Formação

Natal Escrito nas Estrelas

Entenda todo o simbolismo do Natal: as estrelas, os magos, o que o céu tem a ver com o nascimento do Menino Jesus?

Natal Escrito nas Estrelas
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Natal Escrito nas Estrelas

Entenda todo o simbolismo do Natal: as estrelas, os magos, o que o céu tem a ver com o nascimento do Menino Jesus?

Data da Publicação: 15/12/2023
Tempo de leitura:
Autor: Dayane Dal Vesco
Data da Publicação: 15/12/2023
Tempo de leitura:
Autor: Dayane Dal Vesco

Para além das músicas festivas, Roberto Carlos e reuniões de família, existe um Natal que poucos conhecem que se assemelha, e muito, ao dos filmes, repleto de magia e de simbolismo.

Sim, isso mesmo! O Natal, para nós Católicos, é uma das nossas mais ricas festas, carregada de simbolismos que nos inspiram a voltar cada vez mais a nossa atenção para criação em busca de seus significados catequéticos e inspiradores. Com a história dos Reis Magos e da estrela guia não seria diferente, já que ela traz em seu enredo coisas como profecias dos antepassados dos Magos que datam 500 anos a.C. e anos e anos de observação dos astros a fim de estarem prontos no momento e no lugar exatos do surgimento Daquele que traria salvação.

Como você pode ver, o céu certamente foi testemunha da esperança de um povo de que Deus não os abandonaria. 

Já começou a rezar a Novena de Natal?

Os magos eram mesmo astrólogos?

Adoração dos Magos, forte no simbolismo do Natal.
Adoração dos Magos, Murillo.

Sim, isso mesmo! Os três reis magos eram descendentes da tribo de Jó e viviam em uma região próxima às Montanhas do Cáucaso, eles criam em uma profecia de bênçãos para Israel feita por Balaão por ordem de Deus, sobre a estrela de Jacó, o que fez com que seus antepassados, 500 anos a.c. construíssem uma torre alta para que pudessem observar e estudar noite após noite as estrelas, as constelações, os movimentos dos astros e os ciclos lunares, tudo isso para estarem preparados para o cumprimento da profecia.

Eles eram reis, porque eram chefes de suas respectivas tribos e magos, por serem conhecidos então como astrólogos. Não eram apenas homens conhecedores desses mistérios, mas sim sábios, homens que conheciam a verdadeira filosofia, aquela que nos puxa para fora de nós mesmos, que nos remonta a essência da verdadeira religião, eles reconheceriam a verdade ao vê-la, já que a buscavam incansavelmente. 

Dentre os vários significados para o termo “mago”, conclui-se que no que diz respeito a eles, fazia menção aos membros de uma casta sacerdotal ou que eram detentores de saberes sobrenaturais, cujas ideias eram fortemente influenciadas pelos pensamentos filosóficos.

Você sabe o que é a Oitava de Natal?

O simbolismo do Natal: O Céu falou com os Magos

Na Igreja antiga, alguns Santos defendiam a opinião de que a estrela vista pelos magos, não era uma estrela comum, mas sim, algo com poder sobrenatural que tomara tal forma a fim de atraí-los. 

A questão é que com o avanço dos estudos astronômicos, realizados inclusive por crentes católicos, constata-se que um evento de conjunção planetária seria suficiente para produzir no céu um brilho diferente e mais, inspirar os crentes das mais variadas crenças a interpretá-lo, segundo sua própria cultura.

Nos anos 6 ou 7 a.c. (data mais precisa do nascimento de Cristo) estima-se que ocorreu uma conjunção entre os planetas Júpiter, Saturno e Marte no signo de Peixes, signo esse conhecido por ser o último signo do gélido inverno do hemisfério norte, anunciando assim a primavera vindoura, que ainda não podia ser vista a olho nu, mas que a sua chegada, de alguma forma, já podia ser sentida, se sabia que algo novo e transformador está prestes a acontecer. Não seria diferente com o nascimento do tão esperado Messias, salvador não só dos Judeus, mas para a nossa sorte, dos gentios também, ou seja, de toda a humanidade.

