Destaque, Formação

Quais são as etapas do processo de beatificação e canonização na Igreja Católica?

Conheça as etapas do processo de beatificação e canonização na Igreja Católica e a importância desses reconhecimentos na vida dos fiéis.

Quais são as etapas do processo de beatificação e canonização na Igreja Católica?
Destaque, Formação

Quais são as etapas do processo de beatificação e canonização na Igreja Católica?

Conheça as etapas do processo de beatificação e canonização na Igreja Católica e a importância desses reconhecimentos na vida dos fiéis.

Data da Publicação: 04/02/2025
Tempo de leitura:
Autor: Redação Minha Biblioteca Católica
Data da Publicação: 04/02/2025
Tempo de leitura:
Autor: Redação Minha Biblioteca Católica

Conheça as etapas do processo de beatificação e canonização na Igreja Católica e a importância desses reconhecimentos na vida dos fiéis.

A Igreja Católica conta com um processo rigoroso para declarar oficialmente a santidade de uma pessoa, envolvendo as etapas de beatificação e canonização. Esses processos não apenas confirmam a virtude extraordinária dos candidatos, mas também se apresentam como modelos de fé e virtude para toda a Igreja.

Através dessas declarações, a Igreja reforça o compromisso com os valores do Evangelho e oferece aos cristãos exemplos concretos de como a graça de Deus pode transformar a nossa vida, incentivando uma vivência mais autêntica da fé. Neste artigo, exploraremos as etapas desse processo e a importância de cada fase no reconhecimento da santidade.

O que é beatificação e canonização?

A beatificação e a canonização são passos importantes no reconhecimento da santidade de um fiel, mas possuem naturezas distintas que refletem graus diferentes no reconhecimento da Igreja. A beatificação é, por assim dizer, um primeiro olhar a respeito da virtude. Nesse estágio, a Igreja, com cautela e discernimento, permite que um culto público seja dedicado a uma pessoa em uma região — geralmente na do próprio beato — diocese, nação ou comunidade específica. É como se dissesse: “Aqui há um exemplo a ser contemplado, uma vida que aponta para Deus”.

Já a canonização eleva esse reconhecimento a um patamar definitivo. Nesse momento, o Papa, com sua autoridade de sucessor de Pedro, afirma de forma definitiva que aquela pessoa não apenas alcançou a glória do céu, mas que sua vida é um modelo universal de santidade. É uma declaração solene e definitiva de que uma pessoa está no céu e viveu uma vida de virtudes heroicas dignas de ser imitadas por todos os fiéis.

Em suma, a beatificação é um reconhecimento local, enquanto a canonização é um chamado ao mundo inteiro para admirar e seguir um exemplo de santidade.

Conheça a vida do Beato Pier Giorgio Frassati.

A evolução histórica das etapas processo de beatificação e canonização

Nos primeiros séculos do cristianismo, o reconhecimento da santidade era uma expressão espontânea da comunidade cristã local. Os mártires, aqueles que deram a vida por Cristo, eram venerados imediatamente após sua morte, com sua memória preservada em celebrações litúrgicas e registros históricos. Esse processo inicial, embora sincero, carecia de critérios formais e consistentes.

Com o crescimento da Igreja, tornou-se necessário formalizar esses reconhecimentos. No século X, o Papa João XV distribuiu o primeiro processo formal de canonização, mas só no século XII, o Papa Alexandre III centralizou no Papa a decisão sobre canonizações. Foi uma medida decisiva para evitar abusos e garantir a proteção do culto aos santos.

A evolução culminou no século XVI, quando o Papa Sisto V criou a Congregação dos Ritos, precursora da atual Congregação para as Causas dos Santos. Este órgão passou a investigar rigorosamente os milagres e as virtudes heroicas atribuídas aos candidatos. No século XX, o Papa São João Paulo II revisou as normas com a constituição apostólica Divinus Perfectionis Magister, de 1983, sem prejudicar a sua profundidade.

