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Bíblias Católica e Evangélica: qual é a diferença?

Deus fala com o homem por meio da Bíblia. Mas por que existem diferenças nas Bíblias Católica e Evangélica? Confira neste artigo.

Bíblias Católica e Evangélica: qual é a diferença?
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Bíblias Católica e Evangélica: qual é a diferença?

Deus fala com o homem por meio da Bíblia. Mas por que existem diferenças nas Bíblias Católica e Evangélica? Confira neste artigo.

Data da Publicação: 08/11/2023
Tempo de leitura:
Autor: Redação MBC
Data da Publicação: 08/11/2023
Tempo de leitura:
Autor: Redação MBC

A Sagrada Escritura é uma das formas de Deus se manifestar aos homens. Por meio dela, “Deus fala ao homem à maneira dos homens.” 1 Além disso, a Palavra de Deus alimenta e rege a vida cristã: A vossa Palavra é farol para os meus passos e luz para os meus caminhos. 2 No entanto, existem diferenças entre as Bíblias Católica e Evangélica, bem como no papel que elas têm na Igreja. Neste artigo, exploraremos o contexto histórico que deu origem a essas divergências, as suas causas, e a principal distinção entre essas duas versões da Bíblia.

A Bíblia na vida da Igreja

A Bíblia desempenha um papel fundamental na vida da Igreja. Ela é a Palavra de Deus, inspirada pelo Espírito Santo e transmitida aos homens ao longo do tempo. A Bíblia é uma fonte inesgotável de sabedoria espiritual e se manifesta de diversas maneiras, a fim de orientar a nossa fé.

Na oração, a Bíblia se revela como um guia para os fiéis. Ao meditarmos nas Escrituras, encontramos inspiração para falarmos com Deus, além de buscarmos a sua orientação e a sua graça. Os salmos, por exemplo, são frequentemente recitados na oração diária, permitindo-nos expressar nossos sentimentos, louvores e súplicas.

Santa Teresinha conta em seus escritos: É sobretudo o Evangelho que me ocupa durante as minhas orações. Nele encontro tudo o que é necessário à minha pobre alma. Nele descubro sempre novas luzes, sentidos escondidos e misteriosos. 3

Além disso, as leituras bíblicas durante a missa nos revelam a história da salvação, transmitindo-nos os ensinamentos de Jesus e dos apóstolos. A Bíblia enriquece a liturgia da Igreja e reforça a nossa fé, pois “a liturgia da Palavra comporta «os escritos dos Profetas», quer dizer, o Antigo Testamento, e «as Memórias dos Apóstolos» ou seja, as suas epístolas e os evangelhos.” 4

Por fim, grande parte da doutrina e dos ensinamentos da Igreja também têm suas raízes nas Escrituras, o que proporciona uma base sólida para a compreensão da nossa fé. De acordo com Santa Cesária, “Não há doutrina melhor, mais preciosa e esplêndida do que o texto do Evangelho. Vede e retende o que nosso Senhor e Mestre, Cristo, ensinou pelas suas palavras e realizou pelos seus actos.” 3

Bíblias Católica e Evangélica: como cada religião enxerga as Escrituras?

O papel da Bíblia na Igreja Católica

A Bíblia tem um importante papel na vida da Igreja Católica, como lemos acima. É a Palavra de Deus, por meio da qual Ele revela a nós a história da salvação e os seus ensinamentos. No entanto, para os católicos, a Bíblia não é a única fonte da Revelação Divina, mas compõe a tríplice base da fé católica, juntamente com a Tradição Apostólica e o Magistério da Igreja.

Além disso, a compreensão da Bíblia no catolicismo não se baseia na interpretação individual, mas é guiada pelo Magistério da Igreja. Ele é a autoridade de ensino da Igreja, composta por bispos e pelo Papa, e está a serviço da Revelação, a fim de interpretar as Escrituras e transmiti-las corretamente aos fiéis. Isso assegura a integridade e a coerência da doutrina dentro da fé católica.

