Estamos já no quinto domingo da Quaresma. Um bom percurso já foi feito. Mas ainda precisamos avançar um pouco mais para que a Páscoa – que se aproxima – seja uma verdadeira passagem.
Confira, neste artigo, o que as leituras e a liturgia deste domingo nos inspiram a viver.
Com a proximidade da Páscoa, a liturgia deste domingo nos impulsiona a renovar a confiança na ação de Deus, que nos conduz por caminhos de vida nova. O Senhor não se limita ao passado, mas continua a realizar maravilhas e a transformar nossa história.
Em Cristo, essa renovação se torna definitiva. Ele nos chama a deixar para trás tudo o que nos impede de avançar e a segui-Lo, com o coração purificado e voltado para a plenitude da vida. A cada passo, Ele nos convida a mergulhar mais profundamente no mistério de Seu amor e de Sua misericórdia.
A primeira leitura deste domingo é extraída do livro do profeta Isaías (Is 43,16-21). Nesse trecho, o Senhor recorda Seu poder libertador, que outrora abriu caminho pelo mar para salvar Israel. Mas, surpreendentemente, Ele nos exorta a não ficarmos presos ao passado: “Não relembreis coisas passadas, não olheis para fatos antigos. Eis que eu farei coisas novas, e que já estão surgindo: acaso não as reconheceis?”
O ensinamento é claro: Deus não está limitado às Suas ações passadas. Ele continua agindo e nos chama a reconhecer essa ação no presente. O mesmo Senhor que libertou Israel continua abrindo caminhos de salvação, mesmo onde tudo parece árido e sem esperança.
Essa leitura nos convida a confiar na providência divina, mesmo quando não enxergamos claramente o caminho à nossa frente. Assim como Deus abriu o Mar Vermelho para o povo hebreu, Ele é capaz de transformar nossa realidade e nos conduzir a uma vida nova. Muitas vezes, nos apegamos ao passado, às quedas e dificuldades que enfrentamos, mas o Senhor nos exorta a olhar para frente, depositando a nossa confiança nele.
O Salmo 125(126) reflete a esperança que devemos ter na ação de Deus, a partir da lembrança do que Ele já fez: Maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria! Ele recorda a alegria do povo ao retornar do exílio e proclama que aqueles que semeiam com lágrimas colherão com júbilo.
Este é um convite para confiarmos que o Senhor transforma nossa dor em alegria e nossa luta em vitória. Mesmo em tempos de provação, devemos permanecer fiéis, pois a colheita virá no tempo determinado pela providência divina. Canta o salmo que até mesmo “entre os gentios se dizia: ‘Maravilhas fez com eles o Senhor!’”
A segunda leitura, retirada da Carta de São Paulo aos Filipenses (Fl 3,8-14), expressa o ardente desejo do Apóstolo de estar unido a Cristo. Para ele, nada tem mais valor do que conhecer Jesus e participar de Sua morte e ressurreição.
Paulo nos ensina a abandonar tudo o que nos prende ao passado e a avançar decididamente rumo à meta: “Esquecendo o que fica para trás, eu me lanço para o que está na frente. Corro direto para a meta, rumo ao prêmio, que, do alto, Deus me chama a receber em Cristo Jesus.” 1
Este trecho é um apelo a uma conversão radical. Somos chamados a deixar para trás as nossas seguranças humanas e a abraçar, sem reservas, o caminho de Cristo, que nos conduz à verdadeira vida: o Céu.
O contexto desse episódio nos revela ainda mais a profundidade da misericórdia de Cristo. Jesus estava ensinando no Templo de Jerusalém quando os fariseus e escribas, com intenções maliciosas, trouxeram a mulher surpreendida em adultério. Eles não estavam apenas interessados em aplicar a Lei de Moisés, mas em armar uma cilada contra Jesus. Se Ele a perdoasse, poderiam acusá-lo de desrespeitar a Lei; se a condenasse, contradiziria Sua própria pregação sobre o amor e a misericórdia.
Diante dessa armadilha, Jesus não responde imediatamente. Ele se inclina e começa a escrever no chão, um gesto que gera muitas interpretações. Alguns Padres da Igreja sugerem que Ele escrevia os pecados dos acusadores, revelando que nenhum deles estava em posição de julgar. Seja como for, o silêncio de Jesus cria um espaço para que a consciência dos presentes fale mais alto que suas acusações.
