Formação

Santa Catarina de Sena: história, visões, obras e legado

Conheça os principais fatos da vida de Santa Catarina de Sena, suas visões, obras e o papel fundamental que exerceu na história da Igreja.

Santa Catarina de Sena: história, visões, obras e legado
Formação

Santa Catarina de Sena: história, visões, obras e legado

Conheça os principais fatos da vida de Santa Catarina de Sena, suas visões, obras e o papel fundamental que exerceu na história da Igreja.

Data da Publicação: 31/10/2023
Tempo de leitura:
Autor: Redação MBC
Data da Publicação: 31/10/2023
Tempo de leitura:
Autor: Redação MBC

Tendo vivido nesta terra o mesmo tanto que o próprio Cristo, Santa Catarina de Sena, que também morreu aos 33 anos, realizou grandes feitos em favor da Santa Igreja. Através de sua plena união com Nosso Senhor Jesus Cristo, ela se entregou como vítima pelas almas dos pecadores por meio do sofrimento e do serviço que prestou aos doentes e necessitados.

Prepare-se para se surpreender com a história real e impactante de uma simples leiga da Ordem Terceira Dominicana que, no século XIV, viveu para recuperar a unidade da Igreja de sua época, que estava dilacerada, e para servir e amar Jesus em cada ato e pensamento — não à toa, foi nomeada Doutora da Igreja e Padroeira da Itália.

Quem foi Santa Catarina de Sena?

Santa Catarina de Sena foi uma mística leiga que entrou para a Ordem Terceira Dominicana, recebendo uma permissão especial para utilizar o hábito, e que viveu entre os anos de 1347 e  1380. Empregou-se no serviço da união da Santa Igreja Católica, que passava por um período de tensão após o Papa ter ido morar na França, em Avignon. Santa Catarina convenceu o Papa a voltar para Roma através de cartas e de sua própria presença diante do Santo Padre. Além disso, foi uma mulher de espiritualidade profunda que experienciou visões místicas e que recebeu os estigmas de Cristo e outros sofrimentos que a santificaram e a encheram de coragem para cumprir sua missão neste mundo.

Os principais episódios da vida de Santa Catarina de Sena

Nascimento e infância

Catarina Benincasa nasceu em Sena, na Itália, no ano de 1347, no dia da anunciação do Anjo Gabriel à Virgem Maria. Era filha de uma família grande de 25 filhos, seus pais eram muito pobres mas possuíam a riqueza da fé. Além de não ter podido estudar, Catarina foi uma menina franzina que vivia doente e, apesar de ter crescido de forma debilitada, isso em nada afetou a missão que depois seria chamada a realizar, pois desde a infância recebeu visões místicas que alimentaram a sua alma. A primeira foi quando ela tinha apenas 7 anos e viu Jesus vestido com vestes pontifícias, sentado em um trono no topo da Igreja dos Dominicanos. Junto a Jesus estavam São Pedro, São Paulo e São João Evangelista. Essa primeira visão foi o que marcou o início de uma vida unida a Cristo através da oração, penitência e de experiências místicas.

Conheça algumas das frases mais impactantes de Santa Catarina de Sena

A consagração e a revolta com o casamento

A pequena Catarina, aos 7 anos, consagrou sua virgindade a Jesus diante de um altar da Santíssima Virgem Maria. Além disso, vivia recolhida em oração e praticando mortificações. O resultado dessa espiritualidade transbordava exteriormente através de fenômenos místicos: ela levitava e era transportada pelo ar ao subir e descer as escadas. 

Quando Catarina completou 12 anos, como ditava o costume da época, os seus pais começaram a empregar esforços para casá-la e para convencê-la de tal necessidade, mas a menina estava decidida a entregar-se apenas a Jesus — e para expressar sua decisão, cortou os cabelos longos. A atitude de Catarina fez com que seus pais a proibissem de recolher-se em oração e a pusessem a trabalhar nos serviços domésticos. Como filha obediente e humilde dos pais terrenos, pôs-se a trabalhar, mas como filha obediente do Pai celeste, criou uma verdadeira cela interior, e enquanto trabalhava exteriormente, unia seu interior a Jesus por meio da oração.