A Bíblia, portanto, desempenha um papel fundamental para os católicos, fornecendo a base para os ensinamentos da Igreja e a compreensão da fé. No entanto, ela é integrada em um contexto mais amplo que inclui a Tradição Apostólica e o Magistério da Igreja, garantindo que a fé seja transmitida de forma autêntica e fiel à vontade de Deus.

Entenda como atuam os três pilares da fé católica: Tradição, Magistério e Sagrada Escritura.

O papel da Bíblia na Igreja Evangélica

Na Igreja Evangélica, a Bíblia desempenha um papel central e singular. Para os evangélicos, as Escrituras são a autoridade suprema e a única fonte da fé e da prática cristã. A Revelação Divina e a Bíblia para eles são uma coisa só, portanto, toda a Revelação de Deus estaria na Escritura.

Além disso, para os evangélicos a interpretação pessoal da Bíblia é frequentemente usada para determinar a validade de doutrinas e práticas. Sendo assim, cada um é encorajado a estudar as Escrituras por si mesmo e buscar uma compreensão direta dos ensinamentos de Deus.

Por isso, é comum que protestantes de diversas denominações questionem princípios católicos perguntando onde determinada situação, como a Assunção de Maria, por exemplo, se encontra na Bíblia. Esse é um questionamento que só faz sentido para os evangélicos, uma vez que não levam em conta mais nada além das Escrituras, como a Tradição, por exemplo. Ao contrário, procuram fundamentar todas as suas doutrinas e ações em passagens bíblicas específicas.

Saiba por que setembro é o mês da Bíblia.

A diferença entre a Bíblia Católica e a Bíblia Evangélica

A principal diferença entre a Bíblia Católica e a Evangélica está na quantidade de livros do Antigo Testamento. Ambas compartilham os mesmos 27 livros no Novo Testamento, mas divergem no Antigo. A Bíblia Católica inclui 46 livros, enquanto a Bíblia Evangélica contém apenas 39. Essa diferença é atribuída à presença dos chamados “livros deuterocanônicos” na Bíblia Católica, que estão ausentes na versão evangélica.

Para compreender essa disparidade, vamos entender o contexto histórico e as decisões que levaram a essa divergência. A Igreja Católica, ao longo dos séculos, estabeleceu seu cânon (a lista oficial de livros sagrados) com base na Tradição, nas Sagradas Escrituras e no Magistério, a fim de assegurar a autenticidade da fé e o verdadeiro Evangelho de Cristo.

Na época de Jesus, o cânon da Bíblia hebraica estava em evolução, e diferentes grupos judaicos tinham visões divergentes sobre quais livros deveriam ser considerados sagrados. Os sete livros adicionais (os deuterocanônicos) foram oficializados no cânon católico durante o Concílio de Trento, no século XVI, embora já estivessem presentes na Septuaginta, uma versão grega da Bíblia usada pelos apóstolos. No entanto, os judeus fecharam seu cânon, excluindo esses sete livros, após a época de Jesus.

A Septuaginta desempenhou um papel fundamental na divergência entre as duas versões da Bíblia. Os primeiros cristãos, obedecendo à ordem de Jesus, começaram a pregar o Evangelho ao mundo. Como a língua “universal” da época era o grego, eles utilizaram a Septuaginta, uma tradução grega do Antigo Testamento, que já continha os sete livros deuterocanônicos como sua principal fonte. Isso é evidenciado por muitas citações do Antigo Testamento encontradas no Novo Testamento que correspondem à Septuaginta.

Durante o século XVI, os reformadores protestantes, alegando que a Igreja Católica havia se afastado da fé original, buscaram restaurar a “Igreja Primitiva” e rejeitaram o Magistério. Durante esse processo, eles observaram que os judeus usavam uma lista diferente de livros sagrados, com 39 livros no Antigo Testamento, em contraste com os 46 da Bíblia Católica. Isso os levou a concluir que a Igreja Católica havia acrescentado esses livros ao longo do tempo e, assim, corrompido as Escrituras.

fragmento da septuaginta, que teve um papel fundamental na diferente entre as bíblias católica e evangélica.
Fragmento da Septuaginta, do século I

O cânon e a autoridade da Igreja

Uma questão fundamental nessa divergência é a autoridade da Igreja para determinar o cânon das Escrituras. É importante destacar que a Igreja Católica também definiu os 27 livros do Novo Testamento, que são aceitos tanto por católicos quanto por protestantes.

