Formação

Novo Testamento: origem, divisão e principais temas

Quer conhecer mais sobre o Novo Testamento? Confira neste artigo sua origem, sua organização e quais são os principais temas abordados.

Novo Testamento: origem, divisão e principais temas
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Novo Testamento: origem, divisão e principais temas

Quer conhecer mais sobre o Novo Testamento? Confira neste artigo sua origem, sua organização e quais são os principais temas abordados.

Data da Publicação: 15/11/2023
Tempo de leitura:
Autor: Redação MBC
Data da Publicação: 15/11/2023
Tempo de leitura:
Autor: Redação MBC

O Novo Testamento, assim como o Antigo Testamento, se desenvolveu de modo orgânico por décadas, feito a muitas mãos e em muitos contextos, mas com uma coisa em comum com toda a palavra de Deus: inspiração divina e condução do Espírito Santo.

Confira o artigo que preparamos para que você possa entender as bases da nossa fé que estão contidas na Sagrada Escritura.

O que é o Novo Testamento?

O Novo Testamento nada mais é do que o conjunto de livros que conservam o testemunho das primeiras gerações de discípulos e de seguidores de Jesus Cristo. Nestes relatos, encontram-se os principais ensinamentos de Nosso Senhor, bem como sua vida, além de como as primeiras comunidades cristãs foram se desenvolvendo a partir do próprio Cristo. 

O Novo Testamento, assim como o Antigo Testamento, são documentos que a Igreja, guiada pelo Espírito Santo, reteve como referência e inspiração da Revelação de Deus para os homens. Não consta, nestes relatos, uma teologia elaborada e sistemática (tal teologia se desenvolveria nos primeiros grandes concílios, no quarto e quinto século). O Novo Testamento tem por finalidade o testemunho diversificado do cristianismo frente a diversos contextos, com diversas pessoas e variadas comunidades.

Você já ouviu falar de Lectio Divina?

São Paulo de Guercino, um dos principais autores do Novo Testamento.
São Paulo de Guercino.

A origem do Novo Testamento

A origem do Novo Testamento se deu de modo bastante semelhante aos livros do Antigo Testamento, e, da mesma forma, com uma datação não tão precisa em relação aos eventos narrados. Basta recordar que os Evangelhos, por exemplo, não constituem como um diário de bordo, onde a cada fala ou feito de Jesus, alguém anotava minuciosamente os fatos “in loco”. 

A Tradição atribui um e outro livro a um e outro autor, porém, bem sabemos que, como é o exemplo de São Paulo, os apóstolos frequentemente se usavam de secretários para redigirem suas cartas e relatos. Alguns escritos, portanto, foram redigidos por discípulos dos Apóstolos a fim de manter a pregação de modo fidedigno. Sendo assim, o titular do livro é, antes de tudo, a autoridade do relato, antes que o autor propriamente dito — o que em nada diminui o caráter autêntico da mensagem, bem como a inspiração divina da mesma.

A inspiração do Novo Testamento reside no fato de que a mensagem de fé, escrita a uma determinada comunidade, é recebida e transmitida como divinamente revelada. Lendo os relatos, a Igreja passou a estudar a autenticidade e fidelidade da base destas mensagens de fé. Sendo assim, após minucioso processo, é que a Igreja definiu o cânon (regra ou lista) dos escritos que compõem o Novo Testamento. 

Assim como toda a Bíblia, devemos, sempre, lê-la em concordância com a sua autoria e destinatários, dentro de uma vivência profundamente eclesial, a fim de entender o que Deus, por meio de autores humanos, revela a nós, homens. 1

Quais são os livros do Novo Testamento?

