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Quarta-feira de cinzas: o que celebramos neste dia?

Entenda o que os católicos celebram na Quarta-feira de Cinzas, qual a origem desta celebração e o significado das cinzas.

Quarta-feira de cinzas: o que celebramos neste dia?
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Quarta-feira de cinzas: o que celebramos neste dia?

Entenda o que os católicos celebram na Quarta-feira de Cinzas, qual a origem desta celebração e o significado das cinzas.

Data da Publicação: 29/01/2024
Tempo de leitura:
Autor: Redação MBC
Data da Publicação: 29/01/2024
Tempo de leitura:
Autor: Redação MBC

Entenda o que os católicos celebram na Quarta-feira de Cinzas, qual a origem desta celebração e o significado das cinzas.

A Igreja, Mãe e Mestra, e muito sábia, prepara todos os anos um itinerário de fé por meio do ano litúrgico. Assim, todos os anos vivenciamos a história da nossa salvação, a fim de lembrarmos de onde viemos e para onde devemos voltar. A Quaresma é um dos tempos litúrgicos da Igreja que culmina no ápice de nossa fé: a ressurreição do Senhor.

Sendo assim, é importante iniciarmos bem este período que começa com a Quarta-feira de Cinzas. Você já deve ter se perguntado de onde vêm as cinzas ou qual é a origem desta celebração. Então, confira neste artigo desde o que são as cinzas até quem pode recebê-las e qual o seu papel na vida dos fiéis.

Preparamos também um artigo sobre a Quaresma, leia aqui.

O que é a Quarta-feira de Cinzas?

A Quarta-feira de Cinzas marca o início da Quaresma, um período de 40 dias de preparação para a Páscoa. A celebração das cinzas recorda a fragilidade da vida humana e a necessidade da penitência para a nossa conversão. Sendo assim, este é um dia de jejum, especialmente porque indica o começo de um período todo de práticas mais intensas de jejum, oração e esmola.

Além disso, é um dia de oração e meditação. A Quarta-feira de Cinzas é um momento propício para refletir sobre a brevidade de nossa vida e iniciar uma preparação mais profunda para viver os mistérios pascais. Acompanhar, assim, a Paixão e a Morte de Nosso Senhor, que culminará na sua Ressureição. Neste dia, pedimos pela nossa conversão, para que possamos começar bem um novo caminho quaresmal “que se estende por quarenta dias e nos conduz à alegria da Páscoa do Senhor, à vitória da Vida sobre a morte.” 1

Qual é o significado das cinzas da quarta-feira de cinzas?

Neste dia, o primeiro da Quaresma, somos marcados pelas cinzas benzidas que

impostas sobre a nossa cabeça, são um sinal que nos recorda a nossa condição de criaturas, que nos convida à penitência e a intensificar o compromisso de conversão para seguir cada vez mais o Senhor. 2

O significado das cinzas também está presente nas Sagradas Escrituras, como veremos ainda neste artigo. Elas simbolizam a efemeridade da nossa vida — somos pó e ao pó voltaremos —, assim como a penitência, o arrependimento e a conversão.

Você sabe quais são as três grandes vias de conversão a Deus?

cinzas de quarta-feira de cinzas.

Qual é a origem da quarta-feira de cinzas?

A origem da Quarta-feira de Cinzas remonta ao início da prática cristã da Quaresma. Desde o século II, os cristãos já se preparavam para a Páscoa com dois dias de jejum e penitência. 3

No século IV, a Igreja estabeleceu um período de 40 dias de preparação para a Páscoa, inspirado nos 40 dias de jejum de Jesus no deserto. A Quaresma começava seis semanas antes da Páscoa, mas, no século VII, a contagem foi ajustada para começar na Quarta-feira, tornando-se uma jornada simbólica de 40 dias (excluindo os domingos).

A imposição das cinzas foi gradualmente introduzida ao longo dos séculos. No início, era um gesto penitencial reservado aos que, acusando-se de pecados graves, realizavam penitências públicas. Depois, conforme essa prática foi diminuindo, manteve-se a imposição das cinzas a todos os fiéis.