Além disso, o cânon do Novo Testamento só foi solidificado após um período de discussão e discernimento e, ao aceitar os 27 livros do Novo Testamento, os protestantes implicitamente reconhecem a autoridade da Igreja Católica no estabelecimento desse cânon.

Em resumo, enquanto os protestantes adotam o cânon hebraico, excluindo os livros deuterocanônicos, os católicos mantêm esses livros como parte integral de sua Bíblia. Essa divergência reflete a importância da autoridade da Igreja na interpretação e definição das Escrituras para os católicos, enquanto os protestantes enfatizam uma interpretação mais direta e individual da Bíblia.

De acordo com o Catecismo da Igreja Católica “tudo quanto diz respeito à interpretação da Escritura, está sujeito ao juízo último da Igreja, que tem o divino mandato e o ministério de guardar e interpretar a Palavra de Deus.” 5 Assim, Santo Agostinho declarava: Quanto a mim, não acreditaria no Evangelho se não me movesse a isso a autoridade da Igreja católica. 5

Quais livros existem na Bíblia Católica e não existem na Bíblia Evangélica?

A lista dos 97 livros sagrados, conhecida como Cânon, foi estabelecida através da Tradição Apostólica, orientando a Igreja na seleção dos escritos que comporiam não apenas o Antigo, mas também o Novo Testamento.

Contudo, os evangélicos excluíram sete livros do Antigo Testamento, chamados de deuterocanônicos, que estão presentes exclusivamente na versão católica da Bíblia. Esses livros são:

  • Tobias;
  • Judite;
  • Sabedoria;
  • Baruc;
  • Eclesiástico (ou Sirácida);
  • I Macabeus e II Macabeus, bem como alguns fragmentos dos livros de Ester e de Daniel.

Conheça o Antigo Testamento: sua origem, divisão e principais temas.

A melhor Bíblia Católica

A verdadeira interpretação das Sagradas Escrituras exige que você tenha, em primeiro lugar, a presença do Espírito Santo e, ao mesmo tempo, critérios sólidos como guia. Por isso, a importância de levar em conta a Tradição da Igreja na hora de interpretar a Bíblia. Ela preserva a memória viva da Palavra de Deus e nos ajuda a entender o contexto e o significado profundo das passagens bíblicas.

Além disso, é fundamental reconhecer a Bíblia como uma unidade, na qual o Antigo e o Novo Testamento se complementam, e considerar os sentidos literal e espiritual das Escrituras. A consulta aos Santos Padres é igualmente importante, uma vez que eles dedicaram suas vidas ao estudo das Escrituras, deixando preciosos comentários que enriquecem nossa compreensão.

Por fim, para tornar a sua leitura ainda mais rica, recomendamos a Bíblia Sagrada da MBC. Ela é inteiramente comentada pelos Santos Padres da Igreja, com mais de 3.500 comentários patrísticos e quase 9.000 notas de rodapé originais. Essa seleção inédita oferece uma imersão profunda nas Sagradas Escrituras. A Bíblia também apresenta recursos valiosos, como referências cruzadas em todo o texto, índice temático, sumários e introduções em todos os livros, mapas ilustrativos, biografia de personagens, lecionário dominical e muito mais.

Biblia da MBC, com comentários dos Santos Padres para ajudar a interpretar a Bíblia

É uma verdadeira catedral editorial que enriquecerá sua leitura. Com ela, você terá referências valiosas para interpretar a Bíblia, além de uma obra de beleza única em suas mãos. Sem dúvida, um tesouro que ilumina a jornada de fé de todo cristão que busca se aprofundar nas Escrituras para conhecer mais a Deus e se aproximar dele.