LivroAbreviaturaAutor (possível)Data
MateusMtMateus80 d.C
MarcosMcJoão Marcos65 d.C
LucasLcLucas85 d.C
JoãoJoJoão90 d.C
Atos dos ApóstolosAtLucas85 d.C
Carta aos RomanosRmPaulo58 d.C
I Carta aos Coríntios 1CorPaulo57 d.C
II Carta aos Coríntios2CorPaulo58 d.C
Carta aos GálatasGalPaulo57/58 d.C.
Carta aos EfésiosEfPaulo (discípulo de)80-100–d.C
Carta aos FilipensesFlPaulo55 d.C
Carta aos ColossensesClPaulo60 d.C.
I Carta aos Tessalonicenses1TsPaulo50 d.C
II Carta aos Tessalonicenses2TsPaulo+/- 50 d.C.
I Carta a Timóteo1TmPaulo (discípulos de)>70 d.C.
II Carta a Timóteo2TmPaulo (discípulos de)80 d.C
Carta a TitoTtPaulo>70 d.C
Carta a FilêmonFmPaulo55 d.C
Carta aos HebreusHbjudeu de cultura grega80 d.C
Carta de TiagoTgTiago, irmão de Judas Tadeu80-100 d.C
I Carta de Pedro1PdPedro64.d.C
II Carta de Pedro2PdPedro (discípulos de)100 d.C.
I Carta de João1JoJoão85-100d.C
II Carta de João2JoJoão85-100 d.C
III Carta de João3JoJoão85-100 d.C
ApocalipseApJoão90-100 d.C

Veja também: Como interpretar a Bíblia?

Como o Novo Testamento é dividido?

Evangelhos

Os primeiros Livros do Novo Testamento são os Evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João. Os três primeiros são chamados de sinóticos, pois a suas estruturas são semelhantes, como uma sinopse. Neles são narrados os acontecimentos da vida de Jesus, desde seu nascimento até a morte e ressurreição.

Livro histórico

A seguinte parte do Novo Testamento se refere ao livro chamado histórico: Atos dos Apóstolos. Como o nome já diz, ali estão inseridas todas as problemáticas da vida cristã recém fundamentada. São relatos das viagens de Paulo, dos milagres operados pelos Apóstolos, das resoluções em conjunto, e assim por diante.

Epístolas Paulinas

Detalhe da primeira carta de São Paulo aos Coríntios na edição Bíblia da MBC.

São todas as cartas que foram redigidas por São Paulo a diversas comunidades por ele fundadas. São pelo menos 14 cartas que lançam as bases da vida eclesial que surgia em meio a judeus e pagãos. São elas: 1 e 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Romanos, Filipenses, Filêmon, Colossenses, Efésios, 1 e 2 Carta a Timóteo, Tito e Hebreus.

Epístolas Gerais

São as demais cartas. Chamadas, também, de universais, católicas, pois estas, à diferença de Paulo, são voltadas a todas comunidades, mas dirigidas a uma comunidade ou pessoa em específico. Tiago, duas cartas de Pedro, três cartas de João e a carta de Judas compõem este bloco. 

Livro Profético

Apocalipse é o maior dos livros quando nos referimos ao livro mais lembrado, com seus símbolos e “catástrofes”, no imaginário comum. É o último livro da Bíblia, não só em localização, mas em datação e conteúdo: narra a esperançosa visão final da Jerusalém celeste e da Nova Criação, ligando ao Gênesis. É um livro que tem por mensagem a esperança. Atribuído a João, se chama, também, Livro da Revelação.

Os principais temas do Novo Testamento

Sermão da Montanha, por Carl Bloch, século XIX, de grande importância para o Novo Testamento
Sermão da Montanha, por Carl Bloch, século XIX

Jesus Cristo como o Messias esperado

O principal motivo de os escritores sagrados terem escrito seus relatos é o de anunciar e testemunhar aos povos, sobretudo aos judeus, que Jesus era aquele que devia vir como Messias, enviado por Deus. São Mateus e São Marcos, por exemplo, desenvolvem toda uma cristologia pautada no Messias-Servo, fazendo correlação com diversas citações dos cânticos do Servo do Senhor, em Isaías. 

Jesus Cristo como Salvador

Ao mesmo tempo que alguns autores estavam preocupados em evidenciar que Jesus é o Messias esperado pelos judeus, outros autores sagrados, como São Paulo e São Lucas, destacam a verdade de que Jesus Cristo é o Salvador dos homens. Isto se dá pois os destinatários de suas cartas são, muitas vezes, pagãos que não conheciam as promessas de Israel. 

O Reino de Deus

O Novo Testamento tenta, ainda, sobretudo no Evangelho, declarar que o Reino de Deus escatológico já chegou a todos aqueles que creem em Jesus e, por isso, são batizados em nome de Cristo, conforme Ele ordenou. Viver nessa perspectiva, de Reinado de Deus, é o que sustenta toda experiência cristã que se desenvolve nas comunidades nascentes. Ou seja, o Reino de Deus já chegou a todos.