Esse percurso revela a sabedoria da Igreja em preservar a verdade e a fé, garantindo que cada santo reconhecido seja uma luz autêntica para os cristãos.

As etapas do processo de beatificação e canonização

O reconhecimento da santidade na Igreja Católica é um processo profundo e rigoroso, composto por várias etapas que refletem a busca pela verdade e fidelidade à doutrina. Tudo começa em nível local, com a investigação sobre a vida e as virtudes do candidato, e culmina com a proclamação universal feita pelo Papa. Cada fase é marcada por discernimento, oração e análise minuciosa, guiada pela Congregação para as Causas dos Santos.

Fama de santidade e Servo de Deus

O processo inicia-se quando o candidato é conhecido por sua “fama de santidade”, ou seja, por ser extremamente reconhecido como alguém que viveu uma vida exemplar. O bispo da diocese local, após consulta e aprovação da Santa Sé, dá início à investigação formal. Essa etapa reúne testemunhos, escritos e provas documentais que comprovam a santidade ou o martírio do fiel, que então recebe o título de Servo de Deus.

Venerável: reconhecimento das virtudes heroicas

Após a investigação inicial, o caso é transferido para a Congregação para as Causas dos Santos, no Vaticano. Com base nos documentos enviados, teólogos e cardeais avaliam se o Servo de Deus praticou as virtudes cristãs em grau heroico. Caso o Papa reconheça isso, o candidato é declarado Venerável, um importante passo rumo à beatificação.

Conheça esse processo na vida de Guido Schäffer: médico, surfista e agora venerável.

Beatificação: comprovação do milagre

A beatificação é uma etapa fundamental no processo de canonização, marcada pela comprovação de um milagre atribuído à intercessão do candidato à santidade, exceto no caso dos mártires, onde o martírio em si é considerado prova suficiente. O milagre deve ser um evento extraordinário, geralmente uma cura, que não encontra explicação científica plausível.

O processo de análise do milagre é rigoroso e dividido em duas etapas principais: a científica e a teológica. Em primeiro lugar, especialistas médicos, geralmente organizados por uma comissão, avaliam detalhadamente os dados clínicos, os exames e o histórico do evento. Eles precisam atestar que a cura ou fenômeno não pode ser explicado pelas leis naturais conhecidas.

Após a aprovação médica, o caso é submetido à análise teológica, que examina se o milagre pode ser atribuído legitimamente à intercessão do Venerável. Isso inclui avaliar a relação entre as orações dirigidas ao candidato e o evento milagroso.

Se o milagre é reconhecido, o Papa pode emitir o decreto de beatificação, permitindo o culto público ao Beato em um âmbito mais local ou regional. A beatificação, portanto, é um passo essencial para confirmar a santidade do candidato e incentivar a devoção popular.

Confira aqui a homilia da da beatificação de São José Sánchez del Río.

Canonização: proclamação de santidade

A canonização é o ponto culminante do processo que reconhece oficialmente um Beato como santo, propondo-o como modelo universal de santidade para toda a Igreja. Exceto no caso dos mártires, é indispensável a comprovação de um segundo milagre atribuído à intercessão do Beato. Este milagre, como no processo de beatificação, deve ser examinado e aprovado por peritos médicos e teólogos, garantindo sua relação e ligação direta com a intercessão do candidato.

Uma vez cumpridas essas etapas, o Papa preside uma celebração solene de canonização, geralmente realizada na Praça de São Pedro, reunindo fiéis de todo o mundo. Durante o rito, o Pontífice declara oficialmente a santidade do candidato, reafirmando seu papel como intercessor junto a Deus e exemplo de virtude cristã.

Este ato é definitivo e irreformável, conforme delineado pela Constituição Apostólica Divinus Perfectionis Magister. Ele reflete o compromisso da Igreja em garantir que os santos proclamados sejam modelos autênticos de fé e vida cristã. A canonização não apenas fortalece a comunhão dos fiéis, mas também reitera a esperança da glória eterna, inspirando todos os cristãos a seguirem o exemplo dos santos na vivência do Evangelho.