Conheça os detalhes da Bíblia da MBC.

Referências

  1. CIC, 109 []
  2. Sl 118, 105[]
  3. CIC, 127[][]
  4. CIC, 1349[]
  5. CIC, 119[][]
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Redação MBC

A Sagrada Escritura é uma das formas de Deus se manifestar aos homens. Por meio dela, “Deus fala ao homem à maneira dos homens.” 1 Além disso, a Palavra de Deus alimenta e rege a vida cristã: A vossa Palavra é farol para os meus passos e luz para os meus caminhos. 2 No entanto, existem diferenças entre as Bíblias Católica e Evangélica, bem como no papel que elas têm na Igreja. Neste artigo, exploraremos o contexto histórico que deu origem a essas divergências, as suas causas, e a principal distinção entre essas duas versões da Bíblia.

A Bíblia na vida da Igreja

A Bíblia desempenha um papel fundamental na vida da Igreja. Ela é a Palavra de Deus, inspirada pelo Espírito Santo e transmitida aos homens ao longo do tempo. A Bíblia é uma fonte inesgotável de sabedoria espiritual e se manifesta de diversas maneiras, a fim de orientar a nossa fé.

Na oração, a Bíblia se revela como um guia para os fiéis. Ao meditarmos nas Escrituras, encontramos inspiração para falarmos com Deus, além de buscarmos a sua orientação e a sua graça. Os salmos, por exemplo, são frequentemente recitados na oração diária, permitindo-nos expressar nossos sentimentos, louvores e súplicas.

Santa Teresinha conta em seus escritos: É sobretudo o Evangelho que me ocupa durante as minhas orações. Nele encontro tudo o que é necessário à minha pobre alma. Nele descubro sempre novas luzes, sentidos escondidos e misteriosos. 3

Além disso, as leituras bíblicas durante a missa nos revelam a história da salvação, transmitindo-nos os ensinamentos de Jesus e dos apóstolos. A Bíblia enriquece a liturgia da Igreja e reforça a nossa fé, pois “a liturgia da Palavra comporta «os escritos dos Profetas», quer dizer, o Antigo Testamento, e «as Memórias dos Apóstolos» ou seja, as suas epístolas e os evangelhos.” 4

Por fim, grande parte da doutrina e dos ensinamentos da Igreja também têm suas raízes nas Escrituras, o que proporciona uma base sólida para a compreensão da nossa fé. De acordo com Santa Cesária, “Não há doutrina melhor, mais preciosa e esplêndida do que o texto do Evangelho. Vede e retende o que nosso Senhor e Mestre, Cristo, ensinou pelas suas palavras e realizou pelos seus actos.” 3

Bíblias Católica e Evangélica: como cada religião enxerga as Escrituras?

O papel da Bíblia na Igreja Católica

A Bíblia tem um importante papel na vida da Igreja Católica, como lemos acima. É a Palavra de Deus, por meio da qual Ele revela a nós a história da salvação e os seus ensinamentos. No entanto, para os católicos, a Bíblia não é a única fonte da Revelação Divina, mas compõe a tríplice base da fé católica, juntamente com a Tradição Apostólica e o Magistério da Igreja.

Além disso, a compreensão da Bíblia no catolicismo não se baseia na interpretação individual, mas é guiada pelo Magistério da Igreja. Ele é a autoridade de ensino da Igreja, composta por bispos e pelo Papa, e está a serviço da Revelação, a fim de interpretar as Escrituras e transmiti-las corretamente aos fiéis. Isso assegura a integridade e a coerência da doutrina dentro da fé católica.

A Bíblia, portanto, desempenha um papel fundamental para os católicos, fornecendo a base para os ensinamentos da Igreja e a compreensão da fé. No entanto, ela é integrada em um contexto mais amplo que inclui a Tradição Apostólica e o Magistério da Igreja, garantindo que a fé seja transmitida de forma autêntica e fiel à vontade de Deus.

