Formação

O Calvário e a Missa por Fulton Sheen

Conheça a relação que existe entre o Calvário e a Missa a partir da obra escrita pelo Venerável Fulton Sheen. 

O Calvário e a Missa por Fulton Sheen
Formação

O Calvário e a Missa por Fulton Sheen

Conheça a relação que existe entre o Calvário e a Missa a partir da obra escrita pelo Venerável Fulton Sheen. 

Data da Publicação: 26/12/2023
Tempo de leitura:
Autor: Redação MBC
Data da Publicação: 26/12/2023
Tempo de leitura:
Autor: Redação MBC

Conheça a relação que existe entre o Calvário e a Missa a partir da obra de Fulton Sheen. 

A Tradição da Igreja, ao falar do Santo Sacrifício da Missa, sempre o associou ao Calvário. Esta é a doutrina da Eucaristia, que professamos como católicos. Fulton Sheen, um dos maiores comunicadores do século passado, em um livro curto, mas cheio de profundidade, detalha bem as relações que existem entre o Calvário e a Santa Missa.

Quem foi Fulton Sheen?

Fulton Sheen é considerado um dos maiores comunicadores do século passado. Nasceu em 8 de maio de 1895, na cidade de El Paso, Illinois, nos Estados Unidos, sendo o primogênito dentre seus irmãos. Aos 24 anos de idade, é ordenado sacerdote. Por sua grande oratória, Fulton Sheen se destacou muito cedo como exímio pregador e professor. Como bispo auxiliar de Nova York, porém, é que seu apostolado se estendeu por toda a nação. Criou um programa de TV chamado Life is Worth Living e, posteriormente, nos anos 60, o The Fulton Sheen Program.

Essa popularidade midiática e facilidade oratória era nutrida por uma vida de piedade intensa e sincera. Além de seus programas de TV, Fulton Sheen escreveu inúmeros livros, dentre os quais se destacam os clássicos Vida de Cristo, Três para casar, Rumo à felicidade, O primeiro amor do mundo e, por fim, O calvário e a missa.

Para saber mais detalhes da vida deste Venerável, que está em processo de beatificação, acesse o texto principal sobre a vida dele.

Resumo do livro O Calvário e a Missa

O Calvário e a Missa é a obra de Fulton Sheen que possui uma profunda mística dentro de poucas páginas. Com linguagem poética, neste livro, podemos mergulhar na relação que existe entre a Crucificação de Jesus e a Santa Missa. Na verdade, esta teologia, a de que a Santa Missa é o Sacrifício de Cristo que se torna presente a nós, é doutrina da Igreja. O que Fulton Sheen faz, com estes ensinamentos espirituais, é auxiliar nossa compreensão e nossa imaginação acerca deste mistério.

A doutrina sobre o sacrifício eucarístico, sempre presente na Tradição da Igreja, é agora, por este livro, renovado, na mente e corações dos fiéis com a oratória convincente e apaixonante deste grande pregador e comunicador do século passado. E na verdade, o seu discurso é tão impactante que parece que fala a nós, hoje, homens do século XXI.

Estrutura do livro O Calvário e a Missa

O Calvário e a Missa segue uma lógica fácil de leitura e compreensão. Ao se questionar sobre como a cruz de Jesus se torna visível ao homem do século XX, ou sobre como se perpetua e se renova a cena do Calvário até o fim dos tempos, Fulton Sheen explicita que é no Santo Sacrifício da Missa que essa renovação acontece.

No livro, fica evidenciado que tanto no Calvário como na Missa, o Sacerdote e a Vítima são os mesmos. Fulton Sheen explicita essa doutrina mostrando que as sete palavras derradeiras são idênticas às sete partes da Missa. (importante destacar que à época de Fulton Sheen o missal utilizado era o do rito tridentino). Cada palavra de Jesus na Cruz é identificada com uma das partes da missa. São sete capítulos em que são detalhadas estas relações.

“Representai, pois, na vossa imaginação, o Sumo Sacerdote, Cristo, saindo da sacristia do Céu para o altar do Calvário. Ele já se revestiu da nossa natureza humana, colocou no braço o manípulo do nosso sofrimento, a estola do sacerdote, a casula da Cruz. O Calvário é a Sua Catedral; a rocha do Calvário é a pedra do altar; o rubor do sol poente a lâmpada do Santuário; Maria e João são as imagens vivas dos altares laterais; a Hóstia é o Corpo de Jesus; o vinho o Seu sangue. Ele está de pé, como sacerdote, e prostrado, como vítima. A Sua Missa vai começar.” 1

Saiba mais sobre a Santa Missa ao longo da história

Principais tópicos do livro O Calvário e a Missa

A Confissão

“A Missa principia com a confissão. A confissão é uma prece na qual confessamos os nossos pecados e pedimos à Nossa Mãe Santíssima e aos Santos para que intercedam junto de Deus pelo nosso perdão, pois apenas os limpos de coração poderão ver a Deus.” 2.

