Destaque, Formação

Cordeiro de Deus: por que chamamos Jesus assim?

Cordeiro de Deus é uma expressão comum na Bíblia e é repetida na Santa Missa, você sabe a origem da expressão? Confira neste artigo.

Cordeiro de Deus: por que chamamos Jesus assim?
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Cordeiro de Deus: por que chamamos Jesus assim?

Cordeiro de Deus é uma expressão comum na Bíblia e é repetida na Santa Missa, você sabe a origem da expressão? Confira neste artigo.

Data da Publicação: 06/02/2024
Tempo de leitura:
Autor: Redação Minha Biblioteca Católica
Data da Publicação: 06/02/2024
Tempo de leitura:
Autor: Redação Minha Biblioteca Católica

Confira, neste artigo, o que queremos professar ao chamar Jesus Cristo de Cordeiro de Deus.

A cada Santa Missa, antes da comunhão eucarísitca, o sacerdote e os fieis rezam a oração do Cordeiro de Deus. Você sabe o que significa essa profissão de fé? Para entendermos bem, devemos voltar nossos olhares lá no Antigo Testamento, que é prefiguração de tudo aquilo que Cristo operou em sua vida e ministério. 

O Cordeiro de Deus e o sacrifício do Antigo Testamento

Nas culturas primitivas, era comum oferecer sacrifícios aos deuses como forma de aplacar a ira. Esses sacrifícios eram oferecidos através de animais e até mesmo através de pessoas (parentes próximos, inimigos cativos). Isso se dava pela compreensão de que, uma vez que ofendemos a Deus, precisamos oferecer algo especial para aplacar a Deus.

Já no Antigo Testamento, Deus reprova essa prática, querendo, antes, corações convertidos que sangue oferecido como uma prática externa. Mas, um passo decisivo para a compreensão do que é religião, e já preparando para a vinda do Messias, foi incorporado, na religião de Israel, o sacrifício de animais.

Quando Israel ainda era cativo do Egito, e ao faraó não permitir que os judeus fossem libertados, o Senhor Deus de Israel lançou uma das pragas, a última e mais terrível, sobre os primogênitos do Egito, matando-os a todos, como punição e sinal de que Deus está com Israel. Deus instruiu Moisés a fim de que os primogênitos hebreus fossem privados. Deveriam sacrificar um cordeiro ou cabrito, macho, sem defeito, de um ano. 1. “O sangue nas casas será um sinal de que estais dentro delas: ao ver o sangue, Eu passarei adiante. E o flagelo não vos atingirá, quando Eu ferir o Egito. 2

Assim, estabeleceu-se a Páscoa judaica, memória do dia em que Deus libertou o seu povo da morte. Cada ano, ao renovar esse ritual, através do sacrifício de um cordeiro, os judeus celebravam sua Páscoa, o dia em que pela morte do cordeiro o povo era privado de morrer. No ritual judaico, os pecados da pessoa eram perdoados por Deus, pois eram transferidos para o cordeiro, que morria em lugar da pessoa.

cordeiro de Deus na liturgia

Por que Jesus é chamado de Cordeiro de Deus?

Quando o Verbo de Deus se encarna, com a missão de nos salvar do poder da morte, de uma vez por todas, e oferecer um sacrifício que nos reconciliasse eternamente com o Pai, Ele assume o lugar de Cordeiro de Deus.

Na verdade, Israel e seus sacrifícios eram uma preparação, uma figura da Igreja e da Aliança eterna firmada em Cristo, na sua morte e ressurreição. O cordeiro do Antigo Testamento era uma imagem, uma prefiguração do Cordeiro imolado no Novo Testamento.

Ao redimir a humanidade através da imolação do seu corpo e sangue, na Cruz, Jesus é a vítima perfeita, que neste sacrifício, apaga definitivamente a mancha do pecado original da humanidade que se associa a este mistério. Com Jesus como Cordeiro de Deus, não há mais necessidade do sacrifício de cordeiros para a expiação dos pecados. Estabeleceu-se, assim, a Nova e eterna Aliança, pela oferta de Cristo no Altar da Cruz.

Evangelho de São João

No início do Evangelho de São João, é nos apresentado, como forma de introduzir Jesus e sua pregação, o testemunho de João Batista. Ele, o último dos profetas, é o precursor, e, através de sua vida e pregação foi preparando o povo de Israel para a vinda do Messias. 

