Saiba o significado do jejum na Bíblia, com exemplos do Antigo e do Novo Testamento e a importância dessa prática espiritual nos dias atuais.
Saiba o significado do jejum na Bíblia, com exemplos do Antigo e do Novo Testamento e a importância dessa prática espiritual nos dias atuais.
O jejum é uma prática espiritual amplamente testemunhada ao longo das Escrituras, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Ao refletirmos sobre o jejum na Bíblia, encontramos não apenas atos de renúncia alimentar, mas gestos profundos de penitência, súplica e busca sincera de Deus. Neste artigo, vamos entender o que é o jejum, onde ele aparece na Bíblia, quais são seus significados espirituais e como podemos aplicá-lo à nossa vida de fé.
Na tradição cristã, o jejum é mais do que uma simples abstinência alimentar: trata-se de uma prática espiritual com o objetivo de purificação interior, humildade e maior liberdade do coração diante de Deus.
Diferente de dietas ou práticas meramente ascéticas, o jejum cristão é um meio — nunca um fim — para disciplinar a liberdade e submeter o corpo ao espírito. “O jejum, por sua vez, é apresentado não como rigor exterior, mas como disciplina da liberdade” 1, orientado sempre pelo discernimento e pela caridade.
Ele tem, portanto, uma finalidade profundamente espiritual: “jejuamos para libertá-lo [o coração] dos apegos desordenados” 2. O gesto de abster-se do alimento simboliza e fomenta o desejo de deixar de lado tudo o que nos afasta de Deus, fortalecendo a alma contra os vícios e tornando-a mais dócil ao Espírito.
Ao mesmo tempo, a tradição patrística alerta contra os perigos do orgulho que podem surgir quando o jejum é feito com ostentação ou vaidade: “o jejum serve para isto: humilhar a carne, a fim de tornar mais fácil o combate contra os outros vícios – e não para que, saciada e inchada, a carne se encha de orgulho” 3.
Saiba também o que a Igreja ensina sobre a prática do jejum na Quaresma.
O jejum aparece ao longo de toda a Sagrada Escritura, desde o Antigo Testamento até os ensinamentos de Cristo e da Igreja nascente. Na Bíblia, essa prática é frequentemente retratada em contextos de arrependimento, consagração, preparação espiritual e súplica diante de dificuldades — sempre como resposta à presença de Deus e expressão de confiança n’Ele.
A tradição cristã recorre à Sagrada Escritura como base para a prática do jejum, compreendendo-a como um “tempo de perder” voluntário para ganhar o essencial: Deus. Como recorda um autor antigo: “A Sabedoria divina, no Livro do Eclesiastes, ensina que há um tempo certo para cada coisa… há tempo de adquirir, e tempo de perder; há tempo de guardar, e tempo de jogar fora” 4.
A seguir, apresentamos os principais momentos em que a Bíblia menciona o jejum como parte da vida do povo de Deus.
Desde os primeiros livros da Bíblia, o jejum aparece como resposta à presença de Deus, meio de arrependimento ou preparação para missões sagradas. Moisés, por exemplo, jejuou por quarenta dias e quarenta noites no Monte Sinai, antes de receber as tábuas da Lei 5. Esse tempo de abstinência simbolizava a purificação necessária para acolher a aliança com Deus.
Outro exemplo importante é o Dia da Expiação, ou Yom Kippur, estabelecido em Levítico 16. Nessa solenidade, todo o povo de Israel devia jejuar e humilhar-se diante do Senhor, buscando o perdão pelos pecados da nação 6. Esse jejum era obrigatório e carregava um profundo sentido comunitário e litúrgico.
No livro de Ester, a rainha pede ao povo que jejue por três dias antes que ela se apresente ao rei para interceder por Israel 7. Já o profeta Daniel jejuou por três semanas, abstendo-se de manjares, carne e vinho, como forma de penitência e oração 8.
Esses episódios mostram que, no Antigo Testamento, o jejum era expressão concreta de confiança em Deus e preparação espiritual diante de situações decisivas. Em todos esses casos, o gesto exterior do jejum estava ligado a um desejo interior de comunhão com o Senhor.
