Destaques, Formação

As Sete Dores de Maria: o sofrimento da Mãe de Deus e sua missão na Redenção

Conheça as Sete Dores de Maria, qual a sua origem, como praticar esta belíssima devoção e quais as promessas para os devotos.

As Sete Dores de Maria: o sofrimento da Mãe de Deus e sua missão na Redenção
Destaques, Formação

As Sete Dores de Maria: o sofrimento da Mãe de Deus e sua missão na Redenção

Conheça as Sete Dores de Maria, qual a sua origem, como praticar esta belíssima devoção e quais as promessas para os devotos.

Data da Publicação: 14/03/2025
Tempo de leitura:
Autor: Redação Minha Biblioteca Católica
Data da Publicação: 14/03/2025
Tempo de leitura:
Autor: Redação Minha Biblioteca Católica

Conheça as Sete Dores de Maria, qual a sua origem, como praticar esta belíssima devoção e quais as promessas para os devotos.

Maria Santíssima foi escolhida por Deus para ser a Mãe do Salvador, e esta grande missão também trouxe consigo grandes sofrimentos. Desde a Anunciação, quando aceitou livremente o plano divino, até a crucificação de seu Filho, Maria viveu momentos de intensa dor e entrega. A devoção às Sete Dores de Maria nos ajuda a meditar sobre esses episódios dolorosos que marcaram sua vida, permitindo-nos compreender melhor o imenso amor e sacrifício da Mãe de Deus.

Essa devoção tem raízes na tradição da Igreja e foi promovida especialmente pelas Servitas, ordem religiosa fundada no século XIII. Meditar sobre as dores de Maria é uma forma de crescer espiritualmente, unindo-se ao seu sofrimento e aprendendo com seu exemplo de fortaleza e confiança em Deus. Por isso, neste artigo vamos explorar quais são as Sete Dores de Maria, no que consiste esta devoção e como praticá-la.

O que são as Sete Dores de Maria?

As Sete Dores de Maria são eventos específicos da vida da Virgem que causaram profundo sofrimento à sua alma. Esses momentos foram profetizados pelo justo Simeão e vividos por Maria com coragem e submissão à vontade de Deus.

Meditar sobre essas dores aproxima-nos do coração de Nossa Senhora, ensinando-nos a confiar nas disposições divinas mesmo diante das dificuldades. Além disso, cada uma dessas dores revela-nos um aspecto do amor materno de Maria e de sua participação na obra da Redenção.

As Sete Dores de Maria e suas meditações

Cada uma das dores de Maria está ligada a um episódio da vida de Jesus, mostrando-nos que o sofrimento da Mãe estava intimamente unido ao do Filho.

1. A profecia de Simeão (Lucas 2,25-35)

No Templo de Jerusalém, Maria e José levam o Menino Jesus para apresentá-lo a Deus, conforme a Lei mosaica. Ali, o profeta Simeão, movido pelo Espírito Santo, reconhece que Jesus é o Messias esperado e profetiza:

“Eis que este menino foi posto para a queda e para o sorguimento de muitos em Israel, e como um sinal de contradição — e a ti, uma espada transpassará tua alma!” 1

Essa profecia marca o início da missão de sofrimento de Maria ao lado de Cristo. Ao ouvir essas palavras, ela guarda esse acontecimento no coração, como fará outras vezes, e humildemente confia na Providência Divina.

2. A fuga para o Egito (Mateus 2,13-15)

Pouco tempo após o nascimento de Jesus, José recebe em sonho um aviso do anjo: “Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito; fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para o matar.” 2

A cena é profundamente dolorosa: Maria, segurando o Menino em seus braços, deixa para trás sua terra, sua família e tudo o que conhecia, confiando somente no Deus que até ali os havia guiado. A insegurança do caminho, a incerteza sobre o futuro e a hostilidade de uma terra estrangeira faz crescer a sua dor, como profetizado por Simeão, embora não diminua a sua fé.

Essa passagem também nos leva a refletir sobre os milhares de migrantes e refugiados que, ao longo da história, foram obrigados a abandonar seus lares por causa da perseguição, da fome ou da guerra. Assim como a Sagrada Família encontrou refúgio em terras estrangeiras, somos chamados a acolher aqueles que sofrem e a confiar que Deus nunca abandona os seus, mesmo nos exílios da vida.

