Devoção

A vida de Santa Teresa d’Ávila

Conheça a vida de Santa Teresa d’Ávila, uma grande santa e doutora da Igreja que deixou um valioso legado na espiritualidade cristã.

A vida de Santa Teresa d’Ávila
Devoção

A vida de Santa Teresa d’Ávila

Conheça a vida de Santa Teresa d’Ávila, uma grande santa e doutora da Igreja que deixou um valioso legado na espiritualidade cristã.

Data da Publicação: 14/10/2023
Tempo de leitura:
Autor: Redação MBC
Data da Publicação: 14/10/2023
Tempo de leitura:
Autor: Redação MBC

Como Santa Teresa D’Ávila conquistou o título de Doutora da Igreja? Sua vida e seus ensinamentos tiveram um impacto profundo na teologia espiritual e mística da Igreja Católica, rendendo-lhe esse título. No entanto, a própria Santa Teresa experimentou períodos de desafios em sua vida de oração até chegar à sua “determinada decisão”. Portanto, a vida de Santa Teresa d’Ávila e seus escritos oferecem valiosos ensinamentos sobre a vida espiritual, a oração e a busca da união com Deus.

Neste artigo, convidamos você a se aprofundar na vida de Santa Teresa, desde episódios memoráveis de sua infância e juventude até suas experiências místicas e obras mais notáveis. Além disso, examinaremos o papel fundamental que a santa desempenhou na reforma da Ordem das Carmelitas e destacaremos os santos que foram seus devotos e seguiram seu legado.

Quem foi Santa Teresa d’Ávila?

Santa Teresa d’Ávila, conhecida como Santa Teresa de Jesus, é uma Doutora da Igreja que representa um dos pilares da espiritualidade cristã de todos os tempos. Ela é reverenciada por sua profunda espiritualidade, seus escritos místicos e sua dedicação à reforma da Ordem Carmelita.

Além disso, Santa Teresa é amplamente reconhecida como uma das mais importantes teólogas e místicas da história da Igreja Católica, cujo legado continua a inspirar e iluminar o caminho espiritual de muitos fiéis.

Os principais episódios da vida de Santa Teresa d’Ávila

Nascimento e infância

Santa Teresa de Ávila nasceu em Ávila, na Espanha, em 1515. Seus pais eram virtuosos e tementes a Deus, e sua família era numerosa, sendo nove irmãos e três irmãs. A infância de Teresa foi marcada por um profundo desejo de santidade, ela recebeu uma boa educação religiosa e gostava de meditar sobre a vida eterna com seu irmão.

Já com menos de 9 anos, tendo lido histórias de mártires que a inspiraram a desejar o martírio, chega a tentar uma breve fuga da cidade na esperança de morrer como mártir e ir para o Céu. A jovem Teresa expressou seu desejo ao dizer aos pais: “Quero ver Deus.” 1

No entanto, na adolescência, Teresa foi influenciada pela leitura de livros seculares e envolveu-se em distrações mundanas, o que a afastou do caminho espiritual. Sendo assim, seu pai a colocou num convento para se tornar aluna das monjas agostinianas em Santa Maria das Graças de Ávila. Neste convento, Teresa começou a ler livros espirituais, sobretudo os textos de espiritualidade franciscana e essas experiências a guiaram de volta à devoção e à oração, preparando o terreno para seu futuro compromisso religioso.

Ingresso no convento

Inicialmente, Santa Teresa,  nutria uma aversão à ideia de entrar definitivamente em um convento, mantendo o desejo de se casar. No entanto, depois de refletir sobre a sua vocação, percebeu que seu maior anseio era alcançar o Céu, e a vida religiosa seria o melhor caminho para alcançá-lo.

No entanto, o pai de Teresa queria que ela cuidasse da casa e dos irmãos mais novos após a morte de sua mãe. Ela atendeu o desejo de seu pai durante dois anos, mas quando ficou claro que ele não permitiria sua entrada no convento, Teresa fugiu de casa e, com 20 anos, ingressou no Convento das Irmãs Carmelitas da Encarnação de Ávila, o Mosteiro da Encarnação. Na vida religiosa adota o nome de Teresa de Jesus.

A vida de Santa Teresa d’Ávila mudou depois da doença que a paralisou

Logo após entrar no convento, Santa Teresa foi acometida por uma doença desconhecida que, por fim, se revelaria como seu caminho de salvação espiritual. Infelizmente o mosteiro passava por um período em que as monjas levavam uma vida bem pouco exemplar e piedosa — a reforma da Ordem Carmelita viria depois com Teresa —, o que refletia na vida de Teresa.

