Espiritualidade

Segundo domingo da Quaresma: liturgia e ensinamentos

Entenda o que a Igreja nos ensina por meio da liturgia do segundo domingo da Quaresma, meditando cada uma das leituras.

Segundo domingo da Quaresma: liturgia e ensinamentos
Espiritualidade

Segundo domingo da Quaresma: liturgia e ensinamentos

Entenda o que a Igreja nos ensina por meio da liturgia do segundo domingo da Quaresma, meditando cada uma das leituras.

Data da Publicação: 16/02/2024
Tempo de leitura:
Autor: Redação Minha Biblioteca Católica
Data da Publicação: 16/02/2024
Tempo de leitura:
Autor: Redação Minha Biblioteca Católica

Entenda o que a Igreja nos ensina por meio da liturgia do segundo domingo da Quaresma, meditando cada uma das leituras.

O caminho proposto pela liturgia neste domingo é de uma riqueza sem tamanho. Com Jesus, avançaremos um pouco mais na nossa busca pela conversão nesta Quaresma, sem esmorecer e sem desesperar da Cruz.

Saiba tudo o que um católico precisa saber sobre a Quaresma, tempo de conversão.

O que celebramos no segundo domingo da Quaresma?

O segundo domingo da Quaresma vem no mesmo caminho que o domingo anterior nos propôs: formar um percurso sólido para a vivência da quaresma e preparação da Páscoa de Jesus e de nossa Páscoa com Ele.

O que a liturgia deste domingo tem a nos dizer? Resumidamente: somente na obediência e escuta radical é que podemos mostrar nossa fé em Deus e encontrar a Vida verdadeira. A fé, posta à prova, purifica-nos. Mas a Cruz, sem a experiência do poder de Deus em Jesus pode, de fato, nos paralisar.

Quais são as leituras do segundo domingo da Quaresma?

Primeira Leitura

Abraão e Isaac (óleo sobre tela). Rembrandt, 1634

A primeira leitura é extraída de Gênesis, capítulo 22 1, que narra a formidável cena de Abraão sendo posto à prova por Deus, e tendo que oferecer seu único filho, Isaac, em sacrifício.

Nesta cena, vemos a Deus Pai exigindo uma fé genuína de Abraão ao dizer: “Toma teu filho único, Isaac, a quem tanto amas, dirige-te à terra de Moriá e oferece-o aí em holocausto sobre um monte que eu te indicar” 2. Abraão, considerado o pai da fé, não hesita em oferecer seu único filho em sacrifício por amor a Deus. Ao chegar no monte indicado e, na iminência de matar Isaac, Deus intercepta Abraão e não exige mais que seja oferecido este sacrifício, pois a fé de Abraão já havia sido provada. Com essa oferta de Abraão, tão pura e genuína, Deus promete uma descendência numerosa a ele e, através dela, a benção para todas as gerações.

Entenda a origem, divisão e os principais temas tratados no Antigo Testamento.

Salmo

O salmo da liturgia do segundo Domingo da Quaresma é o 115, e este canta: andarei na presença de Deus, junto a ele na terra dos vivos.

Ele responde perfeitamente a toda temática da liturgia deste domingo! Nele, percebemos a entrega e a oferta de Abraão e de Cristo, que guardam a fé mesmo dizendo, “é demais o sofrimento em minha vida!”. Cristo e Abraão são servos de Deus e guardam a Aliança de Deus em seu coração, por isso podem cantar: 

Vou cumprir minhas promessas ao Senhor
na presença de seu povo reunido;
nos átrios da casa do Senhor,
em teu meio, ó cidade de Sião!

Prepare-se para a Páscoa com Santo Afonso se Ligório, acesse as meditações diárias para a Quaresma neste artigo.

Segunda Leitura

A segunda leitura deste domingo continua nos indicando o mesmo caminho ao qual as outras leituras nos conduzem. Nesta leitura, a Igreja nos propõe a carta de São Paulo aos Romanos 3

Esta carta de São Paulo é breve. Dirigindo-se aos Romanos para falar acerca da salvação em Jesus Cristo, o autor afirma, categoricamente, que não devemos temer a ninguém nem a nada, pois “Se Deus é por nós, quem será contra nós? Deus, que não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos daria tudo junto com ele?” 4

Esse trecho coloca em evidência a oferta do Pai através do Filho pela humanidade. Vendo esta oferta na Cruz, quem nos condenará? É a pergunta que Paulo faz aos Romanos. Deus, que não poupou seu único Filho amado? Jesus nos condenará? Ele, que morreu e ressuscitou por nós?

Saiba porque fazemos penitência na quaresma.

Evangelho

O Evangelho deste segundo Domingo da Quaresma é a narração da Transfiguração de Jesus escrito por São Marcos 5. Neste relato nos é apresentada uma verdadeira catequese sobre quem é Jesus e sobre sua missão. Jesus é apresentado, aqui, como o Filho amado de Deus. A exemplo de Abraão para com Isaac, Deus não hesita em oferecer seu único Filho em sacrifício. 

