Formação

Santas Perpétua e Felicidade, mártires

Conheça a vida das Santas Perpétua e Felicidade, descubra os principais episódio da vida dessas duas mães, jovens e mártires.

Santas Perpétua e Felicidade, mártires
Formação

Santas Perpétua e Felicidade, mártires

Conheça a vida das Santas Perpétua e Felicidade, descubra os principais episódio da vida dessas duas mães, jovens e mártires.

Data da Publicação: 16/02/2024
Tempo de leitura:
Autor: Redação Minha Biblioteca Católica
Data da Publicação: 16/02/2024
Tempo de leitura:
Autor: Redação Minha Biblioteca Católica

Conheça a vida das Santas Perpétua e Felicidade, descubra os principais episódios da vida dessas duas mães, jovens e mártires.

Conhecer a história de vida dos santos é um meio de fortalecer a nossa fé. Se desejamos ser imitadores de Cristo, é importante olhar para aqueles que já estiveram na mesma condição que nós, aqui na terra. Sendo assim, muitos fiéis escolhem como seus santos de devoção aqueles por quem sentem ter uma afinidade, seja pelo estado de vida, seja por outras circunstâncias compartilhadas.

Entre os muitos martírios que aconteceram na história da Igreja, o sofrimento das santas Perpétua e Felicidade é um grande exemplo, sobretudo para as mulheres jovens, esposas e mães. Confira os principais episódios de suas vidas, incluindo a crueldade da prisão e do martírio, e contemple como estas santas se entregaram confiantes, impulsionados pela fé que professavam em Cristo Jesus.

Quem foram as santas Perpétua e Felicidade?

Estas notáveis mulheres cristãs do século III, originárias da província romana da África, destacaram-se por sua fé intrépida e grande coragem diante da perseguição religiosa. Perpétua pertencia a uma família influente na sociedade, filha de um homem rico e notável, e Felicidade era uma escrava. As duas foram presas juntas e derramaram seu sangue pela Igreja.

Jovens e mães, Perpétua e Felicidade, enfrentaram com confiança inabalável em Deus as adversidades de sua época ao optarem por permanecer fiéis aos seus princípios cristãos e não renunciarem a sua fé, mesmo diante da ameaça iminente do martírio.

Você sabe por que chamamos Cristo de Cordeiro de Deus?

Quando é o dia das santas Perpétua e Felicidade?

O dia litúrgico dedicado às santas Perpétua e Felicidade é celebrado em 7 de março. Nesta data, a Igreja Católica celebra a santidade e o testemunho dessas duas mártires, que foram executadas por sua fé durante a perseguição aos cristãos no início do século III.

A celebração dessas duas mártires é uma oportunidade para os fiéis refletirem sobre a coragem e a devoção exemplares demonstradas por elas diante das adversidades, inspirando a Igreja — que somos nós — a manter uma fé inabalável em meio aos desafios da vida.

Conheça a profecia do martírio de São Maximiliano Kolbe.

Os principais episódios das vidas das Santas Perpétua e Felicidade

Os pais de Perpétua

De acordo com o autor de “A Vida dos Mártires”, o pai de Santa Perpétua era um pagão já de idade avançada. Ele expressava por ela um amor especial, superando o afeto pelos outros filhos. Já sua mãe era, provavelmente, cristã devota, assim como um de seus dois irmãos. Além disso, o segundo irmão estava no processo de se tornar catecúmeno, indicando uma jornada rumo à fé cristã.

Prisão de Perpétua e Felicidade

Em 202, uma violenta perseguição, instigada pelo Imperador Severo, desencadeou uma série de eventos que levaram à prisão de cinco catecúmenos em Cartago, sob a ordem de Minúcio Timiniano (o Firminiano). Entre esses mártires estavam Felicidade, grávida de sete meses, e Perpétua, uma jovem de 22 anos, casada e mãe de um bebê ainda de colo.

imagem da Virgem Maria com o Menino Jesus e as santas Perpétua e Felicidade.