Que dia é a quarta-feira de cinzas em 2024?

Em 2024, a Quarta-feira de Cinzas cairá no dia 14 de fevereiro. Este é o ponto de partida da Quaresma, momento em que iniciamos também as nossas práticas e penitências quaresmais, embarcando em um genuíno caminho de conversão interior.

Confira 5 dicas práticas para viver bem a Quaresma.

Quarta-feira de cinzas na Bíblia

Nos registros do Antigo Testamento, as cinzas desempenham um papel significativo como símbolo da frágil condição humana diante do Senhor. Abraão expressa essa humildade ao se reconhecer como “pó e cinza”, enquanto Jó se compara à poeira e à cinza (Jó 30, 19)

“Sou bem atrevido em falar a meu Senhor, eu que sou pó e cinza.” 4

Livros como a Sabedoria e o Eclesiástico também utilizam o simbolismo das cinzas para representar a brevidade da vida.

Um belo dia nascemos e, depois disso, seremos como se jamais tivéssemos sido! É fumaça a respiração de nossos narizes, e nosso pensamento, uma centelha que salta do bater de nosso coração! Extinta ela, nosso corpo se tornará pó, e o nosso espírito se dissipará como um vapor inconsistente! 5

Além de simbolizar a transitoriedade da vida, as cinzas são associadas à penitência e à conversão. No Livro de Jonas, o rei de Nínive, ao se converter, manifesta seu arrependimento sentando-se sobre cinzas. 6 Jeremias 7 e Ester 8 também mencionam o uso das cinzas em contextos de luto e penitência.

Jonas foi pela cidade durante todo um dia, pregando: “Daqui a quarenta dias, Nínive será destruída”. [..] A notícia chegou ao conhecimento do rei de Nínive; ele levantou-se do seu trono, tirou o manto, cobriu-se de saco e sentou-se sobre a cinza. 9

O profeta Joel também exorta à conversão interior, destacando-a como uma transformação verdadeira do coração em direção a Deus, e não apenas gestos externos, por isso proclama:

“Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes; e convertei-vos ao Senhor vosso Deus” 10

Ao longo da Bíblia, essas referências simbólicas às cinzas ressoam como sinais de humildade, arrependimento e busca pela reconciliação com Deus. Todos esses elementos fazem parte do caminho que devemos percorrer durante todo o período quaresmal.

Conheça aqui como era a celebração da Páscoa dos judeus.

Liturgia da quarta-feira de cinzas

Nas palavras de São João Paulo II, a liturgia da quarta-feira de cinzas

pode considerar-se, de certa forma, como uma “liturgia de morte”, que remete para a Sexta-Feira Santa, onde o rito deste dia encontra o seu pleno cumprimento. Com efeito […] nós devemos morrer para nós mesmos, a fim de renascermos para a vida eterna. 11

A leitura que abre este dia para nós encontra-se no livro de Joel; ela destaca a conversão como peça fundamental deste novo período, recordando-nos a bondade e a misericórdia de Deus:

“Rasgai o coração, e não as vestes; e voltai para o Senhor, vosso Deus; ele é benigno e compassivo, paciente e cheio de misericórdia, inclinado a perdoar o castigo.” 10

O Salmo 50, presente nesta liturgia, nos conduz à penitência, enquanto a segunda leitura ressalta a reconciliação com Deus, lembrando-nos de que

“É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação.” 12

Toda a celebração está permeada de um espírito penitencial. Na abertura da Missa, buscamos a compaixão de Deus, reconhecendo nossa pequenez; pedimos que o Senhor perdoe os nossos pecados pela nossa penitência. E, após a comunhão, pedimos o auxílio divino pela Eucaristia, desejando que nosso jejum seja agradável a Deus e nos sirva como remédio espiritual.

homem com uma cruz de cinzas na testa, símbolo da quarta-feira de cinzas.