Dominicana, analfabeta e conselheira de poderosos

Após uma visão de São Domingos, nasceu no coração da jovem o anseio de fazer parte da Ordem Terceira Dominicana. Catarina encheu-se de coragem para comunicar aos pais o seu desejo e o Espírito Santo conduziu as palavras da jovem aos pais, que acolheram o seu pedido com respeito. Após várias recusas, Catarina recebeu o hábito terciário dominicano e iniciou seu apostolado.

Catarina era analfabeta, mas isso não foi um impedimento para que ela ditasse inúmeras cartas ao povo e ao clero com o objetivo de orientar suas atitudes, convocando-os à caridade e à união mais íntima com Deus. Uma missão ainda mais árdua Deus havia colocado no caminho de Catarina: a de trazer o Santo Padre de volta a Roma. Com o intuito de reunir a Igreja que estava dividida, Catarina aprendeu a escrever suas próprias cartas e também viajou para orientar políticos, doutores, bispos, reis e todo tipo de pessoas influentes da sociedade.

Morte

Catarina viveu na terra como se já estivesse no céu, pois o que mais desejava era unir-se eternamente a quem mais amou e se doou nesta vida terrena: Jesus Cristo. E no dia 29 de abril de 1380, com 33 anos, Catarina partiu deste mundo e foi coroada no céu de todas as graças que plantou na terra.

Antes de morrer, Catarina disse: “Partindo-me do corpo, na verdade, consumei e dei a vida na Igreja e pela Igreja Santa, o que me é singularíssima graça” 1. E de fato, Catarina cumpriu sua missão de defender a Igreja através de tantas cartas e viagens apostólicas. Ela viveu e morreu amando a Esposa de Cristo, a Santa Igreja Católica.

Visões de Santa Catarina de Sena

A primeira visão de Santa Catarina de Sena ocorreu ainda na sua infância, quando ela tinha apenas 7 anos. Ela estava voltando de um passeio com o seu irmão quando viu Jesus Cristo vestido com ornamentos pontifícios rodeado pelos seus apóstolos Pedro, João e Paulo. Mais tarde, quando estava diante da escolha entre se casar e se tornar uma monja de clausura, São Domingos de Gusmão apareceu para Catarina oferecendo-lhe o hábito da Ordem Dominicana, uma proposta que a levaria a não escolher nem o casamento e nem a vida de clausura, mas a vida de uma leiga que seria missionária no meio do mundo.

Em 1368, a Virgem Maria apareceu para Santa Catarina apresentando-lhe a Jesus, que lhe ofereceu um anel belíssimo, unindo-a em matrimônio místico que haveria de ser celebrado junto dele no céu por toda a eternidade.

Catarina havia oferecido o seu próprio coração a Jesus, mas não imaginava que, em uma de suas visões, Ele apareceria a ela segurando um coração vermelho resplandecente. Jesus abriu-lhe o peito e trocou o coração da jovem pelo seu próprio coração, o que deixou uma cicatriz permanente, sinal do amor imenso de Jesus Cristo pela sua Catarina. Ela, ainda, recebeu os estigmas de Cristo que só podiam ser vistos por ela, mas que eram fonte de dor e sofrimento.

Imagem do casamento místico de Santa Catarina de Sena.
O casamento místico de Santa Catarina de Sena

Saiba mais: qual o papel das visões e aparições na nossa fé?

O legado de Santa Catarina de Sena

Papado

Santa Catarina de Sena teve um papel importantíssimo na união da Igreja. Ela nasceu num contexto em que o Papa não residia mais em Roma há décadas, isso porque a Igreja havia passado por um período de conflito com os governantes que disputavam autoridade. Depois de uma série de conflitos, o Papa Clemente V foi eleito por influência francesa e passou a residir na França para escapar das acusações de Roma.