Ao perceber que a saúde de sua filha não melhorava, o pai de Teresa a levou em busca de tratamento. Durante esse período de enfermidade, ela experimentou um despertar espiritual profundo e passou a rezar com maior fervor. No entanto, o tratamento não trouxe alívio, e Teresa retornou ao convento, onde enfrentou uma condição tão grave que esteve à beira da morte.

Após uma longa e árdua recuperação, Teresa abandona novamente sua prática de oração íntima e pessoal — concentrando-se nas orações em conjunto com as monjas do convento. No entanto, seu pai intensificou sua própria vida de oração e passou a discutir questões espirituais com a filha. Sendo assim, após a morte de seu pai, Teresa retomou de forma determinada a sua vida de oração. E foi nesse período que ela experimentou uma conversão espiritual profunda, marcando o início de sua jornada mística aos 40 anos de idade.

Experiências místicas e primeiras obras

Uma experiência mística marcante na vida de Santa Teresa ocorreu enquanto ela rezava diante de uma imagem de Jesus sofredor, flagelado e coroado de espinhos. Nesse momento, Teresa pergunta a Jesus o motivo de Seu sofrimento e, de forma mística e extraordinária, o Senhor revela que sofria devido às conversas vãs que ela tinha no convento.

Essa revelação teve um impacto profundo em sua vida e espiritualidade. As palavras de Cristo a inspiraram a uma conversão radical, direcionando-a para uma vida mais profunda e devota. Nesse sentido, essa e outras experiências místicas, como a transverberação, influenciaram sobretudo suas primeiras obras, como “O Livro da Vida” e “Caminho de Perfeição”. Nessas obras, Teresa compartilha sua compreensão espiritual e encoraja — e ensina — outros a buscarem uma união mais profunda com Deus por meio da oração íntima.

A Transverberação é um dos eventos mais conhecidos na vida de Santa Teresa, descrito em sua obra “Livro da Vida”. Além disso, essa experiência mística é frequentemente retratada nas representações artísticas, mostrando Santa Teresa com uma lança ou flecha transpassando seu coração, simbolizando essa experiência de amor divino extremo e profunda união com Deus.

Reforma do Carmelo, críticas e perseguições

A Reforma do Carmelo, liderada por Santa Teresa de Ávila no século XVI, buscou restaurar a austeridade e a espiritualidade na Ordem Carmelita, que havia perdido seu rigor original. Teresa iniciou seu esforço em 1562, estabelecendo o Convento de São José em Ávila, um modelo para suas reformas. 1 Ela promoveu uma vida mais austera, dedicada à oração contemplativa e ao recolhimento interior.

No entanto, suas reformas encontraram resistência, tanto de dentro da Ordem quanto de autoridades eclesiásticas. Alguns membros carmelitas eram contrários à mudança e criticavam suas ideias, argumentando que ela não tinha autoridade para reformar a Ordem. Além disso, autoridades eclesiásticas, incluindo bispos e inquisidores, questionaram suas motivações e a validade de suas reformas.

As perseguições e críticas vieram de várias frentes. Alguns membros da Ordem a acusaram de tentar enfraquecer a tradição carmelita, e bispos locais mostraram resistência a suas reformas. A Inquisição também a investigou em busca de heresia. No entanto, Santa Teresa perseverou em sua missão, fundando diversos conventos reformados em toda a Espanha e escrevendo obras espirituais notáveis para defender suas ideias.

Nos anos subsequentes, Santa Teresa continuou a estabelecer novos Carmelos reformados, totalizando 17 conventos. 1 Um grande marco foi seu encontro com São João da Cruz em 1568, resultando na criação do primeiro convento de Carmelitas descalços em Duruelo, próximo a Ávila. E, mais tarde, em 1580, Santa Teresa obteve da Santa Sé a autorização para a criação de uma Província autônoma para seus Carmelos reformados. Esse evento foi o ponto de partida da Ordem religiosa dos Carmelitas Descalços. 1

Conheça mais sobre a amizade entre Santa Teresa d’Ávila e São João da Cruz.

Principais obras de Santa Teresa d’Ávila

Caminho de Perfeição

“Caminho de Perfeição” é uma obra de Santa Teresa de Ávila, destinada inicialmente a um grupo de doze noviças do Carmelo de São José, em Ávila. Pois as monjas, ao verem que sua Madre tinha dons místicos, pediram que ela as ensinasse a rezar.

