Destaque, Espiritualidade

Primeiro domingo da Quaresma: liturgia e ensinamentos

Saiba o que a Igreja nos ensina por meio da liturgia do primeiro domingo da Quaresma, meditando cada uma das leituras.

Primeiro domingo da Quaresma: liturgia e ensinamentos
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Primeiro domingo da Quaresma: liturgia e ensinamentos

Saiba o que a Igreja nos ensina por meio da liturgia do primeiro domingo da Quaresma, meditando cada uma das leituras.

Data da Publicação: 12/02/2024
Tempo de leitura:
Autor: Redação Minha Biblioteca Católica
Data da Publicação: 12/02/2024
Tempo de leitura:
Autor: Redação Minha Biblioteca Católica

“Eis o tempo de conversão, eis o dia da salvação.” A Quaresma chega e, ano após ano, essa música, entoada em nossas paróquias, já nos impulsiona à meditação. Mas você sabia que a cada domingo a liturgia vai nos propondo um caminho espiritual? Confira, abaixo, o texto que preparamos para que você perceba a beleza da liturgia do primeiro domingo da quaresma, à qual a Igreja vai nos impelindo no início desta caminhada.

Antes de começar, encontre tudo o que um católico precisa saber sobre a o Tempo da Quaresma.

O que celebramos no primeiro domingo da Quaresma?

A Quaresma é esse tempo de árdua e profunda luta ascética em vista de nossa conversão pessoal e preparação para a vida nova na Páscoa. Com efeito, a liturgia deste primeiro domingo da quaresma vai abrir-nos, desde já, o horizonte para o qual vamos nos dirigir neste itinerário espiritual.

Em síntese, a liturgia deste primeiro domingo da quaresma vai nos falar acerca de Aliança, de salvação e, sobretudo, de tentações e lutas para vencê-las, sempre em união com Cristo. É um percurso árduo, mas que possui sua solidez no próprio Deus, e não em nós e nossas poucas forças.

Quais são as leituras do primeiro domingo da Quaresma?

Primeira Leitura

A primeira leitura é retirada do Antigo Testamento. Em Gênesis, capítulo 9, versículos 8 a 15, lemos o final do relato da Aliança que Deus realiza com a humanidade mediante Noé e a arca. Após ter exterminado a humanidade e toda criação, Deus promete: “Estabeleço convosco a minha aliança: nunca mais nenhuma criatura será exterminada pelas águas do dilúvio, e não haverá mais dilúvio para devastar a terra.”

Já aqui, na liturgia do primeiro domingo da quaresma, percebemos que a Aliança de Deus não volta mais atrás. Ele sela com a humanidade um pacto, uma aliança eterna. Deus não se cansa, nunca, de recriar a humanidade e de salvá-la da catástrofe.

Neste vídeo do nosso canal no YouTube, entenda porque Deus quis o dilúvio:

Salmo

O salmo, na liturgia, geralmente é um complemento da mensagem da primeira leitura. Neste domingo, é isto que ocorre. O salmista canta: 

Lembrai-Vos, Senhor, das vossas misericórdias
e das vossas graças que são eternas.
Lembrai-Vos de mim segundo a vossa clemência,
por causa da vossa bondade, Senhor. 1

É um hino à bondade do Senhor. Um apelo à recordação de como Deus é bom para com todos aqueles que são fieis à aliança estabelecida entre Deus e a humanidade.

Saiba mais sobre a Nova Aliança de Deus com a humanidade por meio da história dos 10 Mandamentos.

Segunda Leitura

A segunda leitura é extraída da primeira carta de São Pedro. Nesta carta, já vemos como os primeiros cristãos souberam ler os fatos e acontecimentos do Antigo Testamento à luz de Jesus, que dá sentido, o sentido pleno, a toda história de Israel.

São Pedro nos dá a chave de leitura, muito aprofundada nos padres da Igreja, do que seja a Arca de Noé: é a figura do batismo que nos salva do pecado. Diz-nos São Pedro:

“Esta água é figura do Batismo que agora vos salva, que não é uma purificação da imundície corporal, mas o compromisso para com Deus de uma boa consciência; ele vos salva pela ressurreição de Jesus Cristo.” 2

Ao cristão, que faz parte deste batismo, e agora já é criatura nova pelo poder do Espírito que ressuscitou a Jesus, deve buscar uma vida condizente com essa dignidade, se recordando do exemplo do próprio Cristo.

