Devoção

Festa da Sagrada Família

Você sabia que a Igreja celebra a festa da Sagrada Família? Conheça a Família de Nazaré nas Escrituras e o que ela tem a nos ensinar.

Festa da Sagrada Família
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Festa da Sagrada Família

Você sabia que a Igreja celebra a festa da Sagrada Família? Conheça a Família de Nazaré nas Escrituras e o que ela tem a nos ensinar.

Data da Publicação: 27/12/2023
Tempo de leitura:
Autor: Redação MBC
Data da Publicação: 27/12/2023
Tempo de leitura:
Autor: Redação MBC

Você sabia que a Igreja celebra a festa da Sagrada Família? Conheça a Família de Nazaré nas Escrituras e o que ela tem a nos ensinar.

A célula primordial da sociedade é a família, originada da união entre um homem e uma mulher, destinada à procriação, auxílio mútuo e proteção. Nessa aliança, destaca-se a dedicação e o sacrifício em favor do outro pelo amor que os une. O II Concílio do Vaticano reconhece a família como a Igreja Doméstica, compartilhando com a Igreja Universal a missão de salvar almas, render culto a Deus e realizar o trabalho do apostolado.

Sendo assim, o Verbo Encarnado escolheu manifestar-se no seio de uma família, elevando a importância e a sacralidade desse núcleo. Neste artigo, exploraremos aspectos da vida oculta da Família de Nazaré, mergulhando na celebração da festa da Sagrada Família e as lições valiosas que cada um de seus membros têm a ensinar.

O que é a Festa da Sagrada Família?

A Festa da Sagrada Família é uma celebração que honra de maneira especial a vida da Família de Jesus, Maria e José. A Igreja celebra nesta festa a profunda escolha divina de Cristo em nascer e crescer no seio de uma família humana. Ao longo da maior parte de sua vida, Jesus compartilhou as experiências cotidianas da humanidade, dedicando-se ao trabalho manual e seguindo as tradições da religião judaica. Desse modo, a família torna-se um instrumento de Deus para a nossa salvação, é no seio familiar que o ser humano deveria compreender o sentido de sua vida.

A Sagrada Família é um modelo de santidade para todas as famílias, pois ela transmite a beleza da comunhão, do amor verdadeiro e simples, e do caráter sagrado e inviolável da vida familiar. No entanto, não devemos pensar que, por serem santos, foi fácil para Maria e José. Eles enfrentaram inúmeras dificuldades, desde antes do nascimento de Jesus, mas confiaram em Deus e O obedeceram — o que as tornaram pessoas dignas do céu. Portanto, esta festa é para nós um chamado a refletir sobre o verdadeiro sentido da família e a buscar inspiração na vida terrena de Maria, José e Jesus — que santificou o ordinário com Sua presença divina.

Conheça a festa do Natal do Senhor: o nascimento de Cristo.

Quando a Festa da Sagrada Família é celebrada?

A Igreja celebra a Festa da Sagrada Família no domingo após o Natal. Esta tradição se desenvolveu a partir do século XIX no Canadá e, posteriormente, a partir de 1920, foi adotada por toda a Igreja. Inicialmente, ela ocorria no domingo após a Epifania 1. No entanto, é importante observar que essa celebração é omitida quando o domingo é a solenidade da Mãe de Deus.

O ajuste da data para o domingo seguinte ao Natal ressalta a proximidade cronológica do nascimento de Cristo e a importância de refletir sobre o exemplo da Família Santa de Nazaré durante esta época festiva.

Jesus nasceu mesmo no dia 25 de dezembro? Confira aqui.

