Formação

Domingo Gaudete: o domingo da alegria

Entenda o que é o domingo Gaudete, celebrado no 3º domingo do Advento, e por que a liturgia da Igreja se reveste de rosa neste dia.

Domingo Gaudete: o domingo da alegria
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Domingo Gaudete: o domingo da alegria

Entenda o que é o domingo Gaudete, celebrado no 3º domingo do Advento, e por que a liturgia da Igreja se reveste de rosa neste dia.

Data da Publicação: 13/12/2023
Tempo de leitura:
Autor: Redação MBC
Data da Publicação: 13/12/2023
Tempo de leitura:
Autor: Redação MBC

Você sabe o que significa o domingo Gaudete, também conhecido como domingo da alegria?

Duas vezes ao ano a Igreja, na liturgia, se reveste da cor rósea, que nada mais é que o roxo misturado com o branco. Essa mistura carrega um significado muito profundo para a vivência do tempo de espera pelo nascimento do Salvador.

Confira o artigo que preparamos para bem viver este terceiro domingo do advento.

O advento e ano litúrgico

Assim como o ano civil tem seu ciclo, que, atualmente, é marcado pelo sol, a liturgia eclesial também possui ciclos marcados e determinados. Através desse ciclo anual e litúrgico, a Igreja celebra todo o mistério de Cristo, da encarnação ao dia de pentecostes e à espera da vinda do Senhor 1.

Durante todo o ano, através do ano litúrgico, a Igreja convida seus fiéis a celebrarem os mistérios de Cristo, de modo a viverem mais intimamente ligados a tais eventos. 2

O ano litúrgico começa nas primeiras vésperas do domingo que cai no dia 30 de novembro — ou no domingo mais próximo a essa data —, logo após a solenidade de Cristo Rei.

O tempo do Advento, tempo este que prepara e antecede o mistério da encarnação do Verbo eterno, passa pela Oitava de Natal se estende até o chamado Tempo do Natal.

Leia mais em: Calendários litúrgico e civil: por que são diferentes?

O advento

O tempo do Advento tem duas importantíssimas características. A primeira e mais óbvia no imaginário comum é entendido como o tempo de preparação para a solenidade do Natal, em que temos a oportunidade de vivenciar o mistério da primeira vinda de Cristo, há 2 mil anos.

A segunda característica deste tempo é um prolongamento da primeira: a partir deste mergulho no mistério da encarnação, nossos corações podem viver a expectativa da segunda vinda de Cristo, no fim dos tempos. Vivemos uma dupla espera e celebração: primeira e segunda vindas de Cristo. O advento é vivido, dessa forma, como tempo de piedosa e alegre expectativa. 3

vela rosa domingo gaudete

Saiba como viver bem o Advento em 5 dicas práticas.

O 3° domingo do Advento: domingo Gaudete

O advento é marcado por 4 domingos que antecedem o mistério do Natal.

Entre eles, o 3° domingo possui uma particularidade em relação aos demais. Ele é chamado de domingo Gaudete, ou seja, domingo da alegria.

O que o difere dos outros domingos do advento é que, neste em específico, o fiel cristão é convidado a viver a espera pelo Messias de um modo ainda mais alegre.

O que é o domingo Gaudete?

A antífona de entrada da missa do domingo Gaudete resume perfeitamente o espírito da liturgia deste dia: “Alegrai-vos sempre no Senhor! Repito, alegrai-vos! O Senhor está próximo.” 4

O domingo Gaudete, domingo de alegria, domingo do “Alegrem-se, cristãos”, é um convite da Igreja para que todos, esperando fervorosos o Natal do Senhor, possam chegar às alegrias da Salvação e celebrar este mistério com intenso júbilo na liturgia solene 5.

A gravidade da espera que a liturgia nos inspira, e que é visível no roxo, deve ceder o seu espaço em nossos corações para a leveza e alegria que o róseo proporciona. O Senhor está próximo, vai nos dizer incessantemente a liturgia. No domingo Gaudete, somos convidados a renovar a esperança e a alegria no Senhor.

Quais são as cores das vestes litúrgicas no domingo Gaudete?

O roxo do advento, que remete à vigilância, piedade e expectativa, cede lugar ao róseo no domingo Gaudete, pois nele, pela proximidade do Natal, aumenta-se a alegria à medida em que cresce expectativa. Roxo e branco se unem, bem como a vigilância une-se ao júbilo.