Inicialmente, essa perseguição, que se estendeu até a África, levou à custódia desses mártires em uma casa particular, sob a vigilância de uma guarda rigorosa. No entanto, em breve, eles foram transferidos para uma prisão estreita e escura, descrita por Perpétua como um lugar de horror nunca antes experimentado. 1 O ambiente tinha um cheiro insuportável, resultante da aglomeração dos prisioneiros, enquanto o tratamento cruel dos soldados agravava ainda mais a situação.

Além disso, como se não bastassem tais condições adversas, a ausência do filho, que era ainda um bebê, intensificava o sofrimento de Perpétua. No entanto, uma pequena trégua veio por meio da intervenção de dois diáconos, Tércio e Pompônio, que, mediante pagamento, permitiram que os prisioneiros passassem algumas horas em um local mais confortável para respirar. Nessa ocasião, levaram também, quase morto, o filho de Perpétua para que ela o amamentasse. 2

Apesar de angustiada por presenciar o afeto de seus entes queridos, Perpétua, impulsionada pela fé, confiou o cuidado do filho à sua mãe e também encorajou seu irmão a zelar pelo bebê.

E, como é de impressionar a fé dos mártires, relata Santa Perpétua na prisão:

Passados alguns dias, já minha tristeza se converteu em gozo e consolo, e até já me parecia agradável a própria prisão. Disse-me um dia meu irmão: ‘Estou persuadido, irmã, que és muito favorecida pelo Céu […] 2

O pai de santa Perpétua tenta convencê-la a renunciar sua fé

Passados alguns dias, o pai de Perpétua, abatido de tristeza, vai visitá-la na prisão:

‘Filha minha’, disse-me, ‘tem piedade de meus cabelos brancos, tem compaixão de teu pai, se é que mereço ainda este título, se é que sou o mesmo que te criei até a idade que tens; e se é que consideras que o amor extremo que sempre tive por ti me fez preferir-te, em todas as situações, a teus demais irmãos; não me faças um desatino à vista de todo mundo. 3

Durante este encontro emocionante, o pai de Perpétua, banhado em lágrimas, beija suas mãos e, num gesto de desespero, lança-se aos seus pés. No entanto, a filha, embora tocada pela tristeza do pai, permanece firme em sua fé, explicando que a vontade de Deus estava acima de suas próprias escolhas:

‘Não vos afligis, pai, nada sucederá que não seja da vontade de Deus; porque nós não somos árbitros de nós mesmos’. 4

A angústia do pai se intensifica no dia seguinte ao saber que os prisioneiros passariam por um interrogatório. Então, mais uma vez, ele se apresenta diante de Perpétua, agora, com seu pequeno neto nos braços, e fez a ela um grande apelo, solicitando que não fosse insensível à miséria que aguardava o inocente filho. Mas a mãe, com determinação, não hesita e confessa sua fé cristã.

Diante da recusa de Perpétua em renunciar à sua fé, seu pai tenta retirá-la do local, sendo brutalmente espancado por ordens de Hilariano. Este momento representa mais um grande sofrimento para Perpétua, que sente a dor física de seu pai como se fosse a sua própria. 5

Contudo, nem o filho de colo, nem o comovente apelo de seu pai a fez renunciar à fé. As santas Perpétua e Felicidade vivenciaram, de fato, o Evangelho, recordando-nos sobretudo estas palavras do Cristo:

Quem ama seu pai ou sua mãe mais que a mim não é digno de mim. Quem ama seu filho mais que a mim não é digno de mim. 6

O Martírio de Perpétua e Felicidade

O juiz pronunciou a sentença de morte, condenando Perpétua, Felicidade e os demais mártires às feras. Felicidade, grávida de oito meses, angustiava-se com a possibilidade de não dar à luz antes dos jogos públicos, temendo que seu martírio se prolongasse, uma vez que era proibido tirar a vida de grávidas antes do parto. Unidos em oração, os mártires pediram a Deus o feliz parto antes do evento e obtiveram a graça. 7

Nas violentas dores do parto, Felicidade urrava de dor; mas quando provocada por um guarda sobre seus gritos, respondeu com firmeza:

“O que agora padeço, padeço eu; e então sofrerá por mim Aquele por quem haverei de sofrer.” 7

No dia derradeiro, os mártires saíram da prisão para o anfiteatro, com uma alegria que só o amor de Cristo poderia explicar. 8. Perpétua cantava e, junto com Felicidade, caminhava com doçura, uma vez que a fé e o amor as guiavam ao encontro do Esposo. Ao chegar à porta do anfiteatro, os guardas ainda tentaram vestir os prisioneiros com hábitos supersticiosos como de costume. Mas eles recusaram, mantendo a promessa de não comprometer a sua fé.