Evangelho

O centro da liturgia deste primeiro domingo da quaresma está no próprio Evangelho, que possui, neste relato, duas cenas importantes: a primeira, o relato referente à tentação de Jesus no deserto, e a segunda cena, o anúncio do Reino e exortação à conversão 3

A primeira parte do relato, que é a de Jesus sendo tentado por 40 dias no deserto, narra, de modo muito sucinto, que o próprio Senhor escolheu, livremente, passar por este momento de escolha fundamental de lutar e vencer as tentações. A razão desta escolha de local tem a ver com a visão de deserto que a própria Escritura nos evoca: local de encontro com Deus, como foi o tempo do povo de Israel nos quarenta anos. Jesus vai ao deserto para um encontro com Deus, que perpassa as tentações, em Marcos não detalhadas, mas subentendidas: tentações de poder, de autoridade, de messianismo político, muito distante da missão de Cristo.

Na segunda parte do Evangelho da primeira semana da quaresma, Cristo nos faz um alerta, que ouvimos na liturgia da Quarta-feira de Cinzas, e que deve rasgar nosso coração: “Convertei-vos e crede no Evangelho!” 4. O Reino de Deus que chega até nós exige-nos uma resposta à altura. 

jesus sendo tentado no deserto, a liturgia do primeiro domingo da quaresma.

Para aprofundar-se no tema do Evangelho, conheça o que são as tentações e como podemos combatê-las.

O que o primeiro domingo da Quaresma nos ensina?

A liturgia deste primeiro domingo da Quaresma trás a nós alguns ensinamentos chave que norteiam nossa caminhada inicial de penitência, jejum, esmola e oração. Deus evoca, pela liturgia, as seguintes palavras norteadoras: tentação, conversão e Boa Nova.

Em primeiro lugar, Deus nos conduz, assim como conduziu a Jesus, à luta contra as tentações. Essa luta é essencial para o nosso fortalecimento espiritual. Esse fortalecimento é necessário para o segundo passo: a nossa conversão pessoal à Boa Nova anunciada por Jesus. Deus não se cansa, nunca, de nos recriar, de fazer em nós novas todas as coisas. Cabe a nós a conversão pessoal e adesão plena ao projeto de Deus.

É por isso que, a cada ano, somos como que empurrados para a vivência deste tempo quaresmal, a fim de que tenhamos a devida orientação a Deus, sempre, em cada dia. 

Confira como viver bem a Quaresma em 5 dicas práticas

E que tal refletir um pouco mais com uma meditação de Santo Afonso de Ligório para este domingo?

Referências

  1. Salmo 24[]
  2. IPd 3, 20-21[]
  3. cf. Mc 1, 12-15[]
  4. Mc 1, 15[]

Redação Minha Biblioteca Católica

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“Eis o tempo de conversão, eis o dia da salvação.” A Quaresma chega e, ano após ano, essa música, entoada em nossas paróquias, já nos impulsiona à meditação. Mas você sabia que a cada domingo a liturgia vai nos propondo um caminho espiritual? Confira, abaixo, o texto que preparamos para que você perceba a beleza da liturgia do primeiro domingo da quaresma, à qual a Igreja vai nos impelindo no início desta caminhada.

Antes de começar, encontre tudo o que um católico precisa saber sobre a o Tempo da Quaresma.

O que celebramos no primeiro domingo da Quaresma?

A Quaresma é esse tempo de árdua e profunda luta ascética em vista de nossa conversão pessoal e preparação para a vida nova na Páscoa. Com efeito, a liturgia deste primeiro domingo da quaresma vai abrir-nos, desde já, o horizonte para o qual vamos nos dirigir neste itinerário espiritual.

Em síntese, a liturgia deste primeiro domingo da quaresma vai nos falar acerca de Aliança, de salvação e, sobretudo, de tentações e lutas para vencê-las, sempre em união com Cristo. É um percurso árduo, mas que possui sua solidez no próprio Deus, e não em nós e nossas poucas forças.

Quais são as leituras do primeiro domingo da Quaresma?

Primeira Leitura

A primeira leitura é retirada do Antigo Testamento. Em Gênesis, capítulo 9, versículos 8 a 15, lemos o final do relato da Aliança que Deus realiza com a humanidade mediante Noé e a arca. Após ter exterminado a humanidade e toda criação, Deus promete: “Estabeleço convosco a minha aliança: nunca mais nenhuma criatura será exterminada pelas águas do dilúvio, e não haverá mais dilúvio para devastar a terra.”