Todo esse contexto enfraqueceu e dividiu a Esposa de Cristo, a Santa Igreja, e Catarina de Sena, impelida pelo Espírito Santo, viu a necessidade de intervir e tentar a todo custo levar o Santo Padre, ou como ela mesma chamava carinhosamente, o Doce Cristo na terra, de volta para Roma. 

Catarina viajou até Avignon, na França, onde residia o Papa Gregório XI, e foi pessoalmente convencê-lo a retornar para Roma. O Papa a escutava e até mesmo a considerava uma serva de Deus. Em uma das cartas que ela escrevia ao Santo Padre, ela chegou a lembrá-lo de uma promessa que ele havia feito enquanto era cardeal de, caso se tornasse Papa, voltar para Roma.

Além de ter convencido o Papa a voltar para Roma, Catarina instruía espiritualmente muitas pessoas influentes e as convenceu a também defender e acolher o retorno do Papa. A Igreja ainda passou pelo grande cisma do ocidente, quando houve um novo conclave e parte dos poderosos não aceitaram e elegeram um antipapa em Avignon. Santa Catarina continuou firme defendendo a autoridade do Papa eleito em Roma e escrevendo cartas a fim de convencer e instruir grandes influências de sua época. 

Imagem do Papa Gregório XI, que atendeu ao pedido de Santa Catarina de Sena.
Papa Gregório XI

Para compreender melhor esse cenário caótico, leia o artigo “Santa Catarina de Sena e o Papado”.

Canonização

Santa Catarina de Sena morreu no dia 29 de abril de 1380 e foi canonizada em 1461, pelo Papa Pio II. O corpo de Santa Catarina encontra-se na Basílica de Santa Maria sopra Minerva, em Roma, e a sua cabeça está na Basílica de San Domenico em Siena, na Itália.

Santa Catarina de Sena, Doutora da Igreja

De uma simples menina analfabeta a Doutora da Igreja, Santa Catarina foi reconhecida não apenas por seus grandes feitos em favor da Igreja e do Sumo Pontífice, mas também pelos seus preciosos escritos — especialmente pelo seu livro “O Diálogo”, cujas páginas foram escritas, muitas vezes, durante suas visões místicas. Santa Catarina de Sena foi declarada Padroeira da Itália em 1939, ao lado de São Francisco de Assis, pelo Papa Pio XII. E em 1970 o Papa Paulo VI a declarou Doutora da Igreja Católica.

Que tal rezar a Novena a Santa Catarina de Sena?

São Josemaria Escrivá e Santa Catarina de Sena

São Josemaria Escrivá era devoto da Santa de Sena desde criança, pois admirava nela a coragem de defender a verdade e o amor que ela possuía pela Santa Igreja. Por isso, ela é a intercessora do Opus Dei, uma instituição católica fundada por São Josemaria que busca formar santos que amam o cotidiano e a vida comum. “Tenho especial devoção a Santa Catarina – a grande “reclamona”! – porque ela se recusou a ficar em silêncio e falou grandes verdades por amor a Cristo, pela Igreja de Deus e pelo Romano Pontífice” 2.

Oração a Santa Catarina de Sena

Ó notável maravilha da Igreja, serva virgem, que por causa de suas extraordinárias virtudes e pelo que conseguistes para a Igreja e a Sociedade fostes aclamada e abençoada por todos. Volte teu bondoso olhar para mim, que confiante na tua poderosa proteção pede com todo o ardor da afeição e suplica a ti que obtenha pelas tuas preces o favor que ardentemente desejo (dizer aqui a graça desejada). Com tua imensa caridade recebestes de Deus os mais estupendos milagres e tornou-se a alegria e a esperança de todos nós que oramos a ti e rogamos ao teu coração tu recebestes do Divino Redentor. Serva e virgem, demonstre de novo o seu poder e da sua caridade e o seu nome será novamente exaltado e abençoado e consiga para nós, a graça suplicada com a eficácia de sua intercessão junto a Jesus e ainda a graça especial de que um dia estejamos juntos no Paraíso em eterna alegria e felicidade. Amém.