João Batista, tendo se tornado conhecido pela região, pela forma de viver e de pregar, foi interrogado por “sacerdotes e levitas para perguntar-lhe quem era. Ele confessou sem reticências que não era o Messias.”( Jo 1, 19-20)). João, assumindo não sendo Elias, nem Messias, nem o profeta, afirma ser somente a “voz daquele que clama no deserto” 3. Sua missão é aplainar e preparar o caminho do Senhor. Seu batismo era na água, conforme ele mesmo anunciava, porém chegaria alguém maior.

Toda essa narrativa feita por João corrobora para vermos quem era João Batista e qual era sua missão. Com efeito, um dia após ser interrogado sobre quem era, João avista Jesus aproximar-se, e anuncia: “Aí está o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Dele eu disse: Depois de mim vem um homem que existia antes de mim, porque está antes de mim (…) Eu o vi, e testemunho que ele é o Filho de Deus” 4

Com isso, inaugura-se a nova aliança, que Cristo veio para instaurar através de seu sangue redentor. E João Batista, como precursor, já aponta para tal mistério: Cristo como Cordeiro de Deus, o único e definitivo. É nessa ótica que todo o apostolado de Cristo deve ser lido, e por esse motivo que essa profissão de fé é colocada já no início do Evangelho de João.

Apocalipse de São João

No Apocalipse de São João, último livro da Bíblia, que tem como um dos seus aspectos o litúrgico e simbólico, aparece por três vezes a figura do Cordeiro de Deus.

Uma das visões de João, no capítulo 5, versículo 6, aponta para a visão do Cordeiro imolado, em pé, como que sacrificado, no trono, com vários símbolos ao seu redor. É a visão de Cristo, Cordeiro de Deus, que é o vencedor, e que é digno de receber toda honra e glória. O Cordeiro, no centro do trono, rodeado de seres e símbolos, abrindo o rolo, é a visão da Jerusalém celeste. 

Uma segunda imagem do Cordeiro aponta para a luta em que o Cordeiro de Deus sai vencedor, porque “é o Senhor dos senhores e Rei dos reis, e os que ele chamou são escolhidos e leias” 5. É a visão e a certeza que temos de que Cristo, Cordeiro de Deus, venceu a morte de uma vez por todas.

Uma das visões mais belas que João nos apresenta, é a visão do casamento do Cordeiro e da noiva. “Vamos fazer-lhe festa alegre, dando-lhe glória, porque chegou o casamento do Cordeiro, e a noiva está pronta. “6. A noiva, vestida de linho, que são os atos de justiça dos santos, é a Igreja, santa e imaculada, que caminha para se unir ao seu esposo, Cristo Jesus. No versículo 9 lemos uma das frases que a liturgia canta: “Felizes os convidados para o casamento do Cordeiro” 7.

Significado na Missa

Na santa Missa, no momento que antecede a comunhão, a liturgia canta, a plenos pulmões, a profissão de fé de que Cristo é o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.

Uma vez que Cristo derrotou a morte de uma vez por todas, sendo que nós não precisamos mais de sangue de cordeiros e cabritos para pedir perdão dos pecados, para que serve a Missa, afinal, se Jesus já morreu uma vez por todas?

Na Santa Missa ocorre a renovação do sacrifício de Cristo, conforme Ele mesmo ordenou. No Altar da Cruz e no Altar da Igreja, é a mesma oferta que ocorre, em tempos diferentes. Na Cruz, o Cordeiro de Deus é morto de modo cruento. No Altar da Igreja, mesmo Altar, o Cordeiro de Deus é sacrificado de modo incruento.

No momento que antecede a comunhão, o sacerdote parte a hóstia consagrada ao meio, e une um pedaço do corpo ao sangue. O sacrifício foi completado! O Cordeiro foi imolado! É neste momento em que a Igreja professa sua fé no Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. E, ao apresentar o Corpo de Cristo aos fiéis, o sacerdote anuncia, como João Batista o fez: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”

Oração “Cordeiro de Deus”

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, dai-nos a paz.

Oração “Cordeiro de Deus” em latim

Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, miserere nobis.
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, miserere nobis.
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, dona nobis pacem.