Já aqui, na liturgia do primeiro domingo da quaresma, percebemos que a Aliança de Deus não volta mais atrás. Ele sela com a humanidade um pacto, uma aliança eterna. Deus não se cansa, nunca, de recriar a humanidade e de salvá-la da catástrofe.

Neste vídeo do nosso canal no YouTube, entenda porque Deus quis o dilúvio:

Salmo

O salmo, na liturgia, geralmente é um complemento da mensagem da primeira leitura. Neste domingo, é isto que ocorre. O salmista canta: 

Lembrai-Vos, Senhor, das vossas misericórdias
e das vossas graças que são eternas.
Lembrai-Vos de mim segundo a vossa clemência,
por causa da vossa bondade, Senhor. 1

É um hino à bondade do Senhor. Um apelo à recordação de como Deus é bom para com todos aqueles que são fieis à aliança estabelecida entre Deus e a humanidade.

Saiba mais sobre a Nova Aliança de Deus com a humanidade por meio da história dos 10 Mandamentos.

Segunda Leitura

A segunda leitura é extraída da primeira carta de São Pedro. Nesta carta, já vemos como os primeiros cristãos souberam ler os fatos e acontecimentos do Antigo Testamento à luz de Jesus, que dá sentido, o sentido pleno, a toda história de Israel.

São Pedro nos dá a chave de leitura, muito aprofundada nos padres da Igreja, do que seja a Arca de Noé: é a figura do batismo que nos salva do pecado. Diz-nos São Pedro:

“Esta água é figura do Batismo que agora vos salva, que não é uma purificação da imundície corporal, mas o compromisso para com Deus de uma boa consciência; ele vos salva pela ressurreição de Jesus Cristo.” 2

Ao cristão, que faz parte deste batismo, e agora já é criatura nova pelo poder do Espírito que ressuscitou a Jesus, deve buscar uma vida condizente com essa dignidade, se recordando do exemplo do próprio Cristo.

Evangelho

O centro da liturgia deste primeiro domingo da quaresma está no próprio Evangelho, que possui, neste relato, duas cenas importantes: a primeira, o relato referente à tentação de Jesus no deserto, e a segunda cena, o anúncio do Reino e exortação à conversão 3

A primeira parte do relato, que é a de Jesus sendo tentado por 40 dias no deserto, narra, de modo muito sucinto, que o próprio Senhor escolheu, livremente, passar por este momento de escolha fundamental de lutar e vencer as tentações. A razão desta escolha de local tem a ver com a visão de deserto que a própria Escritura nos evoca: local de encontro com Deus, como foi o tempo do povo de Israel nos quarenta anos. Jesus vai ao deserto para um encontro com Deus, que perpassa as tentações, em Marcos não detalhadas, mas subentendidas: tentações de poder, de autoridade, de messianismo político, muito distante da missão de Cristo.

Na segunda parte do Evangelho da primeira semana da quaresma, Cristo nos faz um alerta, que ouvimos na liturgia da Quarta-feira de Cinzas, e que deve rasgar nosso coração: “Convertei-vos e crede no Evangelho!” 4. O Reino de Deus que chega até nós exige-nos uma resposta à altura. 

jesus sendo tentado no deserto, a liturgia do primeiro domingo da quaresma.

Para aprofundar-se no tema do Evangelho, conheça o que são as tentações e como podemos combatê-las.

O que o primeiro domingo da Quaresma nos ensina?

A liturgia deste primeiro domingo da Quaresma trás a nós alguns ensinamentos chave que norteiam nossa caminhada inicial de penitência, jejum, esmola e oração. Deus evoca, pela liturgia, as seguintes palavras norteadoras: tentação, conversão e Boa Nova.

Em primeiro lugar, Deus nos conduz, assim como conduziu a Jesus, à luta contra as tentações. Essa luta é essencial para o nosso fortalecimento espiritual. Esse fortalecimento é necessário para o segundo passo: a nossa conversão pessoal à Boa Nova anunciada por Jesus. Deus não se cansa, nunca, de nos recriar, de fazer em nós novas todas as coisas. Cabe a nós a conversão pessoal e adesão plena ao projeto de Deus.

É por isso que, a cada ano, somos como que empurrados para a vivência deste tempo quaresmal, a fim de que tenhamos a devida orientação a Deus, sempre, em cada dia. 

Confira como viver bem a Quaresma em 5 dicas práticas

E que tal refletir um pouco mais com uma meditação de Santo Afonso de Ligório para este domingo?

Referências

  1. Salmo 24[]
  2. IPd 3, 20-21[]
  3. cf. Mc 1, 12-15[]
  4. Mc 1, 15[]

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