Referências

  1. Raimundo de Cápua, S. Caterina da Siena, Legenda maior, n. 363[]
  2. Carta, 29 de setembro de 1957, no. 49[]

Redação MBC

Tendo vivido nesta terra o mesmo tanto que o próprio Cristo, Santa Catarina de Sena, que também morreu aos 33 anos, realizou grandes feitos em favor da Santa Igreja. Através de sua plena união com Nosso Senhor Jesus Cristo, ela se entregou como vítima pelas almas dos pecadores por meio do sofrimento e do serviço que prestou aos doentes e necessitados.

Prepare-se para se surpreender com a história real e impactante de uma simples leiga da Ordem Terceira Dominicana que, no século XIV, viveu para recuperar a unidade da Igreja de sua época, que estava dilacerada, e para servir e amar Jesus em cada ato e pensamento — não à toa, foi nomeada Doutora da Igreja e Padroeira da Itália.

Quem foi Santa Catarina de Sena?

Santa Catarina de Sena foi uma mística leiga que entrou para a Ordem Terceira Dominicana, recebendo uma permissão especial para utilizar o hábito, e que viveu entre os anos de 1347 e  1380. Empregou-se no serviço da união da Santa Igreja Católica, que passava por um período de tensão após o Papa ter ido morar na França, em Avignon. Santa Catarina convenceu o Papa a voltar para Roma através de cartas e de sua própria presença diante do Santo Padre. Além disso, foi uma mulher de espiritualidade profunda que experienciou visões místicas e que recebeu os estigmas de Cristo e outros sofrimentos que a santificaram e a encheram de coragem para cumprir sua missão neste mundo.

Os principais episódios da vida de Santa Catarina de Sena

Nascimento e infância

Catarina Benincasa nasceu em Sena, na Itália, no ano de 1347, no dia da anunciação do Anjo Gabriel à Virgem Maria. Era filha de uma família grande de 25 filhos, seus pais eram muito pobres mas possuíam a riqueza da fé. Além de não ter podido estudar, Catarina foi uma menina franzina que vivia doente e, apesar de ter crescido de forma debilitada, isso em nada afetou a missão que depois seria chamada a realizar, pois desde a infância recebeu visões místicas que alimentaram a sua alma. A primeira foi quando ela tinha apenas 7 anos e viu Jesus vestido com vestes pontifícias, sentado em um trono no topo da Igreja dos Dominicanos. Junto a Jesus estavam São Pedro, São Paulo e São João Evangelista. Essa primeira visão foi o que marcou o início de uma vida unida a Cristo através da oração, penitência e de experiências místicas.

Conheça algumas das frases mais impactantes de Santa Catarina de Sena

A consagração e a revolta com o casamento

A pequena Catarina, aos 7 anos, consagrou sua virgindade a Jesus diante de um altar da Santíssima Virgem Maria. Além disso, vivia recolhida em oração e praticando mortificações. O resultado dessa espiritualidade transbordava exteriormente através de fenômenos místicos: ela levitava e era transportada pelo ar ao subir e descer as escadas. 

Quando Catarina completou 12 anos, como ditava o costume da época, os seus pais começaram a empregar esforços para casá-la e para convencê-la de tal necessidade, mas a menina estava decidida a entregar-se apenas a Jesus — e para expressar sua decisão, cortou os cabelos longos. A atitude de Catarina fez com que seus pais a proibissem de recolher-se em oração e a pusessem a trabalhar nos serviços domésticos. Como filha obediente e humilde dos pais terrenos, pôs-se a trabalhar, mas como filha obediente do Pai celeste, criou uma verdadeira cela interior, e enquanto trabalhava exteriormente, unia seu interior a Jesus por meio da oração.

Dominicana, analfabeta e conselheira de poderosos

Após uma visão de São Domingos, nasceu no coração da jovem o anseio de fazer parte da Ordem Terceira Dominicana. Catarina encheu-se de coragem para comunicar aos pais o seu desejo e o Espírito Santo conduziu as palavras da jovem aos pais, que acolheram o seu pedido com respeito. Após várias recusas, Catarina recebeu o hábito terciário dominicano e iniciou seu apostolado.