Referências

  1. cf. Ex 12, 5[]
  2. Ex 12, 12-13[]
  3. cf. Jo 1, 23[]
  4. Jo 1, 29 – 34[]
  5. Ap 17, 14[]
  6. Ap 19, 7[]
  7. Ap 19, 9[]

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    Redação Minha Biblioteca Católica

    Equipe de redação do maior clube de leitores católicos do Brasil.

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    Confira, neste artigo, o que queremos professar ao chamar Jesus Cristo de Cordeiro de Deus.

    A cada Santa Missa, antes da comunhão eucarísitca, o sacerdote e os fieis rezam a oração do Cordeiro de Deus. Você sabe o que significa essa profissão de fé? Para entendermos bem, devemos voltar nossos olhares lá no Antigo Testamento, que é prefiguração de tudo aquilo que Cristo operou em sua vida e ministério. 

    O Cordeiro de Deus e o sacrifício do Antigo Testamento

    Nas culturas primitivas, era comum oferecer sacrifícios aos deuses como forma de aplacar a ira. Esses sacrifícios eram oferecidos através de animais e até mesmo através de pessoas (parentes próximos, inimigos cativos). Isso se dava pela compreensão de que, uma vez que ofendemos a Deus, precisamos oferecer algo especial para aplacar a Deus.

    Já no Antigo Testamento, Deus reprova essa prática, querendo, antes, corações convertidos que sangue oferecido como uma prática externa. Mas, um passo decisivo para a compreensão do que é religião, e já preparando para a vinda do Messias, foi incorporado, na religião de Israel, o sacrifício de animais.

    Quando Israel ainda era cativo do Egito, e ao faraó não permitir que os judeus fossem libertados, o Senhor Deus de Israel lançou uma das pragas, a última e mais terrível, sobre os primogênitos do Egito, matando-os a todos, como punição e sinal de que Deus está com Israel. Deus instruiu Moisés a fim de que os primogênitos hebreus fossem privados. Deveriam sacrificar um cordeiro ou cabrito, macho, sem defeito, de um ano. 1. “O sangue nas casas será um sinal de que estais dentro delas: ao ver o sangue, Eu passarei adiante. E o flagelo não vos atingirá, quando Eu ferir o Egito. 2

    Assim, estabeleceu-se a Páscoa judaica, memória do dia em que Deus libertou o seu povo da morte. Cada ano, ao renovar esse ritual, através do sacrifício de um cordeiro, os judeus celebravam sua Páscoa, o dia em que pela morte do cordeiro o povo era privado de morrer. No ritual judaico, os pecados da pessoa eram perdoados por Deus, pois eram transferidos para o cordeiro, que morria em lugar da pessoa.

    cordeiro de Deus na liturgia

    Por que Jesus é chamado de Cordeiro de Deus?

    Quando o Verbo de Deus se encarna, com a missão de nos salvar do poder da morte, de uma vez por todas, e oferecer um sacrifício que nos reconciliasse eternamente com o Pai, Ele assume o lugar de Cordeiro de Deus.

    Na verdade, Israel e seus sacrifícios eram uma preparação, uma figura da Igreja e da Aliança eterna firmada em Cristo, na sua morte e ressurreição. O cordeiro do Antigo Testamento era uma imagem, uma prefiguração do Cordeiro imolado no Novo Testamento.

    Ao redimir a humanidade através da imolação do seu corpo e sangue, na Cruz, Jesus é a vítima perfeita, que neste sacrifício, apaga definitivamente a mancha do pecado original da humanidade que se associa a este mistério. Com Jesus como Cordeiro de Deus, não há mais necessidade do sacrifício de cordeiros para a expiação dos pecados. Estabeleceu-se, assim, a Nova e eterna Aliança, pela oferta de Cristo no Altar da Cruz.

    Evangelho de São João

    No início do Evangelho de São João, é nos apresentado, como forma de introduzir Jesus e sua pregação, o testemunho de João Batista. Ele, o último dos profetas, é o precursor, e, através de sua vida e pregação foi preparando o povo de Israel para a vinda do Messias. 

    João Batista, tendo se tornado conhecido pela região, pela forma de viver e de pregar, foi interrogado por “sacerdotes e levitas para perguntar-lhe quem era. Ele confessou sem reticências que não era o Messias.”( Jo 1, 19-20)). João, assumindo não sendo Elias, nem Messias, nem o profeta, afirma ser somente a “voz daquele que clama no deserto” 3. Sua missão é aplainar e preparar o caminho do Senhor. Seu batismo era na água, conforme ele mesmo anunciava, porém chegaria alguém maior.