A cena relatada no evangelho acontece imediatamente após um tempo em que Jesus fora bastante áspero e duro em suas colocações para com os apóstolos. Esses momentos no Evangelho, porém, são decisivos para purificar o tipo de fé que os apóstolos devem ter no Cristo.

Jesus chama Pedro, Tiago e João, pois estes são o “núcleo” dos apóstolos. No monte, que a tradição atribui ser o Monte Tabor, os apóstolos tem uma verdadeira teofania, ou seja, manifestação de Deus. Jesus, falando com Elias e Moisés, é situado como a síntese da Lei e dos Profetas. 

Com essa cena, e com Deus chamando-O, neste momento, de Filho Amado, os apóstolos devem entender o princípio e o fundamento da pregação de Jesus, e, animados por essa experiência contemplativa, seguir as Palavras do Filho.

O Evangelho deste segundo domingo da Quaresma não se esgota tão facilmente. É de uma profundidade tal que requer mergulhar intensamente em cada um dos aspectos propostos por Deus, na liturgia, para vivermos a Quaresma.

Uma das cenas que contemplamos ao meditar os mistérios luminosos é a Transfiguração do Senhor. Que tal saber mais sobre eles?

O que o segundo domingo da Quaresma nos ensina?

A liturgia deste Domingo nos interpela a vivenciar, primeiramente, a experiência de que Deus, que poupou Isaac em Abraão, não poupou seu único Filho para nossa salvação. Como São Paulo nos diz na carta aos Romanos: a quem temer? Deus, que deu seu Filho por nós?Jesus, que se entregou livremente por nós no Altar da Cruz? É essa oferta por nós, livre e inteira, que deve nos orientar em nosso itinerário espiritual.

Além disso, o que mais deve nos impactar nesta liturgia é a experiência da transfiguração de Jesus como um fortalecimento espiritual através da contemplação do mistério. Jesus, que pregava antes de subir ao Tabor acerca da cruz, da morte, da renúncia e, antes de ser crucificado e morrer, coloca-nos a experiência da Transfiguração como chave de leitura para toda sua pregação e vida. A Cruz não deve nos paralisar, pois ela não é o fim. Da Cruz iremos à Luz. Da morte à ressurreição, com Cristo.

“Jesus queria armar os seus apóstolos com uma grande força de alma e uma constância que lhes permitissem carregar sem temor a sua própria cruz, a despeito da sua dureza. Queria também que eles não corassem com o seu suplício, que não considerassem uma vergonha a paciência com que Ele haveria de suportar uma Paixão tão cruel, sem nada perder da glória do seu poder.” 6

Confira também a liturgia e os ensinamentos do primeiro domingo da Quaresma.

Referências

  1. Gn 22,1-2.9-13.15-18[]
  2. Gn 22, 2[]
  3. Rm 8,31b-34[]
  4. Rm 8, 31-32[]
  5. MC 9,2-10[]
  6. São Leão Magno – Homilia 51, sobre a Transfiguração[]

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    Entenda o que a Igreja nos ensina por meio da liturgia do segundo domingo da Quaresma, meditando cada uma das leituras.

    O caminho proposto pela liturgia neste domingo é de uma riqueza sem tamanho. Com Jesus, avançaremos um pouco mais na nossa busca pela conversão nesta Quaresma, sem esmorecer e sem desesperar da Cruz.

    Saiba tudo o que um católico precisa saber sobre a Quaresma, tempo de conversão.

    O que celebramos no segundo domingo da Quaresma?

    O segundo domingo da Quaresma vem no mesmo caminho que o domingo anterior nos propôs: formar um percurso sólido para a vivência da quaresma e preparação da Páscoa de Jesus e de nossa Páscoa com Ele.

    O que a liturgia deste domingo tem a nos dizer? Resumidamente: somente na obediência e escuta radical é que podemos mostrar nossa fé em Deus e encontrar a Vida verdadeira. A fé, posta à prova, purifica-nos. Mas a Cruz, sem a experiência do poder de Deus em Jesus pode, de fato, nos paralisar.

    Quais são as leituras do segundo domingo da Quaresma?

    Primeira Leitura

    Abraão e Isaac (óleo sobre tela). Rembrandt, 1634

    A primeira leitura é extraída de Gênesis, capítulo 22 1, que narra a formidável cena de Abraão sendo posto à prova por Deus, e tendo que oferecer seu único filho, Isaac, em sacrifício.

    Nesta cena, vemos a Deus Pai exigindo uma fé genuína de Abraão ao dizer: “Toma teu filho único, Isaac, a quem tanto amas, dirige-te à terra de Moriá e oferece-o aí em holocausto sobre um monte que eu te indicar” 2. Abraão, considerado o pai da fé, não hesita em oferecer seu único filho em sacrifício por amor a Deus. Ao chegar no monte indicado e, na iminência de matar Isaac, Deus intercepta Abraão e não exige mais que seja oferecido este sacrifício, pois a fé de Abraão já havia sido provada. Com essa oferta de Abraão, tão pura e genuína, Deus promete uma descendência numerosa a ele e, através dela, a benção para todas as gerações.

    Entenda a origem, divisão e os principais temas tratados no Antigo Testamento.