Conheça a homilia do papa Pio XI pela Canonização de Santa Teresinha do Menino Jesus.

Por que são necessários milagres?

Os milagres no processo de beatificação e canonização possuem um papel central como sinal da aprovação divina. Eles são entendidos pela Igreja como uma confirmação celestial de que o candidato está na glória de Deus e intercede eficazmente pelos fiéis na terra. A exigência de milagres reflete a crença de que a santidade deve ser atestada não apenas por critérios humanos, mas também pela manifestação do poder de Deus.

Para que um milagre seja considerado válido, é necessária uma análise rigorosa. Inicialmente, peritos médicos avaliam se há uma explicação científica para o ocorrido. Quando a ciência não pode oferecer uma justificativa plausível, o caso é submetido à análise teológica, que verifica se o milagre está ligado à intercessão específica do candidato à santidade.

Além disso, esse processo inclui depoimentos de pessoas envolvidas e uma profunda investigação da Congregação para as Causas dos Santos.

Os milagres, muitas vezes curas inexplicáveis, reforçam a comunhão entre o céu e a terra, demonstrando que a santidade transcende a vida terrena. Eles são sinais extraordinários que confirmam a ação de Deus na história e a autenticidade da fé da Igreja em proclamar novos santos.

As canonizações são infalíveis?

A Igreja nos ensina que

O grau supremo na participação da autoridade de Cristo está garantido pelo carisma da infalibilidade. Esta «é tão ampla quanto o depósito da Revelação divina»; e estende-se também a todos os elementos de doutrina, mesmo moral, sem os quais as verdades salvíficas da fé não podem ser guardadas, expostas e observadas. 1

A questão da infalibilidade nas canonizações remonta ao entendimento de que estes são atos solenes em que a Igreja declara, de forma definitiva, que determinada pessoa alcançou a visão beatífica e pode ser venerada por toda a comunidade de fiéis. O consenso entre teólogos é amplamente favorável à ideia de que as canonizações são infalíveis, uma posição que se fundamenta no ensino da Igreja e na severidade do processo que antecede tais declarações. 2

Santo Tomás de Aquino, por exemplo, afirmou que a honra prestada aos santos está diretamente relacionada à confissão de fé na glória celestial. Essa perspectiva é corroborada por teólogos como Melchor Cano e Suarez, além de ser defendida em manuais de teologia como os de Ludwig Ott e Bernhard Bartmann, que apontam a canonização como uma decisão também pertencente ao campo da infalibilidade. 2

Ainda que existam vozes questionando certos aspectos dos processos realizados após o Concílio Vaticano II, a posição majoritária considera que a infalibilidade das canonizações é um ponto de segurança e confiança para os fiéis, refletindo o rigor e a autoridade do Magistério em discernir quem merece a honra dos altares.

Exemplos recentes de beatificação e canonização

Nos últimos anos, a Igreja Católica apresentou ao mundo exemplos inspiradores de santidade através de beatificações e canonizações. Entre eles, destaca-se Carlo Acutis, jovem italiano beatificado em 2020. Apaixonado pela Eucaristia e com grande aptidão para a tecnologia, ele utilizou sua habilidade com computadores para criar um site sobre milagres eucarísticos. Seu testemunho de fé demonstra como a santidade é possível mesmo na juventude e no contexto do mundo moderno.

Outro exemplo marcante é São João Paulo II, canonizado em 2014. Como Papa, ele deixou um legado profundo de espiritualidade, coragem e defesa da dignidade humana, sendo reconhecido por seu papel na queda do Muro de Berlim e pela promoção do diálogo inter-religioso.

Já no Brasil, temos Santa Dulce dos Pobres, a primeira santa brasileira, canonizada em 2019. Conhecida como “O Anjo Bom da Bahia”, dedicou sua vida ao cuidado dos pobres e enfermos, fundando obras sociais que continuam impactando milhares de pessoas.

Essas figuras exemplares de fé, caridade e perseverança lembram a todos os cristãos que a santidade não é privilégio de poucos, mas um chamado universal que pode ser vívido em qualquer estado de vida.