A Graça de Deus

A graça de Deus é tema recorrente na pregação cristã. Paulo, por exemplo, exalta a vida na graça de Deus, que é a comunhão, a harmonia para com os planos divinos. Não nos tornamos filhos de Deus por mérito nosso, mas por pura graça e misericórdia de Deus. Cristo conquistou, para nós, esta graça. Nós, com isso, a recebemos totalmente “de graça”.

A Comunhão e a Unidade na Igreja

O que fica muito evidente no Novo Testamento, sobretudo nas cartas de São Paulo e nos relatos dos Atos dos Apóstolos, é como a Igreja católica, fundada por Jesus Cristo, foi se desenvolvendo já nas primeiras décadas de anúncio da Boa Nova. Com efeito, os discípulos do Senhor tinham tudo em comum 2, e estavam sustentados pela Eucaristia, pela caridade, pela escuta da Palavra, e pelo impulso missionário que daí surgia.

As bases da Igreja já foram sendo alicerçadas a partir daquele tempo, e o sabemos mediante a Tradição oral, mas, sobretudo, pela Tradição escrita, onde vemos surgir o Primado de Pedro, a vida sacramental e comunitária e São Paulo como uma das colunas que sustenta a Igreja. Enfim, o Novo Testamento é o florescer da Igreja católica.

A unidade entre Antigo e Novo Testamento

O que deve ficar claro para nós é que Jesus jamais veio à Terra a fim de abolir o que o Antigo Testamento continha. Ora, é o Cristo mesmo quem afirma que veio para dar pleno cumprimento das leis e dos profetas. Muitas vezes Jesus, e os relatos posteriores a Ele, fazem a relação do Antigo Testamento com o Novo, a fim de que se perceba que Deus jamais altera seus planos. 

Quando se afirma que o Antigo Testamento aparece como uma sombra ou uma preparação para o Novo Testamento, para a plenitude dos tempos que se dá em Jesus, não se está desmerecendo toda a Revelação que existiu até aí. Deus soube preparar o seu povo de tal forma que este pudesse estar pronto para acolher a Boa Nova do Evangelho, assim que Cristo surgisse. 

Não à toa, a Bíblia Sagrada da MBC é repleta de referências cruzadas, indicando citações e alusões de trechos de ambos os testamentos. Não deixe de conferir a nossa edição da Bíblia Sagrada.

Referências

  1. cf. Dei Verbum, 11-13[]
  2. At 2, 42[]
Redação MBC

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Garanta seu box

O Novo Testamento, assim como o Antigo Testamento, se desenvolveu de modo orgânico por décadas, feito a muitas mãos e em muitos contextos, mas com uma coisa em comum com toda a palavra de Deus: inspiração divina e condução do Espírito Santo.

Confira o artigo que preparamos para que você possa entender as bases da nossa fé que estão contidas na Sagrada Escritura.

O que é o Novo Testamento?

O Novo Testamento nada mais é do que o conjunto de livros que conservam o testemunho das primeiras gerações de discípulos e de seguidores de Jesus Cristo. Nestes relatos, encontram-se os principais ensinamentos de Nosso Senhor, bem como sua vida, além de como as primeiras comunidades cristãs foram se desenvolvendo a partir do próprio Cristo. 

O Novo Testamento, assim como o Antigo Testamento, são documentos que a Igreja, guiada pelo Espírito Santo, reteve como referência e inspiração da Revelação de Deus para os homens. Não consta, nestes relatos, uma teologia elaborada e sistemática (tal teologia se desenvolveria nos primeiros grandes concílios, no quarto e quinto século). O Novo Testamento tem por finalidade o testemunho diversificado do cristianismo frente a diversos contextos, com diversas pessoas e variadas comunidades.

Você já ouviu falar de Lectio Divina?

São Paulo de Guercino, um dos principais autores do Novo Testamento.
São Paulo de Guercino.

A origem do Novo Testamento

A origem do Novo Testamento se deu de modo bastante semelhante aos livros do Antigo Testamento, e, da mesma forma, com uma datação não tão precisa em relação aos eventos narrados. Basta recordar que os Evangelhos, por exemplo, não constituem como um diário de bordo, onde a cada fala ou feito de Jesus, alguém anotava minuciosamente os fatos “in loco”. 