Júpiter e Saturno, que fizeram parte da conjunção nos tempos do nascimento de Jesus e reforçam o simbolismo do natal.
Júpiter e Saturno, que fizeram parte da conjunção nos tempos do nascimento de Jesus e reforçam o simbolismo do natal.

Outro fato interessante é que Júpiter, para a cultura local, representa o principal deus babilonico, Marduq, e nessa conjução, ele aparecia no ceu no seu maximo explendor, ao lado de Saturno, o representante cosmico do povo Judeu, fazendo com que os astronomos babilonicos compreendessem a importancia do evento que estava acontecendo: nascia no pais de Judá, um soberano, que traria a salvação para o povo.

Curiosidade: Por que não cantamos o Glória no Advento?

Das Estrelas veio a Esperança

Bem sabemos que a conjunção dos Planetas trazia consigo a mensagem do cumprimento de uma profecia antiga para aquele povo, mas seria isso suficiente para fazê-los peregrinaram por tantos dias na direção daquele sinal no céu, sem mais nada saber? 

O que moveu o coração dos magos não foi o sinal no céu, não foram os anos de observação atenta em uma espera ativa por esse grande dia; o que os moveu foi a esperança. A esperança da salvação do seu povo, e no momento em que, essa esperança na pessoa dos três Reis Magos, contempla Deus menino, vemos, segundo Bento XVI em seu livro a Infância de Jesus, a imagem simbólica da humanidade que se prostra diante de Deus e da Verdade, cada um oferecendo o que lhe é próprio.

Os magos caminharam guiados pela esperança, não na estrela, mas no que ela simbolizava, assim como nós, povo de Deus, caminhamos para Cristo guiados por Seus sinais na criação. Bento XVI, no livro já citado, nós diz o seguinte sobre a gramática da criação:

Jesus de Nazaré, obra de Bento XVI em três volumes, reunidos nessa edição da Minha Biblioteca Católica.

“Se os magos, que andavam à procura do rei dos judeus guiados pela estrela, representam o movimento dos povos para Cristo, isso significa implicitamente que o universo fala de Cristo, mas a sua linguagem não é totalmente decifrável para o homem nas suas condições reais. A linguagem da criação oferece variadas indicações: suscita no homem a intuição do Criador; além disso, suscita a expectativa, antes a esperança de que um dia este Deus se manifestará; e ao mesmo tempo suscita a consciência de que o homem pode e deve ir ao encontro d’Ele.”

Jesus de Nazaré, Joseph Ratzinger 1

Os Reis magos inspiram também a nós, a nos prostramos diante do menino em sua humilde manjedoura, e dar-lhe tudo o que temos, não porque sinais externos nos impulsionam, mas que nasce, no natal, o motivo da nossa esperança. 

Confira dicas para viver bem o Advento!

O simbolismo e o sentido do Natal

A estrela de Belém, independente se ela foi uma resultante do esplendor de Júpiter e Saturno ou um milagre promovido por Deus, se bem que, penso eu, toda criação é uma espécie de milagre; anuncia para nós a esperança em um Deus que se fez homem para nos salvar, que nos ama tão apaixonadamente e profundamente, que quis descer até nós para que pudéssemos, com seu auxílio e misericórdia, retornar para Ele um dia. 

Ainda que toda a criação fale de Deus, que seja a sua manifestação visível, nada poderia ser mais simbólico para nós, do que Deus ter amado tanto “o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”  (João 3, 16).

Já ouviu falar da Novena da Epifania do Senhor? Não deixe de conferir!

Referências

  1. Jesus de Nazaré / Joseph Ratzinger ; tradução
    Bruno Bastos Lins , José Jacinto Ferreira
    de Farias. — Dois Irmãos, RS : Minha Biblioteca
    Católica, 2021.[]

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    Dayane Dal Vesco

    Psicoterapeuta, casada com o Marcos, mãe de 2 filhos na terra e 3 no céu. Acesse seu perfil no Instagram e conheça mais sobre a autora @dayanedalvesco.