Catarina era analfabeta, mas isso não foi um impedimento para que ela ditasse inúmeras cartas ao povo e ao clero com o objetivo de orientar suas atitudes, convocando-os à caridade e à união mais íntima com Deus. Uma missão ainda mais árdua Deus havia colocado no caminho de Catarina: a de trazer o Santo Padre de volta a Roma. Com o intuito de reunir a Igreja que estava dividida, Catarina aprendeu a escrever suas próprias cartas e também viajou para orientar políticos, doutores, bispos, reis e todo tipo de pessoas influentes da sociedade.

Morte

Catarina viveu na terra como se já estivesse no céu, pois o que mais desejava era unir-se eternamente a quem mais amou e se doou nesta vida terrena: Jesus Cristo. E no dia 29 de abril de 1380, com 33 anos, Catarina partiu deste mundo e foi coroada no céu de todas as graças que plantou na terra.

Antes de morrer, Catarina disse: “Partindo-me do corpo, na verdade, consumei e dei a vida na Igreja e pela Igreja Santa, o que me é singularíssima graça” 1. E de fato, Catarina cumpriu sua missão de defender a Igreja através de tantas cartas e viagens apostólicas. Ela viveu e morreu amando a Esposa de Cristo, a Santa Igreja Católica.

Visões de Santa Catarina de Sena

A primeira visão de Santa Catarina de Sena ocorreu ainda na sua infância, quando ela tinha apenas 7 anos. Ela estava voltando de um passeio com o seu irmão quando viu Jesus Cristo vestido com ornamentos pontifícios rodeado pelos seus apóstolos Pedro, João e Paulo. Mais tarde, quando estava diante da escolha entre se casar e se tornar uma monja de clausura, São Domingos de Gusmão apareceu para Catarina oferecendo-lhe o hábito da Ordem Dominicana, uma proposta que a levaria a não escolher nem o casamento e nem a vida de clausura, mas a vida de uma leiga que seria missionária no meio do mundo.

Em 1368, a Virgem Maria apareceu para Santa Catarina apresentando-lhe a Jesus, que lhe ofereceu um anel belíssimo, unindo-a em matrimônio místico que haveria de ser celebrado junto dele no céu por toda a eternidade.

Catarina havia oferecido o seu próprio coração a Jesus, mas não imaginava que, em uma de suas visões, Ele apareceria a ela segurando um coração vermelho resplandecente. Jesus abriu-lhe o peito e trocou o coração da jovem pelo seu próprio coração, o que deixou uma cicatriz permanente, sinal do amor imenso de Jesus Cristo pela sua Catarina. Ela, ainda, recebeu os estigmas de Cristo que só podiam ser vistos por ela, mas que eram fonte de dor e sofrimento.

Imagem do casamento místico de Santa Catarina de Sena.
O casamento místico de Santa Catarina de Sena

Saiba mais: qual o papel das visões e aparições na nossa fé?

O legado de Santa Catarina de Sena

Papado

Santa Catarina de Sena teve um papel importantíssimo na união da Igreja. Ela nasceu num contexto em que o Papa não residia mais em Roma há décadas, isso porque a Igreja havia passado por um período de conflito com os governantes que disputavam autoridade. Depois de uma série de conflitos, o Papa Clemente V foi eleito por influência francesa e passou a residir na França para escapar das acusações de Roma.

Todo esse contexto enfraqueceu e dividiu a Esposa de Cristo, a Santa Igreja, e Catarina de Sena, impelida pelo Espírito Santo, viu a necessidade de intervir e tentar a todo custo levar o Santo Padre, ou como ela mesma chamava carinhosamente, o Doce Cristo na terra, de volta para Roma. 