Desse modo, a obra propõe um programa de vida contemplativa ao serviço da Igreja, baseado nas virtudes evangélicas e na oração. Santa Teresa, então, compartilha preciosos ensinamentos da vida de oração, incluindo um comentário sobre o Pai-Nosso. Além disso, ela oferece orientações para lidar com certas tentações prejudiciais que, por parecem pequenas, poderiam ser ignoradas.

Castelo interior

“O Castelo Interior” é a obra mística mais famosa de Santa Teresa de Ávila, escrita em 1577, na maturidade de sua vida espiritual. Nesse livro, Santa Teresa oferece uma releitura de seu próprio caminho espiritual e revela o possível desenvolvimento da vida cristã em direção à santidade, sob a influência do Espírito Santo. 

Ela utiliza a metáfora de um castelo com sete quartos para representar a interioridade humana. Desse modo, a obra descreve as “Sete Moradas”, detalhando a jornada espiritual da alma até atingir a sétima e última morada, onde alcança a união completa com Deus, proporcionando uma profunda compreensão da vida piedosa e da proximidade com Deus.

Livro da Vida

livro da vida de santa teresa d´ávila

“O Livro da Vida” é a autobiografia de Santa Teresa de Ávila, escrita no Carmelo de Ávila, em 1565. Nesta obra, ela compartilha detalhes de sua vida desde a infância até suas experiências de intimidade com Deus, sob a orientação de São João de Ávila. Santa Teresa busca evidenciar a presença e a ação misericordiosa de Deus em sua vida, frequentemente citando diálogos de oração com o Senhor. É uma leitura cativante que revela não apenas a narrativa de sua vida, mas a vivência profunda de sua relação com Deus, unindo a teologia mística à experiência mística.

As edições da MBC das obras de Santa Teresa d’Ávila estão disponíveis na loja do assinante do nosso clube. Saiba como fazer parte do clube e adquiri-las.

A vida de Santa Teresa d’Ávila após sua morte

Canonização

Santa Teresa de Ávila concluiu sua vida terrena em pleno trabalho de fundação, em 1582, após estabelecer o Carmelo de Burgos. No retorno a Ávila, faleceu em 15 de outubro em Alba de Tormes, proferindo humildemente as palavras “No fim, morro como filha da Igreja”. Sua vida dedicada à Espanha reverberou em toda a Igreja. Ela foi beatificada pelo Papa Paulo V, em 1614, e canonizada em 1622, por Gregório XV. 1

Doutora da Igreja

Santa Teresa de Ávila foi proclamada “Doutora da Igreja” pelo Papa Paulo VI em 1970. Esse título foi conferido em reconhecimento à sua profunda contribuição à teologia e à espiritualidade cristãs. Suas obras, marcadas por sua experiência mística e ensinamentos sobre a vida interior, tiveram um impacto significativo na teologia e na prática espiritual ao longo do tempo. Assim, Santa Teresa de Ávila se tornou a primeira mulher a receber o título de Doutora da Igreja, destacando sua importância e influência na história da Igreja.

Santos que foram seus devotos

Assim como Santa Teresa d’Ávila se alimentava espiritualmente com escritos de Padres da Igreja, como São Jerônimo, São Gregório Magno e Santo Agostinho 1, a vida de Santa Teresa, com sua profunda espiritualidade e seus ensinamentos, também influenciou muitos santos ao longo da história. Alguns deles se destacam como devotos desta santa, encontrando inspiração e orientação em suas obras e exemplo de vida.

São João da Cruz, um contemporâneo de Santa Teresa, foi seu colaborador na reforma carmelita e compartilhou sua visão sobre a vida espiritual. Ele é conhecido por suas próprias obras místicas que complementam os ensinamentos de Santa Teresa.

São Francisco de Sales, um bispo e teólogo, também se inspirou nas obras de Santa Teresa para os seus escritos sobre vida espiritual. Outra santa bastante conhecida que foi devota desta doutora da Igreja foi Santa Teresinha do Menino Jesus, conhecida pela sua “pequena via” de santidade. Além destes, São Paulo da Cruz, fundador dos Passionistas, também foi influenciado pela espiritualidade de Santa Teresa, e São Pio de Pietrelcina, Padre Pio, que frequentemente citava as obras de Santa Teresa de Ávila em seus ensinamentos espirituais.