Jesus, como sacerdote, no Altar da Cruz e no Altar da Missa, que é um único Altar, suplica: “Pai, perdoai-lhes, porque eles não sabem o que fazem”. 3. É Para isso que Ele veio, e é assim que inicia a Santa Missa: para perdoar nossos pecados a fim de que possamos participar de sua Cruz e Ressurreição.

O Ofertório

“Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso”. 4

Na segunda palavra de Jesus na cruz, Fulton Sheen aponta para o momento do ofertório. Com este gesto, perdoando ao ladrão arrependido e a nós, Cristo nos recorda que tanto no Calvário como na Santa Missa, Ele não se oferta sozinho e quer que nós nos ofereçamos com Ele.

“A oferta destas duas substâncias (pão e vinho) que alimentam a nossa vida simboliza a oferta de nós mesmos no Sacrifício da Missa. A nossa presença está sob as aparências de pão e de vinho — os símbolos do nosso corpo e do nosso sangue. Nós não somos apenas simples espectadores passivos, assistindo a um espetáculo teatral, pois também fazemos a nossa oferta, em união com Cristo.” 5

imagem do ofertório, uma das partes da santa missa, explicada no livro o calvário e a missa.

Sanctus

“Mulher, eis aqui o teu filho… Eis aqui a tua mãe”. 6

O Calvário e a Missa apontam para a necessidade de que Deus é o único que é digno de ser chamado de Santo, Santo, Santo. A palavra sanctus significa “separado”. Cristo é o Santo de Deus, a vítima sagrada separada para oferecer-se como hóstia imaculada por nós. Mas o Calvário e a Missa apontam-nos, da mesma forma, de que nós, Igreja, figurada em Maria aos pés da Cruz, somos chamados a participar desta santidade imaculada de Cristo.

“Toda a vítima deve ser sagrada — Sanctus, Sanctus, Sanctus. Cinco dias depois, verificou-se o “Sanctus” da Missa do Calvário; mas naquele “Sanctus” da Sua Missa, Jesus dirigiu-Se àqueles que já eram santos — a Sua querida Mãe e ao Seu bem-amado discípulo João.” 7

Conheça a história de São João Evangelista, o discípulo amado.

A Consagração

“Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?” 8

No grito de Jesus está toda a obra da Redenção consumada na Cruz e tornada real e presente no pão e no vinho transubstanciados. Cristo grita, sentindo o abandono de Deus e dos homens, e busca almas que o consolem, o adorem, o façam companhia. 

“Eis a quarta palavra da Consagração da Missa do Calvário. As três primeiras palavras foram dirigidas aos homens. A quarta, porém, foi dirigida a Deus. Estamos agora na última fase do drama da Paixão. Na quarta Palavra, e em todo o Universo, só existem apenas Deus e Jesus.” 9

Entenda qual a importância do sacerdote para a Igreja.

sacerdote consagrando a eucaristia, a atualização do calvário em cada missa.

A Comunhão

“Tenho sede.” 10

A esta palavra de Cristo podemos perceber que Jesus tem sede. Na Santa Missa Ele tem sede, mas uma sede diversa: Cristo tem sede de que nós tenhamos sede dele. 

“Não se trata, certamente, de sede de água, pois a Terra, e tudo quanto ela encerra, Lhe pertenciam, e Ele acalmou as ondas quando as águas enfurecidas pareciam querer ultrapassar os seus limites. Quando Lhe ofereceram de beber, Ele não aceitou. Era outra, era diferente a sede que atormentava Jesus — era a sede das almas e dos corações humanos. Esse grito foi um apelo à comunhão — o último da longa série de apelos que o Pastor, que é Jesus, dirigiu aos homens.” 11

Ite, Missa est

“Tudo está consumado.” 12

No grito de Jesus e na fala do sacerdote, no Calvário e na Missa, mais uma vez, vemos a união da missão de Cristo. Tudo está consumado, ite, Missa est: a obra da salvação está concluída. Concluída por Cristo na Cruz, no sentido de que nada há que acrescentar da parte d’Ele. De nossa parte, porém, ela será concluída, em nós, a partir do momento em que nos configurarmos a Cristo Crucificado. Eis a missão! Ite, Missa est!