Referências

  1. CIC, 2035[]
  2. Arraiz, José Miguel. As canonizações são infalíveis? Disponível em: <https://apologistascatolicos.com.br/as-canonizacoes-sao-infaliveis/> Desde: 12/07/2013. Traduzido por: Rafael Rodrigues[][]

Redação Minha Biblioteca Católica

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Conheça as etapas do processo de beatificação e canonização na Igreja Católica e a importância desses reconhecimentos na vida dos fiéis.

A Igreja Católica conta com um processo rigoroso para declarar oficialmente a santidade de uma pessoa, envolvendo as etapas de beatificação e canonização. Esses processos não apenas confirmam a virtude extraordinária dos candidatos, mas também se apresentam como modelos de fé e virtude para toda a Igreja.

Através dessas declarações, a Igreja reforça o compromisso com os valores do Evangelho e oferece aos cristãos exemplos concretos de como a graça de Deus pode transformar a nossa vida, incentivando uma vivência mais autêntica da fé. Neste artigo, exploraremos as etapas desse processo e a importância de cada fase no reconhecimento da santidade.

O que é beatificação e canonização?

A beatificação e a canonização são passos importantes no reconhecimento da santidade de um fiel, mas possuem naturezas distintas que refletem graus diferentes no reconhecimento da Igreja. A beatificação é, por assim dizer, um primeiro olhar a respeito da virtude. Nesse estágio, a Igreja, com cautela e discernimento, permite que um culto público seja dedicado a uma pessoa em uma região — geralmente na do próprio beato — diocese, nação ou comunidade específica. É como se dissesse: “Aqui há um exemplo a ser contemplado, uma vida que aponta para Deus”.

Já a canonização eleva esse reconhecimento a um patamar definitivo. Nesse momento, o Papa, com sua autoridade de sucessor de Pedro, afirma de forma definitiva que aquela pessoa não apenas alcançou a glória do céu, mas que sua vida é um modelo universal de santidade. É uma declaração solene e definitiva de que uma pessoa está no céu e viveu uma vida de virtudes heroicas dignas de ser imitadas por todos os fiéis.

Em suma, a beatificação é um reconhecimento local, enquanto a canonização é um chamado ao mundo inteiro para admirar e seguir um exemplo de santidade.

Conheça a vida do Beato Pier Giorgio Frassati.

A evolução histórica das etapas processo de beatificação e canonização

Nos primeiros séculos do cristianismo, o reconhecimento da santidade era uma expressão espontânea da comunidade cristã local. Os mártires, aqueles que deram a vida por Cristo, eram venerados imediatamente após sua morte, com sua memória preservada em celebrações litúrgicas e registros históricos. Esse processo inicial, embora sincero, carecia de critérios formais e consistentes.

Com o crescimento da Igreja, tornou-se necessário formalizar esses reconhecimentos. No século X, o Papa João XV distribuiu o primeiro processo formal de canonização, mas só no século XII, o Papa Alexandre III centralizou no Papa a decisão sobre canonizações. Foi uma medida decisiva para evitar abusos e garantir a proteção do culto aos santos.

A evolução culminou no século XVI, quando o Papa Sisto V criou a Congregação dos Ritos, precursora da atual Congregação para as Causas dos Santos. Este órgão passou a investigar rigorosamente os milagres e as virtudes heroicas atribuídas aos candidatos. No século XX, o Papa São João Paulo II revisou as normas com a constituição apostólica Divinus Perfectionis Magister, de 1983, sem prejudicar a sua profundidade.

Esse percurso revela a sabedoria da Igreja em preservar a verdade e a fé, garantindo que cada santo reconhecido seja uma luz autêntica para os cristãos.

As etapas do processo de beatificação e canonização

O reconhecimento da santidade na Igreja Católica é um processo profundo e rigoroso, composto por várias etapas que refletem a busca pela verdade e fidelidade à doutrina. Tudo começa em nível local, com a investigação sobre a vida e as virtudes do candidato, e culmina com a proclamação universal feita pelo Papa. Cada fase é marcada por discernimento, oração e análise minuciosa, guiada pela Congregação para as Causas dos Santos.