3. A perda do Menino Jesus no Templo (Lucas 2,41-50)

Quando Jesus tinha 12 anos, Maria e José viajaram até Jerusalém para a festa da Páscoa. Ao retornarem para Nazaré, percebem que Jesus não está entre os parentes e conhecidos. Por três dias, Maria e José procuram aflitos o menino. Maria sofre uma dor indescritível: a ausência de Jesus é para ela um verdadeiro martírio. José, seu fiel guardião, compartilha dessa tribulação, buscando incansavelmente por algum um sinal do menino.

Por fim, encontraram Jesus no Templo, sentado entre os doutores da Lei, ouvindo e ensinando com sabedoria divina. O alívio de Maria é imenso, mas sua dor ainda ressoa em sua voz ao perguntar: “Meu filho, que nos fizeste?! Eis que teu pai e eu andávamos à tua procura, cheios de aflição.” 3 Jesus responde com um mistério que Maria guardará no coração: “Por que me procurá­veis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?” 4

Santo Afonso de Ligório, em seu livro Glórias de Maria, comenta que essa é considerada por muitos a maior dor na vida de Maria, pois, embora nas demais tenha padecido amargamente, estava sempre ao lado de Jesus. Nesta, porém, sofreu longe d’Ele, sem saber onde Ele estava. 5

4. O encontro com Jesus a caminho do Calvário (Lucas 23,27-31)

Maria vê seu Filho desfigurado, carregando a cruz rumo ao Calvário. Diante da brutalidade dos soldados e do peso dos pecados da humanidade, a Virgem Mãe sofre em silêncio, mas não abandona Jesus.

O olhar entre Mãe e Filho neste momento doloroso foi um encontro de amor e sofrimento: “Bateram-se então os vossos olhos, e tornaram-se os vossos olhares inúmeras setas cruéis com que vos feristes um ao outro os corações enamorados.” 6

Muitas mães que enfrentam o sofrimento de seus filhos podem encontrar consolo ao contemplar as dores de Maria. Ela, que viu seu Filho amado, ser rejeitado, humilhado e crucificado, nos ensina a manter a fé mesmo diante das provas mais dolorosas.

5. A crucifixão e morte de Jesus (João 19,25-30)

Maria Santíssima, em pé junto à cruz, contempla seu Filho agonizando, consumindo-se em dores indescritíveis. Sua alma é transpassada pela espada do sofrimento, conforme profetizado por Simeão. 7

Ela vê o Justo ser rejeitado, o Inocente ser condenado, o Filho de Deus ser ultrajado e morrer como um criminoso. Seu coração materno se dilacera ao testemunhar cada suspiro de Jesus, cada gota de sangue derramada, cada palavra pronunciada com esforço e amor.

No ápice do sacrifício, Cristo olha para Maria e para João, o discípulo amado, e pronuncia as palavras: “Mulher, eis aí teu filho”, e a João: “Eis aí tua mãe” (Jo 19,26-27). Com esse gesto, Jesus não apenas entrega Maria ao cuidado de João, mas a constitui Mãe da Igreja e de todos os cristãos. Aos pés da cruz, Maria torna-se mãe espiritual de todos os cristãos, associando-se plenamente à Redenção e acolhendo em seu coração cada filho de Deus.

A cena do Calvário nos ensina que Maria, nossa Mãe, permanece ao nosso lado em todos os momentos, especialmente os de dor. Assim como ela esteve com Cristo em seu sofrimento, está conosco em nossas cruzes diárias, amparando-nos e conduzindo-nos ao Seu Filho amado.

Conheça a festa de Nossa Senhora das Dores.

6. O corpo de Jesus é descido da cruz (Marcos 15,42-46)

Após a morte de Jesus, Maria, que tantas vezes embalou seu Filho na sua infância, agora o segura novamente, mas desta vez sem vida. Seus olhos contemplam as chagas profundas, as marcas da flagelação, a coroa de espinhos cravada naquela cabeça sagrada. Ela vê as mãos que curaram os enfermos e os pés que percorreram caminhos de amor agora imobilizados pela morte.

Essa cena, imortalizada na imagem da Pietà, expressa de maneira sublime a união entre o amor e a dor. Maria, mesmo esmagada pelo sofrimento, não se revolta. Ela oferece silenciosamente seu Filho ao Pai, unindo-se ao sacrifício redentor de Cristo.

O sofrimento de Maria nos faz refletir sobre aqueles que perdem um ente muito querido, principalmente as mães que perdem seus filhos. No entanto, sua dor não é desesperadora, pois sabe que a morte não terá a última palavra.