Referências

  1. AUDIÊNCIA GERAL, Papa Bento XVI, 2 de Fevereiro de 2011[][][][][][]

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    Redação MBC

    O que você vai encontrar neste artigo?

    Como Santa Teresa D’Ávila conquistou o título de Doutora da Igreja? Sua vida e seus ensinamentos tiveram um impacto profundo na teologia espiritual e mística da Igreja Católica, rendendo-lhe esse título. No entanto, a própria Santa Teresa experimentou períodos de desafios em sua vida de oração até chegar à sua “determinada decisão”. Portanto, a vida de Santa Teresa d’Ávila e seus escritos oferecem valiosos ensinamentos sobre a vida espiritual, a oração e a busca da união com Deus.

    Neste artigo, convidamos você a se aprofundar na vida de Santa Teresa, desde episódios memoráveis de sua infância e juventude até suas experiências místicas e obras mais notáveis. Além disso, examinaremos o papel fundamental que a santa desempenhou na reforma da Ordem das Carmelitas e destacaremos os santos que foram seus devotos e seguiram seu legado.

    Quem foi Santa Teresa d’Ávila?

    Santa Teresa d’Ávila, conhecida como Santa Teresa de Jesus, é uma Doutora da Igreja que representa um dos pilares da espiritualidade cristã de todos os tempos. Ela é reverenciada por sua profunda espiritualidade, seus escritos místicos e sua dedicação à reforma da Ordem Carmelita.

    Além disso, Santa Teresa é amplamente reconhecida como uma das mais importantes teólogas e místicas da história da Igreja Católica, cujo legado continua a inspirar e iluminar o caminho espiritual de muitos fiéis.

    Os principais episódios da vida de Santa Teresa d’Ávila

    Nascimento e infância

    Santa Teresa de Ávila nasceu em Ávila, na Espanha, em 1515. Seus pais eram virtuosos e tementes a Deus, e sua família era numerosa, sendo nove irmãos e três irmãs. A infância de Teresa foi marcada por um profundo desejo de santidade, ela recebeu uma boa educação religiosa e gostava de meditar sobre a vida eterna com seu irmão.

    Já com menos de 9 anos, tendo lido histórias de mártires que a inspiraram a desejar o martírio, chega a tentar uma breve fuga da cidade na esperança de morrer como mártir e ir para o Céu. A jovem Teresa expressou seu desejo ao dizer aos pais: “Quero ver Deus.” 1

    No entanto, na adolescência, Teresa foi influenciada pela leitura de livros seculares e envolveu-se em distrações mundanas, o que a afastou do caminho espiritual. Sendo assim, seu pai a colocou num convento para se tornar aluna das monjas agostinianas em Santa Maria das Graças de Ávila. Neste convento, Teresa começou a ler livros espirituais, sobretudo os textos de espiritualidade franciscana e essas experiências a guiaram de volta à devoção e à oração, preparando o terreno para seu futuro compromisso religioso.

    Ingresso no convento

    Inicialmente, Santa Teresa,  nutria uma aversão à ideia de entrar definitivamente em um convento, mantendo o desejo de se casar. No entanto, depois de refletir sobre a sua vocação, percebeu que seu maior anseio era alcançar o Céu, e a vida religiosa seria o melhor caminho para alcançá-lo.

    No entanto, o pai de Teresa queria que ela cuidasse da casa e dos irmãos mais novos após a morte de sua mãe. Ela atendeu o desejo de seu pai durante dois anos, mas quando ficou claro que ele não permitiria sua entrada no convento, Teresa fugiu de casa e, com 20 anos, ingressou no Convento das Irmãs Carmelitas da Encarnação de Ávila, o Mosteiro da Encarnação. Na vida religiosa adota o nome de Teresa de Jesus.

    A vida de Santa Teresa d’Ávila mudou depois da doença que a paralisou

    Logo após entrar no convento, Santa Teresa foi acometida por uma doença desconhecida que, por fim, se revelaria como seu caminho de salvação espiritual. Infelizmente o mosteiro passava por um período em que as monjas levavam uma vida bem pouco exemplar e piedosa — a reforma da Ordem Carmelita viria depois com Teresa —, o que refletia na vida de Teresa.