Além disso, é na Missa deste dia que acontece o rito das cinzas, após a homilia. O sacerdote abençoa as cinzas para que, em seguida, ela seja imposta na testa dos fiéis, ao mesmo tempo em que se recita a fórmula da imposição. A primeira fórmula que consta no rito é “Recorda-te que tu és pó, e ao pó voltarás” (cf. Gn 3, 19). Ela nos leva refletir sobre o início e o fim de nossa vida, bem como sobre a futilidade de nossos planos quando não estão alinhados à vontade de Deus.

Já a segunda fórmula prevista pelo rito proclama: “Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1, 15). Ela indica as condições necessárias para caminhar verdadeiramente com Cristo. É preciso “percorrer um caminho em que entramos na sua morte e ressurreição para receber a vida.” 2

Conheça como se deu a Santa Missa ao longo da história.

Quem pode receber as cinzas?

As cinzas são um sacramental, portanto, não está limitada aos católicos ou àqueles que se encontram em estado de graça.

De acordo com o Catecismo da Igreja Católica, no seu parágrafo 1670, sacramentais, como as cinzas, não concedem a graça do Espírito Santo da mesma forma que os sacramentos. Em vez disso, por meio da oração da Igreja, eles preparam para receber a graça divina e dispõem a cooperar com ela.

Sendo assim, qualquer pessoa pode receber as cinzas. Elas convidam à penitência e à participação no período quaresmal, cumprindo seu papel de sacramental nessa preparação para caminhar com a graça divina.

De onde vêm as cinzas?

Tradicionalmente, as cinzas são obtidas a partir dos ramos abençoados no Domingo de Ramos do ano anterior. Durante a celebração do Domingo de Ramos, os fiéis carregam ramos de palmeiras, ou outros ramos benditos, como símbolo da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Esses mesmos ramos, abençoados e usados na liturgia, são recolhidos e, depois de secos, queimados, resultando em cinzas finas.

Durante a celebração da Missa da Quarta-feira de Cinzas, o sacerdote faz a bênção das cinzas, tornando-as um símbolo sagrado e lembrando os fiéis da efemeridade da vida e da necessidade de penitência. Desse modo, as cinzas utilizadas neste dia têm uma origem simbólica e tradicional nos ramos abençoados do Domingo de Ramos do ano anterior, ligando esses dois momentos litúrgicos importantes no calendário cristão.

pessoas erguendo os ramos que depois são queimados para a quarta-feira de cinzas.

A quarta-feira de Cinzas é um dia de preceito?

A quarta de cinzas não é um dia de preceito. No entanto, é importante participar da Missa neste dia, que nos introduz ao caminho da Quaresma, rumo à Páscoa do Senhor. Embora não seja um dia de preceito, o jejum e a abstinência são obrigatórios aos fiéis católicos.

Entenda aqui tudo o que um católico deve saber sobre jejum e abstinência.

As cinzas na nossa vida

As cinzas, marcadas em nossa testa, convidam-nos de maneira sensível a uma reflexão profunda sobre a condição efêmera da existência humana. Além de lembrar-nos da necessidade constante de penitência e conversão, esse sinal visível recorda-nos a fragilidade da vida e o fato de que retornaremos ao pó.

Ao receber as cinzas, comprometemo-nos a viver a Quaresma intensamente, incentivados a abandonar o que nos afasta de Deus. Essa prática anual nos convida a um exame de consciência sincero, a fim de buscar uma vida alinhada com os ensinamentos de Cristo.

As cinzas na nossa vida tornam-se, portanto, a marca visível de nossa disposição para uma jornada de renovação espiritual, por meio do jejum, da esmola e da oração. Desse modo, ao cultivar uma relação mais profunda com Deus e com o próximo, preparamo-nos para vivenciar, unidos à Cristo, o mistério pascal.

Que tal conferir os passos para fazer uma boa confissão antes da Quaresma?