A Sagrada Família na Bíblia

A origem da Festa da Sagrada Família encontra suas raízes na narrativa do Evangelho de São Mateus, capítulo 2. A passagem relata os eventos após o nascimento de Jesus em Belém. Depois da visita dos Magos, o anjo do Senhor apareceu em sonhos a José, alertando-o sobre a ameaça iminente de Herodes. O rei, temendo a perda de seu poder para o recém-nascido “Rei dos judeus”, ordenou a execução de todos os meninos com menos de dois anos na região de Belém:

Depois de sua partida, um anjo do Senhor apareceu em so­nhos a José e disse: “Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito; fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para o matar”. José levantou-se durante a noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito. Ali permaneceu até a morte de Herodes para que se cumprisse o que o Senhor dissera pelo profeta: Do Egito chamei meu filho (Os 11,1). Vendo, então, Herodes que tinha sido enganado pelos magos, ficou muito irritado e mandou massacrar em Belém e nos seus arredores todos os meninos de dois anos para baixo, conforme o tempo exato que havia indagado dos magos. Cumpriu-se, então, o que foi dito pelo profeta Jeremias: Em Ramá se ouviu uma voz, choro e grandes lamentos: é Raquel a chorar seus filhos; não quer consolação, porque já não existem (Jr 31,15)! 2

Este trecho do Evangelho destaca a confiança e a obediência da Sagrada Família, pois São José partiu às pressas, a fim de salvar o Menino. A cena evoca a imagem de uma jornada difícil, sem guia, provisões adequadas ou abrigo seguro, intensificando a apreensão dos santos diante da ameaça à vida de Cristo. Embora a Bíblia ofereça poucos detalhes a respeito da viagem, não nos é difícil imaginar a dificuldade que era deslocar-se dessa maneira, sobretudo naquela época e sob tais condições.

imagem da Sagrada família na fuga para o Egito.

O Pe. Júlio Maria de Lombaerde, autor do livro Ensinamentos da Sagrada Família nos ajuda a visualizar a cena ao contar a trajetória dos três santos viajantes:

Evitando a estrada real para maior segurança, sobretudo nas vizinhanças de Jerusalém, os santos viajores seguem com dificuldade pelo leito das torrentes, por caminhos impérvios e, a bem dizer, impraticáveis. Depois de três horas de viagem chegam à fonte de Bessur, já mencionada no livro de Josué, e ali pararam um instante. 3

Contemplar este episódio enfrentado pela Sagrada Família leva-nos a refletir não somente sobre a proteção divina, mas também a respeito da realidade do sofrimento e da confiança inabalável em Deus. Diante do imenso desafio, Maria e José não sucumbiram ao desespero, mas mantiveram-se firmes, obedecendo ao chamado do Senhor. Desse modo, a Família de Nazaré, ao enfrentar o Massacre dos Inocentes, revela-se como um farol de luz e refúgio para todos os que buscam a direção e a proteção de Deus em suas próprias vidas familiares, especialmente nas adversidades.

Saiba como surgiu o presépio.

O que a Festa da Sagrada Família nos ensina?

A Festa da Sagrada Família é uma oportunidade para refletir sobre os preciosos ensinamentos transmitidos pela Família de Nazaré. Cada membro dessa Família Sagrada nos oferece lições valiosas e atemporais. Não importa se viveram a mais de dois mil anos atrás, com eles, aprendemos o que é ser família, como agir no seio familiar, bem como o papel de um pai, de uma mãe e de um filho, em qualquer época.

São José

São José, escolhido para ser o pai adotivo de Jesus, é um exemplo de obediência silenciosa à vontade de Deus. Foi a ele que Deus confiou os cuidados de Seus dois tesouros preciosos: a Virgem Maria e o Menino Jesus. Mesmo diante de desafios e incertezas, ele confiou na orientação divina, mostrando-nos a importância de ouvir e seguir a vontade de Deus na vida familiar.

Como protetor da Sagrada Família, São José nos ensina sobre o papel vital dos pais na proteção e cuidado de suas famílias. Sua prontidão em fugir para o Egito para salvar Jesus do massacre dos inocentes destaca a responsabilidade de zelar pelos próprios filhos e protegê-los de tudo que possa prejudicá-los — espiritual ou fisicamente.