Quando, finalmente, Jesus fala, sua resposta desmonta toda a armadilha: “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra.” 2 Não há argumento contra essa verdade. Um a um, os acusadores se retiram, começando pelos mais velhos, talvez porque tinham mais pecados ou mais sabedoria para reconhecer sua própria miséria.
Por fim, Jesus e a mulher permanecem a sós. Esse detalhe é significativo: apenas diante de Cristo podemos experimentar plenamente a verdade sobre nós mesmos. Ele não nega a gravidade do pecado, mas oferece algo maior do que a condenação, a redenção: “Eu também não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais.” 3
Essas palavras revelam o verdadeiro propósito da misericórdia divina: não apenas nos perdoar, mas nos dar uma nova chance, uma vida transformada. Esse encontro nos ensina que, para Jesus, ninguém está definido pelo próprio pecado. Seu amor nos reergue e nos chama a um caminho de santidade.
Você conhece a devoção à Divina Misericórdia?
Já na iminência da Semana Santa, este domingo nos convida a renovar nossa decisão por Cristo. A liturgia nos ensina que Deus continua a fazer novas todas as coisas, que a alegria da salvação nos espera e que precisamos avançar sem medo, deixando para trás o que nos impede de caminhar.
A Cruz se aproxima, mas também a ressurreição. Deus nos convida a confiar, a nos abandonar em Sua misericórdia e a seguir adiante, sem olhar para trás.
O Evangelho de hoje nos mostra que ninguém está fora do alcance da graça divina. A mulher adúltera, exposta e humilhada, encontrou em Jesus um olhar que não a condenava, mas a restaurava. Esse olhar também se volta para nós. Quantas vezes nos sentimos indignos? Quantas vezes acreditamos que nosso passado nos define? Cristo nos ensina que, diante de Sua misericórdia, o passado não tem a última palavra.
Assim como Ele convidou aquela mulher a uma nova vida, convida também a nós. Não basta apenas evitar a condenação; é preciso abraçar a conversão. Que este tempo nos ajude a compreender que a verdadeira liberdade está em Cristo, que perdoa, renova e nos conduz à plenitude da vida!
Você sabia que a cruz é um sacramental? Entenda porque devemos ter um crucifixo em casa.
Confira também os artigos sobre a liturgia dos domingos anteriores:
4º domingo da Quaresma | Domingo Laetare
O maior clube de leitores católicos do Brasil.
Estamos já no quinto domingo da Quaresma. Um bom percurso já foi feito. Mas ainda precisamos avançar um pouco mais para que a Páscoa – que se aproxima – seja uma verdadeira passagem.
Confira, neste artigo, o que as leituras e a liturgia deste domingo nos inspiram a viver.
Com a proximidade da Páscoa, a liturgia deste domingo nos impulsiona a renovar a confiança na ação de Deus, que nos conduz por caminhos de vida nova. O Senhor não se limita ao passado, mas continua a realizar maravilhas e a transformar nossa história.
Em Cristo, essa renovação se torna definitiva. Ele nos chama a deixar para trás tudo o que nos impede de avançar e a segui-Lo, com o coração purificado e voltado para a plenitude da vida. A cada passo, Ele nos convida a mergulhar mais profundamente no mistério de Seu amor e de Sua misericórdia.
A primeira leitura deste domingo é extraída do livro do profeta Isaías (Is 43,16-21). Nesse trecho, o Senhor recorda Seu poder libertador, que outrora abriu caminho pelo mar para salvar Israel. Mas, surpreendentemente, Ele nos exorta a não ficarmos presos ao passado: “Não relembreis coisas passadas, não olheis para fatos antigos. Eis que eu farei coisas novas, e que já estão surgindo: acaso não as reconheceis?”
O ensinamento é claro: Deus não está limitado às Suas ações passadas. Ele continua agindo e nos chama a reconhecer essa ação no presente. O mesmo Senhor que libertou Israel continua abrindo caminhos de salvação, mesmo onde tudo parece árido e sem esperança.
Essa leitura nos convida a confiar na providência divina, mesmo quando não enxergamos claramente o caminho à nossa frente. Assim como Deus abriu o Mar Vermelho para o povo hebreu, Ele é capaz de transformar nossa realidade e nos conduzir a uma vida nova. Muitas vezes, nos apegamos ao passado, às quedas e dificuldades que enfrentamos, mas o Senhor nos exorta a olhar para frente, depositando a nossa confiança nele.
O Salmo 125(126) reflete a esperança que devemos ter na ação de Deus, a partir da lembrança do que Ele já fez: Maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria! Ele recorda a alegria do povo ao retornar do exílio e proclama que aqueles que semeiam com lágrimas colherão com júbilo.