Entenda como atuam os três pilares da fé católica: Tradição, Magistério e Sagrada Escritura.

O papel da Bíblia na Igreja Evangélica

Na Igreja Evangélica, a Bíblia desempenha um papel central e singular. Para os evangélicos, as Escrituras são a autoridade suprema e a única fonte da fé e da prática cristã. A Revelação Divina e a Bíblia para eles são uma coisa só, portanto, toda a Revelação de Deus estaria na Escritura.

Além disso, para os evangélicos a interpretação pessoal da Bíblia é frequentemente usada para determinar a validade de doutrinas e práticas. Sendo assim, cada um é encorajado a estudar as Escrituras por si mesmo e buscar uma compreensão direta dos ensinamentos de Deus.

Por isso, é comum que protestantes de diversas denominações questionem princípios católicos perguntando onde determinada situação, como a Assunção de Maria, por exemplo, se encontra na Bíblia. Esse é um questionamento que só faz sentido para os evangélicos, uma vez que não levam em conta mais nada além das Escrituras, como a Tradição, por exemplo. Ao contrário, procuram fundamentar todas as suas doutrinas e ações em passagens bíblicas específicas.

Saiba por que setembro é o mês da Bíblia.

A diferença entre a Bíblia Católica e a Bíblia Evangélica

A principal diferença entre a Bíblia Católica e a Evangélica está na quantidade de livros do Antigo Testamento. Ambas compartilham os mesmos 27 livros no Novo Testamento, mas divergem no Antigo. A Bíblia Católica inclui 46 livros, enquanto a Bíblia Evangélica contém apenas 39. Essa diferença é atribuída à presença dos chamados “livros deuterocanônicos” na Bíblia Católica, que estão ausentes na versão evangélica.

Para compreender essa disparidade, vamos entender o contexto histórico e as decisões que levaram a essa divergência. A Igreja Católica, ao longo dos séculos, estabeleceu seu cânon (a lista oficial de livros sagrados) com base na Tradição, nas Sagradas Escrituras e no Magistério, a fim de assegurar a autenticidade da fé e o verdadeiro Evangelho de Cristo.

Na época de Jesus, o cânon da Bíblia hebraica estava em evolução, e diferentes grupos judaicos tinham visões divergentes sobre quais livros deveriam ser considerados sagrados. Os sete livros adicionais (os deuterocanônicos) foram oficializados no cânon católico durante o Concílio de Trento, no século XVI, embora já estivessem presentes na Septuaginta, uma versão grega da Bíblia usada pelos apóstolos. No entanto, os judeus fecharam seu cânon, excluindo esses sete livros, após a época de Jesus.

A Septuaginta desempenhou um papel fundamental na divergência entre as duas versões da Bíblia. Os primeiros cristãos, obedecendo à ordem de Jesus, começaram a pregar o Evangelho ao mundo. Como a língua “universal” da época era o grego, eles utilizaram a Septuaginta, uma tradução grega do Antigo Testamento, que já continha os sete livros deuterocanônicos como sua principal fonte. Isso é evidenciado por muitas citações do Antigo Testamento encontradas no Novo Testamento que correspondem à Septuaginta.

Durante o século XVI, os reformadores protestantes, alegando que a Igreja Católica havia se afastado da fé original, buscaram restaurar a “Igreja Primitiva” e rejeitaram o Magistério. Durante esse processo, eles observaram que os judeus usavam uma lista diferente de livros sagrados, com 39 livros no Antigo Testamento, em contraste com os 46 da Bíblia Católica. Isso os levou a concluir que a Igreja Católica havia acrescentado esses livros ao longo do tempo e, assim, corrompido as Escrituras.

fragmento da septuaginta, que teve um papel fundamental na diferente entre as bíblias católica e evangélica.
Fragmento da Septuaginta, do século I

O cânon e a autoridade da Igreja

Uma questão fundamental nessa divergência é a autoridade da Igreja para determinar o cânon das Escrituras. É importante destacar que a Igreja Católica também definiu os 27 livros do Novo Testamento, que são aceitos tanto por católicos quanto por protestantes.