As duas mulheres foram expostas a touros selvagens. Perpétua, atacada em primeiro lugar, foi lançada para o alto e caiu de costas. Preocupada com a decência, recolheu suas roupas rasgadas, amarrou os cabelos soltos e ajudou Felicidade, também ferida, a se levantar. 9

Por fim, Felicidade teve a cabeça decepada por um golpe de machado, enquanto Perpétua caiu nas mãos de um gladiador aprendiz, que, com mão trêmula, deu-lhe inúmeros pequenos golpes, prolongando seu sofrimento até o último suspiro. 10

Mães, jovens e mártires

Perpétua e Felicidade compartilharam o martírio, sendo mães e jovens que deixaram um impacto duradouro com seu testemunho de fé inabalável. Elas enfrentaram o desafio de manter sua devoção a Cristo, mesmo diante das adversidades mais extremas.

Perpétua, com seus 22 anos e mãe de um bebê de colo, e Felicidade, grávida de oito meses, representam a coragem da juventude em seguir os ensinamentos cristãos, mesmo em tempos de perseguição intensa. Suas histórias transcendem os tempos, destacando a profundidade da fé e a valentia que demonstraram diante do sofrimento iminente.

O fato de serem mães confere uma dimensão ainda mais comovente à sua história. Perpétua, preocupada com o filho de peito que deixava para trás, e Felicidade, que deu à luz uma filha nos últimos momentos de sua vida, revelam a força materna e a capacidade de sacrifício pelo bem maior.

Essas mulheres, mesmo jovens e com a responsabilidade maternal, escolheram permanecer fiéis a sua fé, enfrentando a prisão, a separação de seus filhos e o martírio iminente. Seu exemplo ressoa como um chamado à coragem e à devoção, inspirando gerações a viverem a fé cristã com firmeza e confiança em Cristo Jesus, independentemente das circunstâncias.

Ao mergulhar na vida dos mártires, alimentamos a nossa fé. O testemunho corajoso de Perpétua e Felicidade não apenas inspira, mas também deixa uma marca profunda nos nossos corações. Depois de contemplar a coragem e a fé dessas duas grandes santas, resta-nos pedir a virtude da fé, a fim de que sejamos também capazes de testemunhar o Cristo desde as pequenas coisas do dia a dia até às últimas consequências, se necessário for.

Santas Perpétua e Felicidade, rogai por nós!

Que tal conhecer também a vida de Santa Inês, virgem e mártir?

Referências

  1. Butler, Alban, Vida dos Mártires. Tradução: Gabriel Lied, Rafael Salvi, Wilson Ribeiro. — Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2020. p.59[]
  2. Butler, Alban, Vida dos Mártires. Tradução: Gabriel Lied, Rafael Salvi, Wilson Ribeiro. — Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2020. p.60[][]
  3. Butler, Alban, Vida dos Mártires. Tradução: Gabriel Lied, Rafael Salvi, Wilson Ribeiro. — Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2020. p.61[]
  4. Butler, Alban, Vida dos Mártires. Tradução: Gabriel Lied, Rafael Salvi, Wilson Ribeiro. — Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2020. p.62[]
  5. Butler, Alban, Vida dos Mártires. Tradução: Gabriel Lied, Rafael Salvi, Wilson Ribeiro. — Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2020. p.63[]
  6. Mt 10, 37[]
  7. Butler, Alban, Vida dos Mártires. Tradução: Gabriel Lied, Rafael Salvi, Wilson Ribeiro. — Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2020. p.67[][]
  8. Butler, Alban, Vida dos Mártires. Tradução: Gabriel Lied, Rafael Salvi, Wilson Ribeiro. — Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2020. p.68[]
  9. Butler, Alban, Vida dos Mártires. Tradução: Gabriel Lied, Rafael Salvi, Wilson Ribeiro. — Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2020. p.69-71[]
  10. Butler, Alban, Vida dos Mártires. Tradução: Gabriel Lied, Rafael Salvi, Wilson Ribeiro. — Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2020. p.71[]

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    Conheça a vida das Santas Perpétua e Felicidade, descubra os principais episódios da vida dessas duas mães, jovens e mártires.