A Tradição atribui um e outro livro a um e outro autor, porém, bem sabemos que, como é o exemplo de São Paulo, os apóstolos frequentemente se usavam de secretários para redigirem suas cartas e relatos. Alguns escritos, portanto, foram redigidos por discípulos dos Apóstolos a fim de manter a pregação de modo fidedigno. Sendo assim, o titular do livro é, antes de tudo, a autoridade do relato, antes que o autor propriamente dito — o que em nada diminui o caráter autêntico da mensagem, bem como a inspiração divina da mesma.

A inspiração do Novo Testamento reside no fato de que a mensagem de fé, escrita a uma determinada comunidade, é recebida e transmitida como divinamente revelada. Lendo os relatos, a Igreja passou a estudar a autenticidade e fidelidade da base destas mensagens de fé. Sendo assim, após minucioso processo, é que a Igreja definiu o cânon (regra ou lista) dos escritos que compõem o Novo Testamento. 

Assim como toda a Bíblia, devemos, sempre, lê-la em concordância com a sua autoria e destinatários, dentro de uma vivência profundamente eclesial, a fim de entender o que Deus, por meio de autores humanos, revela a nós, homens. 1

Quais são os livros do Novo Testamento?

LivroAbreviaturaAutor (possível)Data
MateusMtMateus80 d.C
MarcosMcJoão Marcos65 d.C
LucasLcLucas85 d.C
JoãoJoJoão90 d.C
Atos dos ApóstolosAtLucas85 d.C
Carta aos RomanosRmPaulo58 d.C
I Carta aos Coríntios 1CorPaulo57 d.C
II Carta aos Coríntios2CorPaulo58 d.C
Carta aos GálatasGalPaulo57/58 d.C.
Carta aos EfésiosEfPaulo (discípulo de)80-100–d.C
Carta aos FilipensesFlPaulo55 d.C
Carta aos ColossensesClPaulo60 d.C.
I Carta aos Tessalonicenses1TsPaulo50 d.C
II Carta aos Tessalonicenses2TsPaulo+/- 50 d.C.
I Carta a Timóteo1TmPaulo (discípulos de)>70 d.C.
II Carta a Timóteo2TmPaulo (discípulos de)80 d.C
Carta a TitoTtPaulo>70 d.C
Carta a FilêmonFmPaulo55 d.C
Carta aos HebreusHbjudeu de cultura grega80 d.C
Carta de TiagoTgTiago, irmão de Judas Tadeu80-100 d.C
I Carta de Pedro1PdPedro64.d.C
II Carta de Pedro2PdPedro (discípulos de)100 d.C.
I Carta de João1JoJoão85-100d.C
II Carta de João2JoJoão85-100 d.C
III Carta de João3JoJoão85-100 d.C
ApocalipseApJoão90-100 d.C

Veja também: Como interpretar a Bíblia?

Como o Novo Testamento é dividido?

Evangelhos

Os primeiros Livros do Novo Testamento são os Evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João. Os três primeiros são chamados de sinóticos, pois a suas estruturas são semelhantes, como uma sinopse. Neles são narrados os acontecimentos da vida de Jesus, desde seu nascimento até a morte e ressurreição.

Livro histórico

A seguinte parte do Novo Testamento se refere ao livro chamado histórico: Atos dos Apóstolos. Como o nome já diz, ali estão inseridas todas as problemáticas da vida cristã recém fundamentada. São relatos das viagens de Paulo, dos milagres operados pelos Apóstolos, das resoluções em conjunto, e assim por diante.

Epístolas Paulinas

Detalhe da primeira carta de São Paulo aos Coríntios na edição Bíblia da MBC.

São todas as cartas que foram redigidas por São Paulo a diversas comunidades por ele fundadas. São pelo menos 14 cartas que lançam as bases da vida eclesial que surgia em meio a judeus e pagãos. São elas: 1 e 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Romanos, Filipenses, Filêmon, Colossenses, Efésios, 1 e 2 Carta a Timóteo, Tito e Hebreus.

Epístolas Gerais

São as demais cartas. Chamadas, também, de universais, católicas, pois estas, à diferença de Paulo, são voltadas a todas comunidades, mas dirigidas a uma comunidade ou pessoa em específico. Tiago, duas cartas de Pedro, três cartas de João e a carta de Judas compõem este bloco. 