Catarina viajou até Avignon, na França, onde residia o Papa Gregório XI, e foi pessoalmente convencê-lo a retornar para Roma. O Papa a escutava e até mesmo a considerava uma serva de Deus. Em uma das cartas que ela escrevia ao Santo Padre, ela chegou a lembrá-lo de uma promessa que ele havia feito enquanto era cardeal de, caso se tornasse Papa, voltar para Roma.

Além de ter convencido o Papa a voltar para Roma, Catarina instruía espiritualmente muitas pessoas influentes e as convenceu a também defender e acolher o retorno do Papa. A Igreja ainda passou pelo grande cisma do ocidente, quando houve um novo conclave e parte dos poderosos não aceitaram e elegeram um antipapa em Avignon. Santa Catarina continuou firme defendendo a autoridade do Papa eleito em Roma e escrevendo cartas a fim de convencer e instruir grandes influências de sua época. 

Imagem do Papa Gregório XI, que atendeu ao pedido de Santa Catarina de Sena.
Papa Gregório XI

Para compreender melhor esse cenário caótico, leia o artigo “Santa Catarina de Sena e o Papado”.

Canonização

Santa Catarina de Sena morreu no dia 29 de abril de 1380 e foi canonizada em 1461, pelo Papa Pio II. O corpo de Santa Catarina encontra-se na Basílica de Santa Maria sopra Minerva, em Roma, e a sua cabeça está na Basílica de San Domenico em Siena, na Itália.

Santa Catarina de Sena, Doutora da Igreja

De uma simples menina analfabeta a Doutora da Igreja, Santa Catarina foi reconhecida não apenas por seus grandes feitos em favor da Igreja e do Sumo Pontífice, mas também pelos seus preciosos escritos — especialmente pelo seu livro “O Diálogo”, cujas páginas foram escritas, muitas vezes, durante suas visões místicas. Santa Catarina de Sena foi declarada Padroeira da Itália em 1939, ao lado de São Francisco de Assis, pelo Papa Pio XII. E em 1970 o Papa Paulo VI a declarou Doutora da Igreja Católica.

Que tal rezar a Novena a Santa Catarina de Sena?

São Josemaria Escrivá e Santa Catarina de Sena

São Josemaria Escrivá era devoto da Santa de Sena desde criança, pois admirava nela a coragem de defender a verdade e o amor que ela possuía pela Santa Igreja. Por isso, ela é a intercessora do Opus Dei, uma instituição católica fundada por São Josemaria que busca formar santos que amam o cotidiano e a vida comum. “Tenho especial devoção a Santa Catarina – a grande “reclamona”! – porque ela se recusou a ficar em silêncio e falou grandes verdades por amor a Cristo, pela Igreja de Deus e pelo Romano Pontífice” 2.

Oração a Santa Catarina de Sena

Ó notável maravilha da Igreja, serva virgem, que por causa de suas extraordinárias virtudes e pelo que conseguistes para a Igreja e a Sociedade fostes aclamada e abençoada por todos. Volte teu bondoso olhar para mim, que confiante na tua poderosa proteção pede com todo o ardor da afeição e suplica a ti que obtenha pelas tuas preces o favor que ardentemente desejo (dizer aqui a graça desejada). Com tua imensa caridade recebestes de Deus os mais estupendos milagres e tornou-se a alegria e a esperança de todos nós que oramos a ti e rogamos ao teu coração tu recebestes do Divino Redentor. Serva e virgem, demonstre de novo o seu poder e da sua caridade e o seu nome será novamente exaltado e abençoado e consiga para nós, a graça suplicada com a eficácia de sua intercessão junto a Jesus e ainda a graça especial de que um dia estejamos juntos no Paraíso em eterna alegria e felicidade. Amém.

Referências

  1. Raimundo de Cápua, S. Caterina da Siena, Legenda maior, n. 363[]
  2. Carta, 29 de setembro de 1957, no. 49[]

Redação MBC

Assine nossa newsletter com conteúdos exclusivos

    Ao clicar em quero assinar você declara aceita receber conteúdos em seu email e concorda com a nossa política de privacidade.