    Toda essa narrativa feita por João corrobora para vermos quem era João Batista e qual era sua missão. Com efeito, um dia após ser interrogado sobre quem era, João avista Jesus aproximar-se, e anuncia: “Aí está o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Dele eu disse: Depois de mim vem um homem que existia antes de mim, porque está antes de mim (…) Eu o vi, e testemunho que ele é o Filho de Deus” 4

    Com isso, inaugura-se a nova aliança, que Cristo veio para instaurar através de seu sangue redentor. E João Batista, como precursor, já aponta para tal mistério: Cristo como Cordeiro de Deus, o único e definitivo. É nessa ótica que todo o apostolado de Cristo deve ser lido, e por esse motivo que essa profissão de fé é colocada já no início do Evangelho de João.

    Apocalipse de São João

    No Apocalipse de São João, último livro da Bíblia, que tem como um dos seus aspectos o litúrgico e simbólico, aparece por três vezes a figura do Cordeiro de Deus.

    Uma das visões de João, no capítulo 5, versículo 6, aponta para a visão do Cordeiro imolado, em pé, como que sacrificado, no trono, com vários símbolos ao seu redor. É a visão de Cristo, Cordeiro de Deus, que é o vencedor, e que é digno de receber toda honra e glória. O Cordeiro, no centro do trono, rodeado de seres e símbolos, abrindo o rolo, é a visão da Jerusalém celeste. 

    Uma segunda imagem do Cordeiro aponta para a luta em que o Cordeiro de Deus sai vencedor, porque “é o Senhor dos senhores e Rei dos reis, e os que ele chamou são escolhidos e leias” 5. É a visão e a certeza que temos de que Cristo, Cordeiro de Deus, venceu a morte de uma vez por todas.

    Uma das visões mais belas que João nos apresenta, é a visão do casamento do Cordeiro e da noiva. “Vamos fazer-lhe festa alegre, dando-lhe glória, porque chegou o casamento do Cordeiro, e a noiva está pronta. “6. A noiva, vestida de linho, que são os atos de justiça dos santos, é a Igreja, santa e imaculada, que caminha para se unir ao seu esposo, Cristo Jesus. No versículo 9 lemos uma das frases que a liturgia canta: “Felizes os convidados para o casamento do Cordeiro” 7.

    Significado na Missa

    Na santa Missa, no momento que antecede a comunhão, a liturgia canta, a plenos pulmões, a profissão de fé de que Cristo é o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.

    Uma vez que Cristo derrotou a morte de uma vez por todas, sendo que nós não precisamos mais de sangue de cordeiros e cabritos para pedir perdão dos pecados, para que serve a Missa, afinal, se Jesus já morreu uma vez por todas?

    Na Santa Missa ocorre a renovação do sacrifício de Cristo, conforme Ele mesmo ordenou. No Altar da Cruz e no Altar da Igreja, é a mesma oferta que ocorre, em tempos diferentes. Na Cruz, o Cordeiro de Deus é morto de modo cruento. No Altar da Igreja, mesmo Altar, o Cordeiro de Deus é sacrificado de modo incruento.

    No momento que antecede a comunhão, o sacerdote parte a hóstia consagrada ao meio, e une um pedaço do corpo ao sangue. O sacrifício foi completado! O Cordeiro foi imolado! É neste momento em que a Igreja professa sua fé no Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. E, ao apresentar o Corpo de Cristo aos fiéis, o sacerdote anuncia, como João Batista o fez: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”

    Oração “Cordeiro de Deus”

    Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós.
    Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós.
    Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, dai-nos a paz.

    Oração “Cordeiro de Deus” em latim

    Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, miserere nobis.
    Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, miserere nobis.
    Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, dona nobis pacem.

    Referências

    1. cf. Ex 12, 5[]
    2. Ex 12, 12-13[]
    3. cf. Jo 1, 23[]
    4. Jo 1, 29 – 34[]
    5. Ap 17, 14[]
    6. Ap 19, 7[]
    7. Ap 19, 9[]

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    Equipe de redação do maior clube de leitores católicos do Brasil.

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