    Ao perceber que a saúde de sua filha não melhorava, o pai de Teresa a levou em busca de tratamento. Durante esse período de enfermidade, ela experimentou um despertar espiritual profundo e passou a rezar com maior fervor. No entanto, o tratamento não trouxe alívio, e Teresa retornou ao convento, onde enfrentou uma condição tão grave que esteve à beira da morte.

    Após uma longa e árdua recuperação, Teresa abandona novamente sua prática de oração íntima e pessoal — concentrando-se nas orações em conjunto com as monjas do convento. No entanto, seu pai intensificou sua própria vida de oração e passou a discutir questões espirituais com a filha. Sendo assim, após a morte de seu pai, Teresa retomou de forma determinada a sua vida de oração. E foi nesse período que ela experimentou uma conversão espiritual profunda, marcando o início de sua jornada mística aos 40 anos de idade.

    Experiências místicas e primeiras obras

    Uma experiência mística marcante na vida de Santa Teresa ocorreu enquanto ela rezava diante de uma imagem de Jesus sofredor, flagelado e coroado de espinhos. Nesse momento, Teresa pergunta a Jesus o motivo de Seu sofrimento e, de forma mística e extraordinária, o Senhor revela que sofria devido às conversas vãs que ela tinha no convento.

    Essa revelação teve um impacto profundo em sua vida e espiritualidade. As palavras de Cristo a inspiraram a uma conversão radical, direcionando-a para uma vida mais profunda e devota. Nesse sentido, essa e outras experiências místicas, como a transverberação, influenciaram sobretudo suas primeiras obras, como “O Livro da Vida” e “Caminho de Perfeição”. Nessas obras, Teresa compartilha sua compreensão espiritual e encoraja — e ensina — outros a buscarem uma união mais profunda com Deus por meio da oração íntima.

    A Transverberação é um dos eventos mais conhecidos na vida de Santa Teresa, descrito em sua obra “Livro da Vida”. Além disso, essa experiência mística é frequentemente retratada nas representações artísticas, mostrando Santa Teresa com uma lança ou flecha transpassando seu coração, simbolizando essa experiência de amor divino extremo e profunda união com Deus.

    Reforma do Carmelo, críticas e perseguições

    A Reforma do Carmelo, liderada por Santa Teresa de Ávila no século XVI, buscou restaurar a austeridade e a espiritualidade na Ordem Carmelita, que havia perdido seu rigor original. Teresa iniciou seu esforço em 1562, estabelecendo o Convento de São José em Ávila, um modelo para suas reformas. 1 Ela promoveu uma vida mais austera, dedicada à oração contemplativa e ao recolhimento interior.

    No entanto, suas reformas encontraram resistência, tanto de dentro da Ordem quanto de autoridades eclesiásticas. Alguns membros carmelitas eram contrários à mudança e criticavam suas ideias, argumentando que ela não tinha autoridade para reformar a Ordem. Além disso, autoridades eclesiásticas, incluindo bispos e inquisidores, questionaram suas motivações e a validade de suas reformas.

    As perseguições e críticas vieram de várias frentes. Alguns membros da Ordem a acusaram de tentar enfraquecer a tradição carmelita, e bispos locais mostraram resistência a suas reformas. A Inquisição também a investigou em busca de heresia. No entanto, Santa Teresa perseverou em sua missão, fundando diversos conventos reformados em toda a Espanha e escrevendo obras espirituais notáveis para defender suas ideias.

    Nos anos subsequentes, Santa Teresa continuou a estabelecer novos Carmelos reformados, totalizando 17 conventos. 1 Um grande marco foi seu encontro com São João da Cruz em 1568, resultando na criação do primeiro convento de Carmelitas descalços em Duruelo, próximo a Ávila. E, mais tarde, em 1580, Santa Teresa obteve da Santa Sé a autorização para a criação de uma Província autônoma para seus Carmelos reformados. Esse evento foi o ponto de partida da Ordem religiosa dos Carmelitas Descalços. 1

    Conheça mais sobre a amizade entre Santa Teresa d’Ávila e São João da Cruz.

    Principais obras de Santa Teresa d’Ávila

    Caminho de Perfeição

    “Caminho de Perfeição” é uma obra de Santa Teresa de Ávila, destinada inicialmente a um grupo de doze noviças do Carmelo de São José, em Ávila. Pois as monjas, ao verem que sua Madre tinha dons místicos, pediram que ela as ensinasse a rezar.