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    O que você vai encontrar neste artigo?

    Para além das músicas festivas, Roberto Carlos e reuniões de família, existe um Natal que poucos conhecem que se assemelha, e muito, ao dos filmes, repleto de magia e de simbolismo.

    Sim, isso mesmo! O Natal, para nós Católicos, é uma das nossas mais ricas festas, carregada de simbolismos que nos inspiram a voltar cada vez mais a nossa atenção para criação em busca de seus significados catequéticos e inspiradores. Com a história dos Reis Magos e da estrela guia não seria diferente, já que ela traz em seu enredo coisas como profecias dos antepassados dos Magos que datam 500 anos a.C. e anos e anos de observação dos astros a fim de estarem prontos no momento e no lugar exatos do surgimento Daquele que traria salvação.

    Como você pode ver, o céu certamente foi testemunha da esperança de um povo de que Deus não os abandonaria. 

    Já começou a rezar a Novena de Natal?

    Os magos eram mesmo astrólogos?

    Adoração dos Magos, forte no simbolismo do Natal.
    Adoração dos Magos, Murillo.

    Sim, isso mesmo! Os três reis magos eram descendentes da tribo de Jó e viviam em uma região próxima às Montanhas do Cáucaso, eles criam em uma profecia de bênçãos para Israel feita por Balaão por ordem de Deus, sobre a estrela de Jacó, o que fez com que seus antepassados, 500 anos a.c. construíssem uma torre alta para que pudessem observar e estudar noite após noite as estrelas, as constelações, os movimentos dos astros e os ciclos lunares, tudo isso para estarem preparados para o cumprimento da profecia.

    Eles eram reis, porque eram chefes de suas respectivas tribos e magos, por serem conhecidos então como astrólogos. Não eram apenas homens conhecedores desses mistérios, mas sim sábios, homens que conheciam a verdadeira filosofia, aquela que nos puxa para fora de nós mesmos, que nos remonta a essência da verdadeira religião, eles reconheceriam a verdade ao vê-la, já que a buscavam incansavelmente. 

    Dentre os vários significados para o termo “mago”, conclui-se que no que diz respeito a eles, fazia menção aos membros de uma casta sacerdotal ou que eram detentores de saberes sobrenaturais, cujas ideias eram fortemente influenciadas pelos pensamentos filosóficos.

    Você sabe o que é a Oitava de Natal?

    O simbolismo do Natal: O Céu falou com os Magos

    Na Igreja antiga, alguns Santos defendiam a opinião de que a estrela vista pelos magos, não era uma estrela comum, mas sim, algo com poder sobrenatural que tomara tal forma a fim de atraí-los. 

    A questão é que com o avanço dos estudos astronômicos, realizados inclusive por crentes católicos, constata-se que um evento de conjunção planetária seria suficiente para produzir no céu um brilho diferente e mais, inspirar os crentes das mais variadas crenças a interpretá-lo, segundo sua própria cultura.

    Nos anos 6 ou 7 a.c. (data mais precisa do nascimento de Cristo) estima-se que ocorreu uma conjunção entre os planetas Júpiter, Saturno e Marte no signo de Peixes, signo esse conhecido por ser o último signo do gélido inverno do hemisfério norte, anunciando assim a primavera vindoura, que ainda não podia ser vista a olho nu, mas que a sua chegada, de alguma forma, já podia ser sentida, se sabia que algo novo e transformador está prestes a acontecer. Não seria diferente com o nascimento do tão esperado Messias, salvador não só dos Judeus, mas para a nossa sorte, dos gentios também, ou seja, de toda a humanidade.