    Salmo

    O salmo da liturgia do segundo Domingo da Quaresma é o 115, e este canta: andarei na presença de Deus, junto a ele na terra dos vivos.

    Ele responde perfeitamente a toda temática da liturgia deste domingo! Nele, percebemos a entrega e a oferta de Abraão e de Cristo, que guardam a fé mesmo dizendo, “é demais o sofrimento em minha vida!”. Cristo e Abraão são servos de Deus e guardam a Aliança de Deus em seu coração, por isso podem cantar: 

    Vou cumprir minhas promessas ao Senhor
    na presença de seu povo reunido;
    nos átrios da casa do Senhor,
    em teu meio, ó cidade de Sião!

    Prepare-se para a Páscoa com Santo Afonso se Ligório, acesse as meditações diárias para a Quaresma neste artigo.

    Segunda Leitura

    A segunda leitura deste domingo continua nos indicando o mesmo caminho ao qual as outras leituras nos conduzem. Nesta leitura, a Igreja nos propõe a carta de São Paulo aos Romanos 3

    Esta carta de São Paulo é breve. Dirigindo-se aos Romanos para falar acerca da salvação em Jesus Cristo, o autor afirma, categoricamente, que não devemos temer a ninguém nem a nada, pois “Se Deus é por nós, quem será contra nós? Deus, que não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos daria tudo junto com ele?” 4

    Esse trecho coloca em evidência a oferta do Pai através do Filho pela humanidade. Vendo esta oferta na Cruz, quem nos condenará? É a pergunta que Paulo faz aos Romanos. Deus, que não poupou seu único Filho amado? Jesus nos condenará? Ele, que morreu e ressuscitou por nós?

    Saiba porque fazemos penitência na quaresma.

    Evangelho

    O Evangelho deste segundo Domingo da Quaresma é a narração da Transfiguração de Jesus escrito por São Marcos 5. Neste relato nos é apresentada uma verdadeira catequese sobre quem é Jesus e sobre sua missão. Jesus é apresentado, aqui, como o Filho amado de Deus. A exemplo de Abraão para com Isaac, Deus não hesita em oferecer seu único Filho em sacrifício. 

    A cena relatada no evangelho acontece imediatamente após um tempo em que Jesus fora bastante áspero e duro em suas colocações para com os apóstolos. Esses momentos no Evangelho, porém, são decisivos para purificar o tipo de fé que os apóstolos devem ter no Cristo.

    Jesus chama Pedro, Tiago e João, pois estes são o “núcleo” dos apóstolos. No monte, que a tradição atribui ser o Monte Tabor, os apóstolos tem uma verdadeira teofania, ou seja, manifestação de Deus. Jesus, falando com Elias e Moisés, é situado como a síntese da Lei e dos Profetas. 

    Com essa cena, e com Deus chamando-O, neste momento, de Filho Amado, os apóstolos devem entender o princípio e o fundamento da pregação de Jesus, e, animados por essa experiência contemplativa, seguir as Palavras do Filho.

    O Evangelho deste segundo domingo da Quaresma não se esgota tão facilmente. É de uma profundidade tal que requer mergulhar intensamente em cada um dos aspectos propostos por Deus, na liturgia, para vivermos a Quaresma.

    Uma das cenas que contemplamos ao meditar os mistérios luminosos é a Transfiguração do Senhor. Que tal saber mais sobre eles?

    O que o segundo domingo da Quaresma nos ensina?

    A liturgia deste Domingo nos interpela a vivenciar, primeiramente, a experiência de que Deus, que poupou Isaac em Abraão, não poupou seu único Filho para nossa salvação. Como São Paulo nos diz na carta aos Romanos: a quem temer? Deus, que deu seu Filho por nós?Jesus, que se entregou livremente por nós no Altar da Cruz? É essa oferta por nós, livre e inteira, que deve nos orientar em nosso itinerário espiritual.

    Além disso, o que mais deve nos impactar nesta liturgia é a experiência da transfiguração de Jesus como um fortalecimento espiritual através da contemplação do mistério. Jesus, que pregava antes de subir ao Tabor acerca da cruz, da morte, da renúncia e, antes de ser crucificado e morrer, coloca-nos a experiência da Transfiguração como chave de leitura para toda sua pregação e vida. A Cruz não deve nos paralisar, pois ela não é o fim. Da Cruz iremos à Luz. Da morte à ressurreição, com Cristo.

    “Jesus queria armar os seus apóstolos com uma grande força de alma e uma constância que lhes permitissem carregar sem temor a sua própria cruz, a despeito da sua dureza. Queria também que eles não corassem com o seu suplício, que não considerassem uma vergonha a paciência com que Ele haveria de suportar uma Paixão tão cruel, sem nada perder da glória do seu poder.” 6

    Confira também a liturgia e os ensinamentos do primeiro domingo da Quaresma.

    Referências

    1. Gn 22,1-2.9-13.15-18[]
    2. Gn 22, 2[]
    3. Rm 8,31b-34[]
    4. Rm 8, 31-32[]
    5. MC 9,2-10[]
    6. São Leão Magno – Homilia 51, sobre a Transfiguração[]

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