Este é um convite para confiarmos que o Senhor transforma nossa dor em alegria e nossa luta em vitória. Mesmo em tempos de provação, devemos permanecer fiéis, pois a colheita virá no tempo determinado pela providência divina. Canta o salmo que até mesmo “entre os gentios se dizia: ‘Maravilhas fez com eles o Senhor!’”
A segunda leitura, retirada da Carta de São Paulo aos Filipenses (Fl 3,8-14), expressa o ardente desejo do Apóstolo de estar unido a Cristo. Para ele, nada tem mais valor do que conhecer Jesus e participar de Sua morte e ressurreição.
Paulo nos ensina a abandonar tudo o que nos prende ao passado e a avançar decididamente rumo à meta: “Esquecendo o que fica para trás, eu me lanço para o que está na frente. Corro direto para a meta, rumo ao prêmio, que, do alto, Deus me chama a receber em Cristo Jesus.” 1
Este trecho é um apelo a uma conversão radical. Somos chamados a deixar para trás as nossas seguranças humanas e a abraçar, sem reservas, o caminho de Cristo, que nos conduz à verdadeira vida: o Céu.
O contexto desse episódio nos revela ainda mais a profundidade da misericórdia de Cristo. Jesus estava ensinando no Templo de Jerusalém quando os fariseus e escribas, com intenções maliciosas, trouxeram a mulher surpreendida em adultério. Eles não estavam apenas interessados em aplicar a Lei de Moisés, mas em armar uma cilada contra Jesus. Se Ele a perdoasse, poderiam acusá-lo de desrespeitar a Lei; se a condenasse, contradiziria Sua própria pregação sobre o amor e a misericórdia.
Diante dessa armadilha, Jesus não responde imediatamente. Ele se inclina e começa a escrever no chão, um gesto que gera muitas interpretações. Alguns Padres da Igreja sugerem que Ele escrevia os pecados dos acusadores, revelando que nenhum deles estava em posição de julgar. Seja como for, o silêncio de Jesus cria um espaço para que a consciência dos presentes fale mais alto que suas acusações.
Quando, finalmente, Jesus fala, sua resposta desmonta toda a armadilha: “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra.” 2 Não há argumento contra essa verdade. Um a um, os acusadores se retiram, começando pelos mais velhos, talvez porque tinham mais pecados ou mais sabedoria para reconhecer sua própria miséria.
Por fim, Jesus e a mulher permanecem a sós. Esse detalhe é significativo: apenas diante de Cristo podemos experimentar plenamente a verdade sobre nós mesmos. Ele não nega a gravidade do pecado, mas oferece algo maior do que a condenação, a redenção: “Eu também não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais.” 3
Essas palavras revelam o verdadeiro propósito da misericórdia divina: não apenas nos perdoar, mas nos dar uma nova chance, uma vida transformada. Esse encontro nos ensina que, para Jesus, ninguém está definido pelo próprio pecado. Seu amor nos reergue e nos chama a um caminho de santidade.
Você conhece a devoção à Divina Misericórdia?
Já na iminência da Semana Santa, este domingo nos convida a renovar nossa decisão por Cristo. A liturgia nos ensina que Deus continua a fazer novas todas as coisas, que a alegria da salvação nos espera e que precisamos avançar sem medo, deixando para trás o que nos impede de caminhar.
A Cruz se aproxima, mas também a ressurreição. Deus nos convida a confiar, a nos abandonar em Sua misericórdia e a seguir adiante, sem olhar para trás.
O Evangelho de hoje nos mostra que ninguém está fora do alcance da graça divina. A mulher adúltera, exposta e humilhada, encontrou em Jesus um olhar que não a condenava, mas a restaurava. Esse olhar também se volta para nós. Quantas vezes nos sentimos indignos? Quantas vezes acreditamos que nosso passado nos define? Cristo nos ensina que, diante de Sua misericórdia, o passado não tem a última palavra.
Assim como Ele convidou aquela mulher a uma nova vida, convida também a nós. Não basta apenas evitar a condenação; é preciso abraçar a conversão. Que este tempo nos ajude a compreender que a verdadeira liberdade está em Cristo, que perdoa, renova e nos conduz à plenitude da vida!
Você sabia que a cruz é um sacramental? Entenda porque devemos ter um crucifixo em casa.
Confira também os artigos sobre a liturgia dos domingos anteriores:
4º domingo da Quaresma | Domingo Laetare