“Nosso Senhor consumou a Sua obra, mas nós não consumamos a nossa. Ele aponta-nos o caminho que devemos seguir. No final, Ele depôs a Sua Cruz, e nós devemos tomá-la sobre os nossos ombros. Ele consumou a Redenção no Seu Corpo físico, mas cabe-nos a nós consumá-la no Seu Corpo Místico. Ele consumou a Salvação, mas nós ainda não a aplicamos às nossas almas.” 13

O último Evangelho

“Pai, nas vossas mãos entrego o meu espírito.” 14

No último Evangelho, no rito de Pio V, era lido, em toda missa, o prólogo de São João, que demonstra que tudo volta ao Pai. O Calvário e a Missa são ofertas de Cristo (e da humanidade em Cristo) ao Pai. A missa é obra de Cristo ao Pai. A Cruz é obra de Cristo ao Pai. E nós, somos obras de Cristo ao Pai? Viemos de Deus, e a Ele precisamos retornar.

“A última palavra de Nosso Senhor foi realmente o Seu último Evangelho: “Pai, nas vossas mãos entrego o meu espírito”. Tal como no evangelho da Missa, também Ele regressa ao Pai de onde veio. Jesus completara a Sua obra. A Sua missa começara com a palavra Pai, e foi com essa mesma palavra que Ele terminou.” 15

Referências

  1. FULTON SHEEN, O Calvário e a Missa, p.13[]
  2. FULTON SHEEN, O Calvário e a Missa, p.15[]
  3. Lc 23,34[]
  4. Lc 23,43[]
  5. FULTON SHEEN, O Calvário e a Missa, p.26[]
  6. Jo 19,26-27[]
  7. FULTON SHEEN, O Calvário e a Missa, p.32[]
  8. Mt 27,46[]
  9. FULTON SHEEN, O Calvário e a Missa, p.41[]
  10. Jo 19, 28[]
  11. FULTON SHEEN, O Calvário e a Missa, p.49[]
  12. Jo 19,30[]
  13. FULTON SHEEN, O Calvário e a Missa, p.63[]
  14. Lc 23,16[]
  15. FULTON SHEEN, O Calvário e a Missa, p.69[]

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    Redação MBC

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    Conheça a relação que existe entre o Calvário e a Missa a partir da obra de Fulton Sheen. 

    A Tradição da Igreja, ao falar do Santo Sacrifício da Missa, sempre o associou ao Calvário. Esta é a doutrina da Eucaristia, que professamos como católicos. Fulton Sheen, um dos maiores comunicadores do século passado, em um livro curto, mas cheio de profundidade, detalha bem as relações que existem entre o Calvário e a Santa Missa.

    Quem foi Fulton Sheen?

    Fulton Sheen é considerado um dos maiores comunicadores do século passado. Nasceu em 8 de maio de 1895, na cidade de El Paso, Illinois, nos Estados Unidos, sendo o primogênito dentre seus irmãos. Aos 24 anos de idade, é ordenado sacerdote. Por sua grande oratória, Fulton Sheen se destacou muito cedo como exímio pregador e professor. Como bispo auxiliar de Nova York, porém, é que seu apostolado se estendeu por toda a nação. Criou um programa de TV chamado Life is Worth Living e, posteriormente, nos anos 60, o The Fulton Sheen Program.

    Essa popularidade midiática e facilidade oratória era nutrida por uma vida de piedade intensa e sincera. Além de seus programas de TV, Fulton Sheen escreveu inúmeros livros, dentre os quais se destacam os clássicos Vida de Cristo, Três para casar, Rumo à felicidade, O primeiro amor do mundo e, por fim, O calvário e a missa.

    Para saber mais detalhes da vida deste Venerável, que está em processo de beatificação, acesse o texto principal sobre a vida dele.

    Resumo do livro O Calvário e a Missa

    O Calvário e a Missa é a obra de Fulton Sheen que possui uma profunda mística dentro de poucas páginas. Com linguagem poética, neste livro, podemos mergulhar na relação que existe entre a Crucificação de Jesus e a Santa Missa. Na verdade, esta teologia, a de que a Santa Missa é o Sacrifício de Cristo que se torna presente a nós, é doutrina da Igreja. O que Fulton Sheen faz, com estes ensinamentos espirituais, é auxiliar nossa compreensão e nossa imaginação acerca deste mistério.