No Novo Testamento, o jejum continua sendo uma prática significativa, agora plenamente iluminada pela pessoa de Cristo. Jesus mesmo inicia sua vida pública com um jejum de quarenta dias no deserto, onde enfrentou as tentações do diabo (cf. Mt 4,1-2). Esse episódio remete diretamente aos jejuns de Moisés e Elias, ligando o Senhor à história da salvação e mostrando que o jejum fortalece para o combate espiritual.
No Sermão da Montanha, Jesus orienta seus discípulos sobre a maneira correta de jejuar: não com aparência abatida, buscando a aprovação dos homens, mas com discrição e sinceridade diante de Deus 9. O jejum é, portanto, uma prática interior, feita com humildade e desejo de agradar ao Pai.
Após a ascensão de Cristo, a Igreja nascente também praticava o jejum, especialmente em momentos decisivos de missão e escolha de líderes: “Enquanto celebravam o culto do Senhor e jejuavam, o Espírito Santo disse: Separai-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado” 10. Também em Atos 14,23, os apóstolos jejuam antes de instituir presbíteros nas comunidades.
Ao longo das Escrituras, o jejum aparece como um caminho pedagógico de conversão e amadurecimento espiritual. Mais do que simples abstenção de alimento, ele é um exercício que envolve todo o ser — corpo e alma — na busca de uma vida mais centrada em Deus.
Em primeiro lugar, o jejum purifica o coração, ajuda a reordenar os desejos e dispõe a alma para a escuta atenta da vontade divina. Essa prática ajuda o fiel a reconhecer sua dependência de Deus e a reordenar seus desejos à luz da fé: “A carne tem desejos contrários ao espírito… Essa luta, introduzida em nós pela Divina Providência, é salutar: ela nos estimula e nos força a buscar um estado melhor” 11.
Além disso, o jejum é um instrumento de fortalecimento espiritual no combate contra o pecado. Ao renunciar voluntariamente a algo legítimo como o alimento, o cristão treina sua vontade e torna-se mais apto a dizer “não” às tentações.
Outro aspecto importante é a dimensão intercessora do jejum. Diversos relatos bíblicos mostram o povo de Deus jejuando em momentos de súplica ou aflição, clamando pela misericórdia divina. Como recorda o profeta Isaías: “Então invocarás o Senhor, e ele te atenderá” 12.
Por fim, o jejum está intrinsecamente unido à caridade. A privação exterior só tem sentido quando acompanhada da generosidade interior. A esmola, o perdão e a reconciliação com o próximo são frutos esperados de um jejum autêntico.
Embora os tempos tenham mudado, a prática do jejum continua sendo recomendada pela Igreja como um meio válido e eficaz de conversão interior. Ele não é um costume ultrapassado, mas um caminho atual de purificação, caridade e união com Deus.
O Catecismo da Igreja Católica ensina que “a penitência interior pode expressar-se de modos muito variados. A Escritura e os Padres insistem sobretudo em três formas: o jejum, a oração e a esmola”13. O jejum, portanto, está sempre ligado a outras práticas espirituais que nutrem a vida cristã.
Em 1966, o Papa Paulo VI publicou a constituição apostólica Paenitemini, reorganizando a disciplina penitencial da Igreja e reafirmando a importância do jejum, especialmente durante a Quaresma. O texto destaca que tais práticas não devem ser abandonadas, mas adaptadas às condições atuais, permanecendo sinais autênticos de conversão.
Além disso, a tradição cristã entende o tempo da Quaresma como um verdadeiro período oferecido a Deus, marcado por dedicação especial e recolhimento espiritual, no qual o jejum assume papel central na preparação para a Páscoa. Como prática espiritual, o jejum ajuda o fiel a reordenar seu coração, treinando a liberdade interior, afastando-se dos excessos e dispondo-se ao amor.
Assim, longe de ser algo ultrapassado ou meramente simbólico, o jejum continua sendo uma expressão concreta de fé e um instrumento valioso para o crescimento espiritual dos cristãos.