Além disso, o cânon do Novo Testamento só foi solidificado após um período de discussão e discernimento e, ao aceitar os 27 livros do Novo Testamento, os protestantes implicitamente reconhecem a autoridade da Igreja Católica no estabelecimento desse cânon.

Em resumo, enquanto os protestantes adotam o cânon hebraico, excluindo os livros deuterocanônicos, os católicos mantêm esses livros como parte integral de sua Bíblia. Essa divergência reflete a importância da autoridade da Igreja na interpretação e definição das Escrituras para os católicos, enquanto os protestantes enfatizam uma interpretação mais direta e individual da Bíblia.

De acordo com o Catecismo da Igreja Católica “tudo quanto diz respeito à interpretação da Escritura, está sujeito ao juízo último da Igreja, que tem o divino mandato e o ministério de guardar e interpretar a Palavra de Deus.” 5 Assim, Santo Agostinho declarava: Quanto a mim, não acreditaria no Evangelho se não me movesse a isso a autoridade da Igreja católica. 5

Quais livros existem na Bíblia Católica e não existem na Bíblia Evangélica?

A lista dos 97 livros sagrados, conhecida como Cânon, foi estabelecida através da Tradição Apostólica, orientando a Igreja na seleção dos escritos que comporiam não apenas o Antigo, mas também o Novo Testamento.

Contudo, os evangélicos excluíram sete livros do Antigo Testamento, chamados de deuterocanônicos, que estão presentes exclusivamente na versão católica da Bíblia. Esses livros são:

  • Tobias;
  • Judite;
  • Sabedoria;
  • Baruc;
  • Eclesiástico (ou Sirácida);
  • I Macabeus e II Macabeus, bem como alguns fragmentos dos livros de Ester e de Daniel.

Conheça o Antigo Testamento: sua origem, divisão e principais temas.

A melhor Bíblia Católica

A verdadeira interpretação das Sagradas Escrituras exige que você tenha, em primeiro lugar, a presença do Espírito Santo e, ao mesmo tempo, critérios sólidos como guia. Por isso, a importância de levar em conta a Tradição da Igreja na hora de interpretar a Bíblia. Ela preserva a memória viva da Palavra de Deus e nos ajuda a entender o contexto e o significado profundo das passagens bíblicas.

Além disso, é fundamental reconhecer a Bíblia como uma unidade, na qual o Antigo e o Novo Testamento se complementam, e considerar os sentidos literal e espiritual das Escrituras. A consulta aos Santos Padres é igualmente importante, uma vez que eles dedicaram suas vidas ao estudo das Escrituras, deixando preciosos comentários que enriquecem nossa compreensão.

Por fim, para tornar a sua leitura ainda mais rica, recomendamos a Bíblia Sagrada da MBC. Ela é inteiramente comentada pelos Santos Padres da Igreja, com mais de 3.500 comentários patrísticos e quase 9.000 notas de rodapé originais. Essa seleção inédita oferece uma imersão profunda nas Sagradas Escrituras. A Bíblia também apresenta recursos valiosos, como referências cruzadas em todo o texto, índice temático, sumários e introduções em todos os livros, mapas ilustrativos, biografia de personagens, lecionário dominical e muito mais.

Biblia da MBC, com comentários dos Santos Padres para ajudar a interpretar a Bíblia

É uma verdadeira catedral editorial que enriquecerá sua leitura. Com ela, você terá referências valiosas para interpretar a Bíblia, além de uma obra de beleza única em suas mãos. Sem dúvida, um tesouro que ilumina a jornada de fé de todo cristão que busca se aprofundar nas Escrituras para conhecer mais a Deus e se aproximar dele.

Conheça os detalhes da Bíblia da MBC.

Referências

  1. CIC, 109 []
  2. Sl 118, 105[]
  3. CIC, 127[][]
  4. CIC, 1349[]
  5. CIC, 119[][]
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