    A doutrina sobre o sacrifício eucarístico, sempre presente na Tradição da Igreja, é agora, por este livro, renovado, na mente e corações dos fiéis com a oratória convincente e apaixonante deste grande pregador e comunicador do século passado. E na verdade, o seu discurso é tão impactante que parece que fala a nós, hoje, homens do século XXI.

    Estrutura do livro O Calvário e a Missa

    O Calvário e a Missa segue uma lógica fácil de leitura e compreensão. Ao se questionar sobre como a cruz de Jesus se torna visível ao homem do século XX, ou sobre como se perpetua e se renova a cena do Calvário até o fim dos tempos, Fulton Sheen explicita que é no Santo Sacrifício da Missa que essa renovação acontece.

    No livro, fica evidenciado que tanto no Calvário como na Missa, o Sacerdote e a Vítima são os mesmos. Fulton Sheen explicita essa doutrina mostrando que as sete palavras derradeiras são idênticas às sete partes da Missa. (importante destacar que à época de Fulton Sheen o missal utilizado era o do rito tridentino). Cada palavra de Jesus na Cruz é identificada com uma das partes da missa. São sete capítulos em que são detalhadas estas relações.

    “Representai, pois, na vossa imaginação, o Sumo Sacerdote, Cristo, saindo da sacristia do Céu para o altar do Calvário. Ele já se revestiu da nossa natureza humana, colocou no braço o manípulo do nosso sofrimento, a estola do sacerdote, a casula da Cruz. O Calvário é a Sua Catedral; a rocha do Calvário é a pedra do altar; o rubor do sol poente a lâmpada do Santuário; Maria e João são as imagens vivas dos altares laterais; a Hóstia é o Corpo de Jesus; o vinho o Seu sangue. Ele está de pé, como sacerdote, e prostrado, como vítima. A Sua Missa vai começar.” 1

    Saiba mais sobre a Santa Missa ao longo da história

    Principais tópicos do livro O Calvário e a Missa

    A Confissão

    “A Missa principia com a confissão. A confissão é uma prece na qual confessamos os nossos pecados e pedimos à Nossa Mãe Santíssima e aos Santos para que intercedam junto de Deus pelo nosso perdão, pois apenas os limpos de coração poderão ver a Deus.” 2.

    Jesus, como sacerdote, no Altar da Cruz e no Altar da Missa, que é um único Altar, suplica: “Pai, perdoai-lhes, porque eles não sabem o que fazem”. 3. É Para isso que Ele veio, e é assim que inicia a Santa Missa: para perdoar nossos pecados a fim de que possamos participar de sua Cruz e Ressurreição.

    O Ofertório

    “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso”. 4

    Na segunda palavra de Jesus na cruz, Fulton Sheen aponta para o momento do ofertório. Com este gesto, perdoando ao ladrão arrependido e a nós, Cristo nos recorda que tanto no Calvário como na Santa Missa, Ele não se oferta sozinho e quer que nós nos ofereçamos com Ele.

    “A oferta destas duas substâncias (pão e vinho) que alimentam a nossa vida simboliza a oferta de nós mesmos no Sacrifício da Missa. A nossa presença está sob as aparências de pão e de vinho — os símbolos do nosso corpo e do nosso sangue. Nós não somos apenas simples espectadores passivos, assistindo a um espetáculo teatral, pois também fazemos a nossa oferta, em união com Cristo.” 5

    imagem do ofertório, uma das partes da santa missa, explicada no livro o calvário e a missa.

    Sanctus

    “Mulher, eis aqui o teu filho… Eis aqui a tua mãe”. 6

    O Calvário e a Missa apontam para a necessidade de que Deus é o único que é digno de ser chamado de Santo, Santo, Santo. A palavra sanctus significa “separado”. Cristo é o Santo de Deus, a vítima sagrada separada para oferecer-se como hóstia imaculada por nós. Mas o Calvário e a Missa apontam-nos, da mesma forma, de que nós, Igreja, figurada em Maria aos pés da Cruz, somos chamados a participar desta santidade imaculada de Cristo.