    Conhecer a história de vida dos santos é um meio de fortalecer a nossa fé. Se desejamos ser imitadores de Cristo, é importante olhar para aqueles que já estiveram na mesma condição que nós, aqui na terra. Sendo assim, muitos fiéis escolhem como seus santos de devoção aqueles por quem sentem ter uma afinidade, seja pelo estado de vida, seja por outras circunstâncias compartilhadas.

    Entre os muitos martírios que aconteceram na história da Igreja, o sofrimento das santas Perpétua e Felicidade é um grande exemplo, sobretudo para as mulheres jovens, esposas e mães. Confira os principais episódios de suas vidas, incluindo a crueldade da prisão e do martírio, e contemple como estas santas se entregaram confiantes, impulsionados pela fé que professavam em Cristo Jesus.

    Quem foram as santas Perpétua e Felicidade?

    Estas notáveis mulheres cristãs do século III, originárias da província romana da África, destacaram-se por sua fé intrépida e grande coragem diante da perseguição religiosa. Perpétua pertencia a uma família influente na sociedade, filha de um homem rico e notável, e Felicidade era uma escrava. As duas foram presas juntas e derramaram seu sangue pela Igreja.

    Jovens e mães, Perpétua e Felicidade, enfrentaram com confiança inabalável em Deus as adversidades de sua época ao optarem por permanecer fiéis aos seus princípios cristãos e não renunciarem a sua fé, mesmo diante da ameaça iminente do martírio.

    Você sabe por que chamamos Cristo de Cordeiro de Deus?

    Quando é o dia das santas Perpétua e Felicidade?

    O dia litúrgico dedicado às santas Perpétua e Felicidade é celebrado em 7 de março. Nesta data, a Igreja Católica celebra a santidade e o testemunho dessas duas mártires, que foram executadas por sua fé durante a perseguição aos cristãos no início do século III.

    A celebração dessas duas mártires é uma oportunidade para os fiéis refletirem sobre a coragem e a devoção exemplares demonstradas por elas diante das adversidades, inspirando a Igreja — que somos nós — a manter uma fé inabalável em meio aos desafios da vida.

    Conheça a profecia do martírio de São Maximiliano Kolbe.

    Os principais episódios das vidas das Santas Perpétua e Felicidade

    Os pais de Perpétua

    De acordo com o autor de “A Vida dos Mártires”, o pai de Santa Perpétua era um pagão já de idade avançada. Ele expressava por ela um amor especial, superando o afeto pelos outros filhos. Já sua mãe era, provavelmente, cristã devota, assim como um de seus dois irmãos. Além disso, o segundo irmão estava no processo de se tornar catecúmeno, indicando uma jornada rumo à fé cristã.

    Prisão de Perpétua e Felicidade

    Em 202, uma violenta perseguição, instigada pelo Imperador Severo, desencadeou uma série de eventos que levaram à prisão de cinco catecúmenos em Cartago, sob a ordem de Minúcio Timiniano (o Firminiano). Entre esses mártires estavam Felicidade, grávida de sete meses, e Perpétua, uma jovem de 22 anos, casada e mãe de um bebê ainda de colo.

    imagem da Virgem Maria com o Menino Jesus e as santas Perpétua e Felicidade.

    Inicialmente, essa perseguição, que se estendeu até a África, levou à custódia desses mártires em uma casa particular, sob a vigilância de uma guarda rigorosa. No entanto, em breve, eles foram transferidos para uma prisão estreita e escura, descrita por Perpétua como um lugar de horror nunca antes experimentado. 1 O ambiente tinha um cheiro insuportável, resultante da aglomeração dos prisioneiros, enquanto o tratamento cruel dos soldados agravava ainda mais a situação.