Referências

  1. Papa Bento XVI, Santa Missa, Bênção e Imposição das Cinzas, 13 de fevereiro de 2013[]
  2. Papa Bento XVI, Audiência Geral, 9 de março de 2011[][]
  3. VATICAN NEWS, Quarta-feira de Cinzas[]
  4. Gên 18, 27[]
  5. Sb 2, 2-3[]
  6. Jonas 3, 4. 6[]
  7. Jr 6, 26[]
  8. Est 4,1-3[]
  9. Jn 3, 4.6[]
  10. Joel 2, 13[][]
  11. Papa S. João Paulo II. Homilia na Quarta-feira de Cinzas, 13 de fevereiro de 2002[]
  12. IICor 5, 2[]

Redação MBC

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Entenda o que os católicos celebram na Quarta-feira de Cinzas, qual a origem desta celebração e o significado das cinzas.

A Igreja, Mãe e Mestra, e muito sábia, prepara todos os anos um itinerário de fé por meio do ano litúrgico. Assim, todos os anos vivenciamos a história da nossa salvação, a fim de lembrarmos de onde viemos e para onde devemos voltar. A Quaresma é um dos tempos litúrgicos da Igreja que culmina no ápice de nossa fé: a ressurreição do Senhor.

Sendo assim, é importante iniciarmos bem este período que começa com a Quarta-feira de Cinzas. Você já deve ter se perguntado de onde vêm as cinzas ou qual é a origem desta celebração. Então, confira neste artigo desde o que são as cinzas até quem pode recebê-las e qual o seu papel na vida dos fiéis.

Preparamos também um artigo sobre a Quaresma, leia aqui.

O que é a Quarta-feira de Cinzas?

A Quarta-feira de Cinzas marca o início da Quaresma, um período de 40 dias de preparação para a Páscoa. A celebração das cinzas recorda a fragilidade da vida humana e a necessidade da penitência para a nossa conversão. Sendo assim, este é um dia de jejum, especialmente porque indica o começo de um período todo de práticas mais intensas de jejum, oração e esmola.

Além disso, é um dia de oração e meditação. A Quarta-feira de Cinzas é um momento propício para refletir sobre a brevidade de nossa vida e iniciar uma preparação mais profunda para viver os mistérios pascais. Acompanhar, assim, a Paixão e a Morte de Nosso Senhor, que culminará na sua Ressureição. Neste dia, pedimos pela nossa conversão, para que possamos começar bem um novo caminho quaresmal “que se estende por quarenta dias e nos conduz à alegria da Páscoa do Senhor, à vitória da Vida sobre a morte.” 1

Qual é o significado das cinzas da quarta-feira de cinzas?

Neste dia, o primeiro da Quaresma, somos marcados pelas cinzas benzidas que

impostas sobre a nossa cabeça, são um sinal que nos recorda a nossa condição de criaturas, que nos convida à penitência e a intensificar o compromisso de conversão para seguir cada vez mais o Senhor. 2

O significado das cinzas também está presente nas Sagradas Escrituras, como veremos ainda neste artigo. Elas simbolizam a efemeridade da nossa vida — somos pó e ao pó voltaremos —, assim como a penitência, o arrependimento e a conversão.

Você sabe quais são as três grandes vias de conversão a Deus?

cinzas de quarta-feira de cinzas.

Qual é a origem da quarta-feira de cinzas?

A origem da Quarta-feira de Cinzas remonta ao início da prática cristã da Quaresma. Desde o século II, os cristãos já se preparavam para a Páscoa com dois dias de jejum e penitência. 3

No século IV, a Igreja estabeleceu um período de 40 dias de preparação para a Páscoa, inspirado nos 40 dias de jejum de Jesus no deserto. A Quaresma começava seis semanas antes da Páscoa, mas, no século VII, a contagem foi ajustada para começar na Quarta-feira, tornando-se uma jornada simbólica de 40 dias (excluindo os domingos).

A imposição das cinzas foi gradualmente introduzida ao longo dos séculos. No início, era um gesto penitencial reservado aos que, acusando-se de pecados graves, realizavam penitências públicas. Depois, conforme essa prática foi diminuindo, manteve-se a imposição das cinzas a todos os fiéis.

Que dia é a quarta-feira de cinzas em 2024?

Em 2024, a Quarta-feira de Cinzas cairá no dia 14 de fevereiro. Este é o ponto de partida da Quaresma, momento em que iniciamos também as nossas práticas e penitências quaresmais, embarcando em um genuíno caminho de conversão interior.