Quando perdemos alguém que amamos, vivemos um luto intenso, mas podemos encontrar conforto na promessa da vida eterna. O sofrimento do luto nos ensina a valorizar o tempo que tivemos ao lado dos que partiram e a cultivar a esperança de um reencontro na glória de Deus.

Você conhece a celebração da Exaltação da Santa Cruz?

7. O sepultamento de Jesus (Lucas 23,50-56)

Maria acompanha o corpo de Jesus até o túmulo, vivendo uma dor inimaginável. Ela vê seu Filho, o próprio Deus encarnado, ser sepultado e sente o peso da separação. O Sábado Santo torna-se o dia do silêncio, da espera angustiante, mas também da fé inabalável.

Se para os discípulos aquele momento era de dúvida e desespero, para Maria era de dor, mas também de esperança. Ela não compreendia todos os desígnios divinos, mas confiava plenamente em Deus.

Maria nos ensina que, mesmo nos momentos de escuridão, devemos confiar em Deus. No Sábado Santo, em meio à dor e ao silêncio, ela não perdeu a fé. Seu exemplo nos lembra que, quando tudo parece perdido, a esperança em Deus nos sustenta, pois Sua vontade sempre conduz à vitória final.

A devoção às Sete Dores de Maria

A Devoção às Sete Dores de Maria foi promovida pelas Servitas no século XIII. É uma poderosa prática espiritual que nos convida a meditar sobre os sofrimentos da Mãe de Deus. Ela consiste em rezar e meditar cada uma das dores, acompanhadas de um Pai-Nosso e uma Ave-Maria.

Por meio dessa meditação podemos nos unir ao sofrimento de Jesus e de Maria. Além disso, tal prática fortalece-nos espiritualmente; reconhecemos que Maria, como nossa Mãe, intercede por nós e nos auxilia em nossas tribulações, conduzindo-nos sempre para mais perto de seu Filho Jesus.

As promessas de Nossa Senhora para quem medita suas dores

Nossa Senhora revelou à Santa Brígida da Suécia sete promessas para os devotos das suas Dores. Essa devoção, profundamente enraizada na espiritualidade católica, nos convida a unir nossas aflições às de Maria, encontrando nela um modelo de fortaleza e fidelidade a Deus.

Ao contemplarmos seus sofrimentos, aprendemos a perseverar na fé mesmo nas provas, confiando que ela nos acompanha e intercede por nós junto a seu Filho. Com imenso amor materno, Maria promete graças especiais àqueles que acolhem essa devoção com sincera devoção e confiança.

  1. Paz nas dificuldades.
  2. Proteção especial em tempos de tribulação.
  3. Maior compreensão dos mistérios divinos.
  4. Consolo e força nas provações.
  5. Intercessão especial na hora da morte.
  6. Defesa contra os ataques espirituais.
  7. Graça de alcançar a felicidade eterna.

A importância das Sete Dores de Maria na espiritualidade católica

A devoção às Sete Dores de Maria é um convite para meditarmos sobre o sofrimento, mas com uma perspectiva de fé, aprendendo a suportá-lo. Maria, em sua vida, experimentou momentos de dor profunda, mas sempre com confiança inabalável em Deus. Sua entrega e perseverança são um exemplo de como devemos lidar com nossas próprias dificuldades.

Através da meditação dessas dores, aprendemos a suportar o sofrimento com paciência e esperança, unindo-nos aos sofrimentos de Jesus e de Maria. Oferecer nossas dores a Deus, como Maria fez, é um caminho de santificação e de confiança no plano divino. Em cada dor, encontramos uma oportunidade de nos aproximarmos mais de Deus, tornando-nos mais fortes na fé e mais generosos em nossa entrega ao Senhor.

As Sete Dores de Maria são um convite para aprofundar nossa relação com a Mãe de Deus. Por meio dessa devoção, aprendemos a confiar na providência divina, mesmo nos momentos mais difíceis. Maria é um modelo de fé, coragem e entrega, que nos ensina a aceitar a cruz com esperança.

Sua vida é um testemunho de que, mesmo diante da maior dor, a esperança na ressurreição e na promessa divina deve prevalecer. Ela nos convida a segui-la no caminho da cruz, com fé, sabendo que temos o auxílio divino e a ressurreição é uma recompensa final para todos os que perseveram.

Qual o verdadeiro sentido do sofrimento?