Pe. Júlio Lombaerde também traz à tona a grande missão de São José como chefe da Sagrada Família. Ele afirma que enquanto os demais santos tiveram a missão de manifestar a virtude de Deus e propagar o Seu nome, o ministério de São José era ocultar a glória do Menino Jesus, mantendo-o em segurança, até o dia de sua manifestação. Sob o “véu” de São José, Maria e Jesus puderam cumprir a sua missão oculta até que a ação deles resplandecesse no mistério da cruz. 4

A Virgem Maria

Maria foi escolhida e preparada por Deus desde o ventre para ser a mãe do Salvador. Seu sim ao anúncio do anjo e toda a sua vida colocam-na como modelo de humildade e submissão à vontade de Deus. Olhando para ela, as mães aprendem a moldarem os seus corações, a fim de serem capazes de se doar pelos seus. Ao seguir o exemplo da Mãe de Cristo, as mães têm a oportunidade de transcender o amor e o sacrifício em seus lares.

Maria é o ânimo das famílias, confortando-as nos momentos de aflição. Sua firmeza ao permanecer diante da cruz, confiante em Deus e ciente da grandiosa missão de seu Filho, é um testemunho de sua corredenção. Apesar de sua presença discreta nas Sagradas Escrituras, a missão oculta da Virgem era realizar tudo por amor ao seu Senhor. Ela serviu sua parente Isabel, instruiu o Menino Jesus e obteve — e até hoje obtém — milagres do Homem-Deus para a humanidade, começando pelo notável episódio das Bodas de Caná.

O Menino Jesus

Por trinta anos o Menino Jesus teve uma vida oculta, ensinando por meio de seus exemplos e sendo submisso à Maria e a José. Sua submissão a seus pais terrenos representa o cumprimento perfeito do quarto mandamento e é uma imagem temporal da obediência filial ao Pai celeste

“Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?”. Mas, eles não compreenderam o que lhes estava dizendo. Depois, desceu com eles para Nazaré e lhes era submisso. 5

Especialmente por ser Deus, destaca-se o Menino Jesus nesta Sagrada Família, como o maior exemplo de obediência filial. Aquele que é o Rei do Universo, Criador de todas as coisas, submeteu-se a uma família, dedicava-se ao trabalho e aprendia o ofício de São José na carpintaria. Viveu em tudo a condição humana — exceto o pecado —, fome, sede, sofrimentos, trabalhos e a submissão à lei.

Em Nazaré, Jesus era submisso! Era o seu grande papel — o resumo dos seus 30 anos de vida oculta. […] Jesus começou fazendo ele mesmo, antes de ensinar aos outros. De fato, Nazaré não é somente o teatro da vida oculta de Jesus, mas ainda a sua cátedra de verdade, da qual ensina ao mundo inteiro a prática das virtudes mais sublimes. 6
imagem da sagrada família em uma cena comum do cotidiano.

Oração à Sagrada Família

Jesus, Maria e José,
em Vós contemplamos
o esplendor do verdadeiro amor,
confiantes, a Vós nos consagramos.
Sagrada Família de Nazaré,
tornai também as nossas famílias
lugares de comunhão e cenáculos de oração,
autênticas escolas do Evangelho
e pequenas igrejas domésticas.
Sagrada Família de Nazaré,
que nunca mais haja nas famílias
episódios de violência, de fechamento e divisão;
e quem tiver sido ferido ou escandalizado
seja rapidamente consolado e curado.
Sagrada Família de Nazaré,
fazei que todos nos tornemos conscientes
do carácter sagrado e inviolável da família,
da sua beleza no projecto de Deus.
Jesus, Maria e José,
ouvi-nos e acolhei a nossa súplica.
Ámem.

(Papa Francisco, Amoris Laetitia, 325) 7

Referências

  1. VATICAN NEWS, Sagrada Família de Nazaré[]
  2. Mt 2, 13-18[]
  3. Lombaerde, Júlio Emílio Alberto de, Ensinamentos da Sagrada Família. — 2 ed. — Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2022, p.64[]
  4. Lombaerde, Júlio Emílio Alberto de, Ensinamentos da Sagrada Família. — 2 ed. — Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2022, p.102[]
  5. Lc 2, 49-51[]
  6. Lombaerde, Júlio Emílio Alberto de, Ensinamentos da Sagrada Família. — 2 ed. — Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2022, p.134[]
  7. VATICAN NEWS, Oração à Sagrada Família[]

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    Redação MBC

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    Você sabia que a Igreja celebra a festa da Sagrada Família? Conheça a Família de Nazaré nas Escrituras e o que ela tem a nos ensinar.