Confira 5 dicas práticas para viver bem a Quaresma.

Quarta-feira de cinzas na Bíblia

Nos registros do Antigo Testamento, as cinzas desempenham um papel significativo como símbolo da frágil condição humana diante do Senhor. Abraão expressa essa humildade ao se reconhecer como “pó e cinza”, enquanto Jó se compara à poeira e à cinza (Jó 30, 19)

“Sou bem atrevido em falar a meu Senhor, eu que sou pó e cinza.” 4

Livros como a Sabedoria e o Eclesiástico também utilizam o simbolismo das cinzas para representar a brevidade da vida.

Um belo dia nascemos e, depois disso, seremos como se jamais tivéssemos sido! É fumaça a respiração de nossos narizes, e nosso pensamento, uma centelha que salta do bater de nosso coração! Extinta ela, nosso corpo se tornará pó, e o nosso espírito se dissipará como um vapor inconsistente! 5

Além de simbolizar a transitoriedade da vida, as cinzas são associadas à penitência e à conversão. No Livro de Jonas, o rei de Nínive, ao se converter, manifesta seu arrependimento sentando-se sobre cinzas. 6 Jeremias 7 e Ester 8 também mencionam o uso das cinzas em contextos de luto e penitência.

Jonas foi pela cidade durante todo um dia, pregando: “Daqui a quarenta dias, Nínive será destruída”. [..] A notícia chegou ao conhecimento do rei de Nínive; ele levantou-se do seu trono, tirou o manto, cobriu-se de saco e sentou-se sobre a cinza. 9

O profeta Joel também exorta à conversão interior, destacando-a como uma transformação verdadeira do coração em direção a Deus, e não apenas gestos externos, por isso proclama:

“Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes; e convertei-vos ao Senhor vosso Deus” 10

Ao longo da Bíblia, essas referências simbólicas às cinzas ressoam como sinais de humildade, arrependimento e busca pela reconciliação com Deus. Todos esses elementos fazem parte do caminho que devemos percorrer durante todo o período quaresmal.

Conheça aqui como era a celebração da Páscoa dos judeus.

Liturgia da quarta-feira de cinzas

Nas palavras de São João Paulo II, a liturgia da quarta-feira de cinzas

pode considerar-se, de certa forma, como uma “liturgia de morte”, que remete para a Sexta-Feira Santa, onde o rito deste dia encontra o seu pleno cumprimento. Com efeito […] nós devemos morrer para nós mesmos, a fim de renascermos para a vida eterna. 11

A leitura que abre este dia para nós encontra-se no livro de Joel; ela destaca a conversão como peça fundamental deste novo período, recordando-nos a bondade e a misericórdia de Deus:

“Rasgai o coração, e não as vestes; e voltai para o Senhor, vosso Deus; ele é benigno e compassivo, paciente e cheio de misericórdia, inclinado a perdoar o castigo.” 10

O Salmo 50, presente nesta liturgia, nos conduz à penitência, enquanto a segunda leitura ressalta a reconciliação com Deus, lembrando-nos de que

“É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação.” 12

Toda a celebração está permeada de um espírito penitencial. Na abertura da Missa, buscamos a compaixão de Deus, reconhecendo nossa pequenez; pedimos que o Senhor perdoe os nossos pecados pela nossa penitência. E, após a comunhão, pedimos o auxílio divino pela Eucaristia, desejando que nosso jejum seja agradável a Deus e nos sirva como remédio espiritual.

homem com uma cruz de cinzas na testa, símbolo da quarta-feira de cinzas.

Além disso, é na Missa deste dia que acontece o rito das cinzas, após a homilia. O sacerdote abençoa as cinzas para que, em seguida, ela seja imposta na testa dos fiéis, ao mesmo tempo em que se recita a fórmula da imposição. A primeira fórmula que consta no rito é “Recorda-te que tu és pó, e ao pó voltarás” (cf. Gn 3, 19). Ela nos leva refletir sobre o início e o fim de nossa vida, bem como sobre a futilidade de nossos planos quando não estão alinhados à vontade de Deus.