Referências

  1. Lc 2,34-35[]
  2. Mt 2, 13[]
  3. Lc 2, 48[]
  4. Lc 2, 49[]
  5. LIGÓRIO, Afonso Maria de, Santo. Glórias de Maria . Trad. Veríssimo Iglesias Anagnostopoulos. Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2018. p.338[]
  6. LIGÓRIO, Afonso Maria de, Santo. Glórias de Maria . Trad. Veríssimo Iglesias Anagnostopoulos. Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2018. p.446[]
  7. Lc 2,35[]

Redação Minha Biblioteca Católica

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O que você vai encontrar neste artigo?

Conheça as Sete Dores de Maria, qual a sua origem, como praticar esta belíssima devoção e quais as promessas para os devotos.

Maria Santíssima foi escolhida por Deus para ser a Mãe do Salvador, e esta grande missão também trouxe consigo grandes sofrimentos. Desde a Anunciação, quando aceitou livremente o plano divino, até a crucificação de seu Filho, Maria viveu momentos de intensa dor e entrega. A devoção às Sete Dores de Maria nos ajuda a meditar sobre esses episódios dolorosos que marcaram sua vida, permitindo-nos compreender melhor o imenso amor e sacrifício da Mãe de Deus.

Essa devoção tem raízes na tradição da Igreja e foi promovida especialmente pelas Servitas, ordem religiosa fundada no século XIII. Meditar sobre as dores de Maria é uma forma de crescer espiritualmente, unindo-se ao seu sofrimento e aprendendo com seu exemplo de fortaleza e confiança em Deus. Por isso, neste artigo vamos explorar quais são as Sete Dores de Maria, no que consiste esta devoção e como praticá-la.

O que são as Sete Dores de Maria?

As Sete Dores de Maria são eventos específicos da vida da Virgem que causaram profundo sofrimento à sua alma. Esses momentos foram profetizados pelo justo Simeão e vividos por Maria com coragem e submissão à vontade de Deus.

Meditar sobre essas dores aproxima-nos do coração de Nossa Senhora, ensinando-nos a confiar nas disposições divinas mesmo diante das dificuldades. Além disso, cada uma dessas dores revela-nos um aspecto do amor materno de Maria e de sua participação na obra da Redenção.

As Sete Dores de Maria e suas meditações

Cada uma das dores de Maria está ligada a um episódio da vida de Jesus, mostrando-nos que o sofrimento da Mãe estava intimamente unido ao do Filho.

1. A profecia de Simeão (Lucas 2,25-35)

No Templo de Jerusalém, Maria e José levam o Menino Jesus para apresentá-lo a Deus, conforme a Lei mosaica. Ali, o profeta Simeão, movido pelo Espírito Santo, reconhece que Jesus é o Messias esperado e profetiza:

“Eis que este menino foi posto para a queda e para o sorguimento de muitos em Israel, e como um sinal de contradição — e a ti, uma espada transpassará tua alma!” 1

Essa profecia marca o início da missão de sofrimento de Maria ao lado de Cristo. Ao ouvir essas palavras, ela guarda esse acontecimento no coração, como fará outras vezes, e humildemente confia na Providência Divina.

2. A fuga para o Egito (Mateus 2,13-15)

Pouco tempo após o nascimento de Jesus, José recebe em sonho um aviso do anjo: “Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito; fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para o matar.” 2

A cena é profundamente dolorosa: Maria, segurando o Menino em seus braços, deixa para trás sua terra, sua família e tudo o que conhecia, confiando somente no Deus que até ali os havia guiado. A insegurança do caminho, a incerteza sobre o futuro e a hostilidade de uma terra estrangeira faz crescer a sua dor, como profetizado por Simeão, embora não diminua a sua fé.

Essa passagem também nos leva a refletir sobre os milhares de migrantes e refugiados que, ao longo da história, foram obrigados a abandonar seus lares por causa da perseguição, da fome ou da guerra. Assim como a Sagrada Família encontrou refúgio em terras estrangeiras, somos chamados a acolher aqueles que sofrem e a confiar que Deus nunca abandona os seus, mesmo nos exílios da vida.

3. A perda do Menino Jesus no Templo (Lucas 2,41-50)

Quando Jesus tinha 12 anos, Maria e José viajaram até Jerusalém para a festa da Páscoa. Ao retornarem para Nazaré, percebem que Jesus não está entre os parentes e conhecidos. Por três dias, Maria e José procuram aflitos o menino. Maria sofre uma dor indescritível: a ausência de Jesus é para ela um verdadeiro martírio. José, seu fiel guardião, compartilha dessa tribulação, buscando incansavelmente por algum um sinal do menino.