    A célula primordial da sociedade é a família, originada da união entre um homem e uma mulher, destinada à procriação, auxílio mútuo e proteção. Nessa aliança, destaca-se a dedicação e o sacrifício em favor do outro pelo amor que os une. O II Concílio do Vaticano reconhece a família como a Igreja Doméstica, compartilhando com a Igreja Universal a missão de salvar almas, render culto a Deus e realizar o trabalho do apostolado.

    Sendo assim, o Verbo Encarnado escolheu manifestar-se no seio de uma família, elevando a importância e a sacralidade desse núcleo. Neste artigo, exploraremos aspectos da vida oculta da Família de Nazaré, mergulhando na celebração da festa da Sagrada Família e as lições valiosas que cada um de seus membros têm a ensinar.

    O que é a Festa da Sagrada Família?

    A Festa da Sagrada Família é uma celebração que honra de maneira especial a vida da Família de Jesus, Maria e José. A Igreja celebra nesta festa a profunda escolha divina de Cristo em nascer e crescer no seio de uma família humana. Ao longo da maior parte de sua vida, Jesus compartilhou as experiências cotidianas da humanidade, dedicando-se ao trabalho manual e seguindo as tradições da religião judaica. Desse modo, a família torna-se um instrumento de Deus para a nossa salvação, é no seio familiar que o ser humano deveria compreender o sentido de sua vida.

    A Sagrada Família é um modelo de santidade para todas as famílias, pois ela transmite a beleza da comunhão, do amor verdadeiro e simples, e do caráter sagrado e inviolável da vida familiar. No entanto, não devemos pensar que, por serem santos, foi fácil para Maria e José. Eles enfrentaram inúmeras dificuldades, desde antes do nascimento de Jesus, mas confiaram em Deus e O obedeceram — o que as tornaram pessoas dignas do céu. Portanto, esta festa é para nós um chamado a refletir sobre o verdadeiro sentido da família e a buscar inspiração na vida terrena de Maria, José e Jesus — que santificou o ordinário com Sua presença divina.

    Conheça a festa do Natal do Senhor: o nascimento de Cristo.

    Quando a Festa da Sagrada Família é celebrada?

    A Igreja celebra a Festa da Sagrada Família no domingo após o Natal. Esta tradição se desenvolveu a partir do século XIX no Canadá e, posteriormente, a partir de 1920, foi adotada por toda a Igreja. Inicialmente, ela ocorria no domingo após a Epifania 1. No entanto, é importante observar que essa celebração é omitida quando o domingo é a solenidade da Mãe de Deus.

    O ajuste da data para o domingo seguinte ao Natal ressalta a proximidade cronológica do nascimento de Cristo e a importância de refletir sobre o exemplo da Família Santa de Nazaré durante esta época festiva.

    Jesus nasceu mesmo no dia 25 de dezembro? Confira aqui.

    A Sagrada Família na Bíblia

    A origem da Festa da Sagrada Família encontra suas raízes na narrativa do Evangelho de São Mateus, capítulo 2. A passagem relata os eventos após o nascimento de Jesus em Belém. Depois da visita dos Magos, o anjo do Senhor apareceu em sonhos a José, alertando-o sobre a ameaça iminente de Herodes. O rei, temendo a perda de seu poder para o recém-nascido “Rei dos judeus”, ordenou a execução de todos os meninos com menos de dois anos na região de Belém:

    Depois de sua partida, um anjo do Senhor apareceu em so­nhos a José e disse: “Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito; fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para o matar”. José levantou-se durante a noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito. Ali permaneceu até a morte de Herodes para que se cumprisse o que o Senhor dissera pelo profeta: Do Egito chamei meu filho (Os 11,1). Vendo, então, Herodes que tinha sido enganado pelos magos, ficou muito irritado e mandou massacrar em Belém e nos seus arredores todos os meninos de dois anos para baixo, conforme o tempo exato que havia indagado dos magos. Cumpriu-se, então, o que foi dito pelo profeta Jeremias: Em Ramá se ouviu uma voz, choro e grandes lamentos: é Raquel a chorar seus filhos; não quer consolação, porque já não existem (Jr 31,15)! 2

    Este trecho do Evangelho destaca a confiança e a obediência da Sagrada Família, pois São José partiu às pressas, a fim de salvar o Menino. A cena evoca a imagem de uma jornada difícil, sem guia, provisões adequadas ou abrigo seguro, intensificando a apreensão dos santos diante da ameaça à vida de Cristo. Embora a Bíblia ofereça poucos detalhes a respeito da viagem, não nos é difícil imaginar a dificuldade que era deslocar-se dessa maneira, sobretudo naquela época e sob tais condições.

    imagem da Sagrada família na fuga para o Egito.

    O Pe. Júlio Maria de Lombaerde, autor do livro Ensinamentos da Sagrada Família nos ajuda a visualizar a cena ao contar a trajetória dos três santos viajantes:

    Evitando a estrada real para maior segurança, sobretudo nas vizinhanças de Jerusalém, os santos viajores seguem com dificuldade pelo leito das torrentes, por caminhos impérvios e, a bem dizer, impraticáveis. Depois de três horas de viagem chegam à fonte de Bessur, já mencionada no livro de Josué, e ali pararam um instante. 3

    Contemplar este episódio enfrentado pela Sagrada Família leva-nos a refletir não somente sobre a proteção divina, mas também a respeito da realidade do sofrimento e da confiança inabalável em Deus. Diante do imenso desafio, Maria e José não sucumbiram ao desespero, mas mantiveram-se firmes, obedecendo ao chamado do Senhor. Desse modo, a Família de Nazaré, ao enfrentar o Massacre dos Inocentes, revela-se como um farol de luz e refúgio para todos os que buscam a direção e a proteção de Deus em suas próprias vidas familiares, especialmente nas adversidades.

    Saiba como surgiu o presépio.

    O que a Festa da Sagrada Família nos ensina?

    A Festa da Sagrada Família é uma oportunidade para refletir sobre os preciosos ensinamentos transmitidos pela Família de Nazaré. Cada membro dessa Família Sagrada nos oferece lições valiosas e atemporais. Não importa se viveram a mais de dois mil anos atrás, com eles, aprendemos o que é ser família, como agir no seio familiar, bem como o papel de um pai, de uma mãe e de um filho, em qualquer época.

    São José

    São José, escolhido para ser o pai adotivo de Jesus, é um exemplo de obediência silenciosa à vontade de Deus. Foi a ele que Deus confiou os cuidados de Seus dois tesouros preciosos: a Virgem Maria e o Menino Jesus. Mesmo diante de desafios e incertezas, ele confiou na orientação divina, mostrando-nos a importância de ouvir e seguir a vontade de Deus na vida familiar.

    Como protetor da Sagrada Família, São José nos ensina sobre o papel vital dos pais na proteção e cuidado de suas famílias. Sua prontidão em fugir para o Egito para salvar Jesus do massacre dos inocentes destaca a responsabilidade de zelar pelos próprios filhos e protegê-los de tudo que possa prejudicá-los — espiritual ou fisicamente.

    Pe. Júlio Lombaerde também traz à tona a grande missão de São José como chefe da Sagrada Família. Ele afirma que enquanto os demais santos tiveram a missão de manifestar a virtude de Deus e propagar o Seu nome, o ministério de São José era ocultar a glória do Menino Jesus, mantendo-o em segurança, até o dia de sua manifestação. Sob o “véu” de São José, Maria e Jesus puderam cumprir a sua missão oculta até que a ação deles resplandecesse no mistério da cruz. 4

    A Virgem Maria

    Maria foi escolhida e preparada por Deus desde o ventre para ser a mãe do Salvador. Seu sim ao anúncio do anjo e toda a sua vida colocam-na como modelo de humildade e submissão à vontade de Deus. Olhando para ela, as mães aprendem a moldarem os seus corações, a fim de serem capazes de se doar pelos seus. Ao seguir o exemplo da Mãe de Cristo, as mães têm a oportunidade de transcender o amor e o sacrifício em seus lares.