    Desse modo, a obra propõe um programa de vida contemplativa ao serviço da Igreja, baseado nas virtudes evangélicas e na oração. Santa Teresa, então, compartilha preciosos ensinamentos da vida de oração, incluindo um comentário sobre o Pai-Nosso. Além disso, ela oferece orientações para lidar com certas tentações prejudiciais que, por parecem pequenas, poderiam ser ignoradas.

    Castelo interior

    “O Castelo Interior” é a obra mística mais famosa de Santa Teresa de Ávila, escrita em 1577, na maturidade de sua vida espiritual. Nesse livro, Santa Teresa oferece uma releitura de seu próprio caminho espiritual e revela o possível desenvolvimento da vida cristã em direção à santidade, sob a influência do Espírito Santo. 

    Ela utiliza a metáfora de um castelo com sete quartos para representar a interioridade humana. Desse modo, a obra descreve as “Sete Moradas”, detalhando a jornada espiritual da alma até atingir a sétima e última morada, onde alcança a união completa com Deus, proporcionando uma profunda compreensão da vida piedosa e da proximidade com Deus.

    Livro da Vida

    livro da vida de santa teresa d´ávila

    “O Livro da Vida” é a autobiografia de Santa Teresa de Ávila, escrita no Carmelo de Ávila, em 1565. Nesta obra, ela compartilha detalhes de sua vida desde a infância até suas experiências de intimidade com Deus, sob a orientação de São João de Ávila. Santa Teresa busca evidenciar a presença e a ação misericordiosa de Deus em sua vida, frequentemente citando diálogos de oração com o Senhor. É uma leitura cativante que revela não apenas a narrativa de sua vida, mas a vivência profunda de sua relação com Deus, unindo a teologia mística à experiência mística.

    As edições da MBC das obras de Santa Teresa d’Ávila estão disponíveis na loja do assinante do nosso clube. Saiba como fazer parte do clube e adquiri-las.

    A vida de Santa Teresa d’Ávila após sua morte

    Canonização

    Santa Teresa de Ávila concluiu sua vida terrena em pleno trabalho de fundação, em 1582, após estabelecer o Carmelo de Burgos. No retorno a Ávila, faleceu em 15 de outubro em Alba de Tormes, proferindo humildemente as palavras “No fim, morro como filha da Igreja”. Sua vida dedicada à Espanha reverberou em toda a Igreja. Ela foi beatificada pelo Papa Paulo V, em 1614, e canonizada em 1622, por Gregório XV. 1

    Doutora da Igreja

    Santa Teresa de Ávila foi proclamada “Doutora da Igreja” pelo Papa Paulo VI em 1970. Esse título foi conferido em reconhecimento à sua profunda contribuição à teologia e à espiritualidade cristãs. Suas obras, marcadas por sua experiência mística e ensinamentos sobre a vida interior, tiveram um impacto significativo na teologia e na prática espiritual ao longo do tempo. Assim, Santa Teresa de Ávila se tornou a primeira mulher a receber o título de Doutora da Igreja, destacando sua importância e influência na história da Igreja.

    Santos que foram seus devotos

    Assim como Santa Teresa d’Ávila se alimentava espiritualmente com escritos de Padres da Igreja, como São Jerônimo, São Gregório Magno e Santo Agostinho 1, a vida de Santa Teresa, com sua profunda espiritualidade e seus ensinamentos, também influenciou muitos santos ao longo da história. Alguns deles se destacam como devotos desta santa, encontrando inspiração e orientação em suas obras e exemplo de vida.

    São João da Cruz, um contemporâneo de Santa Teresa, foi seu colaborador na reforma carmelita e compartilhou sua visão sobre a vida espiritual. Ele é conhecido por suas próprias obras místicas que complementam os ensinamentos de Santa Teresa.

    São Francisco de Sales, um bispo e teólogo, também se inspirou nas obras de Santa Teresa para os seus escritos sobre vida espiritual. Outra santa bastante conhecida que foi devota desta doutora da Igreja foi Santa Teresinha do Menino Jesus, conhecida pela sua “pequena via” de santidade. Além destes, São Paulo da Cruz, fundador dos Passionistas, também foi influenciado pela espiritualidade de Santa Teresa, e São Pio de Pietrelcina, Padre Pio, que frequentemente citava as obras de Santa Teresa de Ávila em seus ensinamentos espirituais.

    Referências

    1. AUDIÊNCIA GERAL, Papa Bento XVI, 2 de Fevereiro de 2011[][][][][][]

    Redação MBC

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