Fama de santidade e Servo de Deus

O processo inicia-se quando o candidato é conhecido por sua “fama de santidade”, ou seja, por ser extremamente reconhecido como alguém que viveu uma vida exemplar. O bispo da diocese local, após consulta e aprovação da Santa Sé, dá início à investigação formal. Essa etapa reúne testemunhos, escritos e provas documentais que comprovam a santidade ou o martírio do fiel, que então recebe o título de Servo de Deus.

Venerável: reconhecimento das virtudes heroicas

Após a investigação inicial, o caso é transferido para a Congregação para as Causas dos Santos, no Vaticano. Com base nos documentos enviados, teólogos e cardeais avaliam se o Servo de Deus praticou as virtudes cristãs em grau heroico. Caso o Papa reconheça isso, o candidato é declarado Venerável, um importante passo rumo à beatificação.

Conheça esse processo na vida de Guido Schäffer: médico, surfista e agora venerável.

Beatificação: comprovação do milagre

A beatificação é uma etapa fundamental no processo de canonização, marcada pela comprovação de um milagre atribuído à intercessão do candidato à santidade, exceto no caso dos mártires, onde o martírio em si é considerado prova suficiente. O milagre deve ser um evento extraordinário, geralmente uma cura, que não encontra explicação científica plausível.

O processo de análise do milagre é rigoroso e dividido em duas etapas principais: a científica e a teológica. Em primeiro lugar, especialistas médicos, geralmente organizados por uma comissão, avaliam detalhadamente os dados clínicos, os exames e o histórico do evento. Eles precisam atestar que a cura ou fenômeno não pode ser explicado pelas leis naturais conhecidas.

Após a aprovação médica, o caso é submetido à análise teológica, que examina se o milagre pode ser atribuído legitimamente à intercessão do Venerável. Isso inclui avaliar a relação entre as orações dirigidas ao candidato e o evento milagroso.

Se o milagre é reconhecido, o Papa pode emitir o decreto de beatificação, permitindo o culto público ao Beato em um âmbito mais local ou regional. A beatificação, portanto, é um passo essencial para confirmar a santidade do candidato e incentivar a devoção popular.

Confira aqui a homilia da da beatificação de São José Sánchez del Río.

Canonização: proclamação de santidade

A canonização é o ponto culminante do processo que reconhece oficialmente um Beato como santo, propondo-o como modelo universal de santidade para toda a Igreja. Exceto no caso dos mártires, é indispensável a comprovação de um segundo milagre atribuído à intercessão do Beato. Este milagre, como no processo de beatificação, deve ser examinado e aprovado por peritos médicos e teólogos, garantindo sua relação e ligação direta com a intercessão do candidato.

Uma vez cumpridas essas etapas, o Papa preside uma celebração solene de canonização, geralmente realizada na Praça de São Pedro, reunindo fiéis de todo o mundo. Durante o rito, o Pontífice declara oficialmente a santidade do candidato, reafirmando seu papel como intercessor junto a Deus e exemplo de virtude cristã.

Este ato é definitivo e irreformável, conforme delineado pela Constituição Apostólica Divinus Perfectionis Magister. Ele reflete o compromisso da Igreja em garantir que os santos proclamados sejam modelos autênticos de fé e vida cristã. A canonização não apenas fortalece a comunhão dos fiéis, mas também reitera a esperança da glória eterna, inspirando todos os cristãos a seguirem o exemplo dos santos na vivência do Evangelho.

Conheça a homilia do papa Pio XI pela Canonização de Santa Teresinha do Menino Jesus.

Por que são necessários milagres?

Os milagres no processo de beatificação e canonização possuem um papel central como sinal da aprovação divina. Eles são entendidos pela Igreja como uma confirmação celestial de que o candidato está na glória de Deus e intercede eficazmente pelos fiéis na terra. A exigência de milagres reflete a crença de que a santidade deve ser atestada não apenas por critérios humanos, mas também pela manifestação do poder de Deus.