    Júpiter e Saturno, que fizeram parte da conjunção nos tempos do nascimento de Jesus e reforçam o simbolismo do natal.
    Júpiter e Saturno, que fizeram parte da conjunção nos tempos do nascimento de Jesus e reforçam o simbolismo do natal.

    Outro fato interessante é que Júpiter, para a cultura local, representa o principal deus babilonico, Marduq, e nessa conjução, ele aparecia no ceu no seu maximo explendor, ao lado de Saturno, o representante cosmico do povo Judeu, fazendo com que os astronomos babilonicos compreendessem a importancia do evento que estava acontecendo: nascia no pais de Judá, um soberano, que traria a salvação para o povo.

    Curiosidade: Por que não cantamos o Glória no Advento?

    Das Estrelas veio a Esperança

    Bem sabemos que a conjunção dos Planetas trazia consigo a mensagem do cumprimento de uma profecia antiga para aquele povo, mas seria isso suficiente para fazê-los peregrinaram por tantos dias na direção daquele sinal no céu, sem mais nada saber? 

    O que moveu o coração dos magos não foi o sinal no céu, não foram os anos de observação atenta em uma espera ativa por esse grande dia; o que os moveu foi a esperança. A esperança da salvação do seu povo, e no momento em que, essa esperança na pessoa dos três Reis Magos, contempla Deus menino, vemos, segundo Bento XVI em seu livro a Infância de Jesus, a imagem simbólica da humanidade que se prostra diante de Deus e da Verdade, cada um oferecendo o que lhe é próprio.

    Os magos caminharam guiados pela esperança, não na estrela, mas no que ela simbolizava, assim como nós, povo de Deus, caminhamos para Cristo guiados por Seus sinais na criação. Bento XVI, no livro já citado, nós diz o seguinte sobre a gramática da criação:

    Jesus de Nazaré, obra de Bento XVI em três volumes, reunidos nessa edição da Minha Biblioteca Católica.

    “Se os magos, que andavam à procura do rei dos judeus guiados pela estrela, representam o movimento dos povos para Cristo, isso significa implicitamente que o universo fala de Cristo, mas a sua linguagem não é totalmente decifrável para o homem nas suas condições reais. A linguagem da criação oferece variadas indicações: suscita no homem a intuição do Criador; além disso, suscita a expectativa, antes a esperança de que um dia este Deus se manifestará; e ao mesmo tempo suscita a consciência de que o homem pode e deve ir ao encontro d’Ele.”

    Jesus de Nazaré, Joseph Ratzinger 1

    Os Reis magos inspiram também a nós, a nos prostramos diante do menino em sua humilde manjedoura, e dar-lhe tudo o que temos, não porque sinais externos nos impulsionam, mas que nasce, no natal, o motivo da nossa esperança. 

    Confira dicas para viver bem o Advento!

    O simbolismo e o sentido do Natal

    A estrela de Belém, independente se ela foi uma resultante do esplendor de Júpiter e Saturno ou um milagre promovido por Deus, se bem que, penso eu, toda criação é uma espécie de milagre; anuncia para nós a esperança em um Deus que se fez homem para nos salvar, que nos ama tão apaixonadamente e profundamente, que quis descer até nós para que pudéssemos, com seu auxílio e misericórdia, retornar para Ele um dia. 

    Ainda que toda a criação fale de Deus, que seja a sua manifestação visível, nada poderia ser mais simbólico para nós, do que Deus ter amado tanto “o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”  (João 3, 16).

    Já ouviu falar da Novena da Epifania do Senhor? Não deixe de conferir!

    Referências

    1. Jesus de Nazaré / Joseph Ratzinger ; tradução
      Bruno Bastos Lins , José Jacinto Ferreira
      de Farias. — Dois Irmãos, RS : Minha Biblioteca
      Católica, 2021.[]

    Dayane Dal Vesco

    Psicoterapeuta, casada com o Marcos, mãe de 2 filhos na terra e 3 no céu. Acesse seu perfil no Instagram e conheça mais sobre a autora @dayanedalvesco.

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