    Além disso, como se não bastassem tais condições adversas, a ausência do filho, que era ainda um bebê, intensificava o sofrimento de Perpétua. No entanto, uma pequena trégua veio por meio da intervenção de dois diáconos, Tércio e Pompônio, que, mediante pagamento, permitiram que os prisioneiros passassem algumas horas em um local mais confortável para respirar. Nessa ocasião, levaram também, quase morto, o filho de Perpétua para que ela o amamentasse. 2

    Apesar de angustiada por presenciar o afeto de seus entes queridos, Perpétua, impulsionada pela fé, confiou o cuidado do filho à sua mãe e também encorajou seu irmão a zelar pelo bebê.

    E, como é de impressionar a fé dos mártires, relata Santa Perpétua na prisão:

    Passados alguns dias, já minha tristeza se converteu em gozo e consolo, e até já me parecia agradável a própria prisão. Disse-me um dia meu irmão: ‘Estou persuadido, irmã, que és muito favorecida pelo Céu […] 2

    O pai de santa Perpétua tenta convencê-la a renunciar sua fé

    Passados alguns dias, o pai de Perpétua, abatido de tristeza, vai visitá-la na prisão:

    ‘Filha minha’, disse-me, ‘tem piedade de meus cabelos brancos, tem compaixão de teu pai, se é que mereço ainda este título, se é que sou o mesmo que te criei até a idade que tens; e se é que consideras que o amor extremo que sempre tive por ti me fez preferir-te, em todas as situações, a teus demais irmãos; não me faças um desatino à vista de todo mundo. 3

    Durante este encontro emocionante, o pai de Perpétua, banhado em lágrimas, beija suas mãos e, num gesto de desespero, lança-se aos seus pés. No entanto, a filha, embora tocada pela tristeza do pai, permanece firme em sua fé, explicando que a vontade de Deus estava acima de suas próprias escolhas:

    ‘Não vos afligis, pai, nada sucederá que não seja da vontade de Deus; porque nós não somos árbitros de nós mesmos’. 4

    A angústia do pai se intensifica no dia seguinte ao saber que os prisioneiros passariam por um interrogatório. Então, mais uma vez, ele se apresenta diante de Perpétua, agora, com seu pequeno neto nos braços, e fez a ela um grande apelo, solicitando que não fosse insensível à miséria que aguardava o inocente filho. Mas a mãe, com determinação, não hesita e confessa sua fé cristã.

    Diante da recusa de Perpétua em renunciar à sua fé, seu pai tenta retirá-la do local, sendo brutalmente espancado por ordens de Hilariano. Este momento representa mais um grande sofrimento para Perpétua, que sente a dor física de seu pai como se fosse a sua própria. 5

    Contudo, nem o filho de colo, nem o comovente apelo de seu pai a fez renunciar à fé. As santas Perpétua e Felicidade vivenciaram, de fato, o Evangelho, recordando-nos sobretudo estas palavras do Cristo:

    Quem ama seu pai ou sua mãe mais que a mim não é digno de mim. Quem ama seu filho mais que a mim não é digno de mim. 6

    O Martírio de Perpétua e Felicidade

    O juiz pronunciou a sentença de morte, condenando Perpétua, Felicidade e os demais mártires às feras. Felicidade, grávida de oito meses, angustiava-se com a possibilidade de não dar à luz antes dos jogos públicos, temendo que seu martírio se prolongasse, uma vez que era proibido tirar a vida de grávidas antes do parto. Unidos em oração, os mártires pediram a Deus o feliz parto antes do evento e obtiveram a graça. 7

    Nas violentas dores do parto, Felicidade urrava de dor; mas quando provocada por um guarda sobre seus gritos, respondeu com firmeza:

    “O que agora padeço, padeço eu; e então sofrerá por mim Aquele por quem haverei de sofrer.” 7

    No dia derradeiro, os mártires saíram da prisão para o anfiteatro, com uma alegria que só o amor de Cristo poderia explicar. 8. Perpétua cantava e, junto com Felicidade, caminhava com doçura, uma vez que a fé e o amor as guiavam ao encontro do Esposo. Ao chegar à porta do anfiteatro, os guardas ainda tentaram vestir os prisioneiros com hábitos supersticiosos como de costume. Mas eles recusaram, mantendo a promessa de não comprometer a sua fé.