No ano litúrgico inteiro, somente em dois domingos a Igreja se reveste dessa cor: 3° domingo do advento e 4° domingo da quaresma.

O domingo Gaudete e a alegria do Natal

“Dizei aos desanimados: coragem, não temais; eis que chega o nosso Deus, ele mesmo nos salvará.” 6

Providencialmente, celebramos este tempo tão belo no fim do ano civil, tempo oportuno para viver este “gaudete”.
O essencial do cristão deve ser marcado, ordinariamente, por esta alegria que irradia do mistério do Natal. A liturgia nos permite viver o mistério celebrado sempre de modo atual. Somos como que empurrados, no tempo e no espaço, para a vivência do que celebramos.

O domingo Gaudete é símbolo não só da disposição que devemos ter para bem celebrar o mistério do Natal. Este domingo é, além de tudo, símbolo da disposição com a qual o cristão deve viver toda a sua vida.

A palavra advento exprime bem o porque ele é tempo de alegre espera: adventus, chegada, vinda, mas com nuances de presença. Entre a salvação de Deus que já chegou até nós, e a salvação definitiva que ainda não é plena, vivemos nós, neste tempo da espera.

Num primeiro momento, esperar e se alegrar parecem ser ações opostas. Afinal, aquele que está esperando algo, ainda não o possui, e só se alegrará plenamente de posse do esperado. No caso cristão, na liturgia bem celebrada e entendida, particularmente no domingo Gaudete, a alegria de nossa espera reside na certeza da presença. “Alegrai-vos sempre no Senhor. O Senhor está próximo”. 4

Sabemos que estamos “num vale de lágrimas”, com nossa lutas e dores, com as demoras de Deus em nossas vidas. Que possamos viver este tempo unidos à nossa Mãe, Maria, que soube esperar com alegria generosa o tempo da manifestação do Deus conosco, o Emanuel. Na verdade, o Advento é o tempo mariano por excelência, como afirma São Paulo VI na Exportação Apostólica Marialis Cultus. Maria é a matriz, a figura por excelência da espera do povo de Israel e da própria Igreja.

Unidos à ela, alegres pela esperança, possamos viver já agora o que tanto amamos e aguardamos.

Referências

  1. cf. Sacrossanctum concilium n.102[]
  2. Cf. Instrução geral do missal romano, n.17[]
  3. Cf. IGMR n.39[]
  4. Fl 4, 4.5[][]
  5. cf. Missale Romanum, Oração coleta, p.110[]
  6. cf. Is 35,4[]

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    Redação MBC

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    Você sabe o que significa o domingo Gaudete, também conhecido como domingo da alegria?

    Duas vezes ao ano a Igreja, na liturgia, se reveste da cor rósea, que nada mais é que o roxo misturado com o branco. Essa mistura carrega um significado muito profundo para a vivência do tempo de espera pelo nascimento do Salvador.

    Confira o artigo que preparamos para bem viver este terceiro domingo do advento.

    O advento e ano litúrgico

    Assim como o ano civil tem seu ciclo, que, atualmente, é marcado pelo sol, a liturgia eclesial também possui ciclos marcados e determinados. Através desse ciclo anual e litúrgico, a Igreja celebra todo o mistério de Cristo, da encarnação ao dia de pentecostes e à espera da vinda do Senhor 1.

    Durante todo o ano, através do ano litúrgico, a Igreja convida seus fiéis a celebrarem os mistérios de Cristo, de modo a viverem mais intimamente ligados a tais eventos. 2

    O ano litúrgico começa nas primeiras vésperas do domingo que cai no dia 30 de novembro — ou no domingo mais próximo a essa data —, logo após a solenidade de Cristo Rei.

    O tempo do Advento, tempo este que prepara e antecede o mistério da encarnação do Verbo eterno, passa pela Oitava de Natal se estende até o chamado Tempo do Natal.

    Leia mais em: Calendários litúrgico e civil: por que são diferentes?

    O advento

    O tempo do Advento tem duas importantíssimas características. A primeira e mais óbvia no imaginário comum é entendido como o tempo de preparação para a solenidade do Natal, em que temos a oportunidade de vivenciar o mistério da primeira vinda de Cristo, há 2 mil anos.

    A segunda característica deste tempo é um prolongamento da primeira: a partir deste mergulho no mistério da encarnação, nossos corações podem viver a expectativa da segunda vinda de Cristo, no fim dos tempos. Vivemos uma dupla espera e celebração: primeira e segunda vindas de Cristo. O advento é vivido, dessa forma, como tempo de piedosa e alegre expectativa. 3

    vela rosa domingo gaudete

    Saiba como viver bem o Advento em 5 dicas práticas.