Já a segunda fórmula prevista pelo rito proclama: “Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1, 15). Ela indica as condições necessárias para caminhar verdadeiramente com Cristo. É preciso “percorrer um caminho em que entramos na sua morte e ressurreição para receber a vida.” 2

Conheça como se deu a Santa Missa ao longo da história.

Quem pode receber as cinzas?

As cinzas são um sacramental, portanto, não está limitada aos católicos ou àqueles que se encontram em estado de graça.

De acordo com o Catecismo da Igreja Católica, no seu parágrafo 1670, sacramentais, como as cinzas, não concedem a graça do Espírito Santo da mesma forma que os sacramentos. Em vez disso, por meio da oração da Igreja, eles preparam para receber a graça divina e dispõem a cooperar com ela.

Sendo assim, qualquer pessoa pode receber as cinzas. Elas convidam à penitência e à participação no período quaresmal, cumprindo seu papel de sacramental nessa preparação para caminhar com a graça divina.

De onde vêm as cinzas?

Tradicionalmente, as cinzas são obtidas a partir dos ramos abençoados no Domingo de Ramos do ano anterior. Durante a celebração do Domingo de Ramos, os fiéis carregam ramos de palmeiras, ou outros ramos benditos, como símbolo da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Esses mesmos ramos, abençoados e usados na liturgia, são recolhidos e, depois de secos, queimados, resultando em cinzas finas.

Durante a celebração da Missa da Quarta-feira de Cinzas, o sacerdote faz a bênção das cinzas, tornando-as um símbolo sagrado e lembrando os fiéis da efemeridade da vida e da necessidade de penitência. Desse modo, as cinzas utilizadas neste dia têm uma origem simbólica e tradicional nos ramos abençoados do Domingo de Ramos do ano anterior, ligando esses dois momentos litúrgicos importantes no calendário cristão.

pessoas erguendo os ramos que depois são queimados para a quarta-feira de cinzas.

A quarta-feira de Cinzas é um dia de preceito?

A quarta de cinzas não é um dia de preceito. No entanto, é importante participar da Missa neste dia, que nos introduz ao caminho da Quaresma, rumo à Páscoa do Senhor. Embora não seja um dia de preceito, o jejum e a abstinência são obrigatórios aos fiéis católicos.

Entenda aqui tudo o que um católico deve saber sobre jejum e abstinência.

As cinzas na nossa vida

As cinzas, marcadas em nossa testa, convidam-nos de maneira sensível a uma reflexão profunda sobre a condição efêmera da existência humana. Além de lembrar-nos da necessidade constante de penitência e conversão, esse sinal visível recorda-nos a fragilidade da vida e o fato de que retornaremos ao pó.

Ao receber as cinzas, comprometemo-nos a viver a Quaresma intensamente, incentivados a abandonar o que nos afasta de Deus. Essa prática anual nos convida a um exame de consciência sincero, a fim de buscar uma vida alinhada com os ensinamentos de Cristo.

As cinzas na nossa vida tornam-se, portanto, a marca visível de nossa disposição para uma jornada de renovação espiritual, por meio do jejum, da esmola e da oração. Desse modo, ao cultivar uma relação mais profunda com Deus e com o próximo, preparamo-nos para vivenciar, unidos à Cristo, o mistério pascal.

Que tal conferir os passos para fazer uma boa confissão antes da Quaresma?

Referências

  1. Papa Bento XVI, Santa Missa, Bênção e Imposição das Cinzas, 13 de fevereiro de 2013[]
  2. Papa Bento XVI, Audiência Geral, 9 de março de 2011[][]
  3. VATICAN NEWS, Quarta-feira de Cinzas[]
  4. Gên 18, 27[]
  5. Sb 2, 2-3[]
  6. Jonas 3, 4. 6[]
  7. Jr 6, 26[]
  8. Est 4,1-3[]
  9. Jn 3, 4.6[]
  10. Joel 2, 13[][]
  11. Papa S. João Paulo II. Homilia na Quarta-feira de Cinzas, 13 de fevereiro de 2002[]
  12. IICor 5, 2[]

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