Leia mais: Abstinência de carne: tudo o que você precisa saber.
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O jejum é uma prática espiritual amplamente testemunhada ao longo das Escrituras, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Ao refletirmos sobre o jejum na Bíblia, encontramos não apenas atos de renúncia alimentar, mas gestos profundos de penitência, súplica e busca sincera de Deus. Neste artigo, vamos entender o que é o jejum, onde ele aparece na Bíblia, quais são seus significados espirituais e como podemos aplicá-lo à nossa vida de fé.
Na tradição cristã, o jejum é mais do que uma simples abstinência alimentar: trata-se de uma prática espiritual com o objetivo de purificação interior, humildade e maior liberdade do coração diante de Deus.
Diferente de dietas ou práticas meramente ascéticas, o jejum cristão é um meio — nunca um fim — para disciplinar a liberdade e submeter o corpo ao espírito. “O jejum, por sua vez, é apresentado não como rigor exterior, mas como disciplina da liberdade” 1, orientado sempre pelo discernimento e pela caridade.
Ele tem, portanto, uma finalidade profundamente espiritual: “jejuamos para libertá-lo [o coração] dos apegos desordenados” 2. O gesto de abster-se do alimento simboliza e fomenta o desejo de deixar de lado tudo o que nos afasta de Deus, fortalecendo a alma contra os vícios e tornando-a mais dócil ao Espírito.
Ao mesmo tempo, a tradição patrística alerta contra os perigos do orgulho que podem surgir quando o jejum é feito com ostentação ou vaidade: “o jejum serve para isto: humilhar a carne, a fim de tornar mais fácil o combate contra os outros vícios – e não para que, saciada e inchada, a carne se encha de orgulho” 3.
Saiba também o que a Igreja ensina sobre a prática do jejum na Quaresma.
O jejum aparece ao longo de toda a Sagrada Escritura, desde o Antigo Testamento até os ensinamentos de Cristo e da Igreja nascente. Na Bíblia, essa prática é frequentemente retratada em contextos de arrependimento, consagração, preparação espiritual e súplica diante de dificuldades — sempre como resposta à presença de Deus e expressão de confiança n’Ele.
A tradição cristã recorre à Sagrada Escritura como base para a prática do jejum, compreendendo-a como um “tempo de perder” voluntário para ganhar o essencial: Deus. Como recorda um autor antigo: “A Sabedoria divina, no Livro do Eclesiastes, ensina que há um tempo certo para cada coisa… há tempo de adquirir, e tempo de perder; há tempo de guardar, e tempo de jogar fora” 4.
A seguir, apresentamos os principais momentos em que a Bíblia menciona o jejum como parte da vida do povo de Deus.
Desde os primeiros livros da Bíblia, o jejum aparece como resposta à presença de Deus, meio de arrependimento ou preparação para missões sagradas. Moisés, por exemplo, jejuou por quarenta dias e quarenta noites no Monte Sinai, antes de receber as tábuas da Lei 5. Esse tempo de abstinência simbolizava a purificação necessária para acolher a aliança com Deus.
Outro exemplo importante é o Dia da Expiação, ou Yom Kippur, estabelecido em Levítico 16. Nessa solenidade, todo o povo de Israel devia jejuar e humilhar-se diante do Senhor, buscando o perdão pelos pecados da nação 6. Esse jejum era obrigatório e carregava um profundo sentido comunitário e litúrgico.
No livro de Ester, a rainha pede ao povo que jejue por três dias antes que ela se apresente ao rei para interceder por Israel 7. Já o profeta Daniel jejuou por três semanas, abstendo-se de manjares, carne e vinho, como forma de penitência e oração 8.
Esses episódios mostram que, no Antigo Testamento, o jejum era expressão concreta de confiança em Deus e preparação espiritual diante de situações decisivas. Em todos esses casos, o gesto exterior do jejum estava ligado a um desejo interior de comunhão com o Senhor.