Por fim, encontraram Jesus no Templo, sentado entre os doutores da Lei, ouvindo e ensinando com sabedoria divina. O alívio de Maria é imenso, mas sua dor ainda ressoa em sua voz ao perguntar: “Meu filho, que nos fizeste?! Eis que teu pai e eu andávamos à tua procura, cheios de aflição.” 3 Jesus responde com um mistério que Maria guardará no coração: “Por que me procurá­veis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?” 4

Santo Afonso de Ligório, em seu livro Glórias de Maria, comenta que essa é considerada por muitos a maior dor na vida de Maria, pois, embora nas demais tenha padecido amargamente, estava sempre ao lado de Jesus. Nesta, porém, sofreu longe d’Ele, sem saber onde Ele estava. 5

4. O encontro com Jesus a caminho do Calvário (Lucas 23,27-31)

Maria vê seu Filho desfigurado, carregando a cruz rumo ao Calvário. Diante da brutalidade dos soldados e do peso dos pecados da humanidade, a Virgem Mãe sofre em silêncio, mas não abandona Jesus.

O olhar entre Mãe e Filho neste momento doloroso foi um encontro de amor e sofrimento: “Bateram-se então os vossos olhos, e tornaram-se os vossos olhares inúmeras setas cruéis com que vos feristes um ao outro os corações enamorados.” 6

Muitas mães que enfrentam o sofrimento de seus filhos podem encontrar consolo ao contemplar as dores de Maria. Ela, que viu seu Filho amado, ser rejeitado, humilhado e crucificado, nos ensina a manter a fé mesmo diante das provas mais dolorosas.

5. A crucifixão e morte de Jesus (João 19,25-30)

Maria Santíssima, em pé junto à cruz, contempla seu Filho agonizando, consumindo-se em dores indescritíveis. Sua alma é transpassada pela espada do sofrimento, conforme profetizado por Simeão. 7

Ela vê o Justo ser rejeitado, o Inocente ser condenado, o Filho de Deus ser ultrajado e morrer como um criminoso. Seu coração materno se dilacera ao testemunhar cada suspiro de Jesus, cada gota de sangue derramada, cada palavra pronunciada com esforço e amor.

No ápice do sacrifício, Cristo olha para Maria e para João, o discípulo amado, e pronuncia as palavras: “Mulher, eis aí teu filho”, e a João: “Eis aí tua mãe” (Jo 19,26-27). Com esse gesto, Jesus não apenas entrega Maria ao cuidado de João, mas a constitui Mãe da Igreja e de todos os cristãos. Aos pés da cruz, Maria torna-se mãe espiritual de todos os cristãos, associando-se plenamente à Redenção e acolhendo em seu coração cada filho de Deus.

A cena do Calvário nos ensina que Maria, nossa Mãe, permanece ao nosso lado em todos os momentos, especialmente os de dor. Assim como ela esteve com Cristo em seu sofrimento, está conosco em nossas cruzes diárias, amparando-nos e conduzindo-nos ao Seu Filho amado.

Conheça a festa de Nossa Senhora das Dores.

6. O corpo de Jesus é descido da cruz (Marcos 15,42-46)

Após a morte de Jesus, Maria, que tantas vezes embalou seu Filho na sua infância, agora o segura novamente, mas desta vez sem vida. Seus olhos contemplam as chagas profundas, as marcas da flagelação, a coroa de espinhos cravada naquela cabeça sagrada. Ela vê as mãos que curaram os enfermos e os pés que percorreram caminhos de amor agora imobilizados pela morte.

Essa cena, imortalizada na imagem da Pietà, expressa de maneira sublime a união entre o amor e a dor. Maria, mesmo esmagada pelo sofrimento, não se revolta. Ela oferece silenciosamente seu Filho ao Pai, unindo-se ao sacrifício redentor de Cristo.

O sofrimento de Maria nos faz refletir sobre aqueles que perdem um ente muito querido, principalmente as mães que perdem seus filhos. No entanto, sua dor não é desesperadora, pois sabe que a morte não terá a última palavra.

Quando perdemos alguém que amamos, vivemos um luto intenso, mas podemos encontrar conforto na promessa da vida eterna. O sofrimento do luto nos ensina a valorizar o tempo que tivemos ao lado dos que partiram e a cultivar a esperança de um reencontro na glória de Deus.

Você conhece a celebração da Exaltação da Santa Cruz?