    As duas mulheres foram expostas a touros selvagens. Perpétua, atacada em primeiro lugar, foi lançada para o alto e caiu de costas. Preocupada com a decência, recolheu suas roupas rasgadas, amarrou os cabelos soltos e ajudou Felicidade, também ferida, a se levantar. 9

    Por fim, Felicidade teve a cabeça decepada por um golpe de machado, enquanto Perpétua caiu nas mãos de um gladiador aprendiz, que, com mão trêmula, deu-lhe inúmeros pequenos golpes, prolongando seu sofrimento até o último suspiro. 10

    Mães, jovens e mártires

    Perpétua e Felicidade compartilharam o martírio, sendo mães e jovens que deixaram um impacto duradouro com seu testemunho de fé inabalável. Elas enfrentaram o desafio de manter sua devoção a Cristo, mesmo diante das adversidades mais extremas.

    Perpétua, com seus 22 anos e mãe de um bebê de colo, e Felicidade, grávida de oito meses, representam a coragem da juventude em seguir os ensinamentos cristãos, mesmo em tempos de perseguição intensa. Suas histórias transcendem os tempos, destacando a profundidade da fé e a valentia que demonstraram diante do sofrimento iminente.

    O fato de serem mães confere uma dimensão ainda mais comovente à sua história. Perpétua, preocupada com o filho de peito que deixava para trás, e Felicidade, que deu à luz uma filha nos últimos momentos de sua vida, revelam a força materna e a capacidade de sacrifício pelo bem maior.

    Essas mulheres, mesmo jovens e com a responsabilidade maternal, escolheram permanecer fiéis a sua fé, enfrentando a prisão, a separação de seus filhos e o martírio iminente. Seu exemplo ressoa como um chamado à coragem e à devoção, inspirando gerações a viverem a fé cristã com firmeza e confiança em Cristo Jesus, independentemente das circunstâncias.

    Ao mergulhar na vida dos mártires, alimentamos a nossa fé. O testemunho corajoso de Perpétua e Felicidade não apenas inspira, mas também deixa uma marca profunda nos nossos corações. Depois de contemplar a coragem e a fé dessas duas grandes santas, resta-nos pedir a virtude da fé, a fim de que sejamos também capazes de testemunhar o Cristo desde as pequenas coisas do dia a dia até às últimas consequências, se necessário for.

    Santas Perpétua e Felicidade, rogai por nós!

    Que tal conhecer também a vida de Santa Inês, virgem e mártir?

    Referências

    1. Butler, Alban, Vida dos Mártires. Tradução: Gabriel Lied, Rafael Salvi, Wilson Ribeiro. — Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2020. p.59[]
    2. Butler, Alban, Vida dos Mártires. Tradução: Gabriel Lied, Rafael Salvi, Wilson Ribeiro. — Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2020. p.60[][]
    3. Butler, Alban, Vida dos Mártires. Tradução: Gabriel Lied, Rafael Salvi, Wilson Ribeiro. — Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2020. p.61[]
    4. Butler, Alban, Vida dos Mártires. Tradução: Gabriel Lied, Rafael Salvi, Wilson Ribeiro. — Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2020. p.62[]
    5. Butler, Alban, Vida dos Mártires. Tradução: Gabriel Lied, Rafael Salvi, Wilson Ribeiro. — Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2020. p.63[]
    6. Mt 10, 37[]
    7. Butler, Alban, Vida dos Mártires. Tradução: Gabriel Lied, Rafael Salvi, Wilson Ribeiro. — Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2020. p.67[][]
    8. Butler, Alban, Vida dos Mártires. Tradução: Gabriel Lied, Rafael Salvi, Wilson Ribeiro. — Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2020. p.68[]
    9. Butler, Alban, Vida dos Mártires. Tradução: Gabriel Lied, Rafael Salvi, Wilson Ribeiro. — Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2020. p.69-71[]
    10. Butler, Alban, Vida dos Mártires. Tradução: Gabriel Lied, Rafael Salvi, Wilson Ribeiro. — Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2020. p.71[]

    Redação Minha Biblioteca Católica

    O maior clube de leitores católicos do Brasil.

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