    Maria é o ânimo das famílias, confortando-as nos momentos de aflição. Sua firmeza ao permanecer diante da cruz, confiante em Deus e ciente da grandiosa missão de seu Filho, é um testemunho de sua corredenção. Apesar de sua presença discreta nas Sagradas Escrituras, a missão oculta da Virgem era realizar tudo por amor ao seu Senhor. Ela serviu sua parente Isabel, instruiu o Menino Jesus e obteve — e até hoje obtém — milagres do Homem-Deus para a humanidade, começando pelo notável episódio das Bodas de Caná.

    O Menino Jesus

    Por trinta anos o Menino Jesus teve uma vida oculta, ensinando por meio de seus exemplos e sendo submisso à Maria e a José. Sua submissão a seus pais terrenos representa o cumprimento perfeito do quarto mandamento e é uma imagem temporal da obediência filial ao Pai celeste

    “Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?”. Mas, eles não compreenderam o que lhes estava dizendo. Depois, desceu com eles para Nazaré e lhes era submisso. 5

    Especialmente por ser Deus, destaca-se o Menino Jesus nesta Sagrada Família, como o maior exemplo de obediência filial. Aquele que é o Rei do Universo, Criador de todas as coisas, submeteu-se a uma família, dedicava-se ao trabalho e aprendia o ofício de São José na carpintaria. Viveu em tudo a condição humana — exceto o pecado —, fome, sede, sofrimentos, trabalhos e a submissão à lei.

    Em Nazaré, Jesus era submisso! Era o seu grande papel — o resumo dos seus 30 anos de vida oculta. […] Jesus começou fazendo ele mesmo, antes de ensinar aos outros. De fato, Nazaré não é somente o teatro da vida oculta de Jesus, mas ainda a sua cátedra de verdade, da qual ensina ao mundo inteiro a prática das virtudes mais sublimes. 6
    imagem da sagrada família em uma cena comum do cotidiano.

    Oração à Sagrada Família

    Jesus, Maria e José,
    em Vós contemplamos
    o esplendor do verdadeiro amor,
    confiantes, a Vós nos consagramos.
    Sagrada Família de Nazaré,
    tornai também as nossas famílias
    lugares de comunhão e cenáculos de oração,
    autênticas escolas do Evangelho
    e pequenas igrejas domésticas.
    Sagrada Família de Nazaré,
    que nunca mais haja nas famílias
    episódios de violência, de fechamento e divisão;
    e quem tiver sido ferido ou escandalizado
    seja rapidamente consolado e curado.
    Sagrada Família de Nazaré,
    fazei que todos nos tornemos conscientes
    do carácter sagrado e inviolável da família,
    da sua beleza no projecto de Deus.
    Jesus, Maria e José,
    ouvi-nos e acolhei a nossa súplica.
    Ámem.

    (Papa Francisco, Amoris Laetitia, 325) 7

    Referências

    1. VATICAN NEWS, Sagrada Família de Nazaré[]
    2. Mt 2, 13-18[]
    3. Lombaerde, Júlio Emílio Alberto de, Ensinamentos da Sagrada Família. — 2 ed. — Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2022, p.64[]
    4. Lombaerde, Júlio Emílio Alberto de, Ensinamentos da Sagrada Família. — 2 ed. — Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2022, p.102[]
    5. Lc 2, 49-51[]
    6. Lombaerde, Júlio Emílio Alberto de, Ensinamentos da Sagrada Família. — 2 ed. — Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2022, p.134[]
    7. VATICAN NEWS, Oração à Sagrada Família[]

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