    O 3° domingo do Advento: domingo Gaudete

    O advento é marcado por 4 domingos que antecedem o mistério do Natal.

    Entre eles, o 3° domingo possui uma particularidade em relação aos demais. Ele é chamado de domingo Gaudete, ou seja, domingo da alegria.

    O que o difere dos outros domingos do advento é que, neste em específico, o fiel cristão é convidado a viver a espera pelo Messias de um modo ainda mais alegre.

    O que é o domingo Gaudete?

    A antífona de entrada da missa do domingo Gaudete resume perfeitamente o espírito da liturgia deste dia: “Alegrai-vos sempre no Senhor! Repito, alegrai-vos! O Senhor está próximo.” 4

    O domingo Gaudete, domingo de alegria, domingo do “Alegrem-se, cristãos”, é um convite da Igreja para que todos, esperando fervorosos o Natal do Senhor, possam chegar às alegrias da Salvação e celebrar este mistério com intenso júbilo na liturgia solene 5.

    A gravidade da espera que a liturgia nos inspira, e que é visível no roxo, deve ceder o seu espaço em nossos corações para a leveza e alegria que o róseo proporciona. O Senhor está próximo, vai nos dizer incessantemente a liturgia. No domingo Gaudete, somos convidados a renovar a esperança e a alegria no Senhor.

    Quais são as cores das vestes litúrgicas no domingo Gaudete?

    O roxo do advento, que remete à vigilância, piedade e expectativa, cede lugar ao róseo no domingo Gaudete, pois nele, pela proximidade do Natal, aumenta-se a alegria à medida em que cresce expectativa. Roxo e branco se unem, bem como a vigilância une-se ao júbilo.

    No ano litúrgico inteiro, somente em dois domingos a Igreja se reveste dessa cor: 3° domingo do advento e 4° domingo da quaresma.

    O domingo Gaudete e a alegria do Natal

    “Dizei aos desanimados: coragem, não temais; eis que chega o nosso Deus, ele mesmo nos salvará.” 6

    Providencialmente, celebramos este tempo tão belo no fim do ano civil, tempo oportuno para viver este “gaudete”.
    O essencial do cristão deve ser marcado, ordinariamente, por esta alegria que irradia do mistério do Natal. A liturgia nos permite viver o mistério celebrado sempre de modo atual. Somos como que empurrados, no tempo e no espaço, para a vivência do que celebramos.

    O domingo Gaudete é símbolo não só da disposição que devemos ter para bem celebrar o mistério do Natal. Este domingo é, além de tudo, símbolo da disposição com a qual o cristão deve viver toda a sua vida.

    A palavra advento exprime bem o porque ele é tempo de alegre espera: adventus, chegada, vinda, mas com nuances de presença. Entre a salvação de Deus que já chegou até nós, e a salvação definitiva que ainda não é plena, vivemos nós, neste tempo da espera.

    Num primeiro momento, esperar e se alegrar parecem ser ações opostas. Afinal, aquele que está esperando algo, ainda não o possui, e só se alegrará plenamente de posse do esperado. No caso cristão, na liturgia bem celebrada e entendida, particularmente no domingo Gaudete, a alegria de nossa espera reside na certeza da presença. “Alegrai-vos sempre no Senhor. O Senhor está próximo”. 4

    Sabemos que estamos “num vale de lágrimas”, com nossa lutas e dores, com as demoras de Deus em nossas vidas. Que possamos viver este tempo unidos à nossa Mãe, Maria, que soube esperar com alegria generosa o tempo da manifestação do Deus conosco, o Emanuel. Na verdade, o Advento é o tempo mariano por excelência, como afirma São Paulo VI na Exportação Apostólica Marialis Cultus. Maria é a matriz, a figura por excelência da espera do povo de Israel e da própria Igreja.

    Unidos à ela, alegres pela esperança, possamos viver já agora o que tanto amamos e aguardamos.

    Referências

    1. cf. Sacrossanctum concilium n.102[]
    2. Cf. Instrução geral do missal romano, n.17[]
    3. Cf. IGMR n.39[]
    4. Fl 4, 4.5[][]
    5. cf. Missale Romanum, Oração coleta, p.110[]
    6. cf. Is 35,4[]

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