A memória litúrgica do Beato Fulton Sheen será celebrada em 9 de dezembro, data de sua morte, ocorrida em 1979. A escolha segue o costume da Igreja de recordar santos e beatos no dies natalis, expressão que indica o dia de seu nascimento para a vida eterna. A data foi aprovada como memória facultativa e, inicialmente, poderá ser celebrada na Diocese de Peoria.
Essa celebração não será automaticamente estendida a toda a Igreja. Outras dioceses e territórios poderão solicitar ao Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos a autorização necessária para incluir a memória do Beato Fulton Sheen em seus próprios calendários litúrgicos.
A proclamação de Fulton Sheen como beato acrescentará um novo capítulo à história de um sacerdote que dedicou décadas ao anúncio do Evangelho. Conhecê-lo, porém, significa ir além da voz e da imagem que alcançaram milhões de pessoas pelo rádio e pela televisão. É também descobrir a profunda vida espiritual que sustentava seu apostolado, aproximar-se de seus escritos e conhecer seu amor pela Eucaristia, pela Virgem Maria e pela Igreja. Seu testemunho permanece, assim, como um convite a colocar os próprios dons a serviço de Cristo e da evangelização.
Reze a Novena de Fulton Sheen.