Para que um milagre seja considerado válido, é necessária uma análise rigorosa. Inicialmente, peritos médicos avaliam se há uma explicação científica para o ocorrido. Quando a ciência não pode oferecer uma justificativa plausível, o caso é submetido à análise teológica, que verifica se o milagre está ligado à intercessão específica do candidato à santidade.

Além disso, esse processo inclui depoimentos de pessoas envolvidas e uma profunda investigação da Congregação para as Causas dos Santos.

Os milagres, muitas vezes curas inexplicáveis, reforçam a comunhão entre o céu e a terra, demonstrando que a santidade transcende a vida terrena. Eles são sinais extraordinários que confirmam a ação de Deus na história e a autenticidade da fé da Igreja em proclamar novos santos.

As canonizações são infalíveis?

A Igreja nos ensina que

O grau supremo na participação da autoridade de Cristo está garantido pelo carisma da infalibilidade. Esta «é tão ampla quanto o depósito da Revelação divina»; e estende-se também a todos os elementos de doutrina, mesmo moral, sem os quais as verdades salvíficas da fé não podem ser guardadas, expostas e observadas. 1

A questão da infalibilidade nas canonizações remonta ao entendimento de que estes são atos solenes em que a Igreja declara, de forma definitiva, que determinada pessoa alcançou a visão beatífica e pode ser venerada por toda a comunidade de fiéis. O consenso entre teólogos é amplamente favorável à ideia de que as canonizações são infalíveis, uma posição que se fundamenta no ensino da Igreja e na severidade do processo que antecede tais declarações. 2

Santo Tomás de Aquino, por exemplo, afirmou que a honra prestada aos santos está diretamente relacionada à confissão de fé na glória celestial. Essa perspectiva é corroborada por teólogos como Melchor Cano e Suarez, além de ser defendida em manuais de teologia como os de Ludwig Ott e Bernhard Bartmann, que apontam a canonização como uma decisão também pertencente ao campo da infalibilidade. 2

Ainda que existam vozes questionando certos aspectos dos processos realizados após o Concílio Vaticano II, a posição majoritária considera que a infalibilidade das canonizações é um ponto de segurança e confiança para os fiéis, refletindo o rigor e a autoridade do Magistério em discernir quem merece a honra dos altares.

Exemplos recentes de beatificação e canonização

Nos últimos anos, a Igreja Católica apresentou ao mundo exemplos inspiradores de santidade através de beatificações e canonizações. Entre eles, destaca-se Carlo Acutis, jovem italiano beatificado em 2020. Apaixonado pela Eucaristia e com grande aptidão para a tecnologia, ele utilizou sua habilidade com computadores para criar um site sobre milagres eucarísticos. Seu testemunho de fé demonstra como a santidade é possível mesmo na juventude e no contexto do mundo moderno.

Outro exemplo marcante é São João Paulo II, canonizado em 2014. Como Papa, ele deixou um legado profundo de espiritualidade, coragem e defesa da dignidade humana, sendo reconhecido por seu papel na queda do Muro de Berlim e pela promoção do diálogo inter-religioso.

Já no Brasil, temos Santa Dulce dos Pobres, a primeira santa brasileira, canonizada em 2019. Conhecida como “O Anjo Bom da Bahia”, dedicou sua vida ao cuidado dos pobres e enfermos, fundando obras sociais que continuam impactando milhares de pessoas.

Essas figuras exemplares de fé, caridade e perseverança lembram a todos os cristãos que a santidade não é privilégio de poucos, mas um chamado universal que pode ser vívido em qualquer estado de vida.

Referências

  1. CIC, 2035[]
  2. Arraiz, José Miguel. As canonizações são infalíveis? Disponível em: <https://apologistascatolicos.com.br/as-canonizacoes-sao-infaliveis/> Desde: 12/07/2013. Traduzido por: Rafael Rodrigues[][]

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