No Novo Testamento, o jejum continua sendo uma prática significativa, agora plenamente iluminada pela pessoa de Cristo. Jesus mesmo inicia sua vida pública com um jejum de quarenta dias no deserto, onde enfrentou as tentações do diabo (cf. Mt 4,1-2). Esse episódio remete diretamente aos jejuns de Moisés e Elias, ligando o Senhor à história da salvação e mostrando que o jejum fortalece para o combate espiritual.
No Sermão da Montanha, Jesus orienta seus discípulos sobre a maneira correta de jejuar: não com aparência abatida, buscando a aprovação dos homens, mas com discrição e sinceridade diante de Deus 9. O jejum é, portanto, uma prática interior, feita com humildade e desejo de agradar ao Pai.
Após a ascensão de Cristo, a Igreja nascente também praticava o jejum, especialmente em momentos decisivos de missão e escolha de líderes: “Enquanto celebravam o culto do Senhor e jejuavam, o Espírito Santo disse: Separai-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado” 10. Também em Atos 14,23, os apóstolos jejuam antes de instituir presbíteros nas comunidades.
Ao longo das Escrituras, o jejum aparece como um caminho pedagógico de conversão e amadurecimento espiritual. Mais do que simples abstenção de alimento, ele é um exercício que envolve todo o ser — corpo e alma — na busca de uma vida mais centrada em Deus.
Em primeiro lugar, o jejum purifica o coração, ajuda a reordenar os desejos e dispõe a alma para a escuta atenta da vontade divina. Essa prática ajuda o fiel a reconhecer sua dependência de Deus e a reordenar seus desejos à luz da fé: “A carne tem desejos contrários ao espírito… Essa luta, introduzida em nós pela Divina Providência, é salutar: ela nos estimula e nos força a buscar um estado melhor” 11.
Além disso, o jejum é um instrumento de fortalecimento espiritual no combate contra o pecado. Ao renunciar voluntariamente a algo legítimo como o alimento, o cristão treina sua vontade e torna-se mais apto a dizer “não” às tentações.
Outro aspecto importante é a dimensão intercessora do jejum. Diversos relatos bíblicos mostram o povo de Deus jejuando em momentos de súplica ou aflição, clamando pela misericórdia divina. Como recorda o profeta Isaías: “Então invocarás o Senhor, e ele te atenderá” 12.
Por fim, o jejum está intrinsecamente unido à caridade. A privação exterior só tem sentido quando acompanhada da generosidade interior. A esmola, o perdão e a reconciliação com o próximo são frutos esperados de um jejum autêntico.
Embora os tempos tenham mudado, a prática do jejum continua sendo recomendada pela Igreja como um meio válido e eficaz de conversão interior. Ele não é um costume ultrapassado, mas um caminho atual de purificação, caridade e união com Deus.
O Catecismo da Igreja Católica ensina que “a penitência interior pode expressar-se de modos muito variados. A Escritura e os Padres insistem sobretudo em três formas: o jejum, a oração e a esmola”13. O jejum, portanto, está sempre ligado a outras práticas espirituais que nutrem a vida cristã.
Em 1966, o Papa Paulo VI publicou a constituição apostólica Paenitemini, reorganizando a disciplina penitencial da Igreja e reafirmando a importância do jejum, especialmente durante a Quaresma. O texto destaca que tais práticas não devem ser abandonadas, mas adaptadas às condições atuais, permanecendo sinais autênticos de conversão.
Além disso, a tradição cristã entende o tempo da Quaresma como um verdadeiro período oferecido a Deus, marcado por dedicação especial e recolhimento espiritual, no qual o jejum assume papel central na preparação para a Páscoa. Como prática espiritual, o jejum ajuda o fiel a reordenar seu coração, treinando a liberdade interior, afastando-se dos excessos e dispondo-se ao amor.
Assim, longe de ser algo ultrapassado ou meramente simbólico, o jejum continua sendo uma expressão concreta de fé e um instrumento valioso para o crescimento espiritual dos cristãos.
Leia mais: Abstinência de carne: tudo o que você precisa saber.