7. O sepultamento de Jesus (Lucas 23,50-56)

Maria acompanha o corpo de Jesus até o túmulo, vivendo uma dor inimaginável. Ela vê seu Filho, o próprio Deus encarnado, ser sepultado e sente o peso da separação. O Sábado Santo torna-se o dia do silêncio, da espera angustiante, mas também da fé inabalável.

Se para os discípulos aquele momento era de dúvida e desespero, para Maria era de dor, mas também de esperança. Ela não compreendia todos os desígnios divinos, mas confiava plenamente em Deus.

Maria nos ensina que, mesmo nos momentos de escuridão, devemos confiar em Deus. No Sábado Santo, em meio à dor e ao silêncio, ela não perdeu a fé. Seu exemplo nos lembra que, quando tudo parece perdido, a esperança em Deus nos sustenta, pois Sua vontade sempre conduz à vitória final.

A devoção às Sete Dores de Maria

A Devoção às Sete Dores de Maria foi promovida pelas Servitas no século XIII. É uma poderosa prática espiritual que nos convida a meditar sobre os sofrimentos da Mãe de Deus. Ela consiste em rezar e meditar cada uma das dores, acompanhadas de um Pai-Nosso e uma Ave-Maria.

Por meio dessa meditação podemos nos unir ao sofrimento de Jesus e de Maria. Além disso, tal prática fortalece-nos espiritualmente; reconhecemos que Maria, como nossa Mãe, intercede por nós e nos auxilia em nossas tribulações, conduzindo-nos sempre para mais perto de seu Filho Jesus.

As promessas de Nossa Senhora para quem medita suas dores

Nossa Senhora revelou à Santa Brígida da Suécia sete promessas para os devotos das suas Dores. Essa devoção, profundamente enraizada na espiritualidade católica, nos convida a unir nossas aflições às de Maria, encontrando nela um modelo de fortaleza e fidelidade a Deus.

Ao contemplarmos seus sofrimentos, aprendemos a perseverar na fé mesmo nas provas, confiando que ela nos acompanha e intercede por nós junto a seu Filho. Com imenso amor materno, Maria promete graças especiais àqueles que acolhem essa devoção com sincera devoção e confiança.

  1. Paz nas dificuldades.
  2. Proteção especial em tempos de tribulação.
  3. Maior compreensão dos mistérios divinos.
  4. Consolo e força nas provações.
  5. Intercessão especial na hora da morte.
  6. Defesa contra os ataques espirituais.
  7. Graça de alcançar a felicidade eterna.

A importância das Sete Dores de Maria na espiritualidade católica

A devoção às Sete Dores de Maria é um convite para meditarmos sobre o sofrimento, mas com uma perspectiva de fé, aprendendo a suportá-lo. Maria, em sua vida, experimentou momentos de dor profunda, mas sempre com confiança inabalável em Deus. Sua entrega e perseverança são um exemplo de como devemos lidar com nossas próprias dificuldades.

Através da meditação dessas dores, aprendemos a suportar o sofrimento com paciência e esperança, unindo-nos aos sofrimentos de Jesus e de Maria. Oferecer nossas dores a Deus, como Maria fez, é um caminho de santificação e de confiança no plano divino. Em cada dor, encontramos uma oportunidade de nos aproximarmos mais de Deus, tornando-nos mais fortes na fé e mais generosos em nossa entrega ao Senhor.

As Sete Dores de Maria são um convite para aprofundar nossa relação com a Mãe de Deus. Por meio dessa devoção, aprendemos a confiar na providência divina, mesmo nos momentos mais difíceis. Maria é um modelo de fé, coragem e entrega, que nos ensina a aceitar a cruz com esperança.

Sua vida é um testemunho de que, mesmo diante da maior dor, a esperança na ressurreição e na promessa divina deve prevalecer. Ela nos convida a segui-la no caminho da cruz, com fé, sabendo que temos o auxílio divino e a ressurreição é uma recompensa final para todos os que perseveram.

Qual o verdadeiro sentido do sofrimento?

Referências

  1. Lc 2,34-35[]
  2. Mt 2, 13[]
  3. Lc 2, 48[]
  4. Lc 2, 49[]
  5. LIGÓRIO, Afonso Maria de, Santo. Glórias de Maria . Trad. Veríssimo Iglesias Anagnostopoulos. Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2018. p.338[]
  6. LIGÓRIO, Afonso Maria de, Santo. Glórias de Maria . Trad. Veríssimo Iglesias Anagnostopoulos. Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2018. p.446[]
  7. Lc 2,35[]

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