    “Toda a vítima deve ser sagrada — Sanctus, Sanctus, Sanctus. Cinco dias depois, verificou-se o “Sanctus” da Missa do Calvário; mas naquele “Sanctus” da Sua Missa, Jesus dirigiu-Se àqueles que já eram santos — a Sua querida Mãe e ao Seu bem-amado discípulo João.” 7

    Conheça a história de São João Evangelista, o discípulo amado.

    A Consagração

    “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?” 8

    No grito de Jesus está toda a obra da Redenção consumada na Cruz e tornada real e presente no pão e no vinho transubstanciados. Cristo grita, sentindo o abandono de Deus e dos homens, e busca almas que o consolem, o adorem, o façam companhia. 

    “Eis a quarta palavra da Consagração da Missa do Calvário. As três primeiras palavras foram dirigidas aos homens. A quarta, porém, foi dirigida a Deus. Estamos agora na última fase do drama da Paixão. Na quarta Palavra, e em todo o Universo, só existem apenas Deus e Jesus.” 9

    Entenda qual a importância do sacerdote para a Igreja.

    sacerdote consagrando a eucaristia, a atualização do calvário em cada missa.

    A Comunhão

    “Tenho sede.” 10

    A esta palavra de Cristo podemos perceber que Jesus tem sede. Na Santa Missa Ele tem sede, mas uma sede diversa: Cristo tem sede de que nós tenhamos sede dele. 

    “Não se trata, certamente, de sede de água, pois a Terra, e tudo quanto ela encerra, Lhe pertenciam, e Ele acalmou as ondas quando as águas enfurecidas pareciam querer ultrapassar os seus limites. Quando Lhe ofereceram de beber, Ele não aceitou. Era outra, era diferente a sede que atormentava Jesus — era a sede das almas e dos corações humanos. Esse grito foi um apelo à comunhão — o último da longa série de apelos que o Pastor, que é Jesus, dirigiu aos homens.” 11

    Ite, Missa est

    “Tudo está consumado.” 12

    No grito de Jesus e na fala do sacerdote, no Calvário e na Missa, mais uma vez, vemos a união da missão de Cristo. Tudo está consumado, ite, Missa est: a obra da salvação está concluída. Concluída por Cristo na Cruz, no sentido de que nada há que acrescentar da parte d’Ele. De nossa parte, porém, ela será concluída, em nós, a partir do momento em que nos configurarmos a Cristo Crucificado. Eis a missão! Ite, Missa est!

    “Nosso Senhor consumou a Sua obra, mas nós não consumamos a nossa. Ele aponta-nos o caminho que devemos seguir. No final, Ele depôs a Sua Cruz, e nós devemos tomá-la sobre os nossos ombros. Ele consumou a Redenção no Seu Corpo físico, mas cabe-nos a nós consumá-la no Seu Corpo Místico. Ele consumou a Salvação, mas nós ainda não a aplicamos às nossas almas.” 13

    O último Evangelho

    “Pai, nas vossas mãos entrego o meu espírito.” 14

    No último Evangelho, no rito de Pio V, era lido, em toda missa, o prólogo de São João, que demonstra que tudo volta ao Pai. O Calvário e a Missa são ofertas de Cristo (e da humanidade em Cristo) ao Pai. A missa é obra de Cristo ao Pai. A Cruz é obra de Cristo ao Pai. E nós, somos obras de Cristo ao Pai? Viemos de Deus, e a Ele precisamos retornar.

    “A última palavra de Nosso Senhor foi realmente o Seu último Evangelho: “Pai, nas vossas mãos entrego o meu espírito”. Tal como no evangelho da Missa, também Ele regressa ao Pai de onde veio. Jesus completara a Sua obra. A Sua missa começara com a palavra Pai, e foi com essa mesma palavra que Ele terminou.” 15

    Referências

    1. FULTON SHEEN, O Calvário e a Missa, p.13[]
    2. FULTON SHEEN, O Calvário e a Missa, p.15[]
    3. Lc 23,34[]
    4. Lc 23,43[]
    5. FULTON SHEEN, O Calvário e a Missa, p.26[]
    6. Jo 19,26-27[]
    7. FULTON SHEEN, O Calvário e a Missa, p.32[]
    8. Mt 27,46[]
    9. FULTON SHEEN, O Calvário e a Missa, p.41[]
    10. Jo 19, 28[]
    11. FULTON SHEEN, O Calvário e a Missa, p.49[]
    12. Jo 19,30[]
    13. FULTON SHEEN, O Calvário e a Missa, p.63[]
    14. Lc 23,16[]
    15. FULTON SHEEN, O Calvário e a Missa, p.69[]

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