Livro Profético

Apocalipse é o maior dos livros quando nos referimos ao livro mais lembrado, com seus símbolos e “catástrofes”, no imaginário comum. É o último livro da Bíblia, não só em localização, mas em datação e conteúdo: narra a esperançosa visão final da Jerusalém celeste e da Nova Criação, ligando ao Gênesis. É um livro que tem por mensagem a esperança. Atribuído a João, se chama, também, Livro da Revelação.

Os principais temas do Novo Testamento

Sermão da Montanha, por Carl Bloch, século XIX, de grande importância para o Novo Testamento
Sermão da Montanha, por Carl Bloch, século XIX

Jesus Cristo como o Messias esperado

O principal motivo de os escritores sagrados terem escrito seus relatos é o de anunciar e testemunhar aos povos, sobretudo aos judeus, que Jesus era aquele que devia vir como Messias, enviado por Deus. São Mateus e São Marcos, por exemplo, desenvolvem toda uma cristologia pautada no Messias-Servo, fazendo correlação com diversas citações dos cânticos do Servo do Senhor, em Isaías. 

Jesus Cristo como Salvador

Ao mesmo tempo que alguns autores estavam preocupados em evidenciar que Jesus é o Messias esperado pelos judeus, outros autores sagrados, como São Paulo e São Lucas, destacam a verdade de que Jesus Cristo é o Salvador dos homens. Isto se dá pois os destinatários de suas cartas são, muitas vezes, pagãos que não conheciam as promessas de Israel. 

O Reino de Deus

O Novo Testamento tenta, ainda, sobretudo no Evangelho, declarar que o Reino de Deus escatológico já chegou a todos aqueles que creem em Jesus e, por isso, são batizados em nome de Cristo, conforme Ele ordenou. Viver nessa perspectiva, de Reinado de Deus, é o que sustenta toda experiência cristã que se desenvolve nas comunidades nascentes. Ou seja, o Reino de Deus já chegou a todos.

A Graça de Deus

A graça de Deus é tema recorrente na pregação cristã. Paulo, por exemplo, exalta a vida na graça de Deus, que é a comunhão, a harmonia para com os planos divinos. Não nos tornamos filhos de Deus por mérito nosso, mas por pura graça e misericórdia de Deus. Cristo conquistou, para nós, esta graça. Nós, com isso, a recebemos totalmente “de graça”.

A Comunhão e a Unidade na Igreja

O que fica muito evidente no Novo Testamento, sobretudo nas cartas de São Paulo e nos relatos dos Atos dos Apóstolos, é como a Igreja católica, fundada por Jesus Cristo, foi se desenvolvendo já nas primeiras décadas de anúncio da Boa Nova. Com efeito, os discípulos do Senhor tinham tudo em comum 2, e estavam sustentados pela Eucaristia, pela caridade, pela escuta da Palavra, e pelo impulso missionário que daí surgia.

As bases da Igreja já foram sendo alicerçadas a partir daquele tempo, e o sabemos mediante a Tradição oral, mas, sobretudo, pela Tradição escrita, onde vemos surgir o Primado de Pedro, a vida sacramental e comunitária e São Paulo como uma das colunas que sustenta a Igreja. Enfim, o Novo Testamento é o florescer da Igreja católica.

A unidade entre Antigo e Novo Testamento

O que deve ficar claro para nós é que Jesus jamais veio à Terra a fim de abolir o que o Antigo Testamento continha. Ora, é o Cristo mesmo quem afirma que veio para dar pleno cumprimento das leis e dos profetas. Muitas vezes Jesus, e os relatos posteriores a Ele, fazem a relação do Antigo Testamento com o Novo, a fim de que se perceba que Deus jamais altera seus planos. 

Quando se afirma que o Antigo Testamento aparece como uma sombra ou uma preparação para o Novo Testamento, para a plenitude dos tempos que se dá em Jesus, não se está desmerecendo toda a Revelação que existiu até aí. Deus soube preparar o seu povo de tal forma que este pudesse estar pronto para acolher a Boa Nova do Evangelho, assim que Cristo surgisse. 

Não à toa, a Bíblia Sagrada da MBC é repleta de referências cruzadas, indicando citações e alusões de trechos de ambos os testamentos. Não deixe de conferir a nossa edição da Bíblia Sagrada.

Referências

  1. cf. Dei Verbum, 11-13